Este
monumental monte de merda de cão podia ser apreciado hoje manhã na
minha rua. O que causou, vá lá saber-se porquê, um elevado nível
de aborrecimento ao morador na casa junto à qual um dos mastins
residentes nas cercanias evacuou este vistoso conjunto de cagalhões.
Ficou, digamos, assim a atirar para o indignado. Com tudo e com
todos, dada a frequência com que a cena – as cagadas, portanto –
se repete. Num estado de evidente irritabilidade prometeu, não sei é
se terá coragem para isso, aparecer numa reunião de câmara para
protestar contra esta praga que assola o bairro. Não sei se será
grande ideia. Mas, enfim, cada um lá sabe quanto do seu tempo está disposto a desperdiçar. Espero é que não leve as provas...
sexta-feira, 5 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Sapos e aviões. Não necessariamente por esta ordem.
Vá
lá entender-se esta gente. Antes refilavam porque passavam sobre as
nossas cabeças aviões americanos carregados de terroristas,
transportados à surrelfa depois de capturados ilegalmente. Era, pelo
menos, o que afiançavam uns quantos auto proclamados defensores dos
direitos humanos. Agora estão aborrecidos porque alguém, do governo
ou outra autoridade qualquer, não permitiu que o nosso espaço aéreo
fosse cruzado por um aeroplano suspeito de transportar um passageiro
clandestino. Bolas, que esta gente é chata!
Por
falar em chatos. Continuam alguns a pedir eleições antecipadas. Que
o Tótó Inseguro o faça até compreendo. O lugar dá-lhe jeito, não
se ganha mal e ainda pode arranjar colocação para os amigos,
companheiros, camaradas e outros palhaços. Mas que o Partido
Comunista e o Bloco de Esquerda também o façam é que já me parece
uma coisa assim a atirar para o parvo. Para que querem eles a porra
das eleições?! Só se for para voltarem a colocar no poder os
mesmos que derrubaram há dois anos atrás. Devem estar arrependidos,
eles. Tenho esperança de ainda os ver a tapar a cara do Sócrates no
boletim de voto e a pôr a cruz no quadradinho em frente. Depois de
engolido o sapo da ordem, claro.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Revolução?! É pá não chateiem...
Estranhamente
nas últimas semanas – meses, talvez – tem-se falado muito e
escrito ainda mais, acerca de uma tal revolução que o povo
desejará. Basta estar atento a algumas palavras de ordem berradas
por manifestantes mal apessoados, ouvir opiniões proferidas na
televisão ou na rádio e ler os muitos artigos de opinião escritos
em blogues considerados de referência. E já nem digo essa parede de
casa de banho pública dos tempos modernos que dá pelo nome de
facebook. Aí, então, é bacorada atrás de bacorada.
Não
sei ao certo – nem ao incerto, como me apraz dizer – é que
revolução têm em mente. Nem a que povo, o que estará mortinho por
tal desiderato revolucionário, se referem eles. Nah...O povo não
quer revolução nenhuma. Quer é dinheiro pró carro novo, para
férias na estranja, para umas petiscaradas ou, pelo menos, para a
bucha. Ah, e isso, de trabalho ou lá o que é. Revolução?! São
tretas de intelectuais merdosos que, como dizia o camarada Jerónimo
e muito bem embora noutro contexto, sabem lá o que é a vida!
terça-feira, 2 de julho de 2013
Festejam o quê?!
Admito
que seja eu que esteja a ver mal a coisa. Ou então algo me está a
escapar. A verdade é que não consigo ver nada de positivo na queda
do governo. Não que tenha aquela malta em especial conta. Aliás,
quem tem a pachorra de me ler fará a justiça de reconhecer que
aprecio tanto a politica dos que ainda lá estão como a dos que por
lá passaram antes. Acontece é que não vejo alternativas credíveis.
Tenho
manifestas dificuldades em perceber os comportamentos eufóricos que
muitos exibem por aí. Mas que é que esta gente espera? Eleições,
para começar. Por mim, que até gosto de votar, não me parece mal.
Mas, e a seguir? Provavelmente ganha o PS. Os mesmos, não sei se se
recordam, que rebentaram com esta merda toda e que levaram o país à
bancarrota. Mas, e a seguir? Esturrar o dinheiro que continuamos a
não ter, certamente. Ou não. Porque os credores chateiam-se e não
põem cá mais pilim. Mas, sejamos e optimistas e consideremos que
nos autorizam a voltar à nossa antiga vidinha, e a seguir?
Nomeadamente quando chegar a altura de pagar o que devemos agora mais
aquilo que o PS – partindo do principio que cumpre o que anda a
prometer – vai gastar? Voltam as manifestações, as greves e uma
troika qualquer. Ou acham que não?!
São
estas e outras inquietações que não me deixam tranquilo. Isto
porque, mas se calhar sou eu que sou um gajo de pouca fé, não
acredito que o Partido Comunista ganhe as eleições. Se assim fosse
o sol brilharia para todos nós e teríamos amanhãs para cantar. E,
já agora, emprego para todos. Nem que fosse a fazer Trabants.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Parem lá com isso de querer derrubar o sinal, pá!
Este
sinal de transito é um chato. Um impertinente, vá. Sempre ali, ao
virar da curva, a aborrecer quem tem pressa. A impor – bom, isso de
impor é uma força de expressão – a paragem a quem com ele dá
de trombas. Está mesmo a pedi-las, em suma. É por isso muito bem
feito que de vez em quando o queiram deitar abaixo. Desconfio que um
destes dias ainda vai fazer companhia à parabólica que está do
outro lado do muro...
Eles "andem" aí...
Ficou
por estes dias a saber-se que os americanos andam a espiar o que
fazemos cá pela Europa. Ele é ler-nos o e-mail, escutarem o que
dizemos ao telefone, bisbilhotarem o que fazemos na Internet e
sabe-se lá que mais. Diz até que esconderam uns microfones para
ouvirem o que dizem os lideres europeus. Coitados. Deve ser um
aborrecimento para os gajos que têm de escutar as conversas dessa
malta...
De
inicio ainda pensei que fosse invenção de um tal Edward Snowden.
Uma coisa assim tipo vingança por ter sido um trabalhador precário.
Uma forma de protesto contra as leis cada vez mais selvagens que
vigoram no mundo laboral, digamos. Mas não. É mesmo verdade. Eles
andam por aí a meter o nariz nas nossas vidas. E não se pense que é
só nos lugares importantes lá da Europa. Nada disso. Estão por
todo o lado. Se não, o que faz esta antena parabólica, camuflada
entre as ervas secas, mesmo junto às muralhas cá do burgo? Ah, pois
é...
domingo, 30 de junho de 2013
Dividas das autarquias do distrito de Évora
Nos
sites dos municípios a divulgação de eventos culturais, festas,
espectáculos de toda a ordem ou as actividades em prol da população
em que o respectivo presidente está envolvido, são tudo matérias
merecedoras de especial destaque. Já a informação relativa à
maneira como é aplicado o dinheiro dos munícipes e contribuintes em
geral, é outra conversa. Apesar de ser de publicação obrigatória,
a informação disponível é, quase sempre, difícil de descobrir, em muitos casos desactualizada e, não raras vezes, nem
sequer é disponibilizada.
Apesar
das dificuldades descritas pode constatar-se que os catorze municípios
do distrito de Évora tinham em 31 de Dezembro de 2011, no seu
conjunto, uma divida total – banca e fornecedores – de 193,9
milhões de euros. Pode, até, nem parecer muito. A menos que
comecemos a pensar em dividir este valor pelos 167.434 habitantes...
Os
dados referentes a 2012 não são, por enquanto, conhecidos na sua
totalidade. Cinco municípios, apesar de terem as contas apreciadas
desde Abril, não tiveram até hoje tempo para as publicitar no
respectivo sitio da Internet. Ou então esconderam-nas tão bem que
não as consigo localizar. Os valores em divida, ao que tudo indica,
ainda que se mantenham demasiado elevados, irão ficar abaixo dos
apurados em 2011. O que, no seu conjunto, é de louvar.
Dos
municípios que já divulgaram os resultados o destaque, pela
positiva, para Estremoz, com uma redução da divida em 22,4% e, pela
negativa, para o Alandroal que viu, no espaço de um ano, o valor da
divida subir de 19,6 para 20,2 milhões de euros.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Não suporto piquetes de greve. Seja lá isso o que for.
Nunca
percebi muito bem a legitimidade – e sublinho legitimidade - de um
piquete de greve. Que é o que chamam a um grupo de gajos - por
vezes também há gajas – estrategicamente colocados à entrada de
uma fábrica, estaleiro ou seja lá o que for. Nem, sequer, entendo a
permissividade e a tolerância com que são tratados por quem tem
como obrigação manter a ordem e assegurar a liberdade de circulação
daqueles que, mesmo em dia de greve, pretendem trabalhar.
Tem
esta malta – a dos tais piquetes – a intenção de intimidar
aqueles que escolheram outra opção. Coisa que a mim, mas se calhar
é algum problema meu, parece muito pouco coincidente com o conceito
de democracia e nada respeitadora dos princípios da livre escolha em
que assenta a sociedade em que todos – ou, pelo menos, a esmagadora
maioria – pretende viver. Verdade que o pessoal dos piquetes é,
também ele, livre de escolher as suas opções. Mas, que é que
querem, faz-me
espécie que não optem por aproveitar o dia de greve
para ficar na cama até mais tarde em lugar de ir aborrecer quem
apenas quer trabalhar.
A
patética tentativa de evitar a saída de autocarros da carris, que
pode ser apreciado num vídeo amplamente divulgado na net, é por
demais evidente que era na caminha que deviam estar os elementos do
piquete de greve. Uns quantos deitaram-se no chão, provavelmente
cheios de sono, e necessitaram mesmo da ajuda dos agentes da
autoridade para se levantar. Outros perguntavam insistentemente,
enquanto a policia os afastava para abrir caminho à passagem dos
autocarros, porque é que os estavam a empurrar. Era, digo eu, para
não serem atropelados. Ou então porque não saíram quando os
agentes amavelmente lhes solicitaram que evacuassem a área.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
O pantomineiro, afinal, devo ser eu.
Parece-me
ter ouvido dizer que existem funcionários públicos em excesso.
Seria, ao que me pareceu ouvir, na área administrativa que o número
de empregados do Estado estaria especialmente inflacionado face às
necessidades da administração e à capacidade desta em suportar os
custos salariais com tão elevada quantidade de gente. Ao que suponho
ter ouvido, o governo estará a preparar-se para colocar no olho da
rua – requalificação, mobilidade, ou lá o que é que agora
chamam ao acto de despedir – umas quantas dezenas de milhares de
funcionários. De que, como faz questão de salientar, não precisa
para assegurar o regular funcionamento dos serviços.
Mas
tudo isto, presumo, devo ter sido eu a sonhar. Ou então por, a maior
parte dos dias, apenas ouvir as noticias de manhã. Quando estou
naquela fase em não tenho a certeza se ainda estou a dormir ou já
estou acordado. Isto porque, depois, ao longo do dia, a realidade
encarrega-se de provar o contrário. Neste caso mostra-me claramente
que ando a ouvir mal, a deturpar as noticias e, quiçá, a pregar
pantominices a quem me quer ouvir ou ler. O governo não pretende,
afinal, despedir ninguém. Como, igualmente, não existem
funcionários a mais. Bem pelo contrário, precisamos é de mais
pessoal. Veja-se o caso de um organismo público que, na ausência de
recursos próprios, tem recorrer a uma empresa de trabalho temporário
para dar conta do recado. Ou do serviço.
Situações
desta natureza ocorrem com inusitada frequência nos mais insuspeitos
organismos da administração pública. Contratam-se empresas de
trabalho temporário a preços exorbitantes que, por sua vez, pagam
uma miséria aos trabalhadores que recrutam. Podia perguntar-me o que
é feito da diferença entre o muito que o Estado paga a mais do que
pagava antes e o que o novo trabalhador recebe a menos do que aquele
que lá estava. Poder, podia. Mas era uma pergunta desnecessária.
terça-feira, 25 de junho de 2013
"Cão do presidente da Câmara vai ao cabeleireiro no carro oficial"
Estou
que nem posso. Faltam-me as palavras para formular considerações
jocosas, ou mesmo de outra natureza, acerca de uma revelação como
esta. Isto, claro, partindo do principio que a noticia é verdadeira.
É que até a mim me custa a acreditar!
domingo, 23 de junho de 2013
A culpa não é de quem não paga. É de quem não compra...Ou a teoria socialista para o crescimento.
O
secretário geral do partido socialista garantiu aos autarcas
socialistas que, logo que chegue ao poder, tratará de revogar a lei
dos compromissos. Presumo que a audiência tenha exultado. Para os
portugueses essa é, ainda que a maioria nem saiba do que se trata,
uma péssima noticia.
A
lei em causa pretende, no essencial, limitar os gastos das
administrações públicas obrigando-as a só comprar quando têm
dinheiro para pagar nos noventa dias seguintes. A ideia é que os
pagamentos em atraso não cresçam e que o Estado passe a cumprir os
seus compromissos dentro de um prazo aceitável. E, em determinadas
circunstâncias, mesmo os três meses previstos ainda parecem
constituir um espaço de tempo demasiado dilatado.
Ora
nada disto interessa a quem sempre se habitou a governar gastando o
que tem e o que não tem, a comprar hoje e a pagar quando calhar e,
em suma, a esturrar dinheiro como se não houvesse amanhã. O que,
qualquer parvo sabe, terá sempre como consequência num futuro mais
ou menos próximo a destruição de emprego e da economia.
Também
foi assim que nos habituamos a ser governados. Daí que nos
preparemos para trazer de volta ao governo a bandalheira socialista.
É disso que gostamos e é apenas assim que sabemos viver. Um dia,
quando tivermos mesmo a sério de pagar a conta, alguém o fará em
nosso lugar. Achamos nós.
sábado, 22 de junho de 2013
Bicha
Esta
jibóia – anaconda, quase – terá sido atropelada mortalmente
quando tentava atravessar a estrada. Ou então morreu de outra
maneira qualquer. O que não me tranquiliza é saber que estas bichas
se passeiam pelas redondezas.
Nem com passadeira lá vamos!
A
deposição em aterro do lixo que produzimos custa anualmente aos
cofres dos municípios muitos milhões de euros. Esta factura podia
ser significativamente reduzida se, em lugar de jogar tudo para o
contentor, fosse feita por cada um de nós uma adequada separação
dos resíduos domésticos. Ou seja, sempre que um material reciclável
não é depositado num ecoponto estamos todos a pagar por isso. Daí
a importância de estender a passadeira à reciclagem. Que é como
quem diz à poupança.
Mas
estas coisas interessam muito pouco a eleitos e eleitores. A uns não
dão votos e a outros – pensam eles – não custa dinheiro.
Importante mesmo é lamentar que não nos deixem continuar a fazer a
vidinha de sempre. Que, achamos nós, alguém há-de continuar a
pagar.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Os manifestantes brasileiros são uns perigosos reaccionários
A
Esquerda não nutre particular apreço pelas manifestações que
estão a levar para a rua milhares de brasileiros. Logo agora que
estava tudo a correr tão bem lá pelo país dos dilmos. Investimento
público de muitíssimos milhões, nomeadamente em estádios de
futebol e infraestruturas para os jogos olímpicos, com a consequente
criação de postos de trabalho no sector da construção, e, mesmo
assim, o povo não está satisfeito?! Uns mal-agradecidos! Ou então
são todos de direita e deviam ser severamente punidos. Que isto a
democracia é muito bonita, as reivindicações populares também,
mas apenas quando são os movimentos e os partidos de esquerda a
organizar a coisa quando, como cá, se trata de pagar a conta da
festança.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Cavaco, o apressado.
Não
percebo porque se surpreendem com a rapidez estonteante do presidente
na promulgação da lei relativa ao pagamento dos subsídios de
férias. A sério. Cavaco estará, apenas, a ser coerente. Ele terá
querido acautelar que o subsidio de férias a que tem direito
enquanto pensionista não lhe vai ser pago em Julho. Estará a
guardá-lo para Novembro. E, do seu ponto de vista, faz bem. Não vá
faltar-lhe o dinheiro para as compras de natal como, coitado, terá
acontecido da outra vez.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Ele disse "trabalhar"?!
Deve
ter sido impressão minha. Só pode. Algo assim do tipo andar a ouvir
coisas. Mas, verdade verdadinha, que estava capaz de jurar que ouvi o
Cavaco dizer, num local qualquer onde se deslocou para plantar uma
árvore, que o que é preciso é trabalhar. Uma receita apenas para
aplicar aos outros, pelos vistos. Porque quando toca a mandarem-no
trabalhar a ele a coisa muda de figura.
De salientar, a propósito da presidencial plantação, que o buraco foi previamente cavado. O senhor só teve de chegar lá e pespegar com a arvorezita no sitio. Grande coisa. Assim também eu, olha.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Histórias da carochinha
Há
quem acredite que em Abril de 1974 andávamos quase todos descalços.
Assumem-no como um facto indesmentível. E que ninguém se atreva a
contradizê-los. Só falta, mas tenho esperança de ainda encontrar
uma dessas pérolas, garantirem que foi o companheiro Vasco que
forneceu o primeiro par de sapatos a oito milhões de portugueses. Ou
mais.
P.S
- Esta estimativa é baseada nos portugueses descalços que, segundo
o autor da resposta ao meu comentário, circulavam por essa altura na
Avenida de Roma..
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Inquietações
Não
faço juízos de valor acerca da greve dos professores. Primeiro
porque não tenho nada que os fazer, segundo porque quem perde o seu
o tempo a ler o que por aqui vou escrevendo sabe o que penso em
relação a algumas das questões que conduziram a esta luta e, por
último mas mais importante, porque não me apetece.
Há,
no entanto, algo que me inquieta. Muito deve ter mudado no
sindicalismo nacional desde o tempo em que eu ligava a essas coisas.
Recordo-me de, nessa altura, por ocasião de uma greve da função
pública que se realizou praticamente nas vésperas de umas eleições
quaisquer, um sindicato ter recomendado aos
grevistas que, apesar da greve, fosse garantido que a realização do
acto eleitoral não sairia prejudicada.
Pouco
me importa se eram os sindicatos de antanho que estavam certos e os
de agora que estão errados. Ou o contrário. Ou se ambos estão
certos. Ou ambos errados. Mas tenho a certeza quanto a uma coisa.
Alunos, funcionários públicos e professores são muito mais
importantes do que políticos ou sindicalistas. O passado não deixa
dúvidas quanto a isso. E o presente também não.
domingo, 16 de junho de 2013
A fé está pela hora da morte
O
Estado é laico. Mas isso é o que está escrito na Constituição. A
realidade, nessa como noutras temáticas, nem sempre tem grande
aderência à lei fundamental do país. Certamente estribado em leis
que garantem a legalidade do procedimento, na tradição secular que
importará assegurar e, se necessário for, em vários pareceres que
garantirão a regularidade da acção, o poder politico não hesita
em promover manifestações de carácter religioso. Veja-se o exemplo
de uma empresa municipal que entendeu contratar à paróquia da terra
a organização de uma procissão. Pagando para isso, naturalmente.
Julgava
eu – vejam lá a minha ignorância - que isso de organizar
procissões era coisa da competência, em rigoroso exclusivo, da
igreja. E que ninguém lhe pagava para as fazer. Até porque - mas lá
está, eu não percebo nada disso - não hão-de ser eventos
especialmente caros. Tinham mesmo a impressão que se faziam de
borla. Esta não foi o caso. Custou(-nos) dezoito mil euros.
sábado, 15 de junho de 2013
Será algo relacionado com o nome?
Há,
diz-se, quem seja capaz de vender a própria mãe. De vender a dos
outros – ou qualquer outra coisa - todos somos capazes. É, pelo
menos, o que parece deduzir-se do significado desta expressão. Se
calhar será mesmo assim. Vem isto a propósito de um poeta
colombiano que pretenderá vender os testículos. Provavelmente não
lhe farão falta nenhuma. Já o dinheiro que espera obter com a
insólita venda vai dar-lhe muito jeito. Para viajar pela Europa. Diz
ele. O Brochero, assim se chama a criatura.
Lamentavelmente não havia outra...
Depois
de aqui ter manifestado o meu desencanto pela ausência de
produtividade da cerejeira que ornamenta o quintal cá de casa, que
parece não servir para mais nada do que fazer sombra e crescer para
o lado dos vizinhos, constatei que estava a ser injusto. Afinal havia
uma. Ou melhor, havia “a” cereja. Lamentavelmente, de outra nem
sinal. O pior vai ser dividi-la por quatro...
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Sem projecto, sem licença e sem alvará...
Há noticias que me deixam com os poucos cabelos em pé e com as restantes pilosidades igualmente eriçadas. Hoje foi a de um casal de reformados que após a aposentação resolveu dedicar-se à agricultura. Nada de mais. Se lá chegar sou capaz de fazer o mesmo. O pior é que, para fazerem as refeições de forma mais confortável, construíram na propriedade uma mesa e uma churrasqueira em cimento. Grave erro. Agora têm a Câmara lá do sitio à perna. Diz que se não apresentarem um projecto, daqueles todos catitas assinado por um arquitecto, vão ser multados. Talvez até a obra venha a ser demolida, digo eu.
Presumo que a “obra” seja um mamarracho. Talvez constitua mesmo um daqueles atentados urbanísticos que por aí se vão vendo. Fará, portanto, a autarquia muitíssimo bem em zelar pela qualidade de vida dos outros munícipes afectados pela construção. Exigir um estudo de impacto ambiental, um arranjo paisagístico da zona envolvente e, quiçá, a reversão para a Câmara de uma parcela do terreno circundante, não me parece de todo descabido. Isto, claro, para além do parecer da CCDR da região, do IGESPAR, da Direcção regional de agricultura, dos bombeiros e de mais umas quantas entidades com responsabilidade nestas matérias. Sem isso nada de licenciar o parque de merendas.
Presumo que a “obra” seja um mamarracho. Talvez constitua mesmo um daqueles atentados urbanísticos que por aí se vão vendo. Fará, portanto, a autarquia muitíssimo bem em zelar pela qualidade de vida dos outros munícipes afectados pela construção. Exigir um estudo de impacto ambiental, um arranjo paisagístico da zona envolvente e, quiçá, a reversão para a Câmara de uma parcela do terreno circundante, não me parece de todo descabido. Isto, claro, para além do parecer da CCDR da região, do IGESPAR, da Direcção regional de agricultura, dos bombeiros e de mais umas quantas entidades com responsabilidade nestas matérias. Sem isso nada de licenciar o parque de merendas.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Deixem-me lá levar a "bicicleta"!
Nada percebo de economia. Sou, igualmente, um ignorante em ciências ocultas. Não foi, no entanto, a ausência de conhecimento nestas áreas que, em pleno consolado socretino, me inibiu de publicar a minha opinião acerca do que seriam as consequências das politicas do governo socialista. Fui, à conta disso, alvo de comentários jocosos onde a minha ignorância relativamente ao que escrevia – aqui e noutros locais por onde espalhei os meus bitaites – foi amplamente salientada.
Recordo, também, a satisfação que vi em alguns rostos quando, já no reinado do Coelho, os funcionários públicos ficaram sem subsídios de férias e natal. Reforcei nessa altura a convicção que isso de nada serviria para equilibrar as contas nacionais e, pelo contrário, contribuiria para afundar ainda a economia do país.
Lamentavelmente nem a tralha socrática, que antes apreciavam os cortes e agora os abominam, nem os laranjas podres, que antes achavam pouco os cortes do Sócrates e até queriam cortar mais que a troika mas agora quase têm vergonha de dizer que são do PSD, têm a honestidade intelectual de reconhecer que estavam errados.
Pela minha parte preferia não o fazer. Teria sido melhor para todos. Mas a verdade é que tive razão em tudo o que escrevi. Nem era, reconheça-se, difícil de calcular que o resultado ia ser este. Portanto, na impossibilidade de o fazer individualmente, devolvo a todos os comentadores – daqui, doutros blogues e foruns e também da “rua” - todos os nomes que me chamaram sempre que previ esta desgraça. Ah, e não precisam de agradecer.
Recordo, também, a satisfação que vi em alguns rostos quando, já no reinado do Coelho, os funcionários públicos ficaram sem subsídios de férias e natal. Reforcei nessa altura a convicção que isso de nada serviria para equilibrar as contas nacionais e, pelo contrário, contribuiria para afundar ainda a economia do país.
Lamentavelmente nem a tralha socrática, que antes apreciavam os cortes e agora os abominam, nem os laranjas podres, que antes achavam pouco os cortes do Sócrates e até queriam cortar mais que a troika mas agora quase têm vergonha de dizer que são do PSD, têm a honestidade intelectual de reconhecer que estavam errados.
Pela minha parte preferia não o fazer. Teria sido melhor para todos. Mas a verdade é que tive razão em tudo o que escrevi. Nem era, reconheça-se, difícil de calcular que o resultado ia ser este. Portanto, na impossibilidade de o fazer individualmente, devolvo a todos os comentadores – daqui, doutros blogues e foruns e também da “rua” - todos os nomes que me chamaram sempre que previ esta desgraça. Ah, e não precisam de agradecer.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Os enraivecidos do facebook
As imagens de um grupo de cães a atacar um boi estão a causar um nível de irritabilidade de proporções épicas entre os amigos da bicharada. E não só, sejamos justos. Que a crueldade, principalmente contra os animais, deixa muita gente em choque. A ira sobe de tom quando, como é o caso, envolve figuras mais ou menos conhecidas. Isto, claro, a confirmarem-se a alegada origem das fotos e o não menos alegado local onde terão sido recolhidas.
As imagens, a serem verídicas, retratam uma malvadez sem limites. Convém, contudo, recordar que nem tudo o que parece é. Não vou sugerir que a cena foi adulterada, as fotos foram objecto de intervenção artística ou que foram obtidas do outro lado do mundo. Acho apenas que a esmagadora maioria dos que as tem comentado podia ser ligeiramente mais comedido nas opiniões.
É por estas, e também por outras parecidas, que considero o “pisco” no “mostrar no feed de noticias” uma das melhores ferramentas do facebook. Nomeadamente para quem, como eu, não aprecia vídeos de gatinhos fofinhos, não tem interesse em saber o que é o almoço ou o jantar de ninguém, se está nas tintas para que Jesus ou ou santo qualquer nutra por si um grande amor, nem, principalmente,aprecie piadolas de anti-benfiquistas. Ou, como no caso presente, acha um tudo nada exageradas certas reacções de pessoas aparentemente normais. Mas, se calhar, só aparentemente.
As imagens, a serem verídicas, retratam uma malvadez sem limites. Convém, contudo, recordar que nem tudo o que parece é. Não vou sugerir que a cena foi adulterada, as fotos foram objecto de intervenção artística ou que foram obtidas do outro lado do mundo. Acho apenas que a esmagadora maioria dos que as tem comentado podia ser ligeiramente mais comedido nas opiniões.
É por estas, e também por outras parecidas, que considero o “pisco” no “mostrar no feed de noticias” uma das melhores ferramentas do facebook. Nomeadamente para quem, como eu, não aprecia vídeos de gatinhos fofinhos, não tem interesse em saber o que é o almoço ou o jantar de ninguém, se está nas tintas para que Jesus ou ou santo qualquer nutra por si um grande amor, nem, principalmente,aprecie piadolas de anti-benfiquistas. Ou, como no caso presente, acha um tudo nada exageradas certas reacções de pessoas aparentemente normais. Mas, se calhar, só aparentemente.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Os alhos da crise
Ainda que
atacados pela alforra – diz que é assim que se chama a doença que
ataca esta espécie – os alhos da crise deram uma produção dentro
dos limites expectáveis. Presumo, por isso, que a colheita torne a
cozinha cá de casa auto suficiente quanto a este ingrediente. Mas
não sei ao certo. Nessas artes sou um verdadeiro artola. Talvez, mas
continuo igualmente sem certezas, constituam guarnição suficiente
para afastar um ou outro vampiro. Se os houver, claro.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Andarilho artilhado
A qualidade das
fotos não é a melhor – pronto, estão uma merda – mas para o
caso não interessa muito. O que importa realçar é o espírito do
idoso que conduz este andarilho. Preocupado, talvez, com uma eventual
concentração de velhotes nas deslocações até à casa de banho ou ao refeitório, capaz de provocar algum acidente – assim
do tipo pisar os calcanhares ao parceiro da frente – resolveu
instalar uma buzina no seu auxiliar de locomoção. Ou então foi
mesmo na brincadeira, apenas para reinar com os seus companheiros e
companheiras do lar de idosos.
domingo, 9 de junho de 2013
O tempo, esse malandro.
Está tudo explicado. Afinal a retoma só não acontece por causa do tempo. É o que garante o sábio Gaspar e, se ele o diz, tem de certeza toda a razão. Por mim, devo dizer, já andava desconfiado que a culpa era disso do tempo. Faz, até, algum tempo que o ando a escrever. O tempo que esta gente – e a outra que lá esteve antes – perdeu a tomar as opções que tomou e que, estava-se mesmo a ver à muito tempo, iam dar nisto.
Apetece-me também incriminar o tempo em que se construíram estádios, auto-estradas, multiusos, piscinas, centros culturais, escolas onde não há crianças, parques desportivos onde só moram velhos, distribuiu subsídios, arregimentou gente para a função pública e, em resumo, se esturrou dinheiro como se não houvesse amanhã. Nem, tão pouco, um tempo em que teríamos de pagar a conta.
Sobra-me, igualmente, vontade de responsabilizar o tempo que ninguém teve para se manifestar estridentemente, como fazem agora, contra o rumo que o país estava a seguir. O tempo que agora lhes sobra para protestar contra os tempos que vivemos. Mas o pior - e que verdadeiramente me atormenta - é que, a esmagadora maioria, ainda não tiveram tempo de perceber que vivemos noutro tempo.
Apetece-me também incriminar o tempo em que se construíram estádios, auto-estradas, multiusos, piscinas, centros culturais, escolas onde não há crianças, parques desportivos onde só moram velhos, distribuiu subsídios, arregimentou gente para a função pública e, em resumo, se esturrou dinheiro como se não houvesse amanhã. Nem, tão pouco, um tempo em que teríamos de pagar a conta.
Sobra-me, igualmente, vontade de responsabilizar o tempo que ninguém teve para se manifestar estridentemente, como fazem agora, contra o rumo que o país estava a seguir. O tempo que agora lhes sobra para protestar contra os tempos que vivemos. Mas o pior - e que verdadeiramente me atormenta - é que, a esmagadora maioria, ainda não tiveram tempo de perceber que vivemos noutro tempo.
sábado, 8 de junho de 2013
Vendam essa a outro!
“A divida dos países não se paga, gere-se”. Ainda que pareça desculpa de mau pagador, esta frase é absolutamente verdadeira. Mas, lamento discordar de muitos que a estão a usar na tentativa de justificar erros do passado e do presente, não se aplica no caso português. A divida do Estado – onde, naturalmente, se incluem o estado central, regional, local e as empresas públicas – é impossível de gerir se continuarmos a viver pelos mesmos padrões de há meia dúzia de anos atrás. Essa história do “isto não pode parar”, “os nossos filhos pagam as nossas dividas tal como nós pagamos as dos nossos pais e estes já pagaram as dos nossos avós” ou “quem vier que pague as dividas que eu deixar porque eu já paguei as que encontrei”, é conversa de tolinho. Por mais escola que ainda faça entre gestores tão aptos a gerir a coisa pública como eu a dizer missa.
Este, estou em crer, será um debate que não vai acontecer na próxima campanha autárquica nem na que, provavelmente, se seguirá para eleger o novo parlamento. Até porque não interessa a ninguém. Nem, sequer, aos que são esmifrados para pagar todas as tropelias que, em nome de uma alegada melhoria da sua qualidade de vida, se vão fazendo de lés a lés. É deprimente, mas é o que temos.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Menos uma hora para consumir
Notáveis algumas ideias que tenho lido cerca do aumento do horário de trabalho na função pública. Que é para aproximar do que se pratica no sector privado, diz quem acredita na versão oficial. O que, acrescenta, se trata de uma questão da mais elementar justiça relativamente aos restantes trabalhadores. Talvez seja. Ainda que, mas isso deve ser defeito meu, me pareça que esta posição evidencia mais um sentimento de vingança do que de qualquer outra coisa.
Que assim, há quem defenda esta tese, graças ao prolongamento de horário dos funcionários públicos – esses malandros, convém acrescentar – o cidadão comum, que se farta de trabalhar para manter essa cambada de gabirús, tem mais tempo tratar dos seus assuntos nas repartições públicas. Embora, saliente-se, hoje em dia quase tudo se possa fazer a partir de casa. Ou de qualquer outro local, com um desses aparelhos ultra modernos que os tugas compram mal são lançados no mercado. É que essas traquitanas, não sei se a generalidade do pessoal sabe, dão para fazer mais coisas do que estar ligado ao facebook.
Por mim, já escrevi em diversos posts, não me aquece nem arrefece. É-me indiferente. O mesmo não sei se poderão dizer muitos dos que agora se regozijam por ver aplicado mais um “castigo” aos vizinhos, conterrâneos ou compatriotas. É que ainda estamos para ver o impacto que este prolongamento de horário vai ter nos sectores privados da economia. Desconfio, mas isso sou eu que tenho a mania de fazer contas, que é capaz de não ser lá muito positivo. Que o Estado vai gastar mais, disso não tenho dúvidas. Que os funcionários ficam com menos uma hora para gastar dinheiro, também não...
Que assim, há quem defenda esta tese, graças ao prolongamento de horário dos funcionários públicos – esses malandros, convém acrescentar – o cidadão comum, que se farta de trabalhar para manter essa cambada de gabirús, tem mais tempo tratar dos seus assuntos nas repartições públicas. Embora, saliente-se, hoje em dia quase tudo se possa fazer a partir de casa. Ou de qualquer outro local, com um desses aparelhos ultra modernos que os tugas compram mal são lançados no mercado. É que essas traquitanas, não sei se a generalidade do pessoal sabe, dão para fazer mais coisas do que estar ligado ao facebook.
Por mim, já escrevi em diversos posts, não me aquece nem arrefece. É-me indiferente. O mesmo não sei se poderão dizer muitos dos que agora se regozijam por ver aplicado mais um “castigo” aos vizinhos, conterrâneos ou compatriotas. É que ainda estamos para ver o impacto que este prolongamento de horário vai ter nos sectores privados da economia. Desconfio, mas isso sou eu que tenho a mania de fazer contas, que é capaz de não ser lá muito positivo. Que o Estado vai gastar mais, disso não tenho dúvidas. Que os funcionários ficam com menos uma hora para gastar dinheiro, também não...
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Quem tem medo da transparência?
Acho piada ao conceito de privacidade, bom nome ou seja lá o que for, actualmente em vigor. Qualquer boa mãe de família – ou mesmo que não seja assim tão boa – expõe à vista de todos, livre e espontaneamente, em qualquer rede social fotografias suas, da sua família ou do último pitéu que acabou de cozinhar. Todos – bom, pelo menos muitos – compartilham imagens das férias em Cuba, Porto Galinhas ou outro destino exótico. Não falta quem exiba de forma ostensiva, pelos mais diversos meios, sinais exteriores de riqueza que, por muito legítimos que sejam, não tinham necessidade de ser exibidos. Tudo coisas que, na sua maioria, não necessitávamos de ver nem de saber.
A coisa muda radicalmente de figura quando se trata de dinheiro. Do que têm ou, principalmente, do que não têm e deviam ter para pagar aquilo que exibem ou de que desfrutam. Muitas vezes de forma legitima, diga-se. A ideia de privacidade parece ganhar outros contornos quando em causa estão o cumprimento de obrigações. Ou seja, apenas se defende intransigentemente quanto aos deveres. Nunca ou raramente do lado dos direitos.
Vem isto a propósito da intenção do governo de tornar obrigatória a divulgação dos beneficiários dos apoios sociais. O que faz todo o sentido. A sociedade tem o direito a saber quem beneficia do dinheiro dos seus impostos. Mas, como era de esperar, não pode ser. A oposição, CDS incluído, não quer e a comissão de protecção de dados também não. Seria uma medida da mais elementar justiça. Nomeadamente para com aqueles que realmente necessitam desses apoios.
A coisa muda radicalmente de figura quando se trata de dinheiro. Do que têm ou, principalmente, do que não têm e deviam ter para pagar aquilo que exibem ou de que desfrutam. Muitas vezes de forma legitima, diga-se. A ideia de privacidade parece ganhar outros contornos quando em causa estão o cumprimento de obrigações. Ou seja, apenas se defende intransigentemente quanto aos deveres. Nunca ou raramente do lado dos direitos.
Vem isto a propósito da intenção do governo de tornar obrigatória a divulgação dos beneficiários dos apoios sociais. O que faz todo o sentido. A sociedade tem o direito a saber quem beneficia do dinheiro dos seus impostos. Mas, como era de esperar, não pode ser. A oposição, CDS incluído, não quer e a comissão de protecção de dados também não. Seria uma medida da mais elementar justiça. Nomeadamente para com aqueles que realmente necessitam desses apoios.
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