Se
fosse munícipe do Porto a noticia do regresso de Pedro Burmester à
Casa da Música - o mamarracho onde, recorde-se, foram esturrados
mais de cento e onze milhões de euros - deixava-me preocupado. Assim,
enquanto contribuinte, os motivos que estão subjacentes ao seu
regresso deixam-me só ligeiramente apreensivo.
Diz
que o homem prometeu – e, pelos vistos terá cumprido - não actuar
na cidade do Porto, sua terra-natal, enquanto Rui Rio fosse
presidente da câmara. Isto como forma de protesto contra a politica
do ex-autarca em relação à cultura. Contra a maneira rigorosa como
o anterior edil geria o dinheiro dos contribuintes, portanto. Agora,
parece, tudo mudou e o pianista volta, feliz e contente, a dar largas
ao seu talento na cidade onde nasceu.
Acreditar
que o pessoal das artes, da cultura ou a intelectualidade de esquerda
em geral, venha a perceber um dia o conceito de rigor na gestão do dinheiro
público ou entenda que entre pão e circo a escolha terá de ser,
inequivocamente, pelo primeiro, é ter as expectativas demasiado
elevadas em relação aquela malta. Por isso, os poucos que se
preocupam em gerir de forma rigorosa o dinheiro dos contribuintes são
enxovalhados. Pior do que isso. Quase ninguém tem coragem de fazer
frente a essa tropa fandanga. É o politicamente correcto. Essa nova
ditadura que se instalou entre nós.




