De acordo com uma afirmação do primeiro-ministro, proferida quase há um ano, os problemas do SNS estariam resolvidos na segunda-feira seguinte. Afinal, muitas segundas-feiras depois ainda não estão. E, garante agora o homem, só não estão por causa dos doentes. São muitos, adoecem muito, vão com demasiada frequência às urgências e, só para arranjar chatices ao governo, insistem em não falecer.
Este discurso revela que, finalmente, a culpa do estado miserável do país deixou de ser do Passos Coelho. Agora é dos portugueses. Como se não bastasse haver doentes a mais há, também, litigância em demasia, inquilinos em excesso, demasiados estudantes e os passageiros são mais do que as mães. Depois admiram-se que exista crise na justiça, na habitação, na educação ou nos transportes. Uns chatos, estes portugueses. Não fora isso e corria tudo que era uma maravilha. Lá está, é aquela coisa da realidade sempre a atrapalhar as fantásticas políticas de esquerda.















