quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Quê...

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Não acredito! Pode lá ser! Vão ver é como diz o outro: “Isso não é bem assim...” Então o Estado, ainda mais nos últimos anos em que é governado à esquerda, ia lá fazer uma coisa dessas?! Tal como não o faria nenhuma daquelas autarquias onde este figurão tem uns “investimentos”. Decerto nenhum autarca terá tido o topete de conceder benefícios fiscais, ou criar as condições objectivas, subjectivas ou outras para o sujeito beneficiar de isenções no âmbito do IMI, IMT ou seja do que for. Se não o fazem para o IRS do comum dos cidadãos iam lá fazer para este gajo?! Mas tá tudo parvo ou o quê?! Podemos não gostar deles, mas temos de confiar na coerência e no sentido de justiça - e também do ridiculo, já agora - dos nossos politicos.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

T'arrenego, satanás! Vade retro, cenário macro-económico!

Afinal, contra todas as expectativas e ao contrário do que reiteradamente nos têm tentado convencer, o diabo continua a andar por aí. Agora, ao que parece, anda disfarçado de cenário macro-económico, ou não fosse o mafarrico um especialista na arte da dissimulação. É por causa dele, do belzebu, que este ano não há aumento de vencimento para a função pública. Tirando, claro, para aqueles que ganham o ordenado mínimo e para os desgraçados que o vão passar a auferir, engrossando assim o número cada vez maior de pobres. Aos outros, os que se vão aproximando cada vez mais da pobreza, ficam à espera que o SMN os apanhe para, então sim, terem direito a aumento.


Por mim não acho mal isso da ausência de crescimento salarial. Nem eu, nem a malta que noutras ocasiões reclamava até da pouca valorização do subsidio de refeição. Quando nesses tempos, para além do vencimento, o dito subsidio era actualizado em meia dúzia de cêntimos, não faltavam os defensores dos trabalhadores e do povo a bufar contra um aumento que nem dava para uma carcaça. Agora estão calados que nem ratos. Pior. Exultam por o funcionário que limpa a retrete já ganhar mais do que o colega que lhe processa o vencimento. Coisas do tinhoso. Ou do cenário macro-económico, que é mais democrático.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Cerejas, caroços e afins

Infame, a ser verdadeiro o vídeo que por aí circula, o comportamento daquela senhora forte que exerce o cargo de presidente de junta de freguesia. Aquilo incomoda qualquer um que se incomode com a falta de vergonha dos que escolhemos para nos representar. Mas, de uma ou de outra forma, é um “modus operandi” que, não constituindo regra entre os autarcas, se repete em demasia. Seja com cerejas ou com outra coisa qualquer. Só falta, naquele vídeo, a rechonchuda criatura afiançar que a culpa não é dela mas dos patifes dos funcionários que lhe estavam a enfiar a fruta pelo carro adentro e, por consequência, deviam ser eles a pagar a conta. Não constituiria, se o tivesse feito, nenhuma originalidade. Já outro tentou que lhe pagassem as “cerejas”. Parece é que se engasgou com os caroços...

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

No fim pagam os mesmos...

A ideia de tornar obrigatório o englobamento de todos os rendimentos para efeitos de IRS, defendida pela esquerda, não me parece descabida. Tem, pelo contrário, toda a lógica. É, de resto, uma opção que os contribuintes já hoje podem usar, caso isso lhes seja mais favorável. O problema está nas taxas do imposto. São um roubo. E o pior é que ninguém parece incomodado com isso. Está tudo anestesiado pela propaganda, gostam de ser roubados ou estão convencidos que isso apenas afecta os ricos. Que são, como se sabe, uns patifes que merecem ser exterminados. O que, a acontecer, tornará os pobres muito menos pobres e, simultaneamente, bastante mais felizes. Embora, para a nossa bitola, o rico seja o gajo que tem – ainda que só na aparência – um pouco mais do que nós.


O debate tem-se centrado, essencialmente, nos rendimentos prediais. Que, face à fraquissima remuneração do capital, serão o objectivo desta eventual alteração legislativa. Por mim, reitero, não se afigura despropositada. Rendimento é rendimento, seja lá qual for a proveniência. Desconfio é que as vitimas vão ser as do costume. Nomeadamente quem precisa de arrendar casa. É que não estou a ver alguém a prescindir do seu dinheiro para o entregar de mão beijada ao Estado. Será, como é óbvio, o inquilino a pagar a “factura”. Ele que agradeça à esquerda!

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Miséria engravatada

Tenho alguma dificuldade em perceber este frenesim esquerdista à volta do salário mínimo. É que, assim de repente, para além de aumentar o leque de subsidio-dependentes – o que é bom para os objectivos eleitorais da dita esquerda – não estou a ver em que medida o crescimento do SMN vai melhorar a vida seja de quem for. O dinheiro na carteira até pode ser mais, vai valer é bastante menos. Só um tolo acreditará que o aumento dos custos não terá, quase no imediato, reflexo nos preços nos bens de consumo o que, só por si, engolirá o generoso aumento oferecido pelo governo.


O objectivo, presumo, será encostar ainda mais a retribuição mínima ao salário médio e por esta via continuar a empobrecer o país. No caso os trabalhadores e povo, como diz o outro. Embora, como garantia um sindicalista, essa cena do salário médio não passe apenas de um conceito. Auferido por gente preconceituosa, calculo que tivesse vontade de acrescentar. Já quanto à intolerável carga fiscal que temos de suportar – quem trabalha, saliente-se – o homem nada disse. Nem precisava. Sei desde há muito que para os sindicatos existem trabalhadores de primeira e trabalhadores de segunda e os que, por enquanto, ainda estão acima do SMN não lhes interessam nada. É por isso que para mim os sindicalistas são todos iguais. Todos de terceira.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Autárquicas 2021

Surpreendentes, os resultados das autárquicas. Isto porque contrariaram, no que diz respeito a alguns municípios de maior dimensão, as sondagens e as opiniões de todos os opinadores de serviço. Prova que opinião pública e opinião publicada só muito raramente coincidem. E se Lisboa foi a surpresa maior, as perdas do PCP – que muitos insistem em incluir no lote dos resultados pouco expectáveis – não me parece que mereçam o mais pequeno espanto. A estranheza, a existir, será apenas por, apesar de tudo, os comunistas ainda exercerem o poder em quase uma vintena de autarquias.


Nestas eleições intervieram, directa ou indirectamente, um inusitado número de dinossauros do poder local. Intriga-me esta indómita vontade de exercer o poder. Nomeadamente aqueles que ou já tem idade para ter juízo, ou gozam de uma saúde física e financeira que lhes permite viverem a vida sem os aborrecimentos do exercício de um cargo que, em muitas circunstâncias, dá mais chatices do que outra coisa. Gente que governou anos a fio – dezenas, às vezes – e que, por uma qualquer razão que foge à minha compreensão, insiste em perpetuar-se no poder. Desconheço o que os move mas, seguramente, não será apenas a nobre missão de bem servir o povo. Deve ser, se calhar, a vontade de morrer presidente. Como a que parece assistir ao agora eleito presidente de um município vizinho que, aos setenta e seis anos e após uma extensa carreira política, voltou a ocupar a cadeira do poder. Por cá, há quem garanta ser provável que alguém, num futuro próximo, lhe siga o exemplo. Talvez. Mas se isso acontecer, a vergonha – ou falta dela – não será só dele. Será, principalmente, nossa.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Santos e pecadores

Desta vez tenho seguido com especial atenção, como gajo atento a estas coisas da política, a propaganda eleitoral dos diversos candidatos aos órgãos autárquicos cá da terra. Nomeadamente ao que se vai publicando nas redes sociais. A julgar pelas muitas fotografias que o partido – movimento, ou lá o que é - no poder foi divulgando, parece que, nos últimos doze anos, foi feita obra até mais não. E, se calhar, foi mesmo. Se eles dizem, não sou eu que os vou contrariar. Do que tenho a certeza é que no meu bairro, nesta dúzia de anos, não fizeram coisíssima nenhuma. Nada. Népia. Nem sequer, assim que me lembre, plantaram uma árvore. Ou, ao menos, um arbusto, vá. Isto apesar do líder espiritual deles e de mais uns quantos discípulos habitarem aqui. Deve ter a ver com aquela reconhecida incapacidade dos santos de ao pé da porta...

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

E um dia europeu sem activistas, não se arranja?

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Simpatizo muito pouco com as causas ambientais. Principalmente quando a alegada luta dos chamados activistas se transforma numa espécie de palhaçada inconsequente. Como, por exemplo, o dia europeu sem carros. Data que, felizmente, de há uns anos a esta parte passa praticamente despercebida. Não sou, de forma nenhuma, um adepto do automóvel. Sempre que posso – e posso muita vez – ando a pé. A principal razão para o fazer é que não gosto de pagar impostos. É uma coisa que me aborrece e da qual fujo como o diabo da cruz.


Ora o automóvel constitui uma importante fonte de financiamento do país. Se todos seguissem o meu exemplo ou as exigências dos apanhados do clima fossem aplicadas, a receita pública teria uma quebra significativa e tudo aquilo que são as funções do Estado seria colocado em causa. Convinha, portanto, que houvesse juízo. Que isto o capitalismo não é verde mas os activismos bacocos, especialmente em matérias ambientais, põem as contas públicas no vermelho.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Uma questão de papel

Muito papel – de boa qualidade, diga-se – já me deram nestas autárquicas. Mais no que em eventos análogos realizados anteriormente, acho eu assim à primeira vista. Deve ser pela quantidade de candidatos. É que, sem ofensa para ninguém muito menos para os candidatos, são sete cães a um osso. Daqueles que apetece chupar até ao tutano, ao que parece. Tanto assim é que quem o tem abocanhado faz o que pode para o manter entre os dentes.


Mas, dizia eu, isto é papel até mais não. Sem necessidade. Excepto, quiçá, para os colecionadores. Se é que os há. Embora entre a vizinhança haja quem garanta que é material do bom para forrar o balde do lixo. Nomeadamente agora, que o plástico começa a rarear. De resto, quem lê um lê todos. É que isto nem promessas de jeito temos para apreciar. Eu já nem digo o teleférico do Rossio até ao Castelo, o centro de acolhimento a investidores de outros planetas ou mais um investimento chinês qualquer. Contentava-me que alguém se propusesse abdicar da totalidade do IRS que cabe à autarquia. Menos de quinhentos mil euros em mais de vinte milhões – dados oficiais publicados no site do município – não devem fazer assim tanta diferença. Um presidente ganha isso em dez anos...

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Ainda alguém se lembra das gorduras do Estado?

Muito se falou e escreveu, noutros tempos, acerca das gorduras do Estado. Hoje, pelo contrário, o que está em permanência na ordem do dia é a excessiva magreza do dito. Até parece que foram removidas todas as adiposidades e, fruto de um qualquer zeloso nutricionista, o Estado ficou apenas com a pele e o osso. Só que não. Por mais que a propaganda oficial da esquerda comunista, bloquista, estado-dependente e outros malucos diversos nos queiram fazer acreditar, o Estado português fica a cada dia mais gordo.


Uma dessas gorduras, por sinal daquelas perigosas, é aquela coisa a que deram o sugestivo nome de “comissão para a igualdade contra a discriminação racial”. O tal comité que resolveu implicar com um cartaz de um partido político por, na sua opinião, conter uma mensagem discriminatória relativamente aos cidadãos chineses. Só porque usava a expressão em “Mao Maria” e lamentava o facto de os habitantes do concelho andarem à quarenta e cinco anos a “comer arroz”. Um piadola eleitoral, evidentemente, que desagradou aos comissários.


Lamentavelmente os ditos comissários não serão apenas uns macambúzios com pouco apreço por graçolas que envolvam regimes políticos apreciados pela esquerda. Numa breve vista de olhos pelo seu site, na parte onde publicam as decisões, aparentam ser um pouco mais do que isso. Assim quase uma espécie de grandes educadores do povo, no âmbito da linguagem. Para além de diversas coimas aplicadas a expressões usadas por espectadores de jogos de futebol – curiosamente, ou talvez não, nenhuma dirigida aos árbitros – também alguém foi devidamente punido por numa “situação de atendimento ocorrida num supermercado, em que o funcionário referiu a palavra “sapo” na comunicação com uma cliente, expressão suscetível de ofender pessoas pertencentes à comunidade cigana, consubstanciando uma prática discriminatória em razão da origem étnica na forma de assédio”. Da próxima vez que me perguntarem o endereço do blogue ou pedirem o e-mail, vou ter de olhar ao redor não vá alguém ouvir e ficar ofendido e queixar-se a essa gordura do Estado. Gordura vegetal, vá. Só para evitar discriminações, ofensas e assédios.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Gente que nem f*** nem sai de cima...

No Alentejo não se pode fazer nada sem que isso suscite a indignação dos patetas de Lisboa. Ou de outros. Agora até uns bacocos de uns alemães se insurgem contra explorações agrícolas do sudoeste alentejano. Como se não chegassem os que se irritam com a culturas intensivas, a criação de gado, o turismo no Alqueva, a caça, a pesca desportiva, os painéis solares e mais sei lá o quê. Para esta gente o Alentejo devia ser um deserto, sem nada nem ninguém. Apesar da voz destas alimárias ser cada vez mais escutada, não terão essa sorte. A vida é feita de ciclos. Uns melhores, outros piores. Acredito que o pior do ciclo mau desta região já tenha ficado para trás e que no futuro, com tudo isto que os urbano depressivos odeiam e muito mais, o Alentejo deixará de ser o parente pobre do país. E, principalmente, nunca será a reserva de “índios” que tanto anseiam por ter ao pé da porta. Num fundo são uns tristes. Daqueles que nem f**** nem saiem de cima, como diria o meu avô.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Perguntas parvas

Um candidato de esquerda a uma autarquia chama panasca a um adversário político, no caso de direita, igualmente candidato à mesma autarquia. Um destacado deputado tece considerações pouco abonatórias sobre a orientação sexual, recentemente revelada, de um eurodeputado do PSD. Uma ministra vai para um serviço público berrar com os funcionários. Sobre estas ocorrências já passaram alguns dias mas, até agora, ainda ninguém de esquerda piou. Onde andam os “colectivos” de defesa da maricagem?! Onde pára o Bloco de Esquerda? E aquela comissão, paga pelos nossos impostos, para a igualdade e cidadania, ou lá o que é, já processou alguém? O PCP e a CGTP já se puseram ao lado dos trabalhadores, condenando veementemente a prepotência e os métodos salazaristas da ministra? Nem sei para que estou para aqui a fazer perguntas parvas...já tenho idade para saber que as bichas boas são as de esquerda e que ministros prepotentes só no tempo do Passos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Onde vota um votam todos?! Tá tudo parvo, é o que é...

Diz que o Ventura é o cabeça de lista do Chega à Assembleia Municipal de Moura. Provavelmente não vai ganhar. Nem, mesmo que vença, a sua eleição alterará o quer que seja. As assembleias municipais são órgãos de relevância muito limitada - quase decorativos, diria - limitando-se a sua competência a pouco mais do que aprovar ou rejeitar as propostas da câmara.


Haverá nesta candidatura, quando muito, um simbolismo bacoco. Aplicando a bacoquice do simbolismo que lhe atribuem aos dois lados. Os “pró” e os “anti”. Daí que me pareça absolutamente parvo, quiçá até ligeiramente anti-democrático e eventualmente a merecer uma intervenção da Comissão Nacional de Eleições, que os ciganos lá do sitio se juntem para decidir em conjunto o partido em que – todos – vão votar. O lema, ao que leio, será “onde vota um votam todos”.


O comportamento de manada é perigoso. Seja qual for o objectivo ou a fauna envolvida. No caso, dentro da comunidade em questão, haverá gente com opiniões e interesses diversos que, só por idiotice alinhará neste esquema. Se a ideia – legitima, diga-se – é que o peso eleitoral do dito candidato seja o menor possível, basta-lhes ir votar ao invés de, como é hábito da maioria daqueles cidadãos, ficarem em casa. Se todos, cada um de acordo com a sua livre escolha, votar noutro partido que não o Chega o resultado percentual deste será exactamente o mesmo. E ganha a democracia.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Vai ser cá um crescimento do PIB na freguesia...ui, ui!

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Admito que por razões válidas – embora, assim de repente, não esteja a ver nenhuma – os candidatos aos órgãos políticos locais assumam a vontade de manter os impostos e taxas sobre os quais incide o seu poder de decisão, nos valores actuais. Ou por acharem que sãos os adequados, apenas porque sim ou, até mesmo, por simples demagogia populista.


O que já não admito – ou melhor, admito, que outro remédio tenho eu se não admitir – que existam forças políticas que nada propõem em matéria de IRS, mas prometem, caso cheguem ao poder, isentar os fregueses do pagamento da licença do canito. Por mim, obviamente, estou absolutamente contra. Por várias razões. Mas fico-me por duas. Uma é que esta licença, até por questões ambientais, devia ser muitíssimo mais cara e ser objecto de uma fiscalização digna desse nome. A outra é que esta borla não beneficia quem não tem cão e, outro aspecto a ter em conta, pode comprometer o apoio que a Junta deve providenciar aos cães vadios.

sábado, 4 de setembro de 2021

É só fumaça...

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Descarto qualquer hipótese de incluir no rol das minhas preocupações a possibilidade do céu se abater sobre a minha cabeça. Nem, sequer, tenho nenhuma espécie de temor que algum avião se despenhe em cima de mim. Mas lá que o espaço aéreo cá da zona estava hoje especialmente congestionado, lá isso estava. E, garanto, a imagem mostra apenas uma pequena parte dos rastos que, logo pela manhã, ainda eram visíveis. Ao contrário do que aconteceu durante meses, em que nada disto se via nos nossos céus. Sinal, mais um, de que felizmente a vida, tal como a conhecemos, está de regresso.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

A eficácia da bazuca

Segundo um dos muitos estudos que todos os dias se publicam, a maioria dos portugueses desconfia da eficácia da chamada bazuca. Acham que os fundos europeus aplicados no PRR vão deixar tudo na mesma. Não estou, assim de repente, a ver nenhum motivo razoável para tanto cepticismo. Vai mudar alguma coisa, sim senhor. Vidas haverá que vão melhorar muito. Atente-se ao que aconteceu com os anteriores quadros comunitários e veja-se o quanto a vida de alguns melhorou nesse espaço temporal. É só ver onde moravam antes e onde moram agora, que carros tinham então e que automóveis têm hoje, onde petiscavam noutros tempos e onde se repastam nos dias que correm. Nada disso deve constituir surpresa. Nem, de resto, a evolução destes espécimes representa qualquer indicio de marosca. É apenas a vida, como diria o outro. Ou, como se cá estivesse haveria de dizer a minha avó, para ficarem todos mal mais ficar só um bem.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Impostos bons e impostos maus

Isto do IRS enerva-me. Ouvir argumentos a defender a manutenção das elevadas taxas a que vencimentos miseráveis estão sujeitos, só para que outros ainda mais miseráveis não se sintam prejudicados, dá-me cabo dos nervos. De acordo com este ponto de vista nunca nenhum imposto pode baixar. Desde o ISP ao IVA. O primeiro porque o pobres não têm carro ou fazem menos viagens e o segundo porque os ricos compram mais e se o IVA baixasse tirariam daí mais beneficio. Um pouco, convenhamos, o argumentário daqueles que são contra a taxa plana do imposto sobre o rendimento.


É uma ideia interessante, essa, a de fazer justiça social através do IRS. Lamentavelmente parece ser o único imposto com queda para justiceiro. O IMI e o IMT são uns mariquinhas. Verdadeiros cobardes, até. Pior. Esquivam-se a ajudar os pobres de uma maneira perfeitamente ignóbil. Basta um gajo, coitado, cheio de boas intenções declarar que um pardieiro qualquer é, afinal, um chalé todo catita e cheio de pedigree, que aquela dupla de tributos deserta de imediato da guerra contra a pobreza e nunca mais ninguém o vê a lutar pela justiça social. Mas não faz mal. Quem precisa de estrupícios como o IMI e o IMT quando tem o IRS?

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Um caso pouco sério

Nunca levei essa cena da religião muito a sério. Confesso até que, por vezes, acho-lhe uma piada dos diabos. Como agora, por causa dessa polémica que por aí anda, em resultado da leitura da epistola do tal Paulo que manda as mulheres baixar a bolinha e obedecer mas é aos respectivos consortes. Uma lengalenga velha como o caraças que eu me lembro de ter ouvido, pela primeira vez há mais ou menos quarenta anos, recitar a um padre na cerimonia religiosa de um casamento. Palavreado que, recordo-me como se tivesse sido hoje de manhã, nessa ocasião deu origem a uma animada troca de piadolas entre alguns convivas mais jovens.


Mas, reitero, acho piada a toda esta polémica. Isto porque, tal como eu, a esmagadora maioria dos indignados com a leitura do tal texto não leva a religião a sério. E, por outro lado, até a própria igreja vem agora esclarecer que a tal passagem da bíblia não é para levar a sério. Ou seja, se a igreja não se leva a sério e se os indignados de ocasião não levam a igreja a sério, por que raio estão a fazer disto um caso sério? A sério pá, não vale a pena.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

A velha carcaça

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Vender é uma arte. Há até quem consiga convencer os outros a adquirir algo de que não precisam e que, em condições normais, nem dado aceitariam. Contudo não vivemos na normalidade. São tempos estranhos, estes. Tão estranhos como seria ver esta velha carcaça de novo a navegar. Mas pode acontecer. Por muito improvável que nos pareça, ou por mais tempo que demore a surgir um comprador, haverá sempre alguém disposto a compra-la. É por isso que as velhas carcaças continuam por aí. Enquanto existirem “jeitosos”, daqueles que gostam de “untar as mãos” a recuperar estas coisas, as velhas carcaças manter-se-ão sempre à tona.

domingo, 22 de agosto de 2021

Adoro os impostos dos outros...

Os portugueses gostam de impostos. Nomeadamente do IRS. Num país onde muito mais de metade da população escapa a esse tributo, não surpreende que assim seja. Os políticos, os nacionais e os locais, jogam com esse sentimento e têm ao longo dos últimos anos esticado a corda a seu belo prazer. Os primeiros, subindo a taxação sobre os rendimentos como muito bem lhes apetece e os segundos não prescindindo nem de uma migalha da fatia que lhes é destinada.


O Costa, como político experiente que é, sabe melhor do que ninguém jogar com esta mesquinhez. Daí que venha agora prometer uma baixa no IRS e, como já o fez noutra ocasião, acabe por, com sorte, a redução se ficar por valores meramente residuais. Daqueles que não dão nem para um café por mês ou uma carcaça por semana. Só para usar um termo de comparação que o pessoal da esquerda percebe.


Li um número relativamente significativo de comentários produzidos a propósito destas declarações do primeiro-ministro. Acredito que constitua uma amostra, mais ou menos fiável, do pensamento dos portugueses. A conclusão a que chego expressei-a no inicio do texto. Somos um povo que temos um carinho especial por impostos. Queremos cada vez mais despesa e temos uma imaginação prodigiosa para sugerir novos impostos que financiariam as nossas divagações. Daqueles que apenas seriam os outros a pagar, nem preciso esclarecer. Que isto a malta padece de iliteracia financeira aguda, mas não é parva.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Agricultura da crise

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A melancia da crise, no caso. A única sobrevivente dos dois pés que plantámos lá na cooperativa. (Cooperativa por ser o resultado da cooperação com a minha Maria, nada de confusões). Nenhuma das demais sobreviveu mas, ainda assim, atrevo-me a considerar a experiência como um sucesso. Não apenas pela qualidade, a mais saborosa que comi este ano, mas essencialmente por esta Citrullus lanatus, contra todas as expectativas, ter chegado à nossa mesa - hoje ao jantar, mais precisamente -  sem aqueles pózinhos pirilipimpim que as tornam mais vermelhas do que a camisola do maior clube do mundo. 

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Planeta dos macacos

Se, como naqueles passatempos da adolescência, tivesse de escolher um filme para caracterizar o que se está a passar no Afeganistão não teria grandes dúvidas em optar pelo “Planeta dos macacos”. Parte dois, no caso. Aquilo, a começar pelos protagonistas, é mesmo do que dá ares.


A dificuldade é maior em encontrar adjectivos que exprimam o que sinto pelos muitos que, de uma ou de outra forma, manifestam compreensão pela actuação dos símios que tomaram o poder e, pior ainda, criticam todos aqueles que desesperadamente tentam deixar o país. Falar é fácil. Nomeadamente quando se está a vários séculos de distância.


Não deixa de ser curioso é que, desta vez, muitos dos que têm andado a defender que a Europa tem obrigação de acolher as hordas de migrantes africanos e asiáticos, não mostrem agora a mesma disponibilidade para reivindicar o acolhimento dos afegãos. Se calhar, digo eu, era altura de exigirem uma ponte aérea que conseguisse tirar daquele inferno todos, mas mesmo todos, os que se recusam a viver governados por macacos.

domingo, 15 de agosto de 2021

Dinossauros que não sobrevivem longe do poder ou a infinita vontade de bem servir o povo...

Com o aproximar da data das eleições começam a aparecer as primeiras sondagens. Para um concelho relativamente próximo as intenções de voto, apuradas por uma empresa da especialidade, dão uma claríssima vitória – maioria absoluta – ao actual presidente. Não surpreende. Por norma apenas os eleitos mais inaptos para esta coisa da política são apeados do poder.


O que me surpreendeu, quando vi a dita sondagem, foi constatar que um ex-presidente vai mais uma vez a votos. O homem esteve no poleiro uma dúzia de anos, perdeu na primeira tentativa, tem mais do que idade para ter juízo,terá todas as condições para gozar a reforma mas, mesmo assim, insiste em candidatar-se. Para quê? O que move esta gente? O desejo de servir os outros é assim tão grande? E, ao que consta, não será o único a insistir no regresso ao poder. Haverá mais, ao que me dizem. Alguns até, ao que sugerem as más línguas, por interposta pessoa. Acredito que a vontade de trabalhar em prol dos respectivos munícipes seja mais que muita. Mas, desculpem lá, já estou como diz o outro. Toda a dúvida é legitima. Se estão assim tão interessados no bem comum, no melhor para as vossas terras e blá blá blá, por que raio não vão fazer voluntariado? Ou, adaptando um dichote presidencial de outros tempos, desapareçam seus jurássicos, desapareçam!

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Não há bicicletas grátis

Parece que o governo vai esturrar três milhões de euros a comprar bicicletas para as escolas. Para ensinar os meninos a andar de bicicleta, diz. Ainda que admitindo a existência frequente de maneiras piores de esbanjar dinheiro, não se me afigura que isto constitua uma necessidade ou, sequer, que alguém com um nível de bom senso ligeiramente acima de zero possa considerar que estamos perante uma prioridade que justifique esta ida ao bolso dos contribuintes. Se existe folga orçamental então que se diminua a carga fiscal. Os quarenta e sete por cento dos que trabalham, para sustentar os restantes e financiar estes e outros devaneios destes malucos, certamente ficariam agradecidos.


Mas não é apenas a parte do gastadouro de dinheiro público – público é uma maneira de dizer, porque todo o dinheiro do Estado é gerado pelos impostos para por particulares e empresas – que me suscita alguma irritabilidade. É que, assim de repente, não estou a ver por que raio há-de ser a escola a ensinar as crianças a andar de bicicleta. Então os papás e as mamãs servem para quê? Para tirar as fotos e publicar as fotos dos pirralhos na internet? E essa treta de que nem toda a gente tem dinheiro para comprar uma bicicleta é, também, conversa para embalar totós. Qualquer puto ranhoso tem nas mãos um telemóvel tão caro – ou, até, mais – do que uma bicicleta.


O ambiente e a sua alegada defesa estão na moda. Daí que, cada que o governo nos vai ao bolso – seja com medidas destas ou com a criação de novos impostos “verdes” – a manada abana o chocalho. Ou, como diria a minha avó, vão-lhes à peida e eles gostam.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Agricultura da crise

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Pouco percebo de alterações climáticas. Mas, se calhar, na perspectiva de alguns fundamentalistas isto constitui uma heresia. Um crime, quase. Seriam gajos, se vissem a foto, para se questionar acerca da quantidade de água que foi precisa para produzir estes produtos e, provavelmente, suscitar mais umas interrogações sobre a sustentabilidade do planeta que a mim, pobre agricultor das horas vagas, nem me ocorrem.


Confesso o meu cepticismo sobre as teorias dessa malta do clima. Tão grande, ou parecido, com o que tinha acerca dos resultados da agricultura da crise quando tudo isto foi plantado. Vá lá que não se concretizou e o resultado está à vista. Tudo isto, mais as colheitas anteriores e o que ainda há para colher. Para principiantes a coisa não está má. E, esclareça-se, tudo verdadeiramente natural. Do mais que há. É que estes, ao contrário dos ditos biológicos que podem incorporar até cinco por cento de ingredientes não biológicos, não têm um único produto químico. Zero por cento. Mais biológico é impossível.

domingo, 8 de agosto de 2021

“Pontapear ela”, a gramática.

Estou muito longe de constituir um exemplo, seja para quem for, no que se refere ao bom uso – escrito ou falado – da língua portuguesa. Por vezes arrefinfo-lhe com cada pontapé que só visto. Ou ouvido, depende das circunstâncias. Mas tudo tem um limite. E o meu é atingido quando leio ou ouço barbaridades como “vou ajudar ele”, “procurei ela” e outras bacoradas parecidas, escritas e pronunciadas por gente que sempre viveu deste lado do Atlântico. Pior ainda quando expressões desta natureza são usadas por gente que frequentou a escola no tempo em que esse era um local onde se aprendiam coisas - nomeadamente português – e não servia apenas, como agora, para adquirir competências. Seja lá o que for que isso signifique.


Um destes dias, num serviço público, ouvi uma destas calinadas. Espero que a criatura não escreva da mesma forma. Nem é tanto pelo exemplo pois, no caso, “despedir ela” não deixaria de ser adequado. Mas não. “Contratar ela” é, nos tempos que correm, muito mais utilizado. Tudo, obviamente, para “ganhar ele”.

sábado, 7 de agosto de 2021

Mudam os tempos...mas continua a mesma vontade!

Agora é que vai ser. Depois de anos a prometer tomar conta das casa devolutas, para as arrendar a preços módicos, parece que o governo vai mesmo avançar com esta intenção tantas vezes anunciada. Caberá, segundo a proposta, às autarquias tratar do assunto.


Tal como caberá aos portugueses proteger os seus bens dos comunistas e outros malucos que tomaram conta do poder e, também, de toda a cambada de invejosos, mal-feitores diversos e corruptos vários que virão a estar envolvidos nesta negociata. O primeiro passo será contornar o conceito de “devoluto”. O que, acredito, não vai ser difícil.


Como sempre acontece quando se caminha para o socialismo, as primeiras medidas são sempre fofinhas. E esta, à primeira vista, também parece. Mas não é. Constituirá, isso sim, mais uma forma de discriminação. Nomeadamente dos que pagam impostos e que, para além de ter de pagar as casas que compraram sabe-se lá com que sacrifício, vão ter de pagar igualmente as daqueles que não entendem conceitos básicos como trabalhar, poupar ou investir.


Requalificar as cidades deve constituir um imperativo nacional. Daí que até eventualmente podia concordar com esta proposta se, em lugar de “devoluto”, o critério usado fosse “degradado”. Mas isso não é coisa que assista aos comunas e afins que nos governam. A roubar, roubam o que é bom. Já vimos este filme nos tempos da reforma agrária.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Censurável? Depende...

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Parece que sujar paredes constitui um daqueles direitos inalienáveis que a constituição parida em pleno período revolucionário – no tempo em que caminhávamos alegremente para o socialismo – definitivamente consagrou. Lamentavelmente este meio de desinformar e de difundir mensagens comprovadamente falsas, escapou à fúria dos censores que elaboraram e aprovaram a lei da censura. Aquela que ainda recentemente tiveram oportunidade de alterar mas que, em vez disso, prefiram manter tal como estava. Ou seja, se escrever no Kruzes ou no meu perfil do Facebook – onde apenas duas ou três criaturas vão ler – o mesmo que as imagens mostram, sou gajo para ter uns quantos aborrecimentos. Já ao palhaço que andou a borrar paredes com parvoíces - vistas diariamente por centenas de pessoas – nada acontece. É justo.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

O deserto à nossa porta

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Os dados revelados pelos últimos censos são aterradores e deviam ter feito disparar todos os alarmes. Embora, afinal, não constituam mais do que a confirmação daquilo que já todos sabíamos. Uma vastíssima região do país está a definhar, a morrer e a transformar-se num imenso deserto e poucos se importam com isso. O que interessa às pretensas elites é discutir não-problemas como o racismo, atribuir privilégios às novas minorias de malucos, garantir que os animais têm tantos direitos como as pessoas ou criar novas causas cada vez mais desvairadas. O resto não interessa. Muito menos as pessoas que insistem em ficar nestes territórios, para onde “eles” se deslocam em massa aos fins de semana, e que quanto menos cá estiverem menos os incomodam.


Nisto da diminuição acentuada da população não culpo só os políticos. Nem os nacionais, nem os locais. Estes últimos, então, fazem o que podem para fixar população. Criam emprego que se fartam. No Alentejo, nomeadamente, quase toda a gente trabalha – está empregada, vá, que trabalho é outra coisa - na Câmara da respectiva localidade. Assim quando algum empresário, dos poucos que ainda restam, pretende recrutar trabalhadores tem de recorrer a mão de obra estrangeira e, consequentemente, trazer gente para o concelho. Parece uma boa estratégia. Por um lado fixa-se o eleitorado e por outro luta-se contra a desertificação. Pelo menos na primeira vertente tem dado resultado.

domingo, 1 de agosto de 2021

Os feijões da crise

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Tem sido uma época agrícola interessante, esta. A agricultura da crise, agora numa nova dimensão, tem proporcionado resultados surpreendentes. É, como diria alguém, a admiração da malta. E por malta entenda-se, como diria outro alguém cujo nome não será igualmente mencionado, eu e um grupo reduzido de nós. Até, contra todas as expectativas, o feijão se reproduziu em grande quantidade. Vamos ver se é desta que começo a achar que este legume é comestível...