sexta-feira, 30 de junho de 2017

No passa nada

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Uma quantidade bastante simpática de armamento levou sumiço de um quartel. Nada de novo. Já aconteceu noutras ocasiões. Nem, pelos vistos, é coisa que constitua motivo para preocupação de maior. Só falta aparecer aí um marmanjo qualquer, como da outra vez, a garantir que as armas estão em boas mãos. E ainda há quem insista em afiançar que a história não se repete...  


 


Diz o Jornal de Noticias de hoje que metade dos portugueses toleram a existência de corrupção autárquica. Fico, confesso, basbaque perante tão surpreendente revelação. De queixo caído, como dizemos por cá. Achava eu, na minha santa ignorância, que essa taxa de tolerância rondaria para aí os noventa e cinco por cento. Ou mesmo mais. A ser verdade, este número apenas vem revelar que a outra metade dos tugas são uns ingratos. Não valorizam o esforço hercúleo que os autarcas desenvolvem em prol da criação de emprego, da dinamização da economia e da simplificação de procedimentos ao nível da decisão. Uma falta de reconhecimento perante tanta eficiência, é o que é… 


 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Os indignados da Internet têm fraca memória...

Como muito bem dizia um conhecido socialista, há muita falta de memória na politica e nos políticos. E o pagode em geral, acrescento eu, padece do mesmo mal. Vejam duas, apenas duas para não aborrecer, das mais recentes discussões suscitadas a propósito dos incêndios. Andou meia Internet a ofender a outra meia  porque uma dessas metades achava muito bem que o pessoal do rendimento mínimo ocupasse o tempo a limpar as matas. Que não, argumentava a metade intelectualmente superior e portanto supostamente de esquerda, pois isso seria uma espécie de escravatura. Tendo, por uma vez, a concordar com os últimos. Da mesma maneira que também achei uma parvoíce aquela ideia peregrina de alguém – cujo nome não vou aqui mencionar, mas que até é primeiro ministro – que sugeria colocar os refugiados que eventualmente acolhêssemos, a cuidar da floresta. Devo ter andado distraído mas, nessa altura, não dei pela indignaçãozinha que a ideia merecia...


Depois houve aquilo do suicídio que afinal não foi. Aqui d' el rei, que isto de andar a espalhar noticias falsas e, simultaneamente, mórbidas não é coisa que se faça. De facto não. Não se faz. Pena que, depois da tantas noticias boas, tenham vindo as más. Daí que não precisemos que inventem outras ainda piores. Como aquela da queda do avião, por exemplo. Que, se bem recordo, também não irritou ninguém.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Vão mas é tratar dos macaquinhos. Do sótão.

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Aborrecem-me os defensores dos animais. São parvos e, desconfio, padecem de algum problema ao nível do desenvolvimento intelectual. Não me refiro, obviamente, aos que dão o melhor de si e do seu tempo para salvar a bicharada abandonada. Esses, pelo menos na sua maioria, desenvolvem uma acção meritória merecedora de todos os encómios. A quem me apetece dar uns valentes tabefes são aqueles que estão sempre a mandar bitaites acerca de qualquer noticia que envolva animais. Seja sobre a caça à raposa, o excesso de javalis, as touradas ou os rastejantes que falecem por atropelamento quando atravessam as estradas.


Há duas ideias desta gente – ou mais, mas estas chegam para justificar o desprezo que nutro por eles – que me deixam fora de mim e com vontade de lhes torcer o pescoço. Como se faz aos pardais, para melhor exemplificar. A primeira é que para essa gente a vida de um bicho vale sempre mais do que a de uma pessoa. O que dispensa outros considerandos quanto à bondade daquelas alminhas e à lucidez que vai naquelas débeis cabecinhas. Depois é acharem que as pessoas do campo maltratam os animais e que as da cidade, fruto de uma superioridade qualquer, é que os tratam bem. Pois. Deve ser deve. Ter um cão, um gato ou um mini-porco – diz que é o que está agora na moda – fechado num apartamento é de certeza o que o faz feliz. Ao dono, talvez. Porque quanto ao pobre animal não concebo maior maltrato.




 

sábado, 24 de junho de 2017

A esquerda sofre de intolerância à livre opinião...

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A esquerda não tolera opiniões divergentes da sua. Isto nem é uma opinião. É um facto. Quem se atreve a divergir da verdade oficial está feito. Agora, a propósito dos últimos incêndios, voltámos a assistir a todo o ódio que é destilado relativamente a quem ousa sugerir que é capaz de existir, naquela tragédia toda, alguma responsabilidade politica do actual governo. E sublinho do actual. Se a atribuição da culpa for feita ao anterior até é uma coisa muito valorizável de referir. Mas, cuidado, se por descuido a culpa for também atribuída aos dois governos que precederam o anterior já é uma filhadaputice outra vez.


Nas redes sociais e nos jornais andam todos atirados às canelas do gajo que escreveu um artigo num jornal espanhol acerca da temática dos incêndios em Portugal. Uma vergonha, dizem. Querem, à viva força, saber quem é o tipo. Deve ser para lhe darem uma carga de porrada. Que é para ele aprender a não dizer mal de um governo de esquerda, o porco fascista.


E depois há aquilo da memória. Selectiva, no caso. Gostam de recordar que Assunção Cristas apelava, enquanto ministra, às boas graças de Nossa Senhora de Fátima. Algo condenável e motivo de gozo, para eles. Catarina Martins chama pela chuva no twitter. Mas isso, apesar de igualmente parvo, não merece reparo à malta da esquerdalha. Coerente esta gentinha.


 


 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Racismo, multiculturalismo e cenas parvas

Estas cenas da tolerância, da igualdade e outras que tais relacionais com o respeito pela diferença, estão a ficar esquisitas. Ou, pelo menos para mim, difíceis de entender. Cada vez mais. Mas hoje – todos os dias se aprende e nunca é tarde para aprender – fiquei a conhecer melhor alguns conceitos. Nomeadamente acerca de racismo e multiculturalismo. Diz que é mais ou menos assim. Quando, como aconteceu por estes dias no Canadá, uma mãe branca exige que o filho seja atendido por um médico branco isso é racismo. Quando na Europa as mulheres muçulmanas exigem ser atendidas por pessoal médico feminino isso é multiculturalismo. Estão a topar? Fácil, não é? Visto assim até parece óbvio. Nem sei como é que uma coisa tão fácil de entender ainda não me tinha ocorrido. É o que dá só ir ao médico quando estou doente...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Operação vinho chamuscado. Ou azeite esturrado, vá.

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Desde o fim de semana o país foi invadido por uma nova e estranha espécie. Aparenta ser inofensiva mas aborrece como o caraças. São os especialistas em incêndios. Estão em todo o lado. Menos onde são precisos, parece-me. Que era, desconfio, a combater o fogo.


A propósito de incêndios e especialistas em assuntos derivados da questão ocorreu-me, nem sei ao certo porquê, a possibilidade deste olival, repleto de pastos, dentro do perímetro urbano e colado a um bairro residencial pegar fogo. Seria uma chatice. Sem culpados, provavelmente. Já se em vez de oliveiras, fossem eucaliptos, não restariam dúvidas quanto aos responsáveis pela desgraça que se espera não aconteça...


Possibilidade de incêndio que, há uns anos, as autoridades competentes em matéria de fogaréus trataram de prevenir relativamente a uma propriedade da família situada no meio de nenhures. Um terreno de pequena dimensão, com algum pasto - ainda que bastante menos do que o da imagem, rodeado de vinhas por todos os lados e que motivou um diligente aviso das não menos diligentes autoridades no sentido de se proceder à limpeza do mesmo. Deviam ter medo que o vinho não saísse grande coisa. Pena que não tenham a mesma preocupação quanto ao azeite.

terça-feira, 20 de junho de 2017

E aos figos, quem os protege?!

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A produção deste ano promete. Pena a distância - que não permite uma colheita diária – e a passarada que não larga aquilo. Banqueteiam-se que nem uns alarves. Só a tiro. Ou à bomba, não sei. Sim, que isto à fisga não vai lá. Mas como não tenho nenhuma dessas armas fica apenas o meu lamento por não poder reduzir a população dos pássaros a, pelo menos, metade. E a ainda ficavam muitos. Depois andam por aí uns patetas urbano-depressivos a lamentarem-se por os portugueses comerem passarinhos fritos e de, ao contrário de outros países que eles acham mais civilizados, essa iguaria ainda não ter sido proibida por cá. Uns idiotas é o que eles são. Não entendem que na natureza existe uma coisa chamada equilíbrio e que, em relação a algumas espécies de aves, há muito que o ultrapassámos. A continuar assim, um dia destes figos só no supermercado e daqueles oriundos dos países onde essas pragas voadores são exterminadas sem contemplações.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Grande poeta é o povo

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Ó sol és a minha crença


nem que eu morra queimado


ainda assim não me compensa


do frio que tenho passado




O poeta popular que assim versejou, das duas uma, ou era um grande friorento ou um grandessíssimo pantomineiro. Talvez as duas. Que isto de apanhar quarenta graus à sombra e cinquenta ao sol é coisa para deixar qualquer um mais do que compensado pelos rigores do Inverno. Por piores que eles tenham sido. Por mim, não é para ser do contra mas já ia uma chuvinha. As nuvens é que não estão para isso.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Camarada, demagogo és tu. Quiçá até um populista, camarada!

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Sob o sugestivo titulo “basta de demagogia com a devolução do IRS pelos municípios” um comunista qualquer escreve, numa publicação igualmente comunista, um extenso rol de alarvidades acerca da da tributação sobre os rendimentos do trabalho, do qual recorto a parte que melhor define aquilo que o homem – e, presumo, o pcp – pensam relativamente à carga fiscal a que os trabalhadores estão sujeitos. Nem me alongo em comentários acerca das bacoradas que ali estão expressas. Já ouvi muitos argumentos acerca deste tema. Contra, alguns. Admito, também, que esta opção das autarquias será, maioritariamente, usada como bandeira eleitoral. Agora, como decorre da opinião do articulista, defender esta brutal carga fiscal e, pior, achar que os trabalhadores que ganham, por exemplo, setecentos euros – esses burgueses - não devem ter uma redução de impostos para as autarquias poderem continuar a financiar as actividades destinadas aos “pobrezinhos”, é coisa para dar vontade de rir. Ou de lhe dar um murro nos cornos.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Agência Europeia do Medicamento. Ou da Mezinha, vá...

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Vai para aí uma grande polémica por causa daquilo da sede da Agência Europeia do Medicamento. Todos a querem. Até eu. Aqui, na minha terra, é que ela ficava bem instalada. Nem sei por que raio os autarcas cá do sitio não apresentam também a candidatura da cidade. Era um bom destino a dar a alguns prédios que estão ao abandono. Por exemplo a antiga casa da câmara. Sempre era melhor do que um centro interpretativo não sei do quê que uns quantos alarves lá querem instalar. Outro seria o palacete do Bernardo – ou lá como se chama o tipo – que estará, alegadamente, à espera de fundos públicos para ser recuperado. Ao menos, assim, já que o público gasta ali o dinheiro, sempre servia para alguma coisa e não ficávamos privados do guito. São pequenos para albergar tantos funcionários?! Ora essa, aproveitam-se os entre-forros. Mas se ainda assim não chegar, temos uma zona industrial a estrear que deve dar para construir uma coisa jeitosa.


Podemos, ao contrário dos outros candidatos, não ter universidades, hospitais, laboratórios, empresas especializadas na matéria e outras ninharias. Mas temos velhos com fartura e, como é natural, são eles quem mais necessita de medicamentos. E temos vinho. Muito e bom. Que, sustentam alguns especialistas no assunto, faz muito bem à saúde e, com a tal agência cá, até podia ser elevado à categoria de medicamento.


No entanto, se a decisão de sediar aquilo em Lisboa já estiver tomada, não nos devemos deixar abater pelo centralismo lisboeta. Há que inovar. Criemos nós a Agência Europeia da Mezinha. Com sede cá, obviamente. Fica a ideia.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Façam antes pipocas, pá!

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Alguém que explique aos velhotes que não devem alimentar os pombos. Convencê-los a abandonar esta prática, admito, é capaz de ser uma tarefa difícil. Eles são muitos. Bastante teimosos, por norma e as cidades estão sobre-lotadas de pombos e de velhos que se dedicam a esta prática. Que pode, até, constituir um nicho de mercado bastante apreciado pelos vendedores de milho mas, para a população em geral, é um aborrecimento. Há que fazer qualquer coisa que nos livre de tanta passarada. Já nos chegam os passarões.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Populismo do bom

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Gosto de ouvir o Marcelo a falar de populismo. A sério. É, até, a pessoa indicada para o fazer. Percebe disso como poucos. E de outras coisas, também. Como de dizer porra nenhuma mesmo não parando de falar, por exemplo. Por mim o homem já se calava. Mesmo essa idiotice dos afectos já aborrece. E, de caminho, parava de dar graxa aos portugueses. Ou, sei lá, ia dá-la aos emigrantes tugas que andam a penar na Venezuela. Que desses, coitados, ninguém quer saber.


Que somos uns gajos desenrascados toda a gente sabe. Não é preciso que o ex-comentador nos esteja sempre a recordar isso. Temos, nesta foto, uma dessas situações. Na ausência de melhor, serviu um cabo eléctrico em fim de vida para manter a árvore fixa ao apoio que a protege durante o crescimento. Mais ou menos o que fez o doutor Bosta. Para se fixar no poder tudo lhe serviu. Até o apoio de partidos políticos seguidores de ideologias bafientas e com o prazo de validade mais do que ultrapassada pela vontade dos povos que as tiveram de sofrer na pele. Um desenrascado, o gajo. Deve ser por isso que o outro populista gosta dele.

domingo, 11 de junho de 2017

Mais mil milhões que voaram...

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A administração tributária terá deixado prescrever, no último ano, dividas ao fisco no valor aproximado de mil milhões de euros. Assim, sem mais nem menos. Sem que, aparentemente, nada aconteça. A coisa parece ficar por um simples “olha que aborrecimento, lá perdemos uns trocos”. Ou, se calhar, nem isso. Ninguém se rala por tão pouco. Agora, que se os factos ocorressem na vigência de outro governo qualquer teríamos conversa para vários dias. Afinal, trata-se apenas de uma bagatela que daria para pagar cerca de um mês de vencimentos aos funcionários públicos. Quase nada, portanto.


Mais do que a perda de tanto dinheiro – a somar a muito outro que já se perdeu em receita fiscal – o que me deixa estupefacto é a reacção que observo em meia dúzia de blogues – não me apeteceu ler mais – de acérrimos apoiantes da geringonça. Para quase todos a culpa não é do governo. Coitado, não tem responsabilidade nenhuma nisso. Os culpados são os malandros dos funcionários. Esses patifes que só atrapalham. Nisto e noutros – poucos - aspectos onde a actuação do governo ainda não conseguiu atingir a genialidade. Eu sei que reverter cortes nas reformas actuais à custa de cortes nas reformas futuras, faz toda a diferença na maneira como os reformados de hoje e os reformados de amanhã olham para o governo. Não precisamos é de ficar cegos. Ou, apenas, de não querer ver. Nem escrever.



sábado, 10 de junho de 2017

O génio da urna

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Ontem apenas ouvi as noticias de “relance”, sem lhes dar a devida atenção. No final do dia, depois dos sound bites que fui apanhando, deitei-me convencido que o tal Corbyn,  o trabalhista inglês meio maluco, tinha ganho as eleições. Afinal não, fiquei hoje a saber. Foram os conservadores. Nem sei o que me terá levado a pensar o contrário. Culpei, primeiro, a pouca atenção que dediquei ao assunto em particular e aos órgãos de informação em geral. Depois, pensando melhor, conclui que houve qualquer coisa que me levou a esse convencimento. Deve ter sido o peculiar metódo de análise dos resultados eleitoral criado por Barreirinhas Cunhal há mais de quarenta anos, que agora faz escola entre jornaleiros tugas e analistas esparveirados, segundo o qual, no que toca a eleições, quem ganha perde e quem perde ganha. É por isso que gosto de futebol. Pelos menos sei sempre quem ganha. É quem mete mais golos. O resto é conversa fiada. E na politica também.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ervanários

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A ter em conta as cenas a que vamos assistindo, deve andar muita gente a consumir erva de má qualidade. É o que dá preferirem o produto importado. Não sei se o nosso é ou não melhor. Pode, até, ser uma merda. Mas é a nossa merda. E há por aí ao desbarato. Tanta que basta parar o carro à beira de uma estrada qualquer e encher a bagageira. Depois é só fazer o chá.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sexo, trabalho e boa-disposição...

 


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Segundo um estudo qualquer – desses estudos que ciclicamente aparecem sem que se descortine qual é a sua importância - onze em cada cem pessoas já tiveram relações sexuais com colegas de trabalho. Desconfio que, apesar da sua inutilidade, a conclusão encontrada não deve andar muito longe da verdade. Ou, se calhar, até peca por defeito. Pelo menos a fazer fé em metade do que se vai vendo, ouvindo e lendo por aí, por aqui e por outros lados.  


Ao contrário do que se possa pensar, esta prática, diz, não prejudica as empresas. Nada disso. Segundo a mesma investigação as pessoas vão com mais alegria para o local de trabalho, estarão mais motivadas e terão, por isso, um melhor desempenho profissional. Pelo menos enquanto as respectivas caras-metades não souberem. No entretanto, como diz alguém cujo nome não será aqui mencionado, são todos felizes. E ainda bem. 


Mas, a ser verdade isso da produtividade, este estudo suscita umas quantas questões. Cada uma mais inquietante que a outra. Tanto que até escuso de me alongar a identificá-las. Limito-me a constatar que há muito que se concluiu que uma pausa para café - ou para a bucha, vá - favorece a produção do trabalhador e que um intervalo para uns minutos de ginástica, garantem alguns, parece que também faz milagres no âmbito do bem estar laboral. 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A demagogia do costume

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Há qualquer coisa nessa polémica dos estagiários do Pingo Doce que se me está a escapar. Assim de repente não estou a ver questiúncula que justifique o alarido armado por aquele deputado esquisito do Bloco de Estrume. Nem, a bem dizer, consigo perceber as contas dele. Quinhentos euros limpos e dez horas de trabalho, incluindo duas de pausa para refeiçoar, é o que recebem e o horário cumprem grande parte dos trabalhadores do privado. Das duas uma. Ou o coisinho não sabe fazer contas – o gajinho é de letras, não admira que os números o baralhem – ou então nem sequer sabe o valor do salário mínimo nacional, nem qual é o horário normal de trabalho. O que, diga-se, não surpreende. Nunca deve ter vivido com um ou cumprido o outro. É nestas alturas que gosto de citar Jerónimo de Sousa: “Ele sabe lá o que é a vida”. Embora, para ser deputado, não precise de saber.



domingo, 4 de junho de 2017

Lágrimas de crocodilo

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Nem sei por que razão acontecimentos como os de ontem em Londres ainda constituem noticia. É o novo normal. É isto que cobardemente aceitamos quando estamos dispostos a acolher entre nós uma legião de gente que nos odeia e nos deseja cortar as goelas.


Hoje é o dia para as habituais lágrimas de crocodilo. Outra vez. Por esta hora já todos condenámos o ataque. Alguns, daqueles que apenas por uma má disfarçada vergonha não aplaudem estas acções, acrescentaram uns quantos “mas” seguidos de palavras como “americanos”, “petróleo” ou “Israel” entre outras patranhas. Aproveitámos também para declarar que não temos medo nenhum deles e que vamos, haja o que houver, continuar a fazer a nossa vidinha. Seguir-se-ão umas vigílias, minutos de silêncio e as inevitáveis homenagens às vitimas. Entretanto acendem-se velas, depositam-se flores nos locais da tragédia e colocam-se bandeiras e frases enternecedoras no Facebook. Tudo isto enquanto garantimos que o islão não tem nada a ver com o assunto, que a moirama não é toda igual e acusamos de islamofobia quem se atrever a associar os seguidores do profeta ao terrorismo. O habitual.

sábado, 3 de junho de 2017

Populismo selectivo

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O que não falta por estes dias é gente indignada, na internet e noutros locais menos virtuais, por a Câmara de Almada ter gasto para cima de um dinheirão a ofertar umas "cebolas" caríssimas aos seus funcionários mais antigos. Acho muito bem que o pagode se indigne com o esturranço de dinheiro público. Lamento, até, que o faça tão poucas vezes. Mas, neste caso, desconfio da indignação. Ou, pelo menos, da quantidade e qualidade da indignação vertida. Não sei porquê mas parece-me que o problema serão os destinatários da oferta. Se o relógio fosse dado a uns putos ranhosos quaisquer seria, certamente, uma iniciativa muito valorizável por ensinar as criancinhas a ver as horas. Ou se os alvos da dádiva fossem os velhinhos. Pobres ou de uma academia sénior qualquer. Estaríamos, então, perante uma atitude louvável capaz de enternecer o coração empedernido ao mais fundamentalista dos possidónios.  


O Estado e, particularmente, as autarquias locais oferecem tudo e mais alguma coisa desde que lhe cheire a voto. Almoços, jantares, viagens, livros, remédios e toda uma vasta panóplia de itens que a mais delirante imaginação consiga discorrer são dados indiscriminadamente a velhos e a novos, a pobres e a ricos. Poucos se indignam com isso e os que o fazem são logo apelidados de populistas e outros nomes pouco simpáticos. Coisa que em relação aos críticos deste caso em concreto não acontece. Lixados, estes conceitos de populismo... 


 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Não sei o que é, mas parece-me catita...

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Ainda esta estrutura – chamemos-lhe assim, dada a manifesta dificuldade em saber o que é – está a ser colocada nudos locais mais movimentados da cidade e já não falta quem lhe teça criticas ou faça zombarias diversas. Não me parece bem. Isso das criticas, claro, que zombar ainda é como o outro. Há que manter o espírito aberto e, sobretudo, aguardar pelo resultado final. Vão ver que depois de pintado aquilo até vai ficar bonito.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Catarina, a pequena

A primeira-ministra Catarina Martins já prometeu novos aumentos das prestações sociais, do salário mínimo e de mais umas quantas benesses. Não é que ache mal a intenção da pequena líder. Pelo contrário. O que me desagrada profundamente – que isto os desagrados devem ser sempre profundos - é o desprezo com que esta "coisinha" trata os restantes portugueses. Nomeadamente aqueles que ganham há um ror de anos pouco mais que o actual salário mínimo e que, a continuar assim, vão ficar em igualdade salarial com quem, antes da crise, ganhava bastante menos.  Para alguns a diminuição do leque salarial que está a ser promovida até pode constituir uma questão de justiça social. Por mim não consigo ver outra coisa senão falta de respeito pelo mérito, incentivo ao desleixo profissional e discriminação laboral e remuneratória. 


Sabe-se que aumentar apoios sociais e salários mais baixos estimula a economia, dado que os seus destinatários poem de imediato em circulação aquilo que recebem. A maioria por imperiosa necessidade e outros, não tão poucos quanto isso, apenas porque sim.  Cabeleireiros, manicuras, tatuadores e taberneiros, entre outros, que o digam. E é disso que a geringonça precisa. De pobres e de quem gaste. É por isso que não baixa os impostos. Esses ricaços que ganham seiscentos, oitocentos ou mil e poucos euros todos os meses que tratem de sustentar o optimismo nacional.  Porque os que ganham mais do que isso também já tiveram a sua benesse. 


 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Coisas que, no âmbito do coisar, não coisam nada

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Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, já dizia um conhecido figurão quando questionado acerca de umas coisas que, alegadamente, teria feito e que nos coisaram a todos. O mesmo se pode dizer acerca dos coisos. Uns servem de alguma coisa e outros para coisa nenhuma. O coiso da imagem, por exemplo. Serve para coisas de jeito. Como ver a bola ou outra coisa qualquer que mereça ser vista. Outros, caros e profusamente distribuídos pelo país inteiro, não se sabe ao certo para que servem. Daí que um coiso possa ser uma coisa útil e outro coiso não passe de uma coisa inútil. Daquelas coisas que apenas servem para fazer sombra. Ou coiso.  

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O OIB (Optimismo Interno Bruto) deve estar a crescer perto dos 100% ao dia...

Na sequência dos meus escritos e de um outro dichote acerca da geringonça, questionam-me, mais vezes do que aquelas que me apetece responder, quanto ao porquê da minha implicância com o governo das esquerdas. Logo eu, acrescentam, que me incluo entre os mais penalizados pelo malvado Coelho. Isto enquanto me recordam que tudo o que é indicador está agora muito melhor.


A parte das melhorias não as discuto. Devem ter razão. Não é que as sinta, mas acredito que existam. Vão ver é como dizia o lider parlamentar do PSD, Luís Montenegro, em 2014: “O país está melhor os portugueses é que ainda não”. Ou, pelo menos, alguns portugueses entre os quais me incluo, ainda não melhoraram nada. Para outros, reconheço, estará melhor. Os reformados, por exemplo. Ou para quem ganha o salário mínimo. Ou para os vencimentos mais altos da função pública. Para todos esses não tenho grandes dúvidas em aceitar que a coisa melhorou. Mas para os restantes, se mal pergunto, onde está a diferença?! E essa coisa dos feriados e das trinta e cinco horas não conta. Já tentei convencer várias meninas das caixas dos supermercados a aceitarem isso como pagamento das compras e elas, vá lá saber-se porquê, olharam-me de esguelha e não aceitaram. Para a próxima pergunto se posso pagar em optimismo. 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Osculações

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 Fonte da imagem: Reprodução/Chris Sembrot


 


Diz que uma escola secundária está em pé de guerra por causa da reprimenda do conselho directivo a duas alunas que terão sido avistadas a beijarem-se. Não será, digo eu, motivo para tanto. Nem para reprimendas ou, ainda menos, para guerras. Isto cada um – e cada uma, também – beija o que lhe dá na realíssima gana e ninguém tem nada a ver com isso. Além dessa coisa da discriminação, ou lá o que é, que, parece, estará na origem do aquecimento dos ânimos. Assim de repente não estou a ver onde está o mal. Duas gajas na beijoquisse pode ser, admito, um bocado badalhoco. Mas, se quisermos ir por aí, nem sei o que diga de uma gaja e um cão na maior lambideira. Mas disso ninguém reclama. Até acham todos muito engraçado. Menos eu, que acho um nojo.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Haja respeito pelos bombistas!

Está difícil a vida – e a morte, também - de terrorista. Devem estar que nem podem. Coitados. Por mais que se esforcem raramente as suas acções são reconhecidas atempadamente como resultantes da sua indómita vontade de aterrorizar. São sempre incidentes, ocorrências ou, na melhor das hipóteses, actos tresloucados.


Há, depois, aquilo da fé. Verdade que cada um tem a sua. Eles, com toda a legitimidade, têm a deles. Mas, desgraçados, por mais que insistam em se rebentarem por causa e em nome dela – da fé – outros ainda mais desgraçados esfalfam-se por demonstrar o contrário. Que não, que não têm fé nenhuma e mesmo que tenham não foi nada em nome da dita fé que se fizeram em fanicos. São, portanto, considerados uns mentirosos. Tese que, desconfio, pode ser considerada discriminatória por se tratar de um julgamento preconceituoso contra a classe dos bombistas suicidas.


Pior ainda é o que se segue aos rebentamentos. Não para os rebentados, que esses já foram ter com as virgens, mas para os candidatos a rebentar. Os infelizes têm de aturar os papalvos das flores, das rezas, das velas e dos facebook’s amaricados. Uma chatice. De tal ordem que até os que ainda não foram acometidos da vontade de se explodir ficam mortinhos por o fazer. E costumam fazê-lo.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Acolhimentos

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Desconheço, até porque só vi de longe, a que espécie de acolhimento se refere a tarja afixada – presumo com a devida autorização municipal – no coreto cá do sítio. Deve ser, calculo, algo que tem a ver com o turismo. Uma maneira simpática de saudar os muitos turistas que nos visitam, provavelmente. O que, diga-se, só nos fica bem. São eles que estão a fazer crescer a nossa economia, a contribuir para a queda do desemprego e, de certa maneira, a tornar-nos um povo mais feliz e optimista. São bem-vindos e merecem o nosso agradecimento. Esses. Quanto aos outros…que saibamos honrar a memória do nosso primeiro rei.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

As cerejas da crise (ah, espera...isso já acabou!)

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A produção da cerejeira cá do quintal foi uma miséria. Uma crise, mesmo. Daquelas a sério. Ou não se resumisse a colheita praticamente a isto. Poucas mais ficaram na árvore. Para piorar o cenário – se é que um cenário tão desolador pode ficar pior – há ainda os melros. Essa ameaça alada que paira sobre as cerejas mal elas começam a apresentar uma cor vagamente parecida com a camisola do Glorioso. São mais que muitos, os patifes dos melros. Que, para a coisa ficar mesmo má, se trata de uma espécie protegida. Vá lá saber-se porquê, se não estão em vias de extinção nem nada. Pelo contrário. Bicharada dessa não falta por aqui. Dessa e doutra. Que, diz, também não se pode matar. Parece que é proibido matar seja o que for que tenha asas. Não fosse isso e já teria feito uma fisga. Isso e as janelas da vizinhança.

domingo, 21 de maio de 2017

O eleitor multiculturalista

Ciclicamente há quem se lembre de sugerir que a autarquia cá do sitio - Estremoz, no caso -  deve construir casas para albergar os habitantes do resort. Não são, felizmente, muitos os defensores desta ideia. Se quisermos ter a certeza quanto ao seu número nem são necessárias grandes contas. Basta atentar nos resultados eleitorais das forças politicas que se têm candidatado a dirigir os destinos do município. Poucas terão proposto isso aos eleitores e quem o fez, se é que alguém se atreveu, teve o sucesso eleitoral que se conhece.


Confesso, no entanto, que começo a mudar de opinião acerca deste tema. Não me chocaria que, no âmbito de um projecto piloto qualquer, a autarquia realojasse alguns moradores do bairro de barracas. Só para ver como é que a coisa corria. O que não falta por aqui – tal como em todo o interior – são habitações devolutas. Mais que muitas. Daí que não existe necessidade nenhuma de edificar novas construções. Basta aproveitar o que há. Bem que a autarquia, aproveitando o bom momento financeiro que atravessa, podia adquirir umas quantas habitações e instalar lá parte daquela população. Perto, condição sine qua non, daqueles que entendem ser obrigação do município dar uma casinha a essa gente. Seria um projecto com sucesso garantido e capaz de suscitar a admiração por esse mundo fora. Nomeadamente ao nível de integração social e do multi-culturalismo.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

As melhoras aos optimistas

O optimismo, reconheço, é uma coisa boa. Que, igualmente aceito, devia ser praticada em mais ocasiões. Ou regularmente, de preferência. Também concordo que nos últimos dias foram vários os acontecimentos que motivaram uma onda de contentamento – o que, normalmente, anda relacionado com isso do optimismo – entre muitos sectores da população. Por mim fiquei particularmente feliz por mais uma conquista do Glorioso. Quanto às cantigas ou ao padrecas-mor não estou a ver, assim de repente, que outras coisas me podiam ser mais indiferentes. Mas se uns quantos ficaram contentes, então, ainda bem para eles.


Deve ser derivado de todo este clima festivo que os portugueses acreditam que o país, graças à geringonça, está agora muito melhor. Os indicadores que periodicamente vão sendo divulgados parecem dar-lhes razão. Embora em relação a essa cena dos números continue a pensar que os ditos, quando torturados, dizem sempre aquilo que nós queremos que eles digam. Mas, dizia, ainda bem que os portugueses estão contentes e confiantes quanto ao futuro. Sinal disso é que voltaram a esturrar tudo o que têm e, também o que não têm.


Não é que queira ser do contra, mas não consigo partilhar desse entusiasmo. Hoje, desconfiado que se me está a escapar qualquer coisa por não perceber onde estão tantas melhorias, fui comparar o último recibo de vencimento com o de Maio de 2011. As minhas suspeitas confirmaram-se. Recebo bastante menos agora do que recebia nessa altura. Mas, se calhar, só me acontece a mim. Admito que não sei fazer contas daquelas complicadas e que a minha formação académica – no caso a falta dela – não me permite ombrear com os génios das ciências politicas, económicas, financeiras e outras que por aí pululam, mas, garanto, comparar dois valores em euros e descobrir qual é o menor, isso sei fazer. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A ditadura da fatiota

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Um idiota qualquer lembrou-se hoje de opinar acerca da indumentária que as mulheres devem usar em contexto de trabalho. Obviamente que lhe caiu tudo em cima. Bem feita. Ninguém lhe manda andar a despejar alarvidades. É, pois, com normalidade que se assiste por esta altura à ridicularização do individuo em causa. Ninguém parece demonstrar a mínima compressão para com a criatura. Ou, já agora, tolerância que é uma coisa a que se apela com frequência. Mas, lá está, o tipo merece.


Curiosamente outra ideia igualmente repugnante, dada a conhecer ao mundo por estes dias, provocou muito menos reacções de desagrado. Pelo contrário. Suscitou até uma certa benevolência para com a proponente da iniciativa. Trata-se de uma fulana que se lembrou de promover um desafio para que as mulheres ocidentais usem o hijab durante quinze minutos. Diz, coitada, que se sente mal com os olhares de escárnio e piadolas que lhe dizem. Coisa que, acho eu, a senhora resolveria facilmente. Bastava tirar o trapo que lhe cobre a cabeça. Ou, para aquilo do multiculturalismo ser levado a sério, sugerir quinze minutos de mini-saia em Riade.


Pode sempre argumentar-se que não são situações comparáveis. Pois não são. O português pateta que largou aquele disparate representa o passado. É motivo de chacota, soltamos hoje umas gargalhadas à conta dele e amanhã já ninguém se lembra de tamanha parvoíce. A gaja que quer pôr as mulheres a usar o véu islâmico representa o futuro. Aquele que, seguramente, irá acontecerá num tempo não tão distante quanto isso. Daí que a maioria de nós prefira assobiar para o lado, encarar o assunto com alguma bonomia e fingir que o problema não existe. Não vá o diabo – ou o equivalente islâmico – tecê-las.