Soube hoje que um infeliz qualquer, aqui das redondezas, foi denunciado e prontamente notificado pelas autoridades por um crime de extrema gravidade. Daqueles que fazem tremer os alicerces do Estado de Direito. O monstro mantinha o seu canito numa casota húmida. Coisa que, como é do conhecimento geral, constitui um atentado gravissimo aos direitos fundamentais do animal.
Após minuciosa vistoria ao local, provavelmente com recurso a sofisticado material de investigação, as autoridades competentes terão concluído, segundo fontes geralmente bem informadas mas que não posso revelar sob pena de não me contarem mais nada, que o pobre bicho apresentava as “mãos molhadas”. Um choque. Um verdadeiro horror. Aquele cão esteve a segundos de entrar em hipotermia, de apanhar uma pneumonia, ou, no mínimo, uma constipação.
Constitui, de facto, uma vergonha a maneira como certas pessoas tratam os animais. Em pleno século vinte e um não se justifica que um cão resida numa barraca instalada no quintal do tutor. Sem TV cabo, agua corrente, luz, Internet e todas as demais condições que lhe proporcionem uma vida digna. Obviamente que o lugar deles é no sofá. E na cama, também, a dormir com os seus pais e irmãos de duas pernas.












