segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Mais um corte nas reformas

Ainda sou do tempo em que tivemos um governo cujo único intuito era matar os portugueses. Uns pela fome – sucediam-se as criancinhas a desmaiar, famintas, nas escolas e os velhinhos a sucumbir por falta de sustento – e outros à força de tanto trabalharem. Sem contar com outras artimanhas que, se me apetecer, aqui lembrarei um dia destes. A vontade de nos dizimar foi tanta que tiraram feriados, dias de férias, aumentaram o horário de trabalho e prolongaram o tempo necessário para chegar à reforma. Uns patifes do piorio, como ainda hoje alguns se recordarão.


A sorte é que depois vieram governos bonzinhos. Devolveram-nos tudo. Até – e principalmente, diria – aquela coisa de nos ludibriar com histórias da carochinha. Ou de encantar papalvos. Tem resultado. A malta acredita. Veja-se, por exemplo, o caso das reformas. Todos acreditam que se acabaram os cortes. A mim, que tenho a mania de olhar para estas coisas da política de um modo estritamente pragmático, parece-me que não é bem assim. Senão vejamos. Em 2013 podia reformar-me aos 65 anos. Hoje saiu a Portaria que fixa a idade da reforma em 66 anos e 9 meses para quem se reformar em 2026. Ou seja, quanto mais trabalho mais tempo me falta para a aposentação. Mas, claro, não há cá corte nenhum. Nada disso. Não é corte ao tempo em que estarei reformado. É apenas um aumento do tempo que tenho de trabalhar, dirão os que comem a palha toda que lhes põem na gamela. Que lhes faça bom proveito.

sábado, 28 de dezembro de 2024

O povo é sereno...é só mais um desaguisado.

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Adoro as piruetas linguísticas da comunicação social - e da opinião publicada em geral – quando se trata de reportar ou analisar os cada vez mais frequentes casos isolados que insistem em contrariar o discurso oficial acerca da segurança no país. O esforço para ocultar a origem étnica ou a nacionalidade dos criminosos é tal que, não raras vezes, aquilo se transforma num exercício extraordinariamente enriquecedor para o vocabulário de quem os ouve ou lê. Quase tão grande como aquele que, todos os dias a toda a hora, fazem para nos convencer que Portugal é um país do mais seguro que há e que qualquer ocorrência não passa de um caso esporádico sem nenhuma relevância. No caso de ontem, num centro comercial de Viseu, a retórica mencionava o desaguisado entre famílias desavindas. Uma mera altercação, dizia-se. Nada de especial, de resto. A chatice é essa coisa das redes sociais, que só desinformam e põem em risco a democracia. A parte da vitima ser mulher e de, entre outras coisas, poder estar em causa – ao que tem sido divulgado – o casamento forçado de uma menor, imposto por uma sociedade patriarcal e machista deve ser completamente irrelevante. Nada que justifique cravos vermelhos, beiças pintadas e manifestações de solidariedade por parte dos habitualmente solidários. Raio da arma logo tinha de estar na mão errada.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Maior a prenda do que a chaminé

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Já todos tivemos, numa ou noutra situação, motivos para nos queixarmos da entrega de algum item que tenhamos comprado. Faz parte daquelas inevitabilidades a que não podemos escapar. Tal como a morte, os impostos ou Sporting mudar de treinador por alturas do Natal. Neste caso – ainda que pouco provável - pode ter sido o tipo da transportadora que, num inusitado gesto de boa vontade natalícia, deixou a encomenda no local onde o cliente lhe terá pedido. No entanto, estando a embalagem onde está, admito que a ocorrência se deva à pouca habilidade para o desempenho da função por parte de um Pai Natal estagiário que perdeu o objecto quando sobrevoou a área. Parece-me o mais verossímil. Até porque, como todos sabemos, seja qual for a circunstância a culpa é sempre do estagiário. Ou então - vá, também admito - ficou no telhado por não caber na chaminé.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Bandidagem de estimação

A propósito das questões de segurança em geral e daquela cena do Martim Moniz em particular a extrema-esquerda, conceito no qual se inclui o actual PS, não está a dar um tiro no pé. Está, mais o que isso, a crivar-se toda de balas. A disparar contra si própria misseis daqueles do Putin, diria. Pior ainda – que a esquerda auto destruir-se não traria nenhum mal ao mundo - está a municiar o carregador das armas do Chega como nunca o tinha feito até aqui. E antes já fez muito, diga-se.


Que o PCP, o BE e outros que tais defendam drogados, traficantes, criminosos e bandidagem em geral não me surpreende. Faz parte. Estranho seria se não o fizessem. Que o PS faça o mesmo é que é espantoso. Ou então não. De resto o anterior secretário geral daquele partido até ficou sem carteira e, como sabemos, a carteira é uma coisa que não se rouba à distância…


Admito que esta afeição socialista pela delinquência possa constituir uma estratégia política para fazer crescer o partido do Ventura ou outras forças por enquanto embrionárias. Esse eventual crescimento será sempre, suporão os estrategas da ideia, à custa do PSD e, lançado o papão do Chega, proporcionará a constituição de uma ampla frente de esquerda. Desde a fofinha e maluca até à extrema mais sanguinária. Provavelmente, a julgar pelas consequências onde o esquema já foi tentado, terão azar. E nós, que não temos culpa das maluqueiras dos outros, também.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Patriotismo tributário

“Cantar o hino de mão no peito não é patriotismo. Patriotismo é pagar impostos”. É o que garante uma conhecida figura publica a quem pagam para dizer alarvidades. Presumo que o cavalheiro em causa seja um grande patriota. Não sei quanto ganha, mas a julgar pela quantidade de bebidas alcoólicas de que se fazia acompanhar, em certa ocasião que dei de trombas com ele numa superfície comercial cá da cidade, deve ser um grande patriota. Atendendo à carga fiscal que incide sobre o álcool, aquilo era mesmo muito patriotismo.


Além da notória indigência da baboseira, aquela afirmação é também reveladora do desprezo que estes alarves demonstram em relação aos pobres. Ou, ainda que não sejam necessariamente pobres, aos que não ganham o suficiente para pagar impostos. Esses, no entender daquela maralha, não são patriotas. A menos, se calhar, que cantem a “Grândola”.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Saudinha

Hoje, por culpa da actualização das comparticipações, a ADSE voltou a ser noticia. Coisa que, como sempre, suscitou a eterna discussão acerca dos privilégios dos seus utentes e da alegada discriminação de que se sentem vitimas todos os outros. Cada um sabe de si. Por mim sei é que a maioria dos jovens que entram para a função pública, nomeadamente os que auferem um vencimento um pouco melhor, não se inscrevem nesse subsistema de saúde. Eles lá saberão porquê. Mesmo quem opta por se inscrever, tirará algum partido das consultas, próteses ou meios auxiliares de diagnóstico. No resto, caso tenha uma daquelas chatices mesmo chatas, ou tem dinheiro – e muito - para se “chegar à frente” ou terá de ir para o SNS como qualquer outro comum dos mortais que não foi ungido pela sorte de ser funcionário público. Não há, nessas circunstâncias, ADSE que lhe valha.


Outra vantagem muito apreciada deste sistema são os chamados convencionados. Por uma consulta de especialidade pagava-se, da última vez que recorri a uma, cinco ou seis euros. Ou sou eu que tenho azar ou não vale a pena. Numa, de oftalmologia, não demorei mais de cinco minutos. Tempo suficiente para fazer a graduação e o médico passar a receita. Noutra, perante a manifesta vontade do jovem médico me despachar, tratei de descrever exaustiva e repetidamente os meus sintomas, aproveitando inclusivamente para nomear outras maleitas passadas e questionar sobre ligações entre elas que até a mim pareciam absurdas. Foi com muito esforço que consegui permanecer no consultório dez minutos mal contados. Apenas, acho eu, porque o rapazola teve alguma consideração por eu ter idade para ser pai dele. Claro que, em ambos os casos, acabei por consultar outro clínico e, desde aí, consulta dessa natureza apenas se conhecer o médico ou me for recomendado por quem o conheça.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Protestem, porra!

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Para a oposição, nomeadamente o actual secretário-geral do actual PS – não confundir com outros secretários-gerais nem com o PS de outros tempos – a saúde está uma miséria. Uma lástima, mesmo. Uma desgrácia, até. Deve estar. O homem saberá do que fala. Ou não tivesse, ele e o partido dele, estado no governo nos últimos oito anos. Para nós, alentejanos, não precisa de tanto paleio. Nós sabemos que recorrer aos hospitais é uma porra. Ainda bem que, de vez em quando, a informação televisiva evidencia algum rigor e transmite aquilo que todos constatamos. No caso que a saúde está uma porra.

domingo, 15 de dezembro de 2024

Todes muite burres

Segundo um estudo recentemente divulgado uma quantidade suficientemente alarmante de portugueses não sabe interpretar um texto simples e é incapaz de realizar operações básicas de cálculo. Nada de surpreendente, a bem-dizer. Podia por-me para aqui a divagar acerca da relação entre essa incapacidade e as escolhas eleitorais, mas nem vou por aí. Basta ver, no caso das gerações mais velhas, o que escrevem no Facebook. Aquilo é todo um compêndio de burrice. Quer nos disparates que escrevem, quer nas interpretações que fazem dos disparates dos outros.


Quanto aos mais novos, a culpa pelos resultados catastróficos que obtém nestes domínios só pode ser da extrema-direita, da sociedade capitalista, do patriarcado, da discriminação em geral e da ausência de uma política de ensino insuficientemente inclusiva. Há que substituir a antiga e bafienta disciplina de matemática pelo ensino das “Ciências matemáticas socio-emocionais com perspetiva de género” e alterar, obviamente, os seus conteúdos académicos. Por exemplo, dois mais dois passariam a ser quatre. Ou o que calhar. Assim todes acertam e todes ficam felizes. E burres.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Lápis arco-íris

Começo a ter receio de andar por aqui a escrever coisas. Tudo o que se escreve a propósito das pessoas e das ideias de esquerda ou acerca das novas paranoias – e são cada vez mais, aparecem todos os dias e todas mais estranhas do que as anteriores – é ofensivo, discriminatório e instiga ao ódio. O simples facto de considerar estranhas as maluqueiras da moda é capaz de ser enquadrável nisso do discurso de ódio. Pior, considerar que são cenas de malucos provavelmente também é.


Não sei como que era publicar textos no tempo da censura. Por essa altura limitava-me a escrever umas redações na escola. Mas, suspeito, não devia ser mais limitativo do que é hoje. Não se podia fazer critica política – aí, por enquanto, ainda não é comparável – mas em tudo o resto não existiam as restrições de hoje. Nenhum, reitero, nenhum professor me recomendou que não escrevesse piadolas a envolver coxos, marrecos, ciganos, pretos, gatos estropiados, criaturas com gostos desviantes ou sobre o que mais calhasse surgir na minha mente já então delirante em matéria de escrita. Ao contrário do que, desconfio, acontecerá com os alunos que hoje frequentam a escola pública.


Sempre se fizeram piadas e outros dichotes de mau gosto. Os visados, em muitas circunstâncias, recorreram à justiça e viram os autores das supostas ofensas serem condenados. Bem nuns casos, noutros nem tanto. É a vida. O que não existia era o condicionamento disfarçado da opinião que leva à auto-censura e, em última instância, à limitação da liberdade de expressão. Coisa do piorio, como e muito bem se garantia noutros tempos. Foi para acabar com isso, tanto quanto me lembro, que se fez o 25 de Abril. O tal que é para sempre, dizem. Ou para quando convém.


 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Juros à Lagardère

Uma das frases que mais me apraz ler ou ouvir é que isto ou aquilo vai colocar mais dinheiro no bolso das pessoas. É uma cena fixe, essa de aumentar o pecúlio do cidadão. Tenho, no entanto, muita dificuldade em perceber como é que alguns desses anúncios se concretizam e a maçaroca chega à minha algibeira. Deve ser problema meu. Por exemplo, esta coisa da descida dos juros por parte do BCE. Apesar dos especialistas da especialidade garantirem que o corte nas taxas faz com que as pessoas tenham mais dinheiro disponível ao fim do mês, não estou a ver como é que isso se traduz em realidade para a esmagadora maioria das pessoas. Beneficiará no curto prazo, quando muito, quem possui crédito à habitação com taxas variáveis. Ou seja, provavelmente menos de vinte por cento da população. No longo prazo e se a tendência se mantiver, pelo facto dos encargos com a divida diminuírem, pode libertar recursos públicos para despesas sociais ou assim. Mas nem isso é garantido e, caso aconteça, também não é seguro que beneficie muita gente.


Dito isto e perante os dados do Banco de Portugal, que evidenciam sucessivos recordes do montante investido pelas famílias em depósitos a prazo e certificados de aforro, parece-me que restarão poucas duvidas acerca da maneira como a queda dos juros afectará o bolso da maioria dos portugueses. Mas isso não interessa nada. Seria uma chatice a verdade estragar uma boa história.

domingo, 8 de dezembro de 2024

O Estado herdeiro

A herança de um cantor famoso recentemente desvivido, está a suscitar uma espécie de guerra que envolve os herdeiros testamentários – entre si - e a família do extinto. Todos uns contra os outros, acho eu que destas coisas pouco sei. Nem me interessa muito, a bem dizer. Mais valia que o falecido tivesse sido durante a sua vivência como outros alegados famosos que esturram tudo, vivem do dinheiro dos contribuintes e quando finalmente falecem só cá deixam dividas.


Esta questiúncula, de relevante interesse nacional, tem preenchido a capa de vários jornais e sido objecto de interesse noticioso em diversos telejornais. Desconfio, até, que estará para durar. O que ninguém discute nem lamenta é que o principal herdeiro do finado seja o Estado. Logo para começar abotoa-se com dez por cento - em dinheiro, que os bens pouco lhe interessam – do total da herança e, depois, à medida que os bens forem sendo transacionados, com mais uma miríade de impostos. No fim, se alguém tiver a paciência para fazer a conta, se não for o principal beneficiário não deverá andar muito longe. Por uma questão de equidade, por que raio o mesmo principio não é aplicado quando o defunto só deixa dívidas?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Casas de batota

Para além dos incontáveis boys, as juventudes partidárias já deram grandes lideres aos respectivos partidos e, mesmo sem chegar a cargos de especial importância, muitos políticos que se distinguem da mediocridade vigente. Outros nem por isso.


Isto a propósito de um debate entre os actuais candidatos à liderança da Juventude Socialista. A jovem candidata propõe-se – não ela, evidentemente, mas levar a que o partido se comprometa com a medida - construir seiscentas mil casas nos próximos dez anos. Esta ciclópica iniciativa, diz visivelmente impressionada com a genialidade da sua ideia, será financiada com as receitas dos impostos sobre os casinos e o jogo online. A chatice é que, a preços de agora, os custos de construção por habitação rondarão os 100 mil euros e a receita do tal imposto não vai além de 278 milhões por ano. Ou seja, em dez anos teríamos um investimento de 60 mil milhões financiado por por 2,7 milhões. É fazer a conta. Mas, assim de repente, parece-me que nem com a raspadinha lá vai.


Perante isto acredito que a moçoila terá um futuro político extremamente promissor. Não só dentro do PS, mas inclusivamente na política nacional. Com propostas destas, sustentadas em bases tão sólidas, estaremos em presença de uma potencial líder socialista. Ou, no mínimo, ministra da habitação. Daqui por uns dez anos. Ainda a tempo de entregar a última casa das tais seiscentas mil que os batoteiros vão pagar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Percepções e outras sensações

Essa coisa das percepções, sensações e outros sentimentos correlativos têm muito que se lhe diga. São boas para analisar uns temas e péssimos para  outros. É conforme o jeito que dá a cada qual. No caso da segurança – ou da falta dela, no caso – estamos perante uma falsa perecepção de insegurança. O povo é sereno e não se passa nada, garantem os média, a esquerda em geral e os humoristas do regime em particular. Tudo, claro, corroborado por todos aqueles que não frequentam serviços públicos nem precisam de circular para fora das zonas chiques dos grandes centros urbanos.


Já no caso da habitação, foi criada a percepção que a falta de casas a preços acessíveis à maioria das pessoas é culpa dos fundos imobiliários,  dos estrangeiros endinheirados e dos especuladores. Do grande capital, em suma. Esta ideia é repetida até à exaustão pela comunicação social, pelos partidos de esquerda, movimentos e colectivos de defesa do que calhar e papagaios em geral.


Contudo, de acordo com um estudo de uma consultora especializada na área do imobiliário divulgado hoje pela Rádio Renascença, tudo isso não passa de uma falsa percepção. Refere o dito estudo que “83% das casas vendidas são usadas, o que significa que o mercado continua a ser dominado pelas vendas entre particulares” e, “86% das casas foram compradas por famílias, o que, uma vez mais, contraria aquela ideia de ambição especulativa dos investidores que compram casa em Portugal”. Conclui ainda que “apenas 6% das casas vendidas foram compradas por estrangeiros, o que significa que são os portugueses a dinamizar o mercado”.


Por mim, que tendo a considerar que quem percebe da tenda é o tendeiro, acredito nestas conclusões. As causas das dificuldades no acesso a habitação a preços acessíveis terão mais a ver com a elevada procura, a escassez da oferta, o facto de os portugueses pretenderem rentabilizar o seu património e, principalmente, os custos absolutamente absurdos de construção e recuperação de um edifício ou a incerteza decorrente do cabal cumprimento de um contrato de arrendamento. O resto são sensações. Ou parvoíces, vai dar ao mesmo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Estavam em promoção...

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Sempre foi costume, desde que me lembro, das pessoas desta região irem a Badajoz às compras. Primeiro eram os caramelos, os chocolates e outras miudezas domésticas a suscitar o interesse no comércio do outro lado da fronteira. Agora, que já nem existe esse obstáculo administrativo e territorial, a atração pelas compras é muito mais abrangente. Desde o gás de botija ao combustível para a viatura e da roupa às consultas médicas de especialidade – entre muitas outras cenas – tudo constitui um bom motivo para muita gente dar o contributo à dinamização da economia da Extremadura enquanto, simultaneamente, poupa na carteira e escapa à extorsão fiscal do lado de cá.


Não sei se as bananas – plátano em castelhano – fazem parte do cabaz de compras dos muitos alentejanos que, a pretexto de atestar o depósito e trazer gás para si e respectiva vizinhança, enchem a despensa no Mercadona e no Carrefour de Badajoz. Pelo preço que, segundo um conceituado jornal espanhol anunciava na sua primeira página, terá sido vendida a banana que foi colada à parede para fazer a alegada obra de arte manhosa, estou em crer que os repositores da frutaria daquelas superfícies comerciais não terão mãos a medir. Por mim, quando lá for, se ainda estiverem àquele preço trago a mala do carro cheia delas. A três cêntimos a dúzia só um maluco é que não aproveita. Ou, então, é apenas um jornalista...a ser jornalista.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Citrinos da crise

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laranjas2.jpgLaranjas e tangerinas em abundância. E já foram muitas mais. Nomeadamente as primeiras. As segundas apenas agora começam a estar comestíveis. Numa ou outra, depois de descascada, deparo-me para meu espanto e horror com uma minhoca. São, felizmente, uma minoria. É o resultado – isso da minhoca – da ausência de tratamento adequado durante o processo de amadurecimento. Não faz mal. É preferível deitar umas quantas para o lixo do que contaminar toda árvore. Sim, que do quintal da crise tudo o que se come é natural.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

O raio da esperança que nunca mais morre...

Portugal é mesmo o país mais seguro do mundo. Nem é preciso que o primeiro ministro vá à televisão recordar esse facto. Só a serenidade e mansidão do povo que habita este rectangulo justifica que no dia em que foi decidido aumentar as reformas - para além do legalmente previsto para a revalorização anual das ditas - simultaneamente anunciado mais um aumento da idade para acesso à reforma nenhum político tenha sido devidamente escovado pelas vitimas que vão pagar em tempo de trabalho o dinheiro dos aumentos dos outros. Ou então – outra hipótese não descartável - somos todos uns doidos varridos. Uns merdas, a bem dizer. As nossas prioridades não passam pelo bem-estar presente ou futuro nem pela solidariedade inter-geracional. Aceitamos de bom grado que todos os sacrificios sejam atirados para cima das gerações futuras.  Importante é fazermos – muitos ou poucos, não interessa – manifestações a defender terroristas estrangeiros, a solidarizar-nos com criminosos ou greves à sexta-feira porque achamos que despejar o cesto dos papéis é um trabalho especializado.


Vendo bem, se calhar não são apenas os políticos que merecem ver a roupa chegada ao pêlo. Nós também merecemos que nos untem as molas. Mas isso já eles nos fazem. Há muito tempo que andamos bem besuntados.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

A esquerda e a sua infinita bondade

1 - A discussão sobre vencedores e vencidos do 25 de Novembro de 1975 é dos momentos mais parvos que a vida política portuguesa já nos proporcionou. As coisas foram o que foram e não há volta a dar ao que já passou. Por mais que se queira reinventar o passado, nomeadamente por parte daqueles que não o viveram, não existe maneira de o alterar. Pelo menos até que a máquina de viajar no tempo seja inventada. Quem ganhou naquele dia? Todos nós, que defendemos a liberdade e a democracia. Quem perdeu? Aqueles que ainda hoje trauteiam aquela musiquinha, acerca da data, que diz ter sido “um sonho lindo que acabou”.


2 - A esquerda actual, desde o PS à mais extrema, está de costas totalmente voltadas para os trabalhadores e para aquilo que realmente interessa a quem trabalha. Hoje, no parlamento, opuseram-se à possibilidade das empresas beneficiarem em termos fiscais dos seguros de saúde que façam para os seus funcionários. Ter assistência médica atempadamente e com possibilidade de escolher o prestador é mau. Bom, mas mesmo bom, é ficar meses à espera de uma consulta, exame ou tratamento no SNS. Morrer à espera no público é muito melhor que ser tratado no privado. E se a esquerda diz que é, quem diz o contrário é facho.


3 - Ao que é anunciado hoje o Turismo de Portugal – ou seja o Estado, que é como quem diz os contribuintes – vai dar duzentos mil euros para eventos gay. É capaz de ser uma boa iniciativa esta de financiar coisas de âmbito turístico. Ir ao cú de Judas conta?

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Cuidado com a língua

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O estrondoso desenvolvimento económico da China será sustentado em inúmeros factores que escapam ao meu conhecimento, mas que os especialistas da especialidade não terão grande dificuldade explicar. Nada que realmente me apoquente por aí além. Até porque, de uma maneira simplista, acredito que muito desse sucesso se deve ao facto das sociedades de consumo ocidentais se deixarem endrominar pela publicidade, nomeadamente das plataformas de comércio online chinesas, e comprarem toda a espécie de bugigangas, inutilidades e outras merdices. Como, por exemplo, a do anuncio que me apareceu ao fazer scroll numa rede social. Para que raio serve aquilo?! Assim de repente não estou a ver...mas espero que não seja para aquilo que a minha imaginação delirante está a suspeitar.

sábado, 23 de novembro de 2024

Ruas da minha cidade...e das outras também!

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Estremoz, Bairro da Salsinha, esta tarde. Mas podia ser outro bairro, nesta ou noutra cidade a uma hora qualquer. Haverá sempre, em todo o lado e a todas as horas, um javardo. E não amiguinhos dos animais e outros malucos, não me estou a referir ao canito que acabou de aliviar a tripa.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Vitória amarga...

O mundo está a ficar um lugar cada vez mais esquisito. Ou, então, sou eu que estou cada vez com menos paciência para as alarvidades dos maluquinhos da aldeia que migraram para as cidades. Como se não bastasse o futuro ser suficientemente incerto, constata-se agora que também o passado se revela cada vez mais imprevisível.


Um bom exemplo da imprevisibilidade dos tempos idos são os acontecimentos que tiveram lugar em 25 Novembro de 1975. Segundo a narrativa mais recente, nomeadamente o Expresso e outros pasquins do regime, “o pcp ganhou no 25 de Novembro”. Naquele 25N que eu vivi não foi assim. Nesse a capacidade de influenciar a política nacional do partido comunista foi reduzida à sua expressão eleitoral e teve inicio um novo ciclo de verdadeira democratização do país. Tudo, nunca é demais recordar, graças ao Partido Socialista e à sua liderança de então. O que mais queiram inventar é conversa da treta. Excepto naquela parte em que o PS de hoje teria estado do outro lado da barricada, mas isso no futuro interessará muito pouco. Dos fracos não rezará a história.


Apesar das novas certezas do presente, parece-me que a reinvenção do passado estará a necessitar de ajustamentos. Nomeadamente quanto à justificação do motivo que leva o pcp e outros comunistas a odiar o 25 de Novembro. Não gostaram de "ganhar", foi?

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Ladroagem altruista

Para muita gente todos os problemas se resolvem com impostos. Especialmente se o âmbito da tributação não os afectar. Desde que calhe a outros pagar o seu bem-estar, vivem num mundo – ou país, no caso – do mais perfeito que há. Daí que todos os anos, por altura da discussão do orçamento do Estado, surjam ideias até mais não para tornar tudo e mais alguma coisa inteiramente grátis e atribuir subsídios a tudo e a todos. A todos é como quem diz, aos potenciais eleitores que podem ficar felizes com a benesse generosamente atribuída com o dinheiro de outros tantos infelizes que a terão de pagar. Isto porque o Estado não gera riqueza, não tem recursos próprios e para ser generoso para com uns tem de saquear outros. O OE do próximo ano não vai fugir à regra. Esperem-lhe pela pancada. Ao que se anuncia, para além de todas as que já foram magnanimamente distribuídas pelo governo, o bodo aos pobres irá continuar a bom ritmo. Mas, há que reconhecer, é disto que o povo gosta. Depois não se queixem da inoperacionalidade de quase tudo o que são serviços públicos nem dos impostos, taxas, taxinhas e outros tributos que têm de pagar. Só por respirar, quase.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Alhos da crise

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Ainda sou do tempo em que se garantia, acerca do crescimento adequado dos alhos, que teriam “pelo Natal bico de pardal”. Deve ser por causa daquilo das alterações climáticas, ou lá o que é, mas por cá, a mais de um mês do Natal, os alhos da crise já estão de todo este tamanho. Com uma dimensão mais próxima do bico de cegonha, acho eu. Coisas do clima, dirão os apanhados do dito. Ou, então, da minha Maria que os semeou demasiado cedo.
Quanto à parafernália que está estendida no terreno é uma tentativa de impedir que os gatos usem o espaço para cagar. E também, caso surja a oportunidade, para lhes tirar as medidas.

domingo, 17 de novembro de 2024

Ao pé desta gente Frei Tomás era um aprendiz...

Estão a ser tornados públicos negócios ligados ao imobiliário, alojamento local e esquemas utilizados para diminuir – ou, até mesmo, evitar – a elevada carga fiscal de que quase todos nos queixamos. Tudo coisas que não terão nada de ilegal, segundo os autores dos textos que tive paciência para ler. Existem apenas dois pequenos problemas em relação às situações agora reveladas e que constituem o foco de toda a conversa que o assunto está a suscitar nas redes sociais. O primeiro é que as pessoas em questão não se cansam de perorar, em meios de comunicação de grande audiência, contra o capitalismo, a especulação imobiliária e outros temas igualmente caros à esquerda. E o segundo é que ninguém da área jornalística terá tido interesse em investigar os assuntos. Isto mesmo depois de, há uns atrás atrás, uma ex-sócia de uma dessas criaturas ter revelado umas coisas de que não terá gostado na sociedade.


Não tem nada de mal que os comunistas – sejam eles do PS, PCP, BE, Livre ou de outra seita qualquer – façam negócios, ganhem dinheiro e tentem não ser exauridos pelo fisco. Errado é irem para os jornais e televisões guincharem contra quem o faz. Pior ainda é usarem esses mesmos palcos para vociferar contra as redes sociais, garantindo que estão a destruir a democracia, a soldo da extrema-direita e que é preciso silenciar os seus utilizadores. Eles lá sabem porquê.  É que,  já me dizia a minha avó quando desconfiava do meu envolvimento numa qualquer marosca, "tudo na vida acaba por se saber porque tu não andas dentro de nenhum saco". Eles também não.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Fascistas a sair da casca

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Sim, o fascismo está aí. Revela-se nas mais pequenas coisas e nos mais ínfimos pormenores. Como, por exemplo, na recente campanha publicitária de uma conhecida marca de preservativos. Que, diga-se, cobardemente cedeu à pressão de meia dúzia de fascistas e removeu o anúncio. É a censura, a perseguição à criatividade, a limitação do pensamento e da liberdade de expressão que estão de volta. Tal como no tempo da outra senhora. Só falta mesmo enviar para a prisão os prevaricadores que ousam pensar diferente destes novos fascistas. Não deve tardar muito até que o consigam.


Transfobia, argumentam os fascistas que se insurgiram contra a alegada mensagem que estará, na sua mente de facho, implicita na imagem. Se assim é - e no caso de ter minhoca -  que acusação deve a vitima do logro fazer à putativa descascada? 

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Agricultura da crise

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Para além dos gatos, outras ameaças há que colocam em perigo a agricultura da crise que se pratica cá pelo quintal. Para os felinos existe sempre a solução dos garrafões. Contudo, para já, não me apetece cercar o perímetro. Até porque, ainda que apetecesse, iria demorar algum tempo a reunir o material necessário para o efeito. Por outro lado não é suficientemente irritante para as malucas dos gatos. O que me decepciona. É necessário algo mais espectacular. Sem, disso faço questão, causar mazelas aos bichanos. Coitados, não têm culpa.
Entretanto para as lagartas parece estar a dar resultado um truque bastante simples. Colocar cascas de ovos nos locais onde as borboletas pousam. Ou melhor, pousavam. Os lepidópteros olham para aquilo, pensam que se trata de predador extremamente ameaçador e dão às de vila diogo – que é uma expressão que não usamos suficientes vezes – sem largar os ovos que dão origem às lagartas. Fácil, barato e, espero, eficaz. Tudo isto sem mal-tratar as ditas poedeiras aladas. O que é bom. Assim já não fico com as mãos todas borradas quando, numa ou noutra rara ocasião, conseguia esborrachar alguma.

domingo, 10 de novembro de 2024

Gateiras malucas

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Mais sólida ou mais liquida é todos os dias este o cenário com que me deparo no meu quintal. Ultimamente tem sido assim. O bichano anda de diarreia. Alguma coisa lhe caiu mal, certamente. Significa isto que as malucas dos gatos que andam pela cidade a alimentar a bicharada – ou aqui as do bairro, que também as há - não os estão a tratar de forma conveniente. Vejam lá isso.
Não tenho gatos, não quero ter gatos e não quero ter merda de gato no meu quintal. É uma coisa que me aborrece ver aquilo que semeio ou planto constantemente desenterrado, destruído e conspurcado pela gataria das redondezas. Os vadios, quero acreditar, que algumas doidas varridas fazem questão de abrigar e alimentar. Demasiado tempo livre que, digo eu, podiam ocupar de outra forma. Se não têm com quem, instalem o Tinder. Ou, se já não têm interesse nessas coisas, leiam um livro.

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Adoramos ser pobres

Segundo os especialistas especialmente insuspeitos – o Expresso de uma destas semanas – o PIB da Irlanda cresceu 305% nos últimos trinta anos enquanto o português teve, no mesmo período de tempo, um crescimento de apenas 48%. O que fez com que aquele país passasse da cauda para um dos lugares cimeiros nos rankings da União Europeia. Já Portugal continua, orgulhosamente, na segunda metade da tabela. Não há milagres. Nós, por cá, não gostamos das políticas liberais. Sejam elas neo, ultras ou tenham qualquer outro prefixo colado. Detestamos o grande capital e odiamos os grandes grupos económicos. São o mal da humanidade e, por nossa vontade, não tínhamos cá disso. Chegava-nos muito bem o Estado. A chatice é que não são apenas os esquerdalhos a pensar assim. Até mesmo entre as pessoas psicologicamente saudáveis há quem sustente estas teses. O resultado está à vista.


 

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Comentador burlão

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Este desgraçado está mesmo a precisar de burlar alguém. Anda há meses a tentar enganar os mais incautos, a encrenca. Deixa, nos mais variados blogues e provavelmente noutros sítios, mensagens destas às dúzias. Todos os dias. Porra pá, começo a ficar farto do javardo. Apesar do profundo asco que sinto por gajos destes, ainda assim, deixo um conselho. Dois, até. Convém melhorar o português e subir a taxa de juro. Assim ninguém leva esta coisa à séria e, calculo eu, o servidor lá no Benim não se paga sozinho.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Sei o que fizeste no mandato passado...

1 - O antigo primeiro-ministro Costa atirou-se às canelas do actual secretário-geral socialista na sequência das posições assumidas pelo Presidente da Câmara de Loures e, até ontem, dirigente daquele partido. “Em defesa da honra do PS”, escreveu o agora presidente do conselho europeu. Confirma-se, mas nem era preciso, o que afinal sempre se soube. A honra do Partido Socialista é mesmo defender caloteiros. Basta atentar na frequência com que põem o país na bancarrota.


2 – A eleição de Trump não constitui uma boa noticia para os europeus. Vai-nos sair cara. Nomeadamente ao nível dos impostos que vamos ter de pagar para financiar o rearmamento das forças armadas. Ou, vá, adquirir flores aos milhões para atirar à tromba dos russos quando vierem para estes lados, que isto as flores também estão pela hora da morte.


3 – Por falar em gente que aspira a reocupar cargos de presidente. Há, ao que se consta, diversos ex-autarcas que se propõem submeter de novo ao escrutínio popular. Não tem nada de mal. Estarão no seu direito legal a fazê-lo. Embora não me pareça boa ideia. Nunca se deve regressar onde se foi feliz. Alguns, se calhar, não foram felizes o suficiente ou, então, vão em busca da felicidade perdida. Para convencer parolos poderão usar slogans como “Saí da Câmara, mas a Câmara não saiu de mim”. Sujeitam-se é ouvir os eleitores argumentar “sei o que fizeste no mandato passado”.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Dever é um direito...

Anda por aí gente a rasgar as vestes por causa das declarações do presidente da Câmara de Loures acerca da necessidade de despejar os habitantes das casas municipais que tenham participado em actividades criminosas. Nomeadamente na destruição de bens públicos, como os recentemente ocorridos na região de Lisboa. São absolutamente espantosas as reacções a esta noticia por parte de bloquistas, comunistas e dos socialistas que agora mandam no PS quando vociferam contra a ideia do autarca em causa. O que é que esta gente achará que acontece a quem, nos países que aplicam políticas iguais às que defendem – assim, tipo, a Venezuela ou Cuba – a quem andar a escaqueirar equipamento público ou a queimar os carros dos vizinhos?! Por mim desconfio que vão para umas instalações bastante mais acolhedoras donde, muitos deles, só saem devidamente empacotados após o devido tratamento administrado pela policia democrática que serve o povo daquelas paragens. Igual aquela que reclamam para cá, certamente.


O mesmo autarca, pasme-se tamanha ousadia, também acha que os paizinhos têm de pagar as refeições escolares dos seu filhos. Aqueles, naturalmente, que dado o nível de rendimentos não usufruem da gratuitidade das mesmas. Também esta ideia suscitou a ira das inúmeras criaturas que defendem os caloteiros e a bandalheira em geral. Gente que se está nas tintas para a desigualdade que estas situações geram entre quem se esforça, muitas vezes com dificuldade, para manter as contas em dia e que prioriza o bem-estar dos filhos e aqueles que preferem esbanjar o graveto noutras cenas sem se preocuparem com os catraios. Podiam, ao menos, estes inúteis defender que o autarca sinalizasse essas crianças à CPCJ lá do sitio, mas nem isso os imbecis fazem.


Mais tarde ou mais cedo alguém - o Tribunal de Contas, por exemplo - vai inquirir o porquê da dita autarquia não cobrar os milhões de euros que lhe devem. Nessa altura, muitos dos que agora o criticam por pretender cobrar as dividas, vão chamar uns quantos nomes ao homem por não as ter cobrado. É aquilo do preso por ter cão e por não o ter.

domingo, 3 de novembro de 2024

O lado errado do feminismo

A eleição da primeira mulher negra para liderar o Partido Conservador Britânico não constituiu motivo de regozijo, nem mereceu especial apreço, das empoderadas do regime ou das feministas de conveniência. Tal como a eleição de Meloni como primeira-ministra italiana também não suscitou nenhuma espécie de entusiasmo por parte da mesma trupe. Não são de esquerda, como elas acham que deveriam ser todas as mulheres, todos os negros, homossexuais e todas as outras minorias que por aí cirandam.


No entanto toda esta gentinha vai delirar com a eleição da Kamala. Entre ela e o Trump venha o diabo e escolha. Com um ou com outro, nós europeus, estamos lixados. Com Trump, Putin tem a fronteira leste da Europa escancarada para vir por aí fora com os seus aliados coreanos. Com Kamala enfrentará uma resistência americana ao nível daquela que alardeia o Guterres, triste e bizarro secretário-geral da ONU. Daí que seja absolutamente absurda a algazarra que por cá se faz por causa das eleições americanas. Uma parvoíce. Nomeadamente quando, como lá mais para a frente iremos constatar, qualquer um dos candidatos e os americanos em geral se estão completamente a borrifar para nós. Demonstrar interesse por aquele acto eleitoral faz o tuga sentir-se intelectualmente relevante. Mas, se calhar, é preferível dirigir o interesse e toda a relevância do intelecto para a aprendizagem da língua russa. Só para prevenir.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Nunca maltrate um ladrão

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Desconheço se, por esta altura, já haverá caixotes do lixo a arder e automóveis ou autocarros incendiados em Ponte de Lima na sequência do ferimento infligido a um ladrão pelo dono da ourivesaria assaltada. Provavelmente não. Os meliantes – daqueles que não contribuem para o aumento da criminalidade – estão em fuga e o que ficou para trás está a beneficiar dos cuidados do SNS. A vitima, entretanto, está a contas com a justiça. Feito ao bife, no caso. Não podia ter disparado - que as armas não podem ser usadas para defender património, só para roubar o património dos outros - e dificilmente se livrará de uma condenação. Tudo de acordo com os cânones da esquerda. Ou seja, se os meliantes estão bem e o proprietário na choça a paz reinará naquelas terras minhotas.


Felizmente nem todos os bandidos – os nacionais e os importados, que miraculosamente abandonam a actividade criminosa mal entram em Portugal – conhecem as nossas leis. Por enquanto. É dar-lhes tempo. Quando eles souberem que, em praticamente nenhuma circunstância, se pode disparar sobre eles aquela coisa da insegurança é capaz de ultrapassar o patamar das sensações. Por mim, já que não posso disparar e ainda que pudesse não tenho grande pontaria, vou comprar uma fisga. Desde que não atire aos pardais não deve ser proibido.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Minorias, opções e coincidências.

Decididamente a esquerda, a comunicação social e outros indigentes mentais desconhecem – ou, se calhar, preferem ignorar - o conceito de maioria silenciosa. Não deviam. Evitavam muitos disparates e, simultaneamente, poupavam-nos potenciais danos futuros. Preferem, em vez disso, as minorias ruidosas. Mas, por mais que se esforcem, serão sempre isso. Minorias.


Veja-se, por ser o mais actual, o êxtase e a insistência com que se vai anunciando a catadupa de assinaturas da petição visando criminalizar os dirigentes de um partido político. Podem, até, arranjar meio milhão de subscritores. Não tem mal nenhum, nem daí vem qualquer mal ao mundo. Estranho, ao contrário do que fazem relativamente a outras iniciativas congéneres, é que não perdem um minuto sequer a divulgar a campanha de angariação de fundos – igualmente, como a tal petição, a decorrer na Internet - para o motorista de autocarro vitima dos meliantes pirómanos. Nada que me espante. A esquerda, por mais que proclame o contrário, nunca gostou de quem trabalha. Opções.


Entretanto a sondagem hoje divulgada indica uma recuperação do Chega, invertendo a tendência de descida acentuada que ainda há pouco se verificava. Coincidências.

sábado, 26 de outubro de 2024

Não é opinião...é a vida!

São inúmeros os alegados especialistas em especialidades especialmente inúteis que nos últimos dias – e noites, principalmente – nos têm entretido com as teorias mais estapafúrdias sobre as causas dos actos criminosos praticados por meliantes javardolas, ao mesmo tempo que apontam as soluções mais mirabolantes para resolver a coisa. O que aconteceu parece simples. Alguém não obedeceu às ordens da policia e sofreu as consequências da sua opção. Se as forças da ordem usaram, ou não, de força excessiva a investigação dirá. Certeza apenas que nem uns nem outros são anjinhos. A solução ninguém a tem. Nem existe. A situação chegou a um ponto de não retorno e não há forma de a resolver. Habituem-se.
Nisto, como em tudo o mais, os jornalistas deviam ser imparciais. Lamentavelmente não se coíbem de tomar partido e, em muitas circunstâncias, mais parecem activistas de uma qualquer causa manhosa. Igualmente deplorável tem sido o argumentário de grande parte das criaturas que vão opinar às Tv’s. Muitos deles nem se percebe por que raio são convidados a ir a um estúdio de televisão. A opinião de alguém com um arganel nas ventas ou de quem aparenta não tomar banho há meses importará, quando muito, à respectiva família. Ou, se calhar, nem tanto.
Há também a questão do aproveitamento político. Neste aspecto ninguém aprendeu nada. Ainda na semana passada era opinião quase unânime que, a haver eleições, o Chega perderia metade ou mais do seu grupo parlamentar. Hoje não sei se alguém conseguirá, com a mesma certeza, dizer o mesmo. Mas, ainda assim, não desistem de insistir no mesmo erro. Depois não se queixem.

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

A solidariedade é uma coisa muito linda!

O falecimento de um pacato cidadão, provavelmente temente a Deus e portador de muitas outras virtudes, despoletou uma onda de solidariedade sem precedentes. Vizinhos, amigos chegados e outros mais distantes – espalhados por toda a região da grande Lisboa, o que por si só comprova a bondade do homem – resolveram solidarizar-se com a família enlutada queimando e partindo coisas. O normal, quem nunca se solidarizou desta forma que atire a primeira tocha. Por mim, que sou um gajo que também me gosto de solidarizar, tenho um profundo apreço por malta que assim se solidariza. Aquilo não é fácil. Um tipo andar a noite toda a solidarizar-se e depois, pela manhã, ter de ir trabalhar deve ser duro. Principalmente se o autocarro não aparecer ou o carro não pegar devido ao aquecimento provocado por tanta solidariedade.


O que me parece muito mal são algumas reacções, de gente que notoriamente não sabe o que diz, a esta fatídica ocorrência. Insinuar que os policias vão para os bairros da periferia praticar tiro ao alvo é estúpido. E incendiário, também. Pelo que nos é dado a conhecer, nos alvos quem às vezes acerta não são os policias. São outros.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

País de pobres

Há quem esteja agora a descobrir, com algum espanto e relativo horror, que as pensões de reforma estão a ficar cada vez mais baixas em relação ao ultimo ordenado auferido. Habituem-se, que a tendência é para piorar. De acordo com dados citados hoje pela imprensa, setenta e sete por cento das pensões atribuídas no ano passado ficaram abaixo do salário mínimo nacional. No ano em curso este número será ainda maior e num futuro próximo deverá constituir, praticamente, a regra quase geral. Ou seja, o empobrecimento geral do país e dos portugueses prossegue em ritmo acelerado. São, para além de outras, as consequências dos extravagantes aumentos do SMN, do não acompanhamento deste crescimento por parte dos restantes vencimentos e dos sucessivos cortes nas pensões que os fantásticos governos, da não menos fantástica esquerda, garantiu não fazer. Por este andar o indicador de pobreza usado para determinar que temos no país quase dois milhões de pobres tratará de produzir muitos mais. Depois não se queixem.

domingo, 20 de outubro de 2024

Enriquecimento cultural

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Provavelmente as empoderadas, feministas, esganiçadas diversas e esquerdistas em geral já terão reagido ao anuncio da entrada no mercado de uma espécie de Uber apenas para mulheres. Não dei por nada, mas isso dever-se-á, tão somente, ao meu desconhecimento. Imagino que, por esta altura, já abundem comunicados das mais variadas organizações e “colectivos” de esquerda a manifestar indignação e a prometer lutar contra esta iniciativa de negócio – mais uma manigância do capitalismo – claramente discriminatória e, quiçá, atentatória da dignidade das mulheres. Inconstitucional, na certa, por discriminar clientes em função do sexo.
Isto, claro, sou eu na galhofa. Acredito que não tenham feito nem, quase de certeza, farão nenhuma critica a este novo modelo de negócio. De resto, esta iniciativa empresarial apenas vem dar-lhes razão. É mais um beneficio do enriquecimento cultural que, segundo eles, a imigração nos proporciona. Outros se seguirão. Carruagens de comboio só para mulheres ou uso de vestes e adpoção de comportamentos cuja exuberância não suscitem “manifestações de interesse” por parte do imigrantes oriundos de países com culturas medievais. Daqueles que toda a fauna mencionada no inicio do texto acha que nos tornam mais ricos.
Por mim apenas lamento que tenhamos chegado até aqui. Não foi para isto que fizeram o 25 de Abril. Pena que aqueles que a propósito de tudo – e, principalmente, de nada – andam sempre a guinchar “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” não percebam que este é o verdadeiro fascismo. Pior, que o defendam.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

O problema de ontem é a solução de hoje

Uma das vantagens de um gajo ser velho – se calhar a única – é que se lembra de muita coisa. Eu, por exemplo, ainda sou do tempo em que muitíssima gente reclamava do excesso de construção. Barafustavam contra os interesses imobiliários e autárquicos que estariam, a par de outros esquemas alegadamente manhosos, a levar a que se construissem prédios de forma desenfreada e muito para além das necessidades do país. Que, segundo eles, já então teria habitação suficiente para albergar vinte ou trinta milhões de pessoas. Volvidos vinte anos – as mesmas criaturas, em muitos casos – voltam a mandar bitaites acerca do sector. Desta vez, imaginem lá, o problema é a falta de habitação. Os interesses instalados, ou sejam todos menos eles, são responsáveis por não haver casas para ninguém. Uma vergonha a que urge pôr cobro. Construa-se, aconselham, porque afinal os prédios onde cabia toda a gente já não chegam. Não se cansam de estar errados, eles. O único tema onde lhes dou razão, quando noutra ocasião os leio ou ouço sobre outros assuntos, é nisso de criticarem o Ventura por estar sempre a mudar de opinião.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Coitados dos espanhóis...

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O ministro da Defesa proclamou em Estremoz que Olivença é terra portuguesa. Nada de especial – apesar do horror que tal afirmação provocou em certos meios – pois trata-se, afinal, da posição oficial do país. Nem, de resto, os espanhóis ligaram patavina à conversa da criatura. Fizeram mal. Avisados estavam os que concluíram que Nuno Melo estaria a sugerir que invadíssemos Espanha para reconquistar aquela localidade que outrora foi nossa. Isto porque, ainda há poucos dias, outro ministro sugeriu uma nova forma de atacar os espanhóis. Desta vez usando a CP como arma, já que de forma convencional não teríamos sucesso. Curiosamente esta intenção de infernizar a vida dos vizinhos não suscitou nenhum reparo nem a mesma indignação. E, está fácil de ver, é pior, muito pior, do que marchar sobre Olivença. Estou mesmo em crer que, perante tamanha ameaça, o governo espanhol não hesitará em devolver aquilo.

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Dichotes

Os políticos portugueses podem não ser grande coisa, mas demonstram uma especial capacidade para nos divertir. Valha-nos isso. Os últimos dias têm sido especialmente pródigos em declarações capazes de nos animar. Provocar risota, até. Desde o Pedro Nuno Santos ao Montenegro, passando por outras figuras menores como o Ventura ou Paulo Raimundo. O primeiro ministro fez uma graçola a propósito de auriculares e de jornalistas que farão perguntas encomendadas. A corporação jornalística foi lesta a reagir. Não se ficou pelo sorriso amarelo. Certo que o homem mais valia ter estado calado ou, então, se queria mesmo irritar teria dito o mais ajuizado. Que o dinheiro dos contribuintes não pode servir para financiar jornais. Não tinha tanta piada, mas o nosso bolso agradecia. Quanto ao líder socialista, com a empatia que o caracteriza, mandou os militantes do seu partido ter juizinho e tento da língua, que isto de andar a mandar bitaites acerca da necessidade de aprovar o OE não pode continuar. Nesse e, se calhar noutros assuntos, há que falar em uníssono. Papaguear a voz do dono, portanto. Por falar em comunistas, o secretário geral do PCP está manifestamente chateado por o Orçamento apresentado pelo governo conter medidas contra-revolucionárias. Uma chatice, logo agora que a revolução estava a correr tão bem. Mas teve graça, convenhamos.

sábado, 12 de outubro de 2024

Democracia, sempre.

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A minha tolerância para com o pessoal do “Free Palestina” e arrazoado correlativo é muito limitada. São, na sua quase totalidade, apenas movidos pelo ódio aos Estados Unidos da América e ao ocidente em geral. Seriam, todos eles, incapazes de viver numa sociedade como aquela que os diversos movimentos que lutam contra o Estado de Israel – a única democracia da região, nunca é demais recordar – preconizam e aplicam nos territórios que controlam.
Sou o primeiro a concordar que as sondagens valem o que valem. Todas elas, seja qual for o modelo através do qual se obtém o resultado. Especialmente quando este não nos agrada. Neste inquérito, dos participantes apenas o equivalente a pouco mais do que a soma das percentagens obtidas pelo PCP, BE e Livre nas últimas legislativas não escolheriam Israel para viver. Isto, valha o que valer, só nos mostra o óbvio. Doze por cento dos que responderam são mentirosos. Ou, vá, potenciais suicidas.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Opções despreziveis

Tenho pouco apreço por medidas, ainda que aparentemente simpáticas, dirigidas especificamente a um segmento da população. Revelam, na maioria das circunstâncias, o carácter interesseiro e o apego ao poder por parte de quem as promove. O que me faz ter em relação a essas pessoas um apreço ainda menor do que aquele que já tenho pelas ditas medidas. Assim uma cena quase ao nível do desprezo, digamos. É o que sinto, também, relativamente a isto do chamado “IRS jovem” e a quem teve teve a ideia. O mesmo sentimento quanto aos que defendem que, em vez disso, preferiam manter tudo como está em termos fiscais e usar o montante equivalente à perda de receita de IRS para aumentar as reformas aos velhinhos. É um clássico dizer que são todos iguais. A diferença está, pelos vistos, no público-alvo. Uns desconfiam que ganham as eleições com os jovens, outros com os velhos. Os que pagam estas tolices são os do costume. A esses só lhes compete pagar.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Recomendações

A Assembleia da Republica acaba de recomendar ao governo que trate de promover o recrutamento de pessoas LGBT+alfabeto inteiro, afro-descendentes e ciganos para a PSP e GNR. Parece-me muito recomendável o cumprimento desta recomendação. Mesmo que a Constituição garanta a igualdade de oportunidades no acesso ao emprego público e, assim à primeira vista, se afigure que o parlamento estará a, digamos, subverter o espírito da coisa. Detalhes. De resto, com recomendação ou sem ela, o principio de favorecer determinados grupos de cidadãos no acesso aos lugares remunerados pelo Estado há muito que está consagrado na prática política. O grupo de cidadãos com cartão de militante do partido no poder, o grupo de cidadãos que são da família deste ou daquele ministro, o grupo de cidadãos amigos do presidente de uma qualquer autarquia, o grupo de cidadãos - e respectivas famílias - que bebe uns copos com um cacique local e  tantos outros grupos de pessoas que aqui não menciono só para não alongar o post, há muito que são tidos como prioritários no acesso ao emprego público. Serão todos criaturas muito recomendáveis, na certa, mas às vezes só isso pode não chegar. Serem recomendados dá uma garantia muito maior quanto ao sucesso da tramóia.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Buzinão xenofobo

O turismo constitui um dos principais pilares da economia nacional, mas isso pouco deve importar a um conjunto de criaturas que apelam à realização de um protesto contra aquilo que chamam o excesso de turistas em Lisboa. Deve ser coisa, presumo, de gente racista e xenófoba. Da extrema-direita, muito provavelmente, que esses é que não gostam de estrangeiros. Sim, porque malta de esquerda não será, certamente. Esses ainda um dia destes fizeram uma manifestação contra quem acha que andam por cá forasteiros em demasia. De resto essa gente boa, solidária, progressista, empática para com o outro, sequiosa de abraçar novas culturas e amante da diversidade até exige que venham mais. Muitos mais. A esquerda não terá, reitero o meu convencimento, nada a ver com o assunto. Eles, como sabemos, gostam muito de turistas. Gostam tanto, mas tanto, que ficaram chateados por o Moedas ter impedido uns quantos de praticar campismo num jardim lisboeta. É por estas e mais umas quantas que agora não me ocorrem, que ninguém me tira da cabeça que esta ideia de buzinar contra quem vem de fora é coisa do Ventura e dos nazis seus apaniguados. Esses fachos, que querem Lisboa só para eles. Não passarão!

domingo, 6 de outubro de 2024

"Escapai a todos los impuestos que podáis"

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O Sol que alumia lá é o mesmo que alumia cá, já garantia a minha avó, e, acrescento eu, da mesma forma em qualquer lugar onde exista um comunista. Seja qual for o manto ideológico debaixo do qual se esconda. Esta alucinada pertence ao “Más Madrid”. Um movimento regional que se auto proclama como alternativa verde, feminista e de justiça social. Coisas na moda e que dão para tudo e para mais um par de botas. Ou de sapatos de salto alto, para evitar acusações de discriminação com base no calçado. Os de cá não são muito diferentes. Uma, em tempos, já afirmou que a necessidade de perder a vergonha e ir buscar o dinheiro a quem o tem. De tal maneira que até existe um imposto conhecido pelo seu nome. Outros, ainda que mais comedidos nas palavras, contam com a ignorância dos portugueses – nem o recibo do vencimento sabem ler - para nos irem ao bolso. Só falta é terem o descaramento desta senhora. Lá chegarão.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Prioridade à intimidade

Diz que há uma enorme escassez de guardas prisionais. Tanto assim será que, para além da insuficiência de meios para assegurar o bom funcionamento das cadeias, já terão até ocorrido situações em que reclusos deixaram de ser conduzidos a tribunal ou ao médico devido à falta de recursos humanos no sector. Isto, obviamente, a fazer fé naquilo que de vez em quando é noticiado. Mas, se calhar, não será bem assim. Ou, então, dependerá das prioridades. Ao que foi amplamente divulgado pela comunicação social, um recluso, daqueles a quem é dado um inusitado destaque mediático, teve um destes dias direito a uma visita intima. Para o efeito, o cavalheiro terá sido transportado até ao local do encontro e levado de regresso ao ponto de partida por, presumo, guardas prisionais. Daqueles que há em pouca quantidade. Os mesmos que, calculo, terão ficado a vigiar o perímetro enquanto decorriam as intimidades. Ou seja, isto da escassez de pessoal – ou de outra coisa qualquer - tem muito que se lhe diga. Seja nas prisões ou noutro lado. Depende do uso que se lhe dá. Ao pessoal e à coisa.

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Quem não guincha não mama...

Depois de termos suportado durante anos um governo de chalupas, temos agora de gramar um governo de badalhocos. Badalhoquice é o termo mais simpático que me ocorre para caracterizar a postura dos actuais governantes. Pretender agradar a toda a gente e querer dar tudo a todos, nunca dá bom resultado. É da vida. Ao fazê-lo a AD pretendeu complicar a vida ao PS e posicionar-se para ganhar as cada vez mais que prováveis eleições antecipadas. Poderá eventualmente ganhá-las, mas o custo para o país e para os portugueses fará parecer a última intervenção da troika uma brincadeira de crianças. A menos que, no dia seguinte às eleições volte a aumentar os impostos que agora quer baixar. Nada de muito surpreendente, se o fizer. Desconfio, aliás, que nem terá outro remédio.


Depois da tropa, policia, professores, funcionários judiciais, reformados e sei lá quem mais são hoje os bombeiros. Amanhã, se calhar, serão as assistentes operacionais das escolas. Suponho que também quererão subsidio de risco. Se - ao que se diz por piada - haverá quem, alegadamente, receba esse subsidio por apertar os parafusos do carro do lixo, elas também merecerão por despejar os cestos dos papéis. E muitos outros se seguirão, que a lista é longa. A todos será concedido o que almejam, não vão os eleitores abrangidos pela benesse de ocasião ficar chateados. Coisa que, como se sabe, badalhoco que se preze procura sempre evitar.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

O inalienável direito a sujar a rua

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Este vistoso monte de merda de cão podia ser observado esta manhã, em todo o seu esplendor, na Rua Quirina Alice Marmelo, em Estremoz. Trata-se de um dos muitos locais de eleição para a canzoada da zona aliviar a bexiga – como amplamente demonstram o estado do poste e do chão circundante – e, de vez em quando como hoje foi o caso, para arrear o calhau. Isto enquanto os donos aguardam pacientemente e cheios de enlevo que o seu filho de quatro patas – agora é assim que os consideram – termine de evacuar ou de verter águas. Admiro-lhes a paciência. Tanto como a dos restantes moradores em tolerar cenas destas.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Cantiga do(s) bandido(s)

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Segundo o insuspeito “Polígrafo” as Câmaras Municipais terão contratado espetáculos musicais, no Verão que agora termina, no valor de quatro milhões de euros. Se a isso juntarmos o que gastam pelo Carnaval, revellion, Natal e os diversos eventos que ufanamente organizam ao longo do ano acredito que chegaremos facilmente aos dez milhões. É obra. Daquela que fica por fazer, nomeadamente.


“Municípios com maior peso de imigrantes têm menos criminalidade” é o que garantem os especialistas especializados em imigração, crimes e manipulação da opinião pública. Estou chocado com esta revelação. Nunca imaginei que Vila do Bispo, um dos dez concelhos onde os imigrantes representam uma maior percentagem da população residente, pudesse ter menos criminalidade do que qualquer outro da linha de Sintra. Da última vez que visitei aquele concelho algarvio – muito antes desta vaga de imigração – senti-me extremamente inseguro. Um perigo, andar por aquelas ruas. Olhava por cima do ombro a cada passo sempre receoso que um meliante autóctone me roubasse a carteira ou me desse uma facada.

domingo, 29 de setembro de 2024

Uma manifestação muito engraçada...

Admiro a facilidade com que os manifestantes que ontem desfilaram por algumas cidades propõem medidas que, do seu ponto de vista, solucionariam o problema da habitação. Para muitos deles, se calhar, o primeiro passo seria mudar de visual – tomar banho e vestir uma roupinha adequada, nomeadamente – e deixar de dizer bacoradas em público. Com aquele aspecto e aquele discurso de delinquente duvido que alguém lhes arrende uma casa. Deviam, também, ponderar guardar as bandeiras da Palestina e LGBTurbo mais não sei o quê para outras manifestações. Desconfio que poucos estarão dispostos a arrendar uma casa a simpatizantes de terroristas.


Há, depois, outras questões que passam ao lado de toda esta gente que reivindica casas com fartura, rendas baixas e de preferência no centro das cidades. Como, por exemplo, a imigração. Nos últimos anos entraram quase dois milhões de pessoas no país que, parece óbvio, precisam, também elas, de uma casa para morar. Gente esta que, na sua imensa maioria, não se importa de partilhar habitação. Qualquer um entenderá – a menos que seja burro ou equerdalho, passe a redundância - que mais procura conduzirá inevitavelmente ao aumento dos preços.


Outra coisa que esta malta desconhece, quando se queixa dos prédios devolutos e degradados que podiam estar no mercado, são os custos e o calvário burocrático que envolvem a sua recuperação. São, ambos, um estimulo a que qualquer proprietário com um mínimo de juízo opte por não os recuperar. Mas, se for maluco o suficiente para o fazer terá de ter paciência para esperar dez ou mais anos só para ter o retorno do investimento. Isto se, ao fim desse tempo, o imóvel não precisar outra vez de obras. Para não falar do que entretanto vai ter de repartir com o Estado. Aquele sócio oportunista que fica com o produto dos trabalho dos outros e só aparece para estorvar, sacar e esbanjar.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Pintossauros

Quando ainda estamos a cerca de um ano para as próximas eleições autárquicas não falta quem já se ande a afiambrar à cadeira do poder. Não tem mal nenhum, isso. Pelo contrário. Constitui a garantia da existência de pessoas extremamente interessadas em contribuir para o bem estar dos seus concidadãos, em promover a qualidade de vida nos respectivos concelhos e, em suma, tornar o mundo um lugar melhor através do seu contributo à escala local. Mais valorizável ainda por, quase sempre, todo esforço que altruisticamente estão dispostos a fazer custar-lhes horas de lazer ou privá-los da companhia dos seus familiares. Tudo desinteressadamente, claro. E merece mais apreço quando é feito durante décadas a fio. Assim de repente pode haver quem considere que se trata de apego ao poder ou outra necessidade, de uma qualquer natureza, que os faz alcandorar-se aos cargos autárquicos. Populismos, está bem de ver. Não me surpreende, há muita gente que não sabe reconhecer o mérito. Por mim, admiro o empenho e a dedicação de pessoas assim. Tanto, mas tanto, que até sugiro que se deixe de usar o termo “dinossauros” para os identificar. É demasiado pejorativo. Prefiro algo mais elogioso. Pintossauros, por exemplo. Numa especie de homenagem a Pinto da Costa, o decano dos presidentes de qualquer coisa, que lhes assentaria como uma luva. Ou mais.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Agricultura da crise

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A agricultura da crise está agora limitada ao quintal cá de casa. Nem, a bem-dizer, lhe devia chamar quintal. É demasiado pretensioso. Dá ares de uma grandeza que não corresponde à sua real dimensão. É mais um pequeno conjunto de pequenos canteiros onde uma ou outra planta da categoria das hortícolas luta pela sobrevivência. O que, como amplamente demonstram as fotografias, não constitui tarefa fácil. Para além de serem obrigadas a sobreviver num meio notoriamente hostil, ainda são vitimas do ataque de hordas de predadores. Desde pássaros esfaimados a lagartas dotadas de uma capacidade inusitada para devorar tudo o que é verde. Ou quase tudo. Nestas pimentinhas – nasceram sem ser semeadas, vindas sei lá de onde – é que não há praga que lhes pegue. Se calhar não apreciam uma relação mais apimentada.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Taxar todos, todos, todos...

Para o Papa Francisco “deve haver mais impostos sobre os milionários e a sua riqueza deve ser dividida pelos mais pobres”. Por mais aplausos e simpatia que esta tirada provoque entre a maioria da população mundial, dificilmente não se reconhece nela um populismo absolutamente repugnante. Mesmo que se ache que os super milionários devem pagar mais impostos – o que pode, até, ser adequado em algumas circunstâncias – dividir, não me parece a palavra certa. Multiplicar, digo eu, era capaz de ser mais eficaz. Nomeadamente multiplicar o investimento dos mais ricos em negócios que multiplicassem a riqueza e que multiplicassem o número de ricos. E não, mais ricos não significa mais pobres como alguns ignorantes gostam de proclamar do alto da sua burrice. Nunca, como nas últimas dezenas de anos, tanta gente saiu da pobreza em todo o mundo.
Em vez de impostos podia o Papa ter escolhido falar dos recursos que muitos mega milionários árabes, muçulmanos, chineses e outros usam para financiar guerras e promoção de actividades anti-ocidentais. Um bom exemplo disso é a fortuna que o maluco da Coreia do Norte gasta em armamento. Aquilo dividido devia dar para matar a fome aos desgraçados que tiveram o azar de nascer naquele país comunista e miserável, passe o pleonasmo.
Esta ideia de taxar os milionários – apesar de, reitero, não a achar de todo descabida - suscita-me uma questão inquietante para a qual, espero, os seus entusiastas terão uma resposta pronta, esclarecedora e convincente. Como é que se iriam cobrar – já nem digo distribuir pelos pobres locais – os impostos sobre as fortunas dos ricaços árabes, russos, indianos ou chineses pelo menos na parte que estiver sediada nos seus países? Sim, que – surpresa! – nem todos os super ricos são americanos ou europeus...

domingo, 22 de setembro de 2024

Malas, machismos e maluquices

As senhoras – ou seja lá o que for com o que elas se identifiquem hoje – não gostaram de ouvir um ministro confessar publicamente que a sua mala de viagem tinha sido preparada pela esposa. Machismo, incompetência e sei lá que mais berraram as criaturas. Por mim pouco me interessa quem faz a mala a quem. Menos ainda me importa a competência do ministro no âmbito da arrumação dos apetrechos de viagem. Para a esquerda não é bem assim. O que, diga-se, não constituiu novidade. O Estado, do ponto de vista dessa malta, deve imiscuir-se em todos os aspectos da vida privada do cidadão. Nomeadamente naquilo que cada um faz dentro da sua própria casa. Coisas próprias de ditadores. O surpreendente, no entanto, não é que o pessoal do BE e outros doidos pensem assim. O que é verdadeiramente espantoso é que seja com gente desta que o Pedro Nuno Santos conte – outra vez – para governar o país. E, pior, que haja dentro do PS quem não se importe.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Alarvidades intelectualmente irrelevantes

Uma conhecida senhora com opiniões muito apreciadas pelo pagode de esquerda, presença assídua nas rádios e televisões, que já terá calcorreado meio mundo e com auto proclamado conhecimento acerca da melhor maneira de gerir o país publicou um longo texto no seu perfil de uma rede social dissertando acerca dos incêndios e sobre a melhor maneira de organizar o território de forma a, no futuro, minimizar os danos causados pelos fogos. Não tem nada de extraordinário, isso de dar opinião sobre todas as coisas. Eu próprio não me coíbo, tal como a dita senhora, de postar alarvidades e não é por causa disso que o mundo piora. Nem melhora.
Do dito texto, um conjunto bem alinhavado de lugares comuns, retive apenas a seguinte passagem: “Queremos falar de um país com cidades pequenas, ligadas por comboio, redes de bicicleta ao longo de rios…” Comovente, não é? Quer ela e quero eu. Até já me estou a ver, quando me reformar, a apanhar a meio da manhã o comboio em Estremoz, juntamente com dois desempregados que vão para Borba fazer as onze e uma velhinha que vai a Vila Viçosa pagar uma promessa. Quanto a mim sigo até ao Alandroal onde vou tratar de um assunto burocrático que não posso resolver em qualquer outra cidade pequena da região. Enquanto isso, aproveitando a tranquilidade da carruagem onde viajam estes quatro passageiros – um dia muito movimentado, confidencia o revisor, vou contando os ciclistas que pedalam na ciclovia paralela à linha e aproveito para me deliciar com a beleza do rio que corre ali mesmo à beira. Está bonito. Ligaram as pedreiras entre si e fizeram um rio fantástico por onde a água corre livremente. Depois acordei.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Obsolescências...

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Há anos que não ouvia falar em paggers. Calhou ontem. E hoje. Parece que andam a explodir lá para o oriente médio. E os walkie-talkies, também. É no que dá usar tecnologia obsoleta. Também terão rebentado uns quantos painéis-solares, ao que parece. Embora, quanto a estes últimos, não se perceba bem o objectivo. A menos que a ideia seja impedir os terroristas de tomar banho e, assim, por causa do cheiro identificá-los mais facilmente.
Entretanto por cá tem ardido  um número inusitado de automóveis. Mais que muitos. Aparentemente de combustão espontânea, que outro motivo não salta à vista. Deve ser a Mossad que anda por aí a treinar…

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Segurança máxima

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A ocasião faz o ladrão. Daí que seja importante dificultar a vida ao amigo do alheio. Mesmo que isso complique igualmente o acesso ao utilizador que apenas pretende aceder ao próprio dinheiro. E, convenhamos, pôr a mão na massa é, nesta situação ligeiramente mais complicado para patifes, gente séria e outros palhaços que precisem de guito. Para já não falar da câmara de vigilância estrategicamente colocada sem respeitar a privacidade de quem utiliza a máquina, de quem passa na rua ou de qualquer meliante que ande por ali com intenções menos honestas. Tudo coisas do grande capital, camaradas. Ou, então, trata-se de uma enorme alegoria sobre a necessidade de manter a banca na ordem, debaixo de olho e de sugerir a quem levante graveto que o gaste com juizinho.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Tremeliques premonitórios

Esta segunda-feira um jornal diário escreveu, na primeira página, que "corrida a certificados cria pressão sobre reembolso da divida pública em 2033”. Já hoje, terça-feira, numa perspetiva muito mais optimista, igualmente na sua capa, garantia que "ganhos com taxas de juro colocam famílias a poupar”. Isto porque, esclarecia no segundo artigo, “está a compensar investir em depósitos”.


Longe de mim estar para aqui a perorar sobre as intenções destas publicações jornalísticas. Nem ao de leve me ocorre que se pretenda instalar a desconfiança relativamente à capacidade do Estado reembolsar os aforradores que optaram por investir em certificados, levando-os a desviar as poupanças para os bancos. Ná. Até porque, também eu, escrevi num post datado de 23 de Fevereiro de 2023, "Há por enquanto, dinheiro para quase tudo e quase todos. Veremos é se chega para devolver todo o aforro, acrescido dos juros prometidos, investido nos tais certificados. Com a vontade de ir buscar dinheiro a quem o tem, já manifestada em tempos por uma mais que provável futura ministra, começo a desconfiar que, na altura da liquidação da coisa, o dinheiro tenha tido um destino mais solidário, chamemos-lhe assim. Leram primeiro aqui...


Por mim, que não sou de intrigas, mais do que da capacidade do Estado para – tal como garantiu - devolver o dinheiro de quem poupou, desconfio da vontade política de o fazer se, então, o poder estiver ocupado pela esquerda. Mas aí, se ainda por cá andar, vai ser divertido ver a reação daqueles que defendem o não pagamento da divida quando for o dinheiro deles a arder. Sim, porque acredito que muita dessa malta também deve ter investido em certificados. Aposto que até as perninhas lhes vão tremer...

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Orquestrações

Para espanto, horror e consternação geral ficámos agora a saber que a fuga de cinco patifes do piorio do estabelecimento prisional de Vale de Judeus se tratou de uma manobra orquestrada. Ninguém diria. Eu sei que parece estranho que, neste país, alguém planeie ou orquestre coisas. É tão raro, mas tão raro que poucos arriscariam imaginar, mesmo depois de se conhecerem os contornos da evasão, que aquilo foi devidamente orquestrado, superiormente dirigido e magnificamente interpretado. De tal maneira que até ficava mal aos serviços responsáveis pela vigilância da prisão interromperem tão brilhante orquestração. Quando muito aplaudiam de pé, no final da escapadela. E, suponho, só não o fizeram porque não deram por nada. Devem ter adormecido. Não me admiro, acontece-me sempre quando vejo actuações de orquestras magistralmente manobradas. Não fosse um recluso ter avisado que cinco outros presos tinham escapulido e se calhar ainda hoje ninguém sabia de nada. Mas, lá está, há em todo o lado quem goste de ser o primeiro a dar as novidades. 

domingo, 8 de setembro de 2024

Matemáticas eleitorais

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Reza a lenda que um meliante apelidado de Robin andava, nos tempos de antanho, pelos bosques a roubar aos ricos para dar aos pobres. Não passará, provavelmente, de uma história mal amanhada, com um pouco de verdade e muito de imaginação. Na altura não seria difícil distinguir entre uns e outros. Seriam, ambas, condições que se topavam à distância. Hoje tudo é diferente. O papel de justiceiro antes desempenhado pelos “Robins dos bosques” da época é agora atribuído aos Estados que, face à elasticidade dos conceitos de “rico” e de “pobre”, o vão aplicando de acordo com os ciclos eleitorais e os interesses dos políticos circunstancialmente no poder. Daí que o pensamento expresso na imagem acima apenas seja parcialmente correcto. A última frase está a mais. Até porque no socialismo só os camaradas dirigentes teriam os tais mil euros. Que, como é óbvio, não distribuiriam por ninguém.


Infelizmente esta forma de governar não é exclusiva de alegados comunistas nem, sequer, da esquerda ligeiramente mais ajuizada. Veja-se o caso do actual governo. Dá tudo a todos. De tal modo que, pasme-me, até os socialistas já estão preocupados com as consequências deste desvario. Com razão. É que estes malucos, em vez de mil, podem só tirar oitocentos, mas não se limitam a distribuir duzentos e cinquenta por quatro. Vão mais longe e dão trezentos a dez. Um dia alguém irá pagar a diferença, mas entretanto há umas eleições para ganhar.

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Koisas do grande Kapital, kamaradas...(2)

Os meus conhecimentos no âmbito da economia, gestão, finanças e outras ciências ocultas são quase nulos. Esta minha manifesta ignorância impede-me de entender coisas simples e que, ao que leio e ouço, toda a gente percebe. Como, por exemplo, os negócios resultantes dos processos da privatização/nacionalização/reprivatização da TAP e do apoio do Estado à Caixa Geral de Depósitos. No caso da companhia aérea, se for como garantem os críticos do negócio, não deixa de ser admirável que uma empresa que não tinha dinheiro nem para mandar cantar um cego consiga num curto período de tempo encontrar fundos que lhe permitiram comprar-se a si própria por um balúrdio. Deve ser um milagre. Se calhar devíamos chamar o gestor milagreiro para governar o país. Se não foi nada disto e a nacionalização da TAP, para além de negociatas privadas, apenas serviu para aconchegar alguns egos que acham normal os portugueses pagarem os seu devaneios ideológicos, então a culpa é de quem a nacionalizou. Agora e, principalmente, da outra vez, em 16 de Abril de 1975.


Também nisto da finanças gerou um inusitado entusiasmo, entre os defensores da banca pública, o facto da CGD ter devolvido integralmente ao Estado o dinheiro que os contribuintes lá injectaram. Gente de boas contas. Refiro-me, naturalmente, a quem lá as tem. Às contas. Sem eles e as avultadas comissões que pagam o desiderato teria sido muito mais difícil de conseguir. Mas, certamente, foi com agrado que contribuíram. Quem paga por gosto ao Estado não acha que está a ser roubado.




quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Koisas do grande kapital, kamaradas...

Diz que haverá por aí uma manigância qualquer que envolve ananases virados ao contrário, carrinhos de compras e idas a determinado supermercado a horas especificas do dia. O objectivo será, ao que se garante, promover o acasalamento dos que se predispuserem a fazer esta figura de parvo. Manifesto o meu cepticismo quanto ao sucesso desta iniciativa, chamemos-lhe assim. Pelo menos quanto a essa parte que mete a cena de acasalar com alguém que não se conhece de lado nenhum e se passeia numa grande superfície com um fruto a fazer o pino. Ná. Camaradas, companheiros, amigos, leitores habituais e outros palhaços que circunstancialmente leem o Kruzes, a mim ninguém me tira da ideia que isso é coisa do grande capital. Deve ser ideia de um marketer tarado - um juntacús, como lhe chamaria a minha avó -  a soldo de um qualquer porco capitalista ganacioso que pretende encher, ainda mais, os bolsos à conta do pessoal que anda desesperado por por dar uma queca. Ou, vá, encontrar a sua alma gémea, para aqueles que ainda têm esperança na humanidade. Um bom começo é terem algo em comum. E, neste cenário, obviamente devem ter mesmo muito.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Ca(u)sas estimulantes

Surpreende-se a comunicação social por as medidas do governo – deste e do anterior, pouco importa – para apoio à compra de casa pelos jovens terem provocado um aumento do preço da habitação. Olha que surpresa. É mesmo daquelas coisas que ninguém estava à espera que acontecesse. Nunca, jamais, em tempo algum tal consequência seria imaginável por alguém de bom senso, pois não? Agora a sério. Toda a gente sabe que, por norma, tudo o que é devidamente estimulado tende a aumentar. E, no caso da procura, qualquer estimulo que provoque o seu crescimento tem a inevitável consequência de originar também o aumento do preço do produto procurado. Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, seria melhor adoptar outras soluções igualmente estimulantes, mas, desta vez, para enrijar a oferta. Tipo murchar a fiscalidade e a burocracia que incidem sobre a construção. Ou, vejam lá do que eu me fui lembrar, retirar aos talibans da cultura o poder de chumbar a recuperação de edifícios degradados nos centros das cidades. São uns empatas. Não reconstroem nem deixam reconstruir.

sábado, 31 de agosto de 2024

Desmotivações

Apesar de não serem divulgadas noticias acerca do assunto, os ataques isolados esporádicos, perpetrados por dementes, bêbados e outros loucos sem motivação conhecida sucedem-se quase diariamente por essa Europa fora. À facada, principalmente, que os objectos cortantes em geral e as facas em particular, constituem um dos objectos preferidos daquela malta que, apesar de não saber ao certo porquê, sai para a rua e desata a tentar matar pessoas. Mas não se pode noticiar, não vá o europeu comum chatear-se e começar a achar que não chega a gozar a reforma que o tipo que o esfaqueia sem motivação lhe há-de pagar.


Por falar em gente esquisita e desmotivada. O que é frequentemente noticiado é a falta de motivação para regularizar as contas por parte de gente alegadamente famosa. Li hoje, já não sei onde, que há para aí mais um alegado famoso que, entre outras coisas, não paga a renda há uns anitos. Estranhamente ainda não foi posto na rua. O desgraçado alega que não tem dinheiro. Acontece a muita gente. Nomeadamente a quem gasta mais do que aquilo que ganha. Não tem mal nenhum, essa parte de esturrar tudo e mais alguma coisa. Errado é fazê-lo e pretender que os outros o sustentem. Ou, alberguem. A falta que faz por cá um Desokupa...