quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Decapitação

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Com a chuva de hoje, o meu quintal ganhou vida. Muita. De várias espécies que, presumo, devem ter estado, nos últimos meses, a recato do calor. Ao primeiro sinal de pluviosidade, bichos de conta, lesmas, caracóis e outros intrusos não identificáveis mal puderam aguardar a noite para se passearem pela terra molhada, pelos canteiros e, até, pelo espaço pavimentado. A sobrevivências das plantas que, coitadas, sobreviveram heroicamente à falta de água, está ameaçada por estes rastejantes. É uma invasão. A guerra mal começou, será longa e fará muitas vitimas. Esta, por exemplo. Ao contrário de outras – e de outros, que não quero cá discriminações - que por aí andam, já não tem cornos.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Brexit?! Já vão tarde...

Por estes dias tem dado que falar uma reportagem da TVI acerca do procedimento dos serviços sociais britânicos em relação às crianças filhas de imigrantes. Parece, a fazer fé no que foi amplamente relatado, que estaremos perante um bando de mal-feitores que roubam criancinhas às mães para, a partir daí, desenvolverem toda uma panóplia de negócios. Não sei se assim é ou não. Sei é que não gosto de britânicos. Mais do que isso, detesto-os. Felizmente os meus contactos com tais criaturas circunscrevem-se ao Algarve em quatro ou cinco ocasiões ao longo do ano. E sobra-me. São mal-educados, não se sabem comportar, não respeitam as regras de hotéis ou espaços públicos e, não fora o dinheiro que cá deixam, fazem cá tanta falta como a fome. Além disso são gordos, branquiosos e as gajas mal jeitosas como o caraças.


Mas voltando à investigação da TVI. A ser verdade apenas metade daquilo que foi dito é, ainda assim, uma vergonha para qualquer Estado de direito minimamente civilizado. Uma coisa própria de um país terceiro-mundista. Faltou, deve-se ter escapado à jornalista, apenas um pequeno pormenor. Será que os diligentes serviços sociais britânicos têm o mesmo procedimento quando se trata de famílias muçulmanas? Não sei porquê desconfio que não...

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Sensibilidades

A esquerda, como se sabe, é a campeã da sensibilidade social. Tem tanta que até chateia de tão sensível que é. Deve ser por isso que pretende – e bem – aumentar o salário mínimo para seiscentos euros. Quer, também – e igualmente bem – aumentar em dez euros as pensões até oitocentos e quarenta e cinco euros.


Embora isso me comece a preocupar, dada a frequência com que está a acontecer, não podia estar mais de acordo com estas propostas esquerdelhas. Há, no entanto, uma coisinha de nada que me está a moer. A consumir, como diria a minha avó. Então e aquelas pessoinhas que trabalham na função pública – e menciono estas porque quanto às do privado não podem fazer grande coisa – que ganham entre seiscentos euros e oitocentos e quarenta e cinco? Para essas não há sensibilidadezinha absolutamente nenhuma?! Parece que não. Ficamos assim a saber que, para a esquerda, um trabalhador que ganha seiscentos e cinco euros é menos necessitado que um reformado que aufere oitocentos e quarenta e cinco. Deve ser a isto que chamam justiça social ou lá o que é…

domingo, 9 de outubro de 2016

Da série ainda bem que a geringonça não aumenta os impostos

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Nem quero imaginar o IMI que o infeliz proprietário deste imóvel terá de pagar. Localização privilegiada, excelente exposição solar, vistas magnificas e até dispõe de um jardim interior. Como se tudo isso não fosse já suficientemente mau, está desocupado. O que  multiplica por três o sério problema que o dono tem em mãos. Ou o desgraçado vai lá de vez em quando pôr a água a correr e ligar uma torradeira, ou está – ainda mais - lixado. Outra solução era mandar abaixo. Ou doar à Câmara.

sábado, 8 de outubro de 2016

Há que ir sacar o dinheiro a quem o poupou...

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Comunistas e bloquistas querem à força toda colocar na ordem do dia a renegociação da divida do Estado. Acho bem. Pelo menos a parte do discutir se pagamos ou não. E um bom principio de discussão era aquela malta começar logo por dizer quem é que fica a arder com o calote. Parece que cerca de sessenta por cento da divida estará em mãos nacionais. Estamos, portanto, perante mais uma originalidade da nossa esquerdalha. “Ferrar o cão” a nós próprios. Nada que surpreenda. Já se sabe que essa gente não é de fiar. Mas, mesmo assim, era capaz de ser honesto avisar os pensionistas e outros pequenos investidores, que face à quase nula rentabilidade dos depósitos a prazo investiram na divida pública, da vontade que têm de lhes ficarem com as poupanças.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ganhou aquilo da ONU?! Ainda bem para ele.

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Anda por aí tudo entusiasmado por o próximo secretário-geral das Nações Unidas ser um português. Assim de repente não estou a ver motivo para tanta animação. Já tivemos outro a mandar – se é que mandava alguma coisa – na Comissão Europeia e nada alterou a vida dos portugueses. Tanto faz estar lá ele como um chinês ou um cubano. É indiferente. A menos que estejamos já com ideias, à boa maneira tuga, de começar a meter umas cunhas. Feitos interesseiros. Assim mais ou menos como aquela velhinha que, aproveitando a presença de um político qualquer em campanha eleitoral, lhe dizia após o beijo da praxe, “veja lá o que pode fazer por mim...”. Mesmo estando já entrevada e entregue aos cuidados de um lar de idosos. Deve ser mais ou menos isso que suscita tanto entusiasmo.


Por mim só espero que seja melhor secretário-geral do que foi primeiro-ministro. Não há-de ser difícil.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A minha reforma continua cortada...

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 Acho imensa piada quando António Costa - ou outro geringonço qualquer – se gaba, todo orgulhoso com o seu feito, de ter posto fim aos cortes nas reformas vilmente perpetrados pelo anterior governo. A sério. Rio-me à gargalhada. Deles e dos que neles acreditam. É que, tirando aquela parte do vilmente, isso é conversa para tontinhos. A minha reforma, a menos que alguém se tenha esquecido de me avisar, continua cortada. Mas com essa ninguém se preocupa. Só ocorrerá daqui a dez anos. Ou quinze. Ou mais. Depende da demagogia dos governos que por lá forem passando. Mas podia ser já num dos próximos meses. Só não é porque isso dos direitos adquiridos é apenas para alguns.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Da série ainda bem que acabou a austeridade

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 Só para aproveitar antes que venha o tal imposto sobre a comida que faz particularmente mal á saude. De todos. Até dos que votaram na geringonça.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Bem-dita geringonça!

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Sempre achei bem essa cena de aumentar os impostos indirectos e não é agora, só por ser a gerigonça a concretizar o que defendo, que vou mudar de ideias. Ainda assim, melhor ainda acharia se esse aumento, em vez de servir para esturrar mais e mais dinheiro, fosse aproveitado para reduzir a tributação sobre o trabalho e os imóveis. Mas isso são outras contas que pouco importam às Mortáguas e aos Galambas desta vida.


Estou, portanto, de acordo com o tal imposto sobre o açúcar, a fast-food ou lá o que é aquilo que os geringonços se preparam para inventar. Acho bem. Receio é que não passe do papel. Alguém de entre eles se há-de lembrar que a coisa vai incidir sobre bens que os alegados mais pobres consomem em abundância. E, quem tiver dúvida quanto a isso, que olhe para os tapetes das caixas dos supermercados e atente nos bens alimentares que esses tais pobres adquirem. Comida ultracongelada, batatas fritas e refrigerantes são os itens que constam do cardápio. Pudera. São baratos, não dão trabalho a cozinhar e não necessitam de qualquer espécie de dote culinário. Vão pôr é essa malta a pagar impostos. Finalmente. Bem-dita geringonça!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Jornaleiros da treta!

A maneira como foram relatados os resultados do referendo na Hungria retrata na perfeição o compromisso que os média nacionais mantém com determinada linha política e a notória falta de isenção com que a informação é transmitida. Noticiar a ocorrência como uma derrota para o governo húngaro é, no mínimo, parvo. Mas, face à conhecida postura dos jornaleiros tugas, deve ser mais manipulação da informação. Perante um resultado, ainda que não vinculativo, em que noventa e oito por cento dos votos expressos apoiam a posição defendida pelos governantes, é precisa muita lata para dizer e escrever o que foi dito e escrito. Sabe-se que a malta da comunicação social não é muito dada a números, mas não perceber isto já parece parvoíce a mais.


E se cá nos fosse colocada a mesma questão? Não tendo nós o mesmo problema a resposta do eleitorado seria, provavelmente, bastante diferente. Ou então, não. Com o radicalismo de certas posições – cada vez em maior número – que se vão lendo e ouvindo acerca da quantidade de turistas que nos visitam, já não digo nada. Ah, espera, como são os intelectuais esquerdelhos a defender que o turismo coloca em causa a nossa identidade isso já não conta para aquilo da xenofobia, ou lá o que é. Deve ser por os turistas – a maioria, pelo menos – serem gajos endinheirados. Nós gostamos é de pobrezinhos, para lhe podermos oferecer bué de solidariedade. Que é como se chama a caridade à moda de esquerda.

sábado, 1 de outubro de 2016

De pé, ó vitimas do IMI!!!!

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Não concordo nada com aquilo que hoje para aí se diz e escreve acerca do IMI do Cavaco. Nomeadamente naquela parte que terá pago apenas metade do que, alegadamente, seria devido. Pagou foi a mais. Ele e todos nós. O IMI é um imposto ridículo e tentar escapar-lhe constitui, mais do que um dever, uma obrigação.


E depois há as virgens ofendidas e os indignados de serviço. Que, em minha opinião, não estão a ver bem a coisa. Portugal é um país onde fugir ao fisco é um desporto nacional cujos melhores praticantes merecem a nossa admiração. Todos queríamos ser como eles. Por isso os anticavaquistas, se continuarem a explorar esta alegada tramóia do homem, ainda se arriscam em tornar a personagem um ídolo aos olhos dos portugueses. Coisa que, desconfio, não querem.

Ah e tal, temos que aumentar os impostos...tá bem, tá!

Nisto do fim do sigilo bancário estou com a geringonça. A cem por cento. Ou mais. Que isto o limite dos cinquenta mil euros é manifestamente elevado. Não sendo o único, constitui um meio essencial para combater a fuga aos impostos. Não podemos é ser hipócritas e, em simultâneo, adoptar medidas que prejudiquem essa mesma cobrança. Como baixar o IVA da restauração ou impedir as penhoras dos bens a quem não paga o que deve ao fisco. Um certo nível de coerência nestas coisas – e noutras, também – era capaz de ser útil.


Os opositores a esta medida invocam a devassa da privacidade individual para a contestar. Fraquinho este argumento. Já arranjavam outro, digo eu. Que este já foi usado até à exaustão para combater o e-fatura e, que se saiba, ainda ninguém viu a sua vida privada devassada por causa das facturas que pediu no café. Para isso já existe o Facebook.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Uma questão gastronómica

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“Comia-te toda” terá sido o piropo que motivou a ira de uma cidadã ao ponto de levar o caso à justiça. Que, numa atitude ajuizada de quem assim decidiu, entendeu não haver na manifestação daquela intenção qualquer indício de crime. Apenas má educação, concluiu o meritíssimo juiz que analisou o caso.


De facto o autor do piropo não dará grande uso às boas maneiras. Nem à gentileza. Atrever-me-ia, até, a dizer que a criatura nasceu num dia em que a educação gozava férias. Podia, em lugar daquela grosseria, ter declarado perante a senhora a vontade de a degustar integralmente. Teria sido mais simpático. Ou mesmo de a depenicar, vá. Mas não. Quis ser garganeiro. O que, quando muito, pode configurar aquilo do pecado da gula.


E é nisto que se entretêm as instituições e os servidores do Estado. Desde os deputados que propuseram e aprovaram esta lei aberrante aos magistrados que a têm de apreciar. Passando pelos incontáveis intervenientes que um processo desta natureza envolve. Depois admiram-se que se diga que existem funcionários públicos em excesso...


 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Imposto triplamente estúpido

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 A ideia de taxar um imóvel já é, só por si, suficientemente parva. Taxa-lo a triplicar, apenas por estar devoluto, é uma burrice enorme própria de criaturas mentalmente indigentes. O coitado está ali – imóvel, como o nome indica – sem fazer mal a ninguém e sem que a sua presença provoque qualquer despesa ao erário público mas, ainda assim, quem o detenha é obrigado a pagar um dos impostos mais estúpidos do mundo. A multiplicar por três, se tiver o azar de o ter desocupado. E as autarquias, beneficiárias destas receitas, vão fazer o quê com este dinheiro? O que sempre fizeram, claro. Coisas. Daquelas que todos conhecemos o resultado, nomeadamente.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Velhos que abafam a palhinha.

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Uma iniciativa da Câmara, da Santa Casa, das duas ao mesmo tempo ou sei lá de quem, terá andado a contar os velhotes larilas que habitam em Lisboa. Ou a fazer algo parecido. A ideia será ajudar os idosos homossexuais a “sair do armário”. Não sei se a história será bem assim mas, lido na diagonal, foi o que me pareceu. Se for, trata-se de algo merecedor do maior aplauso. Ser gay é fino. Está na moda. Há, portanto, que não marginalizar os idosos e proporcionar-lhes uma coisa toda modernaça. Própria de gente culta, urbana e civilizada. Fazer ver aos velhinhos e velhinhas aquilo que andaram a perder quando, feitos parvos, encostavam a calça à saia em lugar de juntar os coletes. Mostrar-lhes o caminho. A luz. O futuro, em suma. Demonstrar-lhes o quanto estavam errados quando seguiram aquele conselho do “ide e multiplicai-vos” e as consequências nefastas que tão tresloucado acto produziu. A começar, provavelmente, pelos mentores de tão importante estudo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Investimento eleitoral

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Câmaras e freguesias que pagam passeatas, almoços, lanches, jantares, viagens de avião e outras liberalidades aos seus eleitores mais idosos já não merecem qualquer destaque, de tão corriqueira que se tornou a compra de votos através dessa estratégia.


Dar coisas a cidadãos alegadamente carenciados – ou apenas por pertencerem a uma etnia – também já não constitui nenhuma espécie de novidade. Acontece a toda a hora em todo o lado. Dar emprego, na Câmara ou na junta, a quem durante a campanha eleitoral – ou até mesmo fora dela – se prontifica a segurar o pau (da bandeira, claro) é encarado de forma tão natural que todos estranharíamos se assim não acontecesse.


Daí não surpreender – e até parecer justo – que com o dinheiro dos impostos se paguem igualmente as festarolas da malta nova. Deve ter sido isso que pensou o autarca de Gaia, que resolveu pagar o jantar aos finalistas do ensino secundário lá da terra. Se calhar é a aplicação daquele principio do “ou há moralidade ou comem todos”... 

domingo, 25 de setembro de 2016

Da serie ainda bem que acabou a austeridade (IV)

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Estou, reconheço com humildade, visivelmente impressionado com a geringonça. Estava – e dou, por isso, a mão à palmatória – equivocado acerca da capacidade da aliança esquerdista para governar o país. Tudo mudou, para muito melhor, nos últimos meses. No Inverno, ao contrário do que acontecia antes, os velhinhos não morreram de frio. Nem no Verão, apesar do calor sufocante, caíram que nem tordos ao invés do que acontecia no tempo do outro ministro da saúde. E as criancinhas? Quando governava a direita chegavam esfaimadas às escolas e até as autarquias tiveram de fazer um esforço suplementar para, no período de férias, manterem as cantinas abertas. Desde que temos geringonça já nada disso acontece. Estão gordas e luzidias. Tão bem alimentadas que o problema é apenas não gostarem de sopa e manifestarem alguma relutância em comer a fruta.


O rol de melhorias é imenso. A prova disso é a ausência de greves, manifestações e outros sinais de desagrado por parte de sindicatos e movimentos reivindicativos diversos. Estamos no bom caminho, dizem eles. Era, pelo menos, o que garantia o sindicalista que, trajado de calções e xanatos, irrompeu pelo meu local de trabalho um destes dias a distribuir propaganda. Vai boa a vida, portanto. 

sábado, 24 de setembro de 2016

Gaja tatuada

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Não gosto de tatuagens. Sejam elas de que tipo forem. Acho uma parvoíce e nada acrescentam à beleza ou subtraem à fealdade de quem se tatua. Mas o que a foto mostra vai para além disso. Entra, parece-me, no domínio da mutilação. Só um motivo muito forte – ou uma autoestima muito fraca - podem justificar a opção de mandar fazer esta pintura, absolutamente horrível, nos costados. É lá com a criatura, dirão. Com certeza que sim. Mas que é macabra, isso salta à vista.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Ah, poeta!

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Que a cidade está deserta, há muito que o sabemos. Mas enquanto houver malucos nunca será um deserto de ideias.

Deve ser uma exposição, ou isso...

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Esta poia, de proporções épicas, constitui quase uma obra de arte a que o meu mau jeito para a fotografia não faz a merecida justiça. Ao longo dos últimos dias, embora cada vez mais reduzido por estar exposto aos elementos, tem sido possível apreciar este monte de merda de cão numa rua da cidade. Que, miraculosamente, ainda ninguém a pisou. Só é pena não se tratar de um exemplar único. Uma peça rara, digamos. Nada disso. Não faltam por aí outras réplicas igualmente sublimes. Obrigado javardões. Sem vocês as nossas ruas não seriam a mesma coisa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Corta, corta!

O FMI quer, ao que parece, que o governo volte a cortar os vencimentos da função pública. Novecentos milhões, consta. O que, presumo, deve ser dinheiro como o caraças. Por mim, e ao contrário das indignações que já li, acho muito bem. Por várias razões. Umas escuso das enumerar. Não me apetece. Outras são por de mais óbvias. Que se cortem, pois, os vencimentos dos funcionários públicos. Talvez assim se arranje margem para acolher no Orçamento, a baixa do IVA na restauração, o aumento das reformas, das prestações sociais, dos livros grátis, dos bónus aos militares e policias, da contrapartida nacional no Portugal 2020, dos desvarios que aí vêm para garantir a reeleição nas autárquicas, do aumento do salário mínimo e do IAS e das milhentas outras ideias que brotam dos cérebros da geringonça...

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Da série ainda bem que acabou a austeridade (III)

Talvez levados pelo entusiasmo – não confundir com populismo, que isso é coisa exclusiva dos gajos da direita – uns quantos deputados e apoiantes da maioria governativa, garantiam que o novo imposto permitiria reduzir o irs da classe média, aumentar as reformas dos velhinhos mais pobres e fazer crescer as prestações sociais dos mais desfavorecidos. Hoje parece que apenas vai contribuir para aumentar as reformas. Generosidade que, diz a mentora deste novo tributo, custará aos cofres públicos duzentos milhões de euros. Isto que dizer que, face aos números apresentados, cada um dos tais oito mil ricaços pagará, em média, vinte cinco mil euros de imposto por ano. Não é que isso me incomode. Podiam, até, pagar mais que não me causava grande aborrecimento. Mas, o que é que querem, não acredito. Nem no montante a pagar por cada um nem, ainda menos, no número de pagantes.

Da série ainda bem que acabou a austeridade (II)

Acabo de ouvir a Ministra das Finanças Mariana Mortágua garantir que apenas oito mil proprietários mais endinheirados vão pagar o tal imposto sobre a propriedade. Serão, segundo a governante deputada, os que terão património imobiliário acima de um milhão de euros. Estou, confesso, muito mais aliviado. Há só uma coisinha que me apoquenta. Algo quase irrelevante, convenhamos. É que ainda me consigo recordar que o IVA começou por ser dezasseis por cento...

Da série ainda bem que acabou a austeridade

Ainda sou do tempo em que se criticava o aumento das pensões por não chegar para um café por dia. Felizmente agora anunciam-se hipotéticos aumentos de dez euros por mês e ninguém pergunta para quantos cafés é que isso dá. Mas eu digo na mesma. Dá para um. Dia sim, dia não.

Desigualdades

Tem sido, ao longo dos últimos dias, amplamente divulgado um estudo de uma Fundação acerca do aumento das desigualdades sociais provocadas em Portugal pela intervenção da troika. Será, de certo, um trabalho devidamente fundamentado e que deverá merecer, da parte de todos, a melhor atenção. Nomeadamente, pela sua responsabilidade, aos políticos. Coisa que, pelos vistos, não estará a acontecer. É que a melhor forma de evitar o agravamento dessas desigualdades será não cometermos os mesmos erros que nos levaram à inevitabilidade da assistência financeira. E essa parte, desconfio, não está a interessar a ninguém...


 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

"Doenças das senhoras"

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Uma senhora com problemas de coração pode optar entre estes dois clínicos? Para curar uma constipação, por exemplo, a Drª Maria será uma opção para qualquer paciente do sexo feminino? E, se sim, por que raio não pode lá ir um homem tratar de maleitas de idêntica natureza? Ou isto é apenas uma espécie de eufemismo? Nem sei porque é que as múltiplas comissões para a igualdade e entidades diversas no âmbito da não discriminação, que por aí vão vivendo á mesa do Orçamento do Estado, ainda não fizeram nada para proibir estes anúncios...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Burka tecnologica

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A caixa acidentada aparenta estar melhorzinha. Embora, pelas razões expostas, isso não seja confirmável à primeira vista. Trataram de a tapar com uma fatiota em segunda mão. Coitada. Ficou a parecer uma muçulmana daquelas que não se sabe o que está por baixo da farpela.

domingo, 18 de setembro de 2016

Caça à multa

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Um pacato automobilista foi autuado um destes dias, pela diligente brigada de trânsito da GNR, por estar na posse de um aparelho que detecta a presença de radares de controlo de velocidade. Coisa para quinhentos euros. A multa, que o dito aparelho está à venda na internet por um preço muito mais baixo. Ora isto, apesar de ser considerado infracção e a coima estar prevista na lei, suscita-me umas quantas questões. Cada uma mais inquietante que a outra, por sinal. Como é que os “Geninhos” deram com o dito aparelho? Será que a GNR está equipada com aparelhos que detectam aparelhos que detectam radares? Se sim, será que existe também um aparelho que detecta os aparelhos que detectam os aparelhos que detectam radares? E se os aparelhos que detectam radares são ilegais, será que, a existirem, os aparelhos que detectam os aparelhos que detectam radares são legais? A serem-no isso não configura uma espécie de violação da privacidade?


Mas, dado o inusitado número de aceleras que circulam por aí, ainda bem que a GNR procede assiduamente a controlos de velocidade – e à detecção de aparelhos que boicotam essa actividade, pelos vistos - como medida de prevenção contra os acidentes e isso. Especialmente quando os faz aos domingos de manhã, com o radar escondido, numa recta de uma estrada perdida no meio do Alentejo e onde, por essa hora, passa um carro de cinco em cinco minutos.

sábado, 17 de setembro de 2016

Passou um fio e aquilo prendeu? Não?! Então esteja calado!

A generalidade da opinião publicada tem dito e escrito o que Maomé não disse, nem consta que tenha escrito, do toucinho acerca da entrevista do juiz Carlos Alexandre. Se calhar têm razão. Pelo menos naquela parte em que sustentam que o homem devia ter continuado calado. Aquela conversa só serviu para fazer com que os socretinos e as viúvas de Sócrates viessem rasgar as vestes para a praça pública em defesa do seu ídolo.


Houve um tempo em que lhes achava piada. Agora começo a achar que são uns mete-nojo. Ler e ouvir a defesa do individuo que chegou a ser primeiro ministro desta republica, faz-me lembrar o que se passa cá no prédio. Toda a gente diz que o gajo do primeiro esquerdo anda enrolado com a vizinha do segundo direito. Mas, como é hábito nestas coisas, não se podem apresentar provas que confirmem o que todos murmuram. Nem o facto de, caso um dia aconteça, serem encontrados nús e colados um ao outro significará seja o que for. Haverá sempre quem pergunte se alguém passou um fio pelo meio deles... Deve ser a isso que se chama processo de especial complexidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Esperança num "produto" melhor...

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Hesito quanto a isso da esperança começar em qualquer coisa que envolva o Bloco de Esquerda. Pelo contrário. Nem a esmagadora maioria de quem quem votou naquilo tem qualquer tipo de esperança. Foi, apenas e só, um voto de protesto. Que tanto foi no Bloco como poderia ter sido, se por cá houvesse disso, num partido de extrema-direita.


Veja-se o caso deste novo imposto sobre o imobiliário anunciado pelos bloquistas. Vai, dizia ontem um dos proponentes, apenas abranger os muito ricos. Mas, acrescentava, permitirá baixar o IRS, aumentar as reformas e melhorar as prestações sociais. Tudo em simultâneo. Ora, das duas uma, ou há muito mais ricos do que aquilo que se supõe ou o conceito de rico será uma coisa muito abrangente para os ideólogos desta parvoíce. Há, ainda, uma terceira hipótese que não deve ser excluída. Estarem a pôr pouco tabaco naquilo que andam a fumar...