...Questiono-me acerca dos motivos que levaram ao lançamento de uma petição on-line – uma dessas modernices parvas agora tão em voga – reivindicando do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz a melhoria das instalações do canil cá do sitio. Isto porque, alegam, as condições de alojamento dos canitos deixam muito a desejar. Espanta-me que os peticionantes, especialmente os mentores da coisa, não se apoquentem antes com as condições degradantes e sub-humanas em que vivem os moradores das Quintinhas. Não é que me importe, reconheço, mas essa malta toda sensível podia preocupar-se. Um bocadinho, pelo menos.
sábado, 11 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Quanto é que o governo vai roubar? É fazer a conta...
Há blogues e blogues. Como tudo na vida. Este, assistente-tecnico.blogspot.pt, é um dos que valem a visita. Nomeadamente de todos os que trabalham na administração pública. Podem, por exemplo, através deste simulador que é disponibilizado no sitio, começar a fazer contas ao roubo de que vão ser vitimas já dentro de dias...
De ora em diante o link para este blogue vai estar disponível na barra lateral.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Um estranho conceito de convergência
Os últimos governos, em particular o actual, têm pautado a sua actuação por um feroz ataque aos trabalhadores da função pública. Chamam-lhe convergência, ou lá o que é, com o regime aplicável a quem trabalha na iniciativa privada e merece o aplauso entusiástico de amplos sectores da sociedade. É, pode dizer-se sem grande margem de erro, um dos poucos assuntos que reúne um estranho consenso entre a opinião pública e a publicada. Estranho, porque ou isto é um país de gente burra que come a palha toda que lhe põem na gamela ou, não sendo burros, são todos uns filhos da puta que desejam o pior possível aos outros. Ainda que daí não tirem qualquer proveito.
Vem isto a propósito da decisão do governo em aumentar para 3,5% o desconto para a ADSE. A ideia, dizem, é que o Estado deixe de financiar o sistema e o mesmo se torne auto-sustentável. Isto porque, segundo opinião que faz escola, não têm de ser os contribuintes a pagar os privilégios dos funcionários públicos. No entanto ninguém se incomoda que as empresas deduzam os custos com os seguros de saúde dos seus trabalhadores em sede de IRC. Como se neste caso não estivesse em causa o dinheiro dos contribuintes! Ou seja: O Estado não pode comparticipar a ADSE, mas pode, através dos impostos que deixa de receber, financiar os seguros de saúde de quem trabalha no privado. Deve ser isto a que chamam convergência...
Pouco convergente parece, também, o facto de quem tem seguros de saúde – pagos pelo próprio, não pela empresa – os possa deduzir no IRS. É que o mesmo principio não se aplica aos beneficiários da ADSE, dado que os descontos para este sistema não são dedutíveis naquele imposto.
Mas nada disto parece importar. O que importa é malhar nos mesmos. É disto que o povo gosta. É isto que dá votos. Ou não fosse o povo burro, ignorante, invejoso e mesquinho. Digno dos governos que tem, portanto.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Aluno aplicado, o Sócrates.
Por estes dias foram contadas inúmeras histórias envolvendo, de uma ou outra forma, o falecido Eusébio. A melhor, na minha modesta opinião, foi a que José Sócrates ontem nos contou.
O ex-primeiro ministro, já se sabia, é benfiquista. Por causa do “Pantera negra”, confidenciou. A sua admiração pelo “Rei” nasceu ao som do relato do Portugal – Coreia do Norte do Mundial de Inglaterra quando, na Covilhã a caminho da escola, ia ouvindo os golos que Eusébio marcava.
Nada que surpreenda. Nessa tarde de 23 de Julho – um Sábado, por sinal – muitos portugueses se terão tornado benfiquistas. Alguns, de entre eles, até se terão licenciado ao Domingo. É o que dá, logo de pequenino, não faltar às aulas aos Sábados à tarde. Nomeadamente em tempo de férias.
domingo, 5 de janeiro de 2014
"Não, obrigado"?! Nunca comi...
Quando peço a factura relativa ao que estou a pagar tenho a sensação
esquisita que estou a causar um tremendo aborrecimento a quem está
do outro lado da máquina registadora. Desconfio, até, que
mentalmente me estão a chamar uma série de nomes nada simpáticos.
Isto enquanto não evacuo a área, porque depois deve ser em alto e
bom som.
Se
calhar sou eu que ando a ver coisas. Mas, independentemente disso dos
automóveis a que a factura nos habilita, trata-se de um dever de
cidadania. De cada vez que pagamos – mesmo um simples café, por
exemplo – parte desse dinheiro não é de quem nos vendeu o produto
mas sim do Estado. Do país. De todos nós, afinal. Assim sendo
parece-me da mais elementar justiça fazer o que está ao meu alcance
para que ele chegue ao destino. Impedir um roubo, no fundo.
Presumo
que haja quem não goste. Azar. Habituem-se. É altura de, a isso dos
impostos ser coisa apenas para alguns, dizer “não, obrigado”.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Voltar a esturrar, que é o que melhor sabemos fazer!
Que
nada aprendemos com esta alegada crise, já se sabia. Que não
apreciamos quem gere o dinheiro público com rigor e administra a
coisa pública com parcimónia, também. É por demais conhecida a
nossa incapacidade de nos governarmos e a aversão a deixarmos que
nos governem. Os últimos meses do ano agora findo, particularmente
as derradeiras semanas, foram disso um exemplo flagrante. Com a
expectativa de ver a troika pelas costas – assinalada com relógio
e tudo – não falta quem volte a deitar os pauzinhos de fora.
Entre outros exemplos salientem-se as festas de fim-de-ano, as
luzinhas de natal ou o foguetório com o alto patrocínio de autarcas
desejosos de voltar a fazer dividas por tudo quanto é sitio. E a
malta gosta. Aplaude. Exige. E alguns pagam. Os do costume, no caso.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Nem é preciso ser bruxo...
Devem estar a gozar connosco. Só podem. Ou então são parvos. Mesmo admitindo os meus reduzidos conhecimentos na matéria, parece-me altamente improvável que o próximo ano traga qualquer espécie de recuperação da economia nacional. Ando há anos a escrever que não é assim que vamos lá e, apesar de garantirem sempre que para o ano é que é, a verdade é que, desgraçadamente, tenho tido sempre razão. Pelo quinto ano consecutivo reafirmo a minha convicção que vamos continuar na mesma e, pela quinta vez, manifesto o desejo de, volvidos os próximos trezentos e sessenta e cinco dias, vir aqui congratular-me por estar enganado.
Prever, por exemplo, o crescimento da procura interna num ano em que os salários vão ter a maior quebra desde que entrámos na União Europeia afigura-se, sei lá, assim um bocado contraditório. Ou, quiçá, bastante idiota. Isto, simultaneamente, com a continuação do desemprego em níveis que não param de bater recordes, os apoios sociais a sofrerem cortes consecutivos e o Estado sem dinheiro para investir ou apoiar investimentos. Neste cenário falar de recuperação é, reitero, coisa de lunáticos ou de optimistas convictos capazes de fazer o Sócrates parecer um governante ajuizado.
Restam as exportações e o turismo. Talvez. Mas isso não depende apenas da nossa vontade. O beato Paulinho irrevogável que vá rezando à nossa – dele – senhora de Fátima para que o seu eventual crescimento chegue para compensar a inevitável quebra de tudo o resto.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Excesso populacional ao nível da passarada
À
semelhança do que acontece em muitas outras cidades, também Estremoz está
infestada de pombos. Danificam monumentos, sujam edifícios, transmitem doenças
e são, reconhecidamente, uma verdadeira praga urbana. Nada disso impede que
muita gente, nomeadamente as dezenas de velhotes que passam os seus dias à
volta do Rossio, os alimente e contribua com essa atitude inconsciente para a
sua proliferação.
Não
espero – não sou tão ingénuo quanto isso – que uma campanha de sensibilização junto
das pessoas que dão comida aos pássaros produza algum efeito. Duvido até que
haja quem a queira fazer. Isso só contribuiria para aborrecer as pessoinhas.
Coisa que, obviamente, não queremos. Mas lá que convinha tomar uma medida qualquer
parece-me por demais evidente. Assim, sei lá, tipo dar a pílula às pombas e
distribuir preservativos aos pombos, ou isso.
domingo, 29 de dezembro de 2013
O defensor de reformados ricos que se está nas tintas para trabalhadores pobres
Cavaco
pertence aquela espécie de criaturas desagradáveis que, segundo o
próprio, nunca se enganam e raramente têm dúvidas. Alia a essa
característica, já de si irritante, uma outra ainda pior. Aparenta
ser um daqueles decisores, como muitos que abundam nos lugares de
decisão, que está “ali” essencialmente preocupado com o “seu”.
Apenas isso pode explicar a sua incessante e imensa preocupação com
os cortes nas pensões e, simultaneamente, o desprezo com que olha
para tesouradas muito maiores nos rendimentos e apoios sociais de
quem trabalha.
Tal
como se esperava o homem não teve dúvidas quanto à
constitucionalidade do corte nos vencimentos na função pública.
Nem, diga-se, esta medida tem merecido destaque significativo junto
da comunicação social, analistas políticos, politólogos em geral,
sindicatos ou até mesmo da oposição ao governo. Contrariamente,
por exemplo, do que aconteceu com as TSU's. A dos pensionistas e a
outra. Mas, bem vistas as coisas, o roubo agora é muito maior, já
que a redução prevista no OE vai até aos doze por cento, enquanto
antes se ficava pelos sete. Só que como é aos funcionários
públicos não faz mal. Desta vez ninguém se importa que o dinheiro
vá para as empresas, os bancos e para os municípios que alguns
malucos trataram de arruinar.
sábado, 28 de dezembro de 2013
A couve (que podia ser) da crise
O
futuro desta couve não deverá ser longo. O mais provável é nem
chegar à panela. Dificilmente contribuirá para um caldo verde ou um
cozido. Também ninguém a mandou nascer num dos lugares mais
improváveis para o efeito. Mas, já que ali está, vai ter o mesmo
tratamento das suas congéneres – as couves da crise - que crescem
no sitio certo. É que no meu quintal todas as couves são iguais.
Não há cá discriminações.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Consequências de um belo dia de inverno
Ao contrário do que aconteceu por outras paragens, por cá o temporal não causou estragos de maior. Uns ramos de árvores no chão e uma barraquita de venda de flores deitada abaixo eram os estragos mais visíveis ontem no centro da cidade.
Os telejornais exibiram por estes dias diversas reportagens dando conta das consequências do mau tempo que se fez sentir na quadra natalícia um pouco por toda a Europa. Numa delas, a dada altura, via-se um avião de pequeno porte que, alegadamente – digo eu, que isto nestas coisas convém não nos precipitarmos a atribuir culpas - teria sido virado pela forte ventania. Estava, proclamava o jornalista de serviço, de pernas para o ar. Ou, garantia-se noutro canal, de cabeça para baixo.
Esta retórica trouxe-me à memória o excerto de uma acta – documento público, portanto – de uma determinada reunião de certa Câmara, onde se escreveu, a propósito de uma situação que não vem ao caso, que as carrinhas do município em questão dormiam no respectivo parque de máquinas. Apesar de sobre esta tirada terem já passado, seguramente, perto de vinte anos ainda hoje está por esclarecer se entre elas existiria alguma que ressonasse, sofresse de insónias, sonambulismo ou qualquer outra perturbação do sono.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Uma crise muito peculiar
Um estrangeiro que chegue
pela primeira vez a Portugal terá alguma dificuldade em acreditar que o país
esteja a atravessar uma crise como aquela que a comunicação social internacional
vai pintando. Centros comerciais à pinha, gente a comprar como se não houvesse
amanhã e as últimas novidades em material informático e electrónico no topo das
aquisições natalícias, farão qualquer um duvidar que os portugueses estejam a
ser vítimas de algum tipo de austeridade. Se calhar o outro é que tinha razão.
Parece que, se for necessário, o pagode ainda aguenta mais um aperto. Ou dois.
Ai aguenta, aguenta.
domingo, 22 de dezembro de 2013
O apoio social é que está a dar...
A maioria das autarquias está a aprovar por estes dias o orçamento municipal para 2014. Quase todas, salvo uma ou outra excepção, colocam um travão naquilo que tem sido o desvario orçamental dos últimos trinta anos e, muito por força da legislação que a troika tem obrigado a aprovar, vamos finalmente ver os autarcas a gastar de acordo com as receitas que conseguem amealhar. Este novo paradigma não significa, como é óbvio, que passem a gastar bem. Mas, valha-nos isso, vão passar a esbanjar menos.
Ao que se vai escrevendo acerca do assunto, na moda já não estão as grandes obras. Agora é mais apoio social a desempregados e velhinhos. O que até faz sentido. Nomeadamente depois de terem andado anos consecutivos a contribuir para a falência de empresas e de nunca se terem lembrado de fomentar a criação de lares de idosos. Se fosse bera, mas mesmo bera, diria que fizeram de propósito. Que criaram o mercado. Mas se calhar a culpa nem será deles. Afinal eles só fizeram o que nós queríamos que fizessem.
sábado, 21 de dezembro de 2013
Por mim desconfio disso do principio da confiança ou lá o que é...
Só os mais ingénuos - ou completamente desatentos a estas coisas da politica - podiam imaginar uma posição diferente do Tribunal Constitucional acerca da tal “convergência” das pensões. Da redução das ditas, no fundo. Isto porque estamos a viver uma paranóia colectiva, derivada de muitos reformados ocuparem lugares chave na sociedade, que impossibilita a chamada a um vastíssimo leque de reformados ricos – a começar pelo Aníbal - ao clube dos sacrificados em nome da crise. É inconstitucional, diz. Trai, garantem, o principio da confiança. Seja lá isso o que for.
Dentro dos limites da Constituição estão, ao invés, os sacrifícios a que são sujeitos os trabalhadores pobres. O fim do abono de família resultou, por exemplo, uma perda superior a sessenta euros mensais em ordenados quinze vezes mais pequenos do que a reforma do Presidente da República. Ou três vezes inferiores à pensão da esmagadora maioria dos professores aposentados. Mas disso ninguém questionou a constitucionalidade. Já devíamos desconfiar que isso de educar os filhos é muito menos importante que os cruzeiros...
Curioso será saber o que dirão os homens de negro quanto à redução salarial que se prevê para o próximo ano. Desconfio que vai passar sem grandes sobressaltos. Afinal o dinheiro tem de aparecer de algum lado. É nisso que a malta confia. Tal como eu confiava em muita coisa quando, já lá vão trinta e três anos, assinei um termo de posse ao qual o principio da confiança se não tem aplicado. Deve ser para garantir as pensões daqueles que, na mesma altura e apenas ligeiramente mais velhos, estavam a assinar idêntico papel na tropa, na GNR, no Ministério da Educação ou noutro sitio igualmente lixado onde o pessoal se reforma aos cinquenta e poucos.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Gente fina é outra merda
Pouco
haverá a dissertar perante um cenário que se repete com inusitada
frequência em todas as zonas verdes. Isto de ter um cão no
apartamento é coisa fina, o bicho tem de cagar e os donos, na sua
imensa maioria, são uns verdadeiros javardos. Daí que não
surpreenda a imundície em que os nossos relvados – e, de uma
maneira geral, todos os espaços públicos - se transformaram. Mas
também não faz grande diferença. É que se originalmente terão
sido pensados para ser desfrutados, principalmente, por crianças e
jovens estão hoje entregues aos animais e a quem os passeia. Ou
brinca. Que isto, a par dos tablets, os cães são os brinquedos preferidos da malta.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Estacionamento tuga
Mais
um. Apenas isso. Mas, ainda assim, a maneira desleixada como esta
malta abandona a viatura faz-me questionar se - por acaso e só por
um remoto e improvável acaso - nenhuma destas criaturas terá
equacionado a hipótese de, com este comportamento, estar a
prejudicar os outros. Nomeadamente os que chegam depois e não
encontram lugar, um que seja, para estacionar. Ou então, o mais
provável, não se importam nada com isso e preocupam-se apenas com o
seu umbigo. Ao melhor espírito tuga, portanto.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Preto no branco.
A
bem dizer não simpatizo com isso de andar a escrever nas paredes.
Acho parvo. Neste caso ainda mais parvo. Se atentarmos no muro
podemos constatar o seu evidente mau estado. Mas, olhando mais em
pormenor, pode ver-se que alguém – o dono, a Câmara, a Junta de
Freguesia ou seja quem for – o começou a pintar. Pintou só um
bocadinho, é verdade, mas que iniciou o processo de pintura é
inegável. E não é que foi exactamente no reduzido espaço em que
a pintura apresentava alguma dignidade – e não noutro qualquer
ponto – que o contestatário ao governo teve de escarrapachar a sua
mensagem?! Se fosse um bocadinho mais ao lado faria, de certeza
absoluta, toda a diferença... Assim, como foi ali, precisamente ali,
é que o governo vai mesmo para a rua!
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Olha que obra tão catita!
Desconheço
se esta passadeira, de notória utilidade, terá sido “avivada”
antes das últimas eleições. Se não foi, podia ter sido. E está
bonita, sim senhor. Assim como a restante obra também está bastante
jeitosa...
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Quecas, almoços e IMI
Municípios
falidos, completamente inviáveis e afogados em dividas, são coisa
que não falta cá pelo rectângulo. Nada disso intimida os briosos
autarcas que os governam. Vejam-se as almoçaradas de Natal que,
nestes dias por todo o lado, são oferecidas aos eleitores mais
idosos e que, no seu conjunto, seguramente nos custarão a todos uns
quantos milhões de euros. Isto depois de, durante todo o ano, os
terem andado a passear pelo país. E, não raras vezes, pelo
estrangeiro. Para além, claro, das clássicas idas ao “Preço
Certo”.
Pode
– e presumo que haja – quem considere que isso dirá apenas
respeito aos munícipes dos concelhos rebentados financeiramente
pelas gestões popularuchas que por lá têm passado. Nada mais
errado. O descalabro instalado nas contas dessas autarquias vai ser
pago por todos. Até por nós. Mesmo pelos que nunca foram a Fátima num
autocarro da Câmara nem cumprimentaram o Fernando Mendes.
Está
na forja legislação que, no limite, permitirá transferir parte do IMI, a resultante da
reavaliação que as nossas casas tiveram no ano passado, para as
Câmaras endividadas por autarcas tresloucados. Que é como quem
diz: Quem pagava, por exemplo, noventa euros e paga agora duzentos,
contribuirá com cento e dez euros para o bolo que ajudará a salvar
as Câmaras falidas. Se, reitero, a redacção original for aprovada. É que isto não há almoços grátis. Nem
quecas oficiais à borla. Num e noutro caso uns comem e todos pagam.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Que é feito da tradicional chapada?!
Perigos vários apoquentarão, de certeza, os habitantes de Cabeceiras de Basto. Deve ser por isso que a autarquia lá do sitio decidiu promover um curso de defesa pessoal. Artes marciais ao estilo israelita. Krav Maga, ou lá o que é. Tudo grátis. Como é próprio de qualquer autarca que se preze, sempre pronto a colocar gratuitamente à disposição dos seus munícipes aquilo que não lhe pertence.
Desconheço os argumentos que terão servido de justificação para a realização desta despesa pública. Sim, porque o que se anuncia como gratuito para uns, acaba por custar dinheiro a todos. A ideia será, provavelmente, dotar a população de conhecimentos no âmbito da pancadaria que permita desmotivar eventuais ataques de meliantes. Ensinar aos velhinhos como reagir perante os patifes que lhes queiram roubar as reformas, por exemplo. Ou, talvez, promover junto das vitimas de violência doméstica uma actividade que lhes proporcionará uma forte capacidade de se defenderem dos seus agressores. Tudo boas causas, portanto. E para as quais as autarquias estão particularmente vocacionadas.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Tragam a calculadora!
Se
fosse munícipe do Porto a noticia do regresso de Pedro Burmester à
Casa da Música - o mamarracho onde, recorde-se, foram esturrados
mais de cento e onze milhões de euros - deixava-me preocupado. Assim,
enquanto contribuinte, os motivos que estão subjacentes ao seu
regresso deixam-me só ligeiramente apreensivo.
Diz
que o homem prometeu – e, pelos vistos terá cumprido - não actuar
na cidade do Porto, sua terra-natal, enquanto Rui Rio fosse
presidente da câmara. Isto como forma de protesto contra a politica
do ex-autarca em relação à cultura. Contra a maneira rigorosa como
o anterior edil geria o dinheiro dos contribuintes, portanto. Agora,
parece, tudo mudou e o pianista volta, feliz e contente, a dar largas
ao seu talento na cidade onde nasceu.
Acreditar
que o pessoal das artes, da cultura ou a intelectualidade de esquerda
em geral, venha a perceber um dia o conceito de rigor na gestão do dinheiro
público ou entenda que entre pão e circo a escolha terá de ser,
inequivocamente, pelo primeiro, é ter as expectativas demasiado
elevadas em relação aquela malta. Por isso, os poucos que se
preocupam em gerir de forma rigorosa o dinheiro dos contribuintes são
enxovalhados. Pior do que isso. Quase ninguém tem coragem de fazer
frente a essa tropa fandanga. É o politicamente correcto. Essa nova
ditadura que se instalou entre nós.
domingo, 8 de dezembro de 2013
Brincar com a água
A
noticia hoje, divulgada pelo Diário de Noticias, segundo a qual o
preço da água poderá em breve aumentar de forma significativa não
constitui surpresa. O actual modelo é desadequado e, principalmente,
injusto. Desadequado porque, salvo raras excepções, os custos reais
do sistema são desconhecidos. Pior do que isso. São, muitas vezes,
liminarmente ignorados. É, também, injusto dado que o preço varia
de um concelho para outro ao sabor de politicas populistas,
eleitoralistas, demagógicas e, principalmente, incompetentes.
Já
dizia a minha avó, na sua imensa sabedoria, que a água não se nega
a ninguém. Nem, acrescento eu, devia ser um negócio. Mas agora,
chegados a este ponto, parece quase inevitável que o seja. E a culpa
é nossa que nos pusemos a jeito. Quando cada metro cúbico nos
custar dois ou três euros, vamos rabujar e chamar nomes a uns certos
malandros. Pena que ninguém tivesse pensado nisso quando andámos a
brincar com a água.
PS-
Quando escrevo nós é isso mesmo que quero escrever. Quem é que
sucessivamente elegeu os políticos muita porreiros que negociam o precioso liquido como se fosse uma qualquer mercadoria, o vendem ao desbarato ou, em muitas
circunstâncias, até o dão?!
sábado, 7 de dezembro de 2013
As agressões verbais também contam?!
A
lei recentemente aprovada pelo parlamento que criminaliza os maus
tratos a animais domésticos tem merecido – justamente, talvez –
uma quase unanimidade de comentários favoráveis. Acredito, no
entanto, que será mais uma, entre tantas outras, a não ter
aplicação prática. Será até, como acontece amiúde, o próprio
Estado que não a vai cumprir quando licenciar canideos que não
dispõem de condições de acomodação adequada. Como os que vivem
fechados em apartamentos, por exemplo. Que isto não é só o tão
criticado “bidon”, a servir de casota, que é inapropriado para os
canitos.
O
teor da legislação definirá, presumo, o tipo de animal que se pode
considerar como doméstico. É que se todos os animais são iguais,
neste caso, convém que alguns sejam mais iguais que outros. Uma
cobra, um jacaré ou uma aranha venenosa dificilmente podem ser
enquadradas nessa categoria. Mais. De ora em diante que os tiver em
casa está a incorrer num crime. Manter qualquer um destes animais
prisioneiros é dos piores maus-tratos quem se lhe pode infligir. E
não falta quem o faça. Impunemente.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Podemos sempre aumentar o IMI...
Na
sequência da divulgação a nível nacional destes dados, um jornal
local – na edição em papel e na versão online – fez uma breve
análise ao número de trabalhadores que algumas autarquias da região
empregam tendo em conta a população residente. Não vou comentar os
números. Não me apetece. Nem, sequer, são eles que importam para o
caso. Perante este artigo o que verdadeiramente me surpreende é a
frase entre parêntesis. Aquela que tem uma espécie de sublinhado a
vermelho. Há ali qualquer coisa que me escapa. Nomeadamente quando,
ao que consta, o dinheiro escasseia. E de, também, ser quase unânime
que ao Estado não compete o papel de criador de emprego mas sim o de
potenciar a sua criação pelas empresas.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
A difícil arte de comer filhoses meladas
Não
sou grande apreciador de filhoses. Nem nunca fui. Muito menos agora
que começo a ter preocupações com isso do colesterol. E depois há
aquela parte de ficar com os dedos besuntados. Sim, porque aquilo não
é coisa que se coma de faca e garfo. Como mostra o vídeo. Realizado por mim, diga-se, na última Cozinha dos Ganhões.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Estes macacos ainda não aprenderam...
No principio, quando a reciclagem era uma novidade, os publicitários inventaram um macaco – o Gervásio, ou lá como se chamava o bicho – mas nos incentivar a reciclar. A tarefa era tão fácil, garantiam, que até o símio a aprendeu a executar em menos de nada. Passados todos estes anos – e são muitos – ainda há uns estafermos que desconhecem o conceito. Ou então – hipótese a não descurar – estão num estádio de desenvolvimento mais atrasado que o Gervásio.
Presumo que a generalidade das pessoas não sabem – o que não surpreende, porque ninguém lhes explica – que o facto de não reciclarem os resíduos que produzem nos custa dinheiro. Muito e a todos. Mas isso parece importar pouco. Afinal nós semos ricos, nã samos?!
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Mas os cortes são só nas pensões? É que até parece que são apenas os pensionistas as vitimas destes malucos
Deve ser, assumo, problema meu. Mas, de verdade, não
estou a ver razão para a histeria colectiva que tem assaltado a
comunicação social a propósito da intenção do governo de reduzir
as pensões de aposentação. Tudo o resto parece que não interessa.
O desemprego, a diminuição de apoios sociais, a falta de
perspectiva de futuro para os jovens ou, até porque o barco é o
mesmo, os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, não
motivam idêntico nível de preocupação nem constituem tema que
mereça, da parte dos média, o mesmo tratamento.
Tal ficará a dever-se, não vislumbro outro motivo, ao
facto de Portugal ser um país de reformados. São muitos, logo
qualquer assunto que os envolva garante audiência. Destes, não são
poucos os que ocupam lugares de destaque na governação do país –
logo a começar pelo Aníbal, que nunca escondeu as suas preocupações
com a sua reforma –
e ainda serão mais os que se dedicam a fazer opinião em tudo o que
é jornal, rádio e televisão. Nomeadamente a opinar em defesa da
sua dama. A sua rica reforma. Que, ao contrário da maioria dos
aposentados e dos que trabalham, é mesmo rica.
Não está, obviamente, em causa a reprovação que
merece esta medida do governo. Tenho as pontas dos dedos gastas de
tanto me indignar contra ela e outras do mesmo genero. O que me
repugna é a maneira como a coisa é apresentada. A parcialidade
escandalosa com que o assunto é tratado. O descaramento com que me
querem fazer acreditar nas dificuldades por que estarão a passar.
Que diabo. Eu também tenho cortes no vencimento – o que me deixa
visivelmente aborrecido – e ganho várias vezes menos do que aquela
malta que me enche o ecrã da televisão de lamentações. Façam
menos cruzeiros e vão ver que nem notam a austeridade!
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Sim, estou de acordo. E simultaneamente de opinião contrária.
Numa coisa concordo com todos aqueles – e têm sido muitos – que manifestaram a opinião, seja qual for o meio utilizado, que o aumento do salário mínimo constituiria um crime contra os mais pobres porque, garantem, isso contribuiria para aumentar o desemprego e dificultaria, ainda mais, o acesso ao mercado de trabalho aos jovens e aos menos qualificados. Contrariado mas não vejo, nas actuais circunstâncias, como não concordar.
Há mesmo quem defenda, não só de agora mas desde tempos imemoriais, que nem sequer devia existir um mínimo estabelecido por lei para a remuneração do trabalho. Por acaso também acho. São, afinal, dois os itens em que estou de acordo com essa corrente de pensamento. É que, vendo bem, se o mundo fosse tão perfeito como estes opinadores defendem, o desemprego seria praticamente erradicado. Arrisco, até, que o problema passaria a ser a falta de mão de obra.
Nunca tinha equacionado a coisa desta forma mas, visto o tema por este prisma, é, de facto, verdade. Contorço-me de raiva por nunca ter pensado nisso antes, enquanto me vergo perante tanta sapiência. Mais, torno-me desde já um defensor dos salários baixos. Baixíssimos, mesmo. Miseráveis, até. E garanto que, caso esta idílica perspectiva se concretize e os ordenados passarem a ser, sei lá, tipo 50 euros por mês, crio de imediato meia dúzia - ou mais - de postos de trabalho lá na herdade. Se houver quem não se importe de ser escravo, claro.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Um autarca em primeiro-ministro?! A esquerda não tem mesmo amor à carteira...
António Costa, o autarca da capital, parece ser o preferido das esquerdas para chefiar o governo a sair de umas próximas – ou apenas relativamente próximas – eleições legislativas. Ao homem são apontadas umas quantas virtudes que, dizem, têm andado afastadas dos antigos e, também, do actual líder do partido socialista. Para além, garantem, de seguramente ser muito mais capaz de governar o país do que o Parvus Coelho.
O meu habitual cepticismo em relação aos políticos - e em particular aos autarcas – não me permite concordar com o quase consenso em redor do senhor Costa. Por muitas razões. A primeira, porque tenho uma vaga ideia de este destacado militante socialista ter sido o número dois do governo socrático. O tal que rebentou com as nossas finanças e que cavou um buraco de dimensões apocalípticas nas contas do país. Como não se afigura provável que o actual edil tenha aprendido grande coisa desde então, está-se mesmo a ver o rumo que isto levará com ele ao leme...
Depois, porque as suas prioridades, mesmo em momento de crise, são de continuar a gastar os recursos que não têm em futilidades, principalmente em tempo de crise, em lugar de pagar as dividas. Ainda ontem o cavalheiro, na inauguração da iluminação de natal da capital, manifestou opiniões curiosas quanto à maneira de gerir o dinheiro dos contribuintes. Para ele poupar, em anos anteriores, nas iluminações de natal foi um erro que não voltará a repetir. Pois. Gaste, gaste. Que no gastar é que está o ganho. Eleitoral, apenas.
sábado, 30 de novembro de 2013
Os saqueadores são uma espécie que me aborrece
Portugal
está – desde há muitos anos – a saque. E, por mais que a
ministra da justiça proclame que a impunidade acabou, aquilo que
continuamos a constatar é que vivemos num país de saqueadores.
Verdade que uns sacam mais que outros. Há quem saque milhões e quem
saque tostões. Cada um saca o que pode, portanto. Desde o gajo que, alegadamente, se afiambrou a toneladas de euros do BPN até ao espertalhão que, não menos alegadamente, se
vai escapulindo ao pagamento da renda, da água ou da luz que
consome. Num e noutro caso cá estão os dos costume para pagar. Mas estes sem essa coisa do alegadamente. Até
um dia que se aborreçam de tanto ser sacados. Nessa altura, ao
contrário do que gostariam uns quantos velhotes, nem vai ser preciso
andar à porrada. Quando o dia do aborrecimento chegar isto cai de
vez. Nas calmas. Mas, se calhar, com estrondo.
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