quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Agricultura da crise

nabica.jpg


IMG_20221017_182020.jpg


Desconheço o preço da nabiça. Estou, igualmente, longe de imaginar quanto custará o chuchu daqui por uns meses quando esta pequena pimpinela atingir a fase da colheita. É que isto, também na agricultura, os mercados enlouqueceram. Os preços sobem ainda mais rapidamente do que os juros. Daí que comece a olhar para esta coisa da agricultura da crise como um investimento. De risco, é verdade, que os Salgados e outros abutres do grande capital em versão agrícola andam por aí.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Larica

Parece que essa cena da larica regressou. É uma coisa que vai e vem, pelos vistos. No tempo de Passos Coelho sucediam-se as noticias de pessoas que desmaiavam nos locais mais inusitados por não terem nada para dar ao dente. Depois veio a geringonça e acabou-se a fome. Apesar de continuarem a sucumbir, a culpa era das pessoas. Saíam de casa sem tomar o pequeno-almoço e depois desmaiavam de fraqueza. O problema, que eu bem me lembro, passou até a ser a obesidade.


Agora, que a geringonça se finou e o Partido Socialista parece estar a começar a recuperar algum juízo, temos a fome de volta. O lamento começa a generalizar-se. A vida, antes tão boa, está uma miséria outra vez. O dinheiro não dá para nada. A malta paga os dez créditos, o combustível, as tatuagens, os piercing’s, o tabaco, as unhas de gel, as cervejolas ou outras cenas igualmente essenciais e, vai-se a ver, não sobra nenhum para a comidinha. Uma "desgrácia".

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Rio, mas pouco.

Diz que vem aí uma espécie de “rio atmosférico”. Um fenómeno meteorológico que se caracteriza por chover a cântaros. Até pode ser que sim. Mas, enquanto isso não acontece, prefiro continuar a vaticinar que isto não vai de água. Posso não perceber nada de meteorologia mas, ao menos, sou coerente. Ao contrário dos inúmeros especialistas na especialidade que vaticinavam um inverno sem pluviosidade e que agora nos prometem chuva com fartura. Um rio, até, os brutamontes. Promessas, muito provavelmente.


Quem também parece que meteu água foi um tal César Mourão. Pelo menos a julgar pelas reacções ao programa que realizou em Estremoz e que foi exibido no passado sábado pela SIC. Aquilo, de facto, foi deplorável demais. Mas, ao que dizem, é sempre assim. Por mim, que já assisti a funerais com mais piada, digo apenas que um artola que ignora um bar chamado “Estou no trabalho, amor” e prefere marrar com uma placa de “encerrado para almoço” da loja ao lado está apresentado enquanto humorista. Preocupante, preocupante é que lhe pagam(os) para isto.

sábado, 15 de outubro de 2022

Ah e tal, não morde...

IMG_20221008_093614.jpg


 


Este ano já terão sido registados pelas policias cerca de mil e trezentos ataques de cães. Alguns com consequências físicas extremamente graves para as vitimas. No entanto não se tomam medidas, não se punem os donos e, pelo contrário, é cada vez mais mal-visto socialmente denunciar estas coisas. Coitadinhos dos animais, que são tão fofinhos e se atacam alguém é por estava mesmo a pedi-las é a conversa da treta que está na moda. Razão tem o bispo do Porto quando se refere a este estado de demência colectiva em relação, também, à bicharada. Decadência social ainda me parece uma caracterização demasiado suave para tanta estupidez.


O número de ataques, apesar de tudo, só por mera sorte não é muito maior. Veja-se o caso deste rottweiler que se passeia tranquilamente pela cidade. Anda por todo o lado sozinho, sem trela, sem açaimo e sem que ninguém se importe. Não será, admito, agressivo. Até um dia. Depois a culpa há-de ser de alguém. Da vitima, de certeza. Do rol imenso de eventuais responsáveis todos terão uma boa desculpa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Não é fantástico, caro contribuinte?!

Captura de ecrã de 2022-10-12 19-22-34.png


Tenho alguma curiosidade –  mesmo muita, confesso – para saber como vai funcionar essa cena da dedução fiscal por andar a pé. Por principio desconfio de tudo o que vem do governo e ainda desconfio muitíssimo mais quando no governo estão os socialistas. Não é que eles sejam todos uns pantomineiros, que não são, a maioria tem é uma relação muito conflituosa com a verdade.


Esta noticia, sem que perceba bem porquê, trouxe-me de volta à memória uma burla muito em voga há uns anos atrás. Era feita através de um anúncio nos jornais onde se proponha um trabalho extremamente rentável, que consistia em enviar circulares pelo correio, à qual se teria acesso a troco de determinada quantia em dinheiro, indispensável para receber o material necessário e as devidas explicações para começar o trabalhinho. Obviamente e como não podia deixar de ser, dias depois o carteiro trazia resposta num envelope onde vinha um pedaço de papel com a frase: “Faça o mesmo”.


No caso desta pretensa dedução o esquema não deve ser muito diferente. Alguém nos dirá que ao andarmos a pé não pagamos IVA nem ISP. Quiçá, até, acrescentando: “Não é fantástico, caro contribuinte”?!

sábado, 8 de outubro de 2022

Há actividades mais mobilizadoras do que outras...

22226932_DQu49.jpeg


À Junta de Freguesia cá da terra ocorreu a ideia de promover uma acção de remoção do lixo arremessado muralha abaixo por aquelas criaturas que desconhecem a função dos contentores. Uma tradição ancestral - muito enraizada na cultura local – com, pelo menos, larguíssimas dezenas de anos de prática continuada.


Apesar de não achar graça à ideia de limpar o lixo dos outros, reconheço a bondade da iniciativa promovida pela autarquia. Pena, a julgar pelas fotos do evento divulgadas nas redes sociais, a fraca adesão da população. É que nem aqueles activistas que não faltam a uma iniciativa autárquica, seja ela uma caminhada, vernissage ou sarau que culmine com um valente repasto, apareceram para dar o contributo à causa – muito valorizável, reitero – de tornar a cidade mais limpa. Nem, para espanto generalizado, os “bonecos de Estremoz” que não perdem uma oportunidade para aparecer, marcaram presença.


Houvesse no final um porco no espeto, sopa de tomate ou outras iguarias em abundância e a brigada do croquete, os puxadores de lustro profissionais e os esfomeados habituais não teriam deixado nem um penico por recolher. A táctica da cenoura funciona sempre.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Cuidado com o que desejas...

IMG_20221005_104732 (1).jpg


A Esquerda sempre foi boa a apropriar-se de causas. Esta, da terra a quem a trabalha, foi uma delas. Foi, pois agora duvido que alguém ouse gritá-la muito alto. Não vá a reivindicação ser aceite e o activista em questão contemplado com um pedaço de terra para trabalhar.


Quem faz estas borradas não tem noção do que está fazer. Leu aquilo num panfleto qualquer e ficou-lhe. Não quer trabalhar, está-se nas tintas para quem trabalha e não faz a mais pálida ideia do que é a agricultura. Saberá quando muito desenvolver consistentes teorias, aprendidas nos livros de alguns criminosos com queda para a escrita, sobre a posse da terra e da propriedade privada. Que aponta como a origem de todo o mal e, naturalmente, abomina. Excepto aquela que lhe pertence, que essa é muito legitima.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Fénix-se!

2022-02-20 12.23.19.jpg


 


Podia tentar fazer humor negro com funerais, cremações e o nome da agência. Mas, se calhar, é melhor não. Ainda um dia destes me meti – na galhofa, claro - com um evento relacionado com idosos e estar agora a fazer piadolas com agências funerárias e actividades conexas era capaz de ser coisa para dar azo a interpretações manhosas. Mas lá que é um belo nome para cangalheiro, isso é. 

domingo, 2 de outubro de 2022

Ide multar a mãezinha...

Captura de ecrã de 2022-10-02 15-40-27.png


 


Nada parece ser suficiente para saciar a máquina de gastar dinheiro montada pelos socialistas. Somos vitimas do maior saque fiscal das últimas décadas, está a ser cozinhado o mais descarado corte nas pensões desde que existe o conceito de “pensão” e, porque isso ainda não basta aos generosos distribuidores de dinheiro alheio, somos vitimas de uma inusitada caça à multa. E isto nem sou eu que o digo. São os números divulgados pelo governo. Aí, valha-nos isso, não podem mentir nem trapacear. Está lá tudo. O quadro acima, para quem tiver paciência, é por demais elucidativo do esbulho que nos estão a fazer.


Atente-se, por exemplo, nas multas de trânsito. Segundo a previsão do governo, inscrita no OE para 2022, serão arrecadados quase 129 milhões euros resultantes daquele tipo de infração. Mais 38,4% por cento do que em 2021. Deve ser essa a razão porque militares da GNR e agentes da PSP arriscam diariamente a vida atrás de radares colocados estrategicamente nos locais mais inusitados. Urge apanhar perigosos condutores que circulam a 31 Km/h onde a velocidade máxima permitida é de 30. Ou os aceleras da A6, onde passa um carro de cinco em cinco minutos, que se atrevem a voar a uns arrepiantes 130Km/h. Sem esquecer – esses são os piores – aqueles criminosos do asfalto que vão a assapar nas estradas rurais que unem as diversas aldeias. Têm o pé pesado, os patifes, mas a GNR está lá para garantir que pagam por isso. E é bem feito, que essa coisa de conduzir acima do limite legal é só para ministros.


Pode, para os moralistas de serviço e outros parvos, até parecer uma acção muito meritória. Digam que é a prevenção de acidentes, contribui para salvar vidas e mais o que quiserem. A intenção, nem vale a pena querer tapar o sol com a peneira, é só uma. Angariar receita. O resto não lhes importa. Dos portugueses eles apenas querem duas coisas. Os votos e o dinheiro.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Licença para cagar

merda.jpg


 


Vão-me faltando as palavras para adjectivar o comportamento dos donos – tutores, pais ou lá o que eles se consideram – que permitem aos seus cães – patudos, anjos, filhos e mais a puta que os pariu – cagar na via pública. Desde que se iniciaram as obras no centro da cidade essa malta ficou com menos espaço para levar a canzoada a arrear o calhau. Vai daí largam a bosta no escasso metro de passeio que resta para a passagem dos peões. Devem achar-se nesse direito, os javardos. Todos os dias são várias as cagadelas, de diversos tamanhos e consistências, que aparecem logo pela manhã numa zona com diversas lojas e de passagem obrigatória para muita gente.


Não é que em termos de merda e de javardice faça grande diferença, mas seria interessante uma entidade qualquer – se calhar uma junta de freguesia, ou isso – encomendar um estudo para saber quantos cães existem na cidade. Depois podia confrontar com a base de dados do registo dos canitos, divulgar as conclusões e agir em conformidade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Inquietação nacional...

Tenho manifesta dificuldade em entender esta constante e generalizada preocupação com o salário mínimo. Se já assim era quando – para não dizer antes – o seu valor se situava nos quatrocentos e quinze euros, provavelmente seria tempo de percebermos que, se após setenta por cento de aumento continuamos com o mesmo problema, a solução não estará no valor que se paga pelo SMN. Parece-me evidente – e já aqui o escrevi em múltiplas ocasiões – que podem aumentar o que quiserem. Para cinco mil euros por mês, se lhes parecer bem, mas tudo permanecerá igual e o SMN continuará a valer o mesmo que valia quando o seu valor eram os tais quatrocentos e quinze euros.


O constante aumento do SMN não tem, como está amplamente demonstrado, produzido qualquer efeito no poder de compra de quem o aufere. Serve apenas, quando muito, para melhorar as contas da Segurança Social. Tem, isso sim, servido para desvalorizar os vencimentos acima. Quem governa, sustentado pela opinião pública e por quase todos os sábios especialistas na especialidade, acha que este é o caminho. A mim, que tal como o outro não tenho biblioteca nem percebo nada de economia, parece-me um disparate. Gostava de estar errado, mas a realidade anda há anos a insistir em dar-me razão.Só

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Inferno fiscal

Captura de ecrã de 2022-09-26 19-44-54.png


Por acaso nunca me aconteceu. Até agora a nenhuma alma caridosa ocorreu a ideia de fazer uma transferência para a minha conta. Mas, se tivesse ocorrido, parece que teria de pagar imposto. A lei que a isso obriga usa o termo “doação”, mas não estou a ver como é que o fisco distingue entre doar e transferir. De referir, também, que a intenção de taxar estes movimentos não é nova e que, muito provavelmente, a receita fiscal resultante destas operações deve andar próxima de zero. O preocupante disto é o falatório que ultimamente tem gerado. Desconfio que é mais uma frente onde o Estado pretende, a curto prazo, meter o bedelho.


Há quem se indigne com aquilo a que chamam paraísos fiscais. Lamentavelmente não conheço nenhum desses alegados lugares idílicos. E tenho pena. O que conheço é o inferno fiscal em que vivemos e a obsessão demoníaca do Estado-Mafarrico em se apropriar do dinheiro alheio. Infelizmente, apesar de sermos um povo maioritariamente católico, poucos se importam de ver os seus rendimentos consumidos nas chamas da fogueira fiscal. Pelo contrário. Há até quem argumente que quanto mais dinheiro arder no purgatório melhor se viverá no paraíso. Crendices de alguns anjinhos-contribuintes. Daqueles que não se importam de dar a outra face. E o respectivo imposto, que o Estado-Belzebu nem com doações se comove.

domingo, 25 de setembro de 2022

E que tal irem viver para a selva?

I.jpg


 


Nunca entenderei o que leva alguém a ter um cão encerrado dentro de casa. Amor pelo bicho não é de certeza. Se fosse não o condenavam a uma vida de clausura apenas interrompida para o levarem a cagar e a mijar na via pública. Quem assim procede, em apartamentos ou outros alojamentos parecidos, demonstra uma total ausência de respeito pelo bicho, pelos vizinhos e pelos demais cidadãos. Por mais que lhes chamem “filhos”, os considerem da família ou proclamem a sua bondade por tanto amarem os “patudinhos” e os preferirem às pessoas, isso não os faz melhores do que os outros. Antes pelo contrário. Apenas realça aquilo que realmente são. Uma merda.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

O que faz falta é divertir a malta!

images.jpg


Tal como acontece em muitas outras localidades, também por cá vamos ter uma espécie de “Feira do Idoso”. Ainda bem, que nisto de festas, festinhas, festarolas e divertimentos diversos não devemos ficar atrás dos demais. Por mim, que faço tudo para não voltar a ser acusado de “não querer é que as pessoas se divirtam”, até acho que devíamos ter mais “feiras”, ou lá o que lhes queiram chamar, desta natureza. Podíamos ter, entre outros, o “Festival do bebé”, a “Semana dos patudos” ou o “Encontro de carecas”. O sucesso, tenho quase a certeza, estaria garantido. Ficam as sugestões. Parvas, concordo, mas isto no que diz respeito a iniciativas autárquicas ainda não é conhecido o limite da imaginação.


Mas, voltando à dita “Feira do Idoso”, tenho uma certa curiosidade acerca do que poderá ser transacionado num certame assim designado. Vão lá estar barraquinhas de venda de raspadinhas, fraldas de incontinência e bancos a promover contas poupança-reformado? Podia, para tirar as dúvidas e porque a bem-dizer já faço parte do público-alvo destas fantásticas iniciativas, ir lá ver in loco. Mas não me apetece. Não vá alguém levar o nome do evento à séria e pretender mesmo levar para casa algum idoso em bom estado. Pelo sim pelo não o melhor é não arriscar. Depois contam-me.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Já ouviram falar do mercado, ou lá o que é?

Muito se tem falado e escrito ultimamente acerca da habitação. Um problema, parece. Todos se queixam. Desde estudantes que não conseguem arrendar um quarto a um preço considerado decente, professores deslocados a quem é pedida uma renda por vezes superior ao vencimento e população em geral à procura de casa. Todos, admito, terão razão nos seus queixumes. Estão, contudo, a direccionar as suas queixas no sentido errado. Não são os senhorios, por mais especulativos que sejam os preços praticados, que têm por missão praticar a assistência social. Essa compete ao Estado. Sem o saque fiscal, que o Estado promove sobre os rendimentos e o património, seguramente seria menos doloroso o acesso ao arrendamento por parte de quem procura e mais atractivo colocar um imóvel no mercado do lado de quem arrenda. A preços minimamente aceitáveis apenas um doido varrido aceita fazê-lo. Por todos os motivos. Desde a fiscalidade à protecção que é dada pela lei aos inquilinos. Gente que, em demasiadas circunstâncias, nem numa caverna merece viver. Quando deixam uma casa, muitos deles largos meses depois de deixarem de pagar a renda, esta fica inabitável. Fruto, por vezes, na harmoniosa imundície em que vivem com cães e gatos ou da manifesta indisponibilidade para limpar o espaço em que habitam. Uns javardos, em suma.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Agricultura da crise

Feijaoverde.jpg


IMG_20220917_190952.jpg


Feijão verde e abóboras. São, por assim dizer, os restos da época de Verão da agricultura da crise. Desta vez com algumas atribulações. Nomeadamente visitas inoportunas dos amigos do alheio, sequência prolongada de dias com calor extremo e ausência de cuidados por períodos demasiado longos terão ditado uma produção abaixo do esperado quando comparado com o ano anterior. Excepção feita às abóboras. Não foram semeadas – as sementes foram incluídas no estrume produzido no compostor doméstico cá de casa – mas, talvez por isso, o resultado foi o melhor de sempre. Resistiram a tudo e, agora que foi necessário arrancar as plantas, ainda havia toda esta quantidade.


Não sei se ainda existem as famosas “hortas urbanas” tão em moda nos anos da troika. Uma necessidade a que os portugueses, coitadinhos, se tiveram de dedicar nos anos de governação de Passos Coelho. Aquele malvado cujo único propósito era levar as pessoas à miséria. Provavelmente agora, que graças ao Costa somos todos ricos outra vez, ninguém precisará dessas coisas. Ou, se calhar, nem haverá tempo para agriculturas. A julgar pelas imagens das festas e romarias a crise não anda por estas bandas, o dinheiro abunda nos bolsos do pagode e a inflação, quando chega a hora de festejar, não é coisa que incomode. Ou, então, é a consequência da mudança dos tempos e das vontades. Antes dava-se terra para cultivar bens comestiveis, agora dão-se “apoios sociais”. Opções.

sábado, 17 de setembro de 2022

Nem todos podem morar na praça...

Captura de ecrã de 2022-09-17 12-48-40.png


 


Segundo a jovem Secretária de Estado da Habitação, citada pelo Público, “toda a gente tem o direito a viver nas zonas mais caras de Lisboa e do país” e que “isso faz-se também com respostas públicas”. “Cabe ao Estado dar essa resposta”. Apesar da chacota de que está a ser alvo, a criatura tem toda a razão. Eu tenho direito a viver onde quiser. Desde que, obviamente, tenha dinheiro para pagar o exercício desse direito. E, não menos obviamente, ao Estado cabe, de facto, proporcionar-me condições para que eu o possa concretizar. Através de políticas públicas que promovam a nossa aproximação ao nível de vida dos países mais ricos, por exemplo.


Vindo de uma socialista o mais certo é não estarmos a ver o problema pelo mesmo prisma. Desconfio que a jovencita estará a pensar numa qualquer maneira de obrigar os proprietários dos imóveis situados nessas zonas, a vender ao preço da uva mijona ou em subsidiar qualquer pelintra que lhe apeteça viver na Lapa ou na Quinta do Lago. Nomeadamente se o pelintra for um camarada.


A malta que chega a estes lugares tem como principal mérito estar na “jotinha” certa, no momento certo. Da vida terão, quando muito, a experiência idílica que lhes terá sido proporcionada pela mesada paterna. Não os condeno por isso nem acho que, apenas por esse motivo, estes cargos lhes estejam vedados. Só lamento que não conversem mais com as avós. Elas de certeza lhes diriam que nem toda a gente pode morar na praça.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Caridadezinha socialista

download.jpeg


Provavelmente muita gente já não se lembra – que isto, como dizia o outro, há muita falta de memória na política e nos políticos – mas convém não esquecer que foi a falta de dinheiro, provocada pela trágica governação do PS que conduziu o país à falência, que levou o governo de então a proceder a uma subida brutal dos impostos, nomeadamente o IRS.


Seria lógico esperar que, numa situação de relativo desafogo dos cofres do Estado, baixar os impostos fosse uma das opções quando se pretende aliviar a pressão que a inflação está a causar nos salários. Mas não. Isso não é coisa que ocorra a um governo socialista muito mais empenhado em governar para as clientelas que lhe garantem a reeleição.


Depositar cento e vinte cinco euros na conta de cada contribuinte vai servir de muito pouco. Servirá, quando muito, de propaganda eleitoral lá mais para frente e, no imediato, para injectar dinheiro nos bolsos dos empresários da restauração. É a caridadezinha socialista. Habitue-mo-nos, que para o ano há mais..

terça-feira, 13 de setembro de 2022

O Taremi é alentejano?

Screenshot_2022-09-13-08-24-15-409_com.facebook.ka


Há quem diga que o país perdeu o sentido de humor. De certa forma concordo. Não se podem fazer piadolas – nem, sequer, um simples dichoteacerca do aspecto físico, da desorientação sexual, da cor da pele, da origem étnica e do que mais calhar de ninguém. Só de alentejanos. Desses podem dizer-se as mais deprimentes graçolas. Ninguém se importa e quase todos acham graça. Menos eu. E - nem peço desculpa pela falta de modéstia – até sou um gajo com um sentido de humor de fazer inveja a muita gente. Não tenho é paciência nenhuma para imbecis como o senhor Jaime Coutinho, mediador de seguros e comentador de futebol no Facebook nas horas vagas. Profundo desconhecedor do país, também. Um tipo que deve conhecer tão bem o Alentejo como eu conheço Pataias. Podia, como bom alentejano, responder-lhe com uma piadola jocosa acerca disso de passarmos o tempo deitados. Mas não o faço. Até porque não sei se o senhor é casado ou se ainda tem mãe.

domingo, 11 de setembro de 2022

Cortar é bom? Depende do "costureiro"...

Que António Costa é um gajo esperto já quase todos sabíamos. Um finório, vá. E com muita sorte, principalmente. Desta vez foi a morte de uma velhota inglesa a ocupar a cem por cento o espaço noticioso – como se o falecimento da criatura tivesse alguma relevância para a vida dos portugueses - e a atirar completamente para fora de órbita o desmascarar do logro das pretensas medidas “anti-inflação”. Nomeadamente para o conjunto de eleitores - os reformados – que mais contribuem para os resultados eleitorais do Partido Socialista. Aquilo, de facto, é de mestre. Representará, num futuro próximo, qualquer coisa de muito semelhante ao tão falado “ir além da troika” quando Passos Coelho sugeriu o tal corte dos seiscentos milhões de euros nas reformas. Sem nunca ter tido a coragem de concretizar, como é público e notório. Presumo, apesar disso, que os reformados terão, quanto a isto, uma indignaçãozinha selectiva e rapidamente perdoarão mais esta afronta ao seu idolozinho de estimação.


O anúncio destas medidas apanhou-me a meio das férias. Não lhe liguei grande coisa, portanto. Também ainda não pensei onde vou esturrar os meus cento e vinte cinco euros. Algo – assim a atirar para o extravagante, espero – me há-de ocorrer. De quem tenho pena é dos donos dos animais. Como já por aí li, se por cada criança “dão” cinquenta euros, também faria todo o sentido darem pelo menos trinta euros por cada cão e por cada gato. Foi pena o Costa ter-se esquecido dessa parte da família.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Terão sido "desperdidos"?

Captura de ecrã de 2022-08-30 22-11-42.png


O patronato capitalista, malvado e causador de todo o mal, despede trabalhadores quando pretende reduzir a massa salarial. Disso – e bem – nos dá conta a comunicação social, que a malta precisa estar informada acerca das manigâncias que esses patifórios andam por aí a fazer a quem trabalha.


Já o Bloco de Esquerda, mesmo quando vê as suas receitas descerem drasticamente, não despede ninguém. Nada disso. Apenas perde funcionários. O que, como toda a gente sabe, é algo completamente diferente.


E é assim o país, segundo a comunicação social que somos forçados a aturar. Depois ainda há quem se admire de serem cada vez menos os que lêem jornais.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Afinal o tamanho importa...

O que têm em comum as ratazanas de Lisboa e os javalis no Alentejo? Pouco, certamente. Excepto ambos constituírem uma praga. Na capital, dada a falta de limpeza, aqueles roedores são mais do que muitos e aqui pelo Alentejo os javalis são mais do que as mães. Uns e outros são um perigo para as pessoas, mas em Lisboa exige-se que a Câmara, as juntas de freguesia ou seja lá quem for extermine aquela bicharada. Já nós, os que por aqui moramos, também gostaríamos que fosse quem fosse abatesse um número muito significativo de javalis, mas parece que cometemos um crime quando defendemos isso. Os defensores dos animais, quase todos mulheres urbano-depressivas, chamam-nos tudo menos pai se ousarmos exprimir essa ideia. Desconheço se o que está em causa é o tamanho do bicho, se a região afectada pela praga ou se a saúde e segurança das pessoas de Lisboa importam mais do que as do restante território.


Das ratazanas de Lisboa não se conhecem vitimas. Dos javalis do interior já se contam umas tantas. No entanto as ratazanas são para exterminar e os javalis para preservar. Afinal uns são mesmo mais iguais que outros. Os animais e as pessoas.

sábado, 27 de agosto de 2022

Guerra especulativa

21645379_Pdg4W.jpeg


De que modo a guerra na Ucrânia influencia o preço da alface no mercado de Estremoz? Esta inquietante questão persegue-me desde que, a meio da manhã, o produtor/vendedor habitual de alfaces me garantiu que o aumento de preço em vinte e cinco por cento, face ao sábado passado, daquele vegetal constituía uma das consequências da invasão da Ucrânia. Perante a minha estupefação – justificada por, de uma semana para a outra, nenhum dos componentes do processo produtivo da alface ter aumentado em valores sequer parecidos com aquela percentagem – acabou por me assegurar que os restantes vendedores de alfaces também praticavam aquele preço e que, portanto, ele não era mais parvo que os outros para estar a vender mais barato. Estratégia que revela claramente a existência um fenómeno de concertação de preços. Procedimento muito usual em todos os sectores de actividade, diga-se, sem que as entidades fiscalizadoras se importem muito com isso.


Não vou, obviamente, comparar o drama da guerra com a carestia de vida. São coisas incomparáveis ainda que a segunda seja, nalgumas circunstâncias, consequência da primeira. Mas, tal como os ucranianos, também a nossa carteira está sob ataque. A subida vertiginosa dos preços constitui, em muitos casos, uma manobra especulativa  sustentada pela ganância. Gosto do lucro, aprecio o mercado e não vou pela conversa do camarada Jerónimo e outros malucos que defendem o tabelamento dos preços. Nem mesmo o da alface. Prefiro o principio da livre escolha. Eles escolhem especular e eu escolho plantar as minhas próprias alfaces.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Dia do cão de apartamento

HPIM0074.JPG


Diz que hoje há quem ache que se comemora o dia do cão. Não sabia da alegada efeméride. Nunca tinha lido ou ouvido nada acerca da pretensa comemoração de mais esta idiotice. Conheço é o “dia de cão”. Uma expressão caída em desuso e da qual já poucos conhecem o significado. Ou, então, atribuem-lhe um sentido completamente diferente atendendo à vida regalada que a canzoada leva hoje em dia.


Por mim podem comemorar o que muito bem entenderem. Mas podiam aproveitar a data para fazer alguma coisa de útil. Limpar a merda dos passeios ou desinfectar os postes e as paredes confinantes com a via pública usados como mictórios caninos e que constituem verdadeiros viveiros de pulgas. Mas não aproveitam. De certeza que preferirão praticar outras actividades. Todas muito modernas, civilizadas e reveladoras do seu amor pela bicharada. Até porque, como eles dizem citando o Gandhi, “a grandeza de um país e o seu progresso podem ser medidos pela maneira como trata os seus animais”. Se, ao entrar num prédio, levar com um bafo a cão e ouvir uma sinfonia de uivos constituir um indicador desse desenvolvimento, então, de certeza que estamos no rumo certo quanto a isso do progresso e da grandeza. Ao nível da estupidificação, pelo menos.

terça-feira, 23 de agosto de 2022

O inalienável direito a ser maluco

Captura de ecrã de 2022-08-23 19-36-58.png


Actualmente cada um identifica-se como muito bem lhe apetece. Há homens que se sentem mulheres, mulheres que se identificam como homens, pessoas que se sentem animais e toda uma panóplia de situações cujo limite é apenas o da imaginação. Todos exigem que as suas escolhas sejam respeitadas e o legislador a todos tem feito a vontade. E, naturalmente, muito bem que isto o que importa é que cada qual se sinta feliz. Se, por exemplo, o meu vizinho me garantir que é um balde de merda e exigir ser tratado como tal, é óbvio que terei todo o gosto em lhe fazer a vontade, que eu cá não sou de desrespeitar ninguém.


Tenho, reitero, o maior respeito por toda esta gente. Eu próprio, confesso, não me sinto identificado com o que insistem em identificar-me. Sinto-me um funcionário público com setenta anos, mas, ao contrário de todos os outros malucos, ninguém me leva a sério. A começar pela Caixa Geral de Aposentações. Para já não falar dos gajos do cartão do cidadão. Por mais que lhes garanta que me sinto um septuagenário, insistem em não reconhecer essa minha condição. Já se fosse para mudar de sexo ai deles que me contrariassem... e depois ainda dizem que não há discriminação. Ai não, que não há.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Barrasquices...

Uns quantos cidadãos estrangeiros terão ido, propositadamente, de Lisboa a Santarém com o intuito de gozar as delícias decorrentes da utilização de um parque aquático. Uma decisão aceitável, pese a maçada da deslocação. Mais difícil de aceitar é terem decidido que iam usufruir daquilo, incluindo a parte da água, inteiramente vestidos. Situação que, diga-se, começa a ser normal mesmo entre os portugueses. Por cá já ocorreram cenas parecidas. Mas, por maior que seja a compreensão manifestada pelos média ou outros defensores de todas as minorias, ir com a roupa que se traz vestida para dentro de uma piscina é completamente parvo. E próprio de javardos, também. Aquilo, graças aos produtos químicos com que tratam a água, estraga a fatiota toda em menos de um  ápice. Embora isso, obviamente, seja problema deles. O que incomoda os demais utentes é a “barrasquice” associada a esse comportamento. Por muito bonito que seja o multiculturalismo, o respeito pelas regras de higiene e a saúde pública são muito mais. Até porque, em matéria de lavagem de roupa, não consta que as lavandarias tenham uma prática discriminatória.

sábado, 20 de agosto de 2022

E as empoderadas do regime, não dizem nada?!

Captura de ecrã de 2022-08-20 17-45-33.png


Adia e continuará a adiar. À esquerda, sempre com a boca cheia de racismo, xenofobia, direitos e o que mais lhe convém no momento, este assunto importa pouco. Até porque, resolver-se ou pelo menos mitigar o problema, seria menos uma “bandeira” do Chega. O que, como toda a gente sabe, não interessa nada ao PS. Nem, tão-pouco, às inúmeras feminazas que por lá andam. É que isto do feminismo é muito giro, mas apenas quando podemos considerar opressor quem nos dá jeito.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Agricultura da crise

IMG_20220817_194926.jpg


IMG_20220809_230619.jpg


Vá lá perceber-se esta coisa da agricultura. O intenso calor que nos tem andado a chatear – já perdi a conta aos dias com temperaturas acima de quarenta graus – não tem ajudado nada a produção da agricultura da crise. A cebola e os tomates, ainda assim, foram os que melhor se aguentaram. O resto ficou tudo a atirar para o estiolado. Menos as abóboras - nasceram por acaso, ser serem semeadas – e a erva. A esta última não há calor que a incomode. Cresce por todo o lado e medra de dia para dia. Erva daninha, bem entendido, para lamento daquela malta das furgonetas brancas que se agarra a tudo o que pode. E doutra, também.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Não roubarás o saco de plástico alheio

IMG_20220814_105626.jpg


 


Quem nunca roubou um saco de plástico que atire o primeiro impropério. Desde que um ministro do ambiente esparveirado – um tipo que um dia destes queria ser lider do PSD - se lembrou de criar uma taxinha sobre os sacos de plástico, estes praticamente desapareceram das grandes superfícies. Daí que os que ainda se podem usar sem pagar uns cêntimos em beneficio do Estado-ladrão tenham uma procura significativa. Será o caso. Já terão roubado tantos que o comerciante se viu forçado a apelar que não lhe roubem mais. Desconheço se do apelo resultou uma menor actividade furtiva. Se calhar não. É como a taxa. Também não resulta. O que cobram mal dá para pagar ao assessor Figueiredo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Divagações ao Sol

Um dos muitos famosos – ou vagamente conhecidos, vá - que por aqui têm segunda, terceira ou quarta habitação perorava um destes dias acerca do estio que se faz sentir por estas bandas. Entre outros considerandos o homem manifestava o seu lamento pela pouca abundância de árvores no espaço urbano. Coisa que, até porque se mete pelos olhos dentro, salta à vista de qualquer um. A menos que se seja vítima de cegueira ou se pertença ao conjunto de políticos que, no último meio século, tem governado o concelho.


Parece, desde que me lembro, que existe por aqui uma estranha aversão às árvores. De todos. A população, auscultada sobre o assunto, opta por um arranjo do Rossio – um dos maiores largos do país - que não contempla, para além de uma pila de dinossauro espetada no meio, uma única árvore num espaço equivalente a dois campos de futebol. Pior, chegou-se mesmo ao ponto de abater árvores em zonas habitacionais só porque os pássaros que nelas se acolhiam cagavam os carros aos moradores e as folhas sujavam os respectivos jardins. Não há inocentes nisto. Nem os políticos, que preferem fazer festas, festarolas e festinhas ou espalhar betão por todo o lado, nem nós os cidadãos que os elegemos e, qual os temerosos das trovoadas, apenas nos lembramos das árvores quando o calor aperta. Estamos bem uns para os outros, portanto.


Quanto ao resto do artigo, não acompanho os demais considerandos que o autor – no caso o senhor José António Saraiva - tece ao longo da sua escrita. Estremoz não era, à época que refere, uma cidade mais pobre do que qualquer outra, nem os seus habitantes trajavam uma indumentária diferente do que eram, na época, os ditames da moda. Nem desconfio de onde é que o cavalheiro em causa tirou esta ideia, mas, se calhar, foi só para encher mais uma linhas. Se receber ao “caracter” qualquer parvoíce dá jeito.