Já se sabia da existência de diversas estirpes de velhos. Nomeadamente a daqueles a quem cortar a reforma constitui para lá de crime – mesmo que a dita atinja cifras na ordem dos vários milhares de euros - e a dos outros velhos a quem se pode tirar tudo. Seja a reforma, quando atingirem a idade, ou aumentar o tempo que têm de trabalhar, até poderem reformar-se, em mais de dez anos relativamente aos primeiros. Justo, que isto não dá para todos e quem primeiro chega primeiro se avia.
Mas, sabe-se agora, há também a estirpe dos velhos rabugentos bons e a dos velhos rabugentos maus. A velha que tentou malhar a Cristas é uma velha boa – no âmbito da rabugice, claro - e o velho que aborreceu o Costa é um velho do piorio. Mau como as cobras. Se é que ainda posso colocar este estigma da maldade sobre as cobras.
Por mim, que qualquer dia tenho cem anos e sou rabugento desde os vinte, vejo estas cenas com manifesta preocupação. Por um lado inquieta-me saber que a minha reforma leva, por esta altura, um corte superior a sessenta por cento. Por outro, como sei muito bem a quem me apetece fraturar os cornos, vejo com satisfação a estirpe de velhos onde me vão incluir.



















