Um acto destes, praticado por um idiota qualquer, terá sido suficiente para colocar metade da policia da cidade onde a cena ocorreu atrás do cavalheiro. A noticia, no seu desenvolvimento, esclarece-nos que as duas espectadoras involuntárias da ocorrência saíram ilesas. Ainda bem, mas, assim à partida, não estou a ver que tipo de lesão podia ter provocado na assistência a condenável actividade do sujeito.
Também não estou a enxergar motivos minimamente razoáveis para a senhora, com vinte nove anos ao que reza a crónica, ter ficado assim tão traumatizada. Com aquela idade, de certo, já viu pior. E melhor, provavelmente, também.
Tudo isto para dizer – escrever, no caso – que anda toda a gente muito sensível. Ainda que, no âmbito da sensibilidade, muito selectiva. Confrontados com cenas de violência, roubo ou qualquer outra espécie de crime viram a cara para o lado e seguem como se não fosse nada com eles, mas, perante situações patéticas como a relatada, até se dão ao trabalho de incomodar a policia. Deve ser mais ou menos como aquilo de ter o sapato com o atacador desapertado. Ninguém liga. Já se for a braguilha aberta não há quem não olhe.