Nunca
percebi muito bem a legitimidade – e sublinho legitimidade - de um
piquete de greve. Que é o que chamam a um grupo de gajos - por
vezes também há gajas – estrategicamente colocados à entrada de
uma fábrica, estaleiro ou seja lá o que for. Nem, sequer, entendo a
permissividade e a tolerância com que são tratados por quem tem
como obrigação manter a ordem e assegurar a liberdade de circulação
daqueles que, mesmo em dia de greve, pretendem trabalhar.
Tem
esta malta – a dos tais piquetes – a intenção de intimidar
aqueles que escolheram outra opção. Coisa que a mim, mas se calhar
é algum problema meu, parece muito pouco coincidente com o conceito
de democracia e nada respeitadora dos princípios da livre escolha em
que assenta a sociedade em que todos – ou, pelo menos, a esmagadora
maioria – pretende viver. Verdade que o pessoal dos piquetes é,
também ele, livre de escolher as suas opções. Mas, que é que
querem, faz-me
espécie que não optem por aproveitar o dia de greve
para ficar na cama até mais tarde em lugar de ir aborrecer quem
apenas quer trabalhar.
A
patética tentativa de evitar a saída de autocarros da carris, que
pode ser apreciado num vídeo amplamente divulgado na net, é por
demais evidente que era na caminha que deviam estar os elementos do
piquete de greve. Uns quantos deitaram-se no chão, provavelmente
cheios de sono, e necessitaram mesmo da ajuda dos agentes da
autoridade para se levantar. Outros perguntavam insistentemente,
enquanto a policia os afastava para abrir caminho à passagem dos
autocarros, porque é que os estavam a empurrar. Era, digo eu, para
não serem atropelados. Ou então porque não saíram quando os
agentes amavelmente lhes solicitaram que evacuassem a área.









