Um pasquim, que noutros tempos foi um jornal à séria, escreve hoje na sua primeira página que a “Europa está preocupada com o discurso de ódio e neonazis em Portugal”. Pode, até, ser verdade. Depende é de que “Europa” se está a falar. Se calhar, nalgum gabinete de Estrasburgo ou Bruxelas, haverá alguém que para se entreter ou justificar o ordenado manifestará este tipo de preocupação. Nas capas da edição deste dia dos jornais mais conhecidos dos principais países europeus não existe a mais pequena referência a Portugal. Nem sobre aquele assunto nem sobre outra coisa qualquer. Como é, de resto, habitual. A Europa não quer saber de nós para nada. E, desconfio, ainda menos de meia-dúzia de idiotas que gostam de brincar aquilo do “Pedro e o lobo”. Aqueles parvos a quem não serviu de lição a multiplicação por sessenta dos deputados daquele partido que têm ajudado a crescer.
Voltando aos jornais, em Espanha as manchetes vão para o escândalo de corrupção a envolver o Primeiro ministro socialista e o PSOE – que faz José Sócrates parecer um menino de coro - e no Reino Unido para o caso das violações de milhares de meninas abafado durante anos pelo governo local. Obviamente, noticias que não interessam nada à comunicação social tuga. Apenas teriam interesse noticioso se as origens dos criminosos, num e noutro caso, fossem aquelas que importam ao activismo jornalistico.
Finalmente, ainda a propósito da overdose das noticias acerca da extrema-direita em geral e nazis em particular com que andamos a ser massacrados, começo a acreditar que estará a ser montada uma tramoia inspirada naquele clube que, aqui há uns anos, ficava sempre nos últimos lugares da classificação, mas nunca descia de divisão. Os jogadores não jogavam nada, mas o departamento jurídico era tão bom que, por mais que a equipa perdesse em campo o clube ganhava sempre na secretaria fazendo com que outro baixasse de divisão em vez dele. Não sei porquê, mas parece-me que alguém está a querer ganhar num tribunal qualquer o que perdeu nas urnas de voto. Com a exasperante lentidão da justiça se calhar é mais rápido chamar o Putin para desnazificar isto.









