Isto das autárquicas promete. Todos os dias são conhecidos novos candidatos, candidatos a candidatos, candidatos a deixarem de o ser e candidatos que mais valia não serem candidatos. A mais relevante dos últimos dias foi a candidata anunciada pelo PS à Câmara de Lisboa. Uma candidata forte, há que reconhecer. Talvez, para além do líder, a pessoa com mais peso dentro do partido. Alguém com massa suficiente para fazer gravitar à sua volta toda a restante extrema-esquerda. Para já deixou os socialistas cheios de esperança numa vitória robusta. Ou, mesmo que não consiga esse desiderato, é criatura para engrossar a votação do seu partido. Os saudosistas da Geringonça, por seu lado, esperam que a candidatura sirva para encorpar uma espécie de frente revolucionária que lhes alargue as perspectivas de regresso ao governo. Até pode ser que sim quanto a isso da frente popular e revolucionária, mas não me parece que tão cedo voltem a pôr as mãos no pote. Por enquanto estamos em tempos de vacas gordas.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2025
quinta-feira, 26 de setembro de 2024
Pintossauros
Quando ainda estamos a cerca de um ano para as próximas eleições autárquicas não falta quem já se ande a afiambrar à cadeira do poder. Não tem mal nenhum, isso. Pelo contrário. Constitui a garantia da existência de pessoas extremamente interessadas em contribuir para o bem estar dos seus concidadãos, em promover a qualidade de vida nos respectivos concelhos e, em suma, tornar o mundo um lugar melhor através do seu contributo à escala local. Mais valorizável ainda por, quase sempre, todo esforço que altruisticamente estão dispostos a fazer custar-lhes horas de lazer ou privá-los da companhia dos seus familiares. Tudo desinteressadamente, claro. E merece mais apreço quando é feito durante décadas a fio. Assim de repente pode haver quem considere que se trata de apego ao poder ou outra necessidade, de uma qualquer natureza, que os faz alcandorar-se aos cargos autárquicos. Populismos, está bem de ver. Não me surpreende, há muita gente que não sabe reconhecer o mérito. Por mim, admiro o empenho e a dedicação de pessoas assim. Tanto, mas tanto, que até sugiro que se deixe de usar o termo “dinossauros” para os identificar. É demasiado pejorativo. Prefiro algo mais elogioso. Pintossauros, por exemplo. Numa especie de homenagem a Pinto da Costa, o decano dos presidentes de qualquer coisa, que lhes assentaria como uma luva. Ou mais.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
E promessas novas, pá?!
Esta deve ter sido, em termos autárquicos, a campanha eleitoral que menos interesse me suscitou. Li, apesar disso, as propostas que as quatro forças concorrentes têm para nos apresentar. Por alto e na diagonal, confesso, mas li. Foi assim a modos um passar de olhos, como diria a minha avó, suficiente para me deixar profundamente desiludido. Mais coisa menos coisa são as ideias do costume. Não descortino ideias inovadoras nem verdadeiramente capazes de suscitar uma mobilização geral do eleitorado. Daquelas de encher o olho, vá. E nem me refiro àquelas cenas de prometer campas a metade do preço, bairros do amor ou espantar ciganos. Isso são coisas de meninos que prometem em todo o lado. O que eu queria ver nos programas eleitorais eram promessas a sério. Assim tipo construir um teleférico do Rossio até ao Castelo ou um centro de acolhimento a visitantes de outros planetas. Sim, que isto há que elevar a aposta no turismo a outros patamares. Ou, até mesmo, recuperar as fontes tradicionais que foram ao longo dos anos sendo destruídas pelo desleixo, pela acção do tempo ou pelos proprietários dos terrenos circundantes.
domingo, 15 de maio de 2016
Geringonças locais
Parece que o conceito de geringonça será para repetir ao nível local nas próximas eleições autárquicas. Não acho mal. Nem bem. Antes pelo contrário. Estou assim a modos como o Arménio da CGTP quando interrogado se a manifestação pró-trinta e cinco horas era a favor ou contra o governo.
Os geringonços terão concluído, digo eu, que em determinados locais será a única maneira de tirar determinadas pessoas que parecem determinadas em ficar no poder por tempo indeterminado ou, pelo menos, o determinado pela lei. E estarão, também, determinados em colocar lá outras que estão determinadas em agarrar um determinado lugar. O pior é que em determinados concelhos parece que determinados partidos se mostram determinados em não aceitar determinados candidatos. Ainda que putativos.