Desconfio que há gente que, na falta de outra ocupação relevante, dedica todo o seu tempo a inventar novas causas fraturantes. Nomeadamente daquelas que envolvem minorias, que são as que mais incomodam as alminhas desventuradas desesperadas por notoriedade. Deparei-me hoje, numa rede social, com o lamento de uma dessas “gaja das causas” por quase não existirem professores negros em escolas com população escolar maioritariamente negra. Um desses alunos pode até passar doze anos numa escola pública sem nunca ter visto um professor negro, conclui quase em pranto a criatura. Imagine-se o drama, o horror, a tragédia e todos os traumas que isso constituirá para o fedelho. Por mim não consigo imaginar, mas devem ser próximos de zero.
O mesmo se passa no Alentejo. Escolas há onde o número de crianças ciganas é superior às restantes e, tanto quanto sei, não existe um único professor daquela etnia. Há, obviamente, que pôr fim a isto. Nomeadamente obrigando negros e ciganos a seguirem a carreira de professores. Ou, porque o processo formativo demora uns anos, esquecer a parte do professor e escolher para lecionar em função da cor da pele ou da origem étnica. Até parece que já estou a ver, num futuro próximo, um qualquer vereador da educação cá da terra sábado de manhã no mercado das velharias: “Bom dia senhor Anacleto. Noto que é cigano. A partir de hoje deixa o seu negócio e vai passar a dar aulas. Começa segunda-feira na escola do Caldeiro”.





















