sexta-feira, 22 de março de 2024

Pássaros do sul

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Este casal de andorinhas – uma andorinha e um andorinho, calculo, que os animais sabem que não é com mariquices que garantem a continuidade da espécie – devem ter estudado a melhor localização para a construção do seu ninho e concluíram que o lugar ideal é precisamente a casa que estou a preparar para colocar no mercado de arrendamento a um preço exorbitante e altamente especulativo. Lamento amigues – ó para mim a escrever em inclusivês - mas aqui não dá. Terão de procurar outro espaço. Não ando a esfalfar-se a trabalhar para virem vocês cagar isto tudo. Vão para outra parede qualquer. O que não falta por aí são casas abandonadas onde ninguém vos aborrece. Aqui é melhor não. E não me olhem assim que não penso dar-lhes. Descanso, como a outra.

terça-feira, 19 de março de 2024

Senhorios fofinhos

Afinal, ao contrário do que andava para aí a propagandear o pessoal da direita, Mariana Mortágua não é “senhoria de um T1 pelo qual cobra 650 euros ao inquilino”. Mas se fosse, não tinha mal nenhum. Mau seria se, na qualidade de dirigente partidária ou outra qualquer, pretendesse dar lições de moral acerca de rendas exorbitantes ou isso. Nada disto se verifica. Ao que se refere a comunicação social, a criatura é proprietária de um T1 – na zona de Arroios, em Lisboa – que arrendou por aquele valor entre 2019 e 2021. Já lá vão três anos, mais coisa menos coisa. Altura em que, recorde-se o SMN era de 635 euros. Este montante, mesmo para a época, terá sido considerado pelo Bloco de Esquerda, em reacção a esta notícia, como muito longe de poder ser considerado especulativo. Trata-se mesmo de um absurdo classificar uma renda daquelas como especulativa, segundo a fonte bloquista instada a pronunciar-se sobre o assunto. Também acho. Por uma vez concordo com aquele pagode. Chame-se o senhorio acusado de especulação, por cobrar mais do que um SMN por um T1, Mortágua ou outro apelido menos finório. Mas isso sou eu…

segunda-feira, 18 de março de 2024

Organizem-se...

Corrida às viagens para férias bate recorde” e “mil milhões gastos em compras de telemóveis” são duas notícias que hoje compõem a primeira página dos jornais. Constituem, também, dois indicadores importantes acerca da qualidade de vida dos portugueses. Ou das prioridades. Obviamente que cada qual gasta o dinheiro naquilo que muito bem lhe apetece. Não tenho nada a ver com isso e, desde que não me aborreçam, interessa-me muito pouco. Mas se há coisa que me aborrece são as queixinhas. Nomeadamente o queixume generalizado acerca das condições de vida, dos ordenados, das rendas de casa, dos preços e do que mais calhar que, alegadamente, levam couro e cabelo. É pá, priorizem como lhes dê na realíssima gana, não queiram é que sejam os produtores e distribuidores dos bens que consomem, os senhorios ou o Estado a suportar as vossas manias. Se não vos sobra guito depois de pagar as viagens ou o telélé, azarinho. Não se pode ter tudo. Vão passear, mas é.

domingo, 17 de março de 2024

O karma, se existir, é lixado...

Os especialistas da especialidade têm andado entretidos a analisar e, principalmente, a tentar encontrar explicações para os resultados eleitorais não terem correspondido aos seus desejos. Eles, os sábios, que veem a luz e conhecem o caminho da verdade ficaram estupefactos por o país real não lhes ligar nenhuma. Coitados, deve ser triste andar durante tantos anos a educar o povo, a explicar o que é melhor para todos nós – sim, eles é que sabem o que é bom para nós – e vai daí a malta caga-lhes no colo. Não se faz. Há, no mínimo, que mudar de povo. E isso, diga-se, é um processo que está em marcha.


Outros especialistas, ainda mais especializados na especialidade, andam agora a investigar quem é que votou em quem. Embora isso seja um trabalho fácil relativamente a alguns partidos – o PCP, por exemplo, são tão poucos que não deve dar muito trabalho saber o nome, o NIF e o número de telemóvel de cada um desses desgraçados – de um modo geral não me parece que, em termos de grandes grupos sociais, se consiga chegar a conclusões minimamente credíveis. Concluir que as mulheres votaram à esquerda e que os mais velhos não votaram no Chega, só para realçar dois dos dados mais mencionados, parece-me coisa de especialista pouco especializado ou, então, especialmente equivocado.


Uma das conclusões, especialmente irónica e de duvidosa credibilidade, é a que conclui ter existido uma transferência directa de votos do PS para o Chega. Não acredito, mas a ser verdade seria uma ironia do mais fino recorte. É o Karma, ou lá o que quiserem chamar à maneira absolutamente badalhoca como o PS se tentou aproveitar do partido de André Ventura.

sexta-feira, 15 de março de 2024

Partido Chihuahua Português

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De dez de Março para cá o país mudou. Muito. E, pelos vistos, para pior. A saúde ficou uma desgraça, a habitação uma tragédia e o ensino uma verdadeira tormenta. Relativamente aos primeiros sectores já saíram uns estudos a dar conta disso mesmo e, no que respeita ao ensino, reapareceu o Mário Nogueira a garantir que ele, o sindicado dele e os professores em geral se iam opor ao governo. Que é para isso que serve um sindicato, acha o cavalheiro. Isto, assim do nada, ficou tão mal, mas tão mal, que o PCP – um dos dois partidos cujos deputados podem ir todos juntos de táxi para o Parlamento – já anunciou que vai apresentar uma moção de rejeição ao governo que ainda não existe. Nem, por enquanto, se sabe ao certo quem formará. Isso, no entanto, não impede os representantes de duzentos mil portugueses de acharem que o governo que se vier a formar não vai ter legitimidade nenhuma. Se fosse apenas aquilo do “Há governo? Sou contra!” até eu acharia piada. Mas não é. É o ódio à democracia e à liberdade que não se envergonham de demonstrar enquanto agitam cravos vermelhos e exaltam o vinte cinco de abril.

quinta-feira, 14 de março de 2024

Todos os votos são legitimos.

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Desde as eleições que vejo este dichote publicado e replicado vezes sem conta. Também eu sou gajo para, de quando em vez, fazer uma alegorias com recurso a fábulas. Geralmente parvas, admito com facilidade. Daí que reconheça à distância as idiotices dos outros. E esta, caros papagaios que andam a publicar isto por tudo o que é rede social, é especialmente parva. Recordo que nas fábulas são os animais que falam, não os objectos inanimados. O que torna manifestamente impossível a um inseticida apresentar-se a eleições e muito menos ser votado. Não faz sentido. Se querem fazer com que os outros se sintam mal com as escolhas, procurem outro candidato do agrado da formiga. Um insetívoro qualquer era capaz de dar um exemplo menos parvo. Digo eu, que até votei na vassoura.

segunda-feira, 11 de março de 2024

O (res)caldo eleitoral

Uns mais do que outros, mas todos terão motivos para festejar o resultado eleitoral. É, no fundo, a velha tese do PCP a fazer escola. O que, logo por aí, constituirá um bom motivo para os comunistas, apesar de serem o novo partido do táxi, cantarem vitória.


O Partido Socialista pode igualmente dar-se por satisfeito por perder por poucos. Os mais optimistas da equipa podem mesmo alegar que se os golos fora ainda contassem aquele resultado até dava para passar a eliminatória.


Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda e PAN também tiveram motivos para festejos. Cumpriram os objectivos mínimos e, mesmo que à rasca, conseguiram a manutenção. Ainda não é desta que descem de divisão.


O Chega e o Livre foram as sensações do campeonato eleitoral. Multiplicar por quatro o número de deputados é razão mais do que suficiente para ir ao Marquês. Fazem-me lembrar o Sporting. É melhor aproveitarem agora porque se calhar outra igual só daqui por dezoito anos.


Finalmente a Aliança Democrática. Ganhou por poucochinho. Isto, claro, se o adversário não marcar no prolongamento. E não, as semelhanças com o Benfica não se ficam por aqui. Está mais que visto que isto de ir buscar craques em fim de carreira nem sempre contribui para um bom desempenho da equipa e que deixar os adversários chegar primeiro à bola raramente leva à vitória. A menos que, como foi o caso, a equipa contrária faça auto-golos até dizer chega.

domingo, 10 de março de 2024

Necessidades...

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Admito que esta cena da habitação não está fácil. Seja na parte de quem procura, seja na parte da oferta. Ainda que as razões de queixa não sejam coincidentes. Embora, em muitas circunstâncias, exista uma relação directa entre elas. Que isto, a bem-dizer, o mundo é só um.


Por motivos que apenas não percebe quem não quer, as rendas estão actualmente em valores, do ponto de vista de quem paga, para lá de exorbitantes. Até mesmo nos lugares mais improváveis como, por exemplo, nas terras mais desertificadas do interior do país. Também nestas regiões, quase desprovidas de gente, a oferta ainda consegue ser inferior à procura. Com a agravante de grande parte da população, de uma ou de outra forma, viver daquilo que a família da reportagem da CMTV tanto almeja. Um teto.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Ai cruzes, credo, que medo que eu tenho da "diraita"...

Como dizia o saudoso Jorge Coelho, há muita falta de memória na política e nos políticos. Mas não apenas. Essa amnésia estende-se hoje à generalidade da população. E quando a esse desmemoriamento colectivo juntamos a ignorância, a má-fé e muita filha da putice temos o caldinho perfeito.


Portugal é um país, ao que se diz, de reformas baixas. Miseráveis, consideram muitos. Mas não. De há tempos a esta parte não se consegue encontrar nenhum reformado que não tenha sido vítima dos cortes nas reformas perpetrados pelo Passos Coelho, esse malfeitor. Assim sendo todos eles auferiam em 2013 mais de mil euros de pensão. O que, convenhamos, olhando para os vencimentos que actualmente se pagam, até nem seria mau. Mas isto das duas uma. Ou estamos perante um bando de mentirosos ou uma cáfila de filhos da puta igualmente pantomineiros. Do que tenho a certeza é que os últimos governos socialistas cortaram na minha reforma. A que já devia estar a receber, mas a que só terei direito daqui a dois ou três anos. Ou mais, que para o futuro podem fazer as patifarias que quiserem. Intocáveis apenas os actuais pensionistas. Mesmo que se tenham reformado aos cinquenta anos, com a pensão igual ao último ordenado correspondente ao lugar para o qual foram promovidos dois meses antes da reforma e esta seja equivalente a vários salários mínimos. Como, se calhar, será o caso daquele estupor da velha feia e gorda que tem a mania de falar com sotaque alentejano. Mas não é esta gente que está mal, bem entendido. O que está mal é sacrificar uma geração para proteger outra.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Perninhas a tremer e rabinho entre as ditas

Ao contrário do que aconteceu quando os juros desataram a subir, os bancos já estão a antecipar uma provável queda do preço do dinheiro. Nomeadamente nas taxas pelas quais remuneram os depósitos a prazo. São muito apressados, eles. Mas, a bem dizer, nem terão grandes motivos para continuar a pagar juros ao nível dos actuais valores. Convém não esquecer que o governo do Partido Socialista fez o favor à banca de reduzir a taxa de juro dos certificados de aforro e, com isso, evitou que os bancos tivessem a necessidade de pagar taxas mais atractivas para captar as poupanças dos portugueses. Um favor que nos sai caro. Onde perdem todos – depositantes, Estado e contribuintes em geral – e só a banca fica a ganhar. É que isto de se gabar da capacidade para pôr as perninhas dos banqueiros a tremer é muito bonito, deixa o rebanho entusiasmado, mas qualquer alarve é capaz de dizer. Fazer frente aos donos disto tudo é que não é para qualquer um. E, nesta como noutras matérias igualmente relevantes, todos sabemos quem é quem.

terça-feira, 5 de março de 2024

Redistribuição da riqueza

A acção de campanha do PS realizada em Guimarães não terá, ao que consta, decorrido da melhor maneira. Para além da manifesta falta de pontaria demonstrada por apoiantes e detractor – nem o guarda chuva atingiu o provocador nem o vaso arremessado por este acertou em nenhum socialista – parece que a caravana terá sido alvo da acção de carteiristas. Não me revejo em muitas graçolas, mais ou menos jocosas, acerca da ocorrência. Trata-se de um crime e com isso não pode haver contemplações. Mas para os integrantes da arruada não deve constituir problema,  visto que não temos por cá problemas de insegurança. Daí que terem sido espoliados das suas carteiras não representará um mal maior. Ninguém entre as vitimas, estou em crer, terá apresentado queixa ou ficado demasiado aborrecido por lhe terem surripiado uns trocos. Terá sido, quando muito, encarado como um acto de redistribuição de riqueza. Coisa que o pessoal do PS muito aprecia. O irónico é que, desta vez, foi o dinheiro deles que se evaporou. Mas foi por uma boa causa. A dos desvalidos. Ou vulneráveis, vá.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Os avistadores do canito perdido

Vejo com inusitada frequência publicações e inúmeras partilhas dessas mesmas publicações, onde se dá conta de avistamentos de cães que, segundo os autores dessas mensagens, estarão perdidos. Ou os canitos andam completamente desorientados ou as pessoas estão cada vez mais parvas. Alinho pela segunda hipótese. Até porque para a sustentar – ainda que isso não seja preciso, de tão evidente que ela é – aparece quase sempre alguém a esclarecer que “não senhor, o cachorro não está nada perdido. Pertence a beltrano ou a sicrano e anda apenas a dar a sua voltinha habitual”. É uma loucura, isto. Não podem ver um bicho sozinho, estas malucas, que está logo perdido. Sim, malucas que isto passa-se maioritariamente com mulheres e a maior parte delas com idade para ter juízo.


Noutros tempos, quando muito, os cães estavam abandonados e, mais tarde ou mais cedo, encontravam alguém que cuidava deles. Durante a minha infância e juventude adoptei alguns nestas circunstâncias. Se estivessem perdidos facilmente encontrariam o caminho para casa se essa fosse a sua vontade. Como, de resto, acontece com toda a espécie de bicharada. Todos conhecemos casos de animais que percorreram dezenas, até mesmo centenas, de quilómetros para se juntarem aos donos. Sem necessidade de GPS.

domingo, 3 de março de 2024

A bolha dos pitosgas

Os paineleiros e comentadores que nas televisões tentam desesperadamente influenciar o sentido de voto dos portugueses e, modo geral, as redacções dos órgãos de comunicação social vivem numa espécie de bolha que os isola do sentimento das pessoas que vivem no país real. Aquilo deve ser gente que apenas fala uns com os outros e que vive num circuito fechado onde todos pensam da mesma maneira. Daí que achem que o mundo é como eles o veem ou como eles querem que seja. Mas não é. Aquele pagode ainda não deve ter percebido que ninguém lhes liga e que a realidade é, quase sempre, muito diferente daquilo que eles projectam ou, pior, comentam ou analisam horas a fio. Fazem lembrar o ministro da Informação do Iraque ao tempo da invasão americana, os trastes.


Veja-se, por exemplo, o caso do Chega. Andam há anos a malhar naquela agremiação. Todas as conversas daquela malta, quando o assunto é política, vão lá parar. Sempre a alertar para os perigos que decorrem do seu crescimento e consequentes malefícios que isso traria para a sociedade em geral. O resultado é o que já se viu e o que, tudo indica, se vai voltar a ver daqui por uma semana. Se calhar, digo eu, fazia-lhes bem sair à rua e perceber que há mais vida para além das redacções, dos estúdios das Tv’s e do Twitter.


Este mesmo comportamento está agora a ser replicado em relação à AD. Não creio que tenham sucesso. Mesmo uma mais que provável vitória do PS não se ficará a dever ao inusitado apoio que a comunicação social presta aos socialistas. Ela será, simplesmente, natural. Estranho seria se assim não fosse. Até eu, se olhasse apenas para o meu umbigo, teria todas as razões para votar naquele partido. Mas não. Os meus problemas de visão são apenas a ver ao perto. Ao longe, felizmente, vejo muitíssimo bem.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Aprender, sempre!

Ouço com frequência que devia haver eleições todos os anos. Isto por causa das medidas tomadas em vésperas de eleições pelos governo em funções, com medo de deixarem de o ser, para manterem o eleitorado satisfeito e garantirem a reeleição. Naturalmente que tudo isso, mais as promessas eleitorais que eventualmente venham a ser cumpridas, transforma-se um tempo depois em impostos. Daqueles que fazem com que o nosso rendimento diminua ainda que o salário aumente. Coisa que o tipo que agora é secretário-geral do PCP tem manifesta dificuldade em entender. Para o cavalheiro essa cena do rendimento não importa nada. O que interessa é o salário. Uma sorte para o partido dele não haver eleições todos os anos. Se houvesse já nem um deputado tinham para amostra.


Por mim também acho que devia haver eleições mais vezes. São sempre alturas propicias à diversão. E nem estou a pensar em maluqueiras como atirar tinta uns aos outros, ou repetir muitas vezes a palavra “fascista” como se tivesse a “boca cheia de favas” que era uma bela de uma expressão, infelizmente caída em desuso, que caracteriza muitíssimo bem o tom de voz de umas quantas criaturas que andam apavoradas perante a hipótese de perderem o tacho. Estou, antes, a pensar que o período eleitoral serve para todos aprendermos mais alguma coisa. Aprendi hoje, ao ouvir a doutora Mortágua, economista de formação, que “Portugal é um país pobre porque paga salários baixos”. Eu, que destas coisas da economia percebo tanto quanto um barbeiro, cuidava que o país é pobre por não gerar a riqueza suficiente para elevar o nível salarial. Daí, por exemplo, aquilo do SMN por mais que aumente comprar praticamente sempre o mesmo. Mas não. Estou enganado. Eu e o governo do Sudão, da Somália e mais uns quantos. Se aqueles países descobrem a formula da doutora Mortágua tornam-se iguais à Alemanha num ápice.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Saudade do tempo em que as vacas não voavam

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Graças aos variados simplex’s – que até conseguem pôr vacas a voar – e à vontade politica dos representantes do povo legitimamente eleitos, mudar de sexo no registo civil, alterar o nome e conseguir o divórcio é hoje um processo que se trata num piscar de olhos. Diz, que eu dessas coisas não sei nada. Sei, isso sim, é que para cessar relações de carácter comercial com determinados prestadores de serviços é uma chatice. Para terminar um contrato com uma operadora de telecomunicações foram necessários quase três meses e duas deslocações à capital de distrito, dado que as restantes lojas do operador só servem para vender telemóveis e contratualizar serviços. O mesmo com os bancos. Até a agência local do banco público já nem serve para encerrar contas. Agora é tudo centralizado. Quase dois meses depois, de tão centralizado que é, ainda continuo, contra a minha vontade, a ser cliente. Começo a desconfiar que mais depressa vejo por aí um bovídeo a esvoaçar.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

O BE quer empobrecer os portugueses

A doutora Mortágua insiste que é necessário baixar o preço das casas. Não se cala com isso, a gaja. Tem, até, propostas para tornar esse seu sonho em realidade. Não está a ver bem a coisa. Num país em que setenta por cento das famílias têm casa própria não me parece muito avisado nem, sequer, eleitoralmente muito vantajoso afrontar uma parte significativa dos eleitores apenas para agradar a uma percentagem que provavelmente não chegará a quinze ou vinte por cento. Sim, porque não estou a ver que existam muitas famílias que fiquem felizes com a depreciação do valor do seu imóvel. Ela lá sabe. A julgar pelo discurso nem quer muitos votos. Chegam-lhe os suficientes para obter o número de deputados bastantes para poder reclamar um lugar no governo do camarada Santos.


Tal como o camarada Raimundo, também eu não acredito em sondagens. Não creio, por exemplo, que a CDU se fique nos miseráveis dois por cento – nos dias bons - que lhe têm sido atribuídos. Ainda anda por aí gente suficiente para fazer duplicar esses números. É o que dá a esperança média de vida não parar de crescer. Igualmente não me convencem as alegadas intenções de voto no Chega. Ná, isto é um país de mentirosos. A começar por mim que, em certa ocasião, mal acabei de votar fui interpelado por uma criatura que me pediu para “votar” da mesma maneira que tinha acabado de fazer. Era para aquelas sondagens que, supostamente, nos dizem quem ganhou assim que fecham as urnas. Acedi - todo satisfeito por colaborar numa cena tão importante - e votei. Noutro.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

SNS, assim não vale...

O SNS tem constituído um dos principais temas para a habitual demagogia que os políticos gostam de usar para atacar os adversários e que, modo geral, os portugueses nas suas conversas de dia a dia adoram replicar para defender os da sua cor e depreciar os demais. Por mim apenas quero que o SNS funcione. Estou-me nas tintas se o serviço me é prestado pelo Estado ou por um privado que o Estado contrata por não ter capacidade para me tratar a tempo e horas.


Infelizmente esta prática não é seguida. Pelo menos da forma mais adequada. Estou, desde o final do Verão passado, inscrito para uma cirurgia num hospital público da região. No inicio de Dezembro fui convocado para a realização de exames tendo em vista a realização da mesma. A meio de Janeiro recebi uma carta do tal hospital e, ainda antes de a abrir, confidenciei aos meus fechos de correr a satisfação pela rapidez do processo enquanto enaltecia as virtudes do sistema que, afinal, não estava tão mal como o andavam a pintar. Só que não. A missiva continha um vale-cirurgia que podia utilizar num de dez hospitais à minha escolha. Oito públicos, todos a norte do Douro e dois privados. Um em Lisboa e outro no Algarve. Mais ou menos como aqueles vale-prenda para usar obrigatoriamente em determinadas lojas, mas aquilo que nós precisamos só está à venda no estabelecimento do outro lado da rua.


Obviamente não aceitei a generosa oferta e vai daí continuo na lista de espera. Estava, antes do dito vale, em 378º lugar e passado um mês avancei para 358º. Por este andar daqui por uns dezanove meses deve chegar a minha vez. Ou não, porque a lista tem umas particularidades assaz curiosas. É que, neste período, já estive também nos lugares 380º, 399º e 402º. Ou seja, já andei para trás. Diz que é porque vão aparecendo casos urgentes. Ou, então, é porque há gente a fazer como uma amiga da minha avó quando precisava de consulta com o médico da “Caixa”. Oferecia-lhe uma galinha.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

As rainhas da bicharada

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Ainda me lembro de quando era proibido alimentar animais errantes. Ou vadios, vá. Agora, provavelmente em consequência da vadiagem que há por aí, pelos vistos já não é. Ou, se é, ninguém se importa. Nem exporta. Daí que umas quantas malucas tenham como desígnio de vida dar comida à bicharada desvalida. E à outra, também. Que elas não são esquisitas. Não raramente até alimentam os cães e gatos que estão nos quintais e jardins dos respectivos donos. Acharão, se calhar, que os bichos estão desnutridos. É doida, esta gente. Estou muito longe de perceber o que as leva a adoptar este comportamento, mas coisa boa não será, certamente. Deve ser mais uma daquelas situações para as quais o SNS não tem resposta.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

O IRS do vizinho

Não faço contas à viabilidade das propostas da direita, nomeadamente da Iniciativa Liberal, sobre a redução do IRS. Até porque não as sei fazer. Para quem apresenta a proposta seriam quatro ou cinco mil milhões, para a Esquerda, que está contra tudo o que é redução de impostos, os cofres do Estado deixariam de contar com nove mil milhões caso a proposta fosse implementada. Tudo, obviamente, estimativas. Nem uns nem outros saberão ao certo qual o impacto de uma medida desta natureza. Dependeria sempre do que cada um fizesse com o dinheiro que lhe sobraria no bolso. Se, por exemplo, eu gastasse os meus – suponhamos – cem euros de alivio fiscal em bifes o Estado perderia noventa e quatro euros, mas se optasse por gastá-los em gasolina só perdia quarenta, mais coisa menos coisa em ambos casos. Já se fosse gastar os cem paus ali a Badajoz, aí sim, o Estado perdia tudo.


Seja como for, reduzir o IRS é da mais elementar justiça. O que nos estão a fazer constitui um roubo. De tal forma que a Esquerda já nem recorre à lengalenga habitual do “Estado-social”, da Educação ou do SNS. Prefere apelar ao sentimento de inveja e justificar a sua oposição à redução do imposto sobre o trabalho com a desculpa que quem ganha ordenados milionários é mais beneficiado. Ou seja, prefere prejudicar milhões de trabalhadores para não beneficiar dois ou três mil indivíduos. Não espero, obviamente, que os portugueses entendam o que está em causa e deem o merecido castigo a quem tem estas opções. Metade não paga IRS e, portanto, estes assuntos nada lhes dizem. Da outra metade muitos não sabem sequer ler o recibo de vencimento ou sentem-se confortáveis com o que pagam. É lá com eles. Só me aborrece é que ainda tenham o descaramento de achar que eu é que estou errado. Perdoai-lhes Senhor, que deve ser doença…

sábado, 17 de fevereiro de 2024

O rigor da análise jornalistica...

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Para mim, que sou benfiquista, o SLB joga sempre melhor que o adversário e, ainda que numa ou noutra ocasião a bola entre mais vezes na nossa baliza do que na deles, no fim do jogo continuo a achar que o Benfica ganhou. O mesmo se passa com os comentadores televisivos que analisam os debates entre os diversos lideres partidários. Para eles o seu candidato favorito - o de esquerda, seja ele qual for, que aquela malta não é esquisita no que toca à canhotice – ganha, invariavelmente, tudo o que é disputa com o candidato da direita. Que eu ache, mesmo após os sete zero de Vigo, que o Glorioso dá em cada jogo uma cabazada ao adversário é como o outro. São cá coisas minhas, sem importância nenhuma e que não interessam a ninguém. Já aquelas criaturas, que durante horas debitam alarvidades acerca do que na imaginação deles terá acontecido, deviam ter mais juízo. Aquilo não é opinião. É propaganda. Ilegítima, pouco séria e, se calhar, de duvidosa legalidade.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Avaliar com cautela...

Não tenho má impressão daquela senhora anafada que foi ministra de qualquer coisa no anterior governo do PS e que dá ares da Fiona, a namorada do Sherk. O que, vindo de mim e tratando-se de uma ex-governante daquele partido, quase se pode considerar um rasgado elogio. A criatura em causa terá sido, ao que é público, a coordenadora da equipa que elaborou o programa eleitoral dos socialistas. Aquilo, reconheço, está ali um trabalho bem feito. Gosto especialmente das partes em que se promete “avaliar a possibilidade”, proceder ou promover a “avaliação” e “estudar” coisas. Para quem quer mais acção, menos conversa e “fazer” não parece um mau principio.


Agora a que eu gosto mais – mas é que gosto mesmo – é aquela de devolver em IRS às famílias com menores rendimentos parte do IVA suportado em consumos de bens essenciais, incluindo às famílias que não pagam IRS”. Esta sim, é genial. Não pagam IRS, mas ainda assim recebem. Porreiro, pá. É o desfazer daquele mito que para ganhar a lotaria é necessário jogar. Nah, com o PS isso vai ser possível mesmo não comprando a “cautela”. Por falar em cautela, presumo que para ter essa esmola seja necessário que o NIF conste das facturas. Eu não disse que estava ali um trabalho todo supimpa?!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Combustões

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Todos os invernos ardem vários contentores em consequência de dentro deles serem depositados os restos da lareiras. Uma estupidez que sai cara a toda a gente. Até ao idiota que não tem o discernimento de, antes de as despejar no lixo, verificar se entre as cinzas ainda existem brasas acesas.


Mais raro é este fenómeno ocorrer com os eco-pontos. Se calhar, digo eu, não haverá ninguém tão estúpido ao ponto de despejar as cinzas nestes contentores. Nem, tão pouco, em pirómanos, vândalos ou gente que anda ao metal passe a repetição. Mais depressa acredito em combustão espontânea. Ou, sei lá, numa experiência cientifica qualquer.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Tá tudo a funcionar!

O outro é que tinha razão, somos uns piegas. E aquele que não sabe o que é que não funciona, também está carregadinho de razão. Funciona tudo. Funciona o Estado, funciona o mercado e, a bem dizer, o país em geral funciona lindamente. Não se percebe por isso esta lamuria generalizada acerca de tudo e mais um par de botas. Ele é queixinhas acerca do salário mínimo que é baixo, ele é lamentações que a habitação está cara e, modo geral, queixume que o dinheiro não chega para nada. Porra, pá. Não aborreçam, mas é. Façam-se à vida e deixem-se pieguices. Olhem o dr. Macaco, por exemplo. O coitado, apesar de ter um curso superior, só conseguiu um emprego onde apenas aufere o ordenado mínimo, mas apesar disso consegue ter uma casa de trezentos metros quadrados perto do mar, automóveis topo de gama, faz férias na estranja e ainda lhe sobra dinheiro para ir à bola todas as semanas. Isso é que é saber gerir os recursos, mesmo tendo um patrão explorador que lhe paga uma miséria. Um português de sucesso, portanto. Daqueles que em vez de se ficar a lamentar resolveu meter as mãos na massa. Um exemplo contra a nacional pieguice, até. Espero que o Marcelo lhe dê uma medalha. O homem merece.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Profilaxia à base da enxada

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Toda esta radicalização a que assistimos desde há alguns anos era desnecessária. Não traz nada de novo nem, muito menos, de positivo. Já ocorreram fenómenos parecidos noutros tempos e os resultados são conhecidos. Deverá existir uma qualquer explicação, mais ou menos científica, que identifique as causas que conduziram a isto. Provavelmente terá a ver com a infantilização da sociedade. Hoje é-se “jovem” até mais tarde. Começou nos agricultores e actualmente – com aquela treta dos “quarenta são os novos vinte” - serve para quase toda a gente. É só esticar mais um bocadinho. O que explica a conhecida teoria de que “se aos vinte não fores de esquerda, não tens coração. Se aos quarenta ainda fores, não tens juízo”. Recordo-me de, quando era gaiato, os mais velhos recomendarem a enxada como meio mais adequado para o tratamento dos mais variados desvios comportamentais e chamar à razão os papagueadores de ideias parvas. Parecia-me, na altura, injusto. Lá está, tinha pouco juízo. Hoje faço igual recomendação e vou, até, mais longe. Forneço a ferramenta e, para efeitos de terapia, disponibilizo cerca de cem metros quadrados de terreno para cavar.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária

Segundo uma alegada sondagem, um pretenso estudo de opinião ou uma análise de mercado hoje publicada na capa de um pasquim da nossa praça os inquiridos – que, supostamente, representarão o sentimento dos portugueses – consideram Montenegro mais honesto e competente e, ao mesmo tempo, que Pedro Nuno Santos está mais bem preparado para desempenhar o cargo de primeiro-ministro. Obviamente que estas coisas valem o que valem. No caso muito pouco, como amplamente tem sido demonstrado nas mais diversas ocasiões e nos mais diversos lugares. Ainda sim permito-me concluir que os alegados inquiridos serão pessoas do tipo “estou inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária”, o que me parece um princípio de vida um bocado parvo. Ou então e igualmente bastante plausível, que ser menos honesto e menos competente significa estar mais bem preparado para governar. Atendendo ao que se tem visto, se calhar é isso.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Habitação: Um negócio sem risco... para o Estado.

Nisto da habitação não há soluções fáceis. Se houvesse, há muito que tinham sido encontradas em países onde o problema é idêntico e a capacidade para resolver situações difíceis é muito maior. Daí que, para disfarçar, a oposição de hoje culpe os governantes actuais e demais partidos que os têm sustentado no poder, e estes atribuam a responsabilidade a quem os antecedeu. Mesmo que uns já lá estejam há oito anos – vai para nove – e os outros de lá tenham saído há igual período.


Há quem insista pretender em baixar o preço das casas por decreto, seja na venda ou no arrendamento. Esqueçam lá isso. Não resulta. Se outra razão não houver, setenta por cento da população ser proprietária de imóveis parece-me constituir motivo mais do que suficiente para augurar um futuro pouco risonho a quem tente concretizar tamanho disparate. Os teóricos da intervenção do Estado nos bens dos outros, que experimentem fazer obras de recuperação num imóvel de que sejam donos. De outra maneira nunca entenderão. É que isto é muito fácil falar dos preços especulativos das rendas, mas ninguém se lembra do custo não menos especulativo da mão-de-obra, dos materiais, das taxinhas, dos projectos e de um sem número de despesas que envolvem uma obra. Como se isso não fosse suficiente, no final, ainda aparece o Estado. Torna-se sócio no negócio, ao "abotoar-se" com quase um terço do rendimento gerado, sem que para além de atrapalhar tenha feito algo de útil ou investido um cêntimo.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Broncos e choninhas

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Tomar partido por um dos lados é do pior que a comunicação social pode fazer. Mas fá-lo com inusitada frequência sem que nenhuma entidade reguladora, o poder político – excepto quando lhe interessa – ou, até mesmo, a opinião pública se insurja contra tais práticas. As manifestações de ontem foram noticiadas como se de um lado estivessem os bonzinhos e do outro os malvados. Só que não. Ambos os lados são detestáveis. A maioria dos cidadãos deste país  mudaria para o passeio oposto se, por azar, se deparasse com uns em qualquer ruela mais ou menos escusa e, aos outros, jamais compraria um carro em segunda mão ou arrendaria uma casa. De ambos qualquer pessoa com juízo ou minimamente decente quererá uma salutar, prudente e higiénica distância.


A islamização do ocidente é um processo imparável. Não há volta a dar. Lutar contra isso é o mesmo que tentar parar o vento com as mãos. Trata-se de uma questão demográfica e irá ocorrer quer queiramos quer não. É, para as actuais gerações, uma causa perdida e uma tragédia para os europeus que restarem dentro de três ou quatro gerações. É a vida e comprar guerras que não se podem vencer é só parvo.


Defender que todos são bem-vindos, nomeadamente os islâmicos, são me parece mal. Pelo contrário, até se afigura como uma posição cordial e deveras amigável perante o forasteiro que todos devíamos adoptar. Não me parece é que aquela malta esquisita – pelas imagens quase se assemelhava a um circo de aberrações – saiba grande coisa acerca do que se estava a manifestar. Se soubessem desconfio que não ostentavam cartazes com porcos numa acção de apoio aos seguidores do profeta. É mais ou menos o mesmo que eu ir com uma bandeira do Benfica para a porta do tribunal solidarizar-me com o Macaco. Acho que ele não ia apreciar.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Há transgressores mais toleráveis que outros...

Se há coisa que me aborrece a um nível difícil de expressar sem recorrer ao vernáculo é a indignaçãozinha selectiva. Ou seja, ter posições diferentes sobre situações iguais ou comparativamente próximas entre si. Motivos para me indignar não têm faltado. Veja-se, por exemplo, a ideia alucinada do PCP de trazer de volta a reforma agrária “aos campos do sul”. Ninguém se indignou com a ameaça de roubo nem - se em vez de roubar a ideia for nacionalizar -fez as contas ao rombo que esse dislate causaria aos bolsos dos contribuintes. Já outras propostas igualmente parvas mereceram ampla e consensual reprovação. Com as continhas todas feitas e tudo…


Também ninguém se importou com esta arruaça dos agricultores. Ao contrário do que acontece sempre que os arruaceiros dos apanhados do clima fazem o mesmo, nenhum valentão se atreveu a remove-los da via. Nem a policia ou a GNR, entidades que até tinham obrigação de o ter feito. Mas não, é muito mais fácil multarem-me a mim – um perigoso transgressor que se atreve a circular a 64/km por hora numa zona onde, por qualquer motivo que não se vislumbra, o limite é 60 – do que autuar quem impede a livre circulação dos cidadãos. Coisa que até, imagine-se, é severamente punida pela legislação nacional. Mas ninguém se indigna com isso. Não admira. Estorvar os outros é uma cena absolutamente normal desde que se trate de uma causa da moda ou os empecilhos possam causar algum estrago eleitoral.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Em cinquenta anos não aprenderam nada...

O pior inimigo de um pobre é outro pobre que se acha rico e que defende aqueles que o tornam pobre”. Vejo esta frase replicada vezes sem conta, nomeadamente em altura de eleições, em inúmeros perfis das redes sociais de gente ligada, de uma ou outra maneira, aos sectores mais à esquerda da sociedade. Por norma merece aplausos entusiásticos de pessoas que se identificam com ela, que tratam de a partilhar e, também, reproduzir em público. Até a mim, confesso, me apetece fazê-lo de tão brilhante e motivadora que a acho. É mais uma coisa – entre muitas outras – que estou de acordo com esse pessoal. A ideia expressa por um autor desconhecido – pelo menos para mim, que sou um ignorante nestas cenas das filosofices – não podia ser mais verdadeira. De facto o maior inimigo de um pobre é outro pobre que defende quem cria pobreza. Ou seja, quem aprecia o socialismo e demais políticas esquerdalhas. Que o digam, entre outros, os cubanos, norte-coreanos e todos os povos que tiveram o azar de nascer do lado de lá da antiga “cortina de ferro”.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

"Herança social"?! Não há limites para a falta de vergonha...

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Detesto ladrões e invejosos. São criaturas pouco recomendáveis das quais, sempre que posso, procuro manter uma salutar distância. Entre outras constituem também duas das principais razões para fugir, como Maomé do toucinho, dos partidos de esquerda.
Não digo – nem, sequer, insinuo - que o programa eleitoral do Livre foi escrito por ladrões. Seguramente que não. Mas algumas das propostas apresentadas configuram um verdadeiro assalto aos bens das pessoas, provavelmente em resultado de um sentimento de inveja mal disfarçado. Entre outras, a ideia de criar um imposto sobre as heranças para financiar a tal “herança social”, dificilmente poderá ser chamada de outra coisa que não roubo.
Acredito que PNS terá igual intenção. Só não quer – nem pode – dizer, para não assustar os velhinhos que, certamente, não iam gostar de saber que o resultado do seu trabalho e das suas poupanças vai servir para financiar a malandragem. E eu, que já não vou para novo, também não tenho interesse em financiar invejosos.