segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O país dos rosalinos

O secretário Rosalino é um arauto da defesa daquilo a que muita gente chama igualdade entre trabalhadores do sector público e privado. Isso da igualdade é uma coisa bonita. Daquelas de que toda a gente gosta de ouvir falar. Ainda que essa alegada igualdade não seja para melhorar a vida dos que estão pior mas sim e apenas para piorar a dos que, alegadamente, estarão melhor.
Mas o Rosalino é, na vida real, bancário. No Banco de Portugal, ao que parece. Ora a instituição onde o nosso Rosalino trabalha quando não está na politica será, segundo se diz, das que mais direitos - provavelmente privilégios, na perspectiva dos Rosalinos e seus admiradores – concede aos seus funcionários. De tal maneira que o Rosalino terá, segundo a imprensa, dois créditos à habitação. Daqueles a juros módicos a que apenas os bancários têm acesso. O que não tem nada de mal, diga-se. A menos que mentes perversas – como a minha, admito – se comecem a questionar acerca de um tal conceito esquisito nem sempre visto de maneira igual. Igualdade, ou lá o que é.
Não consta que relativamente a matérias desta – e de outra – natureza, os Rosalinos que andam lá pelo governo evidenciem especial preocupação. Nem que os habituais defensores da equidade, convergência, igualdade e outros conceitos todos jeitosos, manifestem a mais leve indignação. São coisas que não interessam ao pagode. A esse basta que lhe vão alimentado o ódio aos funcionários públicos.

domingo, 8 de setembro de 2013

Cagarras falantes


Não faltaram alarves a ironizar acerca da deslocação do Presidente da República às Ilhas Selvagens. Gente sábia e geralmente bem informada, quase sempre. A mesma que irá debitar baboseiras sem conta, de índole patrioteira ou de natureza pacifista conforme os gostos, quando, numa qualquer manhã, a bandeira espanhola estiver içada naquele – por enquanto – território português. Mas isso será depois. Por agora nem um pio a lamentar a figura deplorável que fizeram quando se fartaram de gozar com as cagarras. Deve ser porque ainda não perceberam o motivo da deslocação do homem àquelas paragens. O que não deixa de ser estranho para gente tão esperta.

sábado, 7 de setembro de 2013

Férias


Os textos publicados entre 31 de Agosto e hoje foram, tal como este post, escritos e agendada a sua publicação antes daquela data. O que significa que, desde então, o blogue tem estado em "piloto automático". Os comentários que entretanto por aqui tenham sido deixados pelos frequentadores deste espaço serão, se tudo tiver corrido dentro da normalidade, publicados logo mais para a noite. À hora da publicação desta prosa ainda estarei pelos Algarves a gozar as últimas horas de férias...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Às tantas alguns deviam ir mesmo para a rua...

A construção como "motor do desenvolvimento" acabou. É passado. E o futuro, pelo menos o mais imediato, não passará pela reabilitação urbana. Pelo menos enquanto o governo não tiver a coragem de extinguir uma quantidade de organismos públicos intervenientes nos processos relacionados com esta área que, para justificar a sua existência, emperram sistematicamente qualquer tentativa de investir neste sector.
Quase toda a gente conhece histórias mais ou menos rocambolescas sobre a actuação deste ou daquele “instituto”, neste ou naquele processo. Basta alguém tentar substituir um telhado em ruínas de uma qualquer casa, num qualquer centro histórico de uma qualquer vila ou cidade, para perceber o imenso sarilho onde se meteu. A menos que tenha uma sorte do caraças e apanhe alguém bem disposto. Nesse caso pode ser que até autorizem buracos numa qualquer muralha.
Questiono-me acerca do motivo por que os esparveirados que estão no governo, já que têm tanta vontade de despedir gente e fechar serviços, não começam por aqueles que, sem razão aparente, apenas servem de entrave a quem pretende investir, criar postos de trabalho ou recuperar património. Deve ser por envolver “cultura”, ou lá o que é.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Será que temos assunto fracturante?!

Os partidos são importantes. Essenciais para a democracia, mesmo. Sem eles viveríamos numa ditadura e isso, por mais que alguns afiancem que era a única forma de endireitar o país, é coisa que poucos apreciam. Pelo menos quando aplicada a nós. Já se for noutras paragens – Coreia do Norte, Cuba ou Arábia Saudita – não faz mal nenhum e até algo muito valorizável.

Mas, discorria eu, os partidos são importantes. Nomeadamente para tratar de assuntos importantes. Como, a titulo de exemplo, o piropo. A sua importância está claramente desvalorizada, a sociedade tolera-o e isso, na opinião de duas activistas da causa feminista por acaso militantes do Bloco de Esquerda, é algo intolerável. Do mais intolerável que há. Será, portanto, altura de começar a pensar em controlar o piropo. Como, ainda não sabem. Para já o assunto está em discussão no partido e depois, lá mais para a frente, logo se vê o que se pode fazer. Mas, seja o for, será importante.  

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Incêndios

Todos os anos há fogos. É inevitável. Por uma ou outra razão. Todos os anos também se repetem as mesmas lengalengas da falta de limpeza, da ausência de meios, da insuficiente aposta na prevenção, de interesses instalados e muito mais consoante a imaginação de quem disserta sobre a matéria. Todos, admito, terão razão. E, também acredito, todos gostariam que a realidade fosse diferente e, muito principalmente, que não houvesse perda de vidas a lamentar.
Discordo, em parte, na proporção da culpa que se pretende atribuir aos proprietários de terrenos por não limparem as suas propriedades. Logo porque, tratando-se de mato, não fará grande mal que arda. Depois porque essa coisa da combustão espontânea não é das mais frequentes e raramente acontecerá durante a madrugada. Finalmente, ainda que poucos a mencionem, a desertificação do país contribui decisivamente para estas ocorrências. O abandono dos campos, com tudo o que isso acarreta, será um dos principais factores para as dimensões que muitos incêndios atingem.
Bêbados, malucos e maridos encornados com tendências pirómanas são, igualmente, um perigo para a floresta. Desses devia ser a justiça a tratar. A popular, porque a outra...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

No segurar é que está o ganho

Por preguiça, mais do que por qualquer outro motivo, raramente dou uso à bicicleta. O percurso para o trabalho é feito a pé e como não sou muito dado à actividade física a título de lazer, o velocípede acaba por quase não sair da garagem. Menos sairá se uma proposta que anda por aí a circular, no sentido de obrigar as bicicletas a ter um seguro, vier a ser concretizada. Estava-se mesmo a ver que, dado o seu exponencial crescimento nos últimos anos, este seria um mercado extremamente apetecível para as seguradoras. Não admira por isso que, um destes dias, o governo faça a vontade a essa malta e obrigue quem quiser andar de bicicleta na via pública a contribuir para encher os bolsos às empresas do ramo segurador. E não só, digo eu, que isto acaba sempre por escorrer qualquer coisinha para fora do pote.
Os argumentos para tal decisão têm, se vistos isoladamente, alguma coerência. Os ciclistas podem, de facto, causar danos a outros utentes do espaço público. Tal como os carrinhos de bebé. Ou aqueles carrinhos, com duas rodas, que as velhotas usam para ir às compras e – parece que fazem de propósito, o raio das velhas - chocam com os nossos tornozelos. Os andarilhos, usados pelos mais idosos e com dificuldade de locomoção, constituem outro perigo escondido. Sabe-se lá os danos que podem causar se uma das rodas atropelar a unha do dedo grande de um transeunte em chanatos. Isto para não ir mais longe. Porque, bem visto, ainda se arranjam uma meia-dúzia de razões que justifiquem a obrigatoriedade de um seguro de peão. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mais do mesmo

Há anos que nos tentam convencer que a solução para todos os nossos males está na alteração das leis laborais. Facilitar os despedimentos, garantem-nos, estimula a criação de emprego. Pois. Deve ser, deve. O resultado de dez anos – ou mais – desta conversa está à vista. Nem o aumento brutal do desemprego tem a ver com as leis em vigor, nem a alteração do quadro legislativo criará emprego. Mas vá lá alguém convencer disso os iluminados que nos governam ou os génios, alegadamente especialistas em coisas, que os apoiam nas televisões e jornais.
A par de uma ainda maior liberalização dos despedimentos pretendem agora reduzir o salário mínimo nacional. Já de si bastante... competitivo, digamos, para usar um termo todo modernaço. É difícil imaginar que gente pretensamente letrada equacione sequer a adopção de tal medida. A ir em frente será, tal como a maioria das tomadas até agora, mais um desastre e causará uma devastação a nível social com contornos fáceis de imaginar. Mas, se calhar, é mesmo isso que eles querem.   

domingo, 1 de setembro de 2013

A sombra. Ou a falta dela.


Nesta viela quase não entra o sol. Ou, a entrar, os seus raios não impedirão que a rua tenha sombra durante quase todo o dia. Mas o quase não chega ao automobilista extremoso e cioso com o conforto do seu carrinho. Desconfio que um dias destes, se é que não o fez já, ainda arranja maneira de mesmo em viagem continuar a manter o popó ao abrigo da inclemência do astro-rei. Com uma sombrinha daquelas grandes acoplada ao tejadilho, por exemplo. Ou de outra forma igualmente parva...

sábado, 31 de agosto de 2013

O contributo dos portugueses para o senhor Carreira já irá em mais de um milhão de euros

A contratação de espectáculos com o Tony Carreira surge sempre, aqui pelo Kruzes e não só, como mau exemplo do esbanjamento de dinheiros públicos. De tal maneira que já por aqui tive leitores – no caso foram mais leitoras – a insurgirem-se contra aquilo que classificaram de obsessão da minha parte relativamente aos gastos com a criatura em questão. Contra os quais nada tenho, como também já tive ocasião de referir, se forem feitos por agentes privados.
Outros, nomeadamente gente que se preocupa com isso do esturrar dinheiro público de forma inglória, têm a mesma opinião. Nada que interesse muito a quem procura angariar votos entre as fêmeas lusas das classes D e E”. Quem quiser seguir os links pode confirmá-lo. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

40 horas e um feriado. Pelo menos.

A vontade de voltar ao assunto não era grande mas a recente publicação da lei que prolonga o horário de trabalho na função pública para as oito horas diárias reacendeu a minha indignação acerca do tema. Continuo a achar esta medida inútil, geradora de maior despesas de funcionamento e que em nada beneficiará os contribuintes. Mas disso já dei conta noutros posts pelo que não vou maçar que me lê com a repetição dos meus argumentos.

Prefiro, desta vez, dedicar uma palavra para aqueles que rejubilam com a imposição deste horário aos funcionários públicos. Rejubilem enquanto podem. Porque também rejubilaram quando perdemos os subsídios de férias e de Natal, lembram-se? E não se esqueçam que, adaptando à ocasião o que dizia o outro, nenhum trabalhador é uma ilha. Não se admirem, por isso, que as consequências do que agora aplaudem se repercutam, mais cedo do que tarde, em vossemecêses.

A propósito e como isto anda tudo ligado, ainda que ninguém – pelo menos que me tenha apercebido - falasse no assunto mas, se é que estou a ler bem, a lei agora publicada pode também ter acabado com o feriado de terça-feira de Carnaval. Diz lá, a páginas tantas, que “ A observância dos feriados facultativos previstos no Código do Trabalho, quando não correspondam a feriados municipais de localidades estabelecidos nos termos da lei aplicável, depende de decisão do Conselho de Ministros, sendo nulas as disposições de contrato ou de instrumento de regulamentação coletiva de trabalho que disponham em contrário”. Ora se isto não se destina a colocar um ponto final nas manigâncias que, um pouco por todo o lado, iam permitindo contornar a decisão do governo de não conceder tolerância de ponto pelo Carnaval, então não sei para que serve.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Chumbo qualificado


A reacção do PSD, pela voz de um ex-lider e ex-primeiro ministro, ao chumbo da lei dos despedimentos dos funcionários públicos pelo Tribunal Constitucional é assaz curiosa. Diz o cavalheiro que “é preferível despedir funcionários a reduzir prestações sociais”. Hesito quanto a isso. Dependerá dos funcionários a mandar para o olho da rua e de quem recebe os apoios do Estado. Mas para o PSD não será assim. Para os laranjas é melhor correr com trabalhadores, mandriões ou não, do quer deixar de pagar prestações sociais a reformados ricos que pouco ou nada contribuíram para a segurança social, a ciganos e a drogados. Escolhas. Cada um fará a sua. E o PSD, pelos vistos, já escolheu a sua base social de apoio.


Convinha que quem elabora os programas eleitorais fosse politicamente honesto. Era igualmente de bom tom, antes de prometer fosse o que fosse, tentar perceber quanto custaria o cumprimento das suas promessas. Melhor ainda seria perceber se o Município a que se candidata tem ou não margem financeira que permita, uma vez eleito, realizar, no todo ou em parte, o programa com que se apresenta aos eleitores. Ou, em alternativa, anunciar onde pensa arranjar o dinheiro para financiar a implantação das suas ideias. Convir, convinha. O pior é que poucos - e, se calhar, estou a ser optimista - o farão.
É por isso que, por melhores e mais merecedoras de aplausos que sejam as intenções dos candidatos, propostas deste tipo não podem ser levadas a sério. No caso em apreço, de acordo com os documentos de prestação de contas de 2012, este município arrecada uma receita anual que não atinge os dezanove milhões de euros. Ostenta, no mesmo período, uma divida a fornecedores que vai para lá dos vinte e dois milhões e empréstimos que quase chegam aos dezoito milhões de euros.
Perante este números parece difícil alguém acreditar na concretização daquelas propostas. Dá mesmo para desconfiar que aqueles que as fazem não conhecem a realidade financeira da instituição que pretendem governar. Ou então acham que podem, impunemente, não pagar a divida. Mas se acham isso é por que são ignorantes. É que o mundo mudou, ainda que alguns não tenham dado conta.   

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Confusões que ninguém acha útil explicar

A noticia que ontem ocupou grande parte dos noticiários e esteve em destaque em toda a imprensa é mais um exemplo da forma enviesada de comunicar do executivo, da ainda pior qualidade da informação que por cá se pratica e do oportunismo politico que se faz em torno de um qualquer não assunto. Tudo junto.
Dizia-se que o governo teria impedido as universidades de se financiarem com receitas próprias. O que, está bem de ver, seria uma estupidez que a ninguém ocorreria por mais desmiolado que seja. E nesse âmbito estamos bem servidos em termos governativos.
Afinal o que estava em causa era que previsão da receita própria a inscrever no orçamento para 2014 não podia ser superior à receita cobrada em 2012. O que indiscutivelmente é uma medida do mais elementar bom senso e uma regra fundamental para evitar que a sobre orçamentação conduza ao aumento do endividamento. Podiam ter explicado, nem sei por que ninguém o fez, que uma coisa é o que se prevê cobrar e outra, raramente coincidente, o que efectivamente se cobra. Um previsão de 100 nada impede uma cobrança de 200. Ou o contrário. Parece, até para um jornalista, não ser uma coisa muito difícil de entender.
Quanto a mim – mas isso deve ser da minha visão distorcida destas matérias – o que estará em causa será algo completamente diferente. O governo pretende, com este tipo de restrição orçamental, forçar as entidades públicas a despedir funcionários. Obrigar, do lado da receita, a um orçamento igual a 2012 quando, na despesa, é necessário acomodar mais dois meses de vencimentos e o aumento de 18,75% nas contribuições para a CGA é um exercício de quase impossível resolução que outro objectivo não pode ter que a redução de efectivos. Mas isso não convém que se saiba. Principalmente em vésperas de eleições. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Que nem uns nem outros cheguem ao céu...


Ao que consta esta magnifica avenida, recentemente construída onde antes passava a linha do caminho de ferro, será o paraíso dos aceleras locais. Diz que se faz por ali, de quando em vez, um ou outro teste à potência dos motores e à sua capacidade de aceleração. Coisas de malta extremamente inteligente que, aproveitando os mais de mil metros do percurso, gosta de pôr à prova a sua viatura e a capacidade de a conduzir a elevada velocidade. Dizem, repito, porque  dessas aventuras nada sei. O que sei, relativamente a este espaço, é que será uma pena se algumas vozes que “exigem” a colocação de bandas sonoras ao longo da via “chegarem ao céu”.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Quando dar a cara não significa ter coragem

A morte de António Borges suscitou, entre os amigos, correlegionários, compangnons de route e políticos em geral, as reacções habituais nestas circunstâncias. O elogio do carácter, competência, a inteligência e a frontalidade com que se exprimia, são realçados unanimemente.
Nunca gostei das ideias que o falecido não se cansava de considerar como imprescindíveis para solucionar os problemas do país. O que, obviamente, não exclui o reconhecimento pelas qualidades que eventualmente o senhor possa ter tido em vida. Até porque outros, de certeza tão inteligentes, competentes e de igual verticalidade de carácter têm, sobre os mesmos assuntos, ideias completamente diferentes.
O que acho de todo deplorável são os comentários abjectos, nojentos e reveladores do baixo nível intelectual de muitos utilizadores das redes sociais. Nomeadamente nas caixas de comentários de blogues e nessa parede de casa de banho pública dos tempos modernos que dá pelo nome de facebook.
Não apreciar as ideias do economista e manifestar o desacordo em relação a elas é legitimo, mas escrever o que muita gente com idade para ter juízo anda por aí a publicar acerca da morte do homem é para lá de lamentável. Alguns são os mesmos que não se coíbem de criticar “os que não têm coragem de dar a cara e se escondem cobardemente atrás do anonimato”. Por mim hesito na escolha. Não sei se é pior um anónimo cobarde se um cobarde sem vergonha de mostrar as suas ventas de javardo.  

domingo, 25 de agosto de 2013

Vespas enormes!


Não gosto do aspecto deste bicho que hoje aterrou no meu quintal. Verdade que nada percebo de entomologia mas, assim à primeira vista, o insecto que abati não parece uma vespula vulgaris. Não ouso afirmar que o ameaçador himenóptero é um exemplar da tão temida vespa assassina – até porque nunca vi nenhuma - mas que, enquanto viva, a sua presença era um pouco inquietante lá isso era.

Hoje, em Lisboa, é dia de brincar aos bombeiros


O país está a arder. Enquanto isso, em Lisboa, assinala-se mais um aniversário do incêndio do Chiado. Com mobilização de meios de combate a incêndios, bombeiros e tudo o mais que pareça relacionado com a efeméride. É a dinâmica do poder local no seu melhor. Entretanto a paisagem que vá ardendo...

sábado, 24 de agosto de 2013

O homem é um santo!

Luís Filipe Meneses terá dado dinheiro a uma velhinha. Nada de especial. A intenção terá sido, segundo os apaniguados que já vieram em defesa do homem, auxiliar a idosa a pagar as rendas em atraso. Um coração de manteiga, este LFM. Um poço de generosidade. Um filantropo incapaz de resistir às dificuldades evidenciadas pelos eleitores. Tudo o que um autarca deve ser, portanto.
Este tipo de atitude não é novo. É mesmo muito comum em período eleitoral. Tanto que não suscita entre a generalidade dos portugueses uma reacção demasiado crítica. Pelo contrário, não falta gente, dentro e fora da classe política, a considerar que o candidato não fez nada de mal e que se tratou apenas de um acto de carácter humanitário. Eu também manifesto a minha compreensão para com este comportamento. Ou para com outro qualquer. Em lugar da velhinha até podia ter investido o dinheiro a comprar o voto de uma prostituta auxiliado uma prestadora de serviços de carácter sexual com manifesta falta de clientes e notória dificuldade em regularizar as contas.  

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Já não há propaganda como havia antigamente...

A Comissão Nacional de Eleições estará a colocar diversas restrições ao uso das novas formas de comunicação, para fins de divulgação de propaganda eleitoral. A ideia pode, até, consubstanciar um conjunto de boas intenções. O pior é que este organismo do Estado – que, se calhar, nem se justificará muito que continue a existir – parece não ter ainda reparado que o mundo mudou. Seja nos meios à disposição dos partidos para fazer chegar a sua mensagem junto do eleitorado ou na quantidade de dinheiro considerada aceitável para gastar nestas actividades.
Verdade que telefonemas, e-mail ou sms não constituem um meio especialmente eficaz para aproximar o candidato ao eleitor. Mas isso não é problema nosso. Nem da CNE. É lá com eles, os que propõem servir o povo. Até porque podem sempre fazer como, alegadamente, terá feito aquele candidato – eleito Presidente e desde há muitos anos a usufruir de uma generosa reforma – que segundo reza a lenda, porque isto já lá vai um quarto de século, terá calcorreado sozinho o concelho onde se candidatava. Não terá havido velhinha com quem não tivesse comido uma cachola ou umas migas – as eleições nessa altura eram no inverno – nem velhote com quem não tivesse apanhado um pifo. Isso sim é que eram campanhas à séria. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estratégia: Em grego: strategía, em latim: estrategia, em francês: stratégie, em inglês: strategy, em alemão: strategie, em italiano: strategia, em espanhol: estrategia…

Vêm aí mais milhões. Daqueles que a Europa nos envia para a malta fazer coisas. Desta vez a ideia, tão disparatada como qualquer outra onde já enterraram “charters” de euros, é esturrar o dinheiro a integrar os cidadãos de etnia cigana. Para isso conta-se realizar um investimento a rondar os trezentos e cinquenta milhões de euros, financiados em oitenta por cento pelos fundos comunitários. Os restantes vinte por cento – uns trocos, praticamente – são por conta do orçamento nacional.
A maior parte do dinheiro terá como destino a qualificação dos alojamentos. Que é como quem diz, dar-lhes uma casa. Nisto os municípios terão um papel preponderante. De tal forma que o programa tem como objectivo a sensibilização de 90% das autarquias com população cigana para as especificidades da sua cultura e para o seu realojamento.
Ora, em altura de preparação de programas eleitorais e de inicio de campanha, seria bom que quem se candidata às autarquias esclareça os eleitores acerca do que pretende fazer a este respeito. Nomeadamente que diga claramente se é sensível às especificidades da cultura cigana. Em todas as suas vertentes, de preferência. Se tolera os comportamentos anti-sociais que os elementos daquelas comunidades evidenciam nos espaços públicos, por exemplo. Ou que assuma perante os contribuintes e eleitores do respectivo concelho que vai construir casinhas para os ciganos. Os contribuintes e eleitores que já perderam as suas casas e os que estão vias de as perder por incapacidade de cumprir com os pagamentos ao banco vão, de certeza, perceber a estratégia. E aqueles que trabalham uma vida inteira para as pagar, também. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Esclareçam lá o Tozé sobre isso do IVA

Já por diversas ocasiões aqui expressei o quanto me aborrece a lengalenga em torno do iva da restauração. Posso, até, admitir que a taxa aplicável à restauração seja desajustada. Constato, como qualquer um que ande por aí, que as coisas não correm especialmente bem a este sector. Mas estou em total desacordo com os que culpam a elevada carga fiscal pelo encerramento de alguns estabelecimentos e o consequente aumento do desemprego no ramo.
A ganância de muitos empresários – se calhar a maioria – que os leva a praticar preços que mais se assemelham a um assalto ao consumidor terá, provavelmente, um efeito bastante mais nocivo do que a taxa de imposto. Até porque este, ao contrário do que é constantemente afirmado, é pago pelo cliente e não pelo comerciante. Daí que a expressão “não ganho para pagar o IVA” não faça, quando proferida pelos taberneiros e correlativos, qualquer sentido e não passe de um enorme disparate. O IVA já foi pago por quem consumiu. Previamente. Eles apenas têm de entregar ao fisco algo que já cobraram e que não lhes pertence.
Achava eu que quando as vendas caiem a solução, para voltar a vender mais, é diminuir a margem de lucro e praticar um preço mais baixo. A julgar pela amostra não é assim. Ou, então, crise é uma coisa que não assiste a todos. Já nem digo o resto, mas café a um euro numa espelunca manhosa pode não ser um roubo, mas um furto é de certeza absoluta.  

sábado, 17 de agosto de 2013

Tuga(i)mobil


Escritório, armazém ou pocilga. Isso ou outra coisa qualquer - contentor, por exemplo - é no que está transformado este carrinho. Triste fim para quem já conheceu melhores dias. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Das profundezas do Alentejo

Quando ouço a referência a um tal Alentejo profundo dá-me vontade de bater em alguém. Seja no gajo que primeiro a mencionou – um individuo que, consta, residirá para os lados de Belém – ou em todos os que, por uma qualquer razão a que não consigo atribuir nenhuma espécie de lógica, a utilizam para se referir a esta região do país. O último a quem me apeteceu ir às trombas foi o pivot do jornal da noite da TVI quando ontem, a propósito da novela da estação que está a ser gravada por estas bandas, o cavalheiro deu a noticia das gravações que por estes dias estão por a decorrer “em Estremoz, no Alentejo profundo”. Como fez questão de frisar.
Consultando o dicionário on-line Priberan fica-se a saber que profundo significa “cujo fundo está distante da superfície, da entrada ou da frente. Ora as filmagens objecto da reportagem decorreram ao nível do solo. Parece que existirão outras numa pedreira mas, ainda assim, a distância até à superfície não será nada de especial. Se o critério para medir isso da profundidade foi o da distância relativamente à entrada no Alentejo, então o jornalista é geograficamente ignorante. Que saiba nunca disse, nem ele nem os outros, que as comemorações do dia de Portugal decorreram em “Elvas, no Alentejo profundo”.
Ainda segundo o mesmo dicionário, em sentido figurado profundo poderá significar medonho, escuro, que inspira terror. Mas, presumo, não deve ter sido com essa intenção. É que se formos por aí a Estremadura profunda não será muito longe dos estúdios da TVI.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O que será que eles queimam?


O fumo do costume, vindo do mesmo local de sempre e com origem nos fogaréus habituais. Trata-se, portanto, de um hábito ali para as bandas do resort. A porra é que eles podem. Como podem quase tudo sem que ninguém os aborreça por isso. A lei que proíbe atear fogueiras por esta época do ano, tal como todas as que implicam deveres, não aplicam a esta rapaziada. Outros cidadãos, por muito menos, teriam a GNR e mais uma quantidade de instituições à perna. Assim não faz mal. É deixar arder. Talvez tenham esperança que eles ardam junto. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Retoma?! Vamos lá acabar com essa parvoíce!

Os indicadores divulgados hoje relativamente ao desempenho da economia nacional constituem, aparentemente, boas noticias. Ainda que alguns, os da oposição as não apreciem nesta fase do campeonato e os da situação se preparem para apagar qualquer luz que pareça estar a acender no fundo do túnel.
Dizer, como ouvi a alguns opositores ao governo, que a retoma se deve ao chumbo dos cortes dos subsídios pelo Tribunal Constitucional é, para não escrever outra coisa, assim a atirar para o parvo. Os valores repostos aos funcionários públicos foram comidos pelos impostos e os outros, os do sector privado, viram os ordenados reduzidos por causa do enorme aumento da tributação fiscal de que poucos parecem lembrar-se.
Já do lado do governo a vontade de continuar a escavar – nunca pensei citar o outro – mantém-se. Se a coisa está a recuperar então é sinal de que podemos carregar ainda mais na austeridade. Deve ser, presumo, a ideia que percorre as mentes iluminadas de governantes e conselheiros especialistas que os rodeiam. Só isso pode explicar as mais recentes intenções da peste laranja que assola o país.
Por mim não sei se isto se assemelha a alguma espécie de retoma. O mais certo é termos caído tanto que começa já a ser difícil ir mais para baixo. Mas talvez consigamos, ainda, ir mais fundo. Vontade que isso aconteça não falta a uns e ausência de jeito para nos trazer à tona sobeja a outros. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Coisas de fazer inveja ao Bob. O construtor.

Claro que não andámos a viver acima das nossas possibilidades. Obviamente que toda a obra construída ao longo do país, pelos poderes central e local, era absolutamente necessária. Naturalmente que havia dinheiro para a pagar. Ou se não havia ficava-se a dever e continuava-se a fazer mais, e mais e mais obra. Até que chegámos aqui. Graças aos muitos "autarcas-construtores" que se fartaram de obrar. E a nós, também, que rejubilámos com tanto desenvolvimento e que os aplaudimos de cada vez que obravam. É por isso que estamos na merda. Mas gostamos.
Segue-se a transcrição de um excerto da newsletter do IFPM, onde são dados alguns exemplos - poucos - do que tem sido o desbaratar do nosso dinheiro.

Autarquias endividadas e desertificadas
Endividadas e desertificadas, mas com obra feita. As câmaras construíram equipamentos nos últimos anos sem que isso tenha servido, sequer, para fixar a população.
Fomos de Algodres, concelho com menos de cinco mil habitantes, liderava em 2009 o 'ranking' das câmaras mais endividadas do País e nos últimos dez anos perdeu quase 700 moradores. Mas a fuga de população não terá acontecido por falta de investimento público: nos últimos anos, a pequena vila ganhou um novo Palácio da Justiça, um centro de saúde, uma central de camionagem, um novo quartel da GNR, um estádio de futebol, um quartel dos bombeiros e, mais recentemente, um centro escolar.
Além de todas estas infraestruturas, o concelho ainda se pode orgulhar de ter não um, mas dois espaços destinados à cultura. Até já existia um cine-auditório, construído para uma associação local, mas mesmo assim a câmara mandou fazer um novo centro cultural, inaugurado há cerca de cinco anos e que tem servido apenas para albergar um espaço internet.
Mas exemplos destes espalham-se por todo o território Nacional. Os dez municípios mais endividados do país perderam, nos últimos dez anos, segundo os resultados dos últimos censos, quase sete mil habitantes. Foram construídos centenas de edifícios com ajuda de Fundos comunitários sem que ninguém se tenha lembrado de que a manutenção dos mesmos iria sair do bolso dos munícipes. Em Alfândega da Fé, município que está em quarto lugar no 'ranking' do endividamento, há pelo menos um exemplo. Em 2008 foi inaugurado um Centro de Formação Desportiva que custou 1,7 milhões de euros. Obra possivelmente Seria necessária, mas muito provavelmente não seria prioritária.
Em Ourique, o Cine-teatro Sousa Telles, inaugurado em 2009, representou um investimento de mais de 1,5 milhões de euros. Quase quatro anos depois, só passa cinema de 15 em 15 dias. Além do cine-teatro, a câmara, que é sexta na lista do endividamento, também construiu um centro de convívio que teve um custo de 1,2 milhões e uma biblioteca em que se gastou perto de um milhão de euros. Já o pavilhão municipal, que é usado apenas seis vezes por ano, custou 581 mil euros.

Fundos "a dar com um pau"
Bruxelas atribui fundos e mais fundos e as autarquias vão aproveitando para fazer obra. Em muitos dos casos, as câmaras só têm de comparticipar a obra em 20 por cento, mas esquecem-se de que mesmo essa fatia tem de ter retomo.
O concelho do Sardoal, no distrito de Santarém, perdeu quase 200 habitantes na última década e está em 16.° lugar no 'ranking' do endividamento. A autarquia mandou erguer o Centro Cultural Gil Vicente, uma obra que custou três milhões de euros, comparticipada em 75 por cento. O espaço foi inaugurado em 2004 (no mesmo dia em que abriu uma piscina coberta que custou mais de meio milhão de euros), mas em 2011 só tinha projectado 13 filmes.
Em Penamacor, onde já só restam menos de seis mil habitantes, construíram-se umas piscinas aquecidas, orçadas em 1,35 milhões, que encerram ao fim-de-semana.
No Alentejo, Portalegre - que é capital de distrito -, perdeu mais de mil habitantes, apesar dos avultados investimentos realizados . nos últimos anos. O novo edifício da câmara, que também é centro de congressos, custou 7,4 milhões de euros. O museu da cidade implicou um investimento de 1,7 milhões e o centro de espectáculos 8,7 milhões, segundo o gabinete de imprensa da autarquia.
Em Seia, que pertence à NUT da Serra da Estrela (a região do País que mais habitantes perdeu entre 2001 e 2010), construíram-se dois museus e um centro de interpretação. No mesmo município, na freguesia de São Romão, um gimnodesportivo custou 1,9 milhões de euros.

Obras para ninguém
Já em Torre de Moncorvo gastaram-se 1,3 milhões de euros numa eco-pista para "amantes de caminhadas", segundo o gabinete de imprensa da câmara. Na sede do município transmontano ainda há cinema uma vez por semana, no cine-teatro inaugurado em 2005 e que custou cerca de 700 mil euros. Mas a média de assistência é bastante reduzida.
A câmara de Nisa, que perdeu mais de 1.100 habitantes, também está na lista dos municípios mais endividados. Culpa, disse a presidente ao jornal "i", da construção de um complexo termal que custou 10 milhões de euros, comparticipados em 25 por cento pela autarquia, e que obrigou à contracção de um empréstimo. Quase quatro anos depois da inauguração, Maria Tsukamoto admite que o retomo não tem sido "o esperado", essencialmente por causa da "crise que o País atravessa".
Já a câmara do Fundão, nona no ranking do endividamento,-perdeu mais de dois mil habitantes na última década. Em 2005, segundo o gabinete de imprensa municipal, a autarquia inaugurou uma biblioteca que custou 2,5 milhões de euros. No ano seguinte, ficou concluído o espaço cultural "A Moagem", que custou cinco milhões. Em 2007, apareceu um novo museu que custou 750 mil euros. Em 2009 foi recuperado o Palácio do Picadeiro, cujas obras estavam orçadas em 2,1 milhões de euros.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Calamidades turisticas

Parece de propósito. Estava tudo a correr tão bem, com o sector do turismo a obter resultados como há muito se não viam por estas paragens e, só para aborrecer, desatam a aparecer as más noticias. Ele é melgas aos milhões em Armação de Pêra, ele é merda a jorrar para a praia em Quarteira... Cum caraças, pá! Isso não podia esperar mais um bocadinho? Sei lá, deixar acabar o Verão, ou isso.
Verdade que as melgas têm uma tendência lixada para dar sinal de si quando o tempo aquece e, de preferência, há água estagnada por perto. Pode ser igualmente certo que as infraestruturas, numa como noutra localidade, estejam mais do que saturadas e tenham acabado por dar de si. Se calhar, digo eu, esturrar menos dinheiro nos Tonys Carreiras e apostar um pouco mais na manutenção de equipamentos era capaz de ser uma aposta mais rentável. Pelo menos quando se pensa em criação de emprego e de riqueza. Mas isso, por esta altura, é o que menos interessa. A reeleiçãozinha é muito mais importante.
Espera-se é que a coisa, em termos de calamidades turísticas, não vá a pior. Mas duvido. Diz que anda por aí um peixe maricas que se atira aos tomates dos banhistas. Garantem os especialistas que é de água doce, mas nunca fiando.

domingo, 11 de agosto de 2013

Passarões

Chavez andará a esvoaçar por aí – lá, pela Venezuela – em forma de pássaro. É o que garante o seu herdeiro politico. O mesmo herdeiro que, para melhor se concentrar, dorme de vez em quando junto ao mausoléu do amado e defunto líder. O que, assim de repente, me suscita uma série de questões. Desde logo que Chavez apenas reencarnará em pássaro durante o dia e ao cair da noite regressará ao conforto do seu túmulo. Não será, portanto, uma ave nocturna. Embora a espécie ainda ainda não tenha sido devidamente identificada sabe-se que chilreia que se farta. O estranho da coisa é Maduro não optado por recolher o tal passaroco em figura de Chavez – ou o contrário, sei lá – numa gaiola. Sempre podia levar o conselheiro para todo o lado. Mas, vendo bem, se calhar é melhor não. Ainda alguém ia pensar que o homem não batia bem...
Apesar de também não regularem lá muito bem, deve ser este tipo de sentimento que falta aos nossos governantes. Os vivos não se vão aconselhar junto dos túmulos de quem antes nos governou e os mortos, esses, não se transformam em aves canoras. Também era difícil para quem em vida sempre foi ave de rapina.

sábado, 10 de agosto de 2013

Por falar em baixa politica

Cortes? Sou contra. Não admira. Contra até podia ser o meu nome do meio. Nomeadamente quando isso dos cortes envolve pensões e salários. Ando a escrever há não sei quantos anos que diminuir o orçamento ao pagode não resulta em nada de bom, que não é por aí que lá vamos, mas, como vozes de burro não chegam ao céu, ninguém me liga. E os que ligam, na sua maioria, é para me lembrarem que não percebo nada disto e que o caminho tem de ser este. Pois. Tá-se mesmo a ver que sim. O burro devo mesmo ser eu.
Ainda assim, reconheço, há cortes e cortes. Não é o mesmo cortar quinhentos ou trezentos euros a quem aufere, de ordenado ou de pensão, cinco ou três mil euros ou tirar cem ou setenta euros a quem ganha setecentos ou mil. Os mesmos dez por cento produzem efeitos completamente diferentes. Para os primeiros a quebra de rendimentos representará apenas um transtorno e, quando muito, colocará em causa a realização de uma viagem ou umas quantas idas ao restaurante. No caso dos segundos poderá fazer toda a diferença e representar a ruptura orçamental do agregado familiar.
O líder do PS também é contra os cortes. Mas enquanto eu posso ser tão irresponsável quanto me apetecer, o suposto cabecilha da oposição não pode. Nem pode apregoar que abomina a baixa politica e, de seguida, garantir que se vierem a se aprovados os cortes nas pensões, assim que chegar ao poder trata de repor tudo como antes. Sem, pelo menos, dizer a quem é que tira o montante equivalente. Isso, parece-me, é capaz de ser politica rasteira. Subterrânea, até.