Desconheço em pormenor, pois não me dei ao trabalho de ler as entrevistas que a propósito deram à comunicação social, o que terá levado Fernando Tordo, Rui Veloso e Agata, a emigrar, fazer uma pausa ou abandonar a carreira. Nem, a bem-dizer, me interessa muito. Presumo que poderá ter a ver com a drástica diminuição de rendimentos que, eventualmente, os possa estar a afectar. E que afecta, talvez de forma muito mais dramática, a maioria dos portugueses.
A ser assim, pode dizer-se, é uma boa noticia. Nomeadamente para os contribuintes. Significa que as autarquias – que nos últimos anos têm constituído um verdadeiro maná para os artistas nacionais – ganharam finalmente algum juízo e estarão hoje a esturrar muito menos dinheiro em festarolas. Não era sem tempo. Muitos e muitos milhões depois felizmente alguém começa a pensar em aplicar os escassos recursos disponíveis de forma séria. A pagar dividas, por exemplo.
O que não deixa de ser curioso é a reacção que, a este propósito, muitos vão manifestando. Como se a decisão dos artistas fosse culpa do governo. Também acho que o governo – este e os outros que lá estiveram antes – tem a culpa de quase tudo o que de mal nos está a acontecer. Mas, que diabo, disto?! Até porque nem estou a ver que transtorno é que estes abandonos nos possam causar...O Eusébio também deixou de jogar à bola e o Benfica continuou a ganhar! E, depois, é como diz o outro. Não há dinheiro, não há palhaços. Se as Câmaras não os contratam, vão para a estrada e façam espectáculos por conta própria. Exceptuando os últimos vinte anos, em que quase tudo se oferecia à população, sempre foi assim.








