quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

2020, um ano que deixa saudades do futuro.

Dizer que não gosto de balanços, prefiro demonstração de resultados, é já um clássico em cada final de ano. O que hoje acaba proporcionou, ao contrário das expectativas iniciais, resultados do piorio. Desde a pandemia e as suas consequências, até aos comportamentos e polémicas manhosas. O racismo, o alegado perigo da extrema-direita e as causas ambientais e de alegada defesa dos animais foram algumas das ondas cavalgadas. Uns quantos frustrados à procura de protagonismo, escudados numa comunicação social à procura de causas que a salvem da falência, esforçaram-se o mais que puderam para fomentar o ódio entre as pessoas. Conseguiram-no, de alguma forma. E vão continuar a fazê-lo no ano que começa dentro de poucas horas. Há que deixar de lhes dar palco e reduzi-los à sua insignificância. O meu modesto contributo, já a partir de amanhã, será não ligar patavina a esses temas e, ainda menos, a esses idiotas. Um bom ano 2021 a quem segue o “Kruzes Kanhoto”!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Os impostos do nosso contentamento

Impostos, taxas, taxinhas e outras maneiras subrepticias dos governos nos roubarem não constituem motivo de grande preocupação para a generalidade dos portugueses. Poucos se importam. Uns porque não pagam, outros porque não sabem que pagam e outros ainda porque acham que existe no tributo que pagamos ao Estado uma espécie de virtude qualquer. A da moda são os impostos verdes. Dizem que é para salvar o planeta e a malta paga com satisfação.


É o caso da taxa de gestão de resíduos. Terá, a partir de Janeiro, um aumento de cem por cento. Como passa de onze para vinte e dois cêntimos por tonelada, são as câmaras municipais a pagar e apenas se refletirá nas facturas da água lá mais para a frente, ninguém quer saber. Até porque serão apenas uns trocos a cada um. Pois serão. Mas esperem-lhe pela pancada. Em Espanha são quarenta euros...


E, já agora, como não nos importamos de pagar pela recolha do lixo, também não nos importaríamos de pagar pela iluminação pública, pois não? A ideia anda por aí...

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Prioridades e desaguisados

A vacina do covid está na ordem do dia. Não faltam os especialistas da especialidade a cagar a sua estaca acerca de quem devia, ou não, ser prioritário. Até eu, que de saúde pública ou de vírus percebo tanto como o Sousa Tavares, mando de vez em quando a minha posta de pescada. Mesmo sendo nesta matéria um perfeito alarve, custa-me a perceber – ou melhor, não entendo de todo – a ideia peregrina de que os idosos deviam ser os primeiros, mesmo antes dos profissionais de saúde, a tomar a vacina. Por mim, que não tenho pressa nenhuma, acredito nas opções dos técnicos. Muito mais que nas dos políticos. E esta, de incluir os utentes dos lares logo a seguir ao pessoal do SNS, apesar de ter muito de política, ainda se afigura vagamente razoável. Isto, claro, a acreditar – e eu acredito – em quem sabe do oficio. Alguém, sequer, pensar em não colocar quem nos trata da saúde como primeira prioridade, é que é uma coisa que nem consigo adjectivar. Só já falta aparecer alguém a questionar por que raio a primeira pessoa a ser vacinado foi um homem, branco e provavelmente heterossexual.


O desaguisado entre a PSP e a GNR de Évora sobre a escolta das vacinas também é algo digno de nota. Isso e a garantia que as forças policiais estão em condições de, em todo o país, controlar as tentativas de comemorar a passagem do ano na via pública. Muito estranho. Afinal parece que meios humanos há em abundância. Mas só para o que dá jeito. Às chefias, entenda-se. Porque os demais não contam para este campeonato.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

As pessoas em grupo são umas bestas

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Tanta conversa acerca da algazarra provocada por uma festa de casamento, em Alter do Chão, que juntava cinquenta pessoas e que já ia em seis dias de animada diversão e afinal, vai-se a ver, não era nada disso. A GNR, ao que se dizia inicialmente não teria meios humanos disponíveis para acabar com o ajuntamento, já veio esclarecer que aquilo não se tratava de nenhuma boda. Era, tão só, uma festa de Natal. Noticia que, como é óbvio, deixou os restantes habitantes muito mais tranquilos. Também os próprios convivas trataram de informar que não eram nada cinquenta. Mas sim apenas para aí uns vinte, quando muito. Quanto ao barulho, ainda segundo os participantes no festim, houve um manifesto exagero nos relatos da ocorrência. Aquilo mal se ouvia, garantiram.


Quanto às noticias sobre nova tentativa de invasão do quartel dos bombeiros de Borba por “um grupo de pessoas” - vá lá, não foram cães, gatos ou outro tipo de bicho – revelaram-se manifestamente exageradas. Foi, segundo fonte geralmente bem informada, um pedido de auxilio ligeiramente mais intempestivo. Tão intempestivo que até terá sido necessário recorrer às forças da ordem dos concelhos vizinhos para moderar a intempestividade com que foi feito.


Por mim tendo a acreditar na versão oficial – a segunda – de cada uma das histórias. Não é estar para aqui a chamar aldrabão a ninguém, mas quando o “grupo de pessoas” do outro lado da cidade põe a música a tocar eu mal a ouço no meu quintal e só moro a dois quilómetros do local. Por outro lado, também já testemunhei a aflição de “grupos de pessoas” quando algo de mal acontece a alguma “pessoa do grupo” e posso garantir que são de uma gentileza inigualável. No passa nada, portanto.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Os burros são outros...

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A ideia de rebentar com coisas não me suscita grande entusiasmo. Menos ainda quando o alvo do rebentamento são edificios públicos, mesmo que alguns não tenham grandes condições e, como escreve o autor da ameaça, sejam uma "merda".


Desconheço se a mensagem surge ou não na sequência das notícias, que se sucedem a um ritmo assaz inquietante, acerca da pouca proactividade das forças policiais. Embora essa parte da inquietação seja relativa. O que inquieta uns, não inquietará outros. Para os meliantes, seja qual for o ramo da meliância a que se dediquem, a pouca apetência para a acção das policias não constituirá nenhuma ralação. 


A impossibilidade de acabar com festarolas, o fecho de postos com medo de marginais ou a quase total incapacidade para lidar com a criminalidade que por aí prolifera, não são, obviamente, culpa dos que lá trabalham. Nem, tão-pouco, se deve à sua eventual burrice ou à reduzida vontade de trabalhar. Com a esquerda no poder será sempre assim. Os meliantes primeiro. 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Teste o racista que há em si

O que eu me rio com as anedotas e piadas de alentejanos. É que isto é uma coisa que me cai mesmo no goto. Principalmente por, na sua imensa maioria, não serem nada estigmatizantes. Nem, muito menos, revelarem qualquer tipo de preconceito ou, sequer, pretenderem achincalhar os naturais desta região.


Quem também deve apreciar este género de humor são as diversas comissões, comités, observatórios, institutos, grupos de trabalho e afins que visam a promoção da igualdade, não discriminação e outras modernices de que ouvimos falar todos os dias. Tanto assim é que nunca os ouvi pronunciar acerca desta corrente do anedotário nacional.


Por achar de um humor de fino recorte – inteligente, até - decidi partilhar com os meus leitores a anedota que a seguir transcrevo e que vi hoje no "Trombasbook", aquela rede social sempre muito preocupada com aquilo da discriminação. Melhor do que isso, já que há quem insista que estas anedotas constituem uma espécie de elogio aos alentejanos e que apenas os parvos não gostam delas, resolvi adaptá-la a outros grupos de cidadãos. Assim, só para tornar a coisa mais inclusiva, aqui ficam três versões da mesma anedota.


Um alentejano está estendido debaixo de uma figueira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe um figo na boca e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não comes o figo? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que caia outro para me empurrar este para baixo.”



Um negro está estendido debaixo de uma bananeira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe uma banana na boca e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não comes a banana? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que caia outra para me empurrar esta para baixo.”



Um cigano está na barraca estendido na sua cama. Chega o cheque do RSI e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não vais levantar o cheque? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que chegue o próximo para levantar os dois.”


Tem piada não tem? Como diria a minha avô, tem tanta graça como um cão a cagar numa "alfaça"...


 


 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Indigência gold

Foi finalmente aprovado o fim da concessão de vistos Gold para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto bem como para todas as regiões do litoral. Esteve, neste aspecto, muitíssimo bem o governo. Quem vem de fora que venha para o interior, onde não há gente e falta investimento. Que perto do mar já lá estão mais que muitos. Até porque, dada a dimensão do país, isto é tudo arrabaldes. Mesmo o lugarejo mais longínquo do Alentejo profundo, como gostam de dizer os idiotas da comunicação social lisboeta, não fica a mais de duas horas da Capital ou de qualquer lugar à beira-mar. Daí que, acredito, não será esta limitação a impedir os estrangeiros de continuarem a debandar para este fantástico retângulo.


Mal também não esteve executivo nessa coisa do salário mínimo. O erro não é aumentar o SMN. Errado é deixar os outros na mesma. Hoje as diferenças salariais são ridículas. Quer pelo crescimento do salário mínimo, quer pelo saque fiscal sobre o ordenado de quem está nos patamares seguintes. Apenas a um indigente mental parecerá aceitável que o funcionário da limpeza leve para casa no final do mês praticamente o mesmo que quem lhe processa o ordenado. E se, como acontece muito nas câmaras do norte, ao primeiro arranjarem umas horitas extra – porque, coitadinho, é pobrezinho – então ainda recebe mais do que um técnico superior. Mas isto, lá está, é o que dá serem os indigentes mentais a mandar nisto tudo.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Os citrinos da crise

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Apesar do ataque da mosca da fruta – uma espécie de mosca misturada com abelha, a que gosto de chamar abelhosca – ter feito estragos assinaláveis, a produção de citrinos foi bastante jeitosa. A colheita de hoje e os muitos frutos que ainda estão nas árvores não me deixam mentir. Fosse eu especial apreciador de sumo de laranja e isto era bebedeira todos os dias.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

A casa a quem a habita!

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A casa a quem a habita”, reivindica a patética manifestante. Como reivindicaria outra idiotice qualquer que, no momento, lhe apetecesse. Tem – e ainda bem – todo o direito a fazê-lo. São as tais liberdades apenas possíveis em democracia. Um regime pelo qual cada vez mais gente tem menos apreço.


Vá lá que não reclama a pertença da casa a quem a constrói. A quantidade de gente envolvida na construção de um edifício é de tal ordem que a coisa só se resolveria com uma solução do tipo time sharing ou assim. Por mim, um convicto defensor do capitalismo, da livre iniciativa, da propriedade e de muitas outras cenas que fazem com que vivamos num sociedade de relativo bem-estar, principalmente quando comparada com outras que provavelmente merecerão à portadora do cartaz mais simpatia, prefiro “o seu a seu dono”. Manias.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Policia, um emprego que ninguém quer

Mesmo passando, alegadamente, por cima de todos os preceitos legais que determinam a igualdade de oportunidades no acesso ao emprego no sector público, parece que a PSP pretenderá dar primazia a candidatos a policia provenientes de minorias étnicas. A ideia, diz, será dotar aquela força policial de uma composição social mais diversificada e, assim, prevenir comportamentos discriminatórios.


Tirando aquela parte – uma chatice, isso – de ninguém, independentemente da origem poder ser discriminado, ou privilegiado, no acesso a um emprego pago pelo Estado, até nem me parece mal. O que não faltam são associações disto e daquilo ou, principalmente, intelectuais da treta a queixarem-se da pouca representatividade das minorias nas organizações policiais e em tudo o mais de que se vão lembrando.


Não sei se actualmente as pessoas das minorias étnicas -seja lá o que for que isso englobe – são ou não preteridas no acesso à policia. Se são, acho mal. Resta é saber se nesses grupos existirá gente interessada em arriscar o coiro por uma miséria de ordenado. Ou, se calhar, nem têm vocação para essas cenas que envolvem leis, regras, disciplina e afins. Estou a ver, por exemplo, o caso dos bombeiros voluntários. Numa cidade com pouco mais de sete mil habitantes, onde existe uma minoria que representará sete ou oito por cento da população, a percentagem de soldados da paz oriundos dessa comunidade será – se não estou enganado – cerca de zero. Devem ser as políticas de integração que estão a falhar. Por culpa do homem branco, naturalmente.

sábado, 12 de dezembro de 2020

Os bufos não dormem

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O país está cheio de bufos, chibos e queixinhas. Devem ser, ainda, os resquícios da “longa noite fascista”. Muitos anos a virar frangos, como alguns gostam de dizer. Tudo se denuncia. Mas pior é o incitamento à denúncia. Desta vez é a apanha nocturna da azeitona. No futuro não sabemos. Quem sabe se atravessar a rua fora da passadeira, mandar uma beata para o chão ou beber um café com demasiado açúcar. Entretanto o pessoal aplaude. Uma boa causa, alegam. Depois queixem-se…

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Costa, o bom pastor.

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Eu cá não sou de intrigas. Nem, sequer, tenho grande jeito para piadas brejeiras. Uma ou outra graçola, um dito jocoso ou, quando muito uma piodola a atirar para o javardote, ainda vá. Mais do que isso é pedir demais a este escriba.


Quem podia aproveitar era o Quim Barreiros. Que isto de cabritas e de gajos a segurá-las afigura-se-me uma coisa com um potencial humorístico bastante relevante no âmbito da brejeirice. Excepto, desconfio, para essa trupe dos amiguinhos dos animais que deve achar essa cena de os segurar uma violência. Mesmo que, como deve ser neste caso, o espécime em questão até goste.

Histerismo da moda

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Que esta história do racismo está na moda e que dá de comer a muita gente, não constitui nenhuma novidade. Já anda por aí há muito tempo. Tanto que, caso quisessem, as organizações que passam a vida a condenar alegadas práticas racistas já podiam ter dado orientações no sentido de evitar que essas práticas ocorressem nos eventos que organizam. Mas não o fazem. Nem, desconfio, lhes interessará faze-lo. O caso do futebol, por exemplo. A FIFA podia ter já dado indicações precisas aos intervenientes no jogo acerca de situações que não valem a ponta de um corno mas que depois, devidamente apimentadas, se transformam em escândalos à escala global.


Imagine-se o seguinte cenário. Num desafio entre o Borundi e a Guiné-Bissau, com uma equipa de arbitragem oriunda do Quénia, está no banco de suplentes da equipa da antiga colónia um jogador branco. Ao todo são dez pessoas, todas vestidas de igual e todas, insatisfeitas com a sua actuação, insultam o juiz da partida. Se o branco* for o mais efusivo, como é que o quarto árbitro vai explicar ao chefe equipa, de forma rápida e objectiva, qual é o elemento a expulsar? Alguma, certamente, haverá. Convinha era todos sabermos. Ou, pelo menos, quem anda lá dentro. Só para depois não andar para aí tudo histérico.


*Provavelmente usar a palavra “branco” será considerado racismo, mas não encontro uma maneira melhor de expressar com clareza** a minha ideia…


**Porra, outra vez!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Nota da redacção. (Um dez, vá)

Poucas vezes, nos já longos anos que leva de existência, o “Kruzes” esteve tanto tempo sem qualquer publicação. Não que isso constitua motivo para inquietações seja de quem fôr. Pelo contrário. Para os quatro leitores que insistem em acompanhar as alarvidades que por aqui vou escrevendo constituirá até um alivio. Mas não tenhais ilusões nem alimenteis infundadas esperanças. Este não é, ainda, o fim deste blogue. Acontecerá uma dia, como tudo o mais, mas não por agora. São apenas as circunstâncias a ditar esta pausa editorial. Que poderá estar prestes a acabar. Ou não.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Cãocerto ou mais uma maneira de esturrar impostos

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Maneiras de esturrar o dinheiro dos contribuintes há muitas. Umas mais originais, outras nem tanto e algumas absolutamente parvas. Mas, quer-me parecer, a de um município espanhol – ayuntamiento, é assim que se chama ali ao lado – que vai promover um concerto musical destinado a cães é candidata a um lugar cimeiro no top das mais escabrosas. Custará, segundo a organização, cerca de oito mil euros e vai realizar-se num parque que, devido aos condicionalismos impostos pela pandemia, se encontra fechado e que reabrirá exclusivamente para a realização deste evento cultural, como é designado pelos organizadores.


Não se sabe ao certo o programa do concerto. Nem, sequer, o repertório dos músicos que vão interpretar as partituras que animarão a canzoada. Mas, garante o alcaide, constará de “ultrasons apenas audíveis pela raça canina”. Apesar disso, o autarca manifestou o seu orgulho por lhe ter ocorrido esta ideia tão parva e terá ainda acusado quem zomba desta “iniciativa cultural” de falta de respeito para com os músicos e profissionais envolvidos na coisa.


Por mim não é que ache mal. Acho apenas estúpido. Receio, no entanto, que a moda pegue e, pior, se estenda a este lado da fronteira. Pessoal com vontade de gastar o dinheiro dos outros é o que não falta por aí. Já quanto aos temas a interpretar se, por cá, também houver disto espero que não se esqueçam de incluir a “Grândola, vila morena” no "cãocerto". Era bonito.

domingo, 29 de novembro de 2020

A desolação de sábado de manhã

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Desoladora. É o que me ocorre escrever acerca da imagem. Num sábado normal, às nove e picos, neste local quase não havia chão onde pôr os pés. Agora está assim. O que até torna irónica a medida de limitar a quinhentas pessoas a lotação máxima do espaço onde decorre o mercado. Que, diga-se, é a céu aberto e se estende por uma área que equivalerá, mais coisa menos coisa, a dois campos de futebol. Apesar disso, como qualquer pessoa de bem reconhecerá, um local muito mais propenso à propagação do vírus chinês do que um pavilhão fechado onde, durante horas, estão enfiados mais de seiscentos malucos a discutir a melhor maneira de nos impor – nem que seja pela força – as suas ideias manhosas.

sábado, 28 de novembro de 2020

Tontos

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Tendo a confiar muito mais nos técnicos do que nos políticos. É cá uma coisa minha, esta ideia. Embora reconheça com facilidade que, como não pode deixar de ser, que a decisão seja qual for o assunto terá de ser sempre política. Afinal é para isso mesmo que os elegemos. Mas o que não faltam são exemplos de decisões tomadas ao arrepio das opiniões dos técnicos. Com os resultados desastrosos que, quase sempre, daí resultam.


Isto da vacina para a Covid é apenas mais um caso. Aquilo que alguns técnicos recomendam – e, provavelmente, nem entre eles será uma posição consensual – pode ou não ser seguido pelos decisores políticos. O que não pode é ser considerada por esses decisores, que de saúde pública perceberão tanto quanto eu percebo de cozinha polaca, como uma ideia tonta.


Não sei porquê mas a mim quando estou doente ocorre-me consultar um médico. Recorrer a um político para verificar o meu estado de saúde foi coisa que nunca me ocorreu. Uma tontice, certamente. Daí acreditar que um técnico de saúde saberá muito melhor do que um político quem deve, ou não, integrar os grupos prioritários de vacinação. E até a mim, gajo pouco letrado e completamente ignorante nesta cena da saúde, me parece razoável que quando se pretende travar a cadeia de contágio a prioridade seja vacinar quem espalha o vírus. Mas, lá está, isso sou eu a dizer. Que, reitero, não percebo nada disto nem tenho eleitores a manter.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

25 de Novembro, sempre!

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Tirando uma ou outra coluna de opinião, a comunicação social fez questão de ignorar a data que hoje se assinala. Os órgãos de soberania, também. Nem a uns nem a outros interessará recordar o fim do PREC. A efeméride causará um enorme desconforto, para não lhe chamar outra coisa, a quem actualmente governa e a toda a vastíssima panóplia de apoiantes e seguidores. Não me surpreende por aí além. O que me inquieta é o Partido Socialista, que contribuiu decisivamente para reduzir à sua insignificância toda a corja comunista que então mandava nisto tudo, ter-lhes aberto de novo a porta do poder. E hoje, pasme-se, parece envergonhar-se desse passado.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Coisas de socialista

O parlamento acaba de inventar mais uma taxinha. Trinta cêntimos sobre as “embalagens de utilização única adquiridas em refeições prontas a consumir”, que o incauto consumidor irá pagar a partir de Janeiro de 2022. O pretexto é o da moda. O ambiente. Que é uma causa fofinha e um peditório para o qual até fica mal não dar.


Enquanto isso uma proposta no sentido de dotar as forças de segurança de “body cams” não mereceu aprovação dos deputados. Devem ter medo que os polícias andem por aí a filmar coisas. Ou, então, é por causa da privacidade dos gajos que vão às trombas aos senhores agentes. Embora, atendendo à maioria que chumbou a proposta, me pareça legitimo desconfiar que também tenham um certo receio de ficar sem tantos motivos para as indignações costumeiras acerca daquilo a que gostam de chamar violência policial.


Outra notícia parva do dia é a proibição, nos dias em que o governo concedeu tolerância de ponto, das aulas à distância que alguns colégios privados pretendiam realizar. Ou seja, o governo tolera que alguns não trabalhem e proíbe os que o querem trabalhar de o fazer. Só para saberem quem manda. Por mim só não percebo por que raios não decretaram logo folga obrigatória. Coisas de socialistas, é o que é.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Discursos fofinhos

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O senhor doutor Mamadou não quer, obviamente, limpar-me o sebo. Nem a mim nem a ninguém, acho eu. Que o homem não é parvo e não pretenderá acabar, por via do falecimento em massa, com quem lhe garante o sustento. Aquilo é tudo uma metáfora que apenas as mentes mal intencionadas fazem questão de não entender.


Entretanto foi aprovada no parlamento, por proposta da deputada Joacine, a criação de um “observatório do discurso de ódio, racismo e xenofobia”, ou lá o que chamam ao regresso da velha censura que os novos fascistas estão a promover. Não é que ache mal, que isto de odiar as pessoas não me parece bem. Temo é que pessoas como o doutor  Mamadou ou a doutora Joacine, daqui em diante, mal possam abrir a boca.


Depois há também aquela coisa do amor e do ódio estarem, ao que garantem alguns especialistas na especialidade, separados por uma linha muito ténue. Daí não me surpreender que, então, figuras como as mencionadas passem a suscitar uma inusitada simpatia e admiração por parte de muitos. Com insuspeitas declarações de amor, até. Desconfio mesmo que, quando esse comité estiver no pleno uso das suas atribuições, a criatividade da escrita e do discurso irá conhecer um significativo incremento. Quem leu textos que tiveram de passar pelo crivo da “Comissão Central de Exame Prévio” sabe do que estou a falar. E os outros, um dia destes, vão ficar a saber.

domingo, 22 de novembro de 2020

Logicamente...ninguém fez caso!

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Infelizmente as declarações da vereadora da câmara de Lisboa com o pelouro da habitação, uma tal Paula Marques, não suscitaram à comunicação social o interesse que mereciam. Diz a senhora que “temos de retirar a habitação da lógica de mercado”. Ora aí está um tema que, concorde-se ou não com a opinião da autarca, devia suscitar uma profunda discussão. Para, entre outras coisas, ficarmos a saber quem defende que sigamos o caminho para o socialismo, previsto na constituição, e quem prefere continuar a ignorar essa aberração constitucional. Seria uma discussão muito mais interessante, quer-me parecer, do que discutir o regresso do fascismo ou outras parvoíces que os intelectuais de Lisboa gostam de colocar na agenda mediática. Até porque já que discutíamos a habitação, se não desse muito incómodo, discutiam-se também alternativas ao financiamento das autarquias. Nomeadamente a de Lisboa. É que o orçamento daquela edilidade é financiado em mais de um terço pelo sector imobiliário. Privado, diga-se. O tal que é necessário excluir da lógica de mercado, mas que mete mais de trezentos milhões de euros por ano – de forma directa, fora o resto - nos cofres do município lisboeta.

sábado, 21 de novembro de 2020

Impostos bons e impostos maus.

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Não é que queira, pelo menos para já, voltar ao tema do IRS e da taxa plana. Até porque anda por aí gente suficiente a dissertar sobre isso. Ainda que, a maioria dela, saiba tanto do assunto como eu de cozinha etíope. Lavar a cabeça a burros é gastadouro de sabão, como garantia a minha avó, e como os argumentos conseguem ultrapassar o nível da imbecilidade o melhor é nem me meter com eles.


Entretanto não sei para onde migraram todos os que se queixavam do enorme aumento de impostos no tempo do Vitor Gaspar. Já se esqueceram, pelos vistos. Ou, se calhar, gostam de pagar impostos quanto o partido deles está no poleiro. São, certamente, os impostos bons – os de agora - e os impostos maus – os de antes. Mais ou menos como aquilo das armas nucleares, no tempo da guerra fria, em que havia as boas e as más. Sendo que, para essas alminhas, as boas eram as que estavam apontadas para nós...

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Informaçãozinha de qualidade

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A CMTV, essa referência do jornalismo televisivo, informava um destes dias que o Benfica, a maior instituição nacional, está colado com fita-cola. Já andava desconfiado. Uma defesa de vidro e um meio-campo de porcelana não auguravam nada de bom. Agora, segundo aquele conceituado órgão de informação, confirmam-se as minhas suspeitas. Escangalhou-se tudo. Vá lá que a coisa resolveu-se com cola. Só espero é que não façam mais fitas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Vida boa...não é só em Lisboa!

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Já muita gente terá escrito coisas acerca da menina Crisálida. Aquela moçoila de pernocas tatuadas que está na capa do Público de há uns dias atrás a garantir que vive do RSI e que, não fora isso, teria de mendigar. Ainda bem que não precisa de pedir esmola. Apesar da mingua – segundo os versados no assunto – que constitui aquela prestação social. A julgar por aquilo que vai partilhando com o mundo no seu perfil do Facebook, a menina Crisálida parece até ter uma vida razoavelmente confortável. Tatuagens, uns copos à beira da piscina e telemóvel de boa aparência são indicadores mais que suficientes para revelar uma gestão cuidada e parcimoniosa dos parcos recursos que o Estado coloca à sua disposição. Que assim continue. Terá – todos o desejamos, obviamente – uma longa vida pela frente e nada como começar cedo a aproveitá-la. Que isto, quando menos esperar, estará reformada.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Entrevista?! Pareceu-me mais conversa de tasca.

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Uma lástima a entrevista de André Ventura à TVI. Entrevistado e entrevistador equivaleram-se na mediocridade. Retenho apenas três pontos. Nem um nem outro souberam – ou quiseram, sei lá – falar com seriedade da chamada taxa plana de IRS. Não, não é verdade que ponha os pobres a pagar mais e sim, é verdade que nos primeiros anos a receita proveniente desse imposto sofrerá uma queda acentuada. A solução será cortar na subsidio-dependência – de ricos e de falsos pobres – ou pedir mais dinheiro emprestado. Matéria em que, reconhecidamente, somos especialistas. O conceito foi testado em diversos países e – ele há coincidências do caraças – já quase todos nos ultrapassaram e os que ainda não nos passaram à frente estão em vias disso. Deve ser obra do acaso, se calhar.


Depois, aquela tirada das câmaras municipais onde os funcionários são tantos, para tão pouco trabalho, que dormem à secretária. É verdade, sim senhor, que eu já vi com estes dois que a terra um dia há-de comer. Mas não é apenas à secretária. Os que têm uma função que não envolve estar perto dessa peça de mobiliário, gozam de igual privilégio. Provavelmente, até, com um mais elevado nível de conforto, que dormir sentado não deve fazer lá muito bem à coluna. Mas isso, digo eu que gosto muito de dizer coisas, não é culpa dos funcionários dorminhocos. Quem os meteu para lá sabendo que não tinha trabalho para lhes dar é que não tem vergonha.


Por fim, aquilo de casar a filha com um cigano. Fica mal a quem pergunta. Até porque também não ignora qual seria a resposta se a questão do casamento fora da comunidade fosse colocada a um cigano. Uma provocação desnecessária, no mínimo. Que teve, no entanto, uma inegável vantagem. Fiquei a saber, por algumas reacções que entretanto li, que são mais que muitas as criaturas que não veriam qualquer inconveniente num matrimónio dessa natureza por parte da respectiva descendência. Ainda bem. Eu também sou muito mentiroso.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Livro de reclamações

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Muitas são as ocasiões na nossa historia recente em que toda a gente protesta e poucos têm razão. Agora também. Excluo deste grupo, daqueles a quem a razão não assiste, o pessoal da restauração. O sector foi atingido em cheio pelas medidas de combate ao vírus chinês e terá muitos motivos para se queixar. Não está, contudo, a saber passar a mensagem. São notórios os erros de comunicação e o mais certo é isso vir a custar-lhes os negócios, os empregos e os investimentos realizados.


Podem, os empresários do sector, ter toda a razão naquilo dos meses de facturação que contam para o apuramento do apoio governamental. Não lembra a ninguém incluir no calculo o período em que os estabelecimentos estiveram fechados. Uma percentagem de zero, seja ela qual for, será sempre igual a zero. Mas, igualmente mau, é exigir não “pagar” o IVA, como alguns donos de cafés e restaurantes não se coíbem de fazer aos microfones das televisões, alegando que se trata do “maior custo” do seu negócio. O IVA não é um custo deles. É dos clientes e foi pago no acto do consumo. Eximir-se à sua entrega ao Estado é, para além de um possível crime, uma burla e uma falta de respeito para com os consumidores e os contribuintes em geral.


De recordar que o sector, quando da descida do IVA para a restauração, não baixou os preços. Preferiu aumentar a margem de lucro, apesar do exponencial crescimento do negócio com o boom turístico que se seguiu. Convém igualmente não esquecer que não são assim tão raros os estabelecimentos onde se trabalha de “gaveta aberta” e que muitos ainda mostram má cara quando se pede factura. E, sobretudo, é sempre bom não esquecer quem é que no final vai pagar a continha. Com factura.

domingo, 15 de novembro de 2020

Se não quisermos comparar, não comparamos. Mas isso não muda os factos.

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Comparar o PCP ao Chega é comparar o incomparável”, porque “o PCP lutou pela democracia e contra a ditadura”, “o PCP defende os trabalhadores” ou “o PCP não persegue as minorias” são ideias que, nos dias que correm, a opinião publicada e alguns patetas insistem em transformar em verdades. Ouvi-las causa-me náuseas ao nível do vómito. Toda a gente sabe que não é assim. Excluindo, naturalmente, um ou outro analfabeto e uma chusma cada vez maiores de negacionistas da história. Uma espécie de terraplanistas da política, que ainda hão-de fazer de Lenine um democrata e de Staline um defensor dos direitos humanos.


O PCP terá, de facto, lutado contra o regime fascista que vigorou até setenta e quatro. Não pretendia era a instauração da democracia. Basta saber o que se seguiu e qualquer burro percebe que tipo de regime pretendiam os comunistas implementar por cá em substituição do fascismo.


Quanto a isso de defender os trabalhadores, então, nem é bom falar. Trabalho há quarenta anos numa organização por onde já passaram políticos de todos os quadrantes e sei quais são os trabalhadores que todos defendem. Os deles. Os que, por oportunismo ou convicção, se agarram ao pau – da bandeira, bem entendido – em tempo de eleições ou passam lustro ao cágado no resto do tempo. Ao longo destes anos já assisti a incontáveis manigâncias para beneficiar “este” e, pior do que isso, prejudicar “aquele”. Inclusivamente cá ao rapaz. Sempre, obviamente, dentro da maior legalidade. Que essa malta sabe-a toda.


Sim, o PCP é comparável ao Chega. O eleitorado, segundo os gajos que estudam estes fenómenos, até é em muitas circunstâncias o mesmo. Tal como o pouco apreço dos comunistas relativamente a algumas minorias. Ou já se esqueceram daquilo do “não há camaradas paneleiros”?

sábado, 14 de novembro de 2020

Vão...vão...vão...

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Esta fotografia tem mais de catorze anos. Foi obtida em Setembro de 2006 e o mundo era, nessa altura, um lugar diferente. Apesar disso parece-me de uma actualidade inquietante. A mensagem, para além de evidenciar algum mal-estar que à época já afligiria o dono do espaço, pode também ter outras leituras que ultrapassam o âmbito da restauração. O pior é que, no decorrer destes anos, ninguém seguiu o conselho. Não só ficaram todos como, desgraçadamente, vieram outros.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Agricultura da crise

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O meu quintal está, permanentemente,sob ataque. Nem sei como é que ainda consigo daqui colher alguma coisa, tanta é a bicharada, das mais variadas espécies, que por aqui ciranda. Os predadores, desta vez, são estas lagartas manhosas. Têm um apetite devorador, é quase necessário um olhar de lince para caçar as maganas e são tão verdes como as plantas. As vitimas destes terroristas esverdeados foram os brócolos que iam ser plantados um destes dias. Tiveram, obviamente, o tratamento adequado. Foram esborrachados liminarmente. Que o PAN todo poderoso me perdoe.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Deve ser tudo uma questão de "conquistas"...

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Ainda me lembro quando o aumento do subsidio de refeição da função pública era medido em carcaças. Ou cafés, nos anos bons. Agora, que nem subsidio nem vencimento têm actualizações, não sei que termo de comparação é usado pelos que então faziam essas contas. O mesmo para as pensões de reforma. Um rol de criticas à mingua que era acrescentado ao seu valor. Coisa capaz de fazer definhar os velhotes, tal era a miséria que aquilo representava.


Não é que estas cenas me preocupem. Nada disso. Estou extremamente confiante na bondade das decisões dos nossos queridos lideres. A ausência de aumentos é, de certeza, para o bem dos trabalhadores e do povo. Preocupado estaria eu se o governo fosse de direita – bafienta, como toda a direita – e praticasse políticas bafientas de direita. Aquele sindicalista que esteve lá no meu serviço, antes das eleições, a apelar ao voto na, então, “actual solução governativa” é que tinha razão. “Não podemos perder as conquistas que já conseguimos”. Sabia-a toda, ele. Isto nada como um governo de esquerda, com políticas de esquerda. Daquelas refrescantes. Que cheiram a pinho e tudo. Não temos aumento na mesma, mas é de esquerda. E isso já nos consola. Aos mais parvos, nomeadamente.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Bonés há muitos...

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A tolerância que a sociedade democrática manifesta relativamente aos símbolos das ditaduras criminosas de índole comunista – passe o pleonasmo - é algo que me irrita. O cavalheiro desta banca tem toda a liberdade para vender estes produtos, qualquer um os pode comprar e, se for o caso, para os usar na via pública sem que, para além do notório mau-gosto, alguém faça o mais leve reparo. Agora imagine-se que o boné ostentava uma cruz suástica. Seria ilegal, dado que a nossa legislação não permite – e bem – essas coisas. Nem, naturalmente, o problema reside nessa proibição. Está, apenas, em não tratar da mesma forma os outros criminosos que ainda hoje enaltecem as práticas bolchevistas. Mas com bonés ou sem bonés, não passarão!

domingo, 8 de novembro de 2020

Operação "Risota"

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A foto, publicada na página da GNR de Santarém, mostra o armamento apreendido por aquela força policial a um pacato cidadão que se dedicava a apanhar uns passaritos. O que, como não podia deixar de ser num país governado por malucos, constitui uma actividade ilícita. O prevaricador ainda encetou a fuga, mas foi prontamente interceptado pelos bravos militares que, usando da sua habitual argucia, localizaram as armadilhas e libertaram um estorninho. Foi também confiscado, embora lamentavelmente não conste da foto, um frasco que continha formigas de asas utilizadas como isco. Quanto ao detido, foi constituído arguido e os factos encaminhados para o tribunal.


A noção do ridículo é coisa que há muito se perdeu. Uma maleita que afecta as pessoas e, pior, as instituições. Mais grave ainda quando as envolvidas nesta perda são aquelas em que os cidadãos mais deviam confiar. Que a lei é para cumprir e que os militares da GNR agiram nessa conformidade não existirão grandes dúvidas. Contudo a primeira lei que se deve cumprir é a do bom senso. Quando as leis são ridículas, exigir o seu cumprimento só ridiculariza a autoridade. A não ser que a nova missão das forças policiais seja contribuir para a boa disposição da população. Se assim for, que continuem. Ao menos a malta ri-se.

sábado, 7 de novembro de 2020

Gozar com quem trabalha

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A Misericórdia de Portalegre está a recrutar um licenciado em contabilidade. Com experiência, preferem. Oferecem, como remuneração, o chorudo vencimento de setecentos e sessenta e nove euros e cinquenta e quatro cêntimos. Acrescido, não vão os potenciais candidatos pensar que não têm esse direito, de subsidio de férias e natal. Dependendo da situação familiar do trabalhador é coisa para ficar ali entre os seiscentos e vinte e os seiscentos e cinquenta euros líquidos. Catorze meses por ano, como sublinha a magnânima instituição.


Esta oferta devia causar vergonha a quem a faz. De certeza que nenhum director daquela organização gostaria de ver um filho seu, licenciado e com experiência no ramo, auferir a miséria de ordenado que estão a propor. Mas também devia fazer corar aqueles que andam há anos apenas preocupados com o salário mínimo nacional. É que depois dá nisto. Um licenciado em contabilidade leva para casa mais sessenta euros do que a pessoa das limpezas. Ou, até, receba bastante menos por comparação com alguém que faça a limpeza numa entidade que pague subsidio de refeição.


O mesmo se passa com outras profissões. A policia é, igulamente, um mau exemplo. Depois admiram-se, como faz hoje noticia de capa um pasquim nacional, que não haja candidatos suficientes para preencher todas as vagas na PSP. Mas, por cá, não é coisa que se discuta. O que nos interessa discutir é a política interna americana.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O iphone, a manteiga e o pobre

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O iphone do pobre cai sempre com o écran para baixo. O que constitui uma boa maneira de dizer que os menos abonados são, normalmente, os mais azarados. E, segundo os mais assiduos frequentadores de esplanadas, os que possuem as mais recentes inovações tecnologicas no âmbito das comunicações. Podia ser assim uma espécie de pensamento do dia. Mas não. Até porque à hora a que me ocorreu já era noite cerrada. Tinha acabado de deixar cair o pão e, como era inevitável, a manteiga ficou para baixo. Um risco que nem todos os pobres correm, convenhamos. É que isto ou eu não entendo o conceito de “pobre” ou, então, os pobres tem cada vez mais iphones e comem cada vez menos manteiga.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

E o seu município, é amigo do contribuinte?

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Dissertar sobre o IRS nesta altura do ano é já um clássico deste blogue. Nomeadamente acerca daquele desconto que os municípios amigos do contribuinte proporcionam a quem reside na sua área de jurisdição. O desconto, convenhamos, não é grande coisa. Mas é melhor do que nada. No mapa seguinte, publicado aqui no Kruzes há coisa de um ano, dá para perceber os montantes com que o contribuinte fica a arder se tiver o azar de morar numa das cento e setenta e quatro autarquias que não proporcionam este desconto aos seus munícipes. A lista completa, dos "bons" e dos "maus", pode ser vista nesta página. Daqui por uns meses, quando forem mendigar o voto, convém tê-la por perto.


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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Sempre em festa...

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Estremoz passou dos zero aos mais de cem casos de Covid-19 em poucas semanas. Faz, por isso, parte do rol de cento e vinte e um concelhos sujeitos a medidas mais restritivas. Nada de preocupante, dirão alguns. E, se calhar, com alguma razão. Se fosse caso para inquietações as autoridades competentes – é apenas uma força de expressão – já teriam colocado fim à festa que dura há uns dias ali para os lados do Resort. Até porque a algazarra ouve-se do outro lado da cidade e, calculo, deve incomodar quem tem o azar de viver nas imediações.


Ah e tal, a malta é jovem e precisa de se divertir”, “aquilo são festas de aniversário ligeiramente mais extrovertidas” e outros dichotes parecidos são mais do que dispensáveis. Digam antes que não querem chatices, que não vão lá por não terem sido convidados ou, sendo sinceros, que quem tem cu tem medo. Mas, já dizia a minha avó, quem tem medo compra um cão. Não vai é para autoridade competente. E quem não quer aborrecimentos também não.

domingo, 1 de novembro de 2020

"Teletrabalho" envolve aquela coisa de trabalhar. Topam?

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Que a coisa não está fácil toda a gente sabe. Tirando, talvez, aquela parte da população que anda por essas redes sociais fora a pretender fechar o país. “Têm-no” garantido, daí tanto se lhes dê que outros não se possam dar ao luxo de se trancar em casa. É que isso do graveto cair na conta bancária independentemente do esforço desenvolvido não assiste a todos.


É, mais ou menos, como aquilo do teletrabalho. Até parece que estou a ver, já amanhã, toda a gente a querer ir tele-trabalhar. Só porque sim. Ou porque outros vão e eles também querem. Mesmo que as funções que desempenhem se relevem manifestamente incompatíveis com o conceito de trabalhar à distância. Que isto se é para uns é para todos, argumentarão com as habituais certezas e a inteligência que os caracteriza.


Leio apelos lancinantes ao fecho das escolas. Oriundos, alguns, de auxiliares de educação. Compreendo a preocupação. Também percebo que estar três meses sem trabalhar e o ordenado a cair na continha, como da outra vez, é uma coisa prazenteira. Desconfio que pessoal que trabalha em museus, teatros, cinemas, bibliotecas, front-offices e afins também se pretenderá recolher no aconchego do lar. Não seria coisa inédita. No entanto, ao que me pareceu ouvir, o primeiro ministro falou em teletrabalho e, que eu desse por isso, em momento algum se referiu a teledescanso. É bom que toda a gente perceba a diferença.

sábado, 31 de outubro de 2020

A culpa é minha?!

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Por volta dos sete anos de idade, acabadinho de entrar para a escola, a professora primária chegou-me a roupa ao pêlo por ter faltado a uma missa dominical para a qual a classe foi convocada. A ausência ao acto religioso não resultou, como então era óbvio, da minha vontade. Foram os meus pais, indignados com a mistura entre escola e religião, ainda para mais fora do tempo e do espaço escolar, que entenderam não me deixar ir. Coisa que, para a criatura, nada relevou. Cenas de outros tempos.


Desde então detesto tudo o que se relacione com religião. Todas. Daí que me causem uma especial repulsa os crimes cometidos em nome de um amigo imaginário. E ainda mais nojo me causam aqueles que defendem os criminosos ou procuram arranjar justificações para a sua prática criminosa. Para mim entre as organizações islamo-fascistas que nos querem impor o seu modo de vida, os gajos que os transportam dos seus países para a Europa, os que lhes abrem a porta e indivíduos como o papa ou o bispo do Porto as diferenças são poucas ou nenhumas. O sangue das vítimas salpica-os a todos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

O Alentejo e o Covid

Sem Título.jpgDurante meses não tivémos por cá o vírus chinês. Agora anda por aí à solta e os casos da doença sucedem-se. Alguém trouxe para cá o bicho. Que ele, como muito acertadamente diz o Costa, não anda sozinho. Ninguém terá culpa de o transportar. Poucos, tirando um ou outro maluco, lhes dariam boleia.
Mas não surpreende. Resmas de gente a demandar a região, eventos despropositados e montes de criaturas em patéticas festarias para comemorar coisa nenhuma teriam inevitavelmente de dar nisto. A vida e o país não podem parar. Mas alguns podem. Pelo menos podem parar de ser parvos.


PS - A imagem, da capa do jornal i, assinala os concelhos onde o nivel de contágio é mais elevado. Estremoz. Redondo, Borba e Vila Viçosa fazem parte do grupo.

domingo, 25 de outubro de 2020

Deixem lá a malta (o)pinar, pá!

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Quanto a esta medidinha da limitação de deslocações entre concelhos, para combater o vírus chinês, não tenho grande opinião. Nem pequena, a bem dizer. Até porque os portugueses quando querem – e querem muitas vezes – são exímios a contornar as leis. Mas há quem se sinta incomodado com esta decisão. Por muitas razões, que isto cada um sabe de si. A deste cavalheiro parece-me pertinente. E atendível, também. Devia, na minha modesta opinião de opinador que gosta de opinar, enquadrar-se nas excepções legalmente previstas. Só quem passou por estas coisas é que sabe dar-lhe o devido valor. Ainda bem que quando eu catrapiscava a minha Maria não havia Covid.

sábado, 24 de outubro de 2020

O melhor é contar outra vez...

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Os portugueses não têm grande propensão para os números. Dos que vão para jornalismo, então, nem se fala. Deve ser por isso que onde uns contam mil manifestantes, outros apenas vislumbram umas dezenas. Já se fosse uma manifestação da CGTP ou dessas causas da moda, seriam aos milhões. Cenas do rigor informativo que por aí se vai vendo. Ou, como diria a minha avó, por estas tirem outras. 


Não sei se usar máscara ajuda, ou não, alguma coisa no combate ao vírus chinês. Hoje ainda não tive ocasião de ler a posição da DGS acerca do assunto. Só sei que o PSD fez mais um frete ao PS e ao governo. E prepara-se, ao que parece, para fazer outro. Com aquilo da aplicação para telemóvel, ou lá o que é. Querem outra. Por mim não tenciono usar nenhuma. E nem é por causa dessa treta da privacidade. É só mesmo pela discriminação, naquela parte da obrigatoriedade, entre portadores de telemóveis. Já quanto à máscara, não vejo mal nenhum. Pelo contrário. Reconheço-lhe até muitas outras vantagens para além daquelas que andam para aí a apregoar.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

A solidariedade é uma coisa muito linda...

O deputado e simultaneamente secretário-geral do partido comunista, Jerónimo de Sousa, desceu hoje as escadarias da Assembleia da República e juntou-se aos trabalhadores das autarquias que ali se manifestavam. Nada de mais. André Ventura fez mesmo com outros manifestantes. E, tenho até uma vaga ideia, foi muito criticado por isso.


Como era de esperar, o líder do pcp solidarizou-se com a luta daqueles trabalhadores pois, afirmou cheio de pena, têm vencimentos baixíssimos. A esmagadora maioria ganha apenas o salário mínimo, acrescentou. Considerações que revelam toda a enorme desfaçatez tão própria de todos os que apreciam a causa comunista. É que nenhum daqueles manifestantes ganha, actualmente, o SMN. Isso acontecerá em Janeiro quando, então sim, os vencimentos mais baixos da função pública forem, outra vez, engolidos pelo salário mínimo. Na sequência, aliás, daquilo que a esquerda tem andado a promover desde que chegou ao poder. Que é colocar toda a gente a ganhar o mesmo. A nivelar por baixo. Ou seja, a multiplicar os pobres.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Em cada português há um especialista em politica americana

O tema “Trump” aborrece-me particularmente. Admito, no entanto, que os meus compatriotas – gente muito mais informada e entendida na política dos States do que eu – apreciem a bastante o diluvio de noticias que a comunicação social trás diariamente até nós. A mim não me interessam. Mudo sistematicamente de canal assim que ouço o nome ou vejo as trombas da criatura. Sou gajo que gosta de ouvir umas piadolas e o figurão presta-se a isso. Mas, não sei se é só a mim que acontece, uma piada pode ou não ter graça dependendo de quem a conta e eu não me consigo rir das anedotas que os órgãos de informação fazem acerca do fulano. Daí já nem ter paciência para as ouvir.


Há, depois, o factor desilusão. A presidência do cavalheiro é uma decepção absoluta. Ainda me lembro de garantirem, na anterior campanha eleitoral americana, que a eleição do Trump constituía uma ameaça à paz no mundo. Iam ser guerras até mais não, juravam os entendidos. Quase toda a gente, afinal. Vai-se a ver e nada. É que nem uma escaramuça. Desta vez já me passou por baixo dos olhos uma parangona qualquer a afiançar que vai ser a democracia. Diz que acaba, se o Trump for reeleito. Muitos, inclusivamente por cá, são capazes de acreditar. Se calhar os mesmo que preferem o Xi Jinping.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Deixem-se de fitas, pá!

Mais uma taxinha. Agora é sobre as plataformas de streaming. Trata-se, ao que parece, de taxar filmes e séries que toda a gente quer ver, para arranjar dinheiro que permita subsidiar os que entretêm a fazer cenas que ninguém está interessado em ver.


Não é que tenha pena das empresas a quem vai ser aplicado essa taxa. Pelo contrário. Tenho é pena - e muita - daqueles palermas que acreditam que essas ditas empresas não vão repercutir esse custo na conta que apresentam aos consumidores dos seus serviços. Ou seja, de uma ou de outra maneira - que isto anda tudo ligado - todos pagaremos mais esta taxinha.


Esta maneira mesquinha de fazer política e sempre a fazer dos outros parvos causa-me elevadíssimos níveis de irritabilidade. Se querem aumentar impostos digam-no sem rodeios. Sigam o exemplo de Vitor Gaspar, olhem os portugueses nos olhos e digam-nos: “Vamos fazer um enorme aumento de impostos”. Não têm, obviamente, tomates para isso. Não é o género desta gentinha asquerosa.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

O virus chinês

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Há anos que uso sistemas operativos Linux, em vez do tradicional Windows, nos computadores cá da maison. Por várias razões. A segurança, o facto de todas as aplicações serem gratuitas e a opção por não usar pirataria são apenas algumas. Embora, reconheço, a principal seja apenas porque sim. Das vantagens já aqui escrevi em várias ocasiões e, apesar de algumas lacunas, continuo a considerar que a escolha vale a pena.


O Linux fica apenas a perder – dentro do software de que faço uso, obviamente – para o “Office”. Aí não há volta a dar. A alternativa ao pacote de escritório da Microsoft, que vem por defeito com o sistema, deixa bastante a desejar. Daí a tentativa de encontrar outros programas melhorzinhos. Ou simplesmente menos maus, vá. A busca levou-me ao WPS. Apesar de chinês resolvi testar. Em má hora o fiz. Deu nisto. Aquilo não presta e, pior, criou uma pasta que não mostra o conteúdo nem se deixa apagar. Mas este, ao contrário do outro vírus dos gajos, tem solução. E rápida. Graças ao fantástico Linux.

domingo, 18 de outubro de 2020

Agricultura da crise

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Com a plantação dos primeiros bróculos e alfaces está oficialmente aberta a época agrícola 2020/2021. Meia-dúzia de cada, para começar, que o espaço é pouco e, descontando a passarada de diversas marcas, as bocas a alimentar também. Ao lado estão semeados coentros, espinafres e meia dúzia de grãos de sementes de uma espécie não identificada. Agora é esperar que chova e que os gatos das redondezas se entretenham pelos quintais dos respectivos donos e deixem o meu em paz.


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Entretanto o compostor cumpriu o seu papel. Finalmente, quase um ano após a “inauguração”, o produto acabado está praticamente em condições de ser aplicado. Mais uma ou duas semanas de secagem e estará apto. Engoliu muitos quilos de restos de vegetais e devolve agora este composto que, garantem os especialistas da especialidade, é do melhor que há para hortas e quintais. Merecia um desconto na factura da água – naquela parte em que pagamos uma barbaridade de TGR, não sei se topam – mas isso é esperar demais dos que mandam nestas cenas. Se eles, sem que ninguém se importasse, até aumentaram esta taxa em 100%...

sábado, 17 de outubro de 2020

Não se arranja um "teachers lives matter" ou isso?

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Um professor foi assassinado em Paris. Na Europa. Da qual fazemos parte, recorde-se. O crime não ocorreu do outro lado do mar, nem se tratava de um criminoso a resistir à policia. Era apenas um professor que ensinava a tolerância aos seus alunos e que teria cometido a blasfémia de mostrar caricaturas nas suas aulas. Foi decapitado por isso. Por um daqueles cavalheiros com ideais que, ao que nos garantem as cabecinhas bem pensantes, devem merecer a nossa tolerância. As mesmas que, perante mais este crime de ódio, nem piam. O que só confirma a minha tese que todos os que se indignam quando os mortos têm a pele mais escura, que se manifestam berrando “black lives matter” e outras parvoíces do género se estão perfeitamente nas tintas para as vitimas. Eles apenas aproveitam a ocasião para expressar o seu ódio aos agressores. Excepto quando o assassino não é branco, pertence a uma minoria ou se trata de um islamita. Nestas circunstâncias, invariavelmente, calam-se que nem ratos. Das duas uma. Ou estão do lado dos criminosos ou têm medo. Não sei o que é pior.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Anda comigo ouvir os aldrabões...

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A TAP, empresa nacionalizada, tem uma gestão que devia deixar orgulhosos todos os portugueses. Mesmo aqueles que, parvos, acham que os governos não têm nada de gerir empresas. Sejam elas transportadoras aéreas ou agências funerárias. É que, a acreditar naquilo que tenho lido e ouvido na comunicação social, aquela companhia de aviação terá daqui por uns tempos menos mil e seiscentos trabalhadores, mas – milagre dos novos gestores – nem um será despedido. As noticias mais recentes dão-nos conta que aquela companhia de aviação perde, dispensa, afasta ou fica com menos trabalhadores. Quanto muito, mas isso já é o jornalista a arriscar a pele, não renova contratos. Despedir é que não. A TAP não despede ninguém. Que isso é muito feio e próprio daqueles empresários malvados que apenas visam o lucro. Os patifes.


 

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

E, já agora, um guizo, não vá ficar sem rede...

Já escrevi noutras ocasiões que em situações de crise segue-se o líder sem levantar objeções ou questionar as suas decisões. O que houver para discutir, nomeadamente se as opções foram as adequadas ou não, vê-se depois. Havia de ser bonito, numa batalha, os soldados questionarem a estratégia do general.


É nisto que estamos. Numa batalha. E até aqui a maioria da população tem cumprido aquilo que os “generais” têm decidido. Mas convém que não abusem. Senão, como na guerra, as deserções multiplicam-se. Esta ideia de tornar obrigatória – ainda que em determinadas circunstâncias e apenas para certos grupos populacionais - uma aplicação para telemóvel, ultrapassa em muito as fronteiras do razoável. Não vou entrar em considerandos, como já por aí li, acerca do preço pouco acessível dos aparelhos que permitem o uso desses aplicativos. É do conhecimento comum que quanto mais baixo o rendimento, mais alto o nível tecnológico do telemóvel. Nem, tão pouco, justificar com a pouca intuição dos mais velhos para lidar com essas coisas. Que esses, para o que lhes convém, sabem tudo. Limito-me apenas a considerar que, em democracia, a sua aplicabilidade é praticamente impossível.


Esta ideia, para além do mais, suscita-me duas questões inquietantes. A primeira é desconfiar que a obrigatoriedade do uso desta “app” terá uma finalidade económica. Aquilo, cheio daqueles anúncios irritantes que costumam acompanhar este tipo de produto, é coisa para render uns milhões em receita publicitária. Capaz de dar para uma TAP, uma CP ou um Novo Banco, assim por alto. A segunda inquietação tem a ver com futuras finalidades de aplicações desta natureza. Olha se eles, por exemplo, se lembram de uma cena assim parecida para combater a escassa natalidade...

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Se tivesse Twitter o gordo da Coreia do Norte não diria melhor...

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É preciso lata. Muita. E este individuo tem-na para dar, distribuir pelos amigos e vender a todos os papalvos que lha queiram comprar. Comigo não faz negócio. Nem ele nem o idiota-chefe do PSD que, em lugar de fazer oposição, anda a negociar tachos e tachinhos com a criatura que temos o infortúnio de ter como primeiro ministro. Só alguém muito cínico pode escrever aquilo ali em cima. Deve pensar que andamos todos a comer gelados com a testa. E relativamente à maioria, se calhar, não se engana.


 

domingo, 11 de outubro de 2020

Defender uma ditadura não constitui uma espécie de crime?

Parece que um deputado do actual partido socialista, quando questionado se preferia Trump ou Xi Jinping – o presidente da China, terá optado por escolher o último. No presente contexto não me surpreende que muita gente dentro daquele partido nutra uma especial simpatia por ditadores. Daqueles sanguinários, como é o caso. Até porque não falta por aí, no PS e fora dele, quem ache preferível uma ditadura de esquerda a uma democracia de direita. Não é surpreendente, mas é preocupante. Principalmente pelo facto destas ideias ocorrerem a pessoas que ocupam cargos públicos, militam num partido que passa mais anos no poder do que fora dele e, pior, podem até chegar aos lugares mais altos da governação do país. Como este deputado que, recorde-se, será candidato a presidente dos jotinhas socialistas.


O que já nem espanta é a falta de indignação geral perante esta declaração. Nem digo que demitissem o homem ou, como fizeram com aquele alarve dos ovários, gastassem horas a malhar na criatura. Mas, sei lá, umas piadolas ou meia-dúzia de reacções mais ou menos encolerizadas era o mínimo que estava à espera. Porque, se calhar, condenar esta declaração num telejornal ou gozar com o rapazola num programa de humor de domingo à noite é capaz de ser expectativa a mais. Embora a verdadeira anedota seja um povo que tem um governo apoiado por um partido que tem dúvidas se a Coreia do Norte é ou não uma democracia e é governado por outro com gente que entre a democracia americana e a ditadura chinesa não hesita em escolher a segunda. 

sábado, 10 de outubro de 2020

É para atestar de impostos, se faxavor...

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Não é que isto seja novidade. Longe disso. Toda a gente sabe que quando abastecemos o depósito do carro estamos, mais do que a meter combustível, a pagar impostos. Confesso que não são os que mais me custam pagar. Ali, na bomba, somos todos iguais. Todos roubados por igual. E isso, tirando a parte do roubo, é que é justo. Sim que a igualdade – tal como o amor, que agora não é para aqui chamado - é uma coisa muito linda.


No caso presente, para um abastecimento de quarenta litros que me custaram quase sessenta euros euros, paguei trinta e sete euros e noventa cêntimos de impostos. Enquanto defensor acérrimo da taxação do consumo, em detrimento da taxação do trabalho e do rendimento, não fico particularmente escandalizado. Excepto para os que dependem do carro para trabalhar, pagar mais ou menos depende da vontade de cada um. E, a julgar por aquilo que vou vendo, não são muitos os que se chateiam por pagar tanto. Se isso os incomodasse faziam como eu. Andavam e pé e o carrito era mesmo só para o estritamente indispensável. Mas, se gostam de pagar impostos, continuem a andar de cu tremido. O Costa e a Catarina agradecem.


 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Nojo

Aquela deputada que abandonou o partido pelo qual foi eleita apresentou duas propostas de alteração ao código do trabalho. Ambas as coisas, convenhamos, serão bastante valorizáveis. Abandonar o PAN revela ter ganho algum juízo e apresentar propostas é o que se espera daqueles a quem entregámos o poder de fazer as leis ou alterar as existentes.


Propõe a senhora que os donos de animais de estimação tenham direito a um dia de folga pelo falecimento do bicho e sete em cada ano para acompanhamento e assistência em caso de doença do animal. Nem duvido que a ideia mereça o acolhimento da bicharada restante Assembleia. E muito bem. Aplaudirei de pé tão sábia decisão. Chapeau - é francês, para os menos familiarizados com o franciú - para eles. Só espero que a licença em causa seja por cada animal e, como fará todo o sentido, independentemente da espécie. Se assim não for até já estou a ver a quantidade de gente que se vai manifestar contra a discriminação entre animais. Especismo, ou lá o que é.


A propósito. Não sei se já partilhei aqui no Kruzes a minha preocupação com o estado de saúde das formigas do meu quintal. Tenho notado que andam um bocado pálidas...

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Uma questão de contexto

Parece que o governo já terá informado os sindicatos do sector que, no próximo ano, derivado ao actual contexto – pandemia e isso - não há condições para aumentos salariais na função pública.


Entretanto o governo já anunciou publicamente que, no próximo ano, derivado ao actual contexto – pandemia e isso – o salário mínimo nacional terá de ter um aumento com algum significado.


Compreendi-te.