segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Linguagem inconclusiva

1 - Os especialistas especializados em linguística já explicaram vezes sem conta que usar – com alegadas intenções inclusivas - o todos e todas, quando alguém comunica com um grupo de pessoas, constitui um valente pontapé na gramática. Ainda assim não falta quem insista no erro. Deixem-se mas é de parvoíces e digam como o Papa Xico. Todos, todos e todos, porra! Esta última é por minha conta.


2 – Diz que na semana passada para os lados do Martim Moniz, em Lisboa, andaram umas quantas criaturas a manifestar a sua indignação pela realização do encontro de católicos na capital. Nada contra, que isto cada um manifesta-se contra o que quiser. Lamento é a falta de coragem para fazer o mesmo, em iguais preparos, quando os islamitas por lá estão de rabo para o ar a rezar ao Alá.


3 - Está quentinho, por cá. Uns simpáticos quarenta e dois graus. Tal como há um ano. Ou dez. Ou quarenta. A diferença é que o pessoal agora queixa-se de tudo. Uns mariquinhas. Vejam-lá, é Verão. Aquela coisa que acontece todos os anos, mais ou menos por esta altura.

domingo, 6 de agosto de 2023

Inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária

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Sou pouco dado a estas cenas da fé. Daí que esta coisa da JMJ não conste da minha lista de interesses. O que me levava a crer que o manifesto desinteresse que nutro por este evento fosse dos poucos assuntos em que coincidia com a malta de esquerda. Só que não. Por qualquer razão que me escapa, aquele pessoal ficou ainda mais tresloucado do que o habitual. Talvez seja inveja por nenhuma organização daquela área – nem todas juntas, sequer – conseguirem reunir tanta gente. Ou, então, é uma qualquer espécie de doença que não lhes permite ver outras pessoas felizes a fazerem o que gostam. Como se isso estivesse reservado aos participantes em eventos organizados pelo esquerdume.


Indignam-se também por causa dos gastos do Estado com a realização do certame. O que constitui uma novidade no discurso de quem só vê virtudes na despesa pública, mas que é outro ponto com potencial para merecer a minha concordância. Convém é ter memória. Eu sei que a esquerda tem uma capacidade natural para reescrever a história – os malucos são quase todos assim – mas, recordo, quem se candidatou a receber este encontro foi o governo da geringonça e a Câmara do Medina. Ou seja esta gentinha, em relação às decisões dos guias espirituais, está sempre de acordo e, se fôr preciso, simultaneamente de opinião contrária.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Estado Ladrão

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Já a minha avó garantia que lavar a cabeça a burros é gastador de sabão. Lamentavelmente nem sempre sigo este ensinamento à risca e, de quando em vez, dou por mim a desperdiçar sabão com jericos. A propósito da minha permanente indignação com a brutal carga fiscal a que estamos sujeitos perguntava-me um cavalheiro, numa outra rede social, se eu acho mal que alguém que aufere dez mil euros por mês contribua para a sociedade com trinta por cento do seu ordenado. Acrescentado que, por ele, achava muito justo que assim fosse, pois apenas graças a isso podíamos usufruir da escola pública, do SNS e demais maravilhas para que, no seu entender, servem os nossos impostos. Concluía que, face ao exposto, a minha indignação é própria de um parvo.


Sim, acho mal que alguém se veja espoliado de quase um terço do seu vencimento. Mesmo que ganhe dez mil euros por mês. O pior é que quem ganha esse valor não desconta trinta por cento. A esses o Estado apropria-se de quase quarenta e nove por cento. Metade, em números redondos. Se alguém não vê nisto um roubo, das duas uma. Ou é completamente burro ou potencialmente esquerdista. O que, convenhamos, não é muito diferente.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Coirões...

1 - A Dinamarca vai restringir o direito de manifestação quando em causa estiverem protestos que possam levar à profanação do Corão. Nem vou dizer que é o primeiro passo para a submissão do Ocidente ao Islão. Esse já foi dado lá atrás, há muito tempo. O caminho que nos falta percorrer até à islamização é muito mais curto do que aquele que já foi percorrido. O problema, no entanto, é a extrema-direita. Os fascistas islâmicos, esses, devem ser respeitados.


2 – Criticam-se – e bem - os lucros obscenos das “grandes empresas” e da banca em particular. Condenáveis, concordo, na parte em que são obtidos em resultado da cartelização e dos preços abusivos que cobram aos clientes. Lamentável é a passividade com que aceitamos os resultados orçamentais do Estado, resultantes da cobrança fiscal. Ambos são condenáveis. Com duas diferenças. O Estado pode intervir relativamente aos primeiros e tem o poder de reduzir os impostos. Não faz nem uma nem outra coisa. Ou seja, rouba e deixa roubar.


3 – As Câmaras do norte são danadas para as festarolas. Aquilo é um vê se te avias. Estão permanentemente em festa ou, por outras palavras, são uma festa permanente. Lamentavelmente cá pelo Alentejo não é assim. Se fosse, eu era gajo para sugerir que por cada festa plantassem uma árvore. Só para ver se salvávamos o planeta e isso…

segunda-feira, 31 de julho de 2023

A resiliência da alface

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Diz que uma alface demora vinte anos a decompor-se. No meu frigorífico não costumam aguentar tanto. Nomeadamente as que se compram nos supermercados. Essas, ao fim de dois ou três dias estão capazes de ir para o lixo onde, ao que garantem os entendidos em questões ambientais, resistem estoicamente durante duas décadas.


Longe de mim pretender contrariar as criaturas que queimaram as pestanas a estudar estas coisas. Ainda assim permito-me duvidar da resiliência da alface. No meu compostor ao fim de seis meses estão transformadas em fertilizante. Mesmo que em aterro as condições para a deterioração dos vegetais sejam outras, a diferença temporal parece demasiado exagerada. A ser assim é de equacionar a possibilidade de passarmos a guardar as alfaces no balde do lixo. Poupa-se na electricidade, ganha-se no período de vida dos alimentos e o ambiente agradece.


Estas teorias costumam aparecer sempre que no horizonte está a criação de mais um tributo verde. O pessoal aceita e acredita que, pagando, está a contribuir para salvar o planeta. Deve estar a resultar. Tantos impostos, taxas e taxinhas depois - tudo do mais verdinho que há – estamos a ter um Verão absolutamente normal em termos climatéricos. À noite até tem estado fresquinho.

domingo, 30 de julho de 2023

O direito à mesada colonial

Não tem mal nenhum que grupos de patetas se reúnam para reivindicar coisas. Mesmo que essas reivindicações apenas façam sentido para eles e que, na maioria das circunstâncias, não resultem de acontecimentos ou problemas reais, mas apenas de vozes que ecoam nas respectivas cabeças.


Num manifesto conhecido como “Declaração do Porto” um desses grupos reivindica a alteração do hino nacional. Não gostam da letra, argumentam. Estão no seu direito. Eu, por acaso, também não gosto. Aquela parte de marchar contra os canhões parece-me um claro incentivo à carnificina sem que daí se vislumbre qualquer vantagem para a nação.


Outra exigência é a isenção de propinas para alunos provenientes dos países e territórios colonizados por Portugal. Ou seja, que os contribuintes portugueses paguem, através dos seus impostos os estudos daquele pagode. Apesar de enaltecer a evidente paixão das criaturas pela educação e de apreciar que norteiem a sua vida pela busca da valorização permanente e generalizada das populações daqueles países, desconfio que não estão a ver bem a coisa. É que, se bem me recordo, o colonialismo acabou há quase cinquenta anos. Com estas reivindicações só fazem lembrar aqueles filhos que saem de casa dos pais, para ser independentes, mas que não abdicam da mesada...

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Vulnerabilidades e outras habilidades

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Graças ao fantástico, maravilhoso, brilhante, espectacular e melhor governo de todos os tempos – tirando o da geringonça, vá – os contribuintes portugueses vão pagar “o acesso a consultas e tratamentos médico-veterinários como, entre outros, a identificação, vacinação, desparasitação e esterilização prestados a animais de companhia cujos detentores sejam pessoas em situação de insuficiência económica, em situação de sem abrigo ou pessoas idosas com dificuldades de locomoção”. E, se as autarquias fizerem não sei mais o quê, a alimentação dos bichinhos será também à pala. Felizmente a Senhora Dona Gata não é uma bicha carenciada. Ou vulnerável, como os idiotas da linguagem alegadamente inclusiva agora dizem. Não terá, graças à sua condição de bichana privilegiada, direito a todas essas mordomias. Vai continuar a comer ossos, restos de peixe e outras iguarias pelas quais nutre uma especial predilecção.


Trata-se, tão-somente, de alargar à bicharada a política assistencialista e de subsídio dependência que já se aplica aos pobrezinhos de duas patas. Estes ainda que ganhando pouco, graças à imensa panóplia de apoios sociais, conseguem obter um rendimento bastante superior aos que ganham ligeiramente mais e aos quais o Estado furta uma parte significativa do produto do seu trabalho. E se esses ditos vulneráveis forem amigos das pessoas certas, então a coisa ainda melhora substancialmente. Dizem, porque eu tirando o que vejo no meu recibo de vencimento nada sei dessas alegadas engenharias caritativas.


O país está a cair aos bocados, mas é nisto que a governação socialista esturra o que nos tira do bolso. Ao contrário do que muitos dizem, os chalupas não são eles. Somos nós, que permitimos este nível de chalupice. Eles apenas estão a tratar da sua perpetuação no poder.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Nacionalize-se tudo. Até a mãezinha que os pariu.

Longe de mim pretender questionar essa coisa das alterações climáticas. Era o que mais faltava ousar pôr em causa as opiniões especializadas dos especialistas especializados na especialidade. Ainda assim tenho o direito – inalienável, convém reforçar – a desconfiar que o combate às tais alterações está a servir de pretexto para aumentar impostos e taxar tudo o que até agora achávamos ter direito.


No Público de hoje – um pântano onde a intelectualidade gosta de chafurdar na sua autoproclamada superioridade moral – há quem sugira que “Portugal deve avaliar se águas subterrâneas devem ser pagas”. Ou seja, criar mais uma taxa para quem usa a água do poço para, por exemplo, regar os tomates. Do ponto de vista de um urbanita, nomeadamente daqueles esquerdalhos que acham que tudo pertence ao Estado e permanentemente suspiram por mais e mais impostos para os outros pagarem, deve ser uma coisa do mais lógico que há. Aquilo é gente que acredita que tudo o que comemos nasce por geração espontânea nas prateleiras dos supermercados e que o custo que daí adviria não teria nenhuma repercussão no acesso da população aos alimentos. É, ao ler coisas destas, que sinto uma imensa saudade do tempo em que os animais não escreviam.


Por mim, faz-me uma certa confusão a ideia de, eventualmente, ter de pagar a água que nasce no meu poço ao Estado.Aliás já acontece, ainda que vagamente, o mesmo com a produção de energia solar e eólica. Ou seja, o Sol, o vento e a água são do Estado? O que se segue? O ar que respiramos? Se calhar sim, já que ao respirar estamos a usar um recurso que, tal como a água, não é nosso. Faz sentido. Ou não fosse isto a quinta onde os porcos triunfaram.

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Os tomates da crise

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Reconheço que isto de expor publicamente os meus tomates pode não ser a melhor ideia que já tive. Nunca se sabe se alguém fica com inveja e se quer apropriar dos ditos. O que, convenhamos, seria profundamente desagradável, pois tê-los assim dá muito trabalho. No entanto, de tão jeitosos que são merecem ser admirados em todo o seu esplendor.


Não são os primeiros do ano. Nem, tão-pouco, os maiores. O destaque é merecido apenas pela quantidade. Afinal é o primeiro dia em que a colheita foi no plural.

domingo, 23 de julho de 2023

A ganância, o aroma e o exemplo que jamais seguiremos

1 – De acordo com a imprensa o lucro da Caixa Geral de Depósitos subiu vinte cinco por cento face ao obtido no primeiro semestre do ano anterior. O banco público, ao serviço dos portugueses e que jamais poderá ser privatizado para permitir ao Estado regular o mercado, apresenta lucros superiores a seiscentos milhões de euros em resultado, nomeadamente, da subida das taxas de juros. É a isto que chamamos lucros gananciosos da banca em resultado da exploração dos clientes pelos filhos da puta dos banqueiros, não é?


2 – No “Público” – um esgoto a céu aberto onde desaguam todas as ideias de merda – uma chalupa qualquer disserta acerca do “aroma neocolonial” que emana do apelido escolhido para a selecção nacional de futebol feminino. Coitada, nem vou gozar que aquilo pode ser doença. É por causa de meninas como esta escriba que todos os anos compro o pirilampo mágico.


3 – Diz que uma cidade francesa vai fazer análises à saliva e criar um passaporte animal que permitirá identificar os cães. A finalidade é descobrir a que animais pertence a merda espalhada pelos passeios e, assim, multar os donos. Excelente ideia, esta. Ao contrário do que acontece por cá, onde nem sequer fazem um esforço para ter todos os canitos devidamente registados. Não devem ter tempo. No âmbito da bicharada andam muito ocupados com parques caninos e outras chalupices.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Como é que ficou aquilo do PCP com a Segurança Social?

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1 - Muito bem o governo com essa ideia de arrendar casas para subarrendar a preços que as pessoas possam pagar. Excelente, reitero. Só não percebo por que raio não aplicam a medida a tudo o resto. Para combater a inflação comprava os bens alimentares e depois vendia-os substancialmente mais baratos aos consumidores. Por exemplo, o Estado adquiria toda a produção do gajo das alfaces e de seguida vendia-as a um preço significativamente mais em conta. Isso é era!


2 – Entretanto em Espanha, na campanha eleitoral, a esquerda preocupa-se com coisas realmente importantes. Minorias, feminismo, machismo, extrema-direita no poder ou herança universal garantida. O cidadão comum, essa espécie esquisita e que urge extinguir, que pague e não bufe.


3 – Cenas que possam comprometer o PCP nunca suscitam grande curiosidade à comunicação social. É isso e os “Panamá papers”, que alguns garantiram que iam divulgar publicamente...

terça-feira, 18 de julho de 2023

Activistas fofinhos

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1 – As redes sociais são as paredes das casas de banho públicas dos tempos modernos. Mensagens destas são “aos molhos”. Esta não constitui nenhum perigo, nem pode ser encarada como discurso de ódio, pois não? Qualquer “cantante”, ainda que por outras palavras, dirá mais ou menos o mesmo...


2 - A exposição evocativa dos cinquenta anos do “Expresso”, a que ainda um dia destes aqui fiz referencia, foi toda grafitada. Um deplorável acto de vandalismo, lamenta-se o jornal em questão. Ai agora já não é activismo? Olha-me estes...


3 – Na sequência de uma espécie de geringonça à espanhola, a extrema-direita vai fazer parte do governo da Extremadura. Deverei preocupar-me quando for a Badajoz? Talvez não, que isso é assunto dos espanhóis. O que me inquieta mais é o lado de cá. Nomeadamente se eles começarem a apertar com aqueles indivíduos, cuja etnia não podemos mencionar, que vivem entre cá e lá usufruindo das maravilhas do Estado social...

domingo, 16 de julho de 2023

Decidam-se, porra!

Um destes dias houve quem se indignasse por causa de uma caricatura do primeiro-ministro, exibida nas manifestações de professores. Chegou-se ao ponto do próprio, na falta de melhores argumentos, considerar aquilo um acto racista. Para outros, oportunisticamente mais tolerantes, tratou-se apenas do exercício da liberdade de expressão.


Na semana que passou voltámos ao mesmo. Desta vez por causa de um cartoon, exibido na RTP, em que a pontaria de um policia melhora significativamente à medida que a cor do alvo vai escurecendo. Aqui d’el que estão a faltar ao respeito aos policias e mais não sei quê, reclamaram os que no caso anterior defendiam estarmos perante a liberdade de criação do artista e a liberdade de expressão de quem se manifestava. Por sua vez os que acharam ofensiva e que reprovaram a caricatura do Costa, dizem agora que não senhor, o cartoon não é ofensivo coisa nenhuma e, mais, até acham muito bem que os policias se sintam ofendidos que é para ver se deixam de ser racistas.


É nestas ocasiões que me apetece partir para a violência. Assim tipo estrafegar alguém, ou isso. Não é que a opinião destes sabujos me importe. A irritação que me provoca deriva apenas de uma parte deles integrarem a trupe que nos governa e de todos esses incoerentes terem direito a votar. Tirando isso têm, como é óbvio, toda a liberdade de serem idiotas.

sábado, 15 de julho de 2023

Agricultura da crise

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Na agricultura da crise, nesta época do ano, todos os dias se colhe qualquer coisa. Esta semana foi colhido o primeiro pimentão. O primeiro de muitos, espero, porque ao contrário de anos anteriores as plantas estão com bom aspecto. Quanto aos pepinos... Ando a tentar testar se assustam mesmo os gatos ou se aquilo é apenas uma cena para divertir o pagode que gosta de assistir aos vídeos de gatinhos que proliferam na Internet. No entanto a Senhora Dona Gata não me dá hipótese. É que nem me deixa aproximar para lhe deixar o pepino por perto. Está sempre atenta a todas movimentações e mesmo a comer não baixa a guarda. Mas calculo que não se assuste, até porque está habituada a vê-los no quintal. Isso deve ser coisa dos gatos maricas da cidade.

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Verde que te quero castanho

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Reclamei vezes sem conta da bosta de cão na relva que circundava três dos quatro lados do Rossio cá da terra. Uma porcaria. Uma imundície, digamos. Até mesmo para os jardineiros, que ao cortar a relva projectavam merda de cão em todas as direcções. É pois com imensa satisfação que constato estar o problema prestes a ser resolvido. Merda de cão a infestar a relva é agora coisa rara. Acertar numa área relvada exige um nível de precisão ao nível da cagada muito difícil de concretizar para qualquer rafeiro. Porreiro, pá.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

É que nem um croquete, pá!!!

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Deparei-me hoje, no jardim municipal de Évora, com a exposição alusiva aos cinquenta anos do semanário “Expresso”. Acabadinha de inaugurar. São cinquenta primeiras páginas, uma por cada ano, que podem ser apreciadas pela primeira vez ou recordadas pelos visitantes.


Estas cenas de exposições e actividades culturais em geral não são a minha especialidade. Mas, calculo eu, os responsáveis pelo conteúdo e pela cerimonia de abertura do evento serão certamente especialistas do mais especializado que há nesta especialidade. Daí admitir humildemente que as minhas expectativas em relação ao acontecimento, para além de manifestamente exageradas, foram notoriamente parvas. Relativamente às capas expostas esperava - vá lá saber-se porquê – que tendo havido, no período de tempo abrangido, três bancarrotas e outros tantos resgates pedidos pelo PS as capas escolhidas referentes aos anos em causa tivessem alguma menção a esses factos. O mais parecido com isso é a primeira página da foto...referente ao ano de 2010! Depois a cerimónia de inauguração. Estranhei a ausência de comes e bebes, mas quero acreditar que, de seguida, terá havido um beberete em local mais recatado. Agora o que me deixou mesmo escandalizado foi a falta de animação artística associada à exposição. É que nem havia um grupo de dança ou uma academia sénior a abrilhantar aquilo. Ou, vá, um grupo de cavaquinhos ou pandeiretas. Uma miséria franciscana, foi o que foi.

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Devem ter feito voto de pobreza...

Portugal é um país onde a esmagadora maioria da população, praticante ou não, professa uma qualquer religião. Ora, cuidava eu, que o objectivo de todos os crente seria alcançar o paraíso e que só a ideia de passar a eternidade no inferno era coisa para lhes provocar pesadelos. Mas, afinal, não. O pessoal odeia os que conseguem chegar ao paraíso e não se importa nada de viver no inferno. Se é assim em termos fiscais, se calhar também é no resto.


A divulgação, dias atrás, de um relatório a apontar para o crescimento das transferências para os chamados paraísos fiscais trouxe ao de cima, nomeadamente nas redes sociais e nalguns comentários na comunicação social, aquilo que de pior existe em cada um. A inveja, a maldade, a ignorância e a parvoíce. Entre outros. A generalidade ignora que esse dinheiro não é do Estado, que se trata de uma prática legal e que grande parte desse dinheiro foi transferido para países – a Suíça, por exemplo – cujo sistema bancário tem fama de ser bem mais fiável do que o nosso.


Acho inacreditável como é tolerada a apropriação pelo Estado da riqueza gerada pelas pessoas. O rendimento de qualquer investimento financeiro – sejam depósitos, certificados ou outros - é taxado em vinte e oito por cento. Isto, apesar de quase toda a gente ter depósitos a prazo que hão-de gerar um retorno qualquer, não indigna ninguém. As poupanças são, afinal, de quem? Com que legitimidade se apropria o Estado de uma parte significativa do proveito gerado por capital que já foi escandalosamente tributado quando ganho como rendimento do trabalho? Mas, claro, isto sou eu que não passo de um herege e não gosto de viver em permanente penitência.

terça-feira, 11 de julho de 2023

Então quem mais há-de pagar a ADSE?!

“É injusto que sejam apenas os beneficiários a suportar a ADSE”, proclama um conhecido economista ligado ao PCP, muito apreciado entre a camaradagem e, julgo, com um cargo qualquer naquele Instituto. Sou beneficiário da ADSE e em muitas ocasiões aqui e noutros sítios me insurgi contra discursos que, para além de uma inveja completamente despropositada, apenas revelam desconhecimento do que é hoje e como funciona aquele organismo. Mas opiniões destas não têm defesa possível. Obviamente que faz todo o sentido que sejam os utilizadores a suportar aquilo. O que não faz sentido nenhum é existirem muitos beneficiários isentos de contribuição. Igualmente inconcebível é a impossibilidade do valor descontado no vencimento ser deduzido no IRS, à semelhança do que acontece com os seguros de saúde. E, por mais que alguns não percebam, é isso que é a ADSE. Um seguro de saúde, caro e fraquinho.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Roubo à espanhola

1 – O que faz uma bandeira da Palestina numa manifestação de mariconços e outras criaturas de tendências correlativas? Não lhes vou recomendar que se vão manifestar para aquele território, até porque não lhes desejo mal nenhum, nomeadamente o falecimento que seria o mais provável na remota hipótese de se tentarem exibir naquelas paragens. Uma bandeira palestiniana numa manifestação daquela natureza é uma estupidez. Faz tanto sentido como uma bandeira da Iniciativa Liberal numa manifestação contra a privatização da TAP.


2 – A uma força extremista espanhola que tem governado o país nos últimos anos, ocorreu a ideia de colocar o Estado a dar vinte mil euros, a titulo de “herança universal” aos espanhóis que completem dezoito anos de idade. Como forma de garantir a oportunidade de igualdades, garantem os promotores da ideia. Como o Estado não produz riqueza – nem dinheiro, felizmente - terá de o ir buscar a algum lado. Às heranças e às grandes fortunas, naturalmente, é o que garante a doida que promove a maluquice.


3 – Como seria de esperar também por cá há uns lunáticos a sugerir o copianço da medida e respectiva fonte de financiamento para, dizem eles, corrigir aquilo que chamam lotaria do berço. Mesmo que consigam levar por diante esta intenção nunca irão colocar a pata na esmagadora maioria das heranças. Nesse aspecto de contornar a lei a generalidade dos portugueses é tão boa quanto os políticos. Quanto muito, se quiserem financiar tamanho desvario, terão de elevar o IRS do patamar de roubo para o de escravatura.

domingo, 9 de julho de 2023

Agricultura da crise

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É tempo de colheita na agricultura da crise. Dos figos, lamentavelmente, não há registo fotográfico. Desta vez as alterações climáticas – ou seja lá o que fôr – anteciparam a maturação em cerca de duas semanas. Coisa que deve ter baralhado a passarada, o que permitiu fazer uma colheita antes que os bandos de voadores esfomeados os devorassem.


Os alhos foram vitimas do patife do costume. Levou parte significativa da produção ainda antes de estarem prontos para a colheita. Dá-lhe para isto. O que me faz espécie é que não lhe dá para arrancar as ervas. Uma questão interessante para um estudo cientifico acerca do comportamento humano no âmbito das patologias ao nível da psique.


As primeiras cebolas e os primeiros abrunhos também estão aí. Tudo a IVA zero, sem qualquer produto químico nem corantes ou conservantes. Já do preço de todos estes produtos não sei nada. Estarão ao preço que o mercado estiver disposto a pagar por eles. Pelo menos enquanto o governo não ceder ao pedido de cada vez mais criaturas no sentido de fixar os preços máximos a que podem ser vendidos. Será o primeiro passo para a escassez, mas vá lá perceberem isso...


 

sábado, 8 de julho de 2023

Ralações desnecessárias

1 – Muitíssima razão tem o primeiro ministro quando garante que os portugueses não querem saber destas historietas de indivíduos que assinam contratos de prestação de serviços, no valor de larguíssimas dezenas de milhares de euros, com organismos públicos para a realização de trabalhinhos que fazem em meia-dúzia de dias. Tem toda a razão, reitero, o nosso primeiro. Era o que mais faltava ralar-me com cenas dessas. Até porque, no limite, os tais trabalhinhos podem nem ter existido. Logo, a ser assim, quem é que se vai preocupar com coisas que não existem?! Os portugueses não, que não são parvos.


2 – Noutros tempos o percurso político de muita gente iniciava-se no poder local, seguia-se o parlamento, depois o governo e, finalmente, a administração de uma empresa. Pública ou privada, pouco importava. Hoje começa-se como assessor, daí para chefe de gabinete, depois secretário de Estado e termina-se como arguido. O que não é necessariamente o fim da carreira política. Como lá mais para diante havemos de constatar.


3 – Percebo pouco – nada, vá – de material bélico. Ao contrário dos inúmeros especialistas especializados em bombas de fragmentação, quase todos devotos do Putin e saudosos admiradores do país dos sovietes, que andam para aí preocupadíssimos com os efeitos devastadores que as mesmas terão na guerra da Ucrânia se os malvados dos EUA as fornecerem aos militares do país invadido pela Rússia. Apesar da minha falta de conhecimento em armamento, tenho uma novidade para essa malta. Parece que aquilo apenas é perigoso se explodir. Se os russos voltarem para a terra deles aquela coisa é do mais inofensivo que há.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Doidas, doidas andam as amiguinhas dos animais...

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As amiguinhas dos animais estão cada vez mais insuportáveis. E parvas, também. Queixam-se de tudo, pretendem impor aos outros as suas taras e provavelmente só vão sossegar o pito quando se arranjar uma maneira qualquer de dar aos bichos os mesmos direitos das pessoas.


É célebre a história da maluca – pensava que era anedota, mas diz que não – que pretendia remover os piolhos da cabeça do filho sem matar os parasitas. Cenas parecidas, só que menos conhecidas, acontecem todos os dias e cada vez com maior frequência. Como a desta desgraçada que filmou um galináceo – ela refere galinha, mas considero abusivo presumir que esse é o género com que o bicho se identifica – com uma pata partida. Situação que, relata, denunciou à GNR. Sorte dela que deu com um militar cheio paciência.


Calculo que esta gente se preocupe também com os sentimentos das formigas. Eu ralo-me com isso. Muito, até. Daí que para evitar que elas caiam das árvores do meu quintal – para onde têm a mania de subir, as traquinas – tenho instaladas estas telas dissuasoras, que têm como objectivo impedir que trepem por ali acima pondo em risco a sua integridade física. Muitas, as mais aventureiras, arriscam a travessia e ficam lá coladas a padecer, num sofrimento atroz, até que faleçam. Coitadas. São os danos colaterais em nome de um bem maior.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Árvores?! Não temos, não queremos e não gostamos

As reportagens televisivas acerca do calor fazem-me precipitar para o comando da televisão para rapidamente mudar de canal. Aborrecem-me. Nomeadamente aquelas que são feitas no Alentejo. Como se no Verão estar quentinho nestas paragens fosse coisa de espantar. Em lugar de indagarem os habitantes sobre as precauções que tomam para fazer face à canícula podiam, sei lá, ser mais imaginativos. Assim, tipo, perguntar o porquê das árvores, nas vilas e cidades alentejanas, serem um elemento raro da paisagem. Ou, se quisessem ser um bocadinho mais agressivos, tentarem perceber o motivo para os alentejanos não gostarem de árvores.Isso é que era uma cena de relevante interesse público.


De facto a relação amistosa entre alentejanos e árvores é meramente anedótica. Não passa de um mito. No campo já não há gente para se deitar à sombra e nos aglomerados urbanos quase não há arvores. Os habitantes não gostam delas. São mais que muitíssimos os casos em que os moradores solicitam o seu abate às autarquias. As razões invocadas, que vão desde as folhas que sujam os quintais aos pássaros que cagam os automóveis ou perturbam o descanso com o seu chilrear, são todas muito válidas e, como é óbvio, suscitam da parte das edilidades a maior compreensão e rápida intervenção no sentido de satisfazer as reclamações. Que isto, como se sabe, há que manter o eleitorado contentinho não vá dar-se o caso de nas próximas eleições escolher a oposição. Se quando está calor as sombras escasseiam e não existe arvoredo para aligeirar a temperatura é coisa que interessa pouco. Até porque há outras coisas muito mais importantes e divertidas com que a malta se pode entreter.

domingo, 2 de julho de 2023

Ponde as barbas de molho...

É impressionante a condescendência com que a comunicação social e os especialistas especializados na especialidade da delinquência travestida de ativismo social analisam as desordens, protagonizadas por criminosos e outra escória, que por estes dias têm ocorrido em França. Quase me convencem que a criatura, cujo falecimento está na origem do inicio da confusão, era um santo. Sem ofensa, que o gaiato para além de marginal era muçulmano. Obviamente não acho bem que a policia o tenha abatido. O que acho espantoso é a coincidência que estas ocorrências, em França ou noutro qualquer lugar do mundo civilizado, envolvam sempre pessoas ligadas ao crime, trafico de droga e outras actividades lúdicas correlacionadas. Nunca, assim que me lembre, vi uma noticia a dar conta que a policia matou alguém que regressava do trabalho.


A forma de protesto escolhida também não suscita aos ditos especialistas uma critica especialmente convincente. Parecem, até, olhar com benevolência para os tumultos. Deitar fogo a autocarros, bibliotecas, câmaras municipais ou residências com famílias lá dentro não se lhes afigura, a julgar pela apreciações que fazem, algo de particularmente grave. Pilhagens a lojas de luxo e a stands de viatura de gama alta, parecem também um protesto legitimo. Mas, quase todos, ofendem-se com uns cartazes mal-enjorcados a retratar o Costa. Ou seja, para esta gente a liberdade de roubar, pilhar e vandalizar é muito mais valorizável do que a de criticar. Ou, mas isso sou eu a especular, para eles a ilicitude depende da cor da pele e da religião professada pelos intervenientes. 


Segundo alguns uma guerra civil em França será apenas uma questão de tempo. Oxalá estejam enganados. O Maio de sessenta e oito acabou quando a generalidade dos franceses se fartou das maluquices de então. Veremos, desta vez, o que acontece quando a população se fartar destes comportamentos, cada vez mais frequentes, e começar a defender o que é seu. Seja a propriedade, a tranquilidade ou o modo de vida.

sábado, 1 de julho de 2023

Subserviência... respeito é outra coisa.

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Menos mal que por cá ainda não chegaram estas modernices. Não tardarão, certamente. Muçulmanos já temos com fartura e a esquerda, na sua eterna busca de causas fracturantes, mais cedo do que tarde seguirá o exemplo de Espanha – aquilo já não é um país, o Podemos e o PSOE transformaram-na num manicómio a céu aberto – e reivindicará a abstinência relativamente à carne de porco para não faltarmos ao respeito aos seguidores do profeta.


Para ser franco nem me importaria muito. O meu colesterol ia agradecer. É mais uma questão de coerência. Preferia ver a Esquerda, em lugar de reivindicar subsídios,  promover a integração de toda essa malta ensinando-lhes a apreciar  as sandes de coiratos, o vinho, a cerveja e a bela da bifana. Isso é que era integrar à séria. Até eu era gajo para começar a simpatizar com a esquerda. Ou a tolerar os esquerdalhos, vá, que é melhor não me deixar levar pelo entusiasmo.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Miséria engravatada

Os lamentos por causa da exiguidade do salário mínimo nacional têm o condão de me aborrecer. “Vamoláver”, então o SMN anda a aumentar bastante mais do que a remuneração mediana há não sei quantos anos e, ainda assim, continua a ser indigno?! A partir de que valor é que passará, nas sábias palavras da CGTP, a ser digno? O SMN numa economia como a portuguesa, por mais que o governo o aumente, continuará sempre a valer o mesmo. A sua acentuada subida dos últimos anos apenas serviu para desvalorizar o salário médio e, em lugar do efeito pretendido de melhorar a vida de quem ganha o SMN, para aumentar o número de pobres. Ou vulneráveis, como agora se diz no linguajar politicamente correcto da moda. Nunca como agora tanta gente recebeu apoios sociais para tudo, de toda a espécie e oriundos das mais diversas fontes. Se necessitar da caridade do Estado não é ser pobre, então há que rever o conceito de pobreza.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Ó Sol és a minha crença...

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Espanha, que tal como nós sofre as agruras da canícula, proibiu o trabalho ao ar livre nos dias de calor extremo. Uma parvoíce que, espero, não seja replicada por cá. Se for terão muita gente a protestar contra a decisão. A começar pelos ambientalistas, que protestarão por a medida não se aplicar ao trabalho dentro de portas. Nesses dias, argumentarão, o uso intensivo de aparelhos de ar condicionado prejudicará ainda mais o ambiente. Depois os trabalhadores. Provavelmente não lhes agradará a ideia de ficar sem ordenado nem, ainda mais provável, sem os biscates que o chamado horário de Verão lhes permite fazer no pós-laboral. Finalmente todos nós. Parar o país durante dois ou três meses por ano terá um custo significativo que alguém terá de pagar. E nem é preciso ser dado a cenas de bruxaria para saber a quem vai ser apresentada a conta.


Como declaração de interesses… sei o que é trabalhar nessas condições. Passei três Verões a trabalhar alcatroamento de estradas, das oito da manhã às seis da tarde, no Alentejo e grande parte desse tempo no meio de nenhures, onde não haviam arvores ou qualquer outra coisa que fizesse sombra. E, apesar do calor que – pasme-se – já se fazia sentir à época, não derreti. Isto no tempo em que os jovens se queriam ter dinheiro para gastar no que lhes desse na realíssima gana não pediam aos papás. Até porque não adiantava, eles também não tinham.


Este é apenas mais um sinal da chegada ao poder das florezinhas de estufa. Gente que, como diria a minha avó, não sabe o que “custa amar a Deus”. Logo com pouca predisposição para o trabalho e a quem tudo serve de pretexto para não bulir uma palha. De Verão é o calor, de Inverno será o frio, depois o vento ou a geada. Já ir à praia nos dias em que a actividade laboral ao ar livre é proibida não constitui qualquer problema. O Sol, aí, não faz mal nenhum. Mas lixam-se, que nesses dias não há bolinhas… ah, pois é.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Se os manifestantes trabalhassem, o Costa gorvernasse e a Largarde deixasse a inflação em paz...

Mais um dia de greves e manifestações da CGTP. É, entre outras coisas, o habitual desde o fim da geringonça. As reivindicações também são as do costume. Aumentos de ordenado e cenas assim. Tudo menos a redução de impostos. Essa parte não os aflige. Por mim, enquanto não incluírem a luta contra o assalto fiscal ao bolso de quem trabalha, não os consigo levar a sério. Têm apenas o meu desprezo.


A Lagarde, por sua vez, continua a achar o contrário. Para ela essa coisa de aumentar ordenados e dar apoios sociais apenas serve para aumentar a inflação. A continuar assim a coitada da senhora não tem outro remédio senão continuar a subir os juros. O que levará, quase de certeza, o PCP a mandar os seus prosélitos para as manifestações e fará com que o Costa continue a distribuir dinheiro generosamente.


Enquanto isso os portugueses continuarão a fazer a vidinha do costume, incapazes de adaptar o consumo à actual realidade. Ou seja a esturrar o que têm, mais o que não têm, naquilo em que sempre esturraram. A restauração mantêm-se em alta, os espaços de diversão continuam cheios, as férias na estranja não são para prescindir e os carrinhos de supermercado continuam atafulhados dos mesmos produtos de sempre. Ainda bem que assim é. Não precisam é de ser piegas, como dizia o outro.

terça-feira, 27 de junho de 2023

"Volta para a tua terra é ofensivo"? Depende...

Uns quantos nómadas digitais queixaram-se das condições de vida no país, nomeadamente em Lisboa. Tudo demasiado caro, come-se mal e a população não nutre por eles especial simpatia são, entre outras, as principais queixas. A reacção não se fez esperar e foi a óbvia. Vão para a vossa terra, responderam nas redes sociais inúmeros portugueses. A óbvia, digo eu, porque para mim quem não está bem muda-se. No entanto a ausência de reacção das mais variadas “associações”, “observatórios”, “comissões” e intelectualidade variada, que habitualmente se abespinham sempre que essa coisa de regressar à terra de origem é sugerida a alguém, deixa-me perplexo. Será que estamos perante uma forma de intolerância valorizável? Quiçá uma xenofobia do bem, até. Ou a recomendação de voltar para a respectiva terra apenas é considerada ofensa – um crime, quase – em função da cor da pele ou da distância a que fica o país de origem? Se calhar, sim. O que é intolerável, convenhamos.

domingo, 25 de junho de 2023

Abaixo o pequeno capital!

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Mas querem, ao certo – mesmo ao incerto também serve – referendar o quê? Que qualquer cidadão, num momento de aborrecimento ou apenas porque sim, faça um cartaz e vá para a rua reivindicar o que lhe dê na realíssima gana não tem mal nenhum. Antes pelo contrário. È o exercício de um direito legitimo, por maior que seja a excentricidade da reivindicação. Eu é que sou curioso e gosto de saber o que propõem os meus concidadãos no sentido de melhorar a vida de todos. Manias.


No caso trata-se do cartaz de um movimento, supostamente apartidário, que pretende a realização de um referendo local em Lisboa. As perguntas a referendar ainda ninguém sabe quais serão - diz que estão em período de recolha de propostas – mas na página do movimento o alvo escolhido, identificado como principal responsável pela falta de habitação, é o alojamento local. Já quanto aos hotéis de grandes cadeias internacionais, que também ocupam prédios e isso, nem uma palavra. Cá para mim são fachos, ou direitolas. O que, hoje em dia, é a mesma coisa. Gente que prefere atacar quem ganha a vida e se esfola a trabalhar nesse sector e prefere deixar em paz o grande capital, só pode ser da direita mais reaccionária. E bafienta, já se me escapava. Não tarda, ainda estão a culpar os quase oitocentos mil imigrantes, que por cá aportaram, pela falta de casas acessíveis à bolsa dos portugueses. Ou, vá, a pretender referendar se devemos aceitar ou não a vinda de outros tantos que, ao que tudo indica, também irão precisar de casa para morar. Não me admirava, que dessa direita xenófoba espera-se tudo.