sábado, 18 de janeiro de 2025

O furto e o usufruto

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“Rouba, mas faz” é uma expressão brasileira que se refere ao político que, embora seja um reconhecido corrupto, é visto como uma espécie de benemérito. Com a diferença, embora isso pouco importe para a população, que ao contrário do bem-feitor tradicional não o faz com o seu dinheiro, mas recorrendo ao dinheiro público para fazer favores a quem lhe está próximo ou àqueles que o podem favorecer no futuro. Há muito disso. Nomeadamente naquelas actividades onde os dirigentes se mantêm nos lugares de decisão durante anos e anos a fio. Seja na política ou no futebol, que é onde se movimenta mais dinheiro de “ninguém”.


O que me faz “espécie” é que haja tanta gente a pensar assim. Os ladrões, quero acreditar, serão uma ínfima minoria e, ao que julgo saber, tirando as respectivas mães e avós, ninguém gosta deles. Menos ainda as vitimas dos roubos. Daí a minha manifesta dificuldade em perceber a adoração dos eleitores – no caso de uma autarquia ou clube de futebol – por quem os rouba. Por mais obras ou troféus que haja para exibir. Quando, para piorar a coerência das gentes que os idolatra, são os mesmos que se indignam por causa dos “Salgados” e “Berardos” desta vida. É que isto, embora possa não parecer, o dinheiro sai sempre do mesmo bolso. O nosso.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

A grande dimensão das autárquicas

Isto das autárquicas promete. Todos os dias são conhecidos novos candidatos, candidatos a candidatos, candidatos a deixarem de o ser e candidatos que mais valia não serem candidatos. A mais relevante dos últimos dias foi a candidata anunciada pelo PS à Câmara de Lisboa. Uma candidata forte, há que reconhecer. Talvez, para além do líder, a pessoa com mais peso dentro do partido. Alguém com massa suficiente para fazer gravitar à sua volta toda a restante extrema-esquerda. Para já deixou os socialistas cheios de esperança numa vitória robusta. Ou, mesmo que não consiga esse desiderato, é criatura para engrossar a votação do seu partido. Os saudosistas da Geringonça, por seu lado, esperam que a candidatura sirva para encorpar uma espécie de frente revolucionária que lhes alargue as perspectivas de regresso ao governo. Até pode ser que sim quanto a isso da frente popular e revolucionária, mas não me parece que tão cedo voltem a pôr as mãos no pote. Por enquanto estamos em tempos de vacas gordas.

domingo, 12 de janeiro de 2025

Percepções...são só percepções!

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Perante esta manchete a Presidente da Câmara da localidade em questão – socialista, diga-se – será vista por alguns como racista, xenófoba, fascista ou o que mais calhar por aqueles que provavelmente nem imaginam onde fica Pegões, quanto mais saberem o que por lá acontece. Disso sabe quem lá vive. Ou suspeita quem por lá passa. Por mim, que passo ali com regularidade, não faço ideia se existem conflitos, insegurança ou máfias a controlar tudo e todos como é relatado. Só sei que, das muitas ocasiões em que atravesso a povoação, já não me lembro da última em que vi alguém que se me afigurasse como podendo ser português. Tudo o resto, admito, podem ser percepções, mas a parte da substituição populacional é por demais evidente para ser sequer questionada. É o futuro da segurança social, dirão os do costume. Deve ser, deve. Quando fizerem as contas aos restantes impostos digam qualquer coisinha...

sábado, 11 de janeiro de 2025

Mandar os "aparelhos" à parede...

Ainda sou do tempo em que, no pós 25 do A, para se exigir um qualquer “avanço” revolucionário, se fazia uma manifestação. Claro que, face ao clamor das massas operárias e camponesas, os governos da época consagravam rapidamente em legislação as exigência da vanguarda popular. Da legitimidade democrática, da representatividade que esses manifestantes e das consequências de toda essa loucura trata a história.


Acredito que a manifestação de hoje em Lisboa contra uma das intervenções policiais no Martim Moniz, convocada por faixas marginais da sociedade, possa aglutinar muita gente. Isso não os torna mais representativos do sentir da generalidade da população nem legitima a intenção de influenciar a actuação do governo e, menos ainda,acções futuras das forças de segurança. Muito mau seria se assim fosse. Até porque os que hoje vão – muito legitimamente – expressar o seu desagrado, vão fazê-lo em nome individual, não representam ninguém e nem mesmo os dirigentes partidários, nomeadamente do PS, que lá irão estar representam sequer o sentir da enormíssima maioria dos votantes nos seus partidos.


Alguns patetas, numa espécie de flash mobs, andam por aí a segurar prédios com as mãos. Têm piada, eles. Pelas fotos que já apareceram nas redes sociais um ou outro até vão às televisões dar opiniões acerca do que é melhor para o país e de como a política nacional devia ser conduzida. A sorte é que vozes de burro não chegam ao céu. Por mais que encostem os cascos às paredes.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Velocidade furiosa

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Pouco ou nada me incomoda que me chamem parvo. É, digamos, para o lado em que durmo melhor e, ainda que isso não interesse a ninguém, durmo bastante bem seja qual for o lado escolhido para chonar. Fazerem-me de parvo é que é coisa para me fazer perder as estribeiras. Irrita-me mesmo à séria. E começo a achar que a empresa de telecomunicações de que sou cliente anda, de há uns tempos para cá, a fazer dos clientes parvos. As peripécias com esta malta começam a ser mais que muitas. O preço, admito, é em conta. Acredito até que, exceptuando o concorrente que chegou agora ao mercado, não haverá na zona quem se chegue sequer perto das ofertas desta operadora. Não se pode, assim sendo, exigir milagres. Escusavam era de me fazer acreditar que a velocidade de Internet que tenho contratualizada é de 200MB. Ah, e tal, isso é a velocidade máxima...pois, está bem está. Há uma semana que não passa disto. Ainda vou ali abanar o poste não esteja para lá alguma coisa a estorvar a entrada, já que a saída está sempre no máximo...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Novos pobres

Acho piada ao discurso oficial acerca da pobreza. Não, obviamente, que a condição de pobre suscite motivo para risota, mas antes por causa daquilo que os políticos de todos os quadrantes dissertam relativamente ao assunto. Lamentam-se, por um lado, que o número de pessoas nessa condição é exageradamente elevado e, por outro, aprovam sucessivas medidas que contribuem, se não para o aumentar, para não o fazer reduzir.


O caso dos idosos, por exemplo. Segundo os dados divulgados são dos grupos etários onde a condição de pobreza prevalece. E o que fazem os políticos? Aumentam as pensões, o que para além de simpático parece adequado. Ou não, porque entretanto a cada ano que passa quem se vai aposentado vai tendo reformas mais magras e que cada vez representam menos dinheiro face aos últimos ordenados. Ou seja, alguém que hoje aufira mil euros por mês se amanhã se reformar ficará – eventualmente, porque pode nem chegar a tanto – com uma pensão de oitocentos. Abaixo do SMN, apesar de sempre ter descontado acima dessa retribuição, o que a incluirá no número de pobres. A menos que possua um pé-de-meia nem dinheiro terá para pagar um lar. Estão a ser criadas hordas de novos pobres e um dia isso vai ser uma chatice. Daquelas mesmo sérias.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

A contradição ainda é o que sempre foi

Admiro a coerência das criaturas que se dedicam à política. São – e não me importo nada de generalizar – pessoas com muita maleabilidade a vários níveis. O da cintura é um deles. Não é que venha daí grande mal ao mundo, até porque a existência de políticos a estar inteiramente de acordo e ser simultaneamente de opinião contrária – seja com o que for – é coisa que, mais do que irritar ou surpreender, me diverte.


Veja-se o caso da relação dos partidos com a religião. A direita, por norma beata, está contra a amnistia proposta pela Igreja. Já a esquerda, habitualmente ateia e pouco dada às coisas da fé, acolheu a ideia com todo o entusiasmo. Mesmo sendo conhecida a profunda ligação emocional que os partidos de esquerda têm com os criminosos, não deixa ser ser estranho que desta vez não reclamem contra a ingerência do “clero na política”, invoquem a “laicidade do Estado” ou proclamem “a separação de poderes” como foi no debate do aborto, naquela coisa dos crucifixos nas escolas ou do financiamento público às jornadas mundiais da juventude. Mas, lá está, isto as maleitas às vezes espalham-se e o que começa com uma cintura maleável pode alastrar às costas e torná-las flexíveis.


Flexibilidade – e muitíssimo bem – foi coisa que a dita esquerda não mostrou relativamente aos abusos sexuais sobre menores, alegadamente cometidos no âmbito da Igreja católica. Ao que tudo parece indicar no Reino Unido existirão problemas de idêntica natureza, alegadamente perpetrados por criminosos muçulmanos, numa escala, nomeadamente em perversidade, que poderá até ultrapassar largamente os primeiros. Perante este cenário o que diz a esquerda portuguesa e – passe a repetição - a comunicação social nacional? A culpa é do Musk, informam-nos. Aqui a maleabilidade já vai muito mais além da zona lombar. Chegou ao carácter. E nem se trata de um problema de flexibilidade do dito. É mais viscosidade.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Enriquecimento cultural

Há muito que noticias oriundas de meios de informação alternativa denunciavam a ocorrência de um número inusitado de violações no Reino Unido. Mais se acrescentava que as alegadas vitimas seriam, na sua maioria, raparigas adolescentes e os alegados agressores muçulmanos imigrantes. Tudo, no entanto, terá sido silenciado pelas autoridades e pela comunicação social com o intuito de não colocar em causa as políticas inclusivas e de promoção da diversidade que por lá, tal como por cá, se pretendem implementar.


Obviamente que desconheço em absoluto se tais informações estarão inteiramente correctas ou, como diz o outro, não passam de percepções. Estou, no entanto, inclinado a acreditar. Por duas razões. Uma porque onde há fumo há fogo e a outra porque o silêncio da comunicação social oficial, acerca do assunto, parece demasiado revelador.


Como seria de esperar, agora que o tema corre às claras nas redes sociais, começam a aparecer os do costume a negar a veracidade dos relatos. Seguir-se-à a habitual retórica sobre a extrema-direita, quando não houver como esconder seguir-se-ão as justificações com as práticas culturais que devemos respeitar e, por fim, a atribuição da culpa ao homem branco. Mulher, no caso, que a malta alegadamente envolvida não está virada para modernices aberrantes.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Silêncio, que se vai comemorar...

Muito boa, essa ideia de mandar foguetório silencioso. Gosto. Diz que é para não assustar os patudos, que é aquele nome parvo que as pessoas igualmente parvas agora chamam aos cães. Não é que tenha grande experiência no que envolve a temática dos animais assutadiços. Tirando uma cadela que tinha pavor de trovões, nenhum dos muitos outros cães de que fui tutor – mais uma idiotice que agora está na moda – era dado a assustar-se por causa de uns decibéis acima do habitual. Entravam mais em pânico perante a visão de uma vassoura a deslocar-se na sua direcção. Mas, parvoíces à parte, parece-me que isso de eliminar o ruído resultante de actividades barulhentas para comemorar coisas devia ser um conceito a implementar de forma muito mais abrangente. Famílias inteiras, cada um com a sua arma, todos ao mesmo tempo a disparar tiros para o ar, também se me afiguram celebrações muito censuráveis. Mas essas, vá lá saber-se porquê, não suscitam criticas aos amiguinhos dos animais nem preocupações às autoridades alegadamente competentes. Devem ser comemorações daquelas que promovem a inclusão ou isso...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Ano novo, hábitos de sempre

Admiro a relação que temos, enquanto povo, com o dinheiro. É, digamos, especial. De desapego, diria. É o que se conclui depois de ver um cavalheiro, daqueles que dissertam habitualmente sobre poupança na televisão, a indagar pessoas na rua acerca do valor das comissões bancárias que o banco lhes cobra. Uns desconheciam o valor que estão a pagar, outros não sabiam nem estão muito interessados em saber e outros sabiam mas não se importam. Nenhum, apesar de informados pelo dito guru das poupanças sobre alternativas gratuitas, se mostrou interessado em mudar para um dos vários bancos que disponibilizam contas sem custos para o cliente. Nem mesmo aqueles que não estão amarrados a nenhuma instituição bancária por via do crédito à habitação deram grande importância à possibilidade de mudança.


Entre cartões e comissões para tudo e mais um par de botas, o custo médio destes “serviços” superará anualmente os cem euros. Em troca de nada. Aceitar pacificamente este saque revela uma espécie de relação de amor-ódio com os bancos. Enquanto, por um lado, levam a vida a vilipendiar a banca e os banqueiros, por outro enchem-lhes os bolsos voluntariamente. Esta passividade dos portugueses não constitui qualquer surpresa. São iletrados em matéria financeira, mas apesar de não saberem gerir a própria carteira estão convictos que conhecem todas as soluções para bem governar o país. E ainda têm a lata de se queixar…

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Mais um corte nas reformas

Ainda sou do tempo em que tivemos um governo cujo único intuito era matar os portugueses. Uns pela fome – sucediam-se as criancinhas a desmaiar, famintas, nas escolas e os velhinhos a sucumbir por falta de sustento – e outros à força de tanto trabalharem. Sem contar com outras artimanhas que, se me apetecer, aqui lembrarei um dia destes. A vontade de nos dizimar foi tanta que tiraram feriados, dias de férias, aumentaram o horário de trabalho e prolongaram o tempo necessário para chegar à reforma. Uns patifes do piorio, como ainda hoje alguns se recordarão.


A sorte é que depois vieram governos bonzinhos. Devolveram-nos tudo. Até – e principalmente, diria – aquela coisa de nos ludibriar com histórias da carochinha. Ou de encantar papalvos. Tem resultado. A malta acredita. Veja-se, por exemplo, o caso das reformas. Todos acreditam que se acabaram os cortes. A mim, que tenho a mania de olhar para estas coisas da política de um modo estritamente pragmático, parece-me que não é bem assim. Senão vejamos. Em 2013 podia reformar-me aos 65 anos. Hoje saiu a Portaria que fixa a idade da reforma em 66 anos e 9 meses para quem se reformar em 2026. Ou seja, quanto mais trabalho mais tempo me falta para a aposentação. Mas, claro, não há cá corte nenhum. Nada disso. Não é corte ao tempo em que estarei reformado. É apenas um aumento do tempo que tenho de trabalhar, dirão os que comem a palha toda que lhes põem na gamela. Que lhes faça bom proveito.

sábado, 28 de dezembro de 2024

O povo é sereno...é só mais um desaguisado.

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Adoro as piruetas linguísticas da comunicação social - e da opinião publicada em geral – quando se trata de reportar ou analisar os cada vez mais frequentes casos isolados que insistem em contrariar o discurso oficial acerca da segurança no país. O esforço para ocultar a origem étnica ou a nacionalidade dos criminosos é tal que, não raras vezes, aquilo se transforma num exercício extraordinariamente enriquecedor para o vocabulário de quem os ouve ou lê. Quase tão grande como aquele que, todos os dias a toda a hora, fazem para nos convencer que Portugal é um país do mais seguro que há e que qualquer ocorrência não passa de um caso esporádico sem nenhuma relevância. No caso de ontem, num centro comercial de Viseu, a retórica mencionava o desaguisado entre famílias desavindas. Uma mera altercação, dizia-se. Nada de especial, de resto. A chatice é essa coisa das redes sociais, que só desinformam e põem em risco a democracia. A parte da vitima ser mulher e de, entre outras coisas, poder estar em causa – ao que tem sido divulgado – o casamento forçado de uma menor, imposto por uma sociedade patriarcal e machista deve ser completamente irrelevante. Nada que justifique cravos vermelhos, beiças pintadas e manifestações de solidariedade por parte dos habitualmente solidários. Raio da arma logo tinha de estar na mão errada.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Maior a prenda do que a chaminé

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Já todos tivemos, numa ou noutra situação, motivos para nos queixarmos da entrega de algum item que tenhamos comprado. Faz parte daquelas inevitabilidades a que não podemos escapar. Tal como a morte, os impostos ou Sporting mudar de treinador por alturas do Natal. Neste caso – ainda que pouco provável - pode ter sido o tipo da transportadora que, num inusitado gesto de boa vontade natalícia, deixou a encomenda no local onde o cliente lhe terá pedido. No entanto, estando a embalagem onde está, admito que a ocorrência se deva à pouca habilidade para o desempenho da função por parte de um Pai Natal estagiário que perdeu o objecto quando sobrevoou a área. Parece-me o mais verossímil. Até porque, como todos sabemos, seja qual for a circunstância a culpa é sempre do estagiário. Ou então - vá, também admito - ficou no telhado por não caber na chaminé.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Bandidagem de estimação

A propósito das questões de segurança em geral e daquela cena do Martim Moniz em particular a extrema-esquerda, conceito no qual se inclui o actual PS, não está a dar um tiro no pé. Está, mais o que isso, a crivar-se toda de balas. A disparar contra si própria misseis daqueles do Putin, diria. Pior ainda – que a esquerda auto destruir-se não traria nenhum mal ao mundo - está a municiar o carregador das armas do Chega como nunca o tinha feito até aqui. E antes já fez muito, diga-se.


Que o PCP, o BE e outros que tais defendam drogados, traficantes, criminosos e bandidagem em geral não me surpreende. Faz parte. Estranho seria se não o fizessem. Que o PS faça o mesmo é que é espantoso. Ou então não. De resto o anterior secretário geral daquele partido até ficou sem carteira e, como sabemos, a carteira é uma coisa que não se rouba à distância…


Admito que esta afeição socialista pela delinquência possa constituir uma estratégia política para fazer crescer o partido do Ventura ou outras forças por enquanto embrionárias. Esse eventual crescimento será sempre, suporão os estrategas da ideia, à custa do PSD e, lançado o papão do Chega, proporcionará a constituição de uma ampla frente de esquerda. Desde a fofinha e maluca até à extrema mais sanguinária. Provavelmente, a julgar pelas consequências onde o esquema já foi tentado, terão azar. E nós, que não temos culpa das maluqueiras dos outros, também.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Patriotismo tributário

“Cantar o hino de mão no peito não é patriotismo. Patriotismo é pagar impostos”. É o que garante uma conhecida figura publica a quem pagam para dizer alarvidades. Presumo que o cavalheiro em causa seja um grande patriota. Não sei quanto ganha, mas a julgar pela quantidade de bebidas alcoólicas de que se fazia acompanhar, em certa ocasião que dei de trombas com ele numa superfície comercial cá da cidade, deve ser um grande patriota. Atendendo à carga fiscal que incide sobre o álcool, aquilo era mesmo muito patriotismo.


Além da notória indigência da baboseira, aquela afirmação é também reveladora do desprezo que estes alarves demonstram em relação aos pobres. Ou, ainda que não sejam necessariamente pobres, aos que não ganham o suficiente para pagar impostos. Esses, no entender daquela maralha, não são patriotas. A menos, se calhar, que cantem a “Grândola”.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Saudinha

Hoje, por culpa da actualização das comparticipações, a ADSE voltou a ser noticia. Coisa que, como sempre, suscitou a eterna discussão acerca dos privilégios dos seus utentes e da alegada discriminação de que se sentem vitimas todos os outros. Cada um sabe de si. Por mim sei é que a maioria dos jovens que entram para a função pública, nomeadamente os que auferem um vencimento um pouco melhor, não se inscrevem nesse subsistema de saúde. Eles lá saberão porquê. Mesmo quem opta por se inscrever, tirará algum partido das consultas, próteses ou meios auxiliares de diagnóstico. No resto, caso tenha uma daquelas chatices mesmo chatas, ou tem dinheiro – e muito - para se “chegar à frente” ou terá de ir para o SNS como qualquer outro comum dos mortais que não foi ungido pela sorte de ser funcionário público. Não há, nessas circunstâncias, ADSE que lhe valha.


Outra vantagem muito apreciada deste sistema são os chamados convencionados. Por uma consulta de especialidade pagava-se, da última vez que recorri a uma, cinco ou seis euros. Ou sou eu que tenho azar ou não vale a pena. Numa, de oftalmologia, não demorei mais de cinco minutos. Tempo suficiente para fazer a graduação e o médico passar a receita. Noutra, perante a manifesta vontade do jovem médico me despachar, tratei de descrever exaustiva e repetidamente os meus sintomas, aproveitando inclusivamente para nomear outras maleitas passadas e questionar sobre ligações entre elas que até a mim pareciam absurdas. Foi com muito esforço que consegui permanecer no consultório dez minutos mal contados. Apenas, acho eu, porque o rapazola teve alguma consideração por eu ter idade para ser pai dele. Claro que, em ambos os casos, acabei por consultar outro clínico e, desde aí, consulta dessa natureza apenas se conhecer o médico ou me for recomendado por quem o conheça.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Protestem, porra!

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Para a oposição, nomeadamente o actual secretário-geral do actual PS – não confundir com outros secretários-gerais nem com o PS de outros tempos – a saúde está uma miséria. Uma lástima, mesmo. Uma desgrácia, até. Deve estar. O homem saberá do que fala. Ou não tivesse, ele e o partido dele, estado no governo nos últimos oito anos. Para nós, alentejanos, não precisa de tanto paleio. Nós sabemos que recorrer aos hospitais é uma porra. Ainda bem que, de vez em quando, a informação televisiva evidencia algum rigor e transmite aquilo que todos constatamos. No caso que a saúde está uma porra.

domingo, 15 de dezembro de 2024

Todes muite burres

Segundo um estudo recentemente divulgado uma quantidade suficientemente alarmante de portugueses não sabe interpretar um texto simples e é incapaz de realizar operações básicas de cálculo. Nada de surpreendente, a bem-dizer. Podia por-me para aqui a divagar acerca da relação entre essa incapacidade e as escolhas eleitorais, mas nem vou por aí. Basta ver, no caso das gerações mais velhas, o que escrevem no Facebook. Aquilo é todo um compêndio de burrice. Quer nos disparates que escrevem, quer nas interpretações que fazem dos disparates dos outros.


Quanto aos mais novos, a culpa pelos resultados catastróficos que obtém nestes domínios só pode ser da extrema-direita, da sociedade capitalista, do patriarcado, da discriminação em geral e da ausência de uma política de ensino insuficientemente inclusiva. Há que substituir a antiga e bafienta disciplina de matemática pelo ensino das “Ciências matemáticas socio-emocionais com perspetiva de género” e alterar, obviamente, os seus conteúdos académicos. Por exemplo, dois mais dois passariam a ser quatre. Ou o que calhar. Assim todes acertam e todes ficam felizes. E burres.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Lápis arco-íris

Começo a ter receio de andar por aqui a escrever coisas. Tudo o que se escreve a propósito das pessoas e das ideias de esquerda ou acerca das novas paranoias – e são cada vez mais, aparecem todos os dias e todas mais estranhas do que as anteriores – é ofensivo, discriminatório e instiga ao ódio. O simples facto de considerar estranhas as maluqueiras da moda é capaz de ser enquadrável nisso do discurso de ódio. Pior, considerar que são cenas de malucos provavelmente também é.


Não sei como que era publicar textos no tempo da censura. Por essa altura limitava-me a escrever umas redações na escola. Mas, suspeito, não devia ser mais limitativo do que é hoje. Não se podia fazer critica política – aí, por enquanto, ainda não é comparável – mas em tudo o resto não existiam as restrições de hoje. Nenhum, reitero, nenhum professor me recomendou que não escrevesse piadolas a envolver coxos, marrecos, ciganos, pretos, gatos estropiados, criaturas com gostos desviantes ou sobre o que mais calhasse surgir na minha mente já então delirante em matéria de escrita. Ao contrário do que, desconfio, acontecerá com os alunos que hoje frequentam a escola pública.


Sempre se fizeram piadas e outros dichotes de mau gosto. Os visados, em muitas circunstâncias, recorreram à justiça e viram os autores das supostas ofensas serem condenados. Bem nuns casos, noutros nem tanto. É a vida. O que não existia era o condicionamento disfarçado da opinião que leva à auto-censura e, em última instância, à limitação da liberdade de expressão. Coisa do piorio, como e muito bem se garantia noutros tempos. Foi para acabar com isso, tanto quanto me lembro, que se fez o 25 de Abril. O tal que é para sempre, dizem. Ou para quando convém.


 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Juros à Lagardère

Uma das frases que mais me apraz ler ou ouvir é que isto ou aquilo vai colocar mais dinheiro no bolso das pessoas. É uma cena fixe, essa de aumentar o pecúlio do cidadão. Tenho, no entanto, muita dificuldade em perceber como é que alguns desses anúncios se concretizam e a maçaroca chega à minha algibeira. Deve ser problema meu. Por exemplo, esta coisa da descida dos juros por parte do BCE. Apesar dos especialistas da especialidade garantirem que o corte nas taxas faz com que as pessoas tenham mais dinheiro disponível ao fim do mês, não estou a ver como é que isso se traduz em realidade para a esmagadora maioria das pessoas. Beneficiará no curto prazo, quando muito, quem possui crédito à habitação com taxas variáveis. Ou seja, provavelmente menos de vinte por cento da população. No longo prazo e se a tendência se mantiver, pelo facto dos encargos com a divida diminuírem, pode libertar recursos públicos para despesas sociais ou assim. Mas nem isso é garantido e, caso aconteça, também não é seguro que beneficie muita gente.


Dito isto e perante os dados do Banco de Portugal, que evidenciam sucessivos recordes do montante investido pelas famílias em depósitos a prazo e certificados de aforro, parece-me que restarão poucas duvidas acerca da maneira como a queda dos juros afectará o bolso da maioria dos portugueses. Mas isso não interessa nada. Seria uma chatice a verdade estragar uma boa história.

domingo, 8 de dezembro de 2024

O Estado herdeiro

A herança de um cantor famoso recentemente desvivido, está a suscitar uma espécie de guerra que envolve os herdeiros testamentários – entre si - e a família do extinto. Todos uns contra os outros, acho eu que destas coisas pouco sei. Nem me interessa muito, a bem dizer. Mais valia que o falecido tivesse sido durante a sua vivência como outros alegados famosos que esturram tudo, vivem do dinheiro dos contribuintes e quando finalmente falecem só cá deixam dividas.


Esta questiúncula, de relevante interesse nacional, tem preenchido a capa de vários jornais e sido objecto de interesse noticioso em diversos telejornais. Desconfio, até, que estará para durar. O que ninguém discute nem lamenta é que o principal herdeiro do finado seja o Estado. Logo para começar abotoa-se com dez por cento - em dinheiro, que os bens pouco lhe interessam – do total da herança e, depois, à medida que os bens forem sendo transacionados, com mais uma miríade de impostos. No fim, se alguém tiver a paciência para fazer a conta, se não for o principal beneficiário não deverá andar muito longe. Por uma questão de equidade, por que raio o mesmo principio não é aplicado quando o defunto só deixa dívidas?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Casas de batota

Para além dos incontáveis boys, as juventudes partidárias já deram grandes lideres aos respectivos partidos e, mesmo sem chegar a cargos de especial importância, muitos políticos que se distinguem da mediocridade vigente. Outros nem por isso.


Isto a propósito de um debate entre os actuais candidatos à liderança da Juventude Socialista. A jovem candidata propõe-se – não ela, evidentemente, mas levar a que o partido se comprometa com a medida - construir seiscentas mil casas nos próximos dez anos. Esta ciclópica iniciativa, diz visivelmente impressionada com a genialidade da sua ideia, será financiada com as receitas dos impostos sobre os casinos e o jogo online. A chatice é que, a preços de agora, os custos de construção por habitação rondarão os 100 mil euros e a receita do tal imposto não vai além de 278 milhões por ano. Ou seja, em dez anos teríamos um investimento de 60 mil milhões financiado por por 2,7 milhões. É fazer a conta. Mas, assim de repente, parece-me que nem com a raspadinha lá vai.


Perante isto acredito que a moçoila terá um futuro político extremamente promissor. Não só dentro do PS, mas inclusivamente na política nacional. Com propostas destas, sustentadas em bases tão sólidas, estaremos em presença de uma potencial líder socialista. Ou, no mínimo, ministra da habitação. Daqui por uns dez anos. Ainda a tempo de entregar a última casa das tais seiscentas mil que os batoteiros vão pagar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Percepções e outras sensações

Essa coisa das percepções, sensações e outros sentimentos correlativos têm muito que se lhe diga. São boas para analisar uns temas e péssimos para  outros. É conforme o jeito que dá a cada qual. No caso da segurança – ou da falta dela, no caso – estamos perante uma falsa perecepção de insegurança. O povo é sereno e não se passa nada, garantem os média, a esquerda em geral e os humoristas do regime em particular. Tudo, claro, corroborado por todos aqueles que não frequentam serviços públicos nem precisam de circular para fora das zonas chiques dos grandes centros urbanos.


Já no caso da habitação, foi criada a percepção que a falta de casas a preços acessíveis à maioria das pessoas é culpa dos fundos imobiliários,  dos estrangeiros endinheirados e dos especuladores. Do grande capital, em suma. Esta ideia é repetida até à exaustão pela comunicação social, pelos partidos de esquerda, movimentos e colectivos de defesa do que calhar e papagaios em geral.


Contudo, de acordo com um estudo de uma consultora especializada na área do imobiliário divulgado hoje pela Rádio Renascença, tudo isso não passa de uma falsa percepção. Refere o dito estudo que “83% das casas vendidas são usadas, o que significa que o mercado continua a ser dominado pelas vendas entre particulares” e, “86% das casas foram compradas por famílias, o que, uma vez mais, contraria aquela ideia de ambição especulativa dos investidores que compram casa em Portugal”. Conclui ainda que “apenas 6% das casas vendidas foram compradas por estrangeiros, o que significa que são os portugueses a dinamizar o mercado”.


Por mim, que tendo a considerar que quem percebe da tenda é o tendeiro, acredito nestas conclusões. As causas das dificuldades no acesso a habitação a preços acessíveis terão mais a ver com a elevada procura, a escassez da oferta, o facto de os portugueses pretenderem rentabilizar o seu património e, principalmente, os custos absolutamente absurdos de construção e recuperação de um edifício ou a incerteza decorrente do cabal cumprimento de um contrato de arrendamento. O resto são sensações. Ou parvoíces, vai dar ao mesmo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Estavam em promoção...

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Sempre foi costume, desde que me lembro, das pessoas desta região irem a Badajoz às compras. Primeiro eram os caramelos, os chocolates e outras miudezas domésticas a suscitar o interesse no comércio do outro lado da fronteira. Agora, que já nem existe esse obstáculo administrativo e territorial, a atração pelas compras é muito mais abrangente. Desde o gás de botija ao combustível para a viatura e da roupa às consultas médicas de especialidade – entre muitas outras cenas – tudo constitui um bom motivo para muita gente dar o contributo à dinamização da economia da Extremadura enquanto, simultaneamente, poupa na carteira e escapa à extorsão fiscal do lado de cá.


Não sei se as bananas – plátano em castelhano – fazem parte do cabaz de compras dos muitos alentejanos que, a pretexto de atestar o depósito e trazer gás para si e respectiva vizinhança, enchem a despensa no Mercadona e no Carrefour de Badajoz. Pelo preço que, segundo um conceituado jornal espanhol anunciava na sua primeira página, terá sido vendida a banana que foi colada à parede para fazer a alegada obra de arte manhosa, estou em crer que os repositores da frutaria daquelas superfícies comerciais não terão mãos a medir. Por mim, quando lá for, se ainda estiverem àquele preço trago a mala do carro cheia delas. A três cêntimos a dúzia só um maluco é que não aproveita. Ou, então, é apenas um jornalista...a ser jornalista.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Citrinos da crise

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laranjas2.jpgLaranjas e tangerinas em abundância. E já foram muitas mais. Nomeadamente as primeiras. As segundas apenas agora começam a estar comestíveis. Numa ou outra, depois de descascada, deparo-me para meu espanto e horror com uma minhoca. São, felizmente, uma minoria. É o resultado – isso da minhoca – da ausência de tratamento adequado durante o processo de amadurecimento. Não faz mal. É preferível deitar umas quantas para o lixo do que contaminar toda árvore. Sim, que do quintal da crise tudo o que se come é natural.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

O raio da esperança que nunca mais morre...

Portugal é mesmo o país mais seguro do mundo. Nem é preciso que o primeiro ministro vá à televisão recordar esse facto. Só a serenidade e mansidão do povo que habita este rectangulo justifica que no dia em que foi decidido aumentar as reformas - para além do legalmente previsto para a revalorização anual das ditas - simultaneamente anunciado mais um aumento da idade para acesso à reforma nenhum político tenha sido devidamente escovado pelas vitimas que vão pagar em tempo de trabalho o dinheiro dos aumentos dos outros. Ou então – outra hipótese não descartável - somos todos uns doidos varridos. Uns merdas, a bem dizer. As nossas prioridades não passam pelo bem-estar presente ou futuro nem pela solidariedade inter-geracional. Aceitamos de bom grado que todos os sacrificios sejam atirados para cima das gerações futuras.  Importante é fazermos – muitos ou poucos, não interessa – manifestações a defender terroristas estrangeiros, a solidarizar-nos com criminosos ou greves à sexta-feira porque achamos que despejar o cesto dos papéis é um trabalho especializado.


Vendo bem, se calhar não são apenas os políticos que merecem ver a roupa chegada ao pêlo. Nós também merecemos que nos untem as molas. Mas isso já eles nos fazem. Há muito tempo que andamos bem besuntados.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

A esquerda e a sua infinita bondade

1 - A discussão sobre vencedores e vencidos do 25 de Novembro de 1975 é dos momentos mais parvos que a vida política portuguesa já nos proporcionou. As coisas foram o que foram e não há volta a dar ao que já passou. Por mais que se queira reinventar o passado, nomeadamente por parte daqueles que não o viveram, não existe maneira de o alterar. Pelo menos até que a máquina de viajar no tempo seja inventada. Quem ganhou naquele dia? Todos nós, que defendemos a liberdade e a democracia. Quem perdeu? Aqueles que ainda hoje trauteiam aquela musiquinha, acerca da data, que diz ter sido “um sonho lindo que acabou”.


2 - A esquerda actual, desde o PS à mais extrema, está de costas totalmente voltadas para os trabalhadores e para aquilo que realmente interessa a quem trabalha. Hoje, no parlamento, opuseram-se à possibilidade das empresas beneficiarem em termos fiscais dos seguros de saúde que façam para os seus funcionários. Ter assistência médica atempadamente e com possibilidade de escolher o prestador é mau. Bom, mas mesmo bom, é ficar meses à espera de uma consulta, exame ou tratamento no SNS. Morrer à espera no público é muito melhor que ser tratado no privado. E se a esquerda diz que é, quem diz o contrário é facho.


3 - Ao que é anunciado hoje o Turismo de Portugal – ou seja o Estado, que é como quem diz os contribuintes – vai dar duzentos mil euros para eventos gay. É capaz de ser uma boa iniciativa esta de financiar coisas de âmbito turístico. Ir ao cú de Judas conta?

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Cuidado com a língua

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O estrondoso desenvolvimento económico da China será sustentado em inúmeros factores que escapam ao meu conhecimento, mas que os especialistas da especialidade não terão grande dificuldade explicar. Nada que realmente me apoquente por aí além. Até porque, de uma maneira simplista, acredito que muito desse sucesso se deve ao facto das sociedades de consumo ocidentais se deixarem endrominar pela publicidade, nomeadamente das plataformas de comércio online chinesas, e comprarem toda a espécie de bugigangas, inutilidades e outras merdices. Como, por exemplo, a do anuncio que me apareceu ao fazer scroll numa rede social. Para que raio serve aquilo?! Assim de repente não estou a ver...mas espero que não seja para aquilo que a minha imaginação delirante está a suspeitar.

sábado, 23 de novembro de 2024

Ruas da minha cidade...e das outras também!

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Estremoz, Bairro da Salsinha, esta tarde. Mas podia ser outro bairro, nesta ou noutra cidade a uma hora qualquer. Haverá sempre, em todo o lado e a todas as horas, um javardo. E não amiguinhos dos animais e outros malucos, não me estou a referir ao canito que acabou de aliviar a tripa.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Vitória amarga...

O mundo está a ficar um lugar cada vez mais esquisito. Ou, então, sou eu que estou cada vez com menos paciência para as alarvidades dos maluquinhos da aldeia que migraram para as cidades. Como se não bastasse o futuro ser suficientemente incerto, constata-se agora que também o passado se revela cada vez mais imprevisível.


Um bom exemplo da imprevisibilidade dos tempos idos são os acontecimentos que tiveram lugar em 25 Novembro de 1975. Segundo a narrativa mais recente, nomeadamente o Expresso e outros pasquins do regime, “o pcp ganhou no 25 de Novembro”. Naquele 25N que eu vivi não foi assim. Nesse a capacidade de influenciar a política nacional do partido comunista foi reduzida à sua expressão eleitoral e teve inicio um novo ciclo de verdadeira democratização do país. Tudo, nunca é demais recordar, graças ao Partido Socialista e à sua liderança de então. O que mais queiram inventar é conversa da treta. Excepto naquela parte em que o PS de hoje teria estado do outro lado da barricada, mas isso no futuro interessará muito pouco. Dos fracos não rezará a história.


Apesar das novas certezas do presente, parece-me que a reinvenção do passado estará a necessitar de ajustamentos. Nomeadamente quanto à justificação do motivo que leva o pcp e outros comunistas a odiar o 25 de Novembro. Não gostaram de "ganhar", foi?