quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Estacionamento tuga

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Quem nunca, num parque de estacionamento “às moscas” ou com incontáveis lugares vazios, optou por estacionar num local inapropriado, chamemos-lhe assim. Eu já. Assim, tão à descarada e que me recorde, talvez não. Mas quem não o fez que atire o primeiro impropério. Embora este comportamento não tenha nada de mal. Tal como dizem certos aleijados da cabeça, quando chamados à atenção por pontapearem a gramática com elevada ferocidade, cada um escreve como quer. É mais ou menos o mesmo nisto do estacionamento. Cada qual estaciona o carrinho como lhe apetece e ninguém tem nada a ver com isso.

sábado, 16 de agosto de 2025

Sou pobre e maluco e não sabia...

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O komentariado nas diversas televisões está, na sua imensa maioria, entregue a gente esquisita. Tirando aqueles que vão lá em representação dos partidos – esses, ao menos, sabemos ao que vão – aquilo está cheio de cartilheiros, criaturas intelectualmente pouco honestas e outros que nem se percebe como é que alguém os contrata para ir falar à televisão. Ou é um reiterado erro de casting ou é de propósito para descredibilizar os órgãos de informação. 


Uma dessas criaturas, jornalista ao que parece, afirmou um destes dias que “temos um interior abandonado, envelhecido, em que não há esperança, em que as pessoas são pobres, isoladas e têm problemas de saúde mental”. Terá razão quanto ao abandono, envelhecimento, isolamento e falta de esperança num futuro melhor. Embora isso não seja exclusivo do Portugal interior. Ainda que não conheça as estatísticas, quase arriscaria escrever que velhotes a viver e morrer sozinhos em Lisboa e Porto não serão menos do que no restante território. Quanto ao resto, a pobreza e a saúde mental, só me posso admirar por haver tanto jornalista e tanta gente das televisões a comprar casa no interior do país, seja para viver ou como segunda habitação. Devem gostar de morar no meio dos pobrezinhos e de criaturas que não batem bem da cabeça. Há malucos para tudo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

A cartilha enquanto instrumento de tortura da realidade

Desde que apanharam em falso aquela moçoila do Chega que não sabia o valor do Rendimento Social de Inserção, não há debate em que o interveniente daquele partido não seja confrontado com a sacramental pergunta: “Sabe qual é o valor do RSI?”. Acompanhada, quase sempre, por um sorriso matreiro. Confesso que acho piada. Até pela originalidade. Mais ainda se, como foi o caso de ontem, em que o debatente do Partido Socialista depois de obtida a resposta – cerca de duzentos e cinquenta euros, mas sem ninguém ter a certeza – acrescentou a variante, “por família ou por pessoa?” referindo, sem esperar por resposta, ser deplorável que o interlocutor ache possível uma família de quatro pessoas, ainda que nenhuma trabalhe, viver com mil euros por mês. Isto dito por um tipo do PS, reitero. Aquele partido, não sei se estão recordados, que esteve no governo vinte e dois dos últimos trinta anos. De recordar igualmente, se calhar há gente do PS que não sabe, que há muitas famílias que se têm de governar com um valor idêntico e, pasme-se, até trabalham.


Por falar em gente alheada da realidade, circula um vídeo nas redes sociais de gente ligada à extrema-direita sobre supostas actividades religiosas daquela malta que reza de cú para o ar, à porta de uma igreja. Não digo que não aconteçam provocações desse género, mas no caso, trata-se de uma encenação efectuada durante um festival medieval. Manipulações desta natureza são, para além de desprezíveis, reveladoras do carácter de quem as faz e que apenas servem para descredibilizar as legitimas preocupações que os comportamentos desta comunidade estão a provocar na sociedade. Ou seja, o efeito contrário ao pretendido.


O que têm em comum estes dois assuntos? Nada, a bem dizer. Tirando aquela parte em que, em ambos os casos, se puxa da cartilha para torturar a realidade.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

O peso e a sabedoria popular

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Dizem os jornais de hoje que um homem faleceu sufocado pelo peso da sua esposa, que terá caído da cama e tombado sobre ele. O sujeito, um lingrinhas, não terá suportado a pressão exercida pelo corpo avantajado da senhora. Não é que queira fazer piadolas acerca do assunto, até porque o caso é sério, há que respeitar o falecido e ter em consideração a dor da esposa que vê o marido partir – ou ficar-se, conforme o ponto de vista – desta forma trágica. Nada disso. Ocorreu-me, no entanto, que no caso de as circunstâncias serem as inversas, ou seja o cavalheiro gordo a cair sobre a senhora magricela, esta tragédia não teria ocorrido. Segundo a sabedoria popular, um barrote em pé e uma mulher deitada aguentam todo o peso que lhes ponham em cima. É o que garantem também, entre outros especialistas das diferentes especialidade envolvidas, todos aqueles que estudam a resistência dos materiais. Lá está, essa coisa do “sexo fraco” não é bem como a pintam. Nunca foi.

domingo, 10 de agosto de 2025

A empatia do empoderamento

Já não suporto essa coisa da empatia. Digamos que não tenho empatia nenhuma por quem, a propósito de tudo e principalmente de nada, anda sempre com essa palavra na boca. Hoje toda a gente diz ser empática, todos exigem empatia aos outros e não há parvo nenhum que não pronuncie essa palavra pelo menos dez vezes por dia. Ainda que, a maior parte, não passem de uns empatas.


O mesmo com isso do empoderamento. Seja lá essa cena o que for. Agora, todas as gajas de esquerda se gabam, para além de ter empatia para dar e vender, de ser empoderadas. Muito empoderadas, mesmo. Uma coisa parva, é verdade, mas se elas se acham assim é melhor não as contrariar. Primeiro porque ninguém nota nada e segundo porque um maluco – ou maluca – nunca se contraria.


Num tempo em que mais vale parecer do que ser, faz sentido que muita gente se declare empática e empoderada. Provavelmente não é nem uma coisa nem outra, mas fica bem para o like, para por no currículo e para a auto-estima. Por mim, já estou como dizia o poeta: “detesto os bonzinhos”. E, de caminho, as empoderadas auto-proclamadas.

sábado, 9 de agosto de 2025

Surreal...

Não temos médicos, professores, engenheiros nem outros profissionais especializados nas mais diversas artes. Não temos transportes em condições ou em número suficiente, não temos habitação, não temos creches que cheguem para a procura e os serviços públicos estão à beira do colapso. Ainda assim as criaturas que até há pouco tempo nos governaram e a quem o povo resolveu punir, secundadas pelos sequazes que colocaram nos lugares chaves da decisão, exigem que se efective o direito ao reagrupamento familiar. Está tudo maluco. Ou, então, estão a fazer de propósito. Dizem que está na Constituição. Tal como o caminho para o socialismo, digo eu a talhe de foice. Reagrupe-se tudo, portanto. Nomeadamente aquelas famílias muito unidas, com duas ou três esposas e onde são todos primos e primas. Vai correr bem.


Por falar em famílias. Fica, a seguir, uma lista ordenada dos países onde os casamentos consanguíneos representam uma percentagem – estimada porque a realidade deverá ser muito pior - mais elevada do total das uniões matrimoniais. O que tem isto a ver connosco? Não sei, esclareçam-me. Só sei, usando uma figura de retórica, que “Podes tirar o macaco da selva, mas não tiras a selva do macaco”.


Países com maior taxa de consanguinidade (estimativas médias):
País - Percentagem estimada de casamentos consanguíneos
Paquistão 50–65%
Sudão 45–60%
Arábia Saudita 40–60%
Iraque 40–55%
Afeganistão 40–50%
Qatar 40–50%
Jordânia 30–40%
Síria 30–40%
Emirados Árabes Unidos 30–40%
Irão 25–35%
Sudeste da Índia (ex: Tamil Nadu) 20–30%
Egipto 20–30%
Líbia 20–30%
Omã 20–30%
Turquia (regiões rurais) 15–25%
Bangladeche 15–25%

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Habituem-se...

A comunicação social em Portugal – se calhar nos outros países também – devia ser objecto de estudo. O tempo de antena ocupado com declarações dos lideres de partidos absolutamente insignificantes e a quantidade de comentadores que lhes são afectos é desproporcional face à sua representação eleitoral. Quem os ouve falar há-de pensar que foram essas forças políticas, meramente residuais na sociedade e no parlamento, que ganharam as eleições. Têm, obviamente, todo o direito a questionar as opções de quem governa. Era o que mais faltava que não tivessem. Não têm é legitimidade – nem eles nem os comentadores que vestem essas camisolas – de pretender impor a sua vontade à maioria dos portugueses. Quem ganhou governa. Isso inclui, parece-me, implementar as ideias em que se acredita. É, afinal, para isso que pagamos aos políticos. Não gostam? Temos pena. As maiorias são o que são, duram o tempo que tiverem de durar e quando acabarem escolhem-se outros que constituam outras maiorias. Nem sempre são aquelas que, individualmente, nós gostamos, mas isso é a vida. Há cinquenta anos que é assim. É a democracia, ou lá o que é.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Aquilo de acabar com os ricos foi coisa que ficou...

“Trabalhadores a ganhar mais de três mil euros duplicaram em dois anos”. Serão agora, de acordo com um estudo efectuado por especialistas na especialidade, quase cem mil os que auferem mensalmente o valor liquido acima mencionado. Como adoro a clarividência dos portugueses em matéria financeira e tenho uma profunda admiração pela empatia que geralmente manifestam quando em causa está a distribuição da riqueza, fui ver os comentários à noticia. Não me decepcionaram. Para a esmagadora maioria trata-se de uma coisa má. Mesmo muito má, isso de haver algumas pessoas que viram os seus rendimentos elevados a um valor bem distante do que aufere a generalidade dos trabalhadores. Culpa desse malvado governo da direita que, veja-se o desplante, promove condições para que haja gente a ganhar mais. Uma vergonha, é o que é. Tudo a ganhar o salário mínimo é que era.


Não consigo compreender – nem, sequer, aceitar – este sentimento permanente de inveja. Admito que estes dados não são nada de especial. Representam apenas dois por cento da população e o ideal seria que muitos mais tivessem um ordenado assim ou, de preferência, superior. A indignação devia ser por apenas ter duplicado. Mas não. Continuamos a pensar pequeno e irrita-nos que o vizinho do lado ganhe mais, tenha uma casa maior ou um carro melhor.


Obviamente que aquela parte do governo criar condições para a existência de melhores salários continha ironia. O governo, seja de direita ou esquerda, à excepção da função pública e do SMN, não aumenta salários. Quando muito baixa os impostos que incidem sobre o trabalho. O que, diga-se, também desagrada, à maioria dos tugas. Ou não fossem quarenta e dois por cento as famílias que não pagam IRS.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

A lei é uma espécie de rotunda. Serve para ser contornada.

Não sei qual é o motivo para espanto relativamente à opção daquelas comissões de festas e autarquias locais que resolveram antecipar a hora do lançamento do foguetório para contornar a proibição destas práticas. Como se toda a gente, em todo o lado e em todas as circunstâncias não fizesse o mesmo no que concerne ao cumprimento das leis que não nos dão jeito cumprir. Nomeadamente daquelas que, como dizia um ex-Presidente de uma Câmara do norte, só servem para atrapalhar.


Veja-se, nisto de contornar a lei e só para recordar um dos mais flagrantes, o caso do memorando assinado com a Troika pelo governo de José Sócrates após os socialistas, terem falido o país. Durante aqueles anos participei em algumas reuniões onde a grande questão que se colocava, perante a sucessiva legislação que ia sendo publicada visando impor algum rigor às contas públicas, era invariavelmente “como é que vamos dar a volta a isto”. E, de facto, pouco daquilo se cumpriu. A única coisa que importava era demonstrar que se cumpria. Ou, como numa dessas ocasiões salientou um Secretário de Estado qualquer, se demonstrasse a intenção de cumprir. A tramoia foi tão bem urdida e o discurso tão bem elaborado que, ainda hoje, há quem continue a acreditar que não só se cumpriu como até se foi além do exigido pela Troika. Para a oposição é um discurso que dá jeito e percebe-se que o continuem a fazer. Que o cidadão médio acredite é que já uma cena a atirar para o esquisito. Ou não. Afinal, como os factos demonstram todos os dias, o país está repleto de ingénuos, crentes e alienados. Alguns, até, tudo isso em simultâneo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Prioridades pouco prioritárias

Facilitar os despedimentos, como exigem os patrões e o governo parece estar disposto a fazer, não se afigura como prioridade. Nem, sequer, necessário num momento de quase pleno emprego e de evidente falta de mão de obra em praticamente todos os sectores do mundo laboral. Excepto na administração autárquica. Aí há aos montes, cada vez mais e claramente em excesso, mas sobre isso falarei um dia destes. Quando me reformar, talvez. Ou antes, se me apetecer.


Sobre este tema – os despedimentos – os poucos comunistas que ainda restam, a esquerda que vai sobrando e os alucinados em geral têm, concedo, alguma razão. Tanta que até podiam assinalar os cinquenta anos do despedimento de vinte e quatro jornalistas do Diário de Noticias, efectuado por um tal José Saramago então director daquele jornal que, na época, era propriedade do Estado. Foi uma coisa que me ocorreu nem sei porquê, mas ficava-lhes bem. Seria uma forma bonita de protestar contra as arbitrariedades do patronado, do sistema capitalista em geral e dos pequenos tiranetes em particular. E inclusiva, também.

domingo, 3 de agosto de 2025

Agricultura da crise


 


A agricultura da crise de agora não é o que já foi. Depois de perdidos os anteriores cenários para a especulação imobiliária, como lhes chamariam criaturas de moral duvidosa, está actualmente limitada ao quintal cá de casa. São condições menos propicias, com pouco espaço e bastante mais dispendiosas, que isto de regar com água da rede não constitui uma opção sustentável. Digamos, face a estas circunstâncias, que estamos perante outro conceito. O da mobilidade – ou da portabilidade, talvez – agrícola. Dado que a exposição ao sol do espaço vai variando conforme as estações do ano, com esta solução as plantas podem ser deslocadas de maneira a que estejam expostas à luz solar o maior tempo possível. Um Sechium edule e um Vaccinium myrtillus são os primeiros experimentos neste campo. Que é como quem diz, nesta amostra de quintal. Para já evidenciam sinais de alguma vitalidade. Espera-se que a produção dê, pelo menos, para engasgar…

sábado, 2 de agosto de 2025

Ditadura do bem...

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Este cartaz colocado pelo Vox na cidade espanhola de El Ejido, província de Almería, resistiu pouco tempo à censura e à ditadura do politicamente correcto. É o mundo ao contrário. Ao invés de se condenar que, em pleno século vinte um, as mulheres andem pelas ruas com indumentárias que mais parecem sacos do lixo, condena-se quem a isso se opõe. Discurso de ódio, dizem. Incitamento à violência, racismo e mais umas quantas bacoradas da moda, constituem os argumentos dos pretensos defensores da democracia e da liberdade. As mesmas criaturas que, veja-se o topete, se fartam de berrar contra o fascismo, pelos direitos das mulheres que alegam estar a ser retirados e mais não sei quantas conquistas que nas suas mentes lunáticas estarão em perigo. A ironia da coisa é que serão as feministas e as auto-intituladas “empoderadas” – seja lá isso o que for – as principais vitimas do processo de islamização em curso na Europa ocidental. Desejo-lhes saúde suficiente para ainda por cá andarem quando, também elas, tiverem de andar envoltas em trapos pretos. Depois não se queixem.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Decidam-se, porra!

Ao que leio e ouço a todo instante precisamos de imigrantes. Mais. Muitos mais. Caso contrário o país pára por falta de mão de obra. Esta retórica, provavelmente verdadeira, é repetida por partidos de esquerda, governo, empregadores e gente que sabe tanto do que está a falar ou a escrever como eu de plantações de cannabis. Todos terão as suas razões para desejar a vinda de mais gente. Mas, convenhamos, a posição mais extraordinária acerca da imigração é a dos patrões. Ainda há poucos dias estavam preocupados com os efeitos nefastos da legislação recentemente aprovada, nomeadamente por dificultar a entrada de imigrantes e com isso colocar em causa o funcionamento das empresas devido à falta de mão de obra. Hoje, ao que foi noticiado, pretendem que o governo facilite os despedimentos. Receio não estar a perceber o sentido da coisa. Deve ser problema meu, admito, mas num momento de escassez de trabalhadores parece-me que faria mais sentido reivindicar maiores facilidades na contratação. Como, por exemplo e entre outras coisas, isentar de IRS e TSU os trabalhadores que optem por ter um segundo emprego. Hoje, por mais vontade, ambição ou necessidade poucos são os que estão dispostos a ter dois empregos. Com a actual fiscalidade, praticamente tudo o que ganham no segundo é para entregar ao Estado. Ou seja, trabalhar para aquecer. E disso ninguém gosta. Nem os imigrantes que me vão pagar a reforma.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Os portugueses preferem o cachorro quente aos coiratos e ao frango de churrasco

Há muito que os portugueses ensandeceram. Está tudo doido varrido. Num dia em que o país está a arder, poucos lamentam a desgraça que os incêndios estão a causar nem a tragédia que provocam aos seus concidadãos vitimas destas ocorrências. A ira, a indignação e a revolta são inteiramente direcionadas para a morte de um cão. Aquele que, num gesto heróico, um militar da GNR retirou ainda com vida de dentro de uma habitação em chamas. Nas redes sociais multiplicam-se os comentários a desejar aos donos do bicho tudo o que de mal existe. Os mais simpáticos limitam-se a desejar-lhes a morte por combustão demorada. O resto adivinha-se. Assim como o carácter de quem os faz. Prolifera um inenarrável discurso de ódio que muitos deles, noutras circunstâncias, não se cansam de condenar.


Obviamente que não estava à espera que estas criaturinhas ridículas se preocupassem as pessoas que ficaram sem casa, sem os pertences ou que viram o lume levar o produto do trabalho de uma vida. Era acreditar em demasia no juízo desta cambada. Contudo um desses incêndios vitimou trezentos e cinquenta porcos. Outro fogo, ou mesmo não sei, deixou em muito mau estado umas quantas centenas de pintos. Nada disso comoveu os amiguinhos dos animais nem suscitou ondas de indignação contra os proprietários das explorações, os bombeiros, os incendiários ou quem mais calhasse a ocorrer aqueles malucos. Compreende-se. Afinal isto há animais mais iguais que outros. Até para aqueles que enchem a boca de igualdade. Tratem-se, pá.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Palha doutrinária

Está a ser convocado através do Trombasbook um ajuntamento, a realizar cá na terra, para demonstrar solidariedade para com a Palestina. A convocatória não esclarece, mas deve ter a ver com o proclamado genocídio. Embora, sem pretender contrariar ninguém, se trate de um genocídio suis generis, dado que o saldo populacional continua a ser positivo. Isto é, nascem mais palestinianos do que aqueles que morrem. Mas, se os sábios destas temáticas dizem, não sou eu que vou ousar contradizê-los. Será também, suponho, para lamentar a larica que, garantem os apaniguados destas causas, se faz sentir entre as crianças de Gaza. Escassez que não afecta os terroristas do Hamas, pois não consta que estejam dispostos a trocar armas por comida nem, aparentemente, muitos adultos que, na propaganda diariamente difundida para ocidental papar, parecem suficientemente nutridos.


Cada um manifesta-se por aquilo em que acredita, acredita no que quiser e da “palha” que lhe colocam na “gamela” cada qual “come” a que lhe apetecer. Não tenho nada a ver com isso nem é da minha conta. Tal como não é da conta de ninguém a minha aversão visceral a todos os que me tentam doutrinar. Chegou uma vez. Eram outros tempos e serviu-me de lição. Apesar do respeito, tenho pouco apreço pelos que se deixam convencer por uma boa campanha de doutrinação. É, reitero, lá com eles. Por mim só tenho curiosidade em ver quem vai aparecer. Só para saber em quem não votar.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Catalisadores, mentiras e videos

Diz que numa pacata vila do norte, a criminalidade tem dado claros sinais de subida. Nomeadamente o roubo de catalisadores. Coisa que, habituados que estavam à pacatez do lugar, tem deixado preocupados os donos das viaturas dotadas desse equipamento. Os suspeitos pelas ocorrências serão, ao que sustentam as criaturas da extrema-direita local, moradores num bairro de habitações auto-construidas. Não parece, no entanto, existirem motivos para alarme. Questionado acerca do assunto, o autarca lá do sitio garantiu que nada há a temer e tranquilizou os habitantes do lugar esclarecendo que “furtos desses ocorrem em todo o lado e não apenas aqui”. Consta que perante tão convicta e tranquilizadora resposta todos passaram a dormir melhor. Até porque os furtos, segundo os relatos conhecidos, têm ocorrido durante o dia.


Entretanto, bastante mais a sul, em redor de um resort auto-construido há quem diga que também acontecem, de vez enquanto, umas cenas manhosas. Ainda um dia destes foi divulgado um vídeo em que o espectador era levado a acreditar que uns quantos jovens estariam a provocar um incêndio enquanto, ao lado, os bombeiros o tentavam apagar. Esta gente da extrema-direita é capaz de tudo. Até de manipular a realidade. Aquilo, topava-se logo, eram bombeiros estagiários a aprenderem a fazer um contra-fogo. Infelizmente foi apagado. O vídeo.

domingo, 27 de julho de 2025

O Sampaio era facho?!

Corre pelas redes sociais o vídeo de um discurso, proferido em 2002, em que o então Presidente da República Jorge Sampaio alertava para o problema da imigração e da necessidade dos imigrantes que aportassem ao país se integrarem na comunidade e respeitarem os nossos valores. De acordo com a retórica adoptada desde 2015 pelos partidos que assaltaram o poder após serem derrotados nas eleições desse ano, o homem deve por esta altura estar a ser considerado um perigoso fascista. Um bandido xenófobo, racista e o que mais ocorrer a esses malucos. Balelas que foram amplamente inculcadas em pessoas fracas de espírito, pouca capacidade intelectual e facilmente influenciáveis pela propaganda oficial. Discuti isto com algumas delas. Erro meu, reconheço. Para todas, então, nem era sequer um problema. Tal como hoje, provavelmente, continuará a não ser. Alguns, coitados, nem sabem o que é isso dos “nossos valores”. Ainda assim, haverá quem tenha mudado de opinião. Os resultados eleitorais, cada vez mais insignificantes, dos partidos da Geringonça deixam alguma esperança no bom-senso dos portugueses.


Como o PR de então dizia no tal discurso, o país precisa de imigrantes. Mas não necessita mesmo nada daqueles que vêm para cá contribuir para a criação de favelas nem dos que pretendem aqui recriar o modo de vida dos países de origem ou viver de acordo com regras ou princípios incompatíveis com os nossos. Esses fazem cá tanta falta como a fome.

sábado, 26 de julho de 2025

Causas falidas

A ninguém pode causar espanto que as empresas de comunicação social a operar em Portugal estejam, praticamente todas, com graves problemas de sustentabilidade ou à beira da falência. Basta estar atento ao espaço mediático. Toda a comunicação social está transformada numa máquina de propaganda de causas que nada dizem à generalidade dos portugueses e de activistas que mais valia estarem calados, pois o efeito que provocam nas pessoas é exactamente o contrário daquele que pretendem. Como já deviam ter concluído do último resultado eleitoral. Mas não. Continuam a estar convictos das suas certezas. Nomeadamente daquela que conclui pela imbecilidade de quem vota na direita. Continuem. Chamar imbecil a quem tem uma opinião diferente é sem dúvida uma óptima maneira de o convencer a votar no partido que eles querem. Força nisso.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Os fofinhos

Tenho, admito, muita inveja do pessoal da esquerda. São bonzinhos, preocupam-se com os desvalidos e estão sempre prontos a ajudar os demais. Desde que os demais sejam os pobres com as opções certas. Que é como quem diz, pensem de acordo com os ensinamentos inventados por uns vadios que viveram no século passado e que desde então tem sido transmitido de geração em geração. E, sobretudo, não votem no Chega. É gente que se comove facilmente, têm sempre uma lágrima pronta saltar e demonstram uma inusitada empatia – sentimento que apenas as pessoas de esquerda possuem - perante todas as vítimas das injustiças promovidas pelo grande capital. Ou seja, todas as injustiças do mundo.


Outra das virtudes mais notórias desse pessoal, da qual tenho ainda mais inveja, é a sua capacidade de partilhar. Tudo é de todos. Especialmente o que é dos outros. Revelam um raro desapego ao que não é seu e demonstram uma capacidade de repartir o alheio que me deixa atordoado com tanto altruísmo. E à minha carteira também.

terça-feira, 22 de julho de 2025

O banquinho

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A alguém da Câmara de Oeiras deve ter parecido boa ideia mandar pintar cada ripa dos bancos de jardim com uma cor diferente. Para promover a inclusão, dizem. Receio não estar a acompanhar o raciocínio do génio que idealizou a coisa. É que, assim de repente, os assentos não me parecem especialmente inclusivos. Inclusivamente não estão equipados com uma almofadinha para o rabinho. Apetrecho que, se calhar, daria jeito a algumas criaturas que possam ter dificuldade em sentar-se sobre a superfície de madeira - geralmente dura, como sucede com todo o tipo de madeira. Por exemplo, entre outros, todos aqueles que sofrem de hemorroidas ou que tenham acabado de sair do urologista. Para esses, tenha aquilo a cor que tiver, não há ali vislumbre de inclusão. Também ninguém pensou nos daltónicos. No caso destes ainda é pior. É discriminatório. Imagine-se alguém a dizer “Olha ali um banco tão colorido!” e o daltónico, coitado, a perguntar “Onde?! Onde?!”. Muito menos se importaram com os anões. Para quem sofre de nanismo deve constituir um martírio acomodar-se ou levantar-se de bancos tradicionais. Ainda assim, desconfio que aquilo seja moda para pegar. Nem que seja de empurrão. Podem, a seguir, pintar as carruagens dos comboios cada uma de sua cor. E mais o que lhes dê na real gana, também. Que esta cena da inclusão é uma coisa modernaça. Mesmo que inclua pouco e exclua muito.

domingo, 20 de julho de 2025

Especialistas de tudo, especializados em coisa nenhuma.

Quando aquelas armas da tropa armazenadas num paiol em Tancos levaram sumiço, o então ministro da Defesa, entre outras alarvidades, garantiu que de espingardas não percebia nada e que nem sequer desconfiava o que raio era um paiol. Hoje é comentador de assuntos militares numa televisão, onde analisa os diversos conflitos armados que vão ocorrendo um pouco por todo o lado. Coisa que, para além de dizer muito acerca do cavalheiro, diz ainda muito mais acerca do estado actual dos meios de “informação”.


Os especialistas especializados nas diversas especialidades a debitar opiniões nas rádios, jornais e televisões são mais que muitos. Todos – embora quase sempre os mesmos - especialmente especializados nos mais dispares assuntos. Eles sabem de tudo e têm opinião acerca de tudo. Aliás, nessa parte das opiniões têm até várias. Uma para quando o respectivo partido está no poder, outra para quando está na oposição e outra ainda para quando o partido do seu coração muda de opinião, de líder ou para quando o líder muda de opinião. Pode parecer estranho, mas gosto de os ouvir. A todos. É uma coisa que me diverte. Pode, admito, ser um bocado parvo, mas já dizia a minha avó que cada um diverte-se a seu modo e ninguém tem nada a ver com isso.


Nos últimos dias, os jornalistas portugueses têm-se referido a Daniel Esteve como líder do “Movimento Desokupa” espanhol, a quem acusam de liderar o que apelidam de caça ao imigrante em Torre Pacheco. Apesar do homem – um herói para muitos espanhóis – ter uma visão um bocado quixotesca da sociedade, é antes de mais um empresário que viu na desocupação de casas uma oportunidade de negócio. Aparece quase sempre quando sucedem casos como este, mas sugiro que vejam as reportagens televisivas na parte em que o fulano é interpelado pelos agentes da Guardia Civil e impedido de entrar na cidade. Quanto ao resto, quem tiver paciência, veja o que o Chat GTP tem a dizer sobre os disparates jornalísticos.


A confusão em chamar Daniel Esteve de “líder do movimento desokupa” pode ser explicada por uma combinação de ignorância jornalística, simplificação excessiva e, em alguns casos,  vontade de enquadrar politicamente a narrativa.


Vamos por partes:




📌 Quem é Daniel Esteve?


Daniel Esteve é o fundador e CEO da empresa Desokupa, criada em 2016 em Espanha. Trata-se de uma empresa privada que oferece serviços de mediação e pressão legal e extrajudicial para ajudar proprietários a recuperar imóveis ocupados ilegalmente (okupados). A empresa ganhou notoriedade por agir de forma dura e polémica, sendo acusada por alguns setores de atuar com táticas de intimidação ou vigilantes.




📌 Existe um “movimento desokupa”?


Não exatamente.




  • O termo "desokupa" (sem o “c”) é usado por esta empresa como marca registada.




  • Não há propriamente um movimento social estruturado chamado “movimento desokupa”, como há, por exemplo, um movimento okupa de base ideológica anarquista ou anti-capitalista.




  • No entanto, o termo começou a ser usado informalmente por pessoas ou grupos que apoiam ações contra ocupações ilegais, muitas vezes com discurso mais à direita no espectro político.






🧠 Então por que lhe chamam "líder do movimento desokupa"?


Aqui estão os principais motivos:


1. Simplificação mediática


É mais fácil, especialmente para meios de comunicação sensacionalistas, usar expressões como "líder do movimento desokupa" do que explicar que se trata do fundador de uma empresa privada com fins lucrativos.


2. Ignorância ou desinformação


Alguns jornalistas ou comentadores realmente não sabem distinguir entre um movimento ideológico/social e uma empresa com marca e atuação própria.


3. Narrativa política


Chamá-lo de "líder de um movimento" dá mais peso político às suas ações e permite encaixá-lo numa narrativa de confronto ideológico (ex: direita vs. esquerda, ordem vs. caos, propriedade privada vs. ocupação).


4. Perceção pública


Como a Desokupa tem forte presença mediática e atuações teatrais ou agressivas (muitas vezes filmadas), cria-se a perceção de que estão a liderar uma causa maior — o que muitos interpretam como "um movimento".




✅ Em resumo:


Chamar Daniel Esteve de líder do movimento desokupa é, tecnicamente, impreciso e simplista. Ele é o CEO de uma empresa privada com marca própria. A ideia de um “movimento desokupa” é mais uma construção mediática e política do que uma realidade formal ou estruturada.


Portanto,  na maioria dos casos, trata-se de ignorância ou simplificação, mas em certos contextos pode haver má fé ou tentativa de enquadramento ideológico.

sábado, 19 de julho de 2025

Agora a sério. No lugar do autarca de Loures faziam o quê?

São tempos estranhos, estes. Tão estranhos que existem pessoas – poucas, mas barulhentas – que insistem em proclamar para quem quer ouvir e sem qualquer ponta de pudor, que um autarca não deve fazer cumprir a lei. Outras, sem um pingo de vergonha na cara, não se coíbem de justificar a legitimidade da ocupação da propriedade alheia, a construção ilegal de barracas e o furto de agua, luz ou comunicações. Pondo, com este comportamento, em causa o acesso a estes serviços daqueles que os pagam. Pode ser muito bonito defender os probrezinhos. Fica bem dar ares de bonzinho e de quem se preocupa com aqueles que não têm, pelos mais diversos motivos, condições para viver numa casa a sério. Mas podiam fazer mais. Acolhe-los em casa, por exemplo. Ou, sei lá, convencer uma avó, tia reformada ou um vizinho com os pés para a cova a vir morar na casa de família que têm fechada na província e arrendar a sua aos moradores com que tanto se preocupam. A preços justos, claro. Daqueles que as pessoas possam pagar, como essa malta gosta de dizer. Isso é que era. Ou, em alternativa, arranjar-lhes um espaço lá em casa. Que isto, já dizia a minha avó, onde cabem dois ou três também cabem cinco ou seis. Não são gajos para isso, obviamente. A generosidade deles só existe se o dinheiro envolvido for o dos outros.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Extrema javardice

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Uma das polémicas – talvez a principal – que vai animar a próximas autárquicas é a questão da limpeza urbana. A bem dizer, ainda estamos a três meses das ditas e já não se fala nem escreve sobre outra coisa. De norte a sul. E desengane-se quem pense que no concelho vizinho é que é bom. Não, não é, porque os habitantes de lá pensam, dizem e escrevem o mesmo.


Por mim, que não sou de intrigas e de que vez em quando dá-me para seguir as modas, acho que a culpa do lixo e da sujidade generalizada é da extrema-direita. Eventualmente, até, nos nazis. Dos neo e dos outros menos neo. De todos, pronto. Essa facharia é que anda a sujar isto tudo. Pode, admito, ser uma acusação um bocado parva. Tão parva quanto as que os jornaleiros, comentadeiros, intelectualidade bem pensante e outros idiotas em geral fazem diariamente a propósito de tudo e de nada. Com uma diferença. Eu tenho evidências que sustentam a minha tese. As fotografias que acompanham este texto não deixam dúvidas. Num e noutro caso as necessidades, sólidas e liquidas, foram extremamente a direito. A fachada vi da vizinha do lado direito - da extrema-direita, portanto - que o diga.

terça-feira, 15 de julho de 2025

Se um dia o circo pegar fogo que ardam os os palhaços.

Ao contrário do que acontece em relação aos escândalos que assolam a governação escabrosa do PSOE, seus aliados esquerdalhos e restantes comparsas extremamente malucos a comunicação social tem estado muito atenta aos desacatos ocorridos numa cidade da comunidade murciana. A verdade em que nos querem fazer acreditar é copiada dos porta-voz do governo espanhol. Ou seja, a mesma de sempre. São ataques de grupos da extrema-direita e neonazis contra magrebinos. Só que não. Antes fosse. Assim, ao menos, os desordeiros estavam identificados e em pouco tempo as autoridades punham cobro ao assunto. A chatice é que o problema é diferente e – como dizem alguns relativamente à guerra da Ucrânia – não começou agora. O espancamento de um incauto cidadão, no fim de semana passado, por um grupo de marroquinos entediados e que viram na violência um modo de diversão foi apenas a gota que fez transbordar o copo.


Já a minha sábia avó me garantia - era eu, ainda, um jovem imberbe – que quando visse as barbas do vizinho a arder fosse pondo as minhas de molho. Apesar da vizinhança continuar em fase de negação, muitos espanhóis acreditam que nem sequer têm “barba”, as labaredas já tomaram conta das barbichas espanholas. É bom que comecemos a molhar as nossas. Guinchar que a culpa é da extrema-direita não resolve nada. Nem, muito menos, vai salvar as nossas barbas. Pelo contrário, constitui uma desculpabilização que só vai contribuir para o fogo alastrar. Passar a “mão pelo pêlo” de uma fera nunca é boa ideia. Os vizinhos lá de Torre Pacheco que o digam.

sábado, 12 de julho de 2025

Desokupar sim, mas devagar...

Ridículo. Assim de repente é o mais simpático que me ocorre para me referir ao debate e aprovação no parlamento da lei “anti-okupa”. Cada qual, da esquerda à direita, mais tótó que o parceiro do lado. Para o coisinho do Livre é uma perda de tempo injustificável. Segundo aquela libelinha, no ano passado terão ocorrido apenas duzentas e vinte e três ocupações de casas. Número que não justificaria, segundo o alarve, que o assunto fosse debatido, quanto mais objecto de uma alteração penal. É capaz de ter razão. Pensando melhor, nem sei para que se anda a legislar sobre homicídios e isso. No ano que passou foram apenas cento e doze e nos anteriores nem chegaram a cem. Ora, sendo uma coisa tão rara, não se justifica que se façam leis a desmotivar o assassinato.


A esquerda, no seu conjunto, votou contra. Não surpreende. Para além de achar desnecessário, toda a gente sabe que está sempre do lado dos bandidos. É nestas alturas que me lembro daquele poema do comuna Ary, cantado pelo comuna Tordo, “Teremos por certo/os gostos trocados/detesto os bonzinhos/adoro os malvados”. Estava, o poeta, cheio de razão. Tantos anos depois ainda não se cansaram de estar do lado errado. Eles, porque o respectivo eleitorado já se fartou de os aturar.


Por fim a direita. A proposta do Chega, aprovada pela IL e AD, estipula um prazo de quarenta e oito horas para desocupação do imóvel. Uma estupidez. Dão tempo aos meliantes para deixarem tudo em cacos. Danos que, obviamente não pagarão. É mais ou menos a mesma coisa que roubarem-me o carro ou a carteira e o ladrão ter dois dias para mos devolver. Depois, claro está, de esturrar o dinheiro e dar uma voltas à pala.


Diz-se que em Espanha têm sido divulgadas as localizações de habitações apenas ocupadas sazonalmente, pertencentes a políticos de esquerda que consideram a ocupação uma atitude legitima. Parece-me que, também por cá, há quem esteja mesmo a pedi-las. Quiçá, até, com um âmbito mais abrangente.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

O governo está-se a mandar para fora de pé...

Os serviços públicos, desde a saúde aos transportes passando por tudo o resto, estão à beira do colapso. Pior, nem aquilo que é privado escapa ao caos generalizado a que assistimos. Exige-se, por isso, que o Estado intervenha. Daí que o governo já tenha anunciado a sua intenção de tomar medidas que ponham alguma ordem nisto e que, por consequência, melhorem a vida dos portugueses. E dos outros todos que cá moram, bem entendido. Um dos problemas mais graves e contra o qual se levantou uma espécie de clamor nacional são os preços praticados nas praias. A bolinha de berlim está pela hora da morte, o aluguer do toldo até escalda e a mania de beber diariamente o café com vista para o mar deixa qualquer um afogado em dividas. Tudo cenas que transformam o merecido descanso num mar de ralações. É por isso que o governo, sem fazer ondas, resolveu intervir e vai regulamentar os preços que os concessionários dos lusos areais podem vender os seus bens e serviços. Menos uma preocupação. Quem cair da moto de água, apanhar um escaldão ou engasgar com a língua da sogra pode não ser socorrido atempadamente pelo INEM ou não ter uma urgência aberta onde ser atendido, mas pelo menos não se pode queixar de, nessas actividades de veraneio, ter sido vitima de nenhum especulador. Por mim, que estou sem maré para grandes divagações, parece-me que o governo está a meter água.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Promissorium...

Havendo dinheiro dos contribuintes para gastar é normal que os políticos o gastem com o que mais agrada à maioria dos eleitores. Pelo menos aquilo que eles acham que é a maioria. Ou seja, aquela malta que lhes dá palmadinhas nas costas. A mesma que, seja quem for que ganhe as eleições, está sempre do lado de quem governa. Gente com uns principios de vida bastante dinâmicos, chamemos-lhe assim. Mesmo que desse “investimento”, como eles gostam de chamar ao derramar de recursos financeiros em actividades que se esgotam no imediato, nada resulte no bem estar futuro das populações. Os contribuintes, por sua vez, também pouco se importam com o destino do dinheiro que, embora sendo seu, não chega a entrar nos seus bolsos. Muitos não dão conta disso e bastantes mais nem têm conhecimento que existe uma coisa chamada impostos. Daí que pouco lhes importe a maneira como é esturrado o guito dos outros.


É esta ignorância generalizada de uns e outros – diria, até, uma burrice vaidosa – que nos permitirá assistir, à medida que se for aproximando o período eleitoral autárquico, a um desfile de promessas eleitorais absolutamente estapafúrdias. Embora não faça parte do grupo de pessoas que, desinteressadamente, gostam de fazer coisas pelas respectivas terras, também tenho algumas ideias que melhorariam significativamente a vida das populações, mas não vou estar para aqui a dar palpites acerca disso. Há quem tenha a infeliz tendência para me levar a sério e algum putativo candidato que por aqui apareça ainda aproveita. O que, a verificar-se, seria uma chatice. Não ganhava as eleições.

domingo, 6 de julho de 2025

Divulgar o nome de quem se aposenta e o valor da respectiva pensão é legal?

Para verbalizar o que pensa acerca da imigração, André Ventura leu na Assembleia da República um conjunto de nomes – apenas o primeiro, sublinhe-se - de alunos estrangeiros que, garantiu, frequentam uma escola de Lisboa que não identificou. O que torna absolutamente impossível de identificar seja quem for. Apesar disso o discurso do cavalheiro provocou, dentro e fora do parlamento, as mais inusitadas reacções. Uma deputada desatou a chorar e sucederam-se acusações absolutamente escabrosas sobre a violação do RGPD por o nome das criancinhas estar a ser publicamente divulgado. Coisa que, disse e escreveu muita gente que tinha por ajuizada, constituirá uma espécie qualquer de crime de divulgação de dados pessoais.


Pouco me importa o que disse o deputado Ventura. Menos ainda o choro da deputada do partido dos tótós. Não quero, igualmente, saber da opinião de ninguém acerca da imigração. Tenho a minha e, mesmo essa, não importa nada para o caso. O que me aborrece neste episódio é a condenação dos “nomes das crianças” como argumento para o combate político quando qualquer jumento percebe que Pulquéria, Hermengarda ou Libório, por si só e dito naquelas circunstâncias, não constitui nenhuma maneira de identificar quem quer que seja.


Contudo nem a deputada chorona nem mais ninguém se importa que, diariamente, sejam identificadas pessoas no Diário da República com o nome completo e respectivo vencimento. Igualmente a Caixa Geral de Aposentações divulga publicamente, no inicio de cada mês, a lista de aposentados e valor da respectiva reforma e ninguém acha que isso é um crime. Desconfio que estes procedimentos são SUBSTANCIALMENTE mais graves e constituem uma violação da privacidade muito maior do que dizer que o Farid, o Kaim e o Mustafá frequentam uma escola em Lisboa. Mas, para a cambada de javardos que insistem em dar um protagonismo desmesurado ao actual líder da oposição, nada disso importa. Afinal eles só se importam com um português. O Ventura. Depois admiram-se que os portugueses também não se importem com eles.

sábado, 5 de julho de 2025

Habitação barata não rima com opções caras

Segundo o insuspeito “Expresso” há doze anos que os preços das casas não baixam. Se aquele pasquim o diz é, de certeza, verdade. Tão verdade que até podia ser eu a dizer. Vou mesmo mais longe, assim de repente não me ocorre nada que esteja hoje mais barato do que há doze anos. Ainda que se olhe para um gráfico onde esse espaço de tempo esteja representado, poucas coisas terão tido uma quebra ao longo do período analisado e, se por acaso tiveram, rapidamente recuperaram o ciclo de subida.


Sendo o imobiliário uma actividade que incorpora um sem número de factores, desde a mão de obra à fiscalidade, seria necessário um “alinhamento astral” absolutamente inusitado para conduzir a uma baixa de preços. Esqueçam lá isso. Não vai acontecer. A economia, já dizia o outro, é feita de expectativas. Daí que ninguém equacione vender a sua casa por um preço inferior ao que a adquiriu nem, sequer, admita transacioná-la por valores abaixo daquilo que os vizinhos vendem. É o mercado. Podem continuar a apelar ao Estado paizinho que faça isto e mais aquilo. Não resulta. Ninguém está disposto a perder dinheiro.


Obviamente que percebo o drama de quem procura casa. Já estive desse lado. Ainda me lembro o que foram os primeiros anos dessa fase da minha vida. Uma altura em que, imagine-se, até se pagavam os livros escolares e, pasme-se, nem havia essa coisa dos apoios sociais. O que também não havia eram necessidades básicas como viagens de férias, refeiçoar fora, automóvel próprio, telemóveis, cabeleireiros, massagistas, unhas de gel, tatuagens, copos e mais uma infindável panóplia de cenas das quais não se pode abdicar. Faziam-se opções, ou lá o que se chama aquilo que fazemos quando escolhemos os nossos objectivos de vida. E, reitero o que já escrevi em inúmeras ocasiões, cada um estabelece os seus. Nada contra, mas depois não se queixem. 

terça-feira, 1 de julho de 2025

Inclusão à base do coice

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A “equitação como ferramenta de inclusão social”, era a legenda que acompanhava a exibição de uma reportagem televisiva num daqueles programas dos canais generalistas destinados um público que, aquela hora, usa a televisão para fazer ruído de fundo. Desconheço – isto, obviamente, num contexto “social”, e sublinho social, o que exclui outra apreciação doutro âmbito, nomeadamente terapêutico – de que forma montar a cavalo inclui alguém socialmente. Nem, a bem-dizer, estou interessado em saber. Quando muito a convivência com as bestas poderá apenas permitir-nos tolerá-las melhor ou, ao contrário, acentuar o aborrecimento que nos causam. Já montá-las, às bestas, envolverá alguns riscos. Aquilo é coisa que está sempre com os cascos levantados e pronta a mandar os aparelhos ao ar. Por mim, prefiro distância. Das bestas e dos “inclusores” sociais. Passe a repetição.