quinta-feira, 23 de julho de 2026

Anjos de quatro patas, porcos de duas


 

Há quem considere ter toda a legitimidade para levar o cão a cagar à rua. Se não têm quintal e tendo o bicho de arrear o calhau, o espaço público será o local adequado para o fazer — argumentam — desde que, concluem a argumentação, o dono recolha os restos.

Não me parece que este procedimento se revele adequado. O canito também mija e, que eu tenha visto, ninguém recolhe a urina. Basta olhar para os postes, candeeiros e esquinas da cidade. Mesmo a merda, são poucos os que a apanham. A maior parte não quer saber e ainda fica ofendida quando é chamada à atenção.

Se querem partilhar a casa com animais e viver num sítio que cheira a cão, é lá com cada um. Desde que os restantes condóminos não se importem, mais ninguém se ralará com isso. Para evitar conflitos no espaço público com quem se sente incomodado pela notória falta de higiene decorrente dessa opção de vida, podiam ensinar os “patudos”, “anjos de quatro patas” ou “filhos peludos” a cagar e mijar na sanita. Se a alguns, como garantem os “pais”, só lhes falta falar, de certo que com um pouco de treino até aprendiam a puxar o autoclismo.

Numa localidade vizinha, houve quem se chateasse de tanto lhe cagarem e mijarem à porta que resolveu espalhar enxofre para afugentar a canzoada. Diz-se que não se pode fazer — prejudica seriamente a saúde dos bichinhos, coitadinhos. O que me escapa na polémica que entretanto estalou lá na terra é entender a necessidade que têm de levar o bicho exatamente para o local onde colocaram a mistela. É que não lhes chega ser porcos, são igualmente teimosos. A cagadela tem de ser onde suas excelências, os javardolas, querem que seja.

Esta, cá na terra, foi ao virar da esquina. Um local apropriado, convenhamos.

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