terça-feira, 29 de julho de 2025

Palha doutrinária

Está a ser convocado através do Trombasbook um ajuntamento, a realizar cá na terra, para demonstrar solidariedade para com a Palestina. A convocatória não esclarece, mas deve ter a ver com o proclamado genocídio. Embora, sem pretender contrariar ninguém, se trate de um genocídio suis generis, dado que o saldo populacional continua a ser positivo. Isto é, nascem mais palestinianos do que aqueles que morrem. Mas, se os sábios destas temáticas dizem, não sou eu que vou ousar contradizê-los. Será também, suponho, para lamentar a larica que, garantem os apaniguados destas causas, se faz sentir entre as crianças de Gaza. Escassez que não afecta os terroristas do Hamas, pois não consta que estejam dispostos a trocar armas por comida nem, aparentemente, muitos adultos que, na propaganda diariamente difundida para ocidental papar, parecem suficientemente nutridos.


Cada um manifesta-se por aquilo em que acredita, acredita no que quiser e da “palha” que lhe colocam na “gamela” cada qual “come” a que lhe apetecer. Não tenho nada a ver com isso nem é da minha conta. Tal como não é da conta de ninguém a minha aversão visceral a todos os que me tentam doutrinar. Chegou uma vez. Eram outros tempos e serviu-me de lição. Apesar do respeito, tenho pouco apreço pelos que se deixam convencer por uma boa campanha de doutrinação. É, reitero, lá com eles. Por mim só tenho curiosidade em ver quem vai aparecer. Só para saber em quem não votar.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Catalisadores, mentiras e videos

Diz que numa pacata vila do norte, a criminalidade tem dado claros sinais de subida. Nomeadamente o roubo de catalisadores. Coisa que, habituados que estavam à pacatez do lugar, tem deixado preocupados os donos das viaturas dotadas desse equipamento. Os suspeitos pelas ocorrências serão, ao que sustentam as criaturas da extrema-direita local, moradores num bairro de habitações auto-construidas. Não parece, no entanto, existirem motivos para alarme. Questionado acerca do assunto, o autarca lá do sitio garantiu que nada há a temer e tranquilizou os habitantes do lugar esclarecendo que “furtos desses ocorrem em todo o lado e não apenas aqui”. Consta que perante tão convicta e tranquilizadora resposta todos passaram a dormir melhor. Até porque os furtos, segundo os relatos conhecidos, têm ocorrido durante o dia.


Entretanto, bastante mais a sul, em redor de um resort auto-construido há quem diga que também acontecem, de vez enquanto, umas cenas manhosas. Ainda um dia destes foi divulgado um vídeo em que o espectador era levado a acreditar que uns quantos jovens estariam a provocar um incêndio enquanto, ao lado, os bombeiros o tentavam apagar. Esta gente da extrema-direita é capaz de tudo. Até de manipular a realidade. Aquilo, topava-se logo, eram bombeiros estagiários a aprenderem a fazer um contra-fogo. Infelizmente foi apagado. O vídeo.

domingo, 27 de julho de 2025

O Sampaio era facho?!

Corre pelas redes sociais o vídeo de um discurso, proferido em 2002, em que o então Presidente da República Jorge Sampaio alertava para o problema da imigração e da necessidade dos imigrantes que aportassem ao país se integrarem na comunidade e respeitarem os nossos valores. De acordo com a retórica adoptada desde 2015 pelos partidos que assaltaram o poder após serem derrotados nas eleições desse ano, o homem deve por esta altura estar a ser considerado um perigoso fascista. Um bandido xenófobo, racista e o que mais ocorrer a esses malucos. Balelas que foram amplamente inculcadas em pessoas fracas de espírito, pouca capacidade intelectual e facilmente influenciáveis pela propaganda oficial. Discuti isto com algumas delas. Erro meu, reconheço. Para todas, então, nem era sequer um problema. Tal como hoje, provavelmente, continuará a não ser. Alguns, coitados, nem sabem o que é isso dos “nossos valores”. Ainda assim, haverá quem tenha mudado de opinião. Os resultados eleitorais, cada vez mais insignificantes, dos partidos da Geringonça deixam alguma esperança no bom-senso dos portugueses.


Como o PR de então dizia no tal discurso, o país precisa de imigrantes. Mas não necessita mesmo nada daqueles que vêm para cá contribuir para a criação de favelas nem dos que pretendem aqui recriar o modo de vida dos países de origem ou viver de acordo com regras ou princípios incompatíveis com os nossos. Esses fazem cá tanta falta como a fome.

sábado, 26 de julho de 2025

Causas falidas

A ninguém pode causar espanto que as empresas de comunicação social a operar em Portugal estejam, praticamente todas, com graves problemas de sustentabilidade ou à beira da falência. Basta estar atento ao espaço mediático. Toda a comunicação social está transformada numa máquina de propaganda de causas que nada dizem à generalidade dos portugueses e de activistas que mais valia estarem calados, pois o efeito que provocam nas pessoas é exactamente o contrário daquele que pretendem. Como já deviam ter concluído do último resultado eleitoral. Mas não. Continuam a estar convictos das suas certezas. Nomeadamente daquela que conclui pela imbecilidade de quem vota na direita. Continuem. Chamar imbecil a quem tem uma opinião diferente é sem dúvida uma óptima maneira de o convencer a votar no partido que eles querem. Força nisso.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Os fofinhos

Tenho, admito, muita inveja do pessoal da esquerda. São bonzinhos, preocupam-se com os desvalidos e estão sempre prontos a ajudar os demais. Desde que os demais sejam os pobres com as opções certas. Que é como quem diz, pensem de acordo com os ensinamentos inventados por uns vadios que viveram no século passado e que desde então tem sido transmitido de geração em geração. E, sobretudo, não votem no Chega. É gente que se comove facilmente, têm sempre uma lágrima pronta saltar e demonstram uma inusitada empatia – sentimento que apenas as pessoas de esquerda possuem - perante todas as vítimas das injustiças promovidas pelo grande capital. Ou seja, todas as injustiças do mundo.


Outra das virtudes mais notórias desse pessoal, da qual tenho ainda mais inveja, é a sua capacidade de partilhar. Tudo é de todos. Especialmente o que é dos outros. Revelam um raro desapego ao que não é seu e demonstram uma capacidade de repartir o alheio que me deixa atordoado com tanto altruísmo. E à minha carteira também.

terça-feira, 22 de julho de 2025

O banquinho

IMG_20250722_201018.jpg


A alguém da Câmara de Oeiras deve ter parecido boa ideia mandar pintar cada ripa dos bancos de jardim com uma cor diferente. Para promover a inclusão, dizem. Receio não estar a acompanhar o raciocínio do génio que idealizou a coisa. É que, assim de repente, os assentos não me parecem especialmente inclusivos. Inclusivamente não estão equipados com uma almofadinha para o rabinho. Apetrecho que, se calhar, daria jeito a algumas criaturas que possam ter dificuldade em sentar-se sobre a superfície de madeira - geralmente dura, como sucede com todo o tipo de madeira. Por exemplo, entre outros, todos aqueles que sofrem de hemorroidas ou que tenham acabado de sair do urologista. Para esses, tenha aquilo a cor que tiver, não há ali vislumbre de inclusão. Também ninguém pensou nos daltónicos. No caso destes ainda é pior. É discriminatório. Imagine-se alguém a dizer “Olha ali um banco tão colorido!” e o daltónico, coitado, a perguntar “Onde?! Onde?!”. Muito menos se importaram com os anões. Para quem sofre de nanismo deve constituir um martírio acomodar-se ou levantar-se de bancos tradicionais. Ainda assim, desconfio que aquilo seja moda para pegar. Nem que seja de empurrão. Podem, a seguir, pintar as carruagens dos comboios cada uma de sua cor. E mais o que lhes dê na real gana, também. Que esta cena da inclusão é uma coisa modernaça. Mesmo que inclua pouco e exclua muito.

domingo, 20 de julho de 2025

Especialistas de tudo, especializados em coisa nenhuma.

Quando aquelas armas da tropa armazenadas num paiol em Tancos levaram sumiço, o então ministro da Defesa, entre outras alarvidades, garantiu que de espingardas não percebia nada e que nem sequer desconfiava o que raio era um paiol. Hoje é comentador de assuntos militares numa televisão, onde analisa os diversos conflitos armados que vão ocorrendo um pouco por todo o lado. Coisa que, para além de dizer muito acerca do cavalheiro, diz ainda muito mais acerca do estado actual dos meios de “informação”.


Os especialistas especializados nas diversas especialidades a debitar opiniões nas rádios, jornais e televisões são mais que muitos. Todos – embora quase sempre os mesmos - especialmente especializados nos mais dispares assuntos. Eles sabem de tudo e têm opinião acerca de tudo. Aliás, nessa parte das opiniões têm até várias. Uma para quando o respectivo partido está no poder, outra para quando está na oposição e outra ainda para quando o partido do seu coração muda de opinião, de líder ou para quando o líder muda de opinião. Pode parecer estranho, mas gosto de os ouvir. A todos. É uma coisa que me diverte. Pode, admito, ser um bocado parvo, mas já dizia a minha avó que cada um diverte-se a seu modo e ninguém tem nada a ver com isso.


Nos últimos dias, os jornalistas portugueses têm-se referido a Daniel Esteve como líder do “Movimento Desokupa” espanhol, a quem acusam de liderar o que apelidam de caça ao imigrante em Torre Pacheco. Apesar do homem – um herói para muitos espanhóis – ter uma visão um bocado quixotesca da sociedade, é antes de mais um empresário que viu na desocupação de casas uma oportunidade de negócio. Aparece quase sempre quando sucedem casos como este, mas sugiro que vejam as reportagens televisivas na parte em que o fulano é interpelado pelos agentes da Guardia Civil e impedido de entrar na cidade. Quanto ao resto, quem tiver paciência, veja o que o Chat GTP tem a dizer sobre os disparates jornalísticos.


A confusão em chamar Daniel Esteve de “líder do movimento desokupa” pode ser explicada por uma combinação de ignorância jornalística, simplificação excessiva e, em alguns casos,  vontade de enquadrar politicamente a narrativa.


Vamos por partes:




📌 Quem é Daniel Esteve?


Daniel Esteve é o fundador e CEO da empresa Desokupa, criada em 2016 em Espanha. Trata-se de uma empresa privada que oferece serviços de mediação e pressão legal e extrajudicial para ajudar proprietários a recuperar imóveis ocupados ilegalmente (okupados). A empresa ganhou notoriedade por agir de forma dura e polémica, sendo acusada por alguns setores de atuar com táticas de intimidação ou vigilantes.




📌 Existe um “movimento desokupa”?


Não exatamente.




  • O termo "desokupa" (sem o “c”) é usado por esta empresa como marca registada.




  • Não há propriamente um movimento social estruturado chamado “movimento desokupa”, como há, por exemplo, um movimento okupa de base ideológica anarquista ou anti-capitalista.




  • No entanto, o termo começou a ser usado informalmente por pessoas ou grupos que apoiam ações contra ocupações ilegais, muitas vezes com discurso mais à direita no espectro político.






🧠 Então por que lhe chamam "líder do movimento desokupa"?


Aqui estão os principais motivos:


1. Simplificação mediática


É mais fácil, especialmente para meios de comunicação sensacionalistas, usar expressões como "líder do movimento desokupa" do que explicar que se trata do fundador de uma empresa privada com fins lucrativos.


2. Ignorância ou desinformação


Alguns jornalistas ou comentadores realmente não sabem distinguir entre um movimento ideológico/social e uma empresa com marca e atuação própria.


3. Narrativa política


Chamá-lo de "líder de um movimento" dá mais peso político às suas ações e permite encaixá-lo numa narrativa de confronto ideológico (ex: direita vs. esquerda, ordem vs. caos, propriedade privada vs. ocupação).


4. Perceção pública


Como a Desokupa tem forte presença mediática e atuações teatrais ou agressivas (muitas vezes filmadas), cria-se a perceção de que estão a liderar uma causa maior — o que muitos interpretam como "um movimento".




✅ Em resumo:


Chamar Daniel Esteve de líder do movimento desokupa é, tecnicamente, impreciso e simplista. Ele é o CEO de uma empresa privada com marca própria. A ideia de um “movimento desokupa” é mais uma construção mediática e política do que uma realidade formal ou estruturada.


Portanto,  na maioria dos casos, trata-se de ignorância ou simplificação, mas em certos contextos pode haver má fé ou tentativa de enquadramento ideológico.

sábado, 19 de julho de 2025

Agora a sério. No lugar do autarca de Loures faziam o quê?

São tempos estranhos, estes. Tão estranhos que existem pessoas – poucas, mas barulhentas – que insistem em proclamar para quem quer ouvir e sem qualquer ponta de pudor, que um autarca não deve fazer cumprir a lei. Outras, sem um pingo de vergonha na cara, não se coíbem de justificar a legitimidade da ocupação da propriedade alheia, a construção ilegal de barracas e o furto de agua, luz ou comunicações. Pondo, com este comportamento, em causa o acesso a estes serviços daqueles que os pagam. Pode ser muito bonito defender os probrezinhos. Fica bem dar ares de bonzinho e de quem se preocupa com aqueles que não têm, pelos mais diversos motivos, condições para viver numa casa a sério. Mas podiam fazer mais. Acolhe-los em casa, por exemplo. Ou, sei lá, convencer uma avó, tia reformada ou um vizinho com os pés para a cova a vir morar na casa de família que têm fechada na província e arrendar a sua aos moradores com que tanto se preocupam. A preços justos, claro. Daqueles que as pessoas possam pagar, como essa malta gosta de dizer. Isso é que era. Ou, em alternativa, arranjar-lhes um espaço lá em casa. Que isto, já dizia a minha avó, onde cabem dois ou três também cabem cinco ou seis. Não são gajos para isso, obviamente. A generosidade deles só existe se o dinheiro envolvido for o dos outros.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Extrema javardice

IMG_20250713_191735.jpg


IMG_20250713_191234.jpg


Uma das polémicas – talvez a principal – que vai animar a próximas autárquicas é a questão da limpeza urbana. A bem dizer, ainda estamos a três meses das ditas e já não se fala nem escreve sobre outra coisa. De norte a sul. E desengane-se quem pense que no concelho vizinho é que é bom. Não, não é, porque os habitantes de lá pensam, dizem e escrevem o mesmo.


Por mim, que não sou de intrigas e de que vez em quando dá-me para seguir as modas, acho que a culpa do lixo e da sujidade generalizada é da extrema-direita. Eventualmente, até, nos nazis. Dos neo e dos outros menos neo. De todos, pronto. Essa facharia é que anda a sujar isto tudo. Pode, admito, ser uma acusação um bocado parva. Tão parva quanto as que os jornaleiros, comentadeiros, intelectualidade bem pensante e outros idiotas em geral fazem diariamente a propósito de tudo e de nada. Com uma diferença. Eu tenho evidências que sustentam a minha tese. As fotografias que acompanham este texto não deixam dúvidas. Num e noutro caso as necessidades, sólidas e liquidas, foram extremamente a direito. A fachada vi da vizinha do lado direito - da extrema-direita, portanto - que o diga.

terça-feira, 15 de julho de 2025

Se um dia o circo pegar fogo que ardam os os palhaços.

Ao contrário do que acontece em relação aos escândalos que assolam a governação escabrosa do PSOE, seus aliados esquerdalhos e restantes comparsas extremamente malucos a comunicação social tem estado muito atenta aos desacatos ocorridos numa cidade da comunidade murciana. A verdade em que nos querem fazer acreditar é copiada dos porta-voz do governo espanhol. Ou seja, a mesma de sempre. São ataques de grupos da extrema-direita e neonazis contra magrebinos. Só que não. Antes fosse. Assim, ao menos, os desordeiros estavam identificados e em pouco tempo as autoridades punham cobro ao assunto. A chatice é que o problema é diferente e – como dizem alguns relativamente à guerra da Ucrânia – não começou agora. O espancamento de um incauto cidadão, no fim de semana passado, por um grupo de marroquinos entediados e que viram na violência um modo de diversão foi apenas a gota que fez transbordar o copo.


Já a minha sábia avó me garantia - era eu, ainda, um jovem imberbe – que quando visse as barbas do vizinho a arder fosse pondo as minhas de molho. Apesar da vizinhança continuar em fase de negação, muitos espanhóis acreditam que nem sequer têm “barba”, as labaredas já tomaram conta das barbichas espanholas. É bom que comecemos a molhar as nossas. Guinchar que a culpa é da extrema-direita não resolve nada. Nem, muito menos, vai salvar as nossas barbas. Pelo contrário, constitui uma desculpabilização que só vai contribuir para o fogo alastrar. Passar a “mão pelo pêlo” de uma fera nunca é boa ideia. Os vizinhos lá de Torre Pacheco que o digam.

sábado, 12 de julho de 2025

Desokupar sim, mas devagar...

Ridículo. Assim de repente é o mais simpático que me ocorre para me referir ao debate e aprovação no parlamento da lei “anti-okupa”. Cada qual, da esquerda à direita, mais tótó que o parceiro do lado. Para o coisinho do Livre é uma perda de tempo injustificável. Segundo aquela libelinha, no ano passado terão ocorrido apenas duzentas e vinte e três ocupações de casas. Número que não justificaria, segundo o alarve, que o assunto fosse debatido, quanto mais objecto de uma alteração penal. É capaz de ter razão. Pensando melhor, nem sei para que se anda a legislar sobre homicídios e isso. No ano que passou foram apenas cento e doze e nos anteriores nem chegaram a cem. Ora, sendo uma coisa tão rara, não se justifica que se façam leis a desmotivar o assassinato.


A esquerda, no seu conjunto, votou contra. Não surpreende. Para além de achar desnecessário, toda a gente sabe que está sempre do lado dos bandidos. É nestas alturas que me lembro daquele poema do comuna Ary, cantado pelo comuna Tordo, “Teremos por certo/os gostos trocados/detesto os bonzinhos/adoro os malvados”. Estava, o poeta, cheio de razão. Tantos anos depois ainda não se cansaram de estar do lado errado. Eles, porque o respectivo eleitorado já se fartou de os aturar.


Por fim a direita. A proposta do Chega, aprovada pela IL e AD, estipula um prazo de quarenta e oito horas para desocupação do imóvel. Uma estupidez. Dão tempo aos meliantes para deixarem tudo em cacos. Danos que, obviamente não pagarão. É mais ou menos a mesma coisa que roubarem-me o carro ou a carteira e o ladrão ter dois dias para mos devolver. Depois, claro está, de esturrar o dinheiro e dar uma voltas à pala.


Diz-se que em Espanha têm sido divulgadas as localizações de habitações apenas ocupadas sazonalmente, pertencentes a políticos de esquerda que consideram a ocupação uma atitude legitima. Parece-me que, também por cá, há quem esteja mesmo a pedi-las. Quiçá, até, com um âmbito mais abrangente.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

O governo está-se a mandar para fora de pé...

Os serviços públicos, desde a saúde aos transportes passando por tudo o resto, estão à beira do colapso. Pior, nem aquilo que é privado escapa ao caos generalizado a que assistimos. Exige-se, por isso, que o Estado intervenha. Daí que o governo já tenha anunciado a sua intenção de tomar medidas que ponham alguma ordem nisto e que, por consequência, melhorem a vida dos portugueses. E dos outros todos que cá moram, bem entendido. Um dos problemas mais graves e contra o qual se levantou uma espécie de clamor nacional são os preços praticados nas praias. A bolinha de berlim está pela hora da morte, o aluguer do toldo até escalda e a mania de beber diariamente o café com vista para o mar deixa qualquer um afogado em dividas. Tudo cenas que transformam o merecido descanso num mar de ralações. É por isso que o governo, sem fazer ondas, resolveu intervir e vai regulamentar os preços que os concessionários dos lusos areais podem vender os seus bens e serviços. Menos uma preocupação. Quem cair da moto de água, apanhar um escaldão ou engasgar com a língua da sogra pode não ser socorrido atempadamente pelo INEM ou não ter uma urgência aberta onde ser atendido, mas pelo menos não se pode queixar de, nessas actividades de veraneio, ter sido vitima de nenhum especulador. Por mim, que estou sem maré para grandes divagações, parece-me que o governo está a meter água.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Promissorium...

Havendo dinheiro dos contribuintes para gastar é normal que os políticos o gastem com o que mais agrada à maioria dos eleitores. Pelo menos aquilo que eles acham que é a maioria. Ou seja, aquela malta que lhes dá palmadinhas nas costas. A mesma que, seja quem for que ganhe as eleições, está sempre do lado de quem governa. Gente com uns principios de vida bastante dinâmicos, chamemos-lhe assim. Mesmo que desse “investimento”, como eles gostam de chamar ao derramar de recursos financeiros em actividades que se esgotam no imediato, nada resulte no bem estar futuro das populações. Os contribuintes, por sua vez, também pouco se importam com o destino do dinheiro que, embora sendo seu, não chega a entrar nos seus bolsos. Muitos não dão conta disso e bastantes mais nem têm conhecimento que existe uma coisa chamada impostos. Daí que pouco lhes importe a maneira como é esturrado o guito dos outros.


É esta ignorância generalizada de uns e outros – diria, até, uma burrice vaidosa – que nos permitirá assistir, à medida que se for aproximando o período eleitoral autárquico, a um desfile de promessas eleitorais absolutamente estapafúrdias. Embora não faça parte do grupo de pessoas que, desinteressadamente, gostam de fazer coisas pelas respectivas terras, também tenho algumas ideias que melhorariam significativamente a vida das populações, mas não vou estar para aqui a dar palpites acerca disso. Há quem tenha a infeliz tendência para me levar a sério e algum putativo candidato que por aqui apareça ainda aproveita. O que, a verificar-se, seria uma chatice. Não ganhava as eleições.

domingo, 6 de julho de 2025

Divulgar o nome de quem se aposenta e o valor da respectiva pensão é legal?

Para verbalizar o que pensa acerca da imigração, André Ventura leu na Assembleia da República um conjunto de nomes – apenas o primeiro, sublinhe-se - de alunos estrangeiros que, garantiu, frequentam uma escola de Lisboa que não identificou. O que torna absolutamente impossível de identificar seja quem for. Apesar disso o discurso do cavalheiro provocou, dentro e fora do parlamento, as mais inusitadas reacções. Uma deputada desatou a chorar e sucederam-se acusações absolutamente escabrosas sobre a violação do RGPD por o nome das criancinhas estar a ser publicamente divulgado. Coisa que, disse e escreveu muita gente que tinha por ajuizada, constituirá uma espécie qualquer de crime de divulgação de dados pessoais.


Pouco me importa o que disse o deputado Ventura. Menos ainda o choro da deputada do partido dos tótós. Não quero, igualmente, saber da opinião de ninguém acerca da imigração. Tenho a minha e, mesmo essa, não importa nada para o caso. O que me aborrece neste episódio é a condenação dos “nomes das crianças” como argumento para o combate político quando qualquer jumento percebe que Pulquéria, Hermengarda ou Libório, por si só e dito naquelas circunstâncias, não constitui nenhuma maneira de identificar quem quer que seja.


Contudo nem a deputada chorona nem mais ninguém se importa que, diariamente, sejam identificadas pessoas no Diário da República com o nome completo e respectivo vencimento. Igualmente a Caixa Geral de Aposentações divulga publicamente, no inicio de cada mês, a lista de aposentados e valor da respectiva reforma e ninguém acha que isso é um crime. Desconfio que estes procedimentos são SUBSTANCIALMENTE mais graves e constituem uma violação da privacidade muito maior do que dizer que o Farid, o Kaim e o Mustafá frequentam uma escola em Lisboa. Mas, para a cambada de javardos que insistem em dar um protagonismo desmesurado ao actual líder da oposição, nada disso importa. Afinal eles só se importam com um português. O Ventura. Depois admiram-se que os portugueses também não se importem com eles.

sábado, 5 de julho de 2025

Habitação barata não rima com opções caras

Segundo o insuspeito “Expresso” há doze anos que os preços das casas não baixam. Se aquele pasquim o diz é, de certeza, verdade. Tão verdade que até podia ser eu a dizer. Vou mesmo mais longe, assim de repente não me ocorre nada que esteja hoje mais barato do que há doze anos. Ainda que se olhe para um gráfico onde esse espaço de tempo esteja representado, poucas coisas terão tido uma quebra ao longo do período analisado e, se por acaso tiveram, rapidamente recuperaram o ciclo de subida.


Sendo o imobiliário uma actividade que incorpora um sem número de factores, desde a mão de obra à fiscalidade, seria necessário um “alinhamento astral” absolutamente inusitado para conduzir a uma baixa de preços. Esqueçam lá isso. Não vai acontecer. A economia, já dizia o outro, é feita de expectativas. Daí que ninguém equacione vender a sua casa por um preço inferior ao que a adquiriu nem, sequer, admita transacioná-la por valores abaixo daquilo que os vizinhos vendem. É o mercado. Podem continuar a apelar ao Estado paizinho que faça isto e mais aquilo. Não resulta. Ninguém está disposto a perder dinheiro.


Obviamente que percebo o drama de quem procura casa. Já estive desse lado. Ainda me lembro o que foram os primeiros anos dessa fase da minha vida. Uma altura em que, imagine-se, até se pagavam os livros escolares e, pasme-se, nem havia essa coisa dos apoios sociais. O que também não havia eram necessidades básicas como viagens de férias, refeiçoar fora, automóvel próprio, telemóveis, cabeleireiros, massagistas, unhas de gel, tatuagens, copos e mais uma infindável panóplia de cenas das quais não se pode abdicar. Faziam-se opções, ou lá o que se chama aquilo que fazemos quando escolhemos os nossos objectivos de vida. E, reitero o que já escrevi em inúmeras ocasiões, cada um estabelece os seus. Nada contra, mas depois não se queixem. 

terça-feira, 1 de julho de 2025

Inclusão à base do coice

IMG_20250630_102346.jpg


 


A “equitação como ferramenta de inclusão social”, era a legenda que acompanhava a exibição de uma reportagem televisiva num daqueles programas dos canais generalistas destinados um público que, aquela hora, usa a televisão para fazer ruído de fundo. Desconheço – isto, obviamente, num contexto “social”, e sublinho social, o que exclui outra apreciação doutro âmbito, nomeadamente terapêutico – de que forma montar a cavalo inclui alguém socialmente. Nem, a bem-dizer, estou interessado em saber. Quando muito a convivência com as bestas poderá apenas permitir-nos tolerá-las melhor ou, ao contrário, acentuar o aborrecimento que nos causam. Já montá-las, às bestas, envolverá alguns riscos. Aquilo é coisa que está sempre com os cascos levantados e pronta a mandar os aparelhos ao ar. Por mim, prefiro distância. Das bestas e dos “inclusores” sociais. Passe a repetição.

sábado, 28 de junho de 2025

A lógica da batata

1751123275651.jpg


Uma inusitada falta de batatas, um dos alimentos mais consumidos do país, tem estado a afectar a Bielorrússia. Obviamente que a ausência do popular tubérculo do mercado bielorrusso nada terá tido a ver com a política de controlo de preços adoptada pelo governo local. Aliás, já dizia o outro, a melhor maneira do preço não subir é não permitir que o preço suba. Ou, se não dizia, pode passar a dizer que eu não me importo nem cobro direitos de autor.


A culpa da escassez de batatas só pode ter sido dos capitalistas donos dos supermercados. Os patifes – uns fachos, está bem de ver – não quiseram vender mais barato do que aquilo que os produtores lhes vendiam. Os agricultores, por sua vez, feitos gananciosos mostraram-se relutantes em vender abaixo do custo de produção. Vai daí, uns deixaram de produzir e outros procuraram novos mercados. O russo, por exemplo, que está mesmo ali ao lado e compra ao triplo do preço.


Ninguém diria que o facto do Estado intervir no mercado, nomeadamente ao fixar os preços de bens ou serviços, levaria à sua escassez ou mesmo à rutura quase total da oferta. Bom, ninguém é uma força de expressão. Por cá, hoje há não sei quantas manifestações a exigir a fixação do preço das casas para venda e arrendamento. Fixem, fixem, que vai correr bem.

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Cenas que m'atormentam...

Existe uma praga de "criadores de conteúdos digitais" no Facebook. Obviamente que não criam nada. São apenas uns idiotas que assim se auto-intitulam. A maior parte deles não passam de matarruanos que mal sabem ler e escrever. Deve ser moda colocar essa coisa no perfil, naquela parte do trabalho e formação. Outros, menos chatos e igualmente parvos, “trabalham” na Zara e, ainda outros para o bronze. Os mais honestos, estes últimos, pois ao menos não enganam ninguém acerca da pouca apetência para o labor.



Há quem se ria dos iranianos por festejarem nas ruas das suas cidades – com caravanas automóveis e outros festejos mais ou menos ruidosos e efusivos – a alegada vitória na guerra dos doze dias contra Israel e na de dia e meio com os Estados Unidos. Não gozem com as criaturas, pá. Afinal nós, portugueses também somos assim. Ainda me lembro quando, de norte a sul, festejámos a derrota contra a Grécia na final do Europeu de 2004. O que ainda foi mais parvo. Eles, os iranianos, pensam que ganharam, mas nós sabíamos que tínhamos perdido.



Entretanto, por falar em parvoíces, discute-se a eventual relação entre a morte de uma pessoa e a greve do INEM. Assim de repente parece-me que faria muito mais sentido debater se juntar emergência médica e greve na mesma frase é coisa de gente sensata. Desconfio que não, mas isso sou eu que aprecio pessoas ajuizadas e instituições que servem para cuidar da população.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

O PCP vai concorrer às eleições no Irão?

Prioridades cada qual – pessoas ou organizações - estabelece para si as que muito bem entende. Tem, depois, é de conviver com as suas escolhas. A esquerda escolheu as que não importam nada à generalidade dos portugueses e, em consequências delas, teve os resultados eleitorais mais miseráveis de sempre. Contudo continuam a achar que estão certos. Só falta, mas acho que ainda o vão fazer, terem o descaramento de dizer que o povo é que está errado.


O Partido Comunista é disto um bom exemplo. Através da sua organização sindical realizou uma manifestação contra Israel, a Nato e a favor do Irão. Também já fez outras a favor da Palestina e outros assuntos estranhos aos fins para que foi criada e nada relacionados com os interesses daqueles que pagam as quotas sindicais. O que ainda não fizeram – isso, de resto, não são assuntos que interessem aquela gente – foi manifestações contra os impostos que levam parte substancial do ordenado de quem trabalha. Coisa que pouco lhes importa, como despudoradamente reconhecem. Não é de admirar que aos trabalhadores e ao povo – como eles dizem – as prioridades do PCP, da CGTP e das restantes associadas do grupo também não interessem nada. Na última manifestação estiveram escassas dezenas de criaturas. Menos que os corpos gerentes daquilo…

domingo, 22 de junho de 2025

Indignação selectiva

Anda tudo muito sensível. Ou, talvez mais apropriado, intolerante. Seja o que for que se diga - ou escreva – surge sempre alguém a ficar indignado com o que foi dito ou escrito. Proliferam as brigadas da virtude, permanentemente à caça de qualquer dichote que não lhes agrade para derramar ódio e ridicularizar o seu autor. Parece que já nem se pode utilizar a expressão “raça lusitana”, para enaltecer os feitos dos portugueses, sem que isso ofenda uma infinidade pessoas. Bom, infinidade é uma força de expressão. A julgar pela representação parlamentar e eleitoral das famílias políticas dos ofendidos, não serão assim tantos. Uma minoria, bem vistas as coisas. Ruidosa, sim, mas cada vez mais minoritária, irrelevante e, lamentavelmente para a democracia, cada vez mais esquizofrénica.


Os ofendidos, curiosamente, são os mesmos que não se chatearam nadinha quando um grunho qualquer, um racista oriundo do Senegal que se tornou português, falou da “necessidade de matar o homem branco”. Uma metáfora, obviamente. Tal como isso da “raça lusitana”. Por este andar, mais tarde do que cedo, Luís de Camões será considerado um poeta racista, xenófobo, imperialista, quiçá de extrema-direita e acabará por ser cancelado. É só a esquerda, para desgraça de todos nós, regressar ao poleiro. Longe vá o agoiro!

sábado, 21 de junho de 2025

Liberdade para escolher

Tenho dificuldade em perceber a hostilidade que causa a muita gente a intenção do governo liberalizar a maneira como são pagos os subsídios de férias e Natal. A possibilidade do trabalhador escolher se recebe esses montantes em duodécimos ou continua a recebê-los como até aqui, tem suscitado, da parte de muita gente, uma inusitada indignação. Vá lá saber porquê. Vai ser, se o governo levar a ideia por diante, apenas dada a possibilidade de escolha. Ninguém será obrigado a nada.


Num país de ignorantes e de gente que não sabe gerir o dinheiro que ganha, outra coisa não seria de esperar. Que sejam incapazes de estabelecer prioridades e que necessitem que o patrão lhes faça um mealheiro para pagarem as férias, o IMI ou as compras de Natal é lá com eles. É mais ou menos o mesmo com o IRS. Preferem descontar mais todos os meses porque são incapazes de gerir o fluxo monetário que lhes chega à conta ou à carteira. Desde que não me aborreçam, pouco me importam estas opções de vida. Espero é que desta vez, com a esquerda longe do poder, possa ser concedida liberdade de escolha a quem pensa diferente. Por mais que argumentem, nesta matéria, são apenas esses dois conceitos que estão em causa. Liberdade e escolha.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Chamem o Putin...

Um pasquim, que noutros tempos foi um jornal à séria, escreve hoje na sua primeira página que a “Europa está preocupada com o discurso de ódio e neonazis em Portugal”. Pode, até, ser verdade. Depende é de que “Europa” se está a falar. Se calhar, nalgum gabinete de Estrasburgo ou Bruxelas, haverá alguém que para se entreter ou justificar o ordenado manifestará este tipo de preocupação. Nas capas da edição deste dia dos jornais mais conhecidos dos principais países europeus não existe a mais pequena referência a Portugal. Nem sobre aquele assunto nem sobre outra coisa qualquer. Como é, de resto, habitual. A Europa não quer saber de nós para nada. E, desconfio, ainda menos de meia-dúzia de idiotas que gostam de brincar aquilo do “Pedro e o lobo”. Aqueles parvos a quem não serviu de lição a multiplicação por sessenta dos deputados daquele partido que têm ajudado a crescer.


Voltando aos jornais, em Espanha as manchetes vão para o escândalo de corrupção a envolver o Primeiro ministro socialista e o PSOE – que faz José Sócrates parecer um menino de coro - e no Reino Unido para o caso das violações de milhares de meninas abafado durante anos pelo governo local. Obviamente, noticias que não interessam nada à comunicação social tuga. Apenas teriam interesse noticioso se as origens dos criminosos, num e noutro caso, fossem aquelas que importam ao activismo jornalistico.


Finalmente, ainda a propósito da overdose das noticias acerca da extrema-direita em geral e nazis em particular com que andamos a ser massacrados, começo a acreditar que estará a ser montada uma tramoia inspirada naquele clube que, aqui há uns anos, ficava sempre nos últimos lugares da classificação, mas nunca descia de divisão. Os jogadores não jogavam nada, mas o departamento jurídico era tão bom que, por mais que a equipa perdesse em campo o clube ganhava sempre na secretaria fazendo com que outro baixasse de divisão em vez dele. Não sei porquê, mas parece-me que alguém está a querer ganhar num tribunal qualquer o que perdeu nas urnas de voto. Com a exasperante lentidão da justiça se calhar é mais rápido chamar o Putin para desnazificar isto.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Mas, afinal, há ou não insegurança? Decidam-se, porra!

Desde há muito que a esquerda e a comunicação social procuram convencer os portugueses da existência de uma realidade que apenas existe nos ecrãs da televisão. Ainda me lembro, até porque não foi assim há tanto tempo, de toda a gente com voz nas Tv’s nos garantir que Portugal é um país seguríssimo, eram apenas “falsas percepções” e “injustificadas sensações de insegurança”. Ambas alimentadas pela extrema-direita, está bem de ver. Três meses depois – ou nem isso – os mesmos repetem agora que estamos no “país do medo”. Para esta drástica mudança de atitude bastou apenas um palerma perdido de bêbado ter dado – se é que deu, porque até agora ninguém viu a alegada vitima com as trombas deitadas abaixo – uns tabefes num actor qualquer. Que, vá lá saber-se porquê, nem se terá defendido do alegado agressor. E sendo verdade essa coisa da bebedeira, era capaz de nem ter sido muito complicado fazê-lo pois indivíduos nessas circunstâncias costumam ter alguns problemas ao nível do equilíbrio.


Terá sido este “medo” que levou a esquerda – que é como quem diz umas dezenas de desocupados, aqui ou ali - a sair à rua. Contra o fascismo, dizem eles. Uma ameaça que, garantem, é real e está ali ao virar da esquina. Por acaso hoje passei a várias esquinas e não me deparei com ninguém a ameaçar fosse o que fosse. Numa estava uma senhora idosa a fazer festas a um gato. Na altura nem a velhota nem o bichano me pareceram fascistas, mas depois de refletir melhor e como nisto do fascismo a esquerda e as televisões é que sabem, acho que a velha tinha um bigode à Hitler e quase ia jurar que a ouvi chamar o cabrão do gato por Adolfo.


Entretanto um comerciante estrangeiro foi assassinado por três “jovens”. O nome fofinho que a comunicação social atribui aos meliantes. Ao que sei ainda não foi marcada nenhuma manifestação contra o racismo, a xenofobia, o medo e restante lengalenga. Nem, tão pouco, a Leitoa, a Mortágua, o Raimundo e os activistas do costume foram distribuir cravos lá pela zona do assassinato. Sou eu que não estou atento às noticias ou é apenas a habitual hipocrisia dessa gente?

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Há dias assim...

O PCP já está naquela fase em que, pela sua insignificância, tem alguma piada. Pode dizer e fazer o que quiser que não suscita outra reacção para além de um encolher de ombros. Esta da “coragem para enfrentar a direita”, vinda de um partido que representa 2,91% dos portugueses, é hilariante. Ou ridícula, para quem tem ainda menos sentido de humor do que o PCP deputados no parlamento. Numa altura em que a direita tem cento e sessenta deputados, um slogan destes faz lembrar aquela coisa do catarro da formiga. O que pode ser mau. Se as autárquicas correrem mal e os comunistas perderem um número significativo das poucas Câmaras que ainda possuem, é capaz de ser uma chatice continuar a arranjar fundos para o tratamento da garganta…



Os discursos da escritora e do senhor Sousa, durante as comemorações do 10 de Junho, têm suscitado enorme entusiasmo entre as criaturas bem-pensantes. A converseta, ao que parece, envolveu a pureza do sangue não sei de quem e isso. Coisa que, vá lá saber-se porquê, desagradou a outros. Por mim, já que era para falar de sangue, tinham convidado o Drácula.



Entretanto um actor foi malhado à porta da sala onde ia representar uma peça. Tratou-se de um acto condenável e sobre isso nem há discussão possível. Desta vez, ao contrário do que acontece noutras ocasiões em que é exercida violência, foram de imediato conhecidas as conotações políticas, as motivações do agressor e estabelecidas as mais variadas associações a grupos ou ideologias. Da próxima vez em que automóveis atropelem multidões, facas ataquem pessoas aleatoriamente, espingardas desatem a disparar e contentores ou autocarros ardam descontroladamente certamente iremos assistir nas TV’s a igual rigor na apreciação das ocorrências.

terça-feira, 10 de junho de 2025

Dia de Portugal

semaforo.jpg


Nunca fui muito dado a essa coisa do patriotismo. Deve ser por isso que, ao contrário da esmagadora maioria dos portugueses, os sucessos ou insucessos da equipa da FPF não me suscitam grandes emoções. Faz-me, até, alguma confusão como é que alguém que não faz a mais parva ideia do que é um fora de jogo pode ficar quase histérico quando joga a selecção. Mas ainda bem que assim é. Pelo menos quando o Putin - ou outro maluco qualquer – se lembrar de nos invadir as forças armadas não terão falta de militares para defender o país. Mesmo os que já não tiverem idade, nem condições para se alistarem na tropa, de certeza correrão a voluntariar-se para servir na defesa civil e defender o território que é nosso. Com tanto fervor patriótico como o que tenho visto desde o fim de semana, tenho a certeza que qualquer inimigo bate de imediato em retirada. Ou, na hipótese de serem parvos o suficiente para persistir na tentativa de nos ocupar, atropelamo-los nas passadeiras. Patrioticamente.

domingo, 8 de junho de 2025

Em Gaza, por exemplo, não têm estes problemas...

vvvvvvvv.jpg


Há quem ainda não tenha digerido os resultados das últimas eleições. Três semanas depois já era tempo da azia ter passado. A mim, das muitas vezes que ganha o PS, abala-me mais depressa. Mesmo que continue a achar que quem optou por esse partido fez uma opção que não foi a melhor para o país e que a mesma é prejudicial para os interesses dos portugueses em geral. Mas, sejam quais forem os resultados eleitorais, há que respeitar a vontade do povo e quem não a respeita também não merece ser respeitado. Os eleitores escolhem quem querem e votam em que muito bem lhes apetece. Chama-se democracia, ou lá o que é.

Ocorre-me este arrazoado por causa de uma conversa – na verdade foi mais um monologo, porque a criatura pôs a “espingarda à cara" e ninguém a calava – que tive na semana passada na sala de espera de uma clínica. A boa da senhora – boa é uma força de expressão, obviamente – ainda estava possessa por o Chega ter vencido as eleições aqui no concelho. Perante uma audiência de mais de uma dúzia de pessoas chamou de tudo aos eleitores cá da terra. E nem quando eu – feito parvo, devia era estar calado como os demais – lhe tentei, alarvemente reconheço, lembrar que o sol continuaria a nascer no mesmo lugar e nós a receber o ordenado no mesmo dia a coisa melhorou. Acho até que piorou. A sorte, pelo menos a minha, é que entretanto fui chamado pela enfermeira.

Ou seja, o povo apenas está certo e as pessoas são inteligentes e merecedoras de respeito quando pensam da mesma maneira que nós. Caso contrário são umas bestas. Não tem mal nenhum que uns quantos pensem assim. Nem que o verbalizem. Afinal, há vozes que por mais alto que vociferem não chegam ao céu. Ou, como diria a minha avó a propósito daqueles que exibiam uma alegada superioridade moral em relação aos demais, “gaba-te cesto, que estás todo roto”.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Sensações...

“Isto da insegurança está cada vez pior” é uma frase, com uma ou outra variante, que vou ouvindo cada vez com mais frequência. Verdadeira, se calhar. Ainda esta semana tivemos ocasião de assistir, pela televisão, a dois momentos que nos podem levar a dar razão a quem manifesta este sentimento. Num deles um velhote atirou-se ao cachaço de uma chalupa que guinchava coisas acerca de um alegado genocídio. Noutro, um grupo de meliantes estrangeiros – embora não haja indícios que existam patifes de outras nacionalidades entre nós – assaltou um banco no Alentejo.


Há, por outro lado, quem insista em argumentar que não há cá nada insegurança nenhuma. Tudo não passa de sensações alimentadas pela extrema-direita fascista, racista, machista, populista, misógina, xenófoba e o que mais vier à cabeça dos alucinados de turno. Gente que, admito, pode ter toda a razão quanto a essa cena da segurança. É que, no primeiro caso, a gaja mal apessoada conseguiu vender as tretas delas e sair dali com as carnes intactas. Sem, sequer, dando oportunidade a que alguém lhe atirasse com um dicionário a cima. Na segunda situação, creio, existirá um equivoco. Os cavalheiros vindos da estranja para salvar a segurança social apenas quiseram apressar as coisas fazendo uma contribuição mais avultada. Acelerar o salvamento, no caso. E quanto aos alentejanos desocupados que filmaram a cena toda, que se ponham a pau com essa patetice da protecção de dados ou lá o que é.

terça-feira, 3 de junho de 2025

O paposseco gourmet

IMG_20250602_075424.jpg


Chamem-lhe carcaça, casqueiro ou pãozinho na versão moderna e amaricada para mim será sempre um paposseco. Mas se o nome pelo qual é conhecido varia em função da região, o tamanho vai diminuindo à medida que o preço cresce. Este, comprado numa padaria tradicional, tem as dimensões que se podem apreciar tendo por comparação um cartão de fidelização de um supermercado. É o pão perfeito para dietas radicais. Daquelas que se fazem, por esta altura do ano, na tentativa desesperada de voltar a ver os dedos dos pés quando se caminha à beira-mar. Um nano-panito, quase. Deve ser um produto inovador da moderna industria da panificação concebido a pensar naquelas pessoas que não têm tempo para mastigar. Dá-se uma dentada e já acabou. Nem dá para saborear. O que, convenhamos, também não constitui nenhum drama dado que o sabor, a existir, apenas pode ser apurado em laboratório. Embora, com o marketing adequado, possa ser vendido como um produto gourmet ou lá o que chamam aquelas cenas de aspecto duvidoso que servem aos parolos como “experiência”.

domingo, 1 de junho de 2025

Histórias da velha à soalheira

Um trabalho de investigação jornalística permitiu concluir que uns quantos médicos terão ganho uma pipa de massa - umas centenas de milhares de euros, no caso – num espaço de poucas semanas. Tudo, ao que parece ter concluído a tal investigação, graças a um esquema manhoso qualquer. Uma coisa, alegadamente, assim do tipo “marquem lá essa operação para o dia em que eu estou de folga, que assim ganho mais uns trocos”. Isso ou algo parecido. Vai dar ao mesmo.


Não consegui evitar um sorriso quando ouvi a noticia. Lembrei-me da minha avó. Nomeadamente das histórias que ela inventava para me entreter. Ocorreu-me uma em que, de acordo com a sua mente delirante, os funcionários das autarquias de um país longínquo eram tão mal pagos, mas tão mal pagos, que para terem um ordenado decente "trabalhavam" muito para além do horário. Um deles terá até, em certa ocasião, "trabalhado" vinte seis horas num só dia. Contava-me ela – calculo que tenha inventado, mas não interessa nada – que, apesar de quase todos ganharem apenas o salário mínimo, recebiam sempre o dobro disso no final do mês. Graças, tal como agora acontecerá com os médicos, a um conjunto de esquemas manhosos. Alegadamente, como sempre acrescentava.


Por mim, nada sei destas cenas. Nem dos médicos de cá nem dos trabalhadores das câmaras de países distantes. Sei apenas que, a ser verdade, o dinheiro que foi parar aos bolsos de uns e outros – muito ou pouco – saiu do bolso de quem paga impostos. Não espero que essa malta se envergonhe do que, a ser verdade, tenha feito ou continue a fazer. Nem eles nem quem – a acontecer - permite essas mahosices. 

sábado, 31 de maio de 2025

É a democracia, estúpidos!

Eleições, em democracia, nunca são um problema. Os resultados, por mais que nos desagradem, também não. Tudo é transitório e, na pior das hipóteses, os governos apenas duram quatro anos. Depois, se o povo não estiver satisfeito com a experiência, escolhe outros.


Cinquenta anos depois já devíamos estar habituados. Mas não. Há quem ainda não perceba que a democracia também funciona quando os outros ganham e não apenas quando os eleitores votam “como deve ser”. Ou seja, de acordo com as nossas escolhas. Não vale a pena chamar fascistas a vinte e não sei quantos por cento dos portugueses, guinchar “não passarão” ou proclamar que vem aí o fim dos tempos. Não adianta. O mundo vai continuar a girar, o sol a nascer no mesmo lugar, passará quem tiver de passar e a minoria ruidosa continuará cheia de azia se – muito legitimamente, como é óbvio – continuar indignada.


Recordo-me de há relativamente pouco tempo, no tempo da famigerada Geringonça, existir gente visivelmente entusiasmada com o rumo que o país estava a levar e garantiam a quem não concordava que o melhor era habituarmos à ideia da coisa ser para perdurar no tempo. Eram, apesar de terem perdido as eleições, a maioria parlamentar. Hoje constituem uma minoria sem qualquer relevância, mas, mesmo assim, mantêm a arrogância de sempre. Para eles são outros que estão errados. São os donos da razão. Os supra sumos da inteligência e os demais uns pobres diabos. Até gente com evidentes problemas cognitivos, fruto da consanguinidade resultante do casamento entre primos, faz proclamações inflamadas acerca dos perigosos avanços da direita. Coitados.


Por mim prefiro os que dizem, seja em que circunstância for, “Há governo?! Sou contra!”. Pelo menos são mais coerentes.