sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Decidam-se, porra!

Ao que leio e ouço a todo instante precisamos de imigrantes. Mais. Muitos mais. Caso contrário o país pára por falta de mão de obra. Esta retórica, provavelmente verdadeira, é repetida por partidos de esquerda, governo, empregadores e gente que sabe tanto do que está a falar ou a escrever como eu de plantações de cannabis. Todos terão as suas razões para desejar a vinda de mais gente. Mas, convenhamos, a posição mais extraordinária acerca da imigração é a dos patrões. Ainda há poucos dias estavam preocupados com os efeitos nefastos da legislação recentemente aprovada, nomeadamente por dificultar a entrada de imigrantes e com isso colocar em causa o funcionamento das empresas devido à falta de mão de obra. Hoje, ao que foi noticiado, pretendem que o governo facilite os despedimentos. Receio não estar a perceber o sentido da coisa. Deve ser problema meu, admito, mas num momento de escassez de trabalhadores parece-me que faria mais sentido reivindicar maiores facilidades na contratação. Como, por exemplo e entre outras coisas, isentar de IRS e TSU os trabalhadores que optem por ter um segundo emprego. Hoje, por mais vontade, ambição ou necessidade poucos são os que estão dispostos a ter dois empregos. Com a actual fiscalidade, praticamente tudo o que ganham no segundo é para entregar ao Estado. Ou seja, trabalhar para aquecer. E disso ninguém gosta. Nem os imigrantes que me vão pagar a reforma.

4 comentários:

  1. Se virmos bem eles(os patrões em geral) nem estão em contradição, pois o objectivo será afinal a substituição do empregariado(e não digo que alguns não façam por merecer o despedimento) por outro mais barato.

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  2. Se for assim são tão bons quanto os BE's, PS's radicais e Livres desta vida...o que diga-se, nem é coisa que surpreenda por aí além.

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  3. Esses dos partidos são claramente piores pois enchem a boca de tudo o que soa bem aos trabalhadores(ou na falta deles o que soa bem às minorias de todas as espécies)mas é para cinicamente os enganar melhor e defraudar todo o país. Os patrões,grandes ou pequenos,esses defendem o seu capital.

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  4. Mas há, evidentemente, uma nuance importante, os grandes capitalistas e empresários transnacionais (ou quais se reunem em clubes de grande influência, como sucedeu em Estocolmo faz poucas semanas) que fazem manipulação e monopólio. Mas sobre esses,curiosamente, não ouvimos nada da parte desses "humanistas socialistas" que só enchem a boca contra o capital que lhes convém, porquê será? Fica a pergunta no ar (e eu sei a resposta) .

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