Por um acaso qualquer, que me esforçarei por não repetir, dei por mim a ler um blogue de gajas. Daqueles que, volta e meia e sabe-se lá porquê, estão em destaque no Sapo. Para meu espanto, quer a gaja autora quer as gajas comentadoras estavam manifestamente encantadas com a proibição – censura, é capaz de ser mais apropriado – imposta pelo autarca de Londres à exibição de publicidade, que envolva mulheres com pouca roupa, nos transportes públicos daquela cidade. Esta opinião escapa, confesso, ao meu entendimento. Provavelmente todas elas, as gajas do blogue, serão gordas, feias e mal-apessoadas. Uns camafeus, em suma. Embora isso não se afigure – excepto, quiçá, para as próprias – como um problema de especial importância. Não precisam é de ser invejosas.
Se calhar, um destes dias, por lá, terão de passar a andar na rua um pouco mais cobertas. Coisa que, de certo, também não vão achar mal. Talvez, até, mais dia menos dia, dar porrada na mulher deixe de ser considerado crime. Nessa altura, possivelmente, gajas como as do tal blogue de gajas poderão começar a pensar que talvez se esteja a ir um nadinha longe de mais. Então o mais certo é já ser demasiado tarde. Mas pedir a uma gaja – ou mais – que escreve para gajas, num blogue de gajas sobre coisas de gajas, para perceber que se trata de uma questão de liberdade e não de estética é, seguramente, pedir demais.