Estão convocadas para este fim de semana diversas manifestações em vários pontos do país. Contra o racismo, alegam os seus mentores. Na maioria “colectivos” , associações e gente mal parecida em geral. Não que ache mal que esta malta manifeste a indignação que lhe assiste por causa do assassínio de um homem às mãos da polícia, num país do outro lado do mar. Nada disso, acho até muito bem que exerça esse seu direito. O que me desagrada é a selectividade do aborrecimento. Ainda um dia destes aconteceu um caso idêntico, pelo menos no desfecho, em território nacional sem que o caso suscitasse este regabofe. A diferença estava apenas na cor da pele. Para mim um detalhe absolutamente irrelevante, mas, se calhar, para esta gentinha, é mais importante do que as vidas que se perdem. Uma questão de agenda, certamente.
sexta-feira, 5 de junho de 2020
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Pobretes, alegretes e outros desconfinados.
Esta cena do vírus chinês está a dar a volta à mioleira de muito boa gente. Desde o pacato cidadão, que antes até parecia uma criatura normal, à classe política. É cada um pior que o outro. Mesmo o primeiro-ministro, que me parecia dos poucos com juízo no meio disto tudo, começa a dar mostras de já estar a variar. Hoje, no parlamento, rejeitou liminarmente a criação de um cerco sanitário na zona de Lisboa. Seria, acrescentou, uma medida discriminatória. Não consta que tenha tido esse tipo de preocupação quando impôs idêntica medida em Ovar e num concelho da Madeira. Se calhar, para resolver o problema da discriminação, o melhor será declarar um cordão sanitário ao resto do país. Assim como assim é só paisagem.
Mas, nisto da maluqueira, os portugueses não estão melhores. Diz que são festas do desconfinamento até mais não. Parece que há até quem faça centenas de quilómetros para ir a uma dessas festanças. E depois, naturalmente, fique “covidado”. O estranho desses festejos é que, muitos deles, ocorrem em bairros ou zonas usualmente designadas como “socialmente desfavorecidas”. Onde, garantem os especialistas da especialidade, há desemprego, miséria e fome. Tudo em simultâneo, presumo. Não vou, naturalmente, discordar quanto aos fracos recursos desses pândegos. Só me questiono, se vivendo na penúria fazem festarolas de arromba, o que seria se estivessem cheios de guito.
domingo, 31 de maio de 2020
Coisas da "covida"...

(Imagem escolhida aleatoriamente para ilustrar o texo e que nada tem a ver com o mesmo)
Com o confinamento o país descobriu o teledescanso. Nalguns sectores – públicos, está bem de ver – foi um fartote. Bom, fartote é uma maneira de dizer. Muitos daqueles – e daquelas que eu não sou de discriminações – que estiveram largas semanas de boa-vida não estarão especialmente fartos. Nem, se calhar, reconhecidos aos que tiverem de continuar a bulir para que, entre outras coisas, o vencimento lhes continuasse a cair na continha no final de cada mês.
O resultado da mandriice colectiva é o que hoje, numa passeata qualquer, podemos observar. Até os gajos que cortam ervas estiveram, alegadamente, a trabalhar à distancia. A partir de casa, provavelmente. Outros – há quem garanta, mas eu disso nada sei – terão estado a teledescansar “teletrabalhar” nas suas profissões, mas terão feito as “horinhas extra do costume”, num “trabalho” presencial fora da sua especialidade, para arredondar o ordenado. O mesmo ordenado que, apesar de não bulirem uma palha, nunca lhes foi cortado. Nem num cêntimo.
sábado, 30 de maio de 2020
Pobreza bloquista
Haverá, certamente, muitas formas de pobreza. Tantas quantas quisermos, a bem dizer. O BE descobriu – ou inventou – mais uma. A pobreza menstrual. Seja lá isso o que fôr. Vai daí, propôs na AR que os produtos de saúde menstrual sejam distribuídos gratuitamente.
Não me vou pôr para aqui a divagar acerca da pertinência do assunto. Nem, tão-pouco, quanto à parte do gratuito. Não vale a pena. Até o meu gato imaginário percebe que nada daquilo que o Estado faculta aos cidadãos é à borla. Alguém o paga. Só gente ignorante ou intelectualmente manhosa pensará o contrario.
O meu desacordo é, mais uma vez, em relação à discriminação. E esta ideia do Bloco é manifestamente discriminatória em relação a outros tipos de pobreza. E, assim de repente, ocorrem-me vários. A começar pela pobreza fiscal, sem que o BE proponha a redução do IRS sobre os trabalho; A pobreza auditiva, não consta que o SNS distribua aparelhos para melhorar a audição; A pobreza oftalmológica, a comparticipação nos óculos é ridícula; A pobreza dentária, num país de gente desdentada próteses ou implantes dentários são quase inacessíveis a quem tem menos posses. Entre muitas outras pobrezas que agora não me ocorrem. Nem ao BE.
sexta-feira, 29 de maio de 2020
Dantes chamava-se censura. Exame prévio, ou lá o que era...

Em nome do combate às noticias falsas, da defesa da democracia e do que mais calha têm sido muitos os cartilheiros, maioritariamente de esquerda que pululam pelos meios de comunicação social, a insurgirem-se pela falta de controlo das redes sociais. A liberdade de expressão é muito bonita mas cada um escrever o que pensa, nomeadamente quando não concordamos, é uma chatice. Mata os regimes democráticos, dizem. Parece que até alimenta monstros que todos gostaríamos estivessem definitivamente enterrados, também já ouvi dizer.
Donald Trump, na sequência de uma birra com o Twitter, acaba de assinar um decreto que permite às agências federais norte-americanas regularem o conteúdo publicado em plataformas das redes sociais. Em defesa da liberdade de expressão, conforme garantiu. Não espero que os notáveis comentadores das nossas televisões venham a público manifestar o seu entusiasmo por esta iniciativa. Hão-de arranjar um argumento qualquer para se contradizerem. Já estamos habituados a isso. Afinal, como sempre escrevi, a diferença entre eles e Donald Trump é muito pouca. Está apenas no poder, no dinheiro e, concedo relativamente a alguns, na educação. No resto são iguais.
quinta-feira, 28 de maio de 2020
Algibeiras rotas e marmitas vazias
Esta pode ser um crise diferente da anterior. Para pior, provavelmente. Por muitas razões. Na outra, pelo menos, havia para onde emigrar. Bazar daqui para fora não será, desta vez, opção com muita viabilidade.
O que me parece exactamente igual é a inconsciência de muita gente. De algumas vitimas da crise, nomeadamente. Percebo que perder o emprego é um drama. Tal como é dramático, assim de repente, ver os rendimentos mensais diminuírem ou deixarem de existir de todo. Mas, c’um caraças, assim de um momento para o outro, só pela falta de um terço do ordenado, já não haver dinheiro para comer parece-me um bocadinho de mau governo.
Ao fim de menos de um mês – que isto não é de agora - já havia gente a garantir que passava fome. Das mais variadas profissões. Desde artistas sem poder exercer a sua arte a gente que nem desempregada está. Apenas em lay off. Compreendo que, para o nível de vencimentos praticados por cá, fazer poupanças não é fácil. Mas, que diabo, para quem passou há tão pouco tempo por uma crise, não era para ser ligeiramente mais precavido? Menos viagens, menos comida encomendada ou menos tecnologia de última geração eram capazes de ter dado uma ajuda.
Compreendo e lamento, reitero, todos os azares e dificuldades que muitos portugueses estão a passar. Mas, como também escrevi na outra crise, um pacote de massa custa vinte e dois cêntimos e um frango mal chegará a dois euros. Tomara eu, aqui há cinquenta anos, apanhá-los.
quarta-feira, 27 de maio de 2020
Afinal... o tamanho importa!


Em matéria de Covid – e nas outras também - os especialistas da especialidade são gajos para dizerem uma coisa agora e o seu contrário daqui a bocado. Por isso o melhor é aproveitar já, antes que outro estudo venha desmentir este ou provar exactamente o oposto.
Parece que isto dos dedos é uma cena muito importante. Nomeadamente no que diz respeito ao tamanho. Diz que, no caso do vírus chinês, importa. Mas, apenas, relativamente aos homens. Estaremos, se calhar, na presença de um vírus sexista. Seja como for, neste ponto, cumpro o requisito. Aguardemos, ansiosamente, o desenvolvimento de novos estudos que analisem a relação entre o risco e outras características físicas...
terça-feira, 26 de maio de 2020
Calosidades populistas
Tenho pouco apreço por populistas. Detesto, igualmente, práticas discriminatórias. Mesmo quando esta manigância da discriminação é praticada em relação aos populistas. Por estas e por outras, de tanto manejar o comando para mudar de canal televisivo, estou prestes a ficar com o polegar mais calejado do que o cú de um macaco velho. Aquilo não se aguenta. Populistas como Trump, Bolsonaro e Marcelo dominam os noticiários. Nenhum deles pode largar um peido sem que as televisões gastem incontáveis minutos a analisar o traque. Concluindo, inevitavelmente, pelo odor insuportável dos primeiros e o aroma refrescante do último.
Também a procura de noticias provenientes de outras paragens está a contribuir para a dita calosidade. Não é por nada em especial, mas tenho alguma curiosidade em saber como está aquilo na Bélgica. Onde, diz, a mortalidade devido ao covid, por milhão de habitante, bate todos os recordes e, ao contrário do que dos querem fazer crer, supera largamente os EUA e Brasil juntos. Tal como me sinto levemente curioso em relação a Espanha. Que, embora não pareça, é aqui mesmo ao lado e não do outro lado do mar. Até porque, parece, há cada vez mais gente com vontade de ver o governo socialista/comunista pelas costas. A menos que os detentores da verdade que interessa tenham decretado que tudo isso não passa de fakenews.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
O ecoporco

Disse um dia um homem sábio – eu, hoje pela hora de almoço – que nenhum porco é feliz sozinho. Precisa de outros porcos. Daí que o melhor é ter atitudes a atirar para o javardote, para que outros o imitem e contribuam para aumentar a porcaria. Nem que sejam forçados a isso.
É o caso da foto. O eco-ponto está praticamente vazio mas, ainda assim, há quem insista em colocar o lixo no chão. Pior, bloqueando o acesso ao contentor e forçando a que outros tenham de, também eles, deixar os resíduos fora do dito.
A criatura que tem este comportamento – reiterado, já não é a primeira vez – manifesta ainda uma total desconsideração pelas pessoas que fazem a recolha dos resíduos. Deve pensar que são criados dele e que têm obrigação de aturar as suas javardices pseudo-ecologicas.
sábado, 23 de maio de 2020
É o bicho, é o bicho...
Estudos há muitos e inquéritos também. Sobre assuntos sem interesse nenhum, a maioria e que não servem para coisa nenhuma, quase todos. A não ser, como um publicado um dia destes, que conclui serem os portugueses um povo com notória carência de juízo. Embora isso não constitua novidade. A popularidade do professor Marcelo já é sintoma mais do que evidente que gente ajuizada não abunda por estas bandas.
Segundo o tal estudo – inquérito, ou lá o que era – mais de sessenta por cento dos inquiridos – portugueses, com capacidade eleitoral e tudo – entendem que matar uma borboleta ou uma cobra é motivo suficiente para ir parar à prisão. Quanto a uma mosca ou uma minhoca, não sei qual a douta opinião manifestada pelos auscultados. O que sei é que, neste ponto, essa gentinha não difere muito de um tal Ventura. O que me faz espécie é que estas conclusões não causem nenhum nível de preocupação. Nomeadamente entre os que se preocupam com o radicalismo e a intolerância do discurso do outro espécime.
Longe vai o tempo em que um determinado partido – o PS, de Guterres - tinha por slogan “as pessoas primeiro”. Hoje, repeti-lo, seria condenável. Depois queixem-se.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
Teletrabalho, o limite é a imaginação. Ou talvez mais além...

Longe mim – lagarto, lagarto, lagarto, ai Jesus cruzes canhoto, t’arrenego Belzebu – estar para aqui a congratular-me com o surgimento do Covid-19. Era o que mais faltava. Isso é coisa para malucos como Lula da Silva e, se calhar, para a sua vasta legião de seguidores. Admito, no entanto, que desta pandemia sairão inúmeras inovações, oportunidades e soluções que poderão constituir motivo para nos congratularmos. Nomeadamente no sector tecnológico e no modo como nos relacionamos com o trabalho.
Se calhar serei demasiado optimista mas, acredito piamente, o número de trabalhadores em teletrabalho terá um aumento exponencial. Com os ganhos daí resultantes. Para todos. Pode ser, embora aí o meu nível de optimismo seja ligeiramente inferior, o principio da recuperação dos territórios do interior. Muitos não terão necessidade de viver nas mega-aglomerações do litoral e poderão rumar a outras paragens. Menos caras, nuns casos, e com mais qualidade de vida, noutros.
Os cépticos não partilharão do meu entusiasmo com a possibilidade de colocar meio mundo em teletrabalho. Terão as suas razões. Muitas e todas legitimas, concedo. Mas concordo com poucas. Se a administração pública, durante esta pandemia, até conseguiu colocar jardineiros, canalizadores, eletricistas, empregadas de limpeza, pedreiros e mais um sem fim de outros misteres em teletrabalho, melhor conseguirá qualquer outra instituição que utilize a tecnologia como ferramenta de trabalho.
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Que mal tem um ordenado chorudo?
Tendo a apreciar aumentos salariais. É cá uma mania minha. E se a melhoria for significativa então, por maioria de razão, ainda gosto mais. Se chegar a valores como, por exemplo, setenta e cinco por cento, aí, é o delírio. O êxtase, até.
Daí ter imensa dificuldade em assimilar o motivo que leva tanta gente a indignar-se com o vencimento dos gestores do Novo Banco e, nomeadamente, o acréscimo de que terão beneficiado nos últimos anos. Ainda bem que os cavalheiros têm um ordenado jeitoso. Pena que não haja mais gente a ganhar o que eles ganham ou, pelo menos, a beneficiar de idêntica generosidade da entidade patronal na hora de decidir os aumentos.
Se calhar o que falta neste caso, atendendo ao que a opinião pública julga saber, é a penalização adequada. Mas resolver isso até está nas mãos de alguns que se indignam com os valores que aqueles senhores auferem. Não me parece que seja difícil incluir, em sede de IRS, uma taxa – de noventa por cento, vá, que hoje estou bem disposto – a incidir sobre prémios, aumentos de ordenado ou outras liberalidades atribuídas a gestores de empresas beneficiadas, directa ou indirectamente, por apoios do Estado. Há anos que o deviam ter feito. Nunca houve, nem há agora, é vontade para isso. É que isto ora se é governante, ora se é gestor...
segunda-feira, 18 de maio de 2020
No melhor cartaz cai a nódoa...negra!

São raras as circunstâncias em que concordo com aquela tropa fandanga. Mas, desta vez, tem o Bloco de Esquerda toda a razão naquilo propala num dos seus mais recentes cartazes. Ninguém pode ficar para trás. A menos, claro, que não tenha grande vontade de seguir em frente.
Só há naquele cartaz uma coisa que me incomoda. Uma coisinha de nada, diria, mas que me está cá a moer. Não aprecio nadinha o facto da figura que, aparentemente, será uma técnica de limpeza ser representada por uma mulher negra. Não havia necessidade de contribuir para a perpetuação do estigma. Fosse aquilo um cartaz do Chega e quase me cheirava a racismo, discriminação, machismo e outros odores a atirar para o pestilento.
domingo, 17 de maio de 2020
São impostos fofinhos, de certeza...

Manifestações a exigir a demissão de governos apoiados por partidos de esquerda nunca constituem noticia na comunicação social lusitana. Excepto, mas isso é por outras razões, se ocorrerem na Venezuela. Tirando essa excepção, para os jornaleiros portugueses o povo pretender deitar abaixo um governo de esquerda é uma impossibilidade prática.
Esta ausência de noticias já foi assim em relação à Grécia e é agora relativamente a Espanha. As manifestações populares – acho que é assim que se designam usualmente – de protesto contra o governo socialista/comunista espanhol sucedem-se, mas, por cá, nem um pio. Tal como se multiplicam os actos de protesto da população contra o confinamento. Sem que, deste lado da fronteira, isso seja noticiado. Nem, sequer, ridicularizado. Já as manifestações dos que exigem o mesmo no Brasil e nos States, essas sim, é que não passa telejornal sem que nos sejam exibidas. Critérios. De alto rigor jornalístico, presumo.
sábado, 16 de maio de 2020
O sábado do nosso contentamento

Diz que o primeiro ministro andou hoje pelas ruas de Lisboa a incentivar os portugueses a sair de casa. Fez bem, o homem. Há que voltar rapidamente e em força à normalidade antes que seja a cura a matar-nos. É que, a não ser assim, ainda nos arriscamos ouvir ao Costa algo parecido àquela frase do ditador Oliveira, nos tempos que se seguiram à segunda guerra mundial. “Livrei-vos da guerra, mas não vos posso livrar da fome”, garantia, nessa época, o Botas. No caso presente, do vírus chinês.
Por cá foi o segundo sábado de relativa normalidade, com parte do mercado reaberto. Por enquanto ainda não é o mesmo. Estão lá as frutas, os legumes e tudo o resto. Faltam os visitantes que transformavam a manhã deste dia no mais movimentado da semana. E as rotinas, também. Ir ao mercado e não beberricar o costumeiro cafezinho é mais doloroso do que uma semana de confinamento.
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Hipocondríacos seletivos

Acho piada aquela malta que faz cenas esquisitas com os bichos. Entenda-se - por cenas esquisitas – dormir com eles, dar-lhes beijos, partilhar comida e outras patetices modernas. Gente que, ao mesmo tempo, manifesta um pavor de morte – próximo da paranoia, diria – com o vírus chinês que anda por aí. O medo é tanto que, pasme-se, algumas dessas criaturas se acham no direito de ficar em casa, sem trabalhar, mas mantendo o direito ao ordenado. Nomeadamente funcionários públicos, que aos privados o patronato capitalista e explorador trata de acertar o passo a quem se dá a esses devaneios.
Mas, escrevia, há quem passe o tempo a desinfetar-se, só retire a máscara para comer e mude de passeio ao vislumbrar outro transeunte. Depois, se calhar, dorme com o bichano que passou o dia a escarafunchar no caixote do lixo. Que é, de certeza, um sitio onde vírus e outras cenas igualmente maléficas não entram.
terça-feira, 12 de maio de 2020
Chega...de "pides" na internet!
Uma publicação do grupo Cofina, essa referência do jornalismo nacional também conhecida por esgoto a céu aberto, resolveu cavalgar a onda do “Chega”. Diz-nos, alarmada, que um jovencito candidato a um lugar qualquer naquela agremiação, terá dito que os “portugueses são brancos e europeus”. Uma frase racista, determina o jornaleiro.
Ora o tal jove – de quem nunca ninguém ouviu falar antes nem, provavelmente, irá ouvir falar depois – não terá dito nenhum disparate. O que, obviamente, não invalida que haja muitos – e bons – portugueses negros. Europeus ou de outra origem qualquer. Mas isso, naturalmente, não torna a tirada do fulano num dito racista. É, apenas, um facto. Tal como os alemães, os eslovacos e os sérvios são brancos e europeus. Ou os quenianos são negros e africanos.
Não têm conta as vezes que vi muita reacção indignada por os estrangeiros, mormente os americanos, nos confundirem com um país qualquer do norte de África. Presumo que, daqui para a frente, indignar-nos com essa confusão também constituirá um acto de racismo, ou isso.
domingo, 10 de maio de 2020
Discriminação no âmbito do confinamento
A proposta de André Ventura de promover um confinamento especial para os ciganos é, convenhamos, uma palermice. O que não admira, vinda de onde vem. Já a resposta do futebolista cigano – que, se calhar, alguém deve ter escrito por ele – diz, foi muito bem dada. Diz, que eu não perco tempo com discursos de ódio, venham eles de onde vierem. O que julgo saber é que o jogador da bola em questão já terá tido, ao longo da vida, mais problemas com a policia do que o outro sujeito. Estão bem um para o outro, portanto.
Mas, ainda quanto a confinamentos, anda uma cena a moer-me o sentido relativamente a esta polémica. É que estou farto de ver gente indignada com a proposta – parva, reitero – de confinar os ciganos. Mas, assim de repente, tenho a impressão que ninguém se tem importado muito com o confinamento dos velhos que estão nos lares. Nem mesmo quando alguém sugeriu que todos os velhotes fossem confinados até ao final do ano, houve tamanho alarido. Se calhar isto, para além de andar tudo ligado, está também cheio de velhofobicos. Ou, como sugere o meu corrector ortográfico, de velhacos.
sábado, 9 de maio de 2020
Pular a cerca

A presença de quem nada faz só prejudica quem trabalha. São os chamados empatas. Daí que a colocação de sinalética a vedar o acesso a “pessoas estranhas ao serviço”, seja mais ou menos comum. É, por norma, afixada à entrada das instalações onde se pretende condicionar a circulação a quem ali não labora. Seja em portas, portões ou outros locais que usualmente são usados para aceder ao espaço que se pretende seja reservado aos trabalhadores.
No caso da foto - vá lá saber-se porquê, mas podemos desconfiar - a opção foi diferente. O sinal foi colocado no topo de um muro, longe de qualquer abertura por onde seja possível entrar de uma maneira convencional. O que me leva a duvidar da eficácia do aviso. Quem por ali passar não ligará nenhuma à proibição. Nem, acho eu, vai prejudicar quem trabalha. Até porque escolherá uma altura em que aquilo esteja sossegado. Para não importunar.
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Extremosamente preservada


Depois de um dia inteiro fechado em casa, a teletrabalhar, nada como uma bela de uma caminhada pela natureza. Para espairecer. E a natureza, no meu caso, é logo ali. Mesmo ao pé da porta. Este percurso, por exemplo, é um dos meus preferidos. Uma vegetação luxuriante, que substitui com inegáveis vantagens os passeios inexistentes, estende-se pelo alcatrão deixando uma estreita faixa negra por onde dá gosto caminhar. Não fossem as sucessivas tangentes dos espelhos retrovisores e era um cenário quase idílico. Nem preciso desejar que assim se conserve. Conservará, decerto. Tirando o corte anual da dita vegetação, assim continuará. Extremosamente preservada.
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Agricultura da crise

Não é, de certeza, a produção mais lucrativa que podia ter no meu quintal. Outras ervas – dizem, que eu dessas cenas nada sei – proporcionam um retorno muitíssimo mais significativo. Dão mais “graveto”, digamos assim. Até porque estas só dão despesa e dores no lombo. Mas, na falta de melhor, são um regalo. Ma mesa e para a vista. Que os olhos também "comem", os marotos.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Um alentejano foi a Lisboa...

Por mais que me esforce não consigo ficar indiferente a “noticias” como esta. Mais ainda quando até merecem uma chamada à primeira página. Qual é, afinal, o motivo para tanta irritabilidade?! Será aquilo da “visão estereotipada”? A sério que os indignados com as piadolas contadas pelos brasileiros, acerca dos portugueses, querem mesmo falar disso? Se calhar é melhor não, antes que alguém os recorde de outros estereótipos que tanto apreciam…
Não me parece que as anedotas de portugueses contadas no Brasil constituam uma afronta. Pelo contrário. Rir de nós próprios é um sinal de sentido de humor e, também, de inteligência. Logo duas coisas que eu não tenho, conforme me estão sempre a lembrar os contadores de anedotas de alentejanos. E que agora, vai-se a ver, eles também não. Mas disso há muito que eu já desconfiava.
domingo, 3 de maio de 2020
Telemanifestação

Não me parece que o ajuntamento de umas centenas de dirigentes sindicais e de outros tantos velhinhos – como o camarada Jerónimo, que do alto dos seus setenta e tal anos está ali para as curvas – num espaço amplo e arejado como a Fonte Luminosa, constitua motivo para tanta celeuma. O que não falta, quase de certeza, são locais onde a concentração de pessoas por metro quadrado é muito superior. E, se isso deixou os comunistas felizes, não vejo por que raio o governo não haveria de permitir que os representantes de quinze por cento dos trabalhadores portugueses se reunissem para cantar umas grandoladas e assim. Isto uma mão lava a outra e, lá mais para a frente, veremos a que guardanapo se limpou a CGTP.
Relativamente à ocorrência pouco me ocorre dizer. Até porque à senhora que discursou, pouco ocorreu. Nem, para meu espanto, se lembrou de reivindicar menos impostos sobre o trabalho. Fiquei, portanto, a saber que o PCP está contente com o nível de fiscalidade que incide sobre o meu parco vencimento. Já desconfiava.
Do que nem desconfio é o motivo pelo qual os autocarros do Município do Seixal estavam nas imediações do evento. Não acredito que tenham sido cedidos para transportar manifestantes. Por causa disso já um Presidente de Câmara aqui da região viu um tribunal declarar-lhe perda de mandado. Se foram alugados pela organização, também não me parece bem. Existem empresas que se dedicam a esse ramo e que, principalmente nesta fase, precisam de facturar. Mas, se calhar, os ditos autocarros estavam ali no âmbito de uma actividade municipal qualquer. Algum passeio de idosos, ou isso.
Provavelmente sou só eu que reparo nestas coisas. Mas, desde que a criatura ganhou protagonismo, que os comunistas, quando se referem a Marta Temido, escrevem invariavelmente “a senhora ministra da saúde”. Como vão longe os tempos em que, invariavelmente, se referiam a Paulo Macedo como o “Doutor Morte”. Curioso. Mas, evidentemente, longe de mim pensar que isto anda tudo ligado e que o PCP está comprometido até às orelhas com o governo.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
E os impostos, porra, os impostos?!
Pode ter sido apenas impressão minha mas, assim de repente, fiquei com a ideia que o país inteiro se babou com aquela converseta do Pedro Nuno Santos – o ministro mais bloquista que o próprio BE – acerca da TAP, do dinheiro dos portugueses e do povo mandar naquilo. Conversa da treta, aquela. Demagogia e populismo do mais rasca que já ouvi da boca de um governante. Basta ter um bocadinho de noção – como diz o outro – para perceber o disparate. O povo vai mandar tanto na TAP como manda na Caixa Geral de Depósitos. Quando muito já sustenta uma e passará a sustentar a outra.
A irritabilidade tuga em relação aos holandeses está hoje, outra vez, em alta. Em causa o patife de um trabalhador local, que se lembrou de pedir – frente às televisões, o que ainda é pior – ao primeiro ministro daquele país, para não "dar" mais dinheiro à Espanha e Itália. Trata-se, parece-me, de um cidadão preocupado com o destino dos seus impostos. Assim estivéssemos nós. É que, por cá, não vejo ninguém horrorizado por mais de metade de um ordenado médio se esvair em impostos. Nós, já dizia Jorge Sampaio, queremos é “sacar à Europa”. Que é como quem diz, aos impostos dos outros.
E por falar em impostos. Foi impressão minha ou a senhora da CGTP não falou em reduzir os impostos sobre o trabalho?
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Há piratas mais fofinhos que outros...

Se há coisa que me irrita é a discriminação. Tenho um elevado grau de intolerância relativamente a comportamentos discriminatórios. Tudo o que envolva discriminar deixa-me com os cabelos em pé. Trata-se, no que concerne a esta última parte, de uma metáfora, obviamente.
Até mesmo aquele conceito, muito modernaço, de discriminação positiva relativamente a determinados grupos de pessoas, seja qual for a causa fofinha em questão, aborrece-me profundamente. Discriminar é feio, injusto e, também, discriminatório.
É por não apreciar o tratamento desigual perante situações idênticas, que estou para aqui estupefacto com a ausência de manifestações de solidariedade e com a falta de reacções de desagrado em relação à captura do mais recente pirata informático. Aquele jovem que andou a roubar dados a empresas e instituições e a quem a Judiciária deitou mão. Lamento que as Anas Gomes desta vida, os indignados do Facebook e todos os idiotas que andaram a exigir a libertação do pirata Pinto não estejam já a teclar furiosamente em sua defesa.
Mesmo no âmbito da ladroagem, a discriminação, reitero, é uma cena condenável. Quem a pratica não merece o mínimo de respeito e, há que escrevê-lo com toda a frontalidade, é uma realíssima besta.
terça-feira, 28 de abril de 2020
A PIDE continua por aí...

Este texto foi “postado” numa rede social por um comunista e partilhado por mais uns quantos camaradas. Da sua leitura concluo que já são a favor dos despedimentos na função pública. E não, não é por existirem funcionários em excesso, por haver necessidade de reduzir a despesa pública ou, simplesmente, por o trabalhador em causa ser pouco dado a cenas como, por exemplo, trabalhar. Nada disso. É, como pode ler-se, por delito de opinião. Em Abril de 2020.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Agricultura da crise

Esta cena da agricultura caseira renasce a cada crise. Foi assim em 2011 e agora, perante o espectro de um cenário ainda pior do que o vivido naquela altura, voltam as sugestões para o pagode se dedicar às práticas hortícolas. Em qualquer recanto, sugerem os especialistas da especialidade.
Mesmo achando que isso não é bem assim – embora até mesmo um vaso na varanda seja melhor do que nada – essa tem sido uma actividade constante cá pela maison. Os posts acerca da agricultura da crise – com ela ou sem ela, a crise - não me deixam mentir. E, parece mentira, mas tem dado um jeito do caraças nestes tempos de confinamento ter hortaliça, temperos e alguma fruta à mão de semear. Ou de colher, no caso.
Na imagem estão os alhos da crise. Para arrancar daqui por um mês, ou isso. Muito melhores do que esses alhos chineses, espero.
sábado, 25 de abril de 2020
25 de Abril sempre?! Ná...

Bolas, bolas, bolas… esqueci-me completamente daquela cena da grandolada à janela. É que passou-me mesmo. Logo eu que até fiz o download do manual do Bloco de Esquerda, que nos ensina a maneira correcta e os procedimentos a adoptar para a cantoria e, vai-se a ver, nunca mais me lembrei de tal coisa. Mas isto há que colectivizar a culpa. E ela é, também, dos vizinhos. Uns fachos, todos eles. Ninguém cantou à janela. Ou, se calhar, escolheram uma janela das traseiras. Nem mesmo aquilo do “25 de Abril, sempre!” se lembraram de berrar. Mas nessa parte não alinhava. É que eu recebo a vinte seis, de modos que não me dá muito jeito ficar eternamente com o ordenado de Março.
A piada é de esquerda!
O Trump sugerir injeções de desinfetante para matar o vírus chinês, não me parece ser coisa para causar espanto por aí além. Vindo dali pouco surpreende. O fulano pertence aquela espécie de criaturas que para dizer bacoradas nem precisa estar bêbado. O que me podia surpreender, se o objectivo não fosse óbvio, são os rios de tinta e as horas de noticias que as diatribes daquele maluco proporcionam à merda da comunicação social que temos de aturar.
Os mesmos jornaleiros merdosos que, ao invés, se babam com os dislates de outras criaturas a quem, provavelmente por serem comunas, nada é questionado e de cuja boca apenas saem verdades supremas. Um deles, alegadamente conceituado, professor catedrático de uma prestigiada universidade portuguesa, numa entrevista a um jornaleco qualquer manifesta – entre um rol infindável de alarvidades - a sua convicção, a propósito deste vírus chinês que anda por aí, que as pandemias são a punição da mãe-natureza pela sua violação sem limites. À parte da “mãe-natureza” ainda acho piada. Uma bacorada, mas com graça. Embora, reconheço, um pouco menos engraçada do que outras que o mesmo senhor já escreveu a propósito da Venezuela, Cuba e afins. Sim, que é preciso ser uma mãe muito desnaturada para se vingar nos filhos. Mesmo os da mãe.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
"Há que perder a vergonha de ir buscar dinheiro..."

Parece mais ou menos consensual que – seja qual for o sinónimo que irão arranjar – entraremos em breve num cenário de austeridade. Pior ainda do que no tempo da troika, ao que garantem os mais pessimistas. Diz que não há alternativa. Por mim, duvido desses videntes. Sinto-me, até, estranhamente optimista. Não é nada de cientifico, reconheço, mas ainda me lembro de quando muita desta malta não foi capaz de prever a crise passada. E de outros que já o BES se estava a afundar e ainda garantiam que aquilo era investimento do mais seguro que havia.
O que tem isto a ver com a foto que acompanha este texto? Tudo. A começar por ser, a haver crise, uma grande merda. E, também, porque a existir necessidade de financiar o orçamento do Estado seria bom que em lugar de assaltar os do costume, pensassem em alternativas. Daquelas que taxam o assessório, o luxo, o dispensável ou o inútil. Caẽs a gatos, por exemplo. Só os tem quem quer e, já dizia a minha avó, quem quer luxos paga-os. Por que raio hei-de eu pagar anualmente umas centenas de euros de imposto da minha casa – coitada não sai de onde está e não faz mal a ninguém – e quem tem um cão, ou dez, não paga praticamente nada?! A julgar pelo inusitado número de bicheza dessa que por aí circula, seria meia crise paga...