A histeria colectiva em torno dos animais ultrapassou já os limites do bom senso. Todos os dias se dá mais um passo no sentido de humanizar os bichos tentando fazer com que fiquem, em termos de direitos, iguais às pessoas. Chamam-lhe evolução. Parece-me outra coisa. Mas isso sou eu que me atrevo a pensar que sei melhor o que é a “natureza” do que aqueles que viveram toda a vida encaixotados em apartamentos e de verde apenas conhecem o jardim onde levam o cão a cagar.
Agora – dentro de dias – vai ser discutida na Assembleia da República uma petição visando proibir a circulação de veículos de tracção animal na via pública. Nem vou analisar a idiotice do projecto pelo lado das consequência económicas que a sua aprovação provocaria em diversos sectores. Limito-me, apenas, a considerá-lo racista e provocatório em relação às comunidades nómadas de etnia cigana que ainda restam. Nomeadamente no Alentejo. Mas isso pouco importará aos amiguinhos dos animais. Um cigano, para essa gentinha, deve valer muito menos que um cavalo ou um burro.