Sabia-se que qualquer baixa no IRS, por pequena que fosse, teria como contrapartida o aumento noutros impostos quaisquer. O Estado socialista não prescinde de receita fiscal, pois essa é a forma mais eficaz de manter satisfeitas as clientelas que os perpetuam no poder. Estranho é a opção ter recaído, com particular incidência, sobre o IUC. Este imposto é receita municipal e, a menos que exista alguma tramóia ainda por revelar, serão as autarquias a beneficiar deste esbulho alternativo.
Quanto aos argumentos em desfavor da opção do governo, nomeadamente que afectará em especial as pessoas de menores rendimentos, parecem-me uma visão desfasada da realidade. Olhando para os automóveis dos funcionários da organização onde trabalho, apesar de dois terços auferirem o SMN, bem poucos serão vítimas deste saque.
Já os defensores da medida evocam a necessidade de renovar o parque automóvel e de proteger o ambiente. Que é uma boa causa e serve para justificar quase tudo. Por mim acredito que é mais uma vez a vontade do governo ajudar os bancos, dado que para trocar de carro a esmagadora maioria das pessoas precisará de recorrer ao crédito. Quanto a isso da protecção do ambiente, na parte que me toca, como pagarei mais imposto vou passar a usar com mais regularidade a viatura alvo desta ideia escabrosa. Por um lado corro menos risco de ser multado por excesso de velocidade e, por outro, já que pago sinto-me no direito de poluir.















