
A diferenciação entre o vencimento mínimo na função pública e o salário mínimo nacional tem causado um sentimento generalizado de indignação. Nem vou – não estou para isso, até porque lavar a cabeça a burros é gastadouro de sabão, como garantia a minha avó – perder tempo a explicar a diferença entre uma coisa e outra. Limito-me a constatar que, relativamente aos enfermeiros, ninguém questiona ou sequer se parece importar com a disparidade de ordenados entre os que trabalham para o Estado e os que labutam na iniciativa privada. Diferença promovida, note-se, pelo próprio sindicato e demais órgãos representativos. A menos que estas associações só representem os do público e se estejam nas tintas para os colegas do privado. É, pelo menos, o que infiro das tais greves cirúrgicas apenas estarem a ser feitas nos hospitais públicos.
Ainda a propósito das reivindicações de melhoria salarial dos enfermeiros. Não sei se já alguém reparou mas, a serem aceites, aumentariam de forma acentuada os custos dos SNS. Às tantas ficaria ainda muito mais barato contratualizar todas as prestações de serviços de saúde com os privados. Fazer estas contas e equacionar essa possibilidade parece-me ser o mínimo que se pode exigir a quem tem obrigação de zelar pela saúde dos portugueses e pelo dinheiro dos contribuintes.















