Terá dito, em tempos, a Ferreira Leite que o alinhamento dos telejornais era um assunto demasiado sério para ser deixado ao critério dos jornalistas. Se não foi isso, foi algo parecido mas com o mesmo significado. Tinha toda a razão. Todos os dias os noticiários televisivos fazem questão de o demonstrar.
Foi através de um desses espaços informativos que ficámos, logo de seguida, a saber dois factos importantíssimos para as nossas vidas e, quiçá, para o destino colectivo da humanidade. Que uma professora de vinte e poucos anos terá violado, de forma continuada, um aluno de treze. Tendo, até, engravidado do dito. Coitado do moço. Desgraçado. Presumo que tenha ficado traumatizado. Se calhar agora, para a história ser perfeita e fazer disparar ainda mais os níveis de inveja de noventa e nove por cento da população masculina, até vai ser indemnizado. A outra ocorrência relevante do dia dava-nos conta de um puto de seis anos que telefonou para o número de emergência a denunciar uma infracção de trânsito cometida pelo pai. Nada que um par de tabefes não resolva. Se o objectivo era transformar o gaiato num herói duvido que o tenham conseguido. Foi apenas promovido a bufo.
Entretanto tropelias à séria, como as que os seguidores de um determinado profeta vão praticando pela Europa, são intencionalmente escondidas do grande público. Deve ser isso do critério editorial, ou lá o que é.
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