Os paineleiros e comentadores que nas televisões tentam desesperadamente influenciar o sentido de voto dos portugueses e, modo geral, as redacções dos órgãos de comunicação social vivem numa espécie de bolha que os isola do sentimento das pessoas que vivem no país real. Aquilo deve ser gente que apenas fala uns com os outros e que vive num circuito fechado onde todos pensam da mesma maneira. Daí que achem que o mundo é como eles o veem ou como eles querem que seja. Mas não é. Aquele pagode ainda não deve ter percebido que ninguém lhes liga e que a realidade é, quase sempre, muito diferente daquilo que eles projectam ou, pior, comentam ou analisam horas a fio. Fazem lembrar o ministro da Informação do Iraque ao tempo da invasão americana, os trastes.
Veja-se, por exemplo, o caso do Chega. Andam há anos a malhar naquela agremiação. Todas as conversas daquela malta, quando o assunto é política, vão lá parar. Sempre a alertar para os perigos que decorrem do seu crescimento e consequentes malefícios que isso traria para a sociedade em geral. O resultado é o que já se viu e o que, tudo indica, se vai voltar a ver daqui por uma semana. Se calhar, digo eu, fazia-lhes bem sair à rua e perceber que há mais vida para além das redacções, dos estúdios das Tv’s e do Twitter.
Este mesmo comportamento está agora a ser replicado em relação à AD. Não creio que tenham sucesso. Mesmo uma mais que provável vitória do PS não se ficará a dever ao inusitado apoio que a comunicação social presta aos socialistas. Ela será, simplesmente, natural. Estranho seria se assim não fosse. Até eu, se olhasse apenas para o meu umbigo, teria todas as razões para votar naquele partido. Mas não. Os meus problemas de visão são apenas a ver ao perto. Ao longe, felizmente, vejo muitíssimo bem.
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