Não se trata de uma lesão
incapacitante. Nem, excepto nos momentos seguintes à sua ocorrência,
especialmente dolorosa. Apenas ligeiramente arreliadora. A bem dizer
nem se trata de uma lesão. Quando muito uma pequena e insignificante
queimadura que não está a causar arrelias de maior. Foi no que deu
colocar o dedo em contacto com uma zona quente. Muito quente. O
motor da motosserra. A árvore, coitada, ficou muito pior.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Bicicleta almofadada
Não é novidade para ninguém que a
bicicleta constitui uma excelente alternativa para deslocações
curtas. Dentro ou fora da cidade. Era assim que, antes de todos
termos ficado com a mania que éramos ricos, quase toda a gente se
deslocava para o trabalho. Hoje, embora por outras razões, volta a
estar na moda. Mesmo para aqueles que se queixam dos incómodos
causados pelo assento pouco confortável que equipa qualquer
velocípede mais rasca. Mas, como aqui se demonstra, há sempre a
possibilidade de recorrer a uma almofada para proteger um rabiosque
mais sensível!
domingo, 5 de maio de 2013
Anda por aí uma gatunagem...(II)
Após longos anos a meter dó o
coreto cá da cidade foi, no ano passado, devidamente restaurado. Ao
contrário do que, quase de certeza, aconteceria noutro local mais
“evoluído” continua limpinho, limpinho. Não ostenta os
horríveis grafites nem pichagens de outra natureza que,
infelizmente, é comum encontrar noutras paragens e que alguns parvos
apelidam de arte urbana.
A intensa procura por materiais
metálicos está, no entanto, a ameaçar este equipamento. Parte dos
parafusos que fixam o portão já foram retirados e a breve prazo o
mais certo é ir o resto. Sem que, convenhamos, se possa fazer grande
coisa para o impedir. Travar este tipo de crime é tarefa quase
impossível e a única forma de o mitigar será a substituição dos
elementos furtados por outros que não despertem a cobiça da
gatunagem. O que nem sempre será fácil, barato ou, sequer, viável.
Não faltará quem relacione esta
actividade – ou outras – com a actual crise. Até pode ser.
Tenho, contudo, certa dificuldade em aceitar que o gamanço destas
coisas sirva no essencial para alimentar alguém ou que, quem rouba,
não tivesse alternativa para arranjar comida. O problema talvez
resida antes no facto de termos duas gerações de pobres – a dos
pais e a dos filhos – habituadas a dinheiro fácil que agora, de
repente, lhes dizem que não há. Mas, independentemente das causas
ou das motivações, o que surpreende é não ver por aí surgirem
empresas metalúrgicas a produzir enxadas, pás e forquilhas.
Talvez seja por, digo eu, arranjar a matéria prima ser muito mais
apetecível do que utilizar o produto acabado.
sábado, 4 de maio de 2013
Corta, corta!
A montanha pariu um rato. Pouco mais
do que isso me ocorre depois de ouvir o discurso de Parvus Coelho e o
anúncio de um conjunto de medidas que, mais uma vez como o tempo se
encarregará de demonstrar, de muito pouco servirão para endireitar
as contas do país. Não diminui o número de deputados, não se
reduz o número de cargos políticos, não se estabelecem limites à
contratação de assessores nem, sequer, se estabelece a proibição
de contratação externa ao nível de empresas de trabalho
temporário, consultadoria e outras aquisições de serviços. Juntos, todos estes itens oneram muitíssimo mais os cofres públicos do que
os vencimentos dos funcionários públicos que pretendem pôr no olho
da rua.
Nem tudo, no entanto, me parece mal
de todo. As mexidas no horário de trabalho e no regime de férias da
função pública, por exemplo, só pecam por tardias. Devia ter sido
exactamente por aqui que se devia ter começado. Igualmente a
intenção de mexer nos suplementos remuneratórios se afigura como
da mais elementar justiça. Há, de facto, de acabar com privilégios
absurdos. Nomeadamente o suplemento de trinta por cento que, a titulo
de despesas de representação, acresce ao vencimentos dos titulares
de cargos políticos e dirigentes da administração pública. A não ser assim mais vale que lhes cortemos o pescoço.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Prazo médio de pagamento dos municipios
Embora não constitua, pela maneira
como é calculado, um indicador com um elevado grau de exactidão, o prazo médio de pagamento divulgado pela DGAL não deixa de
constituir um elemento de referência quando se pretende analisar a
relação de um município com os seus credores e a partir do qual se
podem tirar ilações quanto à forma como as autarquias são
governadas.
Cinco, entre os trezentos e oito
municípios portugueses, segundo os dados divulgados demoram mais de
mil e duzentos dias a pagar aos fornecedores. É obra. E muito tempo,
também. Entre as câmaras do distrito, Évora lidera - com o décimo
segundo lugar a nível nacional - o ranking das más pagadoras com um
PMP de quinhentos e quarenta e um dias. Seguem-se, no que diz
respeito ao distrito, os municípios de Borba e Alandroal num nada
honroso vigésimo quinto e vigésimo sexto lugar na tabela dos pouco
cumpridores a nível nacional. O atraso no cumprimento da obrigação
de pagar é de, respectivamente, trezentos e oitenta e trezentos e
setenta e sete dias.
No lado oposto da lista, aqueles que
cumprem a tempo e horas, estão setenta e três municípios que pagam
aos seu fornecedores a menos de trinta dias. Entre eles contam-se
cinco autarquias do distrito de Évora. São elas Arraiolos, Mora,
Portel, Redondo e Viana do Alentejo.
Normalmente quando se fala, seja
governo ou oposição, em politicas de crescimento, apoio às
empresas e combate ao desemprego, a solução envolve sempre esturrar
mais dinheiro. Provavelmente, digo eu que não percebo nada disto,
não era preciso. Bastava obrigar toda a gente a proceder como estes
autarcas e a cumprir as obrigações que assume no prazo acordado.
Talvez não houvesse tanta empresa a fechar, nem tantos portugueses
sem trabalho. Mas isso, se calhar, não dá votos.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Nem o que tu queres...
Compreendo o anarca anti-fascista borrador de paredes – javardola, por assim dizer – que passou por aqui.
Também não nutro especial apreço por divindades, o sentimento
patriótico não me atinge com particular intensidade e não gosto
por aí além de patrões.
Apesar da manifesta compreensão
relativamente à mensagem, recuso-me a admitir a mais pequena
afinidade com o mensageiro. Logo porque essa coisa da anarquia soa-me
assim um bocado a atirar para o parvo. Depois porque desconfio dos
que sentem necessidade de andar a proclamar que são anti-fascistas.
Nomeadamente porque sei o que fizeram – e o mais que pretendiam
fazer – quando o fascismo acabou.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Esclarecimento importante (ou nem por isso)
A propósito dos comentários que
foram feitos em relação a este post entendo por conveniente
esclarecer o seguinte:
- O responsável pelo estado
lastimável do terreno sou eu. Enquanto proprietário cabe-me, de
facto, a responsabilidade por permitir a existência de toda aquela
erva. E, já agora, de muita mais que não coube na fotografia;
- Como será fácil calcular,
conforme saliento naquele e noutros escritos acerca do tema, o
rigoroso e prolongado Inverno foi o culpado pela proliferação de
ervas daninhas. Pior ainda. As chuvas contínuas impediram que,
sequer, pudesse tratar do que lá cultivei dado que o acesso ao
terreno ficou impraticável;
- De salientar que a fazenda fica
num ermo a uma dúzia de quilómetros do local onde moro não sendo,
por isso, um sitio onde me possa deslocar todos os dias;
- Naturalmente que tudo aquilo será
cortado. Em seu devido tempo, como é evidente. A cortar agora
voltariam a crescer. O que, isso sim, representaria um potencial
perigo de incêndio quando, no Verão, secassem;
- Finalmente, recordo que nada arde por combustão espontânea. Por mais inflamável que seja o pasto em
que esta erva se vai tornar apenas arderá se alguém lhe deitar
fogo. Coisa que, diga-se, acredito perfeitamente um ou outro
“vizinho”, que de vez em quando por ali se deslocam
propositadamente à procura de algum item, possa fazer.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Moda Verão 2013
Por alguma
razão, de certeza muito válida mas que escapa ao meu entendimento, a rapaziada gosta de
usar as calças ao fundo do rabo com uma parte dos boxers à vista de todos.
Será, segundo algumas teorias, uma moda relacionada com tiques de paneleiragem.
Seja como for, isso é lá com eles. As calças são deles, os boxers também,
portanto usem-nos lá como lhes dê maior satisfação.
Há, no
entanto, sempre quem esteja disposto a ir mais além. A inovar, digamos. E o
campo da moda é propicio a inovações e a ir sempre mais longe. Presumo que seja
isso que o jove mais à direita na
fotografia está a fazer. Quiçá a ditar as novas tendências da moda verão 2013.
Exibir a roupa interior já era. A moda vai ser mostrar a peida. O que não terá
nada de mais. O cú é deles. Assim sendo que façam com o dito o que mais lhes
agradar.
domingo, 28 de abril de 2013
Anda por aí uma malandragem...
Tenho alguma dificuldade em perceber o objectivo de certos roubos.
Furtos, vá. Os motivos porque alguém arrisca, se apanhado com a mão na massa,
levar uma tareia para furtar ninharias constitui desde sempre um enigma apenas
vagamente justificado pela imbecilidade do meliante.
Não estou a pensar em quem rouba uma lata de atum ou um pão porque
tem fome. Embora, na generalidade dos casos em que isso acontece, quase sempre
se faça um drama quando a realidade, na maioria das circunstâncias, apresente
uma configuração bastante diferente.
Recordo-me, por exemplo, quando há trinta anos atrás a malta ainda
era pobre e andava de motorizada. Daquelas de barulho irritante e acessíveis a
todas as bolsas que pouco tinham a ver com estas todas sofisticadas e
caríssimas que agora por aí circulam. Nesse tempo roubavam-se, nunca soube
porquê, as tampas dos depósitos de gasolina das motoretas. Apesar de, mesmo
para a época, o preço ser praticamente insignificante chegavam a gamar dúzias
delas de uma só vez.
Neste fim-de-semana prolongado furtaram os tampões das rodas –
embelezadores, parece que é assim que se diz - do meu rodinhas. Ao meu e a mais
uns quantos automóveis estacionados no mesmo parque. Uma parvoíce, porque
aquilo não vale nada. Um conjunto de quatro coisas daquelas custa nove euros e
noventa no Continente. Duvido, por isso, que algum esfomeado ou vitima das
politicas de direita e da sociedade capitalista – expressões que ficam sempre
bem para justificar a pequena criminalidade - consiga matar a fome, sua ou dos
seus, com o que me gamou. Mas que lhes façam bom proveito. A ele e ao Belmiro.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Erva.
Um matagal onde só a
muito custo se conseguem lombrigar as couves, alhos, ervilhas,
espinafres e outras hortícolas, foi no que a prolongada e rigorosa
invernia transformou a fazenda. A reforma agrária – no sentido de
reformar o aspecto do terreno agrícola - terá de passar por aqui
nos próximos tempos. Talvez até uma revolução. Para revolucionar
a aparência da courela, claro.
Lamentavelmente esta erva não é da que se fuma. Se fosse estava rico. Ou preso, se calhar.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Não há dinheiro, não há pópó...
Lamentava-se hoje um
presidente de junta de não poder assegurar o transporte – para a
escola, presumo - a umas quantas crianças da sua freguesia. Estava
visivelmente triste, o senhor. Acrescentava, agastado com a situação,
que as criancinhas não têm culpa nenhuma e que coisas destas não
se fazem. Tudo culpa da politiquice pré-eleitoral, quase que
sugeria.
Estive prestes a
solidarizar-me com o autarca. As ideias para um post, a desancar nos
patifes que obrigam os fedelhos a andar a pé, começavam já a
fervilhar quando chegou a segunda parte da noticia. Não havia
transporte porque um credor mais impaciente tratou de penhorar as
carrinhas da junta para garantir o pagamento do que lhe será devido
e que a autarquia, alegadamente, não terá pago. Foi por essa altura
que a minha solidariedade mudou de campo. Passou, definitivamente,
para o lado do credor. Os lamentos do homem afinal mais não eram do
que lágrimas de crocodilo e as suas queixas apenas desculpas de mau
pagador.
Acredito que apenas o
desconhecimento, o deixa-andar que ainda caracteriza grande parte
dos empresários ou o medo de perder futuros negócios, estará a
fazer com que as autarquias não estejam já paralisadas por terem
grande parte dos seus bens alvo da penhora dos credores. E também,
convém não esquecer, por o governo revelar uma incapacidade
confrangedora em aplicar as medidas previstas no memorando com a
troika para o sector da justiça.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Ai aguenta, aguenta...
Há, obviamente, espaço
para muitos cortes na despesa pública. Todos somos capazes de
identificar inúmeras situações de gastos do Estado onde uma
valente tesourada seria muitíssimo bem aplicada. Principalmente
quando os afectados são os outros. Não fujo, tal como toda a gente,
a esta tendência. Reconheço, no entanto e ao contrário da maioria,
que isso de cortar em motoristas, gabinetes, mordomias diversas ou no
BPN, por mais moralidade que revele, não passa de trocos e é
preciso ir muito mais fundo.
Saúde, educação,
segurança social e autarquias são alguns dos sectores onde é
necessário cortar a sério. Não concebo, por exemplo, que apesar de
não haver dinheiro se continuem a fazer abortos - sem ser por
motivos de saúde - completamente gratuitos. Ou porque não se
privatizam serviços de saúde aplicando o mesmo principio da ADSE.
Tenho também dificuldade em perceber que, na educação, não haja coragem – como
parece que, afinal, não há – de acabar com aquilo a que chamam
actividades de enriquecimento curricular. Ou porque se insiste em
construir escolas onde não existem crianças. Faz-me igualmente
espécie, quanto à segurança social, que não se mexa nos subsídios de toda a espécie
atribuídos sem qualquer controlo. Ou de retirar as reformas,
pequenas ou grandes, a quem nunca descontou e tem contas bancárias
com muitos zeros do lado certo da virgula. E, no que respeita ao poder local, nem é bom falar da
incapacidade de moralizar os autarcas que, alheios ao mundo que os
rodeia, continuam a esturrar dinheiro como se não houvesse amanhã.
Um dia, mais cedo do
que tarde, com este governo ou com outro – por mais patriótico e
de esquerda, seja lá o que for que isso signifique - vamos chocar
frontalmente contra um cofre vazio. O que, lamento dizer, não será
necessariamente mau. Parece ser a única maneira de, finalmente,
percebermos o significado da frase “não há dinheiro”. Pena é
que vamos todos no mesmo autocarro.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Minoria ruidosa
Vai uma grande azia
entre os poucos adeptos do pontapé na bola que não torcem pelo Benfica.
Nomeadamente entre os dez ou quinze por cento que têm os leões ou o
clube do porto como emblemas da sua preferência. Só grandes
penalidades não assinaladas diz que foram para aí umas dez. Ou
mais. Jogadores de vermelho vestidos que deviam ter sido expulsos e
continuaram em campo consta que também foram uns quantos. Uma
lástima de arbitragem, portanto. Responsável, garantem, por esta
derrota dos verde e brancos. Das outras, e esta época já foram mais
que muitas, não se conhece a paternidade. Mas isso agora, parece,
não interessa nada.
É surpreendente a
exigência que os adeptos – os oitenta por cento de apreciadores do
pontapé na bola que torcem pelo Glorioso são igualmente assim –
colocam no rigor e na qualidade do trabalho dos árbitros.
Impressionam as atitudes de pessoas aparentemente normais e ajuizadas
quando estão em causa futilidades como o futebol. Se fizéssemos o
mesmo relativamente às decisões dos políticos e manifestássemos a
mesma intolerância quando considerássemos que estes agiam de forma
errada, teríamos, de certeza um país muito melhor. Mas não. Os
erros do árbitro é que nos chateiam.
domingo, 21 de abril de 2013
Mas esta malta pensa que ainda estamos no PREC?!
Não gosto de touradas.
Nem de fados. Apesar disso não me incomoda, nem considero que deva
ser proibida, a realização de espectáculos de nenhuma dessas
actividades artísticas Ou de outras. Incluindo o lançamento de
anões. Isto desde que não seja o dinheiro dos contribuintes, o tal
que não há para a saúde ou a educação, a financiar a sua
existência, promoção ou divulgação.
O que já me desagrada
é a maneira como os promotores destes espectáculos – e de outros,
diga-se – promovem os eventos. Espalham impunemente cartazes por
todo o lado. O que, para além do impacto visual extremamente
negativo, causa com frequência danos em bens públicos e privados
cuja conta raramente é apresentada aos responsáveis pelos estragos. O
mesmo não acontece ao cidadão comum. Esse todos os meses paga, na
factura da água, o lixo que produziu durante o mês. Ou, mesmo que
tenha reciclado tudo, aquele que a entidade cobradora acha que terá
produzido.
No caso da imagem, se
ninguém fugiu com a receita da bilheteira, provavelmente sobrará
“algum” para pagar a multa. Sim, porque neste caso nem duvido que
os serviços competentes foram-no de facto e agiram em conformidade.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Se a moda pega... (isto anda mesmo tudo ligado)
Um alegado grupo de
alegadas esposas de Viseu resolveu criar um blogue onde pretende
denunciar publicamente os alegados clientes das alegadas prostitutas
alegadamente estabelecidas na alegada cidade de Viriato. Até aqui
nada de mais. O pior é o método escolhido. As alegadas esposam
estão a divulgar matriculas de automóveis que, alegadamente,
pertencerão a alegados clientes. O que é, acho eu, uma insensatez.
Nomeadamente se o alegado freguês e pretenso prevaricador se tiver
deslocado até ao local da alegada prevaricação num carro
emprestado, roubado, ou, simplesmente, sem que a respectiva
transferência de propriedade tenha sido efectuada. Isto para não
falar de matriculas falsas, erros de digitação da matricula e
deficiente leitura da mesma. Até porque estas actividades são
predominantemente nocturnas e, como se sabe, de noite todos os gatos
são pardos e as matriculas mais difíceis de ler.
Sugiro, portanto, se
alguma destas alegadas esposas me ler, uma mudança de estratégia.
Fotografem os automóveis e coloquem as imagens no blogue. Ou, melhor
ainda, filmem ou tirem fotografias aos alegados frequentadores da
alegada fornicação pecaminosa que, alegadamente por aí se pratica.
E publiquem-nas. Quem se sentir incomodado que recorra aos tribunais.
É para isso que eles servem. Alegadamente, claro.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Férias de Natal
Se eu fosse um
chalaceiro como os gajos do governo, diria, assim a jeito de graçola
de oportunidade, que a passagem dos duodécimos do subsidio de natal
a subsidio de férias, com este a ser pago pelo natal e a “levar”
com o acerto do irs, estaremos em presença de um subsidio de férias
de natal. Pequenino, como as férias que alguns gozam por essa
altura.
Podia, em alternativa,
dizer que estamos perante mais uma palhaçada. Que não constitui
qualquer surpresa, diga-se. Nada de muito diferente seria de esperar
vindo do conjunto de palhaços que – enquanto povo – colocámos
no poder em substituição dos palhaços que lá estavam antes.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Comer sem pagar
Os agricultores são
uns chatos. Reclamam de tudo. Da chuva e da falta dela, do calor, do
vento, dos produtos espanhóis e, agora, dos impostos. Nomeadamente
daqueles que não querem pagar. Acham-se, vá lá saber-se porquê,
no direito de viver à margem do sistema fiscal e de não contribuir
para o funcionamento do país.
Alegam que é ridículo
passar uma factura quando vendem uma alface, uma couve ou um molho de
coentros. Será. Mas, passando facturas ou não, terá de haver uma
forma de colocar esta gente a pagar impostos sobre o rendimento,
muito ou pouco, que obtêm com os seus negócios. E não havendo
facturação parece-me que há-de ser difícil fazê-lo.
Enquanto isso vão
exigindo mais subsídios para a sua actividade. Ou seja. Querem comer
uma fatia cada vez maior de um bolo cada vez mais pequeno. E o pior é
que não querem contribuir com farinha nenhuma para a sua confecção.
Nem com qualquer outro ingrediente. Uns lambões, portanto.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Tudo à borla!
Desde
tempos imemoriais que ando a lamentar a ausência de juízo e a
incapacidade de muita gente para perceber a realidade em que vivemos.
Nomeadamente
daqueles que, tendo responsabilidade na gestão de dinheiros
públicos, o fazem de forma absolutamente descuidada. Chamemos-lhe,
simpaticamente, assim.
Se,
por um lado, o governo – estejamos ou não de acordo quanto à
receita aplicada – procura reduzir de forma drástica a despesa do
Estado, por outro, as autarquias esforçam-se por fazer exactamente o
oposto. Gastar o mais que podem. Os espectáculos sucedem-se, os
eventos multiplicam-se e o “investimento” prolifera. Em
consequência disso os credores desesperam e os contribuintes vêem
os seus rendimentos esmifrados para pagar o desvario instalado. Mas
acabar com este estado de coisas deve ser, presumo, claramente
anticonstitucional. E pouco popular entre os eleitores, talvez.
“Vamos
lá, o tempo já está bom, a inscrição é gratuita,
há transporte
até ao local e lanche
no final. Não há desculpa para ficar em casa!”.
Escrevia, no seu espaço no facebook, o presidente de uma das
câmaras mais endividadas da região, visivelmente
empenhado em divulgar um evento promovido pela sua autarquia.
Não será, obviamente, por causa desta iniciativa que a tesouraria
municipal
ficará
mais aflita do
que já estará.
O pior é o exemplo. Foi
a falta dele e
muitíssimos milhares de iniciativas como esta que
contribuíram
para nos
fazer
chegar até aqui. Mas,
toda a gente sabe, a culpa é do Gaspar e da troika. Nem me passa
pela cabeça insinuar que “gestores” destes possam ter a mais
leve responsabilidade. Até
porque é disto
que o povo gosta! E que
a brigada
do croquete aplaude!
sábado, 13 de abril de 2013
Abre um dia destes, portanto.
As
gralhas são lixadas. Estão por todo o lado. Inclusivamente - e até
com uma frequência inusitada – aqui pelo Kruzes. Mas quando
acontece aos outros tem muito mais piada. De resto as que vão
pousando neste espaço quase não têm visibilidade enquanto as desta
montra são vistas, diariamente, por largas centenas de pessoas. Seja
como for o destaque não é por “mangação”. Que é uma bela
expressão infelizmente caída em desuso. É apenas porque não tinha
nada de mais –
nem de menos - interessante
para postar.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Protestem, pá!
Presumo
que por esta altura já Passos Coelho, todos os seus ministros e
secretários de estado, deputados e restante malta dos partidos da
coligação, bem como toda a panóplia de comentadores que, para além
de comentar, recebem ordenado e ou pensões pagas pelo estado, tenham
dado indicações
aos serviços processadores que não pretendem receber o subsidio de
férias. É
que isto a coerência é muito bonita e o exemplo é
muito lindo.
E era uma
maneira eficaz de manifestar o desagrado que lhes vai na alma pela
decisão dos juízes do Constitucional...
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Não é que me importe, mas...
Em
conferência
de imprensa o presidente do Sporting – o Bruno, como é
carinhosamente conhecido entre os sportinguistas – explicava que
vai concretizar a promessa eleitoral de
fazer uma auditoria à forma como a instituição tem sido gerida.
Pretende, com certeza, obter explicações quanto aos motivos que
levaram o clube – a SAD, ou seja o que for – a chegar a este
ponto. A
ideia, digo eu, será identificar os erros para, de ora em diante,
mudar de vida e recolocar a agremiação no lugar que merece. Tarefa
difícil espera o homem. Especialmente
se a nova forma de gestão envolver essa coisa do rigor. Será,
provavelmente, uma caminhada solitária. O que até pode ser bom. Nem todos os
compagnons
de route são boa companhia quando o trajecto a seguir não deixa espaço para fantasias.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Alimárias
Um quadrúpede perto de uma bomba de gasolina constitui um cenário
capaz de proporcionar umas quantas piadolas. Se a isso juntarmos o proprietário
da alimária e os apreciadores do bicho – potenciais compradores, quiçá –
estarão reunidos todos os ingredientes para meia-dúzia de dichotes a atirar para o
javardote. Coisa que, como se sabe, não constitui prática deste blogue. É por
isso que o post fica por aqui. Curtinho. Antes que a coisa descambe.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Dia do cidadão de etnia cigana
Diz que se assinalou
hoje o dia do cigano. Talvez tenha estado desatento - ou mais
preocupado com isso da crise – mas não dei conta de comemorações
a assinalar a efeméride. O que, a não ter acontecido, se revela a
todos os títulos inconcebível e me deixa deveras desapontado. Não
digo a distribuição de casinhas, cheques do rendimento mínimo ou,
para as mulheres ciganas, broches com a figura de um sapo. Não era
preciso tanto. Chegava uma festa, um almoço, um lanche ao menos. Mas
não. Nada. Népias.
Vão ver esqueceram-se.
Mas pior que o esquecimento é organizar debates, colóquios,
simpósios ou o raio que os parta. E disso fizeram uns quantos. A
participação deverá ter sido intensa e as conclusões, presumo,
brilhantes. Ou não fossem os ciganos conhecidos pela intensidade das
suas participações em coisas e pelo brilhantismo das suas
conclusões. Acerca das coisas. Também. Talvez mais para a noite se
ouçam uns tiros. Para o ar ou noutra direcção qualquer. É, ao que
consta que eu não sei nada disso, a forma costumeira desse pessoal
comemorar datas importantes. Para eles, claro.
domingo, 7 de abril de 2013
Agricultura da crise
A agricultura da crise
está, também ela, em crise. A invernia, anormalmente rigorosa e
prolongada, tem inviabilizado a aposta na produção hortícola. Da
courela há muito que não tenho noticia. O estado do terreno e a
muita erva que entretanto cresceu não permitem sequer uma
aproximação à área. Salvar-se-ão, presumo, os alhos da crise
que, da última vez que foram avistados, estavam benzinho. Cá pelo
quintal só o faval tem aguentado as agruras do clima. O pior é que
já estamos em Abril e favas nem vê-las...
sábado, 6 de abril de 2013
Qual é o drama?! Sim, qual é a porra do drama?!
O roubo de um mês de
vencimento – prefiro chamar-lhe assim – aos funcionários
públicos a que o Tribunal Constitucional finalmente pôs cobro era,
insisto, uma opção apenas baseada na convicção ideológica de que é necessário
empobrecer os portugueses. A sua relevância para as finanças
públicas não é, nem de perto, aquela que os partidos da área
governativa, a generalidade dos comentadores e outros parvos, lhe
querem atribuir.
Está, de facto, em
causa muito dinheiro. Mas, como quase toda a gente sabe, um orçamento
tem duas componentes. A receita e a despesa. E, por uma razão
qualquer que me escapa, toda a gente está apenas a olhar para a
segunda em lugar de ter em conta a diferença entre ambas. Que, no
caso, é negativa originando o famigerado deficit. Os tais 1,2 milhões que
o Estado terá de despender e com os quais não contava farão,
naturalmente, aumentar a despesa inicialmente prevista. Mas – e
parece que há muita gente a esquecer isso – mais de metade deste
valor regressa aos cofres do Estado sob a forma de impostos e
contribuições. O que significa um aumento de receita que, se as
contas do Orçamento foram feitas correctamente, não estaria nas
previsões.
Em termos líquidos, o
que realmente conta para o deficit, serão seiscentos milhões de
euros. Muita massa, ainda assim. Mas Passos Coelho e os seus
comparsas deverão encarar isso como uma oportunidade. Com a falta de
hábitos de poupança dos portugueses muito desse dinheiro irá fazer
crescer as receitas do IVA. Ou, no caso dos mais poupadinhos,
aumentar as contas bancárias. O que é bom na mesma. Melhora a
liquidez dos bancos e diminui a necessidade de o governo lá injectar
mais uns milhões.
Por último, mas não
menos importante, também era bom que alguém explicasse por que raio
toda a gente achou uma esplêndida ideia a injecção de mil milhões
de euros nas autarquias, através do PAEL, e considere agora
dramático, capaz até de pôr em causa a sobrevivência do país,
que metade desse dinheiro seja colocado à disposição das famílias.
A menos que achem que os autarcas gerem melhor o dinheiro que lhe
colocam à disposição do que, por exemplo, eu faço a gestão das
minhas finanças. Mas isso já seria um caso do foro clínico.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Não percebo
Essa coisa da filosofia
nunca foi a “minha praia”. Não sou dado a filosofices e detesto
aquela malta que recorre sistematicamente a frases feitas, quase
sempre desprovidas de sentido, pensando que estão a fazer uma grande
figura. Deve ser, admito, por ter manifesta dificuldade em entender a
fantástica mensagem que se esconde dentro de tão grandes tiradas.
Isto para dizer que não
estou a ver onde quer chegar o líder do partido socialista quando
nos garante que “há uma primavera a despontar, há um Abril a
nascer em Portugal”. Não percebo. A primavera já por cá anda vai
para quinze dias e chove como o caraças. Se isto é despontar vou
ali e já venho. O Abril, esse, vai no dia quatro. Para um mês de
trinta dias não o podemos considerar propriamente um nascituro. Nem,
sequer, um recém-nascido. Vá lá, com boa vontade, um puto da
escola primária.
Prefiro os números.
Não mentem e dificilmente se prestam a baboseiras como a proferida
pelo aspirante – lagarto, lagarto, lagarto – a primeiro-ministro.
Verdade que há quem diga que, sob tortura, dizem aquilo que nós
quisermos. Até pode ser. Mas o torturador corre o sério risco de
fazer figura de parvo. Olhem, por exemplo, os apaniguados do mais
recente comentador da RTP.
terça-feira, 2 de abril de 2013
E o principio do poluidor pagador não vos diz nada?!
Este mastim é um dos
principais responsáveis pelas cagadelas de proporções épicas que,
não raramente, documentam a minha indignação perante a atitude
absolutamente javardola de gente que se acha no direito de poluir o
espaço que é de todos. Não é o único mas é, seguramente, o
maior cagão das redondezas.
Intrigam-me os motivos
que levam os gajos com responsabilidade neste país – a troika, o
governo, os autarcas – a ignorar esta potencial fonte de receita.
Se um imóvel, que é um bem indispensável a todos os cidadãos,
paga centenas de euros por ano para o município – e, recorde-se,
não provoca qualquer despesa aos cofres públicos – não se
percebe porque raio a posse de um cão não tem igual tratamento.
Deve haver aqui algo que me escapa. A coisa é de tal forma surreal
que eu pago à câmara uma taxa por causa do cabo que passa por cima
do meu quintal, mas o dono do cão que vem cá cagar não paga nada
por isso. Estranhas as prioridadezinhas da malta que nos desgoverna.
Ontem foi mentira. Amanhã não garanto.
Já dizia um figurão
qualquer que aquilo que hoje é verdade amanhã pode ser mentira.
Ou o contrário. Por isso o post de ontem, que à data era mentira,
pode muitíssimo bem transformar-se em verdade. Foi, de todo,
impossível proceder a este esclarecimento mais cedo. O que faz com
que lamente ainda mais os eventuais transtornos, nomeadamente ao
nível emocional, que esta inocente mentira do primeiro de Abril
possa ter causado. É, reitero, mentira que venha aí a tal TMIP.
Hoje. Amanhã não posso garantir.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
TMIP. A nova taxa que vamos pagar um dia destes
Os municípios
cobram-nos taxas por tudo e por nada. Mas, na opinião dos autarcas,
ainda não são as suficientes. Temos de pagar mais. Há que
financiar o regabofe autárquico que não parece dar mostras de se
conter perante a austeridade. A crise e a recessão forneceram até
uma janela de oportunidade para esturrar ainda mais dinheiro a
pretexto do combate às ditas e de um suposto auxilio às populações.
Daí que - com crises ou sem elas, com austeridade ou não – será
sempre necessário esmifrar os bolsos ao contribuinte. Pelo menos
enquanto, como até aqui, a malta apenas se chatear com os ministros
das finanças e for perdoando as tropelias dos seu autarcas.
Depois da inacreditável
taxa sobre as dormidas que alguns municípios já estão a cobrar,
cerca de um euro por noite e por pessoa em unidade hoteleira situada
na área de circunscrição do respectivo município, pensou-se que
já não haveria mais para taxar na esfera das competências
municipais. Puro engano. Vamos, em breve, ter mais uma. Lembraram-se
uns génios auto proclamados que existe ainda um serviço prestado
pelas autarquias que não é pago directamente pelos munícipes. A
iluminação pública. Trata-se de um serviço pelo qual os
municípios pagam anualmente muitos milhões de euros, que requer
investimentos avultados e do qual não têm qualquer retorno.
Adivinha-se, por isso, que na factura da electricidade, um destes
dias, apareça mais uma linha. A TMIP. Taxa Municipal de Iluminação
Pública. Para nos deixar um pouco mais às escuras.
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