Os
portugueses gostam de festas. Nomeadamente daquelas ditas populares
que metem sardinha assada, franganito no churrasco, “mines” e um
cantor em cima de um estrado a cantar musicas brejeiras. Daí que os
poderes públicos locais, sempre atentos aos gostos dos seus
eleitores, subsidiem de forma magnânima estas actividades.
Foi
o caso, como quase todas as outras, de uma câmara ribatejana que
entendeu presentear uma freguesia – se calhar todas, mas agora só
esta interessa - do seu concelho com um pequeno subsidio para
organizar as festas lá do sitio. Quatro mil euritos, ao que consta.
Até
aqui nada de mais. É prática corrente dar este uso ao dinheiro dos
contribuintes, daí que ninguém se importe muito com isso. O pior é
que a junta desta história tinha uma divida. Uma ou mais, mas isso
agora também importa pouco. Embora a importância em divida fosse
elevada e o presidente da junta se importasse com isso. Parvo, não
faltará de certo quem lhe chame por o homem se dar a essas
preocupações.
Ora
ao tal presidente, gajo que parece dar primazia às obrigações e
deixar as devoções para segundo plano, pareceu que o dinheiro seria
melhor aplicado se, em lugar das festinhas, a junta pagasse aquilo
que estava a dever. E, para mal dos seus pecados, assim fez. Agora,
azar do caraças, tem a Câmara lá do sitio à perna. A edilidade
não gostou das prioridades do autarca da freguesia e deliberou que
ou a junta faz a festa ou devolve o dinheiro. Coisa que este não
pode fazer. Está sem cheta. Também ninguém o mandou desrespeitar a
lei e desbaratar os recursos financeiros da junta a pagar dividas em
vez de optar pela festarola. Isto há cada opção mais patética...



