domingo, 15 de janeiro de 2023

Impostos, professores e outros impostores

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Ainda os professores. Acredito que terão, reitero, motivos de sobra para reclamar, mas no que diz respeito à questão da exigência de atingirem o topo da carreira a razão não lhes assiste. Em nenhuma organização ou categoria profissional todos chegam ao topo. Não seria, sequer, justo para aqueles que são efectivamente bons.


Já no que diz respeito aos vencimentos, têm toda a legitimidade para se considerarem mal-pagos. A tabela pela qual são remunerados é pública e as pensões – representarão cerca de oitenta por cento do vencimento -  que lhes são atribuídas também. As conclusões e as comparações ficam, naturalmente, ao critério de cada um.


Causa-me uma certa estranheza que os professores se refiram com insistência aos seus vencimentos líquidos. São, como muitos outros portugueses, vitimas da delinquência fiscal do Estado. Apesar disso nunca lhes ouvi uma palavra a exigir a redução do IRS. Pelo contrário, até conheço alguns que nem têm especial apreço pela ideia.


Catarina Martins, a pequena líder do conglomerado de minúsculos grupelhos esquerdalhos, marcou presença na manifestação de professores onde disse coisas. As mesmas que não foram resolvidas nos cinco anos em que fez parte da maioria que governou o país. Deve ter sido coincidência.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Ricos grevistas

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Tenho o maior respeito por todos os que lutam por um futuro melhor. Principalmente ao nível das remunerações. Como é agora o caso da classe docente. Fazem os professores muito bem em reclamar aumentos, progressões na carreiras ou seja lá o que fôr que lhes acrescente uns euros ao final do mês. Para chatice já lhes chega aquela cena de andarem anos a fio com a casa às costas.


O que não acho nada bem – a ser verdade, obviamente -  é andarem a financiar grevistas, de outras categorias profissionais, que não têm nada a ver com aquelas lutas. Não é que não possam. Podem isso e muito mais. Pelo menos a julgar pelos valores com que se aposentam. Mas fica-lhes mal comprar a solidariedade de quem ganha pouco mais do que o salário mínimo. Não estão a dar um grande exemplo aos seus alunos, convenhamos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Bicheza vegetariana

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A tentativa de tornar um cão vegetariano – ou obrigar um canito a tornar-se essa coisa – suscita normalmente um riso trocista em quem é confrontado com a ideia. Acompanhado, entre os mais cáusticos, por um lamento pelo pouco investimento do Serviço Nacional de Saúde na área das maleitas mentais. Quase tão parvo como tratar o bicho por você.


Por mim acho muitíssimo bem que tentem fazer com que a canzoada se torne vegetariana. Para segurança de toda a gente. Nomeadamente dos que não têm bicharada dessa. Assim, se calhar, não andavam por aí a ferrar incautos cidadãos que apenas querem distância dessa bicheza. Cães e donos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Há muita falta de memória...

Uma vergonha, como diria o outro, aquilo que se passa no Brasil. É a imitação quase perfeita do que fizeram os apoiantes de Trump e o consumar de algo parecido ao que foi tentado, nos anos da Troika, por diversas ocasiões em frente à Assembleia da República. Sim, que aqueles indivíduos que, à época, tentaram subir a escadaria do Palácio de S. Bento não evidenciavam especial cordialidade para com os deputados, pelo que não teriam seguramente a intenção de apenas os cumprimentar. Tentativas que, desconfio, há muito se varreram da memória dos que, então, se indignaram com a actuação da policia portuguesa e que hoje se revoltam com os acontecimentos do outro lado do Atlântico. Para já não falar do cerco ao parlamento, em Novembro de 1975, que teve o patrocinio dos mesmos - ou dos herdeiros -  que agora rasgam as vestes de indignação...

sábado, 7 de janeiro de 2023

Não sabem excel, mas fazem-nos a folha na mesma...

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De acordo com um dos intervenientes num programa de paleio que passa num canal televisivo, apenas dois ministros do actual governo sabem usar o excel. Desconheço se a informação é inteiramente verdadeira mas, a ser, não me surpreende. Nem igualmente me surpreendeu a reacção, ao nível da risota, que esta revelação suscitou entre os demais participantes no dito programa. Como se esse desconhecimento fosse a coisa mais natural deste mundo. Algo irrelevante, até, mesmo quando em causa são as pessoas que nos governam e que têm de tomar decisões baseadas em números, análises, estatísticas, tendências e outras informações que aquele software proporciona. Provavelmente noventa por cento dos portugueses reagirá da mesma forma. Considerará essa ignorância acerca de uma ferramenta informática essencial na gestão seja do que fôr, quanto mais de um país, como perfeitamente normal. Também não espanta, mas explica muita coisa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Carcereiros de animais

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Os amiguinhos dos animais estão a organizar uma manifestação onde, ao que garantem, para além de exaltarem o seu alegado amor pela bicharada pretendem evitar que o Tribunal Constitucional opte por declarar definitivamente a inconstitucionalidade da lei que criminaliza os maus tratos aos animais.


Apesar de perigosa esta gente tem, obviamente, todo o direito a manifestar-se. O problema é que muitas destas criaturas são radicais, evidenciam um comportamento doentio em relação aos bichos e, quase sempre, manifestam desprezo pela vida humana quando em causa está aquilo que acreditam ser a defesa dos interesses dos animais. Que é como quem diz, cães e gatos. E o mais estranho disto é que, na sua imensa maioria, são as mulheres que demonstram um preocupante nível de exagero na militância a favor desta causa.


Os juízes do TC alguma razão terão para duvidar da constitucionalidade da lei. Eles é que estudaram e, acredito, saberão muito mais do assunto do que as malucas e porcazinhas que, por exemplo, percorrem as cidades a espalhar comida de cão e de gato por onde calha. Com as consequências que daí resultam e que só aquelas doidas varridas não reconhecem.


Se calhar convinha, digo eu, que antes fosse definido o conceito de “maus-tratos” e que tipo de bichos e em que circunstância se podem ou não maltratar. É que, parece-me óbvio, ter um cão ou um gato encarcerado uma vida inteira dentro de um apartamento constitui uma forma de maus tratos. Isto para não falar de um pássaro, qual prisioneiro condenado a prisão perpétua, fechado numa gaiola para deleite de um qualquer amiguinho dos animais. Ou deverei dizer carcereiros?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Pecador ou pagador de promessas?

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O boneco da foto faz parte de um presépio que todos os anos é exposto numa localidade vizinha. Por não ser especialista na especialidade que envolve assuntos natalícios desconheço em absoluto que personagem bíblica – ou de outra natureza – se pretende representar. A mim, logo assim ao primeiro olhar, lembrou-me alguém. Não sei exactamente quem, mas a figura afigura-se-me (!!!) vagamente familiar. É que, verdade verdadinha, parece-me mesmo que conheço o figurante. Ou figurão, sei lá.

domingo, 1 de janeiro de 2023

Vulnerabilidades de ocasião

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Cuidava eu, na minha imensa ignorância, que nos bairros sociais moravam os mais pobres. Ou, como se diz agora, os mais vulneráveis. Logo, parece-me licito concluir, aqueles que terão de ser mais protegidos pelas autoridades. Todas. Inclusive a policia e não apenas por aquelas que distribuem dinheiro. Mas, se calhar, estou enganado. Aparentemente o pessoal que lá mora não nutre especial simpatia pela bófia. O que é estranho. A menos que essa coisa da vulnerabilidade seja apenas quando dá jeito.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

A TAP e as lágrimas de crocodilo

Quando o tema é marginalidade, assaltos ou patifarias diversas praticados contra pessoas e bens, há sempre alguém – provavelmente convencido que está num patamar mais elevado da evolução humana – a manifestar-se muitíssimo mais preocupado com os crimes de “colarinho branco”. Aqueles que roubam aos milhões, que fogem ao fisco e que põem o dinheiro nos “offshores”. Entre outras coisas que agora não me ocorrem, mas que essa malta gosta de enumerar. Registo, contudo, que vindo este tipo de discurso de apego aos milhões das pessoas de esquerda serão, afinal, estas que mais amam o “capital”.


Obviamente que cada sabe de si e escolhe preocupar-se com aquilo que mais preza. Por mim, confesso a minha cobardia, tenho muito mais medo de levar uma facada do que ficar sem a carteira. Mais euro menos euro a vida há-de continuar. Já se levar um tiro ou uma naifada as hipóteses de falecer aumentam significativamente. 


Por outro lado, reconheço, pouco ou nada posso fazer contra os meliantes de rua, chamemos-lhes assim. Já quanto aos outros, ainda que pouco, posso fazer alguma coisa. Nomeadamente não votar naqueles partidos que pretendem estender os tentáculos do Estado a toda a economia. Quanto mais Estado mais corrupção, mais crime engravatado e, ainda que legais, mais manigâncias de toda a ordem. Vidé o caso da senhora dos “quinhentinhos”. Se o BE, o PCP e o PS não tivessem nacionalizado aquilo não andávamos agora a chorar os milhões aos milhares que migraram dos cofres públicos directamente para a TAP. Podem agora chorar as lágrimas de crocodilo que quiserem, mas a culpa é exclusivamente da Geringonça. E de quem a apoiou, como diria o outro.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Habituem-se

Foi a recomendação do primeiro-ministro aos portugueses a propósito da sua governação. Não era preciso dar-se ao incomodo. Já estamos habituados. Ou não tivesse, nos últimos vinte sete anos, o Partido Socialista governado o país durante vinte anos. Daí que é sem expectativa de qualquer espécie que aguardamos o próximo escândalo, tramóia, indecência ou seja o que for que um qualquer membro do governo ou do aparelho partidário tenha feito e que havemos de saber nos próximos dias. Não é uma questão de ter ou não feito. É de quando vamos saber que fez.


Relativamente à bronca da semana – a que envolve esta senhora da TAP, não vá haver por aí outra que eu não saiba – há que, a bem da verdade, ser justo com a criatura. Ela não se “abotoou” com meio milhão de euros. Cerca de metade, pelo menos, regressam aos cofres do estado. Não é que isso dê mais ou menos seriedade – ou retire, não interessa – à coisa. É só para reforçar a ideia, que não me canso de repetir, de que o maior vigarista que por aí anda é o Estado. Mas, também a isso, já nos habituámos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Ninguém quer ser rico...

A julgar pelas reacções, a noticia da multiplicação por cinco do número de ricos não agradou aos portugueses. Nada de surpreendente. Já no tempo do PREC assim era. Os revolucionários de então – lamentavelmente muitos deles ainda por aí andam - em vez de ambicionar acabar com os pobres pretendiam era exterminar os ricos. Opções de vida que, antes e agora, têm muito a ver com a ignorância e, principalmente, a inveja.


Um dos argumentos mais vezes repetido, entre os que se sentiam indignados com este aumento do número de ricaços, é o crescimento semelhante da quantidade de pobres. Desconheço o indicador utilizador pelo fisco para determinar a partir de que rendimento alguém é considerado rico mas, desconfio, que será um valor relativamente baixo. Pelo menos a julgar por aquilo que é a tabela de IRS. Se calhar, digo eu, devia ser para aí que os portugueses deviam apontar a sua indignação. É que se um escravo é alguém a quem confiscam cem por cento da remuneração, então a partir de que percentagem de confisco do ordenado é que somos cidadãos livres? Mas isso, obviamente, não interessa nada. O tuga quer lá saber do seu recibo de vencimento. Chateia-se é se o tipo do lado ganha mais do que ele.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Agricultura da crise

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Não é que me esteja a queixar da chuva. Até porque, como se diz por estas bandas, cá em baixo é que ela se bebe. Contudo as condições atmosféricas não têm sido propicias ao desenvolvimento de actividades agrícolas. Apesar disso a colheita da véspera de Natal tem todo este bom aspecto. E, além do mais, também ajuda a combater a inflação promovida por aqueles especuladores para quem qualquer pretexto é bom para aumentarem o preço dos seus produtos. Como, recordo, o gajo das alfaces. Por esta altura já as deve vender a euro e meio. Ou mais, que aquilo não é malta para se engasgar com pouco...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Lâmpada russa?!

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Esta mania de verificar a origem dos produtos é antiga. Neste caso nem precisava de comprar uma lâmpada. Calhou a olhar para aquilo e, vai daí, vi de onde veio. Ainda bem que não me fazia falta. Acho que, na ausência de alternativa decente, teria preferido ficar às escuras.


Surpreende-me que o “Continente” continue a vender produtos com origem na Rússia. Pareceu-me ter visto e ouvido noticias acerca de uma invasão, merecedora de repulsa por parte de toda a gente civilizada, que levou à imposição de sanções aquele país. Será que, à semelhança do petróleo e do gás, as lâmpadas também foram excluídas desse boicote?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Ceguetas reivindicativos

Tenho o maior respeito por quem reivindica melhores condições de vida. Seja a nível salarial, das condições de trabalho ou por melhores serviços públicos. Não consigo é ter respeito nenhum é por aqueles que apenas reivindicam conforme as circunstâncias. Que é como quem diz, a cor política que está no poder. Vejam-se, por exemplo, os professores. Ou as incontáveis comissões de utentes que, assim do nada, desataram a exigir maior eficiência ao SNS. Isto para não falar dos sindicatos que – só agora, mas mais vale tarde do que nunca – se queixam da aproximação do salário mínimo ao salário médio.


Foi preciso a geringonça acabar para toda esta malta, de repente, desatar a protestar e a reivindicar coisas. Durante os quatro ou cinco anos anteriores estiveram, certamente, a hibernar como o Nogueira aquele alegado professor. Provavelmente recuperaram agora da cegueira ideológica que não lhes permitiu ver o estado a que isto chegou. Ou então – o mais provável – seguem como cordeirinhos o guião das reivindicações que alguém ou alguma organização lhes fornece. E nestes casos, reitero, não merecem respeito nenhum. Só desprezo.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Vistos gold

Segundo a primeira página de um pasquim os dez mil vistos gold já concedidos apenas terão gerados vinte postos de trabalho. Não sei como chegaram a este número, mas, quase de certeza, de tão poucos que são até deve ter dado para identificar cada trabalhador que conseguiu emprego graças a este programa de atracção de capital.


Claro que estes números suscitaram as mais acaloradas reações dos muitos entendidos que, nas redes sociais ou nas discussões entre amigos, dissertam acerca destas matérias. Uma vergonha, não serviu para nada e há que acabar com este favorecimento aos capitalistas que para cá trazem o seu dinheiro são as reacções da generalidade dos tugas. Gente entendida, reitero, em matéria financeira como a nossa história recente se tem encarregado de demonstrar.


Por mim, como sempre, prefiro os números. De preferências aqueles que, por mais voltas que se lhes dê não se deixam manipular. Os do IMT, no caso. Aquele imposto que o Estado nos saca quando compramos uma casa. Escolho este indicador porque o imobiliário é – parece consensual – o principal sector onde esse dinheiro tem sido investido. Em 2013 a receita deste imposto foi de 382 milhões de euros enquanto no ano passado ultrapassou os 1 286 milhões. Todo este dinheiro - o que entrou nos cofres das autarquias e mais o resultante das vendas - deve ter criado algum emprego e gerado alguma riqueza. Digo eu, que gosto muito de dizer coisas.


Podia, ainda, ironizar acerca da evolução tecnológica que permitiu a reconstrução de inúmeros imóveis nas principais cidades sem recurso a mão de obra. Ou mesmo nas mais pequenas. Mas como nos últimos dois anos tive, em diversas ocasiões, de recorrer a especialistas especializados em construção civil durante largos meses fica-me difícil ironizar acerca do assunto. Se alguém souber um método de recuperar habitações sem intervenção humana que me avise.

sábado, 17 de dezembro de 2022

Água é vida

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Só quem nasceu ou vive há muito no Alentejo entende a satisfação que dá ver os regatos a correr. Nasci e cresci entre estes dois ribeiros. Quando era gaiato – já lá vão quase trezentos anos – corriam, com maior ou menor caudal, entre Novembro e Abril. Agora isso apenas acontece  esporadicamente. Quando chove durante alguns dias seguidos e com uma intensidade acima da média. Ou seja, muito raramente. Passam-se anos consecutivos sem que por ali escorra uma pinga de água. E esta, mesmo assim, vai ser de pouca dura.


Os especialistas especializados na especialidade terão, de certeza, uma explicação que não deixará de envolver as alterações climáticas, a pressão urbanística ou outra qualquer acção maléfica praticada pelo homem*. Neste caso em concreto, como por aqui não existe pressão urbanística nem tenho conhecimento de patifarias que envolvam a destruição destas linhas de água, a culpa só pode ser da irritabilidade do clima. Embora em matéria de irritação a  minha não seja menor quando penso que toda esta água vai acabar no mar.


*Não sei se sou só eu que reparo que quando estão em causa acções pouco abonatórias para a humanidade não se pratica aquela coisa da linguagem inclusiva...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Dar o peixe...

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Ainda me lembro do tempo em que a esquerda citava com frequência as tiradas filosóficas proferidas pelos seus ideólogos. Recordo, por exemplo, aquela que garantia ser muito melhor fornecer uma cana de pesca a um pobre do que dar-lhe um peixe. Princípio que, desconfio, a dita esquerda já terá atirado às urtigas. O que não surpreende, dada a flexibilidade em matéria de princípios que afecta qualquer um quando está em causa a actividade piscatória ao eleitor.


Vem isto a propósito da distribuição massiva de “pescado” que o governo anda a fazer desde Setembro. Outra vez aos mais “vulneráveis”. Que é um conceito muito em voga entre a classe política, desde os comunas aos facholas. O arrastão fiscal permite-lhe isso e muito mais. E a vontade de se manter no poder, também. Nem que para tanto tenha até de roubar as sandálias aos “pescadores”. Já faltou mais.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Senhora Dona Gata

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Hoje o destaque vai para a gata. A Senhora Dona Gata. Não tem outro nome. Só esse. E chega-lhe muito bem. Não entra em casa, dorme no alpendre dentro de um balde de tinta, come restos ou outra coisa que consiga caçar e não dá confiança a ninguém. Gosta de manter uma distância de segurança relativamente a toda a gente. Vive sozinha e não precisa de ninguém por perto para viver a sua vidinha. Uma gata à séria, em suma. Deve ser por isso que está gorda e luzidia...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

"Viver a expensas da vida alheia"?! Trate-se, doutora, trate-se.

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Todos temos direito a expressar a nossa opinião. Por mais parva que seja. Era o que mais faltava não o podermos fazer. Não podemos é exigir que os demais, perante a estupidez da ideia defendida, manifestem algum respeito por ela.


É o que me acontece quando leio ou ouço – coisas que, diga-se, tento evitar – as opiniões da senhora dona Varela. Não tento paciência, nem respeito, por tanta petulância, arrogância e ideias que me causam a maior repulsa. A mulher, para além de se achar dona da verdade, deve viver num mundo à parte. O que nem teria mal nenhum, caso se limitasse a viver de acordo com as suas teorias e a aplicá-las no seu quintal.


A posição da doutora Varela acerca do problema da habitação é, convenhamos, sui generis. Ser senhorio é, para ela, uma actividade quase criminosa. Aqueles que herdaram casas dos seus familiares e com o rendimento obtido arredondam as parcas reformas ou os magros ordenados, são uma espécie de patifes. Quem, em resultado das suas poupanças, comprou uma casa para colocar no mercado de arrendamento e com esse rendimento conseguir uma vida melhor é para aquela opinadeira gente do piorio.


Não são os muitos estudos nem os títulos académicos que fazem alguém melhor. Nem, sequer, mais esperto ou mais inteligente. Muito menos dono da razão. Já dizia o outro que o que não faltam por aí são burros doutores. Não sei se é ou não o caso da sra doutora Varela. Mas lá que parece, parece.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Há que redefinir o conceito de agiotagem...

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Por razões ideológicas há quem defenda – no caso da banca, mas noutros também – que todo o sector devia pertencer ou, no mínimo, estar sob o controlo do Estado. Outros defendem exactamente o contrário. Por mim tanto se me dá. Interessa-me é que funcione de maneira séria. Coisa, como a história recente nos mostrou e a realidade actual continua a evidenciar, não acontece. Sejam os privados ou o governo a mandar nos bancos.


Veja-se o caso da Caixa Geral de Depósitos. Não terá sido privatizada para o Estado ficar com o poder de influenciar o mercado. É, pelo menos, a justificação oficial para a sua manutenção na esfera estatal. Embora toda a gente saiba que o verdadeiro motivo terá mais a ver com as incontáveis “colocações”, de políticos e afins, que permite realizar.


Se fosse mesmo para regular o mercado, nomeadamente no que se refere às taxas de juros praticadas nas remunerações aos depositantes, certamente os valores em causa seriam outros bem diferentes. Ter o descaramento de pagar estas taxas por um depósito a prazo, quando nos empréstimos os juros já estarão dez ou quinze vezes superiores, constitui uma afronta. Ou especulação, até. Se é para ser igual aos privados, então, fico esclarecido quanto à razoabilidade das convicções de uns e outros.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Manigâncias imaginárias

O autarca de uma câmara lá para o norte – estas coisas têm uma inusitada tendência para acontecer no norte – está a ser acusado de ter feito um contrato para a realização de uma obra que nunca terá ocorrido. Cerca de cento e cinquenta mil euros, revela hoje a imprensa. A empresa a quem terá sido adjudicada a, alegadamente, empreitada imaginária era – surpresa – da familia do vice-presidente. Embora isso não tenha grande importância. Provavelmente terá sido a empresa considerada mais capacitada para realizar obras imaginárias. O que, convenhamos, é sempre um aspecto a ter conta. Uma pessoa, se quer fazer uma obra em condições, não pode estar apenas a olhar para o preço. Tem, também, de ter em conta a qualidade final do produto imaginado.


Já li, a propósito disto, umas quantas considerações pouco abonatórias relativamente ao imaginativo autarca. Gente sem visão estratégica absolutamente nenhuma, lamento ter de os chamar assim. A criatura, em lugar de estar a ser sujeita à perseguição da justiça, devia era estar a ser elogiada pela sua actuação visionária. Senão vejamos. O dinheiro terá circulado, melhorado a vida de uns quantos e a obra, por inexistente, não terá no futuro qualquer tipo de custos ou encargos para as gerações futuras, ao contrário de outros mamarrachos que se vão vendo um pouco por todo o lado. Sabe-se lá com que contrapartidas para quem os manda fazer. Embora às vezes se desconfie.


Percebo, contudo, a indignação que o caso suscita. O pagode gosta é dos que “roubam, mas fazem”. Independentemente do valor do roubo. E do rombo, que normalmente essas coisas provocam nas contas públicas.

domingo, 4 de dezembro de 2022

Mais uma espécie de negacionistas...

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Há piadas que se fazem sozinhas. Como esta. Nem vale a pena acrescentar seja o que for. Fazê-lo implicaria o risco de estragar a piadola.


A imagem consta de um folheto criado por uma universidade brasileira que tem como finalidade alertar para a prevenção do cancro da próstata. Logo o conteúdo é manifestamente desajustado, chamemos-lhe assim. É tramado, mas por mais voltas que queiram dar a natureza é o que é. Quem não percebe é burro. Ou burra.


Como sempre digo, tenho o maior respeito por uma pequena franja da população afligida por esta terrível doença do foro psiquiátrico. O que me irrita é a tentativa de controlo da linguagem com intenção de a impor à realidade. Coisa que – bem como aqueles que se dedicam a essa prática – me merece o maior desprezo.

sábado, 3 de dezembro de 2022

Inquietações deveras inquietantes


 


E pronto, é com isto que por cá nos preocupamos. Casas de banho e bichos. E bichas, que essa coisa da inclusão deve ser sempre incluída na conversa quando se abordam estes assuntos, não vão as cadelas sentirem-se discriminadas.


Não conheço ninguém que se queixe destes problemas. Nem, sequer, fora do espaço mediático ouvi quem quer que fosse lamentar-se relativamente as estes temas. Também, tanto quanto sei, ninguém até agora deixou de arrear o calhau por as casas de banho serem como sempre foram. Mas, se calhar, anda para aí gente a padecer de obstipação por não cagar no sitio certo.


Por mim podem fazer os cagadouros e mictórios que quiserem, destinados ao público que muito bem entenderem. Numa hora de aflição, garanto, entro no primeiro que encontrar. Até porque, se estas ideias parvas forem aplicadas, quando identificar o que se me adequa pode já ser tarde demais.


Quanto a isso dos animais na Constituição é só mais uma idiotice. Se puseram lá que o objectivo era o caminho para o socialismo também podem declarar que todos os animais são iguais. Se assim for, podemos celebrar o triunfo dos porcos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

É um gosto vê-los comer...benza-os Deus!

Fico ainda mais rabugento do que o habitual quando não bebo o meu cafezinho a meio da manhã. E impaciente, também. Nomeadamente quando, como hoje, o atendimento no estabelecimento escolhido para o efeito demora mais do que o razoável. Um casal daqueles mais desfavorecidos, acompanhado dos seus dois pirralhos extremamente mal educados, estava à minha frente na fila e não havia maneira de se dar por satisfeito. Queriam tudo e mais alguma coisa. Para ambos, para os pirralhos com falta de educação e “para levar”. Não vi a conta – a bem dizer já nem via nada à frente – mas calculo que daria para o meu cafezinho durante um mês inteiro e ainda sobrava.


Não tenho, tirando a impaciência da espera, nada a ver com o que gastam nem com a maneira como gastam. Não é, sequer, esse o ponto. O que me aborrece é aquela malta que enche a boca de “social”. Aqueles que insistem em distribuir o dinheiro que não lhes pertence por pessoas que não o sabem gerir. No fundo são iguais. Quer os que “dão” quer os que recebem, ninguém faz grande parcimónia com o dinheiro que não lhes custa a ganhar. Depois queixem-se dos populistas e não sei mais o quê...

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Benfazejos

Por todo o país multiplicam-se o apoios aos – e cito – mais desfavorecidos. O que não deixa de constituir um conceito que, para lá de outras coisas, se afigura absolutamente estúpido. Questiono-me se, desse ponto de vista, todos os demais serão favorecidos. Porquê e em quê é que nunca se esclarece. Pode não ser uma questão especialmente relevante, mas, já que felizmente me incluem no número dos bafejados pela sorte, gostava de saber a quem agradecer o favor.


Todos os dias são inventados novos subsídios e novas maneiras de distribuir dinheiro. Até parece uma competição para ver quem tem a ideia mais escabrosa. Vale tudo. Até dar dinheiro para comprar casa. Ou seja, premiar o risco. Quem comprou a pensar naquilo que efectivamente pode pagar, ponderando uma eventual subida dos juros, esse, que pague e não chateie. Bem feita. Ninguém o manda ser previdente. E, no entender desses benfazejos, um favorecido desta vida.


Ainda assim há, reconheço, espaço para ir mais longe nisso dos apoios. Não me parece justo que os desfavorecidos que compraram carro, férias ou renovaram a cozinha à conta de créditos bancários não se lhes aplique tão benemérita medida. Esses e outros, que dos cofres de onde sai este dinheiro há muito para entrar.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Os publicanos do asfalto

Cerca de doze mil condutores terão sido multados, em poucos dias, por excesso de velocidade. Excluindo os próprios é, para a maioria,  algo muito apreciado. Bem feita, cumprissem a lei, a mim nunca me apanharão numa dessas, é um discurso que ouço com demasiada frequência e indisfarçável desagrado. Face às ratoeiras, quer a nível de sinalização quer do comportamento das autoridades, só por milagre se consegue escapar. 


Esta actuação das policias constitui um assalto ao bolso dos portugueses e não tem nada a ver com segurança. Se a preocupação fosse melhorar a segurança rodoviária e não apenas encher os cofres do Estado, os radares não estariam escondidos, como acontece quase sempre, em locais onde o perigo é praticamente nulo. Para não ir mais longe, socorro-me apenas do caso das estradas municipais onde agora lhes deu para fazer controlo de velocidade, enquanto ignoram o perigo que constituem os javalis. Os bichos são responsáveis por inúmeros acidentes, alguns que resultaram na morte dos condutores, contudo o controlo desta praga continua por fazer. Sendo, até, proibido o seu abate.


Por mim, que também tento não ser apanhado, procuro cumprir rigorosamente a sinalização que vou encontrando. Por mais ridícula que seja. Sim, limites de 70Km/hora, em rectas com boa visibilidade no IP2, é para lá de parvo. Hoje, fazer uma viagem de duzentos e oitenta quilómetros sempre por estradas nacionais demora quatro horas. Poupa-se nos impostos, mas esturra a paciência de qualquer um. Nomeadamente dos desgraçado que têm o azar de ir atrás de mim. Isto apesar de já ter instaladas umas quantas “apps” que me alertam para a presenças desses salteadores. Mas, mesmo assim, nunca fiando.

domingo, 27 de novembro de 2022

O pib não interessa nada!

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Diz que em 2024 também a Roménia nos vai ultrapassar nessa coisa do PIB per capita, ou lá o que é. Nada com que valha a pena preocupar-nos, já me sossegaram. Aquilo é apenas um indicador sem credibilidade. Parece que, no caso presente, essa ultrapassagem não se deve a nenhum aumento de riqueza. Os romenos é que são menos – estão a perder população - e, portanto, o mesmo PIB a dividir por menos tem de, logicamente, dar mais a cada um. Como pouco percebo destas cenas da economia, sou levado a crer na razoabilidade da explicação. Até porque me foi dada por um reputado especialista na especialidade. É socialista, mas isso é só um pequeno pormenor a que nem dou grande importância. Se ele diz que isso do PIB por cabeça não tem nada a ver com riqueza, então é porque não tem e não se fala mais nisso. Além do mais deve ser uma ultrapassagem transitória. Como os nós, os portugueses, também somos cada vez menos, dentro de poucos anos estaremos à frente da Alemanha ou da França. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Cuidado com a carteira!

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Dado que o governo inscreveu no orçamento do Estado uma previsão de receita proveniente das multas de trânsito absolutamente astronómica, cabe agora às forças policiais fazer com que a cobrança atinja o objectivo orçamental traçado pela tutela. Vale tudo. Colocam os radares nos locais mais inusitados. Já não lhes chegam as auto-estradas, os itinerários principais ou complementares ou, vá, as estradas nacionais. O desespero para multar é de tal ordem que vão à caça para onde a presa menos espera. Nem as estradas municipais escapam à sanha destes bravos angariadores de receita. Briosos agentes de cobrança da Fazenda Pública, diria. Talvez consigam um louvor, que isto de arriscar a vida a colocar radares atrás de um qualquer sinal limitador de velocidade, não é para qualquer um. 


Para quem não conhece, o radar referido na imagem acima foi colocado numa estrada com pouco trânsito onde, apesar do bom piso, a velocidade máxima permitida em toda a sua extensão é, no máximo, de 60Km/hora com troços em que o limite não vai além de 30 e 40Km/hora. Até parece de propósito...ou, então, é para facilitar o “trabalhinho”.

domingo, 20 de novembro de 2022

Afinal (quase) todos gostaram do "enorme aumento de impostos"

Nunca hei-de entender a estranha relação que os portugueses têm com os impostos. Deve ser problema meu, admito. Mas lá que é uma coisa esquisita, isso é. Por um lado adoram eximir-se ao seu pagamento, mas, por outro, reclamam daqueles que lhes conseguem escapar. Quando, na sequência da intervenção da troika - pedida por Sócrates para salvar o país da falência provocada pela governação do Partido Socialista – foi necessário fazer “enorme aumento de impostos”, toda a gente reclamou. E bem, diga-se. Agora, se alguém se atreve a sugerir a necessidade de uma redução dos mesmos impostos – até nem precisa de ser enorme – é, no mínimo, acusado de ser um perigoso liberal que quer ver destruído o SNS, a escola pública ou o que mais calhar. Só falta aos defensores da elevadíssima carga fiscal acrescentarem que “o Passos é que tinha razão”…


Também esta cena do clima lhes está a afectar a moleirinha. Quase rejubilam por na COP-27 se ter chegado a acordo para a criação de um Fundo qualquer que irá, alegadamente, ajudar os países mais pobres a minorar esta problemática. Não sei se eles sabem quem é que vai pagar. Talvez saibam. Mas, das duas uma, ou não se importam ou acham que conseguem escapar ao seu pagamento. Numa ou noutra circunstância encontrarão sempre um culpado. Qualquer um serve. Menos eles.

sábado, 19 de novembro de 2022

Micro especuladores

Parece que essa ideia tonta de taxar os lucros extraordinários do sector alimentar em 33% sempre vai avançar. Mas só para as grandes e médias empresas de distribuição. As micro e pequenas ficam de fora. Significa isto que a especulação pode ser uma coisa boa ou má, logo punida ou não fiscalmente, consoante a dimensão económica do especulador. Como se isso, para o bolso do consumidor, fizesse alguma diferença. Não é, como já escrevi noutras ocasiões, que me pareça mal tributar os lucros decorrentes da especulação. Mas, no caso, duvido da eficácia da medida, por um lado e, por outro, da sua justiça.


No âmbito da eficácia, desconfio que a cobrança resultante desta taxa será meramente residual. Os grandes grupos da distribuição sabem-na toda no que ao planeamento fiscal diz respeito e só se estiverem distraídos, coisa em que poucos acreditarão, é que serão apanhados na curva. Depois a questão da justiça. Para mim, que a uns pago e a outros dou o dinheiro, não me interessa nada quem é o especulador. Se é para pagar, que paguem todos. Se o gajo das alfaces, só porque sim, aumenta de uma semana para a outra o produto em 25%, então, nessa lógica do lucro extraordinário, também devia ser taxado. Ou, pior ainda, a mulher dos ovos. Sim, porque não me vão querer convencer que o custo de produção dos ovos do campo subiu trinta ou quarenta por cento nos últimos meses. Que eu saiba os “restos”, ervas e pequenos bicharocos que as galinhas encontram no campo continuam ao mesmo preço de sempre.