
A CGTP – aquela organização que está para o PCP como, no futebol, o Portimonense está para o Porto – apresenta no seu cartaz evocativo do primeiro de Maio um conjunto de reivindicações muito jeitoso. Não desfazendo, como gostava de dizer a minha avó. Lamentavelmente esqueceram-se, como sempre, de reivindicar uma redução da carga fiscal sobre o trabalho. Mas, para isso, seria preciso que esta organização tivesse um pingo de seriedade e deixar de apenas se preocupar em constituir um boneco de ventríloquo do PCP.
Tenho a certeza que, por aquelas bandas, sabem fazer contas. Sabem, por isso, muito bem que cerca de metade da reivindicação de um aumento de noventa euros para cada trabalhador levaria sumiço por causa dos impostos. No caso de alguém que aufira mil euros mensais – casado, dois titulares e sem filhos mas dá igual ou parecido noutra qualquer situação – passaria de um vencimento liquido de 777,00€, para 827,31€. O que daria para o trabalhador um acréscimo na carteira de 50,31€ e para o Estado um aumento de receita de 51,17€. Se calhar é por causa destas contas manhosas que cada vez mais trabalhadores conseguem um aumento do rendimento liquido por via da desfiliação sindical e consequente poupança do valor da quota.
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