domingo, 11 de outubro de 2020

Defender uma ditadura não constitui uma espécie de crime?

Parece que um deputado do actual partido socialista, quando questionado se preferia Trump ou Xi Jinping – o presidente da China, terá optado por escolher o último. No presente contexto não me surpreende que muita gente dentro daquele partido nutra uma especial simpatia por ditadores. Daqueles sanguinários, como é o caso. Até porque não falta por aí, no PS e fora dele, quem ache preferível uma ditadura de esquerda a uma democracia de direita. Não é surpreendente, mas é preocupante. Principalmente pelo facto destas ideias ocorrerem a pessoas que ocupam cargos públicos, militam num partido que passa mais anos no poder do que fora dele e, pior, podem até chegar aos lugares mais altos da governação do país. Como este deputado que, recorde-se, será candidato a presidente dos jotinhas socialistas.


O que já nem espanta é a falta de indignação geral perante esta declaração. Nem digo que demitissem o homem ou, como fizeram com aquele alarve dos ovários, gastassem horas a malhar na criatura. Mas, sei lá, umas piadolas ou meia-dúzia de reacções mais ou menos encolerizadas era o mínimo que estava à espera. Porque, se calhar, condenar esta declaração num telejornal ou gozar com o rapazola num programa de humor de domingo à noite é capaz de ser expectativa a mais. Embora a verdadeira anedota seja um povo que tem um governo apoiado por um partido que tem dúvidas se a Coreia do Norte é ou não uma democracia e é governado por outro com gente que entre a democracia americana e a ditadura chinesa não hesita em escolher a segunda. 

sábado, 10 de outubro de 2020

É para atestar de impostos, se faxavor...

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Não é que isto seja novidade. Longe disso. Toda a gente sabe que quando abastecemos o depósito do carro estamos, mais do que a meter combustível, a pagar impostos. Confesso que não são os que mais me custam pagar. Ali, na bomba, somos todos iguais. Todos roubados por igual. E isso, tirando a parte do roubo, é que é justo. Sim que a igualdade – tal como o amor, que agora não é para aqui chamado - é uma coisa muito linda.


No caso presente, para um abastecimento de quarenta litros que me custaram quase sessenta euros euros, paguei trinta e sete euros e noventa cêntimos de impostos. Enquanto defensor acérrimo da taxação do consumo, em detrimento da taxação do trabalho e do rendimento, não fico particularmente escandalizado. Excepto para os que dependem do carro para trabalhar, pagar mais ou menos depende da vontade de cada um. E, a julgar por aquilo que vou vendo, não são muitos os que se chateiam por pagar tanto. Se isso os incomodasse faziam como eu. Andavam e pé e o carrito era mesmo só para o estritamente indispensável. Mas, se gostam de pagar impostos, continuem a andar de cu tremido. O Costa e a Catarina agradecem.


 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Nojo

Aquela deputada que abandonou o partido pelo qual foi eleita apresentou duas propostas de alteração ao código do trabalho. Ambas as coisas, convenhamos, serão bastante valorizáveis. Abandonar o PAN revela ter ganho algum juízo e apresentar propostas é o que se espera daqueles a quem entregámos o poder de fazer as leis ou alterar as existentes.


Propõe a senhora que os donos de animais de estimação tenham direito a um dia de folga pelo falecimento do bicho e sete em cada ano para acompanhamento e assistência em caso de doença do animal. Nem duvido que a ideia mereça o acolhimento da bicharada restante Assembleia. E muito bem. Aplaudirei de pé tão sábia decisão. Chapeau - é francês, para os menos familiarizados com o franciú - para eles. Só espero que a licença em causa seja por cada animal e, como fará todo o sentido, independentemente da espécie. Se assim não for até já estou a ver a quantidade de gente que se vai manifestar contra a discriminação entre animais. Especismo, ou lá o que é.


A propósito. Não sei se já partilhei aqui no Kruzes a minha preocupação com o estado de saúde das formigas do meu quintal. Tenho notado que andam um bocado pálidas...

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Uma questão de contexto

Parece que o governo já terá informado os sindicatos do sector que, no próximo ano, derivado ao actual contexto – pandemia e isso - não há condições para aumentos salariais na função pública.


Entretanto o governo já anunciou publicamente que, no próximo ano, derivado ao actual contexto – pandemia e isso – o salário mínimo nacional terá de ter um aumento com algum significado.


Compreendi-te.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Take-way para gatos

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O meu gato imaginário - o Bigodes – é um finório. Vai todos os dias almoçar e jantar fora. O que é bom. Poupa-me um dinheirão imaginário em comida igualmente imaginária.


Mas se fosse real também ia. E era eu que o mandaria refeiçoar na companhia dos da sua espécie. Opções não lhe faltariam. Teria à sua disposição, em qualidade e quantidade, uma diversificada oferta gastronómica. São mais que muitos os locais onde poderia apreciar ração em abundância e dessedentar-se com a água da região. Tudo proporcionado por umas tontinhas que – dizem, que eu nunca as vi - correm a cidade a servir refeições aos pequenos felídeos. Com, imagino, o alto patrocínio das autoridades. Ou, pelo menos, com a sua tolerância. Se assim não fosse o lixo seria prontamente removido e as beneméritas presenteadas com a respectiva coima. Mas não. Isso já era imaginação a mais.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Boas noticias...para os do costume.

Estará encontrada a solução – ou parte dela – que faltava para o orçamento de Estado do próximo ano merecer a aprovação do PCP. Parece que uma lei a aprovar um dia destes no parlamento, permitirá criar mais seiscentas freguesias. É obra. Ou, melhor, é muita freguesia. Para muita freguesia. Se este retrocesso na organização administrativa do país deixa os trabalhadores e o povo ficam mais felizes é coisa que, para já, não sabemos. Mas que muitos fregueses estarão todos contentes, não existirão grandes dúvidas. É muito lugarzinho para preencher e muita gente à espera de ir trabalhar para o bem comum. Altruístas é o que por aí não falta.


Por falar em altruísmo, que a gente estamos cá é para ajudar as pessoas. O que também não tem faltado são noticias relacionadas com a chuva de euros aos milhões se prevê venha a fustigar o país. Simplificação dos processos de expropriação, agilização da contratação pública e não recondução do Presidente do Tribunal de contas são, apenas, algumas. Todas de criar água na boca. Que isto, mal comparado, é juntar a fome com a vontade de comer. Ou, como diria o outro, anda tudo ligado. Por mim, prefiro aquela de dar a chave da capoeira à raposa.

domingo, 4 de outubro de 2020

Resistir ao saque fiscal

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A maioria dos portugueses – de entre os que pagam, naturalmente - não tem a mais parva ideia dos impostos a que estão sujeitos nem, sequer, a consciência do rombo – e do roubo – que isso constitui para os seus rendimentos. Alguns, infelizmente não tão poucos quanto isso, têm ainda a sensação que na data em que o fisco devolve o IRS retido em excesso lhes está a ser dada alguma coisa. Uma ignorância que dá muito jeito a quem está no poder e ajuda a não colocar o tema do esbulho triburário de que somos vitimas na ordem do dia. Embora, reconheço, o Trump e outros assuntos como o racismo, a extrema-direita ou cães sejam temas muito mais importantes e muito mais merecedores de atenção do que a nossa carteira...


Apesar dos sucessivos ataques aos contribuintes, ainda é possível minorar ligeiramente os danos do brutal saque fiscal. E esta, agora que estamos a três meses do final do ano, é a altura certa para preparar a defesa. Fazer contas é o segredo. O primeiro passo será revisitar a declaração do ano anterior – disponível no portal da AT – e simular com os dados do ano corrente. Depois tomar decisões. Por exemplo constituir um PPR. Dependendo das circunstâncias, com uma aplicação de três a quatro mil euros pode obter-se uma poupança fiscal entre seiscentos a oitocentos euros por casal. É dinheiro. No bolso do contribuinte, que é o sitio certo para ele estar.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Os valentes da internet


Cada um, tanto nas redes sociais como na vida real, sabe de si. Aqui no Kruzes, por exemplo, já escrevi em diversas ocasiões que não pratico a democracia e só aceito as opiniões que muito bem – ou muito mal, depende do ponto de vista – me apetece aceitar.


Percebo, por isso, que haja por aí muita gente, nomeadamente daquela que bate no peito e ergue o punho em defesa de um estranho conceito de democracia, a banir das suas redes sociais pessoas com simpatias políticas diferentes das suas. Varrer o lixo, dizem eles. Com toda a legitimidade, diga-se. O espaço é deles e gerem-no como muito bem lhes aprouver.


Também a vida real cada um governa como quiser. Festeja o que lhe apetecer, rodeia-se de quem entende e toma as opções que, em cada momento, lhe parecem as melhores. Em tempos de dificuldade, provavelmente também. Quero acreditar que, nas alturas difíceis, será igualmente junto dos que politicamente lhes estão próximos que buscarão auxílio. Nem outra coisa se espera daqueles que escolhem os amigos em função da ideologia política.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Brincar c'a tropa

Não guardo boas recordações da tropa. Pelo contrário. Detestei cada dia que o Estado português me obrigou a prestar serviço militar. Tinha emprego, vencimento e durante dezasseis meses fui privado de fazer a minha vida normal sem que ninguém me indemnizasse, até hoje, por isso. Coisa que não aconteceu com as mulheres desse tempo que, curiosamente, não reivindicavam o direito de engrossar as fileiras militares. Só os homens passavam por este calvário. Nem elas nem os ciganos. Depois venham para cá falar de discriminação, ou o catano.


Este desabafo vem a propósito das recentes notícias sobre a linguagem inclusiva que as forças armadas pretendem implementar. Acho bem. Isto há que clarificar a questão do inimigo ou inimiga, do canhão ou da canhona, da bazuca ou do bazuco. Entretanto, chamar “Maria Amélia” ao pessoal que não sabe fazer os exercícios deve passar a ser uma coisa extremamente valorizável. Quase tanto – ou mais, na optica do BE e do PAN - como aquilo que diziam os graduados durante a recruta com o intuito de aborrecer os “maçaricos”. Garantiam eles que recruta está na escala da evolução humana dez pontos abaixo de polícia que, por sua vez, está vinte abaixo de cão.


Só falta, mas não tardará, um manual de boas maneiras e espírito de tolerância do combatente. Ou combatenta.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Diz o roto ao nu...

Parece que estarão para breve umas normas quaisquer acerca de tatuagens e indumentárias que os policias portugueses poderão ostentar. Ao que leio, tatuagens de cariz partidário ou racista não serão permitidas. Coisa que está a indignar os agentes da autoridade. Não vejo, sinceramente, motivo para tanto. Nem, sequer, acredito que entre os policias haja gente capaz de desenhar uma foice e um martelo nas costas ou um Che-Guevara no braço. Era demasiado mau-gosto e refinada parvoíce.


O mesmo com a vestimenta. Não podem, parece, entrar e sair das esquadras de t-shirt, calções e chanatos. Que policia é uma profissão digna e as esquadras locais de respeito. Nada que se compare, por exemplo, à Assembleia da República, por onde qualquer marmanjo circula de saia. Daí, reitero, não vislumbrar motivo bastante para suscitar grandes preocupações aos agentes da autoridade. Nada os impedirá de entrar, ou evacuar a área, de saia rodada ou vestidinho de chita. Impedi-los seria discriminação ou, sei lá, coisa pior. Assim tipo, machismo, ou isso.

domingo, 27 de setembro de 2020

A cultura é uma arma...

Cultura. Reconheço que não escrevo o suficiente acerca do tema. Penitencio-me por isso. Melhor do que penitenciar-me talvez seja, até, enveredar por uma carreira no sector. O pior é que não tenho jeito nenhum para as artes. Cantar, dançar ou representar não são actividades artísticas onde possa aspirar a ter o mínimo de sucesso. Ainda que, como sobejamente se vê por aí, não falte gente com o mesmo grau de inaptidão a ser “levado em ombros”.


Talvez escreva uma peça de teatro. Como o outro que escreveu aquilo da “Catarina ou a beleza de matar fascistas” e, em vez de ser processado por discurso de ódio, ainda lhe pagaram. Posso revelar em primeira mão e rigoroso exclusivo para os leitores do Kruzes que já tenho alguns títulos em mente. “Adolfo ou o encanto de exterminar judeus”, “António ou as maravilhas de torturar comunistas”, “Joseph ou a satisfação de chacinar democratas” e “André ou a espectacularidade de malhar nos ciganos” são apenas algumas ideias. Quanto à trama, logo se vê. Por enquanto mantenho aquela máxima. “Quando ouço falar em cultura só me apetece puxar da metralhadora”. Uma ou outra vez, confesso, no real sentido do termo.

sábado, 26 de setembro de 2020

Meliante bom é meliante filmado!

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No actual contexto pouco me surpreende a recepção que um grupo de “jovens” – agora é assim que os meliantes são tratados pelos órgão de (des)informação - dispensou a uma patrulha da GNR num bairro de Cascais. O sentimento de impunidade é generalizado e sovar as autoridades é coisa mais ou menos normal e prática comummente aceite. Bater num cão é hoje muito mais grave do que chegar a roupa ao pelo a um policia. Pelo menos a nível de indignaçãozinha da populaça.


O que ainda me consegue espantar é aquela rapaziada que tentou sovar os GNR’s, ter filmado os desacatos e, no final, ameaçar entregar as imagens à televisão e ao tribunal. Achando, muito provavelmente, que retirariam daí alguma vantagem ou que o seu comportamento sairia legitimado e, em contrapartida, os agentes da autoridade feitos ao bife. Se calhar têm razão. E esse é o problema.


 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

IRS - Quando os argumentos descem ao nível da pré-primária...

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Acabo esta série de posts que tiveram como tema a proposta da Iniciativa Liberal no sentido de ser implementada uma taxa única de IRS, com as reacções que esta ideia suscitou. Duas, basicamente. Ambas bastante básicas, diga-se. “Não, porque assim os ricos pagariam menos”, uma delas e “não, porque quem não paga não é beneficiado”, a outra. Elucidativo. Um argumentário bastante revelador. Nem vale a pena dizer do quê. Mas que nos devia deixar em alerta sobre o carácter de quem o usa. O desprezo a que votam a metade dos portugueses que pagam IRS diz muito acerca de quem nos dirige e dos badamecos gravitam à sua volta.


Um dia destes voltarei ao assunto. Por agora, que o fim do ano começa a aproximar-se, vou fazer planeamento fiscal. O meu. Que isto, sem taxa plana, há que fazer tudo para pagar a taxa mínima.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

“O IRS é o imposto que mais contribui para a eliminação da desigualdade salarial”

Uma afirmação lapidar, esta. Dita assim até parece ser uma coisa muito virtuosa. Nomeadamente para alguns tolinhos, iletrados, demagogos diversos e gente com o cuzinho cheio de boa vida, como remataria a minha avó.


Vejamos o contributo - no âmbito da função pública - desse imposto virtuoso para eliminação das desigualdades salariais. Nomeadamente ao igualar o vencimento de quem ganha um pouco mais do que o SMN. Uns ricaços, na perspetiva comunoide dos moluscos esquerdistas para quem apenas importa o discurso populista e demagógico do aumento do salário mínimo que esquece todos os demais.


Carreira Vencimento TSU IRS ADSE V. Liquido
Técnico Superior 1 205,08 € 132,56 € 174,74 € 42,18 € 855,61 €
Assistente técnico 693,13 € 76,24 € 29,11 € 24,26 € 563,51 €
Assistente Operacional 645,00 € 70,95 € 0,00 € 22,58 € 551,48 €
SMN 635,00 € 69,85 € 0,00 € 0,00 € 565,15 €

 


Digamos, perante estes números, que o objectivo é praticamente atingido. Em termos líquidos um assistente técnico – o administrativo de um centro de saúde, por exemplo – aufere mais doze euros do que a senhora da limpeza. Que, por sua vez, recebe menos trezentos euros do que a técnica trata das análises. Ainda assim, se calhar, uma diferença demasiado grande do ponto de vista dos que acham que devemos ser todos pobres.


Há, em conclusão, que rejeitar liminarmente a ideia de uma taxa plana – igual para todos - e ponderar o aumento do IRS. Mais dinheiro no bolso de quem trabalha pode levá-los por maus caminhos. Melhorar de vida, nomeadamente. E depois, como ouvi dizer em inúmeras ocasiões a alguns “camaradas”, aburguesam-se e já não votam na gente. Uma chatice, de facto.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

IRS - Se a inveja fosse dedutível...

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Para muita gente cinquenta euros ao fim do mês a mais no ordenado não são nada. Setecentos, no final do ano, também não. Mesmo que estejamos a falar de vencimentos abaixo ou a rondar os mil euros. São, curiosamente ou talvez não, os mesmos que rasgam as vestes sempre que recordam a austeridade, as patifarias do Passos Coelho, o roubo dos salários e que se afirmam convictos defensores dos trabalhadores. E do povo, como diz o outro.


Não me surpreende este pensamento. Tal como não me espanta a incapacidade de muitos outros em perceberem que sim, efectivamente a generalidade dos trabalhadores por conta de outrem ficariam a ganhar com a taxa plana de irs. Talvez vendo a imagem que que acompanha o post percebam. Os valores referem-se à tabela de retenção na fonte de “casado – dois titulares – sem dependentes”. É esta apenas por ser a que se me aplica, mas ser outra qualquer. O resultado não teria diferenças substanciais.


Sendo um imposto anual, o resultado final não é, obviamente, a soma das catorze retenções. Há que ter em conta toda uma panóplia de deduções e abatimentos. Nomeadamente de despesas de saúde, educação ou exigência de factura que poderão ter alguma influência no apuramento. O que constitui um dos principais argumentos dos que são contra a taxa única. Válido e muito pertinente, diga-se. Só é pena que se esqueçam de acrescentar que, ao arrepio das suas alegadas preocupações, essa benesse é quase irrelevante nos rendimentos mais baixos. Mas, no fundo, nada disso lhes importa. Desde que dez ou vinte ricaços não deixem de pagar umas centenas de milhares de euros, querem lá eles saber se centenas de milhões de portugueses ficam ou não com mais dinheiro disponível. A isso chama-se inveja. Ou parvoíce, sei lá.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

IRS - É a ignorância que os faz felizes

Tal como se esperava, a proposta da Iniciativa Liberal visando a criação de uma taxa única de irs não “incendiou” as redes sociais. Um fogaréu aqui ou ali e nada mais do que isso. Ainda se fosse um cão esquelético que urgisse salvar…


A ignorância generalizada relativamente a este assunto não me surpreende. Mas diverte-me. As pessoas não sabem fazer contas nem, a esmagadora maioria, tem sequer a mais pálida ideia do que se está a falar. Mesmo aquelas que, por força dos cargos que ocupam, tinham a obrigação de possuir um conhecimento, ainda que mínimo, daquilo que está em causa. Um bom exemplo foi o debate entre os representantes da Iniciativa Liberal e do Bloco de Esquerda, uma noite destas na SIC Noticias, sobre a taxa única de IRS. Foi algo assim:


(IL) - “Todos os portugueses vão pagar menos”


(BE) - “Isso é mentira, pois quem não paga nada não paga menos”


(IL) - ?!?!?!? (siderado perante a idiotice do argumento)


(BE) - “as pessoas não sabem que não pagam…”


A argumentação do esquerdista radical que sustenta o governo passou depois para as comparações. Para ele o grande beneficiado será um CEO qualquer que ganha dois milhões por ano que verá, de acordo com a proposta da IL, a factura do IRS reduzida de oitocentos mil para “apenas” trezentos mil euros. Já um trabalhador que aufere oitocentos euros mensais terá, segundo os cálculos do extremista, uma redução mensal de cinquenta euros. Curiosa esta maneira de fazer as contas. Ao ano para um e ao mês para outro. Podia ter acrescentado que no segundo caso era quase mais um mês de ordenado. Ou, mas isso já era pedir demasiada honestidade intelectual, quantos trabalhadores ganham por mês oitocentos euros – ou menos – e quantos CEO’s ganham por ano dois milhões – ou mais. E, já que estava com as mãos na massa, podia também ter dito por que raio sustenta no poder um governo que pratica esse tipo de discrepância salarial em entidades sob a sua responsabilidade.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Impostos?! Isso não interessa nada.

O IRS é um assunto que desinteressa profundamente à maioria dos portugueses. Não admira. Metade não pagam e uma grande parte dos outros não quer saber. Têm outras preocupações. Coisas sérias e importantes como fascismo, racismo, Ventura, Trump, Bolsonaro, extrema-direita, o que cada um faz com o rabo, as diatribes do Vieira ou seja lá o que for que a comunicação social resolva promover como assunto do dia. Isso sim, é que é de preocupar. Agora cá impostos...que perda de tempo.


Pois a mim, que tenho um prazer imenso em ser do contra, é o que mais importa. E aborrece, principalmente. Não gosto nada de olhar para o meu recibo de vencimento e constatar que os valor dos “descontos” representam cerca de cinquenta por cento da coluna do “vencimento liquido”. Ou seja, em termos práticos, em cada mês trabalho vinte dias para mim e dez para o Estado. Isto deixando de lado que do “liquido” que escorre para a minha conta ainda vai verter uma parte significativa para IVA, ISP, IMI, IUC, mais todas aquelas taxas e taxinhas das facturas da luz e da água ou incluidas no preço de muitos outros bens.


Este é um tema que não me traz leitores. Pouco me interessa. Vou escrever sobre ele toda a semana. É que aquela frase que ouvi ontem pronunciada por um dirigente – deputado, ou lá o que é – do Bloco de Esquerda, não me sai da cabeça. “O IRS é o imposto que mais contribui para a eliminação da desigualdade salarial”. Pudera. Até o meu gato imaginário, o Bigodes, sabe porquê.

domingo, 20 de setembro de 2020

Só ralações

A agenda da comunicação social é notável. Demonstra que quem está nas redacções conhece o país como a pele das suas costas, que era uma expressão muito usada pela minha avó para evitar chamar ignorante a alguém. Desde ontem que a morte de uma juíza velhota lá do States não sai da ordem do dia dos telejornais. Realmente os portugueses só querem mesmo é saber se a criatura vai ser substituída antes ou depois das eleições para presidente da América. Por mim falo, estou raladinho de todo com isso. Tanto que esta noite quase não preguei olho, a matutar no assunto. E não sou só eu. Hoje na rua não se falava noutra coisa. Na padaria, as duas pessoas que a lotação permite tinham ideias antagónicas. Uma achava que sim, era de substituir já – que isto é como na bola, acrescentava – e a outra indignava-se com essa possibilidade – mais uma patifaria do Trump, esse malandro. Também quando registei o Placard do dia, esse era o assunto dominante. Alguns até faziam apostas sobre o caso.


Entretanto, cá pelo país, vão acontecendo coisas para além do covid. Acho eu.

sábado, 19 de setembro de 2020

Indignação selectiva

O presidente do Benfica será, segundo a comunicação social, um crápula da pior espécie. Entre outros crimes que lhe são imputados estará o de dever uma pipa de massa ao antigo BES. A ser paga pelos contribuintes, alegadamente. Coisa que deixa indignada uma multidão gente. Se até eu, que pago impostos e já estou habituado a pagar os desmandos destes figurões, sou gajo para me aborrecer, mais ainda se indignarão os que não sabem o que é ser tributado e não contribuem para tapar estes buracos. E têm, naturalmente, toda a razão em estarem lixados com o homem. Uma pessoa não anda a fugir ao fisco para isto.


A diferença entre mim e essa legião de indignados é apenas uma. A minha já vem de longe. Do tempo em que a banca, incluindo o herdeiro do banco acima mencionado, perdoou noventa e cinco milhões de euros a um certo clubezeco de futebol cujo nome aqui não será mencionado mas, sempre digo, veste de verde e branco. Milhões esses que, por mais que me esforce, nem sou capaz de adivinhar quem estará a pagar.


Também me causou uma certa comichão – mas, lá está, foi só a mim – aquela coisa de uma certas SAD’s não terem reembolsado os obrigacionistas na data em que era suposto. As pessoas, veja-se bem a parvoíce, investiram as suas economias naquilo à espera de, na data acordada, terem o seu dinheiro de volta acrescido dos juros contratados. Mas não. Com uma enorme cara podre foi-lhes dito apenas, “agora não, que não temos guito”. Isto perante a indiferença geral. Até das manas Mortágua.


Por mim, reitero, o Vieira será tudo o quiserem mais um par de botas. Acho bem toda a indignação por causa dele, do Costa e de todos os outros. Não suporto é a indignação selectiva. Principalmente porque ajuda sempre o prevaricador.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Burlar também é trabalhar

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Esta malta das burlas tem uma capacidade empreendedora notável. Um espírito de iniciativa ao alcance de poucos, diria. Merecem o meu respeito, tenho de confessar. É que isto de burlar dá muito trabalho. Dizem, que eu nunca estive envolvido no meio. Mas acredito que engendrar esquemas para ganhar a vida a ludibriar os demais não será coisa fácil. Nem que se consiga fazer assim sem mais nem menos. Será necessário, presumo, ultrapassar diversas etapas. Desde o surgimento da ideia até à sua concretização será um longo percurso. Plano de acção, aquisição de equipamento, formação profissional, escolha do público-alvo e outras que provavelmente nem desconfio envolvem decerto muito esforço, dedicação, empenho e, se calhar, um avultado investimento.


O MB Way tem sido um dos alvos preferenciais. Até, consta, os primos aqui da região terão estado envolvidos numa tramoia irritantemente simples de sacar dinheiro aos mais incautos utilizadores daquele meio de pagamento, a que entretanto as autoridades puseram fim. Mas, esses ou outros dinâmicos empreendedores do ramo da burla, já maquinaram outro esquema. Igualmente simples. Há, contudo, que melhorar a comunicação. É que os e-mails que ando a receber, assim como estão, parecem-me demasiado descarados. Devem ser obra de burlão estagiário.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Okupas e a oportunidade de negócio

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Os portugueses nunca foram muito de ocupar coisas. Tirando aquele curto período de tempo que se seguiu ao 25 do A, em que uns quantos oportunistas e desmiolados diversos invadiram e se aboletaram em prédios e terras como se fossem suas, nunca por cá se assistiu a um movimento mais ou menos organizado de ocupação da propriedade alheia. Embora, de vez em quando, surja uma ou outra tentativa isolada.


Já em Espanha o chamado movimento Okupa constitui um problema. E dos sérios. Segundo o Sistema Estatístico da Criminalidade, em 2019 foram ocupados quase quinze mil imóveis e em 2020, com dados disponíveis apenas em relação ao primeiro trimestre, os delitos desta natureza estão prestes a atingir os sete mil e quinhentos. Perante, diga-se, a permissividade das autoridades espanholas que pouco ou nada fazem para apoiar os legítimos proprietários ou, no mínimo, fazer cumprir a ordem e a lei. Embora esta última tenha vindo, principalmente desde que o esquerdume chegou ao poleiro, a estar cada vez mais do lado dos marginais que tomam de assalto o património alheio.


Mas o país vizinho, tal como nós, ainda é um regime capitalista. Por enquanto. E o capitalismo baseia-se na livre iniciativa, na economia de mercado e noutras maravilhas a que apenas daremos o devido valor quando a escumalha comunista da moda conseguir acabar com elas. Daí que em Espanha tenham surgido várias empresas que se dedicam ao negócio da desocupação. Com elevadíssima taxa de sucesso, parece. O que não admira. Os seus métodos, documentados em inúmeros vídeos partilhados em diversas redes sociais, para além de legais são tremendamente eficazes. E, sobretudo, convincentes. Qualquer okupa pensará duas vezes antes de reagir para o pessoal daquelas empresas da mesma maneira que o faz com a policia. São “freak’s” mas não são parvos.

domingo, 13 de setembro de 2020

Populismo valorizável

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A cada dia os populistas fofinhos arranjam um novo motivo para indignar a populaça. Foi o Novo Banco onde, nos últimos cinco anos com o apoio do BE e PCP, o governo injectou milhares de milhões de euros mas agora nenhuma das partes da geringonça parecem nada ter a ver com o assunto e até se mostram indisponíveis para cumprir o contrato que assinaram com o comprador daquilo. Mudaram de ideias, pelos vistos. Coisa muito comum em políticos.


A indignação seguinte – se calhar para fazer esquecer a anterior, que estava a começar a virar-se contra os promotores – é por António Costa e Fernando Medina fazerem parte da comissão de apoio à recandidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica. Confesso que, no caso, também me sinto ligeiramente indignado. Gente desta só dá mau nome ao Glorioso.


Já por destacadas figuras do aparelho socialista manifestarem publicamente a intenção de dar o seu voto às candidaturas comunistas à presidência da Republica, ninguém se aborrece. Mas devia aborrecer. É que se este apoio diz muito acerca do estado lamentável a que chegou o Partido Socialista e na circunstância o país, a ausência de indignação dos socialistas que apreciam a democracia – presumo que ainda existam uns quantos – diz muito mais.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Anjinhos de quatro patas...patudinhos m'ai lindos...donos m'ai porcos!

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Admiro a cortesia do autor deste recado. Deve ser alguém dotado de uma paciência de santo e de uma educação de fino recorte. Pedir por favor – em dose dupla – e no final ainda deixar um obrigado, não são palavras que um javardo mereça.


A rua onde a mensagem está afixada é o principal acesso a uma das mais afamadas unidades hoteleiras cá da terra. Além do lixo e da sujidade habitual, tem os passeios, como outras, frequentemente decorados com várias bostas de cão. Não é que me incomode com a imagem que os turistas levam de cá. Se calhar na terra deles acontece o mesmo e, provavelmente, alguns também não recolhem o cocó do seu canito. O que me chateia é que passo ali a pé todos os dias e ainda me lesiono por causa dos desvios repentinos de trajectória que sou forçado a fazer para evitar os montes de merda. Os verdadeiros.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Profunda é a tua tia...

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Alentejo profundo. Outra vez. Porra pá, estes gajos aborrecem. Agora é Arraiolos a receber a distinção. Não sei se a besta que redigiu a noticia sabe, mas aquela localidade fica a cento e vinte e três quilómetros de Lisboa. Que será, presumo eu, o ponto que serve de referencia para calcular a profundidade às alimárias que não se conseguem referir ao Alentejo sem acrescentar o adjectivo profundo. Isto partindo do principio que a distância até à superfície se mede de lá para cá. Por mim prefiro pensar – só para os contrariar, senão era igual a eles – que a profundidade se devia medir de cá para lá. É que, parecendo que não, nós estamos muito mais perto do centro da Europa do que Lisboa. No meu caso, uns cento e setenta quilómetros mais próximo. Ora toma, ó estagiário.


E, já agora, rotular qualquer terra desta região como sendo do Alentejo profundo parece-me configurar assim uma espécie de estereotipo. De preconceito, até. Uma afirmação de alguém que pensa habitar num lugar mais elevado, com um cheirinho a discriminação e que revela um sentimento de superioridade. Se fosse o Ventura a dizer tal disparate era coisa para classificar como discurso de ódio, ou isso. Assim é só mais uma bacorada do jornalismo fofinho.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Anedotas de alentejanos

Nunca tive jeito para contar anedotas. Nem sou, sequer, especial apreciador desse tipo de humor. Muito menos quando ridicularizavam os alentejanos. Aí, então, sentia vontade de partir os cornos aos cabrões que as contavam. Vá lá que esta coisa do politicamente correcto, apesar de todos os defeitos, acabou com esse suplicio e, de maneira geral, com os contadores de anedotas. Sim, porque isto a bem dizer não se podem fazer piadas. Há sempre alguém que fica ofendido.


No anedotário nacional o alentejano foi o mandrião e o idiota que era permanentemente enganado pelo lisboeta sabido e espertalhão. E a malta ria-se. Muito engraçado, isso. Até os alentejanos adoram, só tu é que te ofendes, cansei-me de ouvir. Saber rir de si próprio é sinal de inteligência diziam-me, que era uma maneira de me chamarem parvo.


Mas hoje sou eu que conto a anedota. De alentejanos, obviamente. De um que tinha uma vinha com uma adega lá no meio. Como o Alentejo não tem gente, o homem não arranjava quem lhe fizesse a vindima e pisasse as uvas. Daí que o risco daquilo se estragar, causando-lhe um avultado prejuízo, fosse grande. Até que, assim do nada, surgiu-lhe uma ideia brilhante. Tão brilhante que mesmo ele ficou visivelmente impressionado com o seu brilhantismo. Criou um programa turístico. Uma experiência, resolveu chamar-lhe, a ver se os maganos iam na conversa. E não é que foram? Agora os turistas visitam a adega, passeiam pela vinha, colhem uns cachos, pisam as uvas, no fim bebem um trago de um vinho manhoso e pagam (!!!) cem euros cada um ao alentejano. O que eu me tenho rido. Afinal as anedotas de alentejanos até têm a sua piada...

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

E a aquela cena do “é proibido proibir”, camaradas activistas?!

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Cuidava eu, na minha imensa alarvidade, que os actuais activistas das causas fossem assim uma espécie de herdeiros espirituais do movimento estudantil de Maio de 68. Até porque a generalidade do pagode envolvido nestas lutas provém dos sectores mais esquerdistas da sociedade, é jovem, urbano e com formação académica. Características mais ou menos coincidentes com os estudantes franceses que fizeram aqueles desmandos em Paris. Mas não. Enganei-me. Não são nada disso. Do léxico deles fazem parte dois verbos que usam com inusitada frequência. “Proibir” e “obrigar”. Linguagem que deixaria horrorizados os estudantes franceses que protagonizaram aquele movimento e, julgo eu, todos quantos nele participaram. Para quem, recorde-se, "era proibido proibir”. Mas estes novos “revolucionários” são o contrário. Querem proibir tudo o que não apreciam e obrigar-nos a seguir todos os seus devaneios. Mas isto, a bem dizer, nem é o que mais me surpreende. O que verdadeiramente me espanta é o silêncio - ou mesmo a concordância - da imensa legião de adoradores do Maio de 1968 perante tanta vontade de obrigar e de proibir.

sábado, 5 de setembro de 2020

Arte, cultura e cenas assim...

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Já devo ter visto centenas de fotografias do Museu do Berardo. Sinal que muita gente gostou daquilo. Ainda bem. O espaço está catita e merece uma visita. Versejei e é verdade. O que, constando deste blogue, nem sempre acontece.


Tal como muitas outras criaturas também eu tirei umas quantas fotos. Mais a quem me acompanhava e a mim próprio do que à azulejaria. Até porque pode ser tudo muito bonito mas, olhando para aquilo dos mais diversos angulos, não capto dali grande mensagem. Excepto – tudo na vida tem a sua excepção – numa ou noutra obra. Como nesta que serve de ilustração ao texto. Percebo tudo. Mesmo não estando familiarizado com isto das artes. Não admira, está por demais explicita. Até um maneta percebe.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

A esquerda é invejosa.

Precisamos de uma carga fiscal mais baixa, a começar pelo IRC. Este é um problema ideológico da esquerda, que, no fundo, é o problema cultural da inveja, porque somos um país pobre”. Quem assim fala é Álvaro Beleza, um dos raros militantes do PS que, na actual deriva esquerdista e populista daquele partido, ainda parecem manter uma razoável sensatez.


Impostos a um nível que ultrapassa em muito o esbulho, nomeadamente o IRC e o IRS, são o principal problema do país. Daqui derivam quase todas as maleitas que, colectivamente, nos atormentam. Mas os portugueses não entendem isso. Não é por mal. É só porque, genericamente, são burros e também, como refere aquele socialista, invejosos. O facto de metade deles não pagarem impostos directos e uma larguíssima faixa da população beneficiar de apoios sociais do Estado, contribuirá igualmente para que este tema não conste das nossas preocupações colectivas.


Entretanto vamos discutindo, como se isso interessasse para alguma coisa, problemas imaginários que apenas existem nas mentes delirantes dos malucos que nos governam, respectivos camaradas, subsidio-dependentes do sistema, beto-urbano-depressivos e activistas das causas que os doidos varridos vão inventado. O racismo, o fascismo e a canzoada são, hoje, as da moda. Amanhã será o que calhar. Enquanto isso, nós, os que pagamos, vamos sustentando toda esta fauna.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

O cúmulo da intelectualidade

Houve uma época em que o pessoal gostava de fazer piadolas acerca do “cúmulo” disto ou daquilo. O cúmulo da rapidez, por exemplo, seria fechar uma gaveta à chave e meter a chave lá dentro. Algo impossível, está bem de ver. Hoje, depois de anos sem ouvir graçolas a propósito de cúmulos, alguém escrevia “imaginem serem estúpidos ao nível de ainda acharem que o comunismo funciona”. Imaginar algo assim, ou ainda que vagamente parecido, é capaz de ser um bom cúmulo para a estupidez. O pior é que há muitos que acreditam nisso. Só no parlamento estão trinta e um. Ou mais, se contarmos com uns quantos que militam no PS mas que evidenciam todos os sinais de quem padece dessa maleita psicológica.


Por falar em comunistas. Na composição do comité central – que está disponível no site do pcp – há gente de inúmeras profissões. Uma delas deixou-me profundamente intrigado. Há três ou quatro camaradas que exercem a profissão de “intelectual”. Deve ser ignorância minha – ou distração, se calhar – mas não me lembro de ter ouvido falar numa greve dos intelectuais. Nem, sequer, num sindicato de intelectuais. Sinal que será uma actividade profissional onde não existem problemas laborais e, provavelmente, bem paga. Apesar de ter feito uma busca exaustiva, não encontrei empresas a recrutar intelectuais. Uma chatice. Será que já não há vagas?

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

A bicha ridicula

Nenhuma das superfícies comerciais cá da terra adoptou o sistema de fila única. Mas, por alguma razão que me escapa, numa delas tenho reparado que alguns clientes insistem em formar uma fila nos arredores das caixas de pagamento em lugar de se dirigirem a qualquer uma que esteja em funcionamento. Este comportamento é ainda mais bizarro por não existir no local nenhuma indicação de que esse é o procedimento a adoptar, nem fitas balizadoras a delimitar o espaço ou, ainda menos, monitores com a informação da caixa a que os clientes se devem dirigir na sua vez.


Ver gente aparentemente normal fazer esta triste figura é coisa que me deixa para lá de perplexo e me suscita uma série de inquietantes questões. Nomeadamente – talvez a mais pertinente – a estranheza por pessoas que não conseguem seguir regras simples e devidamente estabelecidas, como respeitar o distanciamento em relação aos outros ou ceder a vez a clientes verdadeiramente prioritários, cumprirem bovinamente outras inventadas na hora por um maluco qualquer. Pior. Que apenas complicam o atendimento, causam atritos desnecessários com quem não segue a manada e que, no caso, são absolutamente ridículas.