sexta-feira, 24 de maio de 2013

Não há trabalhadores?! Experimentem pedir colaboradores, pode ser que resulte.


Nos tempos que correm a noticia da falta de mão de obra para trabalhar só pode constituir uma espécie de piada. De mau gosto, no caso. Nem interessa saber onde é o trabalho ou no que consiste. Quando o desemprego atinge os níveis dramáticos que se conhecem, parece pouco razoável que um empregador tenha de recorrer a estrangeiros para ver satisfeitas as suas necessidades laborais.
Trabalhar no campo não é fácil. Ganha-se mal – miseravelmente, reconheço – mas, ainda assim, será seguramente menos mau do que não ter emprego nem dinheiro para sobreviver. Que, também reconheço facilmente, é o máximo que se pode fazer com os ordenados que se praticam na agricultura e noutro sectores pouco exigentes em matéria de qualificações. Embora isso, vendo o que oferecem aos licenciados, seja muito relativo.
Estamos, nalguma parte do sistema, a cometer um erro qualquer. Identificá-lo está, naturalmente, fora da minha órbita de conhecimento. Acabar com todo o tipo de apoios sociais, para obrigar quem deles beneficia a aceitar qualquer tipo de trabalho, não será a solução. Fazê-lo seria criminoso. Mas, quando existem desempregados a “dar com um pau” a mendigar empregos aos presidentes das câmaras e, mesmo ao lado, um empregador não consegue arranjar quem queira trabalhar, também não me parece um coisa muito séria. Por muito que isso custe a uma elite bem pensante e que, como dizia o Jerónimo, sabe “lá o que é vida”.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

1000 maneiras de esturrar o nosso dinheiro


Os disparates, as loucuras ou a simples parvoíce em forma de promessa eleitoral estão surgir por todo o lado, em ritmo cada vez mais acelerado, à medida que as eleições autárquicas se aproximam. Complementando, porque isto não pode parar, o muito que neste âmbito tem vindo a ser feito por este país fora. Até 22 Setembro, a acreditar no sempre bem informado professor Marcelo, iremos ficar a conhecer mil novas maneiras – ou até mesmo mais - de esturrar o nosso dinheiro.
Uma delas - talvez a número um, mas isto nunca se sabe o que esta malta é capaz de prometer – fez um dia destes noticia num jornal diário. Luís Filipe Menezes, o homem que colocou Gaia num dos lugares do topo dos municípios mais endividados e que agora se prepara para promover igual proeza no Porto, teve uma ideia mirabolante. Campo em que, faça-se justiça, o homem é um génio. Desta vez, o candidato à invicta idealizou a construção de um túnel a ligar as duas margens do Douro. Algo, assim por alto, para uns cinquenta e quatro milhões. Uma bagatela, portanto. Para a qual, pasme-se, até já terá realizado uns quantos estudos e elaborado uns esboços.
Tenho aguardado, desde que a noticia foi publicada, por reacções mais ou menos enfurecidas contra esta ideia. Nomeadamente manifestações de protesto, buzinões ou, no mínimo, gente a cantar a “Grândola” onde quer que LFM se desloque. Em vão. Ninguém pia. Devem estar a guardar a indignação para quando chegar a hora de alguém ter de pagar a conta de mais este investimento público.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os javardolas do poleiro podiam, de vez em quando, ser sérios.


Em nome da alegada sustentabilidade do sistema, anuncia-se mais um ataque ao vencimento dos funcionários públicos e às pensões dos reformados da função pública. Um novo aumento do desconto de trabalhadores e aposentados para a ADSE. Só, e apenas, porque o governo sabe que com esta medida arrecada mais uns cobres enquanto, demagogicamente, vai mantendo vivo, entre a população, o sentimento de aversão a quem trabalha para o Estado. Isso e o espírito de vingança que está presente nas mentes tacanhas daquela gente, ainda com o acórdão do Constitucional por digerir.
Obviamente que não está em causa a viabilidade da ADSE. Como está amplamente demonstrado, este é um sub-sistema que permite ao Estado gastar muitíssimo menos com a saúde dos seus beneficiários do que gastaria se estes optassem pelo SNS. Mas, mesmo admitindo que aquele organismo tenha problemas de viabilidade financeira sem este aumento da contribuição de quem dele beneficia, então o governo que deite mão de outros recursos. Nomeadamente cobrar aquilo que os municípios devem a esta entidade. A titulo de exemplo, só para se ter a noção da dimensão do regabofe que por aí vai, uma Câmara alentejana deverá à ADSE – a acreditar na informação publicada no respectivo site - cerca de um milhão e quatrocentos mil euros. Que o governo, diga-se, não recupera porque não quer. Prefere ir aos bolsos dos do costume. Mas é disto que o povo gosta!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Cuidado com o que (com)prometes!


Desconheço se algum candidato, ou candidato a candidato, a um dos muitos lugares de autarca que vão estar em disputa nos trezentos e oito municípios e mais de três mil freguesias é leitor do Kruzes. Se o for ainda bem. Vou, em jeito de serviço público, lembrar um pequeno detalhe – uma insignificância, quase – que dá pelo nome de Lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso e que todos eles deverão ter em conta na altura, que deve estar quase a chegar, de preparar o programa eleitoral.
Diz a dita lei – a 8/2012, de 21 de Fevereiro – que as entidades públicas “não podem assumir compromissos que excedam os fundos disponíveis”. Ou seja, de forma resumida, que não possam pagar nos noventa dias seguintes. Titulares de cargos políticos ou dirigentes responsáveis pela contabilidade das organizações que o façam incorrem em “responsabilidade civil, criminal, disciplinar e financeira, sancionatória e ou reintegratória”. Estarão, portanto, a cometer um crime pelo qual, mais tarde ou mais cedo, serão chamados a prestar contas. Para os mais cépticos quanto à necessidade de dar cumprimento a estas normas recordo que o Isaltino continua preso e que o Tribunal de Contas vai, de vez em quando, aplicando umas multazitas.
Nestas circunstâncias mandará a prudência uma certa contenção acerca daquilo que se vai prometer. O mesmo se deve também dizer quanto ao que podemos e devemos – nós, os eleitores – exigir aos que se vão apresentar como candidatos a governar em nosso nome. Daí que era capaz de não ser má ideia revelar um pouco mais de contenção na hora de reclamar o subsidio, o passeio, as festarolas, o emprego para o filho ou a obra faraónica igual à do concelho vizinho. Para o bem de todos. Porque os compromissos deles somos nós que os pagamos.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

FDP (Fidalgo, desleixado e poluidor)


Andava há meses para fotografar este chaço. Calhou hoje. Lamentável apenas o ângulo não ser o melhor e existir outro veículo pelo meio. Questiono-me acerca da possibilidade de uma viatura nestas circunstâncias passar na inspecção. Ou, se não tiver passado, dos motivos porque não foi ainda interceptado pelas autoridades com competências em matéria de trânsito e ambiente. Até porque, recorde-se, a GNR tem uma brigada especialmente dedicada – e, a julgar por outros casos, particularmente atenta – às questões ambientais.
Não me interessa se o individuo em questão tem ou não dinheiro para ter outro carro. Se não tiver que ande a pé. Ou a cavalo, como faz de vez em quando. Sempre polui menos. Agora andar impunemente a envenenar os transeuntes é que me parece muitíssimo mal. E NÃO HÁ NINGUÉM QUE TRATE DISTO, PORRA?! 


domingo, 19 de maio de 2013

Cagadela monumental


Este vistoso monte de merda, de proporções épicas de que a foto não transmite a real dimensão, podia ser contemplado hoje pela manhã na Urbanização do Monte da Razão, em Estremoz. O autor desta proeza será, presumo, este mastim preto propriedade de um morador na vizinha Quinta das Oliveiras, vulgarmente conhecida como Urbanização dos Currais. Trata-se de um cão de enorme porte, gordo como um texugo e com alguma dificuldade de locomoção, pelo que só é visto nas imediações quando se trata de arrear o calhau. Coisa que faz diariamente nas artérias circundantes mas sempre a uma razoável distância da casa da família. É esperto o bicho. Diria até que o que sobra em inteligência ao animal falta em civismo aos donos. 

Há fronteiras e fronteiras


Há fronteiras, ficámos um dia destes a saber, que Paulo Portas não transpõe. Para um ministro dos negócios estrangeiros a analogia não seria a mais feliz não se desse o caso das fronteiras que se recusa a transpor não fossem poucas. Apenas uma. A que imporia – ou imporá, sabe-se lá – um corte nas reformas da segurança social. Porque outras fronteiras, as que vão diminuir vencimentos ou baixar pensões aos aposentados da função pública, essas, ele salta com a maior das descontracções.
Sabe-se que o líder centrista gosta de reformados. Tendência que nem me atrevo a criticar. Até porque, enfim, isso é lá com ele. Lamento é que faça discriminações entre reformados de um ou de outro regime. Ou, igualmente deplorável, que não goste de quem trabalha para o Estado. Podia, digo eu, discriminar em função do tamanho. Do ordenado. Mas não. Para ele o tamanho não importa. Tudo lhe serve. Para cortar.

sábado, 18 de maio de 2013

Não havia nada mais importante para tratar lá pelo parlamento...


Sabe-se desde há muito – se calhar desde sempre – que a resolução dos problemas do país – de todos os países, talvez – raramente ocupa os primeiros lugares da agenda politica. À cabeça das prioridades, seja de quem está no poleiro seja dos que aspiram a ir para lá, está sempre o eleitor. E isso até nem seria necessariamente mau se cada eleitor se sentisse e fosse tratado como um contribuinte e cada cidadão tivesse, também ele, a consciência que é o seu dinheiro que financia as ambições pessoais e as brincadeiras dos políticos. Mas não. Não é isso que acontece. Nem era preciso as últimas sondagens darem como certo o regresso do Partido Socialista ao poder para sabermos isso. Basta a vivência do dia a dia.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Poupar, um verbo de difícil conjugação.


Poupança não é uma palavra que rime com autarca. Principalmente em ano de eleições. Ainda assim, porque as excepções confirmam a regra, numa ou noutra localidade é possível encontrar sinais de que a autarquia lá do sitio estará a fazer um esforço no sentido de gastar um pouco menos. E, nalguns aspectos, nem é necessário possuir uma elevada dose de genialidade para implementar soluções que permitem poupar muito dinheiro. O caso da iluminação pública é um dos mais evidentes. Manter acesos pontos de luz, todos seguidos, em locais onde durante a noite ninguém passa não é, seguramente, das ideias mais brilhantes. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Xicos-espertos

Se não está tudo louco deve andar lá perto. Ou, então, ainda são mais incompetentes do que aquilo que se pode supor. E o que se supõe, já de si, não é pouco. Isto a propósito do que a Unidade Técnica de Apoio Orçamental diz acerca das últimas medidas tomadas pelo governo no âmbito da suposta consolidação das contas públicas. É que, segundo a UTAO, “os valores de algumas das medidas não se encontram líquidos dos respectivos impactos de redução de receita fiscal e contributiva, nem consideram as despesas acrescidas com os custos das indemnizações por rescisão”.
Nada, a bem-dizer, de muito surpreendente. Afinal quando do corte dos subsídios de férias e Natal fizeram exactamente a mesma coisa. À loucura e incompetência referidas acima junto uma terceira e, admito, mais provável hipótese. Que, bem visto, até entronca nas outras duas. A ideia será enganar a troika. Fazê-los acreditar que cumprimos o que nos impõem sem, na verdade, o fazer. Ou, dito de outra forma, tentando adiar o mais possível a inevitabilidade de passar a tal fronteira. Xico-espertismo tuga ao mais alto nível, é o que é.

terça-feira, 14 de maio de 2013

As ervilhas da crise


Ao contrário do que inicialmente se perspectivava, a sementeira de ervilhas revelou-se um sucesso. A ameaça da passarada, primeiro, a muita erva que, depois, tomou conta do espaço e a impossibilidade de tratar o mesmo por causa das agruras do clima, não auguravam nada de bom. Isto para não mencionar a inexperiência e a falta de “queda” para a agricultura. Dois atributos, em mim, mais que evidentes.
A imagem documenta o resultado da segunda colheita. A primeira foi ligeiramente mais modesta e a próxima, que será simultaneamente a última, também não deverá atingir este nível. Ainda assim o número de bolinhas verdes armazenado cá em casa deve ser suficiente para servir de ingrediente a umas quantas refeições. Tudo sem qualquer produto químico, claro está. 

sábado, 11 de maio de 2013

Convergências


Convergência. Tem sido, ultimamente, uma palavra muito utilizada sempre que o governo pretende justificar mais um corte nos funcionários públicos. Aposentados ou não. Que os regimes de trabalho, no privado ou no Estado, tendam a convergir – naquilo onde tal é possível, atentas as especificidades de cada um – não me parece criticável. Que as pensões, pagas pela Segurança social ou pela Caixa de Aposentações, tenham um regime idêntico parece, também, algo que se afigura como sendo do mais elementar senso comum.
O pior é que as coisas não são tão lineares quanto os javardolas que governam a espelunca nos querem fazer crer. Relativamente aos valores das reformas, mais altas no público do que no privado, convém não esquecer que os funcionários públicos aposentados – e os actuais, também - descontaram onze por cento do seu vencimento para garantir a aposentação. O mesmo não se pode dizer dos privados. É que, convém não esquecer, a actual TSU resultou da fusão dos descontos para a Caixa de Previdência e Fundo de Desemprego. Ou seja, os onze por cento que também descontam ao vencimento não são na totalidade para a reforma, dado que incorporam uma parte que se destina a subsidiar o seu eventual desemprego. Pretender, agora, tratar de forma igual percursos contributivos tão diferentes parece-me algo que converge muito pouco com a legalidade.
O mesmo se pode afirmar quanto aos ordenados. Há muito que se anuncia uma nova tabela salarial que tenda a, alegadamente, aproximar os vencimentos entre os sectores público e privado. Esta intenção tem, como é óbvio, merecido os mais amplos elogios daqueles que vêem em cada funcionário público um privilegiado a quem devem ser retirados todos os direitos. Inclusive o de existir. Por mim, tenho dúvidas quanto a mais esta convergência. Por um lado lamento que não se tenham lembrado dela quando, ainda não há assim tanto tempo, um pedreiro ganhava cinquenta ou sessenta euros por dia no privado, enquanto idêntico profissional no Estado não auferia mais de quinhentos euros por mês. Por outro, mantenho alguma expectativa relativamente ao que vai suceder a arquitectos, engenheiros e outros licenciados, a quem o sector privado oferece, conforme se pode ver nas mais variadas ofertas de emprego, o salário mínimo nacional e o Estado paga mais de dois mil euros por mês...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Grilo guloso


Não sou especialista em insectos. Nem, tão pouco, na nobre arte da doçaria. A bem dizer não sou especialista em coisa nenhuma. A sê-lo – e à velocidade a que o governo contrata especialistas em qualquer coisa – já estaria a exercer funções na área da especialidade de lixar os portugueses. Mas isso agora não interessa nada. Até porque não vem ao caso. O caso é que, não sendo eu um entomologista, não tenho a certeza quanto à espécie de insecto que se delicia com os bolos de magnifico aspecto com que me deparei um dia destes. Assim de repente parece um grilo. Um grilo guloso, portanto.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

As favas da crise



Desconheço se, ao contrário do que acontece relativamente a outros itens, no que a favas diz respeito o tamanho é igualmente importante. A sê-lo, estes exemplares, acabados de colher no quintal cá de casa, parecem-me capazes de satisfazer o mais exigente dos apreciadores. Digo eu, que não gosto de favas. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

O dedo que não é para aqui chamado


Não se trata de uma lesão incapacitante. Nem, excepto nos momentos seguintes à sua ocorrência, especialmente dolorosa. Apenas ligeiramente arreliadora. A bem dizer nem se trata de uma lesão. Quando muito uma pequena e insignificante queimadura que não está a causar arrelias de maior. Foi no que deu colocar o dedo em contacto com uma zona quente. Muito quente. O motor da motosserra. A árvore, coitada, ficou muito pior. 

Bicicleta almofadada



Não é novidade para ninguém que a bicicleta constitui uma excelente alternativa para deslocações curtas. Dentro ou fora da cidade. Era assim que, antes de todos termos ficado com a mania que éramos ricos, quase toda a gente se deslocava para o trabalho. Hoje, embora por outras razões, volta a estar na moda. Mesmo para aqueles que se queixam dos incómodos causados pelo assento pouco confortável que equipa qualquer velocípede mais rasca. Mas, como aqui se demonstra, há sempre a possibilidade de recorrer a uma almofada para proteger um rabiosque mais sensível!

domingo, 5 de maio de 2013

Anda por aí uma gatunagem...(II)




Após longos anos a meter dó o coreto cá da cidade foi, no ano passado, devidamente restaurado. Ao contrário do que, quase de certeza, aconteceria noutro local mais “evoluído” continua limpinho, limpinho. Não ostenta os horríveis grafites nem pichagens de outra natureza que, infelizmente, é comum encontrar noutras paragens e que alguns parvos apelidam de arte urbana.
A intensa procura por materiais metálicos está, no entanto, a ameaçar este equipamento. Parte dos parafusos que fixam o portão já foram retirados e a breve prazo o mais certo é ir o resto. Sem que, convenhamos, se possa fazer grande coisa para o impedir. Travar este tipo de crime é tarefa quase impossível e a única forma de o mitigar será a substituição dos elementos furtados por outros que não despertem a cobiça da gatunagem. O que nem sempre será fácil, barato ou, sequer, viável.
Não faltará quem relacione esta actividade – ou outras – com a actual crise. Até pode ser. Tenho, contudo, certa dificuldade em aceitar que o gamanço destas coisas sirva no essencial para alimentar alguém ou que, quem rouba, não tivesse alternativa para arranjar comida. O problema talvez resida antes no facto de termos duas gerações de pobres – a dos pais e a dos filhos – habituadas a dinheiro fácil que agora, de repente, lhes dizem que não há. Mas, independentemente das causas ou das motivações, o que surpreende é não ver por aí surgirem empresas metalúrgicas a produzir enxadas, pás e forquilhas. Talvez seja por, digo eu, arranjar a matéria prima ser muito mais apetecível do que utilizar o produto acabado.

sábado, 4 de maio de 2013

Corta, corta!


A montanha pariu um rato. Pouco mais do que isso me ocorre depois de ouvir o discurso de Parvus Coelho e o anúncio de um conjunto de medidas que, mais uma vez como o tempo se encarregará de demonstrar, de muito pouco servirão para endireitar as contas do país. Não diminui o número de deputados, não se reduz o número de cargos políticos, não se estabelecem limites à contratação de assessores nem, sequer, se estabelece a proibição de contratação externa ao nível de empresas de trabalho temporário, consultadoria e outras aquisições de serviços. Juntos, todos estes itens oneram muitíssimo mais os cofres públicos do que os vencimentos dos funcionários públicos que pretendem pôr no olho da rua.
Nem tudo, no entanto, me parece mal de todo. As mexidas no horário de trabalho e no regime de férias da função pública, por exemplo, só pecam por tardias. Devia ter sido exactamente por aqui que se devia ter começado. Igualmente a intenção de mexer nos suplementos remuneratórios se afigura como da mais elementar justiça. Há, de facto, de acabar com privilégios absurdos. Nomeadamente o suplemento de trinta por cento que, a titulo de despesas de representação, acresce ao vencimentos dos titulares de cargos políticos e dirigentes da administração pública.  A não ser assim mais vale que lhes cortemos o pescoço.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Prazo médio de pagamento dos municipios


Embora não constitua, pela maneira como é calculado, um indicador com um elevado grau de exactidão, o prazo médio de pagamento divulgado pela DGAL não deixa de constituir um elemento de referência quando se pretende analisar a relação de um município com os seus credores e a partir do qual se podem tirar ilações quanto à forma como as autarquias são governadas.
Cinco, entre os trezentos e oito municípios portugueses, segundo os dados divulgados demoram mais de mil e duzentos dias a pagar aos fornecedores. É obra. E muito tempo, também. Entre as câmaras do distrito, Évora lidera - com o décimo segundo lugar a nível nacional - o ranking das más pagadoras com um PMP de quinhentos e quarenta e um dias. Seguem-se, no que diz respeito ao distrito, os municípios de Borba e Alandroal num nada honroso vigésimo quinto e vigésimo sexto lugar na tabela dos pouco cumpridores a nível nacional. O atraso no cumprimento da obrigação de pagar é de, respectivamente, trezentos e oitenta e trezentos e setenta e sete dias.
No lado oposto da lista, aqueles que cumprem a tempo e horas, estão setenta e três municípios que pagam aos seu fornecedores a menos de trinta dias. Entre eles contam-se cinco autarquias do distrito de Évora. São elas Arraiolos, Mora, Portel, Redondo e Viana do Alentejo.
Normalmente quando se fala, seja governo ou oposição, em politicas de crescimento, apoio às empresas e combate ao desemprego, a solução envolve sempre esturrar mais dinheiro. Provavelmente, digo eu que não percebo nada disto, não era preciso. Bastava obrigar toda a gente a proceder como estes autarcas e a cumprir as obrigações que assume no prazo acordado. Talvez não houvesse tanta empresa a fechar, nem tantos portugueses sem trabalho. Mas isso, se calhar, não dá votos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Nem o que tu queres...


Compreendo o anarca anti-fascista borrador de paredes – javardola, por assim dizer – que passou por aqui. Também não nutro especial apreço por divindades, o sentimento patriótico não me atinge com particular intensidade e não gosto por aí além de patrões.
Apesar da manifesta compreensão relativamente à mensagem, recuso-me a admitir a mais pequena afinidade com o mensageiro. Logo porque essa coisa da anarquia soa-me assim um bocado a atirar para o parvo. Depois porque desconfio dos que sentem necessidade de andar a proclamar que são anti-fascistas. Nomeadamente porque sei o que fizeram – e o mais que pretendiam fazer – quando o fascismo acabou.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Esclarecimento importante (ou nem por isso)


A propósito dos comentários que foram feitos em relação a este post entendo por conveniente esclarecer o seguinte:
- O responsável pelo estado lastimável do terreno sou eu. Enquanto proprietário cabe-me, de facto, a responsabilidade por permitir a existência de toda aquela erva. E, já agora, de muita mais que não coube na fotografia;
- Como será fácil calcular, conforme saliento naquele e noutros escritos acerca do tema, o rigoroso e prolongado Inverno foi o culpado pela proliferação de ervas daninhas. Pior ainda. As chuvas contínuas impediram que, sequer, pudesse tratar do que lá cultivei dado que o acesso ao terreno ficou impraticável;
- De salientar que a fazenda fica num ermo a uma dúzia de quilómetros do local onde moro não sendo, por isso, um sitio onde me possa deslocar todos os dias;
- Naturalmente que tudo aquilo será cortado. Em seu devido tempo, como é evidente. A cortar agora voltariam a crescer. O que, isso sim, representaria um potencial perigo de incêndio quando, no Verão, secassem;
- Finalmente, recordo que nada arde por combustão espontânea. Por mais inflamável que seja o pasto em que esta erva se vai tornar apenas arderá se alguém lhe deitar fogo. Coisa que, diga-se, acredito perfeitamente um ou outro “vizinho”, que de vez em quando por ali se deslocam propositadamente à procura de algum item, possa fazer.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Moda Verão 2013



Por alguma razão, de certeza muito válida mas que escapa ao meu entendimento, a rapaziada gosta de usar as calças ao fundo do rabo com uma parte dos boxers à vista de todos. Será, segundo algumas teorias, uma moda relacionada com tiques de paneleiragem. Seja como for, isso é lá com eles. As calças são deles, os boxers também, portanto usem-nos lá como lhes dê maior satisfação.

Há, no entanto, sempre quem esteja disposto a ir mais além. A inovar, digamos. E o campo da moda é propicio a inovações e a ir sempre mais longe. Presumo que seja isso que o jove mais à direita na fotografia está a fazer. Quiçá a ditar as novas tendências da moda verão 2013. Exibir a roupa interior já era. A moda vai ser mostrar a peida. O que não terá nada de mais. O cú é deles. Assim sendo que façam com o dito o que mais lhes agradar. 

domingo, 28 de abril de 2013

Anda por aí uma malandragem...


Tenho alguma dificuldade em perceber o objectivo de certos roubos. Furtos, vá. Os motivos porque alguém arrisca, se apanhado com a mão na massa, levar uma tareia para furtar ninharias constitui desde sempre um enigma apenas vagamente justificado pela imbecilidade do meliante.
Não estou a pensar em quem rouba uma lata de atum ou um pão porque tem fome. Embora, na generalidade dos casos em que isso acontece, quase sempre se faça um drama quando a realidade, na maioria das circunstâncias, apresente uma configuração bastante diferente.
Recordo-me, por exemplo, quando há trinta anos atrás a malta ainda era pobre e andava de motorizada. Daquelas de barulho irritante e acessíveis a todas as bolsas que pouco tinham a ver com estas todas sofisticadas e caríssimas que agora por aí circulam. Nesse tempo roubavam-se, nunca soube porquê, as tampas dos depósitos de gasolina das motoretas. Apesar de, mesmo para a época, o preço ser praticamente insignificante chegavam a gamar dúzias delas de uma só vez.
Neste fim-de-semana prolongado furtaram os tampões das rodas – embelezadores, parece que é assim que se diz - do meu rodinhas. Ao meu e a mais uns quantos automóveis estacionados no mesmo parque. Uma parvoíce, porque aquilo não vale nada. Um conjunto de quatro coisas daquelas custa nove euros e noventa no Continente. Duvido, por isso, que algum esfomeado ou vitima das politicas de direita e da sociedade capitalista – expressões que ficam sempre bem para justificar a pequena criminalidade - consiga matar a fome, sua ou dos seus, com o que me gamou. Mas que lhes façam bom proveito. A ele e ao Belmiro.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Erva.


Um matagal onde só a muito custo se conseguem lombrigar as couves, alhos, ervilhas, espinafres e outras hortícolas, foi no que a prolongada e rigorosa invernia transformou a fazenda. A reforma agrária – no sentido de reformar o aspecto do terreno agrícola - terá de passar por aqui nos próximos tempos. Talvez até uma revolução. Para revolucionar a aparência da courela, claro. 
Lamentavelmente esta erva não é da que se fuma. Se fosse estava rico. Ou preso, se calhar. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Não há dinheiro, não há pópó...


Lamentava-se hoje um presidente de junta de não poder assegurar o transporte – para a escola, presumo - a umas quantas crianças da sua freguesia. Estava visivelmente triste, o senhor. Acrescentava, agastado com a situação, que as criancinhas não têm culpa nenhuma e que coisas destas não se fazem. Tudo culpa da politiquice pré-eleitoral, quase que sugeria.
Estive prestes a solidarizar-me com o autarca. As ideias para um post, a desancar nos patifes que obrigam os fedelhos a andar a pé, começavam já a fervilhar quando chegou a segunda parte da noticia. Não havia transporte porque um credor mais impaciente tratou de penhorar as carrinhas da junta para garantir o pagamento do que lhe será devido e que a autarquia, alegadamente, não terá pago. Foi por essa altura que a minha solidariedade mudou de campo. Passou, definitivamente, para o lado do credor. Os lamentos do homem afinal mais não eram do que lágrimas de crocodilo e as suas queixas apenas desculpas de mau pagador.
Acredito que apenas o desconhecimento, o deixa-andar que ainda caracteriza grande parte dos empresários ou o medo de perder futuros negócios, estará a fazer com que as autarquias não estejam já paralisadas por terem grande parte dos seus bens alvo da penhora dos credores. E também, convém não esquecer, por o governo revelar uma incapacidade confrangedora em aplicar as medidas previstas no memorando com a troika para o sector da justiça.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Ai aguenta, aguenta...


Há, obviamente, espaço para muitos cortes na despesa pública. Todos somos capazes de identificar inúmeras situações de gastos do Estado onde uma valente tesourada seria muitíssimo bem aplicada. Principalmente quando os afectados são os outros. Não fujo, tal como toda a gente, a esta tendência. Reconheço, no entanto e ao contrário da maioria, que isso de cortar em motoristas, gabinetes, mordomias diversas ou no BPN, por mais moralidade que revele, não passa de trocos e é preciso ir muito mais fundo.
Saúde, educação, segurança social e autarquias são alguns dos sectores onde é necessário cortar a sério. Não concebo, por exemplo, que apesar de não haver dinheiro se continuem a fazer abortos - sem ser por motivos de saúde - completamente gratuitos. Ou porque não se privatizam serviços de saúde aplicando o mesmo principio da ADSE. Tenho também dificuldade em perceber que, na educação, não haja coragem – como parece que, afinal, não há – de acabar com aquilo a que chamam actividades de enriquecimento curricular. Ou porque se insiste em construir escolas onde não existem crianças. Faz-me igualmente espécie, quanto à segurança social, que não se mexa nos subsídios de toda a espécie atribuídos sem qualquer controlo. Ou de retirar as reformas, pequenas ou grandes, a quem nunca descontou e tem contas bancárias com muitos zeros do lado certo da virgula. E, no que respeita ao poder local, nem é bom falar da incapacidade de moralizar os autarcas que, alheios ao mundo que os rodeia, continuam a esturrar dinheiro como se não houvesse amanhã.
Um dia, mais cedo do que tarde, com este governo ou com outro – por mais patriótico e de esquerda, seja lá o que for que isso signifique - vamos chocar frontalmente contra um cofre vazio. O que, lamento dizer, não será necessariamente mau. Parece ser a única maneira de, finalmente, percebermos o significado da frase “não há dinheiro”. Pena é que vamos todos no mesmo autocarro. 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Minoria ruidosa


Vai uma grande azia entre os poucos adeptos do pontapé na bola que não torcem pelo Benfica. Nomeadamente entre os dez ou quinze por cento que têm os leões ou o clube do porto como emblemas da sua preferência. Só grandes penalidades não assinaladas diz que foram para aí umas dez. Ou mais. Jogadores de vermelho vestidos que deviam ter sido expulsos e continuaram em campo consta que também foram uns quantos. Uma lástima de arbitragem, portanto. Responsável, garantem, por esta derrota dos verde e brancos. Das outras, e esta época já foram mais que muitas, não se conhece a paternidade. Mas isso agora, parece, não interessa nada.
É surpreendente a exigência que os adeptos – os oitenta por cento de apreciadores do pontapé na bola que torcem pelo Glorioso são igualmente assim – colocam no rigor e na qualidade do trabalho dos árbitros. Impressionam as atitudes de pessoas aparentemente normais e ajuizadas quando estão em causa futilidades como o futebol. Se fizéssemos o mesmo relativamente às decisões dos políticos e manifestássemos a mesma intolerância quando considerássemos que estes agiam de forma errada, teríamos, de certeza um país muito melhor. Mas não. Os erros do árbitro é que nos chateiam. 

domingo, 21 de abril de 2013

Mas esta malta pensa que ainda estamos no PREC?!


Não gosto de touradas. Nem de fados. Apesar disso não me incomoda, nem considero que deva ser proibida, a realização de espectáculos de nenhuma dessas actividades artísticas  Ou de outras. Incluindo o lançamento de anões. Isto desde que não seja o dinheiro dos contribuintes, o tal que não há para a saúde ou a educação, a financiar a sua existência, promoção ou divulgação.
O que já me desagrada é a maneira como os promotores destes espectáculos – e de outros, diga-se – promovem os eventos. Espalham impunemente cartazes por todo o lado. O que, para além do impacto visual extremamente negativo, causa com frequência danos em bens públicos e privados cuja conta raramente é apresentada aos responsáveis pelos estragos. O mesmo não acontece ao cidadão comum. Esse todos os meses paga, na factura da água, o lixo que produziu durante o mês. Ou, mesmo que tenha reciclado tudo, aquele que a entidade cobradora acha que terá produzido.
No caso da imagem, se ninguém fugiu com a receita da bilheteira, provavelmente sobrará “algum” para pagar a multa. Sim, porque neste caso nem duvido que os serviços competentes foram-no de facto e agiram em conformidade. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Se a moda pega... (isto anda mesmo tudo ligado)


Um alegado grupo de alegadas esposas de Viseu resolveu criar um blogue onde pretende denunciar publicamente os alegados clientes das alegadas prostitutas alegadamente estabelecidas na alegada cidade de Viriato. Até aqui nada de mais. O pior é o método escolhido. As alegadas esposam estão a divulgar matriculas de automóveis que, alegadamente, pertencerão a alegados clientes. O que é, acho eu, uma insensatez. Nomeadamente se o alegado freguês e pretenso prevaricador se tiver deslocado até ao local da alegada prevaricação num carro emprestado, roubado, ou, simplesmente, sem que a respectiva transferência de propriedade tenha sido efectuada. Isto para não falar de matriculas falsas, erros de digitação da matricula e deficiente leitura da mesma. Até porque estas actividades são predominantemente nocturnas e, como se sabe, de noite todos os gatos são pardos e as matriculas mais difíceis de ler.
Sugiro, portanto, se alguma destas alegadas esposas me ler, uma mudança de estratégia. Fotografem os automóveis e coloquem as imagens no blogue. Ou, melhor ainda, filmem ou tirem fotografias aos alegados frequentadores da alegada fornicação pecaminosa que, alegadamente por aí se pratica. E publiquem-nas. Quem se sentir incomodado que recorra aos tribunais. É para isso que eles servem. Alegadamente, claro.