sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Os "grupos de pessoas" estão isentos de confinar?

Um dia destes as televisões encheram-se de gente indignada porque uns quantos cidadãos resolveram ir passear para a beira-mar. Alguns, as Tv’s fizeram questão de mostrar, nem usavam máscara. Parece que passear, seja onde for, é coisa que não se pode fazer por estes tempos. Os mais variados especialistas, das mais variadas especialidades, tratam de nos recordar que temos é de ficar em casa e não andar por aí a fintar a lei. Por mim não posso estar mais de acordo. Se é a lei, então que se cumpra.


Ontem, em Setúbal, “um grupo de pessoas” resolveu sair à rua – muitas sem máscara ou com a dita pendurada do queixo - para chamar nomes e atirar coisas na direção de um candidato à presidência da República. Não me interessa se acertaram ou não no alvo. Não quero saber se o gajo anda mesmo a pedi-las ou não. Nada disso me importa. O que me rala é o silêncio dos mais variados especialistas das mais variadas especialidades. Cem pessoas na rua – sem motivo legal para isso – com a máscara mal colocada, aos berros e nem uma indignaçãozinha em relação ao “grupo de pessoas” que violou o dever de confinamento. Depois queixam-se que o pessoal não leva isto a sério...

Se eu não estudo, tu não estudas...se eu não como, tu não comes...se eu não f***, tu não f****...

risada.jpg


O governo fechou as escolas e, num rasgo de rara sagacidade, proibiu o ensino à distância. O objectivo, garante, é prevenir situações de desigualdade entre os alunos. Assim, para evitar que uns continuem a aprender e outros não, proíbem-se as aulas on-line. Um estranho conceito, este, em que se nivela tudo por baixo. Do tipo, se eu não aprendo tu também não. Todos iguais na burrice, portanto. O que não admira. É nesse ambiente que o socialismo sobrevive.


Contudo, ao que leio, são poucas as vozes discordantes em relação a mais esta ideia brilhante de quem nos governa. Desconfio, até, que ainda hão-de surgir opiniões a contestar a medida por ser notoriamente pouco ambiciosa. Para promover uma verdadeira igualdade, o governo devia era ter decretado a proibição, durante o interregno lectivo, de os alunos estudarem em casa. Não vá algum ter essa ideia. Sim, que isto há gente para tudo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Dobrar a mola.

IMG_20210120_131428.jpg


Cada coisa no seu lugar. Mas o lugar desta coisa não é ali. Até porque quando se compra um colchão novo o vendedor fica com o velho. Ou se a reforma de um não implicar a compra de outro, existem alternativas para nos desfazermos do “mono” sem necessidade de “enfeitar” o contentor. Usá-las é que dá muito trabalho. Daí que pareça fácil concluir que este seria o colchão de um perguiçoso. Não quis dobrar a mola.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Informaçãozinha da boa...

O jornalismo televisivo iniciou ontem uma nova era. No telejornal da TVI, imediatamente após um candidato ter mandado para o ar umas quantas patacoadas – coisa em que todos são pródigos, diga-se – o pivot de serviço apressou-se a esclarecer que o dito candidato não teria apresentado evidências que provassem o que acabava de afirmar. Nunca, que me lembre, tal procedimento terá sido seguido em relação a nenhum outro político. Não acho mal, obviamente, terem-no feito ontem. Errado é não terem até agora adoptado este critério.


Aguardo com alguma expectativa os próximos noticiários. Se, daqui em diante, o procedimento jornalístico for o que usaram ontem o jornalismo nacional está de parabéns. Se não o fizerem e aquilo não passar de uma estratégia no sentido de influenciar o eleitorado, então muito mal vai o jornalismo, a democracia e o país.


E, já agora, o facto do visado ter sido o Ventura é-me absolutamente indiferente. Até podiam ter feito o mesmo em relação a Ana Gomes – a criatura mais detestável que me entra pelo ecrã dentro – que não alterava uma linha.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

E aquilo do estereótipo, ou lá o que é?

Er9knTfXcAMyhRg.jpeg


Tirando o programa do Ricardo Araújo Pereira, na SIC, não tenho prestado grande atenção à campanha eleitoral. Não devo ter perdido grande coisa. Até porque - um defeito que já não tenho idade para corrigir – o que mais me interessa são os chamados fait-divers. Mas até nisto, a julgar pelas redes sociais que estão sempre atentas a estas cenas, os candidatos não têm ajudado à diversão.


Ainda assim sempre se vai arranjando um ou outro motivo para escarnecer dos pretendentes a ocupar o Palácio de Belém. Ana Gomes foi visitar uma comunidade cigana –  “grupo de pessoas”, segundo os coninhas do politicamente correcto - e ter-se-á saído com a expressão inserida na foto acima. É daquelas situações em que nem é preciso nenhum esforço para zombar da candidata. A piada faz-se sozinha.

domingo, 17 de janeiro de 2021

A culpa é do Passos!

Er8Hx1NW8AIyFct.jpeg


 


Não vai longe o tempo em que os telejornais nos instruíam acerca de quem tinha a culpa do imenso rol de mortos e infectados pela covid no Brasil e nos Estados Unidos. A culpa, garantiam-nos, era do Bolsonaro e do Trump. Havia até, afirmavam jornalistas entusiasmados com a ideia, organizações dispostas a levar aqueles governantes a tribunal por crime contra a humanidade. Provavelmente teriam, quem sou eu para duvidar da sapiência desse pessoal, toda a razão naquilo que nos transmitiam.


Agora, por cá, estamos assim. Pior do que aqueles países. Só que, desta vez, o critério de avaliação deve ter mudado. Não há jornaleiro ou comentadeiro a dizer que a culpa é do Costa, do Marcelo, nem de nenhum outro ilustre governante. Muito menos se alvitra que isto é coisa para configurar qualquer espécie de crime. A culpa é dos portugueses. Esses irresponsáveis. Ou se calhar, espiolhando melhor, do Passos.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Solidariedade com o camarada Jerónimo.

images.jpeg


Se há coisa que não aprecio mesmo nada são as reacções corporativas. Ou, como diria a minha avó, aquilo de tomar as “dores os outros”. Quem acha, dentro de um grupo social, que atacar um significa atacar todos é, no mínimo, parvo.


Isto a propósito daquelas declarações patéticas e mal-educadas do Ventura, em relação aos outros candidatos. O mulherio socialista indignou-se por causa da referência às beiças vermelhas da candidata da extrema-esquerda. Desde então fulanas com as beiçolas borradas de vermelho é o que não falta por essa Internet fora.


Não me incomoda, obviamente, que o façam. Cada qual faz as figuras tristes que muito bem entende. Igualmente não me surpreende a reacção em defesa da esquerdista radical. Hoje em dia já não se sabe ao certo onde termina o PS e começa o Bloco. O partido de Mário Soares e de outros a quem devemos a possibilidade de viver em democracia já não existe. Lamento é que nenhuma se tenha solidarizado com Jerónimo de Sousa, igualmente ridicularizado pelo outro parvo. Mas também não me espanta. Afinal os socialistas sempre desprezaram o PCP.  


É por isso que, cá pelo Kruzes, estamos solidários com o camarada Jerónimo. A pinga de hoje, ao almoço, vai ser à sua saúde.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Racismo ronhoso

ovelha.jpg


Acho imensa piada aquelas pessoinhas, nomeadamente a muitos que pululam pela comunicação social e pelas artes, que tendo um tom de pele bastante mais claro do que o meu após uma manhã de praia garantem com toda a convicção que são negros. Terão, provavelmente, ascendentes de várias origens e, por consequência, haverá ali uma saudável miscelânia. Que, acho eu, nada obriga a optar seja porque “raça” for.


Nesta ovelha também há uma evidente mistura. Neste caso estamos perante uma ovelha negra ou branca? Negra na opinião dos que seguem os ditâmes da moda, certamente. Mas isso, presumo, será coisa que em nada inquietará o bicho... 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Linhas tortas

Um destes dias um articulista do “Diário de Noticias”, um jornal centenário e considerado uma referencia do jornalismo, publicou um artigo onde aconselhava o ainda presidente dos Estados Unidos a suicidar-se. Publicação que, presumo face à ausência de reacção por parte dos indignados do costume, se enquadra no âmbito do direito de opinião, da liberdade de expressão e que não configura aquilo que agora se chama discurso de ódio.


Seria bom – digo eu, não sei – que alguém, nomeadamente os que andam sempre preocupados com estas coisas, se pronunciasse sobre o assunto. Afinal se temos comissões, comités, observatórios, institutos e não sei mais o quê destinados a prevenir e combater a difusão do ódio, parece-me uma boa altura para se pronunciarem. Não quero, longe de mim tal ideia, que multem o homem. Gostava era que alguém esclarecesse se aconselhar o suicídio a outro, independentemente do visado ler ou seguir o conselho, constitui ou não discurso de ódio. Quiçá, até, fosse elaborada uma lista das pessoas a quem podemos publicamente desejar o falecimento ou sugerir que, eles próprios, tratem de falecer. Não é por nada que eu não sou dessas coisas mas, como dizia a minha avó, sempre gostei de saber as linhas com que me coso...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A grande ilusão

IMG_20210111_130004.jpg


 


Há grupos de pessoas que andam pela cidade a revirar os contentores do lixo à procura de metais ou de qualquer outra coisa a que possam dar uso ou com a qual possam fazer algum dinheiro. Não constitui nenhum crime nem daí vem mal ao mundo. O mal do mundo é que existam pessoas que precisem de vasculhar a subsistência, ou parte dela, entre o que os outros deitam fora.


Entre o que vai parar ao lixo encontram-se as raspadinhas. Essa grande ilusão. Tão grande que, mesmo depois de raspadas, ainda há quem procure encontrar entre elas uma premiada. Foi o que fez uma noite destas um grupo de pessoas. Sacaram-nas do contentor e estiveram largos minutos a escarafunchar, na busca de um prémio que alguém mais desprevenido tivesse deitado fora. Podiam, no final da tentativa, voltar a colocar tudo no lixo. Mas não. Esperar isso de um grupo de pessoas é uma grande ilusão.

domingo, 10 de janeiro de 2021

Neve em Estremoz

IMG_20210109_123146.jpg


Captura de ecrã de 2021-01-10 15-26-06.jpg


Estou como dizia ontem o outro. Dois mil e vinte um não pode ser um ano como os outros. O Sporting em primeiro, cai neve em Estremoz...ná, isto há aqui qualquer coisa. Embora, convenhamos, é muito mais normal nevar nesta terra do que os lagartos serem campeões. Assim que me lembre já por cá nevou em duas ocasiões nos últimos quinze anos e neste período de tempo nunca o clube do Lumiar ganhou o campeonato. 


Ainda a propósito da neve. Isto ontem foi um corrupio de equipas de reportagem das televisões. Andaram por aí todas, minutos sem fim de emissão dedicados à neve que por cá ia caindo e repórteres a repetirem-se até à exaustão por, coitados, não terem nada de interessante para dizer. Uma monotonia, diga-se, unicamente quebrada por uma queda em directo.


Nem quero imaginar o que teria sido caso não houvesse esta coisa do confinamento, recolher obrigatório ou lá o que é. Devia ser uma romaria de lisboetas a vir mostrar a neve à Carlota, ao Martim e ao Francisco. Sim que, coitados do putos, isso ainda eles podem ver de quando em vez...

sábado, 9 de janeiro de 2021

Ignorantes das causas fofinhas

136371178_5171805606193065_6632594749606326409_o.j


 


Combater o Chega e o Ventura parece constituir uma espécie de desígnio nacional. Não me parece mal. Cada um combate o que quiser e defende as causas que muito bem lhe aprouver. O mesmo não digo da comunicação social. Esta apenas deve informar e deixar isso das causas e dos desígnios para a sociedade.


O que lamento neste combate é a ignorância, ou a má-fé noutros casos, da esmagadora maioria dos combatentes. Toda esta gente ainda não percebeu que não adianta desmascarar as trafulhices que André Ventura tenha, alegadamente, feito ou possa vir a fazer. Podem dizer o que quiserem, passar as reportagens que entenderem ou relatar as passagens mais escabrosas da vida da criatura. Não adianta. Pelo contrário, mais força lhe dão.


Esta gente não percebe o fenómeno. Nem, pior, o quer perceber. Insiste, antes, em dizer que não existe ou, a existir, não tem relevância nenhuma. Para o entender talvez tenham de vir ao Alentejo. Mas não aquele das revistas, dos restaurantes da moda, adegas, praias fluviais ou dos montes com piscina onde se encerram dias a fio. É preciso falar com as pessoas. As que vão aos supermercados, hospitais ou correios. Podem, até, começar por aquelas que toda a vida votaram no PCP. Vão, de certeza, aprender muito.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Momentos

IMG_20210107_085308.jpg


A merda de cão espalhada pelos passeios constitui uma das minhas principais irritações. Mas isso não é novidade. É um tema que acompanha este blogue desde o seu inicio. Ou não fossem mais que muitos os javardolas que permitem estes momentos aos seus amiguinhos de quatro patas. Sim momentos, foi isso que em certa ocasião uma defensora da bicharada chamou a isto num comentário onde, coitada, pretendia aborrecer-me. O que eu me ri. Momentos! Alguns são mais monumentos…

domingo, 3 de janeiro de 2021

A boa, o mau, o vilão...e o outro.

Não vi, logo não tenho opinião, mas ao que leio Marcelo e Ventura terão sido os vencedores dos debates de ontem. Embora isso pouco importe. Acredito que a esmagadora maioria do eleitorado que pensa votar já decidiu em quem o vai fazer e não serão estes encontros, mais ou menos maçadores, a alterar a decisão dos eleitores.


Mas, voltando atrás, parece que aquilo entre o gajo das selfies e a esquerdista foi assim uma coisa muito ternurenta, enquanto entre o comuna e o populista a conversa deu um bocado para o torto. Segundo os relatos, levando a coisa para o futebolês, o debate entre os dois primeiros lembrava um daqueles programas televisivos em que frente a frente estão apaniguados do Porto e do Sporting. Já quanto aos segundos, alegam os observadores, a culpa da derrota da “equipa da casa” - o comuna, terá sido do árbitro. Da moderadora, no caso.


Dado o enorme apreço que tenho pelo contraditório fui, como faço sempre por constituírem uma fonte de inspiração, consultar uns quantos blogues e perfis do Facebook de outros tantos “camaradas”. A principal queixa que por ali noto vai para a própria existência do Ventura. Um gajo a abater sumariamente. De forma metafórica, quero acreditar. O que, se não passar da metáfora, me parece legitimo. O que me inquieta é que logo a seguir surja a indignação pelo “anti-comunismo primário” ter voz na nossa sociedade. Cuidava eu que ser anti-comunista ou anti-fascista – primário, secundário ou o que quiserem – constituía uma espécie de consequência de ser democrata. Cuidava e cuido, que em matéria de democracia nenhum comunista tem moral para dar lições seja a quem for.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Não são "eles" que ganham muito, nós é que ganhamos pouco...

Acabo ler um artigo, secundado por um enorme rol de opiniões a enaltecer a bondade da opinião expressa, a defender a redução do leque salarial dentro das organizações. Ou seja, que o salário mais alto dentro de uma empresa deve ser limitado a n vezes o salário mais baixo. Coisa que deixou a esmagadora maioria dos opinantes à beira do êxtase com a genialidade da ideia.


Por mim, pese a simpatia que a sugestão possa suscitar, acho uma parvoíce. Bem reveladora do sentimento de inveja que por cá vigora, também. Podiam, se calhar seria ligeiramente menos parvo, propor exactamente o contrário. Ou seja, o vencimento mais baixo – e todos os outros, de resto – estaria indexado ao vencimento mais alto. O do CEO, ou lá o que chamam agora aos manda-chuvas. Parece a mesma coisa, mas não é. Imagine-se, quando essa malta se resolvesse auto-aumentar, o que não acontecia aos restantes ordenados… “Eles”, tal como agora, continuavam a ganhar o que quisessem, mas o resto teria de ir tudo atrás.


A indexação dos salários base aos de topo, por qualquer destas vias, teria sempre outro problema. A progressividade do IRS. Coisa que quem subscreve esta tese também defende como justa. Embora, na minha irrelevante opinião, a sua aplicabilidade não seja possível sem a implementação de uma taxa plana. Caso contrário a justiça social associada à ideia não passaria de uma treta que, no final do dia, nos tornaria todos igualmente pobres.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

2020, um ano que deixa saudades do futuro.

Dizer que não gosto de balanços, prefiro demonstração de resultados, é já um clássico em cada final de ano. O que hoje acaba proporcionou, ao contrário das expectativas iniciais, resultados do piorio. Desde a pandemia e as suas consequências, até aos comportamentos e polémicas manhosas. O racismo, o alegado perigo da extrema-direita e as causas ambientais e de alegada defesa dos animais foram algumas das ondas cavalgadas. Uns quantos frustrados à procura de protagonismo, escudados numa comunicação social à procura de causas que a salvem da falência, esforçaram-se o mais que puderam para fomentar o ódio entre as pessoas. Conseguiram-no, de alguma forma. E vão continuar a fazê-lo no ano que começa dentro de poucas horas. Há que deixar de lhes dar palco e reduzi-los à sua insignificância. O meu modesto contributo, já a partir de amanhã, será não ligar patavina a esses temas e, ainda menos, a esses idiotas. Um bom ano 2021 a quem segue o “Kruzes Kanhoto”!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Os impostos do nosso contentamento

Impostos, taxas, taxinhas e outras maneiras subrepticias dos governos nos roubarem não constituem motivo de grande preocupação para a generalidade dos portugueses. Poucos se importam. Uns porque não pagam, outros porque não sabem que pagam e outros ainda porque acham que existe no tributo que pagamos ao Estado uma espécie de virtude qualquer. A da moda são os impostos verdes. Dizem que é para salvar o planeta e a malta paga com satisfação.


É o caso da taxa de gestão de resíduos. Terá, a partir de Janeiro, um aumento de cem por cento. Como passa de onze para vinte e dois cêntimos por tonelada, são as câmaras municipais a pagar e apenas se refletirá nas facturas da água lá mais para a frente, ninguém quer saber. Até porque serão apenas uns trocos a cada um. Pois serão. Mas esperem-lhe pela pancada. Em Espanha são quarenta euros...


E, já agora, como não nos importamos de pagar pela recolha do lixo, também não nos importaríamos de pagar pela iluminação pública, pois não? A ideia anda por aí...

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Prioridades e desaguisados

A vacina do covid está na ordem do dia. Não faltam os especialistas da especialidade a cagar a sua estaca acerca de quem devia, ou não, ser prioritário. Até eu, que de saúde pública ou de vírus percebo tanto como o Sousa Tavares, mando de vez em quando a minha posta de pescada. Mesmo sendo nesta matéria um perfeito alarve, custa-me a perceber – ou melhor, não entendo de todo – a ideia peregrina de que os idosos deviam ser os primeiros, mesmo antes dos profissionais de saúde, a tomar a vacina. Por mim, que não tenho pressa nenhuma, acredito nas opções dos técnicos. Muito mais que nas dos políticos. E esta, de incluir os utentes dos lares logo a seguir ao pessoal do SNS, apesar de ter muito de política, ainda se afigura vagamente razoável. Isto, claro, a acreditar – e eu acredito – em quem sabe do oficio. Alguém, sequer, pensar em não colocar quem nos trata da saúde como primeira prioridade, é que é uma coisa que nem consigo adjectivar. Só já falta aparecer alguém a questionar por que raio a primeira pessoa a ser vacinado foi um homem, branco e provavelmente heterossexual.


O desaguisado entre a PSP e a GNR de Évora sobre a escolta das vacinas também é algo digno de nota. Isso e a garantia que as forças policiais estão em condições de, em todo o país, controlar as tentativas de comemorar a passagem do ano na via pública. Muito estranho. Afinal parece que meios humanos há em abundância. Mas só para o que dá jeito. Às chefias, entenda-se. Porque os demais não contam para este campeonato.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

As pessoas em grupo são umas bestas

funny_death_illo-928x523.jpg


Tanta conversa acerca da algazarra provocada por uma festa de casamento, em Alter do Chão, que juntava cinquenta pessoas e que já ia em seis dias de animada diversão e afinal, vai-se a ver, não era nada disso. A GNR, ao que se dizia inicialmente não teria meios humanos disponíveis para acabar com o ajuntamento, já veio esclarecer que aquilo não se tratava de nenhuma boda. Era, tão só, uma festa de Natal. Noticia que, como é óbvio, deixou os restantes habitantes muito mais tranquilos. Também os próprios convivas trataram de informar que não eram nada cinquenta. Mas sim apenas para aí uns vinte, quando muito. Quanto ao barulho, ainda segundo os participantes no festim, houve um manifesto exagero nos relatos da ocorrência. Aquilo mal se ouvia, garantiram.


Quanto às noticias sobre nova tentativa de invasão do quartel dos bombeiros de Borba por “um grupo de pessoas” - vá lá, não foram cães, gatos ou outro tipo de bicho – revelaram-se manifestamente exageradas. Foi, segundo fonte geralmente bem informada, um pedido de auxilio ligeiramente mais intempestivo. Tão intempestivo que até terá sido necessário recorrer às forças da ordem dos concelhos vizinhos para moderar a intempestividade com que foi feito.


Por mim tendo a acreditar na versão oficial – a segunda – de cada uma das histórias. Não é estar para aqui a chamar aldrabão a ninguém, mas quando o “grupo de pessoas” do outro lado da cidade põe a música a tocar eu mal a ouço no meu quintal e só moro a dois quilómetros do local. Por outro lado, também já testemunhei a aflição de “grupos de pessoas” quando algo de mal acontece a alguma “pessoa do grupo” e posso garantir que são de uma gentileza inigualável. No passa nada, portanto.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Os burros são outros...

IMG_20161115_133314.jpg


A ideia de rebentar com coisas não me suscita grande entusiasmo. Menos ainda quando o alvo do rebentamento são edificios públicos, mesmo que alguns não tenham grandes condições e, como escreve o autor da ameaça, sejam uma "merda".


Desconheço se a mensagem surge ou não na sequência das notícias, que se sucedem a um ritmo assaz inquietante, acerca da pouca proactividade das forças policiais. Embora essa parte da inquietação seja relativa. O que inquieta uns, não inquietará outros. Para os meliantes, seja qual for o ramo da meliância a que se dediquem, a pouca apetência para a acção das policias não constituirá nenhuma ralação. 


A impossibilidade de acabar com festarolas, o fecho de postos com medo de marginais ou a quase total incapacidade para lidar com a criminalidade que por aí prolifera, não são, obviamente, culpa dos que lá trabalham. Nem, tão-pouco, se deve à sua eventual burrice ou à reduzida vontade de trabalhar. Com a esquerda no poder será sempre assim. Os meliantes primeiro. 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Teste o racista que há em si

O que eu me rio com as anedotas e piadas de alentejanos. É que isto é uma coisa que me cai mesmo no goto. Principalmente por, na sua imensa maioria, não serem nada estigmatizantes. Nem, muito menos, revelarem qualquer tipo de preconceito ou, sequer, pretenderem achincalhar os naturais desta região.


Quem também deve apreciar este género de humor são as diversas comissões, comités, observatórios, institutos, grupos de trabalho e afins que visam a promoção da igualdade, não discriminação e outras modernices de que ouvimos falar todos os dias. Tanto assim é que nunca os ouvi pronunciar acerca desta corrente do anedotário nacional.


Por achar de um humor de fino recorte – inteligente, até - decidi partilhar com os meus leitores a anedota que a seguir transcrevo e que vi hoje no "Trombasbook", aquela rede social sempre muito preocupada com aquilo da discriminação. Melhor do que isso, já que há quem insista que estas anedotas constituem uma espécie de elogio aos alentejanos e que apenas os parvos não gostam delas, resolvi adaptá-la a outros grupos de cidadãos. Assim, só para tornar a coisa mais inclusiva, aqui ficam três versões da mesma anedota.


Um alentejano está estendido debaixo de uma figueira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe um figo na boca e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não comes o figo? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que caia outro para me empurrar este para baixo.”



Um negro está estendido debaixo de uma bananeira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe uma banana na boca e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não comes a banana? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que caia outra para me empurrar esta para baixo.”



Um cigano está na barraca estendido na sua cama. Chega o cheque do RSI e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não vais levantar o cheque? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que chegue o próximo para levantar os dois.”


Tem piada não tem? Como diria a minha avô, tem tanta graça como um cão a cagar numa "alfaça"...


 


 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Indigência gold

Foi finalmente aprovado o fim da concessão de vistos Gold para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto bem como para todas as regiões do litoral. Esteve, neste aspecto, muitíssimo bem o governo. Quem vem de fora que venha para o interior, onde não há gente e falta investimento. Que perto do mar já lá estão mais que muitos. Até porque, dada a dimensão do país, isto é tudo arrabaldes. Mesmo o lugarejo mais longínquo do Alentejo profundo, como gostam de dizer os idiotas da comunicação social lisboeta, não fica a mais de duas horas da Capital ou de qualquer lugar à beira-mar. Daí que, acredito, não será esta limitação a impedir os estrangeiros de continuarem a debandar para este fantástico retângulo.


Mal também não esteve executivo nessa coisa do salário mínimo. O erro não é aumentar o SMN. Errado é deixar os outros na mesma. Hoje as diferenças salariais são ridículas. Quer pelo crescimento do salário mínimo, quer pelo saque fiscal sobre o ordenado de quem está nos patamares seguintes. Apenas a um indigente mental parecerá aceitável que o funcionário da limpeza leve para casa no final do mês praticamente o mesmo que quem lhe processa o ordenado. E se, como acontece muito nas câmaras do norte, ao primeiro arranjarem umas horitas extra – porque, coitadinho, é pobrezinho – então ainda recebe mais do que um técnico superior. Mas isto, lá está, é o que dá serem os indigentes mentais a mandar nisto tudo.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Os citrinos da crise

citrinos1.jpg


 


citrinos2.jpg


 


citrinos3.jpg


Apesar do ataque da mosca da fruta – uma espécie de mosca misturada com abelha, a que gosto de chamar abelhosca – ter feito estragos assinaláveis, a produção de citrinos foi bastante jeitosa. A colheita de hoje e os muitos frutos que ainda estão nas árvores não me deixam mentir. Fosse eu especial apreciador de sumo de laranja e isto era bebedeira todos os dias.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

A casa a quem a habita!

1398112.jpeg


A casa a quem a habita”, reivindica a patética manifestante. Como reivindicaria outra idiotice qualquer que, no momento, lhe apetecesse. Tem – e ainda bem – todo o direito a fazê-lo. São as tais liberdades apenas possíveis em democracia. Um regime pelo qual cada vez mais gente tem menos apreço.


Vá lá que não reclama a pertença da casa a quem a constrói. A quantidade de gente envolvida na construção de um edifício é de tal ordem que a coisa só se resolveria com uma solução do tipo time sharing ou assim. Por mim, um convicto defensor do capitalismo, da livre iniciativa, da propriedade e de muitas outras cenas que fazem com que vivamos num sociedade de relativo bem-estar, principalmente quando comparada com outras que provavelmente merecerão à portadora do cartaz mais simpatia, prefiro “o seu a seu dono”. Manias.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Policia, um emprego que ninguém quer

Mesmo passando, alegadamente, por cima de todos os preceitos legais que determinam a igualdade de oportunidades no acesso ao emprego no sector público, parece que a PSP pretenderá dar primazia a candidatos a policia provenientes de minorias étnicas. A ideia, diz, será dotar aquela força policial de uma composição social mais diversificada e, assim, prevenir comportamentos discriminatórios.


Tirando aquela parte – uma chatice, isso – de ninguém, independentemente da origem poder ser discriminado, ou privilegiado, no acesso a um emprego pago pelo Estado, até nem me parece mal. O que não faltam são associações disto e daquilo ou, principalmente, intelectuais da treta a queixarem-se da pouca representatividade das minorias nas organizações policiais e em tudo o mais de que se vão lembrando.


Não sei se actualmente as pessoas das minorias étnicas -seja lá o que for que isso englobe – são ou não preteridas no acesso à policia. Se são, acho mal. Resta é saber se nesses grupos existirá gente interessada em arriscar o coiro por uma miséria de ordenado. Ou, se calhar, nem têm vocação para essas cenas que envolvem leis, regras, disciplina e afins. Estou a ver, por exemplo, o caso dos bombeiros voluntários. Numa cidade com pouco mais de sete mil habitantes, onde existe uma minoria que representará sete ou oito por cento da população, a percentagem de soldados da paz oriundos dessa comunidade será – se não estou enganado – cerca de zero. Devem ser as políticas de integração que estão a falhar. Por culpa do homem branco, naturalmente.

sábado, 12 de dezembro de 2020

Os bufos não dormem

FB_IMG_1606608795608.jpg


 


O país está cheio de bufos, chibos e queixinhas. Devem ser, ainda, os resquícios da “longa noite fascista”. Muitos anos a virar frangos, como alguns gostam de dizer. Tudo se denuncia. Mas pior é o incitamento à denúncia. Desta vez é a apanha nocturna da azeitona. No futuro não sabemos. Quem sabe se atravessar a rua fora da passadeira, mandar uma beata para o chão ou beber um café com demasiado açúcar. Entretanto o pessoal aplaude. Uma boa causa, alegam. Depois queixem-se…

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Costa, o bom pastor.

IMG_20201211_130200.jpg


 


Eu cá não sou de intrigas. Nem, sequer, tenho grande jeito para piadas brejeiras. Uma ou outra graçola, um dito jocoso ou, quando muito uma piodola a atirar para o javardote, ainda vá. Mais do que isso é pedir demais a este escriba.


Quem podia aproveitar era o Quim Barreiros. Que isto de cabritas e de gajos a segurá-las afigura-se-me uma coisa com um potencial humorístico bastante relevante no âmbito da brejeirice. Excepto, desconfio, para essa trupe dos amiguinhos dos animais que deve achar essa cena de os segurar uma violência. Mesmo que, como deve ser neste caso, o espécime em questão até goste.

Histerismo da moda

racismo.jpg


Que esta história do racismo está na moda e que dá de comer a muita gente, não constitui nenhuma novidade. Já anda por aí há muito tempo. Tanto que, caso quisessem, as organizações que passam a vida a condenar alegadas práticas racistas já podiam ter dado orientações no sentido de evitar que essas práticas ocorressem nos eventos que organizam. Mas não o fazem. Nem, desconfio, lhes interessará faze-lo. O caso do futebol, por exemplo. A FIFA podia ter já dado indicações precisas aos intervenientes no jogo acerca de situações que não valem a ponta de um corno mas que depois, devidamente apimentadas, se transformam em escândalos à escala global.


Imagine-se o seguinte cenário. Num desafio entre o Borundi e a Guiné-Bissau, com uma equipa de arbitragem oriunda do Quénia, está no banco de suplentes da equipa da antiga colónia um jogador branco. Ao todo são dez pessoas, todas vestidas de igual e todas, insatisfeitas com a sua actuação, insultam o juiz da partida. Se o branco* for o mais efusivo, como é que o quarto árbitro vai explicar ao chefe equipa, de forma rápida e objectiva, qual é o elemento a expulsar? Alguma, certamente, haverá. Convinha era todos sabermos. Ou, pelo menos, quem anda lá dentro. Só para depois não andar para aí tudo histérico.


*Provavelmente usar a palavra “branco” será considerado racismo, mas não encontro uma maneira melhor de expressar com clareza** a minha ideia…


**Porra, outra vez!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Nota da redacção. (Um dez, vá)

Poucas vezes, nos já longos anos que leva de existência, o “Kruzes” esteve tanto tempo sem qualquer publicação. Não que isso constitua motivo para inquietações seja de quem fôr. Pelo contrário. Para os quatro leitores que insistem em acompanhar as alarvidades que por aqui vou escrevendo constituirá até um alivio. Mas não tenhais ilusões nem alimenteis infundadas esperanças. Este não é, ainda, o fim deste blogue. Acontecerá uma dia, como tudo o mais, mas não por agora. São apenas as circunstâncias a ditar esta pausa editorial. Que poderá estar prestes a acabar. Ou não.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Cãocerto ou mais uma maneira de esturrar impostos

images (1).jpeg


Maneiras de esturrar o dinheiro dos contribuintes há muitas. Umas mais originais, outras nem tanto e algumas absolutamente parvas. Mas, quer-me parecer, a de um município espanhol – ayuntamiento, é assim que se chama ali ao lado – que vai promover um concerto musical destinado a cães é candidata a um lugar cimeiro no top das mais escabrosas. Custará, segundo a organização, cerca de oito mil euros e vai realizar-se num parque que, devido aos condicionalismos impostos pela pandemia, se encontra fechado e que reabrirá exclusivamente para a realização deste evento cultural, como é designado pelos organizadores.


Não se sabe ao certo o programa do concerto. Nem, sequer, o repertório dos músicos que vão interpretar as partituras que animarão a canzoada. Mas, garante o alcaide, constará de “ultrasons apenas audíveis pela raça canina”. Apesar disso, o autarca manifestou o seu orgulho por lhe ter ocorrido esta ideia tão parva e terá ainda acusado quem zomba desta “iniciativa cultural” de falta de respeito para com os músicos e profissionais envolvidos na coisa.


Por mim não é que ache mal. Acho apenas estúpido. Receio, no entanto, que a moda pegue e, pior, se estenda a este lado da fronteira. Pessoal com vontade de gastar o dinheiro dos outros é o que não falta por aí. Já quanto aos temas a interpretar se, por cá, também houver disto espero que não se esqueçam de incluir a “Grândola, vila morena” no "cãocerto". Era bonito.