domingo, 28 de janeiro de 2024

Livra!

A esquerda sempre gostou de proibições. Adora proibir. Seja o que for. Não admira pois que à medida que se vão conhecendo os programas eleitorais dos partidos daquele espectro político o rol de cenas com que a esquerdalha se propõe acabar vá aumentando.


O Livre – curioso nome para um partido que gosta de proibir – inscreveu no seu programa eleitoral a proibição de abertura aos domingos das grandes superfícies comerciais porque, justificam, “a situação actual favorece os maiores espaços em relação ao comercio de bairro ou de proximidade, além de prejudicar dinâmicas familiares”. Provavelmente poucos se recordarão que, com os mesmos argumentos isto já foi posto em prática durante uns tempos. E, obviamente, não resultou. Nem para os tais comerciantes de bairro – que na altura já eram poucos e agora ainda são menos – nem para os trabalhadores do sector. Estes seriam mesmo os mais afectados. Quer pelo desemprego quer pela quebra de rendimentos. Situações que, como qualquer pessoa percebe, costumam contribuir para excelentes dinâmicas familiares. Mas disso pouco sabem os tipos do Livre. Na bolha onde habitam esses problemas não os afectam, logo não existem.


Mas sim, haverá de certo quem aprecie esta ideia. Os comerciantes das lojas dos chineses, nomeadamente.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Nem todos podem morar na praça...

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Umas centenas de criaturas mal-apessoadas manifestaram-se mais uma vez pelo direito à habitação. Direito esse que, tanto quanto sei, ninguém colocou em causa. Todos continuam a tê-lo. Desde que, obviamente, o paguem. Fazem-me confusão estas reivindicações dos manifestantes. Nomeadamente quando se acham no direito a ocupar propriedade privada, quando consideram que os senhorios têm o dever de lhes arrendar uma casa pelo preço que eles entendem e quando acham que têm o direito de morar onde muito bem querem, nomeadamente no centro das cidades, sem pagar mais por isso.


Por mim, que estou a recuperar uma vivenda para eventualmente colocar no mercado de arrendamento, dificilmente a arrendaria a qualquer uma das pessoas que aparecem nas televisões a mandar bitaites. Nem eu nem ninguém com juízo. Com aquele aspecto e aquele discurso o melhor é tentarem na Palestina, já que gostam tanto que nem numa manifestação sobre a habitação em Portugal largam a bandeira daquele território. Esta gentinha não percebe que um imóvel é sempre o fruto do trabalho de alguém que poupou e que não esturrou os seus recursos em futilidades. Daí que seja normal que qualquer proprietário procure rentabilizar o investimento. Não conseguem pagar? Temos pena, mas tudo na vida tem uma alternativa. É procurá-la.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Beneficiar o infrator

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Por que carga de água é que a posse – ou a tutoria, vá – de animais de estimação dá direito a benefícios fiscais?! Nomeadamente no IRS. Além de alimentação dos bichos, se adquirida através de associações protectoras da bicharada, beneficiar de isenção de iva. Deve ser para depois fazerem – os donos, que a canzoada não tem culpa – javardices destas à porta dos outros. Que, lamentavelmente, ficam sempre impunes. Numa altura em que – e bem - se quantificam as despesas que decorreriam do aumento das pensões, da redução dos impostos sobre o trabalho e de outras medidas destinadas às pessoas ignoram-se todos os custos derivados da alucinação colectiva pelos animais de estimação. O que é pena. Pois se alguém um dia fizer as contas aos “investimentos” das autarquias em parques caninos, taxas de registo e licenciamento não pagas, benefícios fiscais e custos ambientais associados à inusitada proliferação desta bicheza nos centros urbanos terá uma desagradável surpresa.


Se calhar sou só eu que reparo nestas coisas, mas é impressão minha ou são apenas os cidadãos “brancos” que são afectados por esta maluqueira da adoração pelos animais? É que nunca vi um negro ou um asiático a passear um cão…

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Negócios com futuro

Com a mais que provável vitória do PS nas próximas eleições e consequente formação de uma nova geringonça, assistiremos a uma vaga de nacionalizações. Eles já nos andam a preparar. Mas nem valia a pena. O pessoal - ao que leio e ouço mesmo a pessoas que eu julgava que tinham juízo – não só está preparado, como até parece ansioso para que isso aconteça.


Como todos sabemos o Estado faz sempre bons negócios e é um óptimo gestor. Veja-se o caso da TAP e da CP. Depois de anos e anos de prejuízos bastou o Estado intervir para darem lucro. Seguir-se-ão os jornais e as rádios. Parece até haver um clamor nesse sentido. Ainda que, atendendo às tiragens médias, se calhar nem cinco por cento da população tenha por hábito comprar o jornal. Mas isso não interessa nada. Trata-se de um sector estratégico para o poder e com a sabedoria que caracteriza a gestão pública aquilo depressa começa a ser, também, uma actividade lucrativa.


Vão ser tempos divertidos, os que se aproximam. Mais ainda do que os do PREC. Nesses, sei porque estive lá, a diversão foi mais que muita. Agora, com redes sociais e muito mais informação, a galhofa será bastante maior. Espero que não me desiludam e estejam ao nível, no mínimo, do companheiro Vasco. Fico ansiosamente a aguardar pelo controlo público dos sectores estratégicos para a economia do país e, também, de outros não tão estratégicos quanto isso. Se, então, garantiam que “nacionalizar até as tabernas”, não se esqueçam agora de nacionalizar aquela loja que vende CD’s e disquetes e que estará em risco de fechar porque o senhorio aumentou a renda…

domingo, 21 de janeiro de 2024

E para coxos e marrecos, também é adequado?

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Estes novos conceitos todos modernaços não param de me surpreender. Agora são parques de estacionamentos adequados para LGBT não sei que mais. Cuidava eu, na minha imensa ignorância, que um parque desta natureza se tratava de uma área especificamente destinada ao aparcamento de automóveis. Podendo, eventualmente, uns serem exclusivos para ligeiros e outros para pesados. Ou, quando muito, existir uma ou outra limitação em função de outras características mais especificas das viaturas. Assim de repente não estou a ver o que importam as opções técnico-tácticas dos condutores para o acto de estacionar.


A menos que se destine a automóveis que não se identificam com a marca que lhes foi atribuída pela fábrica. Com esta cena da inteligência artificial não me admiraria. O meu Dácia deve ser desses. A julgar pelas multas de excesso de velocidade que já me arranjou deve ter a mania que é um Porche, BMW ou isso. Ou, quiçá, este espaço se destine a estacionamento exclusivo de carros que só pegam de empurrão ou com problemas na centralina.

sábado, 20 de janeiro de 2024

O brócolo da crise

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Não se trata de exemplar único, mas dada a sua imponência sobressai dos demais. Dariam, se os colhesse a todos na mesma ocasião, para um molho de brócolos. Daqueles jeitosos. À séria, mesmo. Nada de comparações com outras molhadas metafóricas de legumes desta espécie que se veem por aí a toda a hora. Essas, por mais que se multipliquem, serão sempre miseráveis.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Um automóvel a cada português é que era...

A coisa promete. A campanha eleitoral ainda nem começou e as promessas já são mais que muitas. As do Chega são as que têm dado mais conversa. Parece que são caras e a serem aprovadas levariam o país à ruína. Calculo que sim. O que me espanta é que de repente e ao contrário do que acontece com outras propostas igualmente alucinadas – e têm sido tantas só nos últimos anos – toda a gente sabe quanto custam e declara com veemência a sua impraticabilidade. A menos que me tenha escapado nunca vi, por exemplo, ninguém quantificar ou, sequer, chamar nomes ao Rui Tavares, do Livre, quando propôs a criação do Rendimento Básico Incondicional. Uma medida que para além de injusta, por dar dinheiro a toda a gente só porque sim, seria muitíssimo mais dispendiosa do que a do Chega sobre as pensões. Deve ser sina dos partidos de um homem só, como é o caso destes dois, apresentarem medidas completamente desfasadas da realidade, chamemos-lhe assim.


Ando a dizer há anos que Chega, PCP e BE não são muito diferentes uns dos outros. A diferença, quando muito, estará mais no que fumam ou no que bebem. O que justifica, se calhar, que aqui no Alentejo muitos votantes do PC e do BE escolham agora o partido da extrema-direita. Bem visto, bem visto, nem precisaram de mudar de ideias. Veja-se, por exemplo, a retórica sobre os “grandes grupos económicos”, o “grande capital” ou a banca que os extremistas de esquerda fazem diariamente e os impostos que o Ventura ameaça lançar para se perceber que aquilo é tudo igual.


Seja como fôr, nisto de deitar contas às promessas eleitorais - uma preocupação nova, como referi - os custos não deviam ser mensurados em milhares de milhões de euros. Isso é dinheiro que está para além da minha fraca compreensão. Se me explicarem, sei lá, em TAP's, CP's ou resgates bancários talvez perceba melhor.


 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O último a rir...

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Muito se tem falado e escrito nos últimos dias acerca de migrações. De cá para lá e de lá para cá. Se bem que um e outro “lá” sejam sítios diferentes. Tão diferentes como as pessoas que saem são diferentes das que entram.


Há quem não se mostre especialmente preocupado com a fuga de jovens portugueses em direcção ao estrangeiro. É uma inevitabilidade, dizem. Será, mas muitos deles não tinham necessidade nenhuma de o fazer. Mesmo com salários mais altos e impostos mais baixos, acredito que nem todos ficarão a ganhar muito por demandar outras paragens. Se calhar, em muitas circunstâncias, é mais uma moda.


Não falta também quem delire e transborde de alegria ao assistir à invasão de estrangeiros pobres e pouco dispostos a adoptar o modo de vida da terra que os acolhe. Todos os que já cá estão – e muitos mais, provavelmente – serão necessários para que o país funcione. Mas parece ser do mais elementar bom senso exercer alguma selectividade na escolha de quem recebemos. E, já agora, penalizar alguns comportamentos. Deles e nossos.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Triplicação dos salários, já!

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Nem sei como ainda há quem tenha a ousadia – o topete, diria – de questionar as evidentes melhorias do país nestes quase nove anos de governação socialista. O caso dos salários, por exemplo. Aqueles que afirmam que o PS apenas se preocupou em aumentar o SMN estão redondamente enganados. Houve até quem visse o salário aumentado no triplo. Não todos, obviamente, mas é destas coisas, tinha de se começar por algum lado. E que se comece pela malta amiga que se escolheu para gerir a empresa que nacionalizámos não me parece descabido.


Razão têm aqueles que não gostam dos privados. São uns unhas de fome, esses privados. Só visam o lucro, os malandros. Já viram algum dar aumentos desta grandeza? Ah, pois é… Exploram os trabalhadores e pagam salários de miséria, os patifes. O melhor mesmo é nacionalizar as empresas todas – nacionalizar até as tabernas, já! - e triplicar os ordenados da classe operária. E das outras, também, que não queremos cá discriminações em função da actividade laboral desempenhada. Tanta generosidade salarial vai dar em prejuízos?! Nada disso. O Estado mete lá o dinheiro que for preciso para aquilo dar lucro. Se resultou na TAP e na CP, como é que não vai resultar nas outras? Que falta de literacia que tem esta malta da oposição, pá! Porra, que até aborrecem.

sábado, 13 de janeiro de 2024

O "lhes" é o Diabo do Bloco?!

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Pela habitação. Não lhes dês descanso” é um dos mais recentes slogans do Bloco de Esquerda. Sendo a habitação um problema para muita gente, parece-me bem que suscite preocupação a todas as forças políticas e que estas se empenhem em encontrar soluções. Fico é intrigado acerca do “lhes” que está ali pelo meio. Quem são os “lhes” a quem não devemos deixar descansados? As centenas de milhares de imigrantes que nos últimos anos chegaram ao país e que, obviamente, têm de morar em algum lado? As pessoas que arriscaram as poucas economias ou, por terem perdido o emprego, resolveram mudar de vida e investir no alojamento local? Os que, na sequência dos quase cem mil divórcios só nos últimos cinco anos, tiveram de procurar outro poiso?


Nem sei porque ainda me questiono. É óbvio que aquela malta se está a referir aos senhorios e especuladores tipo Robles. Todos uns patifes da pior espécie que merecem ser atirados escadas abaixo. Como, talvez inspirados pelo slogan, fizeram um destes dias uns inquilinos caloteiros a um senhorio que teve o topete de lhes bater à porta a exigir o pagamento da renda. É isso e partir a casa toda. Costuma resultar em mais casas no mercado e a preços mais em conta. Seguramente a falta de descanso que este comportamento “lhes” proporciona irá, de certeza, contribuir - e muito - para a resolução do problema habitacional. Mas isso pouco importa ao BE. Aquela gente não existe para encontrar soluções. Apenas sobrevive criando problemas.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

É cultura...

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São recorrentes as noticias acerca de coisas estranhas que acontecem nos museus. Nada que envolva fantasmas, fantasias de vária ordem ou qualquer outra cena fantástica. Nada disso. É mais acerca de óculos esquecidos no chão, bananas coladas na parede – burriés também, embora isso seja uma arte menor – ou peças sanitárias feitas em cacos. Tudo objectos que suscitam a atenção dos visitantes, que os apreciam com ar de entendidos no assunto enquanto se entretêm a divagar acerca da mensagem que o artista pretendia transmitir.


Não vejo nada de mal nessa actividade contemplativa nem, menos ainda, que a malta da cultura se aproveite da crescente imbecilização da sociedade para orientar uns trocos. Pelo contrário. Podiam, até, aproveitar para expandir o “negócio” com a introdução de novas modernaças tendências culturais. Uma exposição de merda de cão, por exemplo. Nela os apreciadores dessas artes poderiam apreciar uma vastíssima panóplia de criações artísticas que, de certeza, os deixaria boquiabertos perante a diversidade existente neste segmento cultural. Se precisarem de um curador estão à vontade.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

A culpa é sempre de quem dá mais jeito

O liberalismo funciona” é um dos principais slogans da Iniciativa Liberal. Apesar de algumas evidências, confesso o meu cepticismo acerca de tão peremptória afirmação. Nomeadamente quanto ao seu funcionamento pleno nos países do sul da Europa ou da América Latina. Relativamente aos últimos, o Chile não vale por motivos sobejamente conhecidos.


Contudo, desde que Javier Milei, tomou conta dos destinos da Argentina, as minhas convicções começaram a ficar abaladas. Se calhar funciona mesmo. Isto porque, após quase nove anos consecutivos de governos socialistas, por cá a culpa de todos os males do país ainda é do anterior governo de direita. Já no país das pampas, um mês depois do homem começar a implementar a sua agenda ultra-liberal, a culpa é do tal Milei e não dos governos peronistas que o precederam. É obra.


A bem dizer não tenho grande informação acerca do que se está a passar na Argentina. Limito-me a interpretar os muitos comentários que vou lendo e discursos que vou ouvindo, feitos maioritariamente pelo povo de esquerda, acerca da situação política que se vive nos dois países. Lá quem governa há um mês já tem culpa da tragédia em que aquilo está. Cá quem governa há oito é completamente alheio a tudo o que está mal. Mais umas explicações do pessoal do PS acerca dos problemas do país e fico completamente convencido quanto ao que funciona e ao que não anda nem desanda…

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Nacionalize-se tudo. Até a mãezinha que os pariu.

A propósito da crise numa empresa detentora de vários órgãos de comunicação social, não falta quem defenda a nacionalização dos jornais e da rádio detidos pela empresa em causa. Bom, não de todos. O desportivo “O Jogo” não entra nas exigências desses desmiolados. A menos que me tenha escapado, ninguém até agora reivindicou que o Estado tome conta naquilo. O que significa que pode muito bem fechar que não faz diferença nenhuma. Lá está o Benfica a mandar nisto tudo, como dizem os Dragartos.


Mas, futebolices à parte, por que raio há-de o Estado nacionalizar dois jornais e uma estação de rádio? Mesmo deixando de lado as vendas miseráveis dos primeiros, a baixíssima audiência da segunda e a falta de independência face ao poder político que resultaria da intervenção estatal, que beneficio tirariam daí os contribuintes? Até porque, recorde-se, já pagam o serviço público de rádio e televisão na factura da luz para sustentar a Antena Um e a RTP. Ou querem que paguemos também um “serviço público de imprensa”?! Podia, como o outro, sugerir que nacionalizem também a puta que os pariu. Mas é melhor não dar ideias.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Guito, pilim, graveto...

Uma criatura conhecida por mandar bitaites nas televisões terá feito, segundo a própria, um escarcéu numa padaria por lhe terem exigido o pagamento por via eletrónica de uma conta de cinquenta cêntimos, não aceitando que a cliente pagasse em metálico. A situação tem constituído motivo de chacota nas redes sociais, não faltando quem pretenda ridicularizar a senhora e todos aqueles que, veja-se o desplante, ainda insistem em usar essa coisa do dinheiro vivo quando têm ao seu dispor tantos outros meios de pagamento muito mais modernos. E também higiénicos, como alguns sublinham.


Terão todos muita razão. O combate à corrupção, à criminalidade, à fuga ao fisco e mais o que se queira pode, até, justificar muita coisa. O dinheiro digital, pela pegada que deixa atrás de si, será uma arma de extrema importância nessas lutas. Mal estaremos é se em nome disso acabarmos com o dinheiro físico. Nesse dia é a liberdade que está em causa. Os governos ficam com a possibilidade de fazerem o que quiserem com o dinheiro dos cidadãos e, no limite, de determinarem onde, quando e quanto podemos gastar o que é nosso.


Não faltam, ainda assim, adeptos da abolição do papel-moeda. Gente modernaça e com muitas preocupações sociais, fiscais e outras que tais. Provavelmente como pouca experiência de vida ou muito guito digital para gastar, também. Experimentem, então, chamar um canalizador para substituir aquela torneira que irritantemente não para de pingar, um electricista para trocar o interruptor que deixou de funcionar, um carpinteiro para trocar o puxador que se partiu ou outro especialista de outra especialidade qualquer. Quando chegar a hora do pagamento ele conta-lhes uma história. Se gostam de histórias, tudo bem. Eu, destas, dispenso-as.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Resumo do congresso do PS

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Após oito anos consecutivos a governar e com o país em cacos, o único discurso que conseguem articular é que a culpa é do governo que os antecedeu e que foi obrigado a aplicar o programa assinado pelo PS com a Troika, após Guterres e Sócrates terem falido o país.


Fazem-me lembrar o Belenenses quando há uns anos, apesar de no campo descer de divisão, conseguia na secretaria evitar a despromoção. A equipa era péssima, não jogava nada, mas o departamento jurídico era de excelência e encontrava sempre uma maneira de manter o clube na primeira liga. Assim é o PS. Deplorável a governar mas excelente no marketing.


A estratégia, muito provavelmente, vai dar resultado. Porque, garantem, vão continuar a fazer exactamente a mesma coisa, mas desta vez é que vai resultar. Esta estratégia diz muito acerca de quem a promove, mas diz muitíssimo mais acerca de quem acredita nela. É como aqueles apostadores que perdem fortunas, mas continuam a apostar nas esperança de acertarem na próxima. Todos sabemos como acabam…

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Chalupas

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Chalupas há muitos. Cada vez mais, parece-me. A maior parte deles à solta e a pregar a sua chalupice. O que faz algum sentido, pois de um chalupa não se espera outra coisa senão que diga – ou, como no caso, escreva nas paredes ou onde calha – as chalupices que lhe vão na sua cabeça de chalupa.


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Numa altura em que atravessamos um pico de mortalidade raramente visto, podia esperar-se que nas reuniões partidárias este assunto fosse discutido e pensadas medidas que o pudessem minimizar. Só que não. Preferem discutir a problemática da troca de bebés nas maternidades a mando, dizem, do Presidente da Republica. É o que dá os chalupas estarem em todo o lado. Até – quem diria - no Partido Socialista.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Negócios da China

Dia vinte seis do mês passado encomendei um item num desses sites em que podemos comprar quase tudo. O objecto, um cabo para carregamento de um aparato electronico, chegou hoje e foi entregue à minha porta. Vindo da China. Paguei por ele quarenta e cinco cêntimos, que incluem oito cêntimos de Imposto sobre o valor acrescentado que revertem para o Estado português. Os portes foram grátis. Desconfio da capacidade de produzir e transportar até ao outro lado do mundo seja o que for por trinta e sete cêntimos. Por maior que seja a quantidade de itens produzidos e transportados, parece-me que será necessária uma estratégia muito bem urdida para conseguir este milagre. Neste negócio terá sido a AT quem mais lucrou. Quase dezoito por cento do custo final do produto entrou nos cofres do Estado. Provavelmente nem o empresário, o Estado Chinês ou os CTT obtiveram um lucro daquela grandeza com esta transacção. Como é que se chama mesmo quem se aproveita do trabalho dos outros?


O objectivo inicial do post era apenas salientar a velocidade com que os bens circulam pelo mundo e a facilidade com que podemos comprar aquilo que precisamos. Deve ser a globalização, ou isso. E também a eficiência do capitalismo. Ou então, já que em causa está a China, do verdadeiramente verdadeiro comunismo. Aquele que está sempre ao lado e pronto a servir o povo consumidor.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

O politicamente correcto mata...nomeadamente a democracia.

Tem sido amplamente noticiado nos principais órgãos de comunicação social nacional que dois cidadãos de nacionalidade brasileira terão sido violentamente espancados, por um grupo de dez jovens, quando se passeavam pela cidade de Gaia. Acrescenta a noticia que o crime terá tido conotações racistas e/ou homofóbicas. Eles lá saberão. A mim pouco me importam os motivos. Tanto se me dá que sejam esses ou outros quaisquer. Há só aqui dois pormenores – para além da pancadaria – que me irritam nestas coisas. O primeiro é que dez contra dois é cobardia. O segundo é a falta de vergonha nas trombas dos “jornaleiros”. Não têm problema nenhum em divulgar – às vezes, até, inventar – as alegadas motivações do crime e a origem nacional ou étnica, bem como outras opções de vida das vitimas, quando em causa estão estrangeiros ou uma qualquer minoria. Já quando as vitimas são portugueses e o crime é cometido por gente de fora ou por indivíduos dessas minorias, as origens e opções dos criminosos nunca são mencionadas. Reconheço que a culpa não pode ser totalmente atribuída a quem faz ou divulga a noticia. São essas as diretrizes oficiais. Mas, bardamerda para isso. A verdade acima de tudo. E se queremos ser honestos, informar com rigor e tratar todos por igual então que se lixe o politicamente correcto. É graças a ele que, se calhar, na noite de dez de Março os estúdios televisivos irão algumas ter semelhanças com o muro das lamentações...

sábado, 30 de dezembro de 2023

Sejam sábios, mantenham-se burros...

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Como referi num post abaixo a esquerda não aprecia essa cena da literacia financeira. Não lhe dá jeito e percebe-se porquê. Os argumentos que usam para justificar as suas posições acerca do assunto é que podiam ser melhorzinhos. Estes, do BE, estão ao nível do anedótico. “Altos níveis de literacia financeira tendem a corresponder a decisões financeiras irresponsáveis”, garante um cartaz daquela agremiação política. Apetecia-me, só por piadola, fazer uma analogia com a educação sexual que o BE tanto se tem esforçado – e bem – por implementar no sistema de ensino. Mas não. Se calhar, dizer que quanto maior “literacia” existir nesse domínio maior a probabilidade de assumir comportamentos de risco, era capaz de ser demasiado parvo e aproximar-me perigosamente das posições do Bloco de Esquerda.


Para as ditaduras e para os aspirantes a ditadores, saber ler é muito perigoso. Entender alguma coisa destas matérias financeiras, ainda mais. É muito melhor manter a população viciada em raspadinhas, sem saber interpretar um recibo de vencimento e sem perceber os impostos que paga. Especialmente aquela parte que constitui a sua potencial base eleitoral. Mantê-los na ignorância evita que tomem decisões financeiras irresponsáveis.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Desinformação de qualidade

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Anda por aí uma lamuria, por causa da eventual falência de uma empresa detentora de vários órgãos de comunicação social, que tresanda a corporativismo. Algo que o Estado Novo muito apreciava, diga-se. Só falta, ou então já o fizeram e eu que não ouvi, apelarem ao governo para nacionalizar aquilo. Os argumentos são mais que muitos e vão desde a importância que a imprensa tem para a democracia – embora uma imprensa controlada pelo Estado seja de duvidoso cariz democrático – até à necessidade de combater a desinformação propagada pelas redes sociais.


O pior é que os jornalistas e os órgãos de comunicação social põem-se a jeito. Praticam um jornalismo de causas, não são independentes perante os factos, noticiam os acontecimentos de acordo com o seu ponto de vista e, muitas vezes, não se coíbem de manipular as noticias de forma a influenciar a perceção que o leitor tem sobre as mesmas. O caso da Argentina é por demais paradigmático. Há anos que aqueles país está num estado lastimável, mas apenas agora saltou para a ribalta. Em sentido contrário está o Brasil. No consulado Bolsonaro era um massacre diário de noticias sobre a tragédia política, social e ecológica que ocorria por aquelas bandas. Ganhou o Lula e tudo mudou. Deve ser o paraíso, aquilo. Espanha, mesmo aqui ao lado, continua distante do interesse jornalístico. Como se as cambalhotas e trapalhadas políticas absolutamente surreais do PS lá do sitio para se manter no poder não nos interessassem nada.


A ilustrar este post estão dois recortes de um assunto que a imprensa portuguesa noticiou como verdadeiro. O preço dos bilhetes dos transportes públicos na Argentina. Vale tudo. Até fazer concorrência às redes sociais em matéria de fake news.


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quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Especialista especialmente inútil

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Verifica-se, pelo menos na região onde vivo, uma gritante falta de especialistas das mais variadas especialidades. Nomeadamente daquelas que envolvem trabalho especialmente especializado. A pintura é uma, entre muitas outras, das especializações com manifesto deficite de oferta. Não há por aqui gente em quantidade suficiente a exercer a nobre profissão de pintor. Tanto assim é que, só para se ter uma ideia de quão dramática é a situação, se agendar hoje a pintura de um prédio, com sorte, mesmo com muita sorte, sou capaz de ver a obra agendada para daqui a um ano. E não há Marcelo que me valha. Nem nenhum outro especialista especializado em cunhas.


No entanto há gente que insiste em desperdiçar talento. O artista que faz estas “decorações” é um deles. A criatura tem jeito. Falta-lhe é juízo. De facto não lembra a ninguém andar pela cidade, fora de horas, a pintar paredes à borla e, pior, a arcar com a despesa da tinta. É mais um a quem, manifestamente, falta literacia financeira. Como tem tempo, vontade e jeito para a coisa podia facilmente fazer dinheiro. Assim apenas faz figura de parvo.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Pobretes e alegretes, como gostava Salazar.

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A falta de literacia financeira dos portugueses é confrangedora e afecta transversalmente todas as faixas etárias, níveis de escolaridade e extratos sociais. Pior ainda é, ao nível dos políticos e de quem os rodeia – nomeadamente assessores e quadros das administrações públicas - desde o governativos ao autárquicos, verificar-se igual índice de analfabetismo financeiro.


Muitas destas matérias pouco ou nada têm a ver com o que se aprende nas escolas ou universidades. Há coisas que são básicas. Do senso comum, mesmo. Daí que, apesar de hoje se entender que é à escola e não aos pais que compete educar os filhos, não me pareça especialmente relevante que tenha de ser o sistema de ensino a tratar da educação financeira dos meninos. A literacia financeira adquire-se ao longo da vida e, actualmente, com tanta informação ao dispor da população só é burro nestes assuntos quem faz questão de o ser. Até a minha avó, que morreu já lá vão mais de trinta anos e não sabia ler nem escrever, era eximia a fazer contas e, desconfio, se fosse viva perceberia muito mais destas coisas que envolvem graveto do que muitos doutores que por aí ouço palrar.


Apesar de, reitero, não se me afigurar pertinente, não deixo de achar esquisito que a esquerda, sempre pronta a incluir nos currículos matérias relativas ao que cada um entende fazer na cama, chumbe sistematicamente tudo o que possa contribuir para uma melhor gestão dos recursos financeiros de cada qual. Prioridades. Mas percebe-se. Um cidadão informado e que saiba gerir a sua carteira dificilmente votará na esquerda.

sábado, 23 de dezembro de 2023

Oito biliões de portugueses

Ouvir certas alminhas discorrer acerca do tratamento dispensado pelo SNS a duas gémeas brasileiras, nomeadamente quando os argumentos usados defendem a não existência de qualquer ilicitude ou irregularidade, fico com a sensação que há quem pense que Portugal tem obrigação de tratar da saúde de toda a população mundial. Mesmo daquela, como foi o caso, que no seu país vê recusada as suas pretensões. Até um padrecas qualquer veio, um destes dias, com uma converseta a legitimar a cunha, o tráfico de influências ou lá o que tenha havido que permitiu a naturalização das crianças em tempo que pulverizou os anteriores recordes e que permitiu um tratamento efectuado contra a vontade dos médicos. Tudo alegadamente e ao que é publico.


Mesmo aquele argumento de “ah e tal, são portuguesas e têm o mesmo direito que qualquer outro cidadão” é demasiado parvo para ser levado a sério. Principalmente quando, em qualquer parte do mundo é mais fácil adquirir a nacionalidade portuguesa do que comprar um pastel de nata em Portugal. Teremos assim, segundo alguns, o dever de acolher todos os que se querem cá tratar das suas maleitas e de todas as estrangeiras que cá querem vir parir. Quem assim opina reclama também das dificuldades do SNS e da maldita direita ultra-liberal que o quer destruir. Pois. Gente inteligente, esta. Tanto que ouvi-los faz-me ter saudades do tempo em que os animais não falavam.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Uma chatice, essa cena dos arquivos...

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Com tanta gente a pretender reescrever a história, o passado está a ficar cada vez mais imprevisível. Ainda bem que existe uma coisa chamada arquivo. É que, se não fosse isso, até eu acreditava que o último resgate ao país tinha sido culpa de um tal Passos Coelho e que esse patife tinha tido o exclusivo dos cortes, da austeridade e de outras patifarias que os tipos que assinaram o memorando com a troika aceitaram fazer aos portugueses. Tipos esses que, também estava quase convencido, teriam sido os do bando do supra citado indivíduo. Só que não. O passado foi o que foi e não há volta a dar. Bom, haver há. É mesmo o que não falta por aí é quem queira dar a volta à história. Tótós a acreditarem nas patranhas desses malucos também não.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Rentabilização do espaço público

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Já em tempos dizia um ilustre socialista – quando havia socialistas ilustres e muitos ilustres eram socialistas – que apenas os burros não mudam de ideias. Eu, que não sou ilustre nem socialista e esforço-me por não ser burro, numa ou noutra circunstância também mudo de ideias. Sejam elas, as ideias e as circunstâncias, quais forem. Aconteceu-me agora, essa coisa de alterar o pensamento relativamente a um determinado assunto. As oliveiras em espaço urbano, no caso. Sempre achei horrível, idiota a bem dizer, esta recente mania de plantar aquela árvore em jardins, largos, praças ou outros recantos das localidades. Mas, reitero, mudei de ideias acerca disso. Estava errado e, confesso, não estava a ver bem a coisa. O que me fez mudar? Simples. O preço do azeite. Até acho que nesses mesmos lugares devia ser plantado um olival. Isso é que era. Ficava uma coisa toda catita e pagava-se o investimento num instante. Bom, tão depressa não digo, mas seguramente em menos tempo do que alguns, por mais errados que estejam, demoram a mudar de ideias.

domingo, 17 de dezembro de 2023

"Na terra do bom viver faz como vires fazer". Alguém que lhes ensine algo tão simples.

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O país precisa de mão-de-obra e se não há portugueses em número suficiente ou os que há não querem trabalhar, então, têm de vir trabalhadores estrangeiros. Parece simples, mas o chato da coisa é que por cá ganha-se mal. Gente com educação, bem-formada e com valores semelhantes aos nossos, como os cidadãos de leste que noutros tempos migraram para estas paragens, já não estão disponíveis para se deslocarem até aos confins da Europa. Preferem ficar mais perto de casa, nomeadamente nos países europeus que durante a governação socialista nos foram ultrapassando em matéria de riqueza gerada. Daí que sejamos actualmente invadidos por criaturas com princípios de vida substancialmente diferentes dos nossos - pior do que isso, que os rejeitam – e que fazem questão de exibir publicamente os seus, sem qualquer pudor ou respeito pela sociedade que os acolhe.


Por estes dias ocorreram dois crimes contra imigrantes oriundos da Ásia. As vozes a guinchar “racismo” foram mais que muitas. Inclusive de lideres partidários. Veio-se depois a saber que os alegados atacantes foram cidadãos portugueses de etnia cigana revoltados por os ditos imigrantes não respeitarem as regras praticadas por aquela comunidade e, vá lá saber-se porquê, a tese de racismo morreu logo ali. Tal como o assunto, diga-se. Nestes incidentes nada me surpreende. Nem o aproveitamento que determinados vermes procuram fazer destes assuntos nem, apesar de pouco noticiadas, as consequências deste choque cultural constituem grande novidade.


Deparar-me um destes dias, aqui no Alentejo, com um indivíduo em preparos idênticos aos da imagem é que para mim foi novidade. A primeira reacção foi pensar que se tratava de um fantasma. Mas não, os fantasmas não existem. De seguida ocorreu-me que já estaríamos no Carnaval. Mas também não, depressa me lembrei da data em que estávamos. Foi essa lembrança que me tranquilizou. Aquilo não se tratava de um invasor exibicionista. Se calhar era apenas um figurante de um qualquer presépio. Prefiro acreditar nisso.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Agricultura da crise

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Não é, como já escrevi noutras ocasiões, a melhor altura do ano para a agricultura da crise. Aqui pelo quintal da maison continuo sem provar o fruto – não sei que nome tem a coisa - da physalis que plantei no quintal. Apesar de lhe ter colocado um tutor aquilo não se aguenta. Os ramos são tão frágeis que partem com o peso das bagas e ficam irremediavelmente perdidos. Ainda nem um provei. Quando tiveram um aspecto apresentável – forem minimamente fotogénicos, digamos – irão aparecer por aqui.


Entretanto lá pela outra “agrária” estão a nascer as primeiras favas e ervilhas. Os alhos, que supostamente deviam ter pelo Natal o tamanho do bico de um pardal, já estão deste bonito tamanho. Na quadra natalícia, a continuar assim, deverão estar mais próximo do bico de uma cegonha. E é isto que a chuva, o frio, o inverno, as poucas horas de luz solar e outros assuntos relacionados com cenas que não vêm ao caso têm permitido fazer na agricultura da crise.

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Em terra de cegos...

Ouço a toda a hora que “o PSD não está preparado para governar”. Hilariante esta ideia. Principalmente vinda de gente que afirma sem se rir que um candidato a líder do PS, aquele alegadamente carismático, é um tipo preparadíssimo para assumir a governação do país. O homem, foi ministro nos dois últimos governos, é deputado, anda em campanha pela liderança do partido, quer ser primeiro-ministro e, pasme-me, confessou em directo numa entrevista à Rádio Observador que não sabe o valor actual do SMN e desconhece em absoluto o valor do IAS. Mas está preparado para governar e, quase de certeza, vai fazê-lo. Coisa que, a acontecer, diz muito mais acerca de quem vota nele do que acerca dele próprio. Até porque ele, honra lhe seja feita, não se importou de manifestar a sua ignorância, incapacidade e impreparação. Já a minha avó garantia que em terra de cegos quem tem um olho é rei. E é isso que o safa. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

O rigor da desinformação

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Eu cá não sou de intrigas, mas assim de repente desconfio que a SIC e de um modo geral a comunicação social já fizeram a sua escolha no que diz ao candidato a secretário geral do PS que querem ver eleito. Neste caso, em que se analisavam várias características dos dois principais oponentes, podiam ter optado por referir, sei lá, que José Luís Carneiro é o candidato mais ponderado, mais honesto, mais simpático, mais competente, mais experiente e mais preocupado com as pessoas. Mas não. Optaram por realçar que PNS é mais forte e frontal. Os únicos dois itens, em oito, onde leva vantagem. Nos outros perde em todos, mas isso não interessa nada. Escolhas. Devem ser os critérios editoriais, ou lá o que é. Estou mesmo a ver que caso o Benfica tivesse ganho seis a dois ao Farense na última jornada – coisa que podia ter acontecido se tivessem entrado metade das oportunidades de golo criadas por uma e outra equipa – a noticia seria “Farense marca dois grandes golos ao Campeão nacional”. 

domingo, 10 de dezembro de 2023

País de pedintes

A propósito desta tramóia em torno do tratamento das gémeas com o medicamento mais caro do mundo ficámos a saber, entre outras coisas, que os ministros têm assessores cujo único trabalho que fazem é apreciar os favores que os portugueses – e, pelos vistos, não só – pretendem obter do governo. Algo que, convenhamos, diz muito mais do povo que somos do que dos governantes que temos. A estes apenas fica mal, para além de condenável a todos os títulos, satisfazer a pedinchice que lhe é dirigida com o dinheiro dos impostos que alguns pagamos.


A este propósito recordo um caso, já com muitas décadas, envolvendo um pedido dirigido a Mário Soares, à época Presidente da República, por alguém que conheci e que toda a vida passou dificuldades da mais variada ordem. Daquelas mesma à séria. Na volta do correio, o então Presidente lamentou não poder solucionar os inúmeros problemas descritos na missiva que lhe tinha sido endereçada e juntou um cheque de cinco contos. Da sua conta. Outros tempos.