segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Mis gastos son tus ingresos, comprendes?


O recibo do vencimento está, por estes dias, a chegar à caixa de correio electrónico ou, se ainda não for o caso, às mãos de centenas de milhares de funcionários públicos. Sorte a deles, dirão uns quantos ranhosos, é sinal que têm emprego. Talvez. Por mim, na sequência do que já fiz aqui em inúmeras ocasiões, continuo a lamentar a desdita daqueles que, por causa desse mesmo recibo, vão perder o posto de trabalho nos próximos meses. É que isto, por mais difícil que seja de entender a certos cabeçudos, se não há dinheiro não há compras. E se não há compras não há vendas. E se não há vendas não entra dinheiro na caixa. E se não entra dinheiro saem os empregados...Muitos dos quais andam por aí a derramar o seu regozijo pela redução de vencimento dos funcionários públicos. Desconhecem, coitados, aquela velha máxima castelhana que, ajuizadamente, proclama que tus gastos son mis ingresos. Ou o contrário. 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Garganeiros

Constitui para mim um inquietante mistério a necessidade evidenciada por algumas criaturas de debicar as uvas expostas para venda. As não embaladas, obviamente. Porque as outras já era um bocado de descaramento a mais. Seja numa banca do mercado, na frutaria ou nas grandes superfícies – e nas pequenas, também – é vê-los a “provar” os pequenos bagos e a expelir as grainhas em todas as direcções.
Trata-se de evidente má-educação. Ou de uma questão cultural, defenderão alguns. É uma prática, por norma, associada a pessoas de idade mais avançada, independentemente do estatuto social. Analfabetos ou com com alguma formação académica. Em comum apenas o facto de serem burgessos. Por mim reprovo em absoluto este comportamento. É que não gosto de comer os sobejos de ninguém e, neste caso, o que lá fica é isso mesmo. Sobras de um garganeiro qualquer.

Ora retoma!

Isso da retoma estar a dar sinais de vida faz-me confusão. Por mais que me esforce em não ser catastrofista, arauto da desgraça, velho do restelo e outros negativismos que me escuso de enunciar, não consigo perceber como é que tudo está melhor quando uns quantos milhões de pessoas estão a ver o seu rendimento mensal cada vez mais reduzido.
Dizia-se até à pouco tempo que a economia é feita com base nas expectativas. Presumo que o conceito tenha sido revisto e hoje a perspectiva seja diferente. Assim tipo, isto está tão mau que a coisa só pode melhorar ainda que a gente ganhe menos, não saiba se vai ter emprego e não veja razão nenhuma para estar optimista.
Lamento ser, mais uma vez, do contra. Mas não. Isto vai ficar ainda pior. Que o digam todos os que, em 2014, já viram o ordenado reduzido. A perder mais um mês de vencimento, durante o ano que agora teve inicio, afigura-se-me difícil evidenciar qualquer tipo de optimismo ou de manifestar a mais ténue intenção de contribuir para o dinamismo da economia. Antes pelo contrário. Como vou ter menos rendimento disponível e não me tenciono endividar, terei de gastar, forçosamente, ainda menos. Com as consequências conhecidas. E costumeiras. O que, ao contrário do amplamente anunciado, não augura nada de bom para a tal retoma.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Bi-horário?! Como é que alguém pode ter uma ideia tão parva?

O aumento do horário de trabalho na função pública para quarenta horas é, apesar de poucos partilharem a minha opinião, a menor das malfeitorias que os últimos governos têm feito a quem trabalha para o Estado. Foi uma medida inútil, desnecessária e que nada acrescenta às finanças públicas nem à economia nacional. Mas, ainda assim, muito menos gravosa do que quase todas as outras que nos têm levado parte significativa do vencimento. E os melões, ao que se sabe, compram-se é com dinheiro.
Para os sindicatos, contudo, o acréscimo de horas de trabalho é que parece ser o ponto determinante da sua actuação. Talvez por constituir aquele onde se afigura mais fácil obter uma vitória. Como, refira-se, já está a suceder um pouco por todo o país. Pelo menos ao nível das autarquias. Onde a maioria dos executivos tem sido sensível em relação a esta matéria e tem chegado a acordo com as estruturas sindicais, no sentido de manter as trinta e cinco horas de trabalho.
Fica, no entanto, um senão. O finca-pé que alguns sindicatos e sindicalistas, alegadamente, teriam feito para que os acordos celebrados se aplicassem apenas aos trabalhadores filiados nos respectivos sindicatos, tendo os restantes de trabalhar quarenta horas. A serem verdadeiros estes rumores não é coisa que lhes fique bem. É que a fazer escola esta posição, às tantas, os pré-avisos de greve também serão apenas válidos para quem é sindicalizado. Para além de, me parece, a consumar-se alguma situação do género estarmos perante a violação de uns quantos princípios constitucionais. Felizmente que, neste assunto, os autarcas estarão a ter o bom senso de não ligar patavina a esta alegada ideia. Que, a ter existido, é das mais estapafúrdias que conheço em mais de trinta anos “disto”. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Decidam lá isso e não aborreçam!


Referendo sobre a co-adopção - adopção plena ou seja lá o que for - por casais de pessoas do mesmo sexo?! Esta malta está doida. Ou não quer decidir. Ou ambas as coisas. Cuidava eu que o pessoal lá do parlamento era eleito para tomar decisões. Acreditava que era para evitar essas chatices de estar sempre a fazer leis que o povo tratava de arranjar uns quantos fulanos. Enganei-me, pelos vistos. Pena que relativamente aquilo que, de facto, é importante não tenham a mesma postura. Podiam ter referendado, sei lá, o aumento da idade da reforma ou a nacionalização do BPN. Mas isso sou eu, que acho estes temas muito mais pertinentes e que verdadeiramente têm importância na qualidade de vida dos portugueses. Quanto a isso da adopção pelos paneleiros e pelas fufas interessa a quem?! E a quantos? Se tamanha parvoíce for para a frente é que vão ver o que é abstenção...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

ADN canino?! Olha que boa ideia.

A maioria dos municípios portugueses estão profundamente endividados e, mesmo os que não estão, não têm recursos financeiros para fazer face às suas atribuições ou respeitar de forma célere os compromissos que os seus autarcas assumem. Ainda assim, a imaginação que evidenciam na obtenção de receitas para os cofres autárquicos é quase nula e a preocupação em cobrar as poucas de que dispõem é ainda menor. Em suma, por cá, o lema parece ser não incomodar o eleitor.
Em Nápoles, Itália, é que as coisas não são bem assim. O município local vai criar uma base de dados com o ADN dos canitos lá do sitio, que permitirá identificar os autores dos dejectos deixados na via pública e, de seguida, apresentar a multa ao respectivo dono. Fácil, barato e, de certeza, muito lucrativo. E, diga-se, da mais elementar justiça.
Obviamente que em Portugal uma medida desta natureza seria ilegal. Inconstitucional, na certa. Violaria a privacidade dos bichos, dos donos e não haviam de faltar providências cautelares, petições, debates e todas as parvoíces a que já nos habituámos. Nenhum autarca, por mais enterrada em dividas que esteja a câmara que dirige, seria capaz de algo parecido. Para quê? É muito mais fácil aumentar o IMI ou ficar a dever aos fornecedores. 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Sim, são apenas três cêntimos a menos no IRS. E daí?

A relutância dos comerciantes em emitir factura começa a aborrecer-me. Assim que me ouvem dizer “a factura é com número de contribuinte, se faz favor” parece que ficam atormentados como se qualquer coisa desagradável lhes estivesse prestes a acontecer. Isto sucede, quase exclusivamente, naqueles estabelecimentos onde são os patrões a mexer na caixa. Ou noutro recipiente onde guardam o dinheiro que não passa pela dita. Já nos locais onde são os empregados – colaboradores, vá – a operar a caixa não tenho razões de queixa.
Mas não são os únicos. Até mesmo – pasme-se - os restantes clientes me olham como se fosse um extraterrestre que por ali apareceu. Como se estivesse a pedir algo a que não tivesse direito ou que não constituísse um dever da parte de quem me recebe o dinheiro. Os mesmos que, presumo, depois de terem terminado de dizer mal de mim e das minhas exigências extravagantes, voltarão a lamentar-se de como o país está mal, do dinheiro que falta para tudo e desses malandros dos políticos que não tomam medidas para pôr toda a gente a pagar impostos.
Tenho, por estes dias e a este respeito, ouvido uns quantos comentários sarcásticos - jocosos, até -  a que me esforço por não ripostar. Não sei é por quanto tempo vou manter este surpreendente – mesmo para mim – nível de fair-play. É que embora lavar a cabeça a burros – já dizia a minha avó, essa sábia senhora – seja um “gastadouro” de sabão, receio que, um dia destes, o caldo se entorne. Está a encher assim uma espécie de balão que ainda é capaz de rebentar perto de uma registadora.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Eu que não sou de intrigas...


...Questiono-me acerca dos motivos que levaram ao lançamento de uma petição on-line – uma dessas modernices parvas agora tão em voga – reivindicando do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz a melhoria das instalações do canil cá do sitio. Isto porque, alegam, as condições de alojamento dos canitos deixam muito a desejar. Espanta-me que os peticionantes, especialmente os mentores da coisa, não se apoquentem antes com as condições degradantes e sub-humanas em que vivem os moradores das Quintinhas. Não é que me importe, reconheço, mas essa malta toda sensível podia preocupar-se. Um bocadinho, pelo menos.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Um estranho conceito de convergência

Os últimos governos, em particular o actual, têm pautado a sua actuação por um feroz ataque aos trabalhadores da função pública. Chamam-lhe convergência, ou lá o que é, com o regime aplicável a quem trabalha na iniciativa privada e merece o aplauso entusiástico de amplos sectores da sociedade. É, pode dizer-se sem grande margem de erro, um dos poucos assuntos que reúne um estranho consenso entre a opinião pública e a publicada. Estranho, porque ou isto é um país de gente burra que come a palha toda que lhe põem na gamela ou, não sendo burros, são todos uns filhos da puta que desejam o pior possível aos outros. Ainda que daí não tirem qualquer proveito.
Vem isto a propósito da decisão do governo em aumentar para 3,5% o desconto para a ADSE. A ideia, dizem, é que o Estado deixe de financiar o sistema e o mesmo se torne auto-sustentável. Isto porque, segundo opinião que faz escola, não têm de ser os contribuintes a pagar os privilégios dos funcionários públicos. No entanto ninguém se incomoda que as empresas deduzam os custos com os seguros de saúde dos seus trabalhadores em sede de IRC. Como se neste caso não estivesse em causa o dinheiro dos contribuintes! Ou seja: O Estado não pode comparticipar a ADSE, mas pode, através dos impostos que deixa de receber, financiar os seguros de saúde de quem trabalha no privado. Deve ser isto a que chamam convergência...
Pouco convergente parece, também, o facto de quem tem seguros de saúde – pagos pelo próprio, não pela empresa – os possa deduzir no IRS. É que o mesmo principio não se aplica aos beneficiários da ADSE, dado que os descontos para este sistema não são dedutíveis naquele imposto.
Mas nada disto parece importar. O que importa é malhar nos mesmos. É disto que o povo gosta. É isto que dá votos. Ou não fosse o povo burro, ignorante, invejoso e mesquinho. Digno dos governos que tem, portanto.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Aluno aplicado, o Sócrates.

Por estes dias foram contadas inúmeras histórias envolvendo, de uma ou outra forma, o falecido Eusébio. A melhor, na minha modesta opinião, foi a que José Sócrates ontem nos contou.
O ex-primeiro ministro, já se sabia, é benfiquista. Por causa do “Pantera negra”, confidenciou. A sua admiração pelo “Rei” nasceu ao som do relato do Portugal – Coreia do Norte do Mundial de Inglaterra quando, na Covilhã a caminho da escola, ia ouvindo os golos que Eusébio marcava.
Nada que surpreenda. Nessa tarde de 23 de Julho – um Sábado, por sinal – muitos portugueses se terão tornado benfiquistas. Alguns, de entre eles, até se terão licenciado ao Domingo. É o que dá, logo de pequenino, não faltar às aulas aos Sábados à tarde. Nomeadamente em tempo de férias. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

"Não, obrigado"?! Nunca comi...

Quando peço a factura relativa ao que estou a pagar tenho a sensação esquisita que estou a causar um tremendo aborrecimento a quem está do outro lado da máquina registadora. Desconfio, até, que mentalmente me estão a chamar uma série de nomes nada simpáticos. Isto enquanto não evacuo a área, porque depois deve ser em alto e bom som.
Se calhar sou eu que ando a ver coisas. Mas, independentemente disso dos automóveis a que a factura nos habilita, trata-se de um dever de cidadania. De cada vez que pagamos – mesmo um simples café, por exemplo – parte desse dinheiro não é de quem nos vendeu o produto mas sim do Estado. Do país. De todos nós, afinal. Assim sendo parece-me da mais elementar justiça fazer o que está ao meu alcance para que ele chegue ao destino. Impedir um roubo, no fundo.
Presumo que haja quem não goste. Azar. Habituem-se. É altura de, a isso dos impostos ser coisa apenas para alguns, dizer “não, obrigado”.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Voltar a esturrar, que é o que melhor sabemos fazer!



Que nada aprendemos com esta alegada crise, já se sabia. Que não apreciamos quem gere o dinheiro público com rigor e administra a coisa pública com parcimónia, também. É por demais conhecida a nossa incapacidade de nos governarmos e a aversão a deixarmos que nos governem. Os últimos meses do ano agora findo, particularmente as derradeiras semanas, foram disso um exemplo flagrante. Com a expectativa de ver a troika pelas costas – assinalada com relógio e tudo – não falta quem volte a deitar os pauzinhos de fora. Entre outros exemplos salientem-se as festas de fim-de-ano, as luzinhas de natal ou o foguetório com o alto patrocínio de autarcas desejosos de voltar a fazer dividas por tudo quanto é sitio. E a malta gosta. Aplaude. Exige. E alguns pagam. Os do costume, no caso.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Nem é preciso ser bruxo...

Devem estar a gozar connosco. Só podem. Ou então são parvos. Mesmo admitindo os meus reduzidos conhecimentos na matéria, parece-me altamente improvável que o próximo ano traga qualquer espécie de recuperação da economia nacional. Ando há anos a escrever que não é assim que vamos lá e, apesar de garantirem sempre que para o ano é que é, a verdade é que, desgraçadamente, tenho tido sempre razão. Pelo quinto ano consecutivo reafirmo a minha convicção que vamos continuar na mesma e, pela quinta vez, manifesto o desejo de, volvidos os próximos trezentos e sessenta e cinco dias, vir aqui congratular-me por estar enganado.
Prever, por exemplo, o crescimento da procura interna num ano em que os salários vão ter a maior quebra desde que entrámos na União Europeia afigura-se, sei lá, assim um bocado contraditório. Ou, quiçá, bastante idiota. Isto, simultaneamente, com a continuação do desemprego em níveis que não param de bater recordes, os apoios sociais a sofrerem cortes consecutivos e o Estado sem dinheiro para investir ou apoiar investimentos. Neste cenário falar de recuperação é, reitero, coisa de lunáticos ou de optimistas convictos capazes de fazer o Sócrates parecer um governante ajuizado.
Restam as exportações e o turismo. Talvez. Mas isso não depende apenas da nossa vontade. O beato Paulinho irrevogável que vá rezando à nossa – dele – senhora de Fátima para que o seu eventual crescimento chegue para compensar a inevitável quebra de tudo o resto. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Excesso populacional ao nível da passarada

À semelhança do que acontece em muitas outras cidades, também Estremoz está infestada de pombos. Danificam monumentos, sujam edifícios, transmitem doenças e são, reconhecidamente, uma verdadeira praga urbana. Nada disso impede que muita gente, nomeadamente as dezenas de velhotes que passam os seus dias à volta do Rossio, os alimente e contribua com essa atitude inconsciente para a sua proliferação.
Não espero – não sou tão ingénuo quanto isso – que uma campanha de sensibilização junto das pessoas que dão comida aos pássaros produza algum efeito. Duvido até que haja quem a queira fazer. Isso só contribuiria para aborrecer as pessoinhas. Coisa que, obviamente, não queremos. Mas lá que convinha tomar uma medida qualquer parece-me por demais evidente. Assim, sei lá, tipo dar a pílula às pombas e distribuir preservativos aos pombos, ou isso.

domingo, 29 de dezembro de 2013

O defensor de reformados ricos que se está nas tintas para trabalhadores pobres

Cavaco pertence aquela espécie de criaturas desagradáveis que, segundo o próprio, nunca se enganam e raramente têm dúvidas. Alia a essa característica, já de si irritante, uma outra ainda pior. Aparenta ser um daqueles decisores, como muitos que abundam nos lugares de decisão, que está “ali” essencialmente preocupado com o “seu”. Apenas isso pode explicar a sua incessante e imensa preocupação com os cortes nas pensões e, simultaneamente, o desprezo com que olha para tesouradas muito maiores nos rendimentos e apoios sociais de quem trabalha.
Tal como se esperava o homem não teve dúvidas quanto à constitucionalidade do corte nos vencimentos na função pública. Nem, diga-se, esta medida tem merecido destaque significativo junto da comunicação social, analistas políticos, politólogos em geral, sindicatos ou até mesmo da oposição ao governo. Contrariamente, por exemplo, do que aconteceu com as TSU's. A dos pensionistas e a outra. Mas, bem vistas as coisas, o roubo agora é muito maior, já que a redução prevista no OE vai até aos doze por cento, enquanto antes se ficava pelos sete. Só que como é aos funcionários públicos não faz mal. Desta vez ninguém se importa que o dinheiro vá para as empresas, os bancos e para os municípios que alguns malucos trataram de arruinar. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

A couve (que podia ser) da crise



O futuro desta couve não deverá ser longo. O mais provável é nem chegar à panela. Dificilmente contribuirá para um caldo verde ou um cozido. Também ninguém a mandou nascer num dos lugares mais improváveis para o efeito. Mas, já que ali está, vai ter o mesmo tratamento das suas congéneres – as couves da crise - que crescem no sitio certo. É que no meu quintal todas as couves são iguais. Não há cá discriminações.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Consequências de um belo dia de inverno


Ao contrário do que aconteceu por outras paragens, por cá o temporal não causou estragos de maior. Uns ramos de árvores no chão e uma barraquita de venda de flores deitada abaixo eram os estragos mais visíveis ontem no centro da cidade.
Os telejornais exibiram por estes dias diversas reportagens dando conta das consequências do mau tempo que se fez sentir na quadra natalícia um pouco por toda a Europa. Numa delas, a dada altura, via-se um avião de pequeno porte que, alegadamente – digo eu, que isto nestas coisas convém não nos precipitarmos a atribuir culpas - teria sido virado pela forte ventania. Estava, proclamava o jornalista de serviço, de pernas para o ar. Ou, garantia-se noutro canal, de cabeça para baixo.
Esta retórica trouxe-me à memória o excerto de uma acta – documento público, portanto – de uma determinada reunião de certa Câmara, onde se escreveu, a propósito de uma situação que não vem ao caso, que as carrinhas do município em questão dormiam no respectivo parque de máquinas. Apesar de sobre esta tirada terem já passado, seguramente, perto de vinte anos ainda hoje está por esclarecer se entre elas existiria alguma que ressonasse, sofresse de insónias, sonambulismo ou qualquer outra perturbação do sono.  

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Uma crise muito peculiar


Um estrangeiro que chegue pela primeira vez a Portugal terá alguma dificuldade em acreditar que o país esteja a atravessar uma crise como aquela que a comunicação social internacional vai pintando. Centros comerciais à pinha, gente a comprar como se não houvesse amanhã e as últimas novidades em material informático e electrónico no topo das aquisições natalícias, farão qualquer um duvidar que os portugueses estejam a ser vítimas de algum tipo de austeridade. Se calhar o outro é que tinha razão. Parece que, se for necessário, o pagode ainda aguenta mais um aperto. Ou dois. Ai aguenta, aguenta.  

domingo, 22 de dezembro de 2013

O apoio social é que está a dar...


A maioria das autarquias está a aprovar por estes dias o orçamento municipal para 2014. Quase todas, salvo uma ou outra excepção, colocam um travão naquilo que tem sido o desvario orçamental dos últimos trinta anos e, muito por força da legislação que a troika tem obrigado a aprovar, vamos finalmente ver os autarcas a gastar de acordo com as receitas que conseguem amealhar. Este novo paradigma não significa, como é óbvio, que passem a gastar bem. Mas, valha-nos isso, vão passar a esbanjar menos.
Ao que se vai escrevendo acerca do assunto, na moda já não estão as grandes obras. Agora é mais apoio social a desempregados e velhinhos. O que até faz sentido. Nomeadamente depois de terem andado anos consecutivos a contribuir para a falência de empresas e de nunca se terem lembrado de fomentar a criação de lares de idosos. Se fosse bera, mas mesmo bera, diria que fizeram de propósito. Que criaram o mercado. Mas se calhar a culpa nem será deles. Afinal eles só fizeram o que nós queríamos que fizessem.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Por mim desconfio disso do principio da confiança ou lá o que é...

Só os mais ingénuos - ou completamente desatentos a estas coisas da politica - podiam imaginar uma posição diferente do Tribunal Constitucional acerca da tal “convergência” das pensões. Da redução das ditas, no fundo. Isto porque estamos a viver uma paranóia colectiva, derivada de muitos reformados ocuparem lugares chave na sociedade, que impossibilita a chamada a um vastíssimo leque de reformados ricos – a começar pelo Aníbal - ao clube dos sacrificados em nome da crise. É inconstitucional, diz. Trai, garantem, o principio da confiança. Seja lá isso o que for.
Dentro dos limites da Constituição estão, ao invés, os sacrifícios a que são sujeitos os trabalhadores pobres. O fim do abono de família resultou, por exemplo, uma perda superior a sessenta euros mensais em ordenados quinze vezes mais pequenos do que a reforma do Presidente da República. Ou três vezes inferiores à pensão da esmagadora maioria dos professores aposentados. Mas disso ninguém questionou a constitucionalidade. Já devíamos desconfiar que isso de educar os filhos é muito menos importante que os cruzeiros...
Curioso será saber o que dirão os homens de negro quanto à redução salarial que se prevê para o próximo ano. Desconfio que vai passar sem grandes sobressaltos. Afinal o dinheiro tem de aparecer de algum lado. É nisso que a malta confia. Tal como eu confiava em muita coisa quando, já lá vão trinta e três anos, assinei um termo de posse ao qual o principio da confiança se não tem aplicado. Deve ser para garantir as pensões daqueles que, na mesma altura e apenas ligeiramente mais velhos, estavam a assinar idêntico papel na tropa, na GNR, no Ministério da Educação ou noutro sitio igualmente lixado onde o pessoal se reforma aos cinquenta e poucos. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Gente fina é outra merda



Pouco haverá a dissertar perante um cenário que se repete com inusitada frequência em todas as zonas verdes. Isto de ter um cão no apartamento é coisa fina, o bicho tem de cagar e os donos, na sua imensa maioria, são uns verdadeiros javardos. Daí que não surpreenda a imundície em que os nossos relvados – e, de uma maneira geral, todos os espaços públicos - se transformaram. Mas também não faz grande diferença. É que se originalmente terão sido pensados para ser desfrutados, principalmente, por crianças e jovens estão hoje entregues aos animais e a quem os passeia. Ou brinca. Que isto, a par dos tablets, os cães são os brinquedos preferidos da malta.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Estacionamento tuga



Mais um. Apenas isso. Mas, ainda assim, a maneira desleixada como esta malta abandona a viatura faz-me questionar se - por acaso e só por um remoto e improvável acaso - nenhuma destas criaturas terá equacionado a hipótese de, com este comportamento, estar a prejudicar os outros. Nomeadamente os que chegam depois e não encontram lugar, um que seja, para estacionar. Ou então, o mais provável, não se importam nada com isso e preocupam-se apenas com o seu umbigo. Ao melhor espírito tuga, portanto. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Preto no branco.



A bem dizer não simpatizo com isso de andar a escrever nas paredes. Acho parvo. Neste caso ainda mais parvo. Se atentarmos no muro podemos constatar o seu evidente mau estado. Mas, olhando mais em pormenor, pode ver-se que alguém – o dono, a Câmara, a Junta de Freguesia ou seja quem for – o começou a pintar. Pintou só um bocadinho, é verdade, mas que iniciou o processo de pintura é inegável. E não é que foi exactamente no reduzido espaço em que a pintura apresentava alguma dignidade – e não noutro qualquer ponto – que o contestatário ao governo teve de escarrapachar a sua mensagem?! Se fosse um bocadinho mais ao lado faria, de certeza absoluta, toda a diferença... Assim, como foi ali, precisamente ali, é que o governo vai mesmo para a rua!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Olha que obra tão catita!


Desconheço se esta passadeira, de notória utilidade, terá sido “avivada” antes das últimas eleições. Se não foi, podia ter sido. E está bonita, sim senhor. Assim como a restante obra também está bastante jeitosa...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Quecas, almoços e IMI

Municípios falidos, completamente inviáveis e afogados em dividas, são coisa que não falta cá pelo rectângulo. Nada disso intimida os briosos autarcas que os governam. Vejam-se as almoçaradas de Natal que, nestes dias por todo o lado, são oferecidas aos eleitores mais idosos e que, no seu conjunto, seguramente nos custarão a todos uns quantos milhões de euros. Isto depois de, durante todo o ano, os terem andado a passear pelo país. E, não raras vezes, pelo estrangeiro. Para além, claro, das clássicas idas ao “Preço Certo”.
Pode – e presumo que haja – quem considere que isso dirá apenas respeito aos munícipes dos concelhos rebentados financeiramente pelas gestões popularuchas que por lá têm passado. Nada mais errado. O descalabro instalado nas contas dessas autarquias vai ser pago por todos. Até por nós. Mesmo pelos que nunca foram a Fátima num autocarro da Câmara nem cumprimentaram o Fernando Mendes.
Está na forja legislação que, no limite, permitirá transferir parte do IMI, a resultante da reavaliação que as nossas casas tiveram no ano passado, para as Câmaras endividadas por autarcas tresloucados. Que é como quem diz: Quem pagava, por exemplo, noventa euros e paga agora duzentos, contribuirá com cento e dez euros para o bolo que ajudará a salvar as Câmaras falidas. Se, reitero, a redacção original for aprovada. É que isto não há almoços grátis. Nem quecas oficiais à borla. Num e noutro caso uns comem e todos pagam.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Que é feito da tradicional chapada?!

Perigos vários apoquentarão, de certeza, os habitantes de Cabeceiras de Basto. Deve ser por isso que a autarquia lá do sitio decidiu promover um curso de defesa pessoal. Artes marciais ao estilo israelita. Krav Maga, ou lá o que é. Tudo grátis. Como é próprio de qualquer autarca que se preze, sempre pronto a colocar gratuitamente à disposição dos seus munícipes aquilo que não lhe pertence.
Desconheço os argumentos que terão servido de justificação para a realização desta despesa pública. Sim, porque o que se anuncia como gratuito para uns, acaba por custar dinheiro a todos. A ideia será, provavelmente, dotar a população de conhecimentos no âmbito da pancadaria que permita desmotivar eventuais ataques de meliantes. Ensinar aos velhinhos como reagir perante os patifes que lhes queiram roubar as reformas, por exemplo. Ou, talvez, promover junto das vitimas de violência doméstica uma actividade que lhes proporcionará uma forte capacidade de se defenderem dos seus agressores. Tudo boas causas, portanto. E para as quais as autarquias estão particularmente vocacionadas. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Tragam a calculadora!

Se fosse munícipe do Porto a noticia do regresso de Pedro Burmester à Casa da Música - o mamarracho onde, recorde-se, foram esturrados mais de cento e onze milhões de euros - deixava-me preocupado. Assim, enquanto contribuinte, os motivos que estão subjacentes ao seu regresso deixam-me só ligeiramente apreensivo.
Diz que o homem prometeu – e, pelos vistos terá cumprido - não actuar na cidade do Porto, sua terra-natal, enquanto Rui Rio fosse presidente da câmara. Isto como forma de protesto contra a politica do ex-autarca em relação à cultura. Contra a maneira rigorosa como o anterior edil geria o dinheiro dos contribuintes, portanto. Agora, parece, tudo mudou e o pianista volta, feliz e contente, a dar largas ao seu talento na cidade onde nasceu.
Acreditar que o pessoal das artes, da cultura ou a intelectualidade de esquerda em geral, venha a perceber um dia o conceito de rigor na gestão do dinheiro público ou entenda que entre pão e circo a escolha terá de ser, inequivocamente, pelo primeiro, é ter as expectativas demasiado elevadas em relação aquela malta. Por isso, os poucos que se preocupam em gerir de forma rigorosa o dinheiro dos contribuintes são enxovalhados. Pior do que isso. Quase ninguém tem coragem de fazer frente a essa tropa fandanga. É o politicamente correcto. Essa nova ditadura que se instalou entre nós.   

domingo, 8 de dezembro de 2013

Brincar com a água

A noticia hoje, divulgada pelo Diário de Noticias, segundo a qual o preço da água poderá em breve aumentar de forma significativa não constitui surpresa. O actual modelo é desadequado e, principalmente, injusto. Desadequado porque, salvo raras excepções, os custos reais do sistema são desconhecidos. Pior do que isso. São, muitas vezes, liminarmente ignorados. É, também, injusto dado que o preço varia de um concelho para outro ao sabor de politicas populistas, eleitoralistas, demagógicas e, principalmente, incompetentes.
Já dizia a minha avó, na sua imensa sabedoria, que a água não se nega a ninguém. Nem, acrescento eu, devia ser um negócio. Mas agora, chegados a este ponto, parece quase inevitável que o seja. E a culpa é nossa que nos pusemos a jeito. Quando cada metro cúbico nos custar dois ou três euros, vamos rabujar e chamar nomes a uns certos malandros. Pena que ninguém tivesse pensado nisso quando andámos a brincar com a água.

PS- Quando escrevo nós é isso mesmo que quero escrever. Quem é que sucessivamente elegeu os políticos muita porreiros que negociam o precioso liquido como se fosse uma qualquer mercadoria, o vendem ao desbarato ou, em muitas circunstâncias, até o dão?!

sábado, 7 de dezembro de 2013

As agressões verbais também contam?!

A lei recentemente aprovada pelo parlamento que criminaliza os maus tratos a animais domésticos tem merecido – justamente, talvez – uma quase unanimidade de comentários favoráveis. Acredito, no entanto, que será mais uma, entre tantas outras, a não ter aplicação prática. Será até, como acontece amiúde, o próprio Estado que não a vai cumprir quando licenciar canideos que não dispõem de condições de acomodação adequada. Como os que vivem fechados em apartamentos, por exemplo. Que isto não é só o tão criticado “bidon”, a servir de casota, que é inapropriado para os canitos.
O teor da legislação definirá, presumo, o tipo de animal que se pode considerar como doméstico. É que se todos os animais são iguais, neste caso, convém que alguns sejam mais iguais que outros. Uma cobra, um jacaré ou uma aranha venenosa dificilmente podem ser enquadradas nessa categoria. Mais. De ora em diante que os tiver em casa está a incorrer num crime. Manter qualquer um destes animais prisioneiros é dos piores maus-tratos quem se lhe pode infligir. E não falta quem o faça. Impunemente.