Segundo uma sondagem divulgada hoje, o PS estará perto de reunir quarenta por cento das intenções de voto. Isso, caso obtivesse esse resultado nas eleições, dar-lhe-ia a maioria absoluta dos deputados eleitos. Não me surpreende que assim seja. Os portugueses têm memória curta, apreciam quem lhes diga o que eles gostam de ouvir e revelam um inaptidão natural para gerir – ou pelo menos perceber como se gere – um país, uma empresa ou, até mesmo, as finanças pessoais.
O Partido Socialista faliu o Estado em 1977, 1983 e 2011. As duas primeiras ocorreram já lá vão umas décadas e, talvez por isso, poucos se lembrem. O azar para o PS foi que, nessa altura, teve de aplicar a receita que o FMI prescreveu. E, também então, sentiu necessidade de ir mais além. O saudoso Medina Carreira explicou isso mesmo em diversas ocasiões. Da segunda, a coisa foi de tal ordem que deu origem ao Cavaquismo e os xuxas ficaram arredados do poder por muitos e bons anos.
Na mais recente falência tudo foi diferente. Menos o apertão no cinto, obviamente. Quem teve de fazer o que os credores mandaram foram outros e, enquanto isso, quem rebentou com as contas públicas entreteve-se a inventar uma outra versão da história. Tão bem o fizeram que são muitos os que, coitados, acreditam nela. Uns por convicção e outros tantos por interesse próprio. Não lhes levo a mal. Defendem a sua reforma, o seu ordenado ou outro qualquer meio de substistência garantido pelo Estado. O país fica para depois e a factura para os outros.























