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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Era um muro muito engraçado...

Fez no Domingo passado trinta e seis anos que caiu o Muro de Berlim. Por incrível que pareça, o acontecimento passou despercebido nas nossas televisões, sempre tão zelosas em assinalar efemérides de gloriosa irrelevância. É natural, pois para as redacções actuais a queda do muro continua a ser um trauma mal resolvido. Um daqueles episódios infelizes em que a realidade insistiu em destruir mais um “paraíso na Terra”.

Seja pelo silêncio em torno deste tema, por burrice ou por ser o que lhe ensinam em casa ou no partido, uma jovencita comunista partilhou um texto sobre a queda do muro onde, a linhas tantas, considerava que “o muro foi construido para impedir que os alemães migrassem em massa de Berlim Ocidental para Berlim Leste. Goste-se ou não foi assim.” Numa primeira leitura, até pela falta da virgula, acreditei que se tratava de uma conta paródia a escrever piadolas. Só que não. A menina está convicta da sua verdade e, por mais que inúmeros comentadores a chamem à razão, não se “desmonta da burra”. Nem o facto de as pessoas terem corrido para o lado de cá a demove. 

É neste caldo de estupidez mascarada de inteligência que se revela o papel miserável da comunicação social actual. Um jornalismo que já não informa, catequiza. Que não questiona, lambe. Que vê na miséria planificada da RDA um modelo de justiça social. É chato que o povo prefira o “inferno capitalista” à alegria cinzenta das filas para comprar manteiga, mas, c'um catano, se tanto apreciam o encanto da RDA, façam o favor de a reconstruir no vosso quintal. Um muro, uma cancela, ração mensal e vigilância da vizinhança. A experiência será educativa. E, melhor ainda, não incomodam ninguém.