quinta-feira, 9 de junho de 2022

Costa, o engraçadinho

Começo a achar piada ao Costa. O cavalheiro, a quem ao principio não achava graça nenhuma, está a ficar com um finíssimo sentido de ironia que começo a apreciar. A última graçola foi aquela do aumento de vinte por cento para os salários médios. O que eu me ri. O homem está a ficar com umas piadolas muito giras. É que ele nem disse que daria o exemplo aumentando os funcionários públicos. Nah...pelo contrário, até mandou a rapaziada do partido dele na Assembleia da República votar contra uma proposta de aumento de quatro por cento! Um pandego, este Costa.


Mas a ideia é uma boa ideia. O primeiro ministro deve ter feito umas contas por alto e idealizado a coisa mais ou menos assim.À conta da inflação a receita do iva vai aumentar uns dez por cento e se os salários subirem vinte as receitas do irs e da TSU crescem outro tanto...desta vez é que os cofres ficam mesmo cheios, como dizia a outra, para poder esturrar dinheiro à vontadinha!”. Que é das poucas coisas que os socialistas sabem fazer bem feito. Isto agora já sou eu a dizer, claro.


Obviamente nada nisso irá acontecer. Nem, em bom rigor, é necessário que aconteça. Basta que o piadista do Costa reduza o IRS para um nível em que aquilo que o Estado nos surripia todos os meses não pareça uma anedota.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Presidente de "bancada"

Exercer o poder - seja qual for o âmbito da actividade - durante muitos anos nunca é boa ideia. Para ninguém. Nomeadamente para quem insiste em permanecer num cargo para além de um período de tempo bastante superior ao razoável. Quem insiste nesse disparate tem tendência a confundir a instituição com ele próprio, a sua vontade com as regras que determinam o funcionamento da mesma e as criticas ao seu exercício como ofensas pessoais.


Independentemente dos erros que lhes possam ser apontados - quem tem de decidir cometerá, inevitavelmente, muitos pois é impossível decidir sempre bem - são, quase sempre, pessoas com obra feita. A maioria, até, merecedoras de sair da instituição pela porta grande. Mas não. Não conseguem. Insistem em permanecer no “poleiro” ainda que o seu prazo de validade tenha expirado há muito. Depois, quando corridos - o que acontece com frequência a esta gente - é a instituição que não consegue sair deles. Mesmo de fora insistem em dar bitaites, em dificultar a vida a quem lhes sucede e, em suma, a interferir de forma negativa na instituição que juraram servir.


Luís Filipe Vieira não será o último a percorrer este caminho. Outros já o fizeram antes e outros o farão depois. Que o mediatismo das acções desta criatura sirva, ao menos, de exemplo aos endeusadores dos “Luíses” desta vida.

terça-feira, 7 de junho de 2022

"É cultura, estúpido!"

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De arte percebo muito pouco. Nada, vá. Apesar desta minha confessa ignorância, cheira-me que isto deve estar relacionado com uma qualquer actividade cultural, artística ou lá o que chamam a essas cenas onde pessoas esquisitas fazem coisas estranhas. Pouco me admiro se disserem que é cultura. Deve ser, deve. Por mim não era preciso tanto trabalho para reservar a mesa do piquenique.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Reconhecer o óbvio...

Acho hilariante o frenesim que as entrevistas de Cavaco Silva provocam em diversos sectores da sociedade portuguesa. Nomeadamente naqueles que já tinham idade para ter juízo quando o homem foi primeiro-ministro. Quanto aos outros, os que não tinham idade para isso ou nasceram depois, até os compreendo. Apenas conhecem a criatura dos tempos em que foi presidente da República e daí, de facto, as memórias não podem ser boas.


Admito que, por convicção ideológica, não tenham gostado do rumo que o país seguiu durante o cavaquismo. Isso é normal e salutar. Era o que mais faltava pensarmos todos da mesma maneira. Há, até, quem ainda hoje suspire por uma revolução “bolchevique”, quem acha que Vasco Gonçalves chefiou o melhor governo de sempre e outros - nalguns caso até são os mesmos - que desejam ser governados pelo Ventura. As ideias são o que são. Os factos, também. E tal como eu reconheço que uma ou outra vez o clube do porto merece ser campeão porque joga melhor do que os demais competidores, também não ficava mal aos adversários do Cavaco reconhecerem que o cavalheiro foi muito melhor governante do que esta tralha toda que depois dele por aí tem andado. Podiam detesta-lo na mesma, que uma coisa não impede a outra. Eu também continuo a ser do Benfica...

sábado, 4 de junho de 2022

Os “meus” mesmos são outros

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“Não podem ser sempre os mesmos a pagar”, vão hoje berrar una quantos patetas. Poder podem, mas não deviam. Nisso, ao menos, estamos de acordo. Fazer incidir o foco da austeridade sempre sobre os mesmos não me parece nada bem. O problema é que o conceito de “mesmos” afigura-se diferente consoante a perspetiva. E a minha é claramente diferente daquela que é protagonizada pela esquerda barulhenta. O meu conceito de sacrificados pelo pagamento das “favas” inclui aqueles que, trabalhando, ganham setecentos, oitocentos ou mesmo mil euros, pagam uma barbaridade de impostos e não têm aumentos quase há vinte anos. Diferente, muito diferente, do que é propalado pela esquerda em geral, desde o governo ao BE, que só se preocupa com quem não paga impostos, tem tudo e mais um par de botas à borla e, no mesmo período de tempo, viu o seu vencimento - SMN - crescer quase cem por cento. Os mesmos que pagam a crise também não são, seguramente, os reformados que auferem dois ou três mil euros e, ainda assim, para os quais a esquerda “orientou” um aumento.


É desta demagogia que se alimenta o PCP. Obviamente que não consegue enganar o eleitorado. Quase toda a gente já percebeu quem é que, de facto, paga a crise. Daí que precise de se disfarçar. Criar organizações fantoches e arregimentar palhaços constitui uma estratégia que pode ter resultado há quarenta anos, mas que hoje não engana ninguém. Até porque os palhaços estão velhos, de cabelos e barbas brancas, quais pais-natal. E nesses já nem as crianças acreditam.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Prioridadezinhas...

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Os portugueses têm dos políticos a imagem que são gente pouco dada ao trabalho, com níveis de seriedade muito baixos e apenas preocupada em resolver os problemas próprios e de quem lhes está próximo. Quando a apreciação envolve os deputados, até pela natureza da sua função, a análise ainda é mais negativa. Injustamente, na maior parte das circunstâncias, que isto há muito filho de muita mãe na política e em todos os outros lugares.
Tenho, no entanto, a certeza que os “avaliadores” do desempenho da classe política não são melhores do que aqueles a quem direcionam a sua indignação. Veja-se este exemplo. Entre as muitas petições dirigidas ao parlamento encontram-se uma que pede justiça pela morte de um cão e outra pelo fim da evasão fiscal. Foram submetidas com poucos dias de intervalo entre ambas, mas uma delas conta com 4787 assinaturas e a outra com 55. Não preciso de escrever que número corresponde a qual. Nem, tão-pouco, tecer qualquer comentário acerca da seriedade, dos valores e das prioridades da generalidade da tugalhada.

terça-feira, 31 de maio de 2022

Não há cá neutros...

Nisto da agressão criminosa da Rússia contra a Ucrânia não faltam os especialistas na especialidade. Inclusive os especialistas em neutralidade. Que, diga-se, são os piores. Porque, lá bem no fundo, eles sabem tão bem como nós que isso da neutralidade não passa, neste caso, de mera retórica repleta de hipocrisia. Ou como diria, com as devidas adaptações às circunstâncias, um dos maiores malucos que governou este país, “não há cá neutros, ou se está com a revolução ou se está contra a revolução”. São estes neutros que me deixam confuso. Ora dizem que as sanções da Europa contra a Rússia podem ser consideradas um acto de agressão e conduzir a uma resposta militar dos russos, ora garantem que as ditas sanções até são boas para o país agressor, exultando pelo facto de os cofres do Kremlin estarem a receber valores nunca antes vistos provenientes do comércio com o resto do mundo. Convém que se decidam e nos esclareçam se, na sua douta opinião, as sanções são boas ou más. Não é que as opiniões deles tenham qualquer espécie de relevância. Não passam, afinal, de tentativas falhadas de manipular incautos, mas, ao menos, evitavam fazer figura daquilo que são. Indigentes mentais.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Oportunistas de serviço

Parece que temos uma estranha necessidade de imitar tudo o que os espanhóis fazem. Especialmente as parvoíces. Agora deu-lhes, lá no parlamento, para com o sentido de oportunismo que lhes é característico, propor a semana de quatro dias e a licença menstrual. Nem vou estar para aqui a dissertar acerca das inegáveis vantagens da primeira proposta e da possível bondade da segunda. Isso fica para os especialistas nestas especialidades que, em breve, se pronunciarão sobre a temática. Mas, conhecendo relativamente bem o funcionamento da administração pública, não sei se os portugueses, mesmo aqueles que aplaudem estas medidas, estarão a ver bem o esforço fiscal que vão ter de fazer. É que, assim de repente, já estou a imaginar a quantidade de gente que vai ser necessário contratar para compensar os – pelo menos – sete dias por mês que as funcionárias públicas vão deixar de trabalhar. E nem vale a pena pensar que a medida apenas se aplicará a algumas. Todas irão ter dores horríveis. Será como a “gravidez de risco”. Hoje, no sector público, raramente existe uma grávida que não seja de risco e, por conta disso, esteja larguíssimos meses sem bulir.


Podem, reitero, ser duas medidas simpáticas, justas e cheias de boas intenções. O pior é o resto. Por mim, se tivesse uma empresa, sei o que faria. Os empresários, acredito, também.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Irritação, precisa-se

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Calculo que os meus leitores já terão reparado que, de há tempo a esta parte, tenho escrito aqui no Kruzes muito menos do que era habitual. O alivio que lhes tenho proporcionado deve-se, por um lado, à agricultura da crise e, principalmente, aos baixos níveis de irritabilidade de que ando a padecer. Quem me segue com regularidade já terá percebido que a irritação inspira-me. Torna-me os dedos mais leves, digamos assim. Coisa que, ultimamente, não tem acontecido. Apesar de temas capazes de despoletar a minha ira surgirem quase todos os dias, estou com manifesta dificuldade em irritar-me. Oxalá isto passe depressa. É que começo a ficar preocupado. Para que se perceba a dimensão do drama, nem sequer me consigo irritar com aquelas pessoas – e, espantosamente, são muitas - que insistem em chamar palhaço ao presidente da Ucrânia, apesar de terem votado no Marcelo. Sei que é esquisito, mas só me consigo rir. As melhoras a mim, porque essas criaturas são casos clinicamente perdidos.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Reduflação

Diz que estamos a voltar a padecer de uma maleita social que andou desaparecida durante decadas. A r. Uma artimanha que consiste na redução da quantidade de certo produto sem diminuir o preço. Uma prática que não é ilegal, já avisaram os especialistas na especialidade, se o peso ou as medidas do produto corresponderem ao anunciado na embalagem. Nada de novo, a bem-dizer. Sou do tempo em que o “pão de quilo”, por não poderem aumentar o preço, passou a ter oitocentas gramas e o pagode, só para chatear e não ser levado por parvo, passou a pedir “um quilo de pão”. Durante um tempo um ou outro vendedor menos manhoso cedeu ao pedido do “contrapeso”, mas isso caiu em desuso e hoje, desconfio, se um panito pesar setecentas gramas já vamos com sorte.


Os donuts são outro bom exemplo. Aquilo do buraco no meio não está ali por acaso. Mas a solução não está em legislar sobre embalagens, pesos ou medidas nem em fixar preços. Isso, mais cedo do que tarde, dá sempre muito mau resultado. Sempre assim foi e sempre assim será. O mal menor será deixar funcionar o mercado. Gostemos ou não, esta problemática não tem solucionática.

domingo, 22 de maio de 2022

De "estripanço" percebem eles...

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Apesar da retórica oficial basta uma rápida passagem de olhos pelas redes sociais para se perceber, relativamente à invasão russa da Ucrânia, de que lado está o partido comunista. Os militantes, simpatizantes, apaniguados ou lá o que sejam, podiam, até para evitar males maiores para aquele já de si minúsculo e irrelevante grupelho, fazer de conta que a leste não se passava nada. Mas não. É-lhes impossível conter a admiração que nutrem pela Rússia, por Putin e por tudo o que os faça recordar os seus tempos de juventude em que sonharam impor em Portugal uma ditadura comunista igual à que foi corrida a pontapé pelos povos daquela zona da Europa. Levam o dia no Facebook a papaguear até à exaustão a propaganda do Kremlin. Aos mais velhos até os compreendo. Coitados. É inútil contrariá-los ou chamá-los à razão. Fazê-lo só piora as coisas. Já a minha avó me avisava para nunca contrariar nem um bêbado nem um maluco. Mas também há comunistas mais ou menos jovens a defender a causa putinista. Gente inteligente, culta e geralmente bem informada acerca de tudo o que envolve esta guerra. Sabem tanto, mas tanto, que mesmo qualquer criatura, natural ou que sempre tenha vivido naqueles países, é considerado um perfeito ignorante se, como acontece quase sempre, manifestar o seu repúdio pelas opções politico-militares russas. Consideram-se, cheios de convicção, gente de outra estirpe. Quanto a isso estamos de acordo.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Deixem os velhinhos raspar à vontade!

Esta mania, tão apreciada pelos portugueses, de o Estado se meter em todos os aspectos da nossa vida aborrece-me profundamente. Hoje é um organismo qualquer – oficial, presumo, dado que tem como líder um destacado militante socialista – que vem propor uma comissão para analisar o impacto social das raspadinhas. Podia ser para estudar uma coisa séria. Como a influência do IRS no miserabilismo dos salários, por exemplo. Mas não. A preocupação tem antes a ver com o alegado vício de reformados e outros desfavorecidos em relação aquele jogo de azar da Santa Casa. O que, para além das maleitas de carácter social, até faz com que os coitados estejam a ser sujeitos a uma espécie de imposto, alegam os especialistas em vícios de pobrezinhos, velhinhos e outros coitadinhos.


Esta perspectiva acerca do comportamento dos cidadãos que investem em lotaria instantânea cheira-me, entre outras coisas, a discriminação no âmbito da jogatina e do comportamento em geral. Pode haver - e provavelmente haverá - muita gente a esturrar a reforma ou o rendimento mínimo em raspadinhas. Tal como outros esbanjarão o que têm e não têm no casino, nas apostas on-line, nas putas, em viagens, em carros ou naquilo que a imaginação lhes ditar. Ninguém quer saber. Só, pasme-se, os velhinhos e os pobres é que não podem fazer o que bem lhes apetece dos seus rendimentos sem que venha logo alguém apontar-lhes o dedo e criar comissões que estudem a maneira de os impedir de raspar em busca da sorte. Se isto não é discriminação, então, temos de rever o conceito do que se entende por discriminar. Ou, se calhar, é ainda pior. Quiçá a ideia seja, um dia destes, generalizar aquela cena do “Regime do Maior Acompanhado” às pessoas a quem o PS o Estado acha que andam a raspar em demasia...

domingo, 15 de maio de 2022

Dados há muitos...

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Não percebo nada dessa coisa de que tanto se tem falado nos últimos dias. Os metadados, ou lá o que é. Diz, assim grosso modo, que é uma cena capaz de dar um certo jeito para apanhar criminosos. O pior é que não pode ser usada. Ao que parece uns juízes quaisquer, a atirar para o bota de elástico, não terão achado boa ideia usar essa modernice na caça aos meliantes. Num momento de rara sagacidade, possivelmente maravilhados com a sua própria genialidade, acharam que a decisão era tão boa que seria uma pena aplica-la apenas em casos futuros. Daí decidiram que também conta para o passado. Lamentavelmente quando apreciaram a constitucionalidade dos cortes do subsídios de férias e de Natal não ficaram tão impressionados com o seu brilhantismo e, nessa altura, entenderam que a sua sábia decisão apenas valia para o futuro. Coerentes, estes cavalheiros.


Quem, consta, beneficiará deste beneplácito da justiça será aquela malta que andava para aí a aceder a dados dos utilizadores mais incautos do MBWay. O que pode levar um tipo como eu - que, recordo, sou um perfeito alarve em cenas como leis, dados, justiça e mais um imenso rol de áreas que me escuso de enumerar para não cansar quem me lê - a concluir que esses podem aceder aos dados que quiserem sem problemas nem constrangimentos de ordem constitucional.


Assim de repente - ainda que não tenha nada a ver com o restante conteúdo do texto - ocorreu-me aquela tirada do cidadão de etnia cigana para o causídico que o representava: “Ó sr. doutor, há lá alguém mais sério do que um cigano ou um advogado!”. Não tem, reitero, relação nenhuma com o post nem sei, a bem dizer, porque me fui lembrar disto.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Kuriosidades

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Curiosa, muito curiosa mesmo, a intuição que levou um canito a escolher este local para arrear o calhau. Para além da opção, saliente-se igualmente a pontaria do bicho. Nomeadamente quando anda por aí tanta gente a “cagar fora do penico”. Não é para qualquer um, seja qual for o número de patas em que se locomove. 

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Fátima, futebol e falcatruas

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Não consta que a Senhora de Fátima seja portista ou, sequer, se meta em política ou assuntos futebolísticos. Terá, quando muito, intercedido a nosso favor quando de um derrame de petróleo, ocorrido já lá vão uns anos, ao largo da Galiza. Mesmo assim o treinador do Porto fez questão de lhe agradecer as alegadas graças recebidas e que lhe permitiram ganhar o campeonato do pontapé na bola. Fez bem, o cavalheiro. Se bem que essa parte do cavalheiro, atendendo ao seu comportamento dentro dos estádios de futebol, não passa de um eufemismo mal-enjorcado. Mas, reitero, fica-lhe bem o agradecimento. Até porque Fátima e futebol têm, desde o início de ambos, muito mais em comum do que aquilo que se pode suspeitar. Os pastorinhos da Cova da Iria e os árbitros portugueses comungam uma capacidade visual muito peculiar, chamemos-lhe assim, para ver coisas que mais ninguém vê.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Agricultora da crise

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Cavar este quintal fazia parte das penalizações que me eram aplicadas quando, alegadamente, o meu comportamento de adolescente ultrapassava as linhas vermelhas da tolerância paterna. Outros tempos que, provavelmente, motivaram a minha aversão ao uso da enxada. Hoje está como a “vista aérea” mostra. Não por obrigação, mas antes porque posso, quero, me apetece e, principalmente, graças à minha Maria. A verdadeira mentora desta cena da agricultura da crise. É ela que domina a técnica e que dá a táctica.


Graças a isso a época agrícola anterior foi um sucesso. Poderá ter sido, também, sorte de principiante, mas a menos que alguma praga indesejada - como todas as pragas - entre por ali, a expectativa é que a coisa se repita. Para já está tudo com bom aspecto. Assim as toupeiras, os gatos e outros chegadiços não aborreçam em demasia.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Ou há moralidade...ou invadem todos!

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Segundo Lula da Silva, essa espécie de ídolo dos comunistas de várias origens, “Zelensky é tão responsável pela guerra na Ucrânia como Putin”. Visto assim parece uma posição moderada. Não falta gente a considerar o presidente ucraniano muito mais culpado e, até, o único culpado pela invasão russa a um país soberano.


Esta posição sobre o conflito suscita, nas redes sociais, um sentimento de concordância por parte de um vasto número de comentadores e seguidores da criatura. Se um meliante lhes entrar em casa, roubar tudo e arrefinfar uma valente carga de porrada podemos repartir as culpas, certo? É só para saber se posso enveredar pelo mundo do crime sem que isso me traga problemas de índole moral...

quarta-feira, 4 de maio de 2022

(Im)postos de irritação

Longe de mim estar para aqui a defender a regulação de preços. Seja dos combustíveis, do pastel de nata ou do rissol de camarão. Até porque isso é muito bonito no principio mas todos sabemos como acaba. Ainda assim percebo a indignação dos consumidores, do governo e dos especialistas da especialidade por a descida do ISP, em lugar de se reflectir na algibeira dos automobilistas, ter ido parar ao cofre das gasolineiras. Também eu já me indignei por a redução da taxa de iva da restauração não ter tido repercussão no preço do bitoque e o diferencial do imposto ter ficado na posse dos taberneiros.


É por estas e por outras que, ao contrário da maioria, não alinho naquela tese enviesada da injustiça dos impostos indirectos. Alegam, em defesa da sua teoria, que este tipo de imposto é cego perante a pobreza ou a riqueza dos seus pagantes. Não concordo nada. Primeiro porque quem mais consome é, normalmente, mais rico e logo pagará mais e, em segundo lugar, quando, como neste caso, há redução da tributação ela vai sempre para o vendedor e apenas muito raramente e em pequena parte para o consumidor.


Justa seria a redução do saque fiscal que incide sobre os rendimentos. Nomeadamente o trabalho, a poupança e o investimento. Esse sim, ficaria no bolso das vítimas. Que, se assim o desejassem, podiam gastá-lo a comprar bens e serviços em que pagariam os tais impostos indirectos. Enquanto assim não for podem continuar a chorar lágrimas de crocodilo. Os tais capitalistas de quem ninguém gosta agradecem.

domingo, 1 de maio de 2022

Sindicatos, os melhores aliados do fisco.

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A CGTP – aquela organização que está para o PCP como, no futebol, o Portimonense está para o Porto – apresenta no seu cartaz evocativo do primeiro de Maio um conjunto de reivindicações muito jeitoso. Não desfazendo, como gostava de dizer a minha avó. Lamentavelmente esqueceram-se, como sempre, de reivindicar uma redução da carga fiscal sobre o trabalho. Mas, para isso, seria preciso que esta organização tivesse um pingo de seriedade e deixar de apenas se preocupar em constituir um boneco de ventríloquo do PCP.


Tenho a certeza que, por aquelas bandas, sabem fazer contas. Sabem, por isso, muito bem que cerca de metade da reivindicação de um aumento de noventa euros para cada trabalhador levaria sumiço por causa dos impostos. No caso de alguém que aufira mil euros mensais – casado, dois titulares e sem filhos mas dá igual ou parecido noutra qualquer situação – passaria de um vencimento liquido de 777,00€, para 827,31€. O que daria para o trabalhador um acréscimo na carteira de 50,31€ e para o Estado um aumento de receita de 51,17€. Se calhar é por causa destas contas manhosas que cada vez mais trabalhadores conseguem um aumento do rendimento liquido por via da desfiliação sindical e consequente poupança do valor da quota.

sábado, 30 de abril de 2022

Choldra de putinistas

Ucranianos recebidos em Câmara da CDU por russos pró-Putin”. Sinceramente não vejo, assim de repente, onde está o drama ou motivo para esta escândaleira generalizada que para aí vai. Em Lisboa, na gestão do atual ministro das finanças, não havia também uma intima colaboração com a Rússia? E se, na Câmara de Setúbal, os refugiados tivessem sido recebidos por técnicos portugueses que garantias existiam que os tugas não eram putinistas? Atendendo a que se trata de uma autarquia dominada pelos comunas isso seria mais do que provável.


Convém ainda lembrar que o partido que tem este comportamento esteve ligado ao poder nos últimos quatro anos. Coisa que não incomodou minimamente os portugueses. Pelo contrário, a maioria até gostou. Tal como convém não esquecer que, mesmo não votando neles, quase toda gente  considera que o pcp faz falta à democracia. Daí que Portugal devesse constituir um destino a evitar por aqueles que fogem dos russos. É que, inacreditavelmente para um país que anda sempre a berrar pelos “valores de Abril”, Putin tem neste lugar mal frequentado um imenso rol de admiradores. Gente de quem devemos desconfiar, que aquelas almas são capazes de vender a mãe ao Kremlin.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Alarvidades fiscais

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O IMI não será o imposto mais estúpido do mundo mas andará lá perto. Depois de construído e vendido não há nenhuma razão plausível para cobrar um imposto sobre um imóvel. Que, como o nome diz, está ali sem se mexer ou causar despesa a ninguém para além do proprietário. Mesmo aquele argumento que o IMI tem como contrapartida os benefícios que os proprietários recebem com obras e serviços que as autarquias proporcionam, não passa de uma falácia. Primeiro porque as receitas dos municípios não podem – salvo as excepções legalmente tipificadas, como os fundos comunitários e os empréstimos – ser consignadas a nenhuma despesa e, segundo, porque as câmaras gastam o dinheiro deste e de outros impostos onde muito bem lhes apetece. Nem sempre, como às vezes sucede lá para o norte, a proporcionar obras ou serviços aos proprietários dos imóveis.
Mas se o IMI é um imposto bastante alarve, outros tributos que têm como destino as autarquias não são menos. Veja-se, por exemplo, a taxa de resíduos sólidos. O objectivo é taxar o lixo, mas o seu valor é calculado em função da água consumida. Ou seja, mesmo quem não deposita um grama de resíduos no contentor, assim que abre uma torneira já está a pagar a tal taxa. O facto de ter um compostor onde produzo o composto para a agricultura da crise não reduz em nada o valor da TRU que pago. Alguém que não recicle e encha o contentor de lixo, se gastar pouca água, pagará muito menos.
Na nossa fiscalidade outros exemplos haverá da alarvidade de quem inventa estas cenas. A culpa também é nossa, que aceitamos pacificamente que nos roubem à descarada. É que, nunca como agora tanta gente gostou de pagar tantos impostos.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Agricultura de 25 de Abril, só hoje!

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O meu jeito para romancear é praticamente nulo. Daí que, embora nutra um especial apreço pelos acontecimentos que hoje se comemoram, nunca me deu para dizer que o vinte cinco de Abril é isto ou aquilo e representa seja lá o que for. Até porque seria mentira. Aquilo foi um dia como outro qualquer. Diferente apenas por um grupo de militares, com a complacência de todos os restantes, o ter escolhido para acabar com um regime que já chateava toda a gente. As odes que entoam à data não significam nada e servem só para entreter o pagode. O que resultou daquele dia – ainda que nos meses seguintes tenham tentado acabar com ela – foi a democracia. Algo absolutamente normal na parte do mundo em que vivemos.


Ao contrário dos oprimidos e explorados, do proletariado e da classe operária, dos trabalhadores e do povo, não fui celebrar a coisa. Em vez de cravos manuseei outras plantas. Entre colheitas e sementeiras, foi também dia de plantação de tomate e cebola, lá na agricultura da crise. Algo mais útil, convenhamos. Ou não fosse a terra de quem a trabalha e a sopa de tomate - bem como a bela da salada - que daqui possam resultar, uma conquista de Abril.

domingo, 24 de abril de 2022

E que tal fazer contas antes de reivindicar?

Ninguém pode colocar em causa o papel dos sindicatos. A sua importância é por demais evidente e toda a gente, incluindo os empresários dignos desse nome, reconhece que são essenciais numa sociedade democrática. Já relativamente a alguns sindicalistas – praticamente todos, quase me atrevo a escrever – a sua imprescindibilidade é muito questionável. A sua maioria – se não todos, se calhar – não passam de comissários políticos que estão muito mais preocupados em defender e promover as políticas dos respectivos partidos do que em defender os interesses daqueles que, alegadamente, representam. Pouco admira pois que, nos últimos anos, o número de trabalhadores sindicalizados tenha caído em várias centenas de milhares.


Será, certamente, uma mera coincidência, mas as reivindicações dos sindicatos da CGTP reflectem sempre as propostas apresentadas, uns dias ou umas semanas antes, pelo PCP. Não são capazes de inovar. Ou, se calhar, não têm autorização para isso. Daí que, por exemplo, nunca um sindicato tenha reivindicado a diminuição do IRS. A UGT – onde, no caso, o PCP pouco manda – até admite negociar aumentos de 1,3 por cento para a função pública. Ora não é preciso ser sindicalista, nem um inteligente esquerdista, para saber o que acontece a um vencimento que tenha um aumento dessa grandeza. 


Apesar destes cenários reivindicativos, reitero, os sindicatos continuarão a ser imprescindíveis. As marionetas partidárias disfarçadas de sindicalistas, nem tanto.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Agricultura da crise

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Estamos assim pela agricultura da crise. Mais uma colheita de cenas diversas de origem vegetal. Algumas de que nem sou especial apreciador, mas isto, já dizia a minha avó, tem de ser à vontade de todos os intervenientes no processo produtivo. A terra a quem a trabalha, as favas são para quem as come – que não eu – e o quintal não é do povo nem, por enquanto, de Moscovo. A labuta continua!

terça-feira, 19 de abril de 2022

Coerência ou a vã glória de definhar

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Há quem, mesmo não sendo comunista, veja no PCP um poço de virtudes. Nomeadamente ao nível da coerência, qualidade que enaltecem com algum enlevo e manifesta admiração. Não me incluo nesse grupo. Onde outros veem virtude eu vejo burrice, teimosia e ideias políticas repugnantes, por já terem dados provas consistentes em todos os lugares onde foram postas em prática, que condenam os povos à desgraça.


Esta coisa da Ucrânia acabou-lhes com essa alegada virtude que será pensar sempre da mesma maneira. Desde sempre que para esta pequena agremiação política tudo é nacionalizável. Tempos houve em que até as tabernas estavam no rol. Hoje depende. Para os comunistas nacionalizar empresas russas é roubo, mas nacionalizar empresas portuguesas – ou com capital estrangeiro – é urgente, necessário e uma cena muito patriótica e de esquerda. Depois ainda há comunistas a queixarem-se que querem acabar com o PCP…não é preciso, o PCP está a tratar disso sozinho.


PS: A terceira imagem tem sido profusamente partilhada em inúmeras páginas de militantes comunistas no Facebook. Pode, admito, não vincular o partido, mas apenas os muitos “camaradas” que a exibem no seu perfil.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Maldito capitalismo...

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Não aprendemos nada com a outra crise. Aquela crise ainda maior do que a crise crónica em que vivemos e que meteu a vinda da troika para nos safar, mais uma vez, da bancarrota. As consequências foram as que se conhecem, mas nem assim isso nos serviu de lição. Voltámos ao mesmo. Se é que alguma vez abandonámos a prática de fazer uma vida manifestamente acima das nossas possibilidades. O recurso ao crédito de maneira absolutamente desvairada é disso uma evidência.


Nisto não aceito a argumentação de que cada um faz o que entende e ninguém tem nada a ver com isso. Esse argumento só colhe enquanto o endividado não se tornar caloteiro. Coisa que acontece com demasiada frequência. Aí tenho eu e temos todos a ver. Por muitas razões. A maioria delas fáceis de entender sem grande esforço. Até para aqueles idiotas que acham o contrário.


Culpa-se, amiúde, os bancos e as sociedades financeiras pela facilidade com que atribuem crédito para tudo a toda a gente. Verdade. Mas, obviamente, ninguém é obrigado a aceitar. Contudo, por mais que os tentem desculpabilizar, quem quer um crédito sabe muito bem o que está a fazer. Sabe, nomeadamente, que apenas paga se quiser. Faz as continhas todas e facilmente conclui que, pelo menos, os setecentos e cinco euros do SMN ninguém lhos tira da conta. Daí que muitos acabem de pagar os actuais créditos quando tiverem a provecta idade de cento e cinquenta ou duzentos anos. E o contínuo aumento do SMN só contribui para agravar o cenário.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Carestia de vida

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Uma chatice, isso dos folares. Um aborrecimento, até. É a carestia de vida que está aí outra vez para nos apoquentar. Mas, descansem todos os que têm menos de quarenta anos e nunca tiveram de se governar em tempos de inflação, que nem tudo é mau quando os preços sobem de forma generalizada. Os juros dos depósitos bancários, nessas alturas, também costumam crescer. Ali pelo meio da década de oitenta do século passado rondavam os trinta por cento. Era, então, ver o pessoal todo contente com o crescimento das contas bancárias. Ora hoje, como parece que o dinheiro depositado nos bancos é mais do que nunca, nem quero imaginar a festa que vai ser quando os juros subirem. Fica tudo rico em pouco tempo. Ou, pelo menos, para o folar.

sábado, 9 de abril de 2022

Finalmente uma promessa séria...

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O futuro é o Estado Social, garantiu o primeiro-ministro no parlamento um destes dias.  Nunca duvidei disso. Com Costa - ou outra encrenca qualquer do actual partido socialista - essa é das poucas certezas que nos restam. Termos um estado social cada vez maior. Ou não estivéssemos nós a caminhar alegre e apressadamente para o último lugar da União Europeia. Algo que, pelos vistos, não incomoda muita gente. Os portugueses gostam assim. A chatice é que o Estado social paga-se. Quando, no futuro próximo, todos ganharmos o SMN e, em consequência disso, uma imensa maioria beneficiar dessa maravilha socialista vamos ver quem é que o vai pagar... Mas, honra lhe seja feita, o homem não engana ninguém. Promete-nos a pobreza. 

terça-feira, 5 de abril de 2022

Ter de volta o dinheiro que não pagou...isso é que era!

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Nem todos podemos ser especialistas da especialidade. Seja ela, a especialidade, qual for. Podemos é admitir que existem especialidades em que não somos especialistas. Mas não. Insistimos em dar a nossa opinião. Mesmo que ninguém esteja interessado em sabê-la. Chama-se a isso liberdade de expressão. Defendê-la-ei sempre. Até porque eu, como sobejamente está demonstrado neste espaço, também adopto essa prática.


O que igualmente defendo é a liberdade - minha e dos outros o fazerem em relação a mim - de manifestar desacordo ou, inclusivamente, zombar das ideias alheias quando estas evidenciam uma manifesta tendência para o disparate. E há quem mereça ser zombado. Quando o assunto são impostos e, modo geral, tudo o que envolve finanças ou dinheiro gerido pelo Estado não faltam opiniões que dão vontade de partir para zombaria. A que a imagem documenta é uma delas. O seu autor, comentando uma publicação onde se escrevia acerca do IRS que os contribuintes vão “receber”, manifesta o seu lamento por quem não paga ficar de fora da “generosidade” do fisco. Conheço o argumento, mas não consigo evitar uma gargalhada sempre que o ouço. Até o meu gato imaginário  - o  Bigodes –  rosna quando ouve tamanha bacorada…

domingo, 3 de abril de 2022

Bem aventurados os que fogem aos impostos

Segundo uma noticia publicada hoje a “fuga ao IVA dava para pagar mais uma bazuca europeia”. Confesso que ainda não recuperei das náuseas que me acometeram após digerir esta parangona. Estas coisas incomodam-me. São muito feias. Não é que espere grande coisa do jornalismo caseiro. Menos ainda depois de presenteados pelo governo com não sei quantos milhões. Mas, publicar uma noticia destas quando começa a entrega da declaração de IRS, cheira-me a frete. Assim uma cena para nos fazer acreditar que a surpresa que a maioria de nós vai ter quando olhar para o cálculo final do “Isto é um Roubo ao Salário”, podia ser menos surpreendente.


O titulo da noticia revela a cultura - não só jornalística, infelizmente, mas da sociedade em geral - de que aquele dinheiro, se garantido, seria para esturrar. Nada mais errado. O montante em causa, se gerido por pessoas sensatas, devia ser usado para aliviar a imensa carga fiscal que está a sufocar os portugueses. Nomeadamente ao nível do IRS. Ainda que, como amplamente se vai provar mais uma vez nas semanas mais próximas, a esmagadora maioria seja tão burro, mas tão burro, que nem percebe que está a ser sufocado.


Assim sendo, já que o Estado quanto mais tem mais delapida, fugir aos impostos deve constituir um desígnio nacional. Quem puder escapar que escape. Fazem, todos os que o podem fazer, muitíssimo bem. Argumentem à vontade que “se todos pagarem, cada um pagará menos”. A chatice é a realidade mostrar o contrário.