segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Excesso populacional ao nível da passarada

À semelhança do que acontece em muitas outras cidades, também Estremoz está infestada de pombos. Danificam monumentos, sujam edifícios, transmitem doenças e são, reconhecidamente, uma verdadeira praga urbana. Nada disso impede que muita gente, nomeadamente as dezenas de velhotes que passam os seus dias à volta do Rossio, os alimente e contribua com essa atitude inconsciente para a sua proliferação.
Não espero – não sou tão ingénuo quanto isso – que uma campanha de sensibilização junto das pessoas que dão comida aos pássaros produza algum efeito. Duvido até que haja quem a queira fazer. Isso só contribuiria para aborrecer as pessoinhas. Coisa que, obviamente, não queremos. Mas lá que convinha tomar uma medida qualquer parece-me por demais evidente. Assim, sei lá, tipo dar a pílula às pombas e distribuir preservativos aos pombos, ou isso.

domingo, 29 de dezembro de 2013

O defensor de reformados ricos que se está nas tintas para trabalhadores pobres

Cavaco pertence aquela espécie de criaturas desagradáveis que, segundo o próprio, nunca se enganam e raramente têm dúvidas. Alia a essa característica, já de si irritante, uma outra ainda pior. Aparenta ser um daqueles decisores, como muitos que abundam nos lugares de decisão, que está “ali” essencialmente preocupado com o “seu”. Apenas isso pode explicar a sua incessante e imensa preocupação com os cortes nas pensões e, simultaneamente, o desprezo com que olha para tesouradas muito maiores nos rendimentos e apoios sociais de quem trabalha.
Tal como se esperava o homem não teve dúvidas quanto à constitucionalidade do corte nos vencimentos na função pública. Nem, diga-se, esta medida tem merecido destaque significativo junto da comunicação social, analistas políticos, politólogos em geral, sindicatos ou até mesmo da oposição ao governo. Contrariamente, por exemplo, do que aconteceu com as TSU's. A dos pensionistas e a outra. Mas, bem vistas as coisas, o roubo agora é muito maior, já que a redução prevista no OE vai até aos doze por cento, enquanto antes se ficava pelos sete. Só que como é aos funcionários públicos não faz mal. Desta vez ninguém se importa que o dinheiro vá para as empresas, os bancos e para os municípios que alguns malucos trataram de arruinar. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

A couve (que podia ser) da crise



O futuro desta couve não deverá ser longo. O mais provável é nem chegar à panela. Dificilmente contribuirá para um caldo verde ou um cozido. Também ninguém a mandou nascer num dos lugares mais improváveis para o efeito. Mas, já que ali está, vai ter o mesmo tratamento das suas congéneres – as couves da crise - que crescem no sitio certo. É que no meu quintal todas as couves são iguais. Não há cá discriminações.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Consequências de um belo dia de inverno


Ao contrário do que aconteceu por outras paragens, por cá o temporal não causou estragos de maior. Uns ramos de árvores no chão e uma barraquita de venda de flores deitada abaixo eram os estragos mais visíveis ontem no centro da cidade.
Os telejornais exibiram por estes dias diversas reportagens dando conta das consequências do mau tempo que se fez sentir na quadra natalícia um pouco por toda a Europa. Numa delas, a dada altura, via-se um avião de pequeno porte que, alegadamente – digo eu, que isto nestas coisas convém não nos precipitarmos a atribuir culpas - teria sido virado pela forte ventania. Estava, proclamava o jornalista de serviço, de pernas para o ar. Ou, garantia-se noutro canal, de cabeça para baixo.
Esta retórica trouxe-me à memória o excerto de uma acta – documento público, portanto – de uma determinada reunião de certa Câmara, onde se escreveu, a propósito de uma situação que não vem ao caso, que as carrinhas do município em questão dormiam no respectivo parque de máquinas. Apesar de sobre esta tirada terem já passado, seguramente, perto de vinte anos ainda hoje está por esclarecer se entre elas existiria alguma que ressonasse, sofresse de insónias, sonambulismo ou qualquer outra perturbação do sono.  

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Uma crise muito peculiar


Um estrangeiro que chegue pela primeira vez a Portugal terá alguma dificuldade em acreditar que o país esteja a atravessar uma crise como aquela que a comunicação social internacional vai pintando. Centros comerciais à pinha, gente a comprar como se não houvesse amanhã e as últimas novidades em material informático e electrónico no topo das aquisições natalícias, farão qualquer um duvidar que os portugueses estejam a ser vítimas de algum tipo de austeridade. Se calhar o outro é que tinha razão. Parece que, se for necessário, o pagode ainda aguenta mais um aperto. Ou dois. Ai aguenta, aguenta.  

domingo, 22 de dezembro de 2013

O apoio social é que está a dar...


A maioria das autarquias está a aprovar por estes dias o orçamento municipal para 2014. Quase todas, salvo uma ou outra excepção, colocam um travão naquilo que tem sido o desvario orçamental dos últimos trinta anos e, muito por força da legislação que a troika tem obrigado a aprovar, vamos finalmente ver os autarcas a gastar de acordo com as receitas que conseguem amealhar. Este novo paradigma não significa, como é óbvio, que passem a gastar bem. Mas, valha-nos isso, vão passar a esbanjar menos.
Ao que se vai escrevendo acerca do assunto, na moda já não estão as grandes obras. Agora é mais apoio social a desempregados e velhinhos. O que até faz sentido. Nomeadamente depois de terem andado anos consecutivos a contribuir para a falência de empresas e de nunca se terem lembrado de fomentar a criação de lares de idosos. Se fosse bera, mas mesmo bera, diria que fizeram de propósito. Que criaram o mercado. Mas se calhar a culpa nem será deles. Afinal eles só fizeram o que nós queríamos que fizessem.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Por mim desconfio disso do principio da confiança ou lá o que é...

Só os mais ingénuos - ou completamente desatentos a estas coisas da politica - podiam imaginar uma posição diferente do Tribunal Constitucional acerca da tal “convergência” das pensões. Da redução das ditas, no fundo. Isto porque estamos a viver uma paranóia colectiva, derivada de muitos reformados ocuparem lugares chave na sociedade, que impossibilita a chamada a um vastíssimo leque de reformados ricos – a começar pelo Aníbal - ao clube dos sacrificados em nome da crise. É inconstitucional, diz. Trai, garantem, o principio da confiança. Seja lá isso o que for.
Dentro dos limites da Constituição estão, ao invés, os sacrifícios a que são sujeitos os trabalhadores pobres. O fim do abono de família resultou, por exemplo, uma perda superior a sessenta euros mensais em ordenados quinze vezes mais pequenos do que a reforma do Presidente da República. Ou três vezes inferiores à pensão da esmagadora maioria dos professores aposentados. Mas disso ninguém questionou a constitucionalidade. Já devíamos desconfiar que isso de educar os filhos é muito menos importante que os cruzeiros...
Curioso será saber o que dirão os homens de negro quanto à redução salarial que se prevê para o próximo ano. Desconfio que vai passar sem grandes sobressaltos. Afinal o dinheiro tem de aparecer de algum lado. É nisso que a malta confia. Tal como eu confiava em muita coisa quando, já lá vão trinta e três anos, assinei um termo de posse ao qual o principio da confiança se não tem aplicado. Deve ser para garantir as pensões daqueles que, na mesma altura e apenas ligeiramente mais velhos, estavam a assinar idêntico papel na tropa, na GNR, no Ministério da Educação ou noutro sitio igualmente lixado onde o pessoal se reforma aos cinquenta e poucos. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Gente fina é outra merda



Pouco haverá a dissertar perante um cenário que se repete com inusitada frequência em todas as zonas verdes. Isto de ter um cão no apartamento é coisa fina, o bicho tem de cagar e os donos, na sua imensa maioria, são uns verdadeiros javardos. Daí que não surpreenda a imundície em que os nossos relvados – e, de uma maneira geral, todos os espaços públicos - se transformaram. Mas também não faz grande diferença. É que se originalmente terão sido pensados para ser desfrutados, principalmente, por crianças e jovens estão hoje entregues aos animais e a quem os passeia. Ou brinca. Que isto, a par dos tablets, os cães são os brinquedos preferidos da malta.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Estacionamento tuga



Mais um. Apenas isso. Mas, ainda assim, a maneira desleixada como esta malta abandona a viatura faz-me questionar se - por acaso e só por um remoto e improvável acaso - nenhuma destas criaturas terá equacionado a hipótese de, com este comportamento, estar a prejudicar os outros. Nomeadamente os que chegam depois e não encontram lugar, um que seja, para estacionar. Ou então, o mais provável, não se importam nada com isso e preocupam-se apenas com o seu umbigo. Ao melhor espírito tuga, portanto. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Preto no branco.



A bem dizer não simpatizo com isso de andar a escrever nas paredes. Acho parvo. Neste caso ainda mais parvo. Se atentarmos no muro podemos constatar o seu evidente mau estado. Mas, olhando mais em pormenor, pode ver-se que alguém – o dono, a Câmara, a Junta de Freguesia ou seja quem for – o começou a pintar. Pintou só um bocadinho, é verdade, mas que iniciou o processo de pintura é inegável. E não é que foi exactamente no reduzido espaço em que a pintura apresentava alguma dignidade – e não noutro qualquer ponto – que o contestatário ao governo teve de escarrapachar a sua mensagem?! Se fosse um bocadinho mais ao lado faria, de certeza absoluta, toda a diferença... Assim, como foi ali, precisamente ali, é que o governo vai mesmo para a rua!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Olha que obra tão catita!


Desconheço se esta passadeira, de notória utilidade, terá sido “avivada” antes das últimas eleições. Se não foi, podia ter sido. E está bonita, sim senhor. Assim como a restante obra também está bastante jeitosa...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Quecas, almoços e IMI

Municípios falidos, completamente inviáveis e afogados em dividas, são coisa que não falta cá pelo rectângulo. Nada disso intimida os briosos autarcas que os governam. Vejam-se as almoçaradas de Natal que, nestes dias por todo o lado, são oferecidas aos eleitores mais idosos e que, no seu conjunto, seguramente nos custarão a todos uns quantos milhões de euros. Isto depois de, durante todo o ano, os terem andado a passear pelo país. E, não raras vezes, pelo estrangeiro. Para além, claro, das clássicas idas ao “Preço Certo”.
Pode – e presumo que haja – quem considere que isso dirá apenas respeito aos munícipes dos concelhos rebentados financeiramente pelas gestões popularuchas que por lá têm passado. Nada mais errado. O descalabro instalado nas contas dessas autarquias vai ser pago por todos. Até por nós. Mesmo pelos que nunca foram a Fátima num autocarro da Câmara nem cumprimentaram o Fernando Mendes.
Está na forja legislação que, no limite, permitirá transferir parte do IMI, a resultante da reavaliação que as nossas casas tiveram no ano passado, para as Câmaras endividadas por autarcas tresloucados. Que é como quem diz: Quem pagava, por exemplo, noventa euros e paga agora duzentos, contribuirá com cento e dez euros para o bolo que ajudará a salvar as Câmaras falidas. Se, reitero, a redacção original for aprovada. É que isto não há almoços grátis. Nem quecas oficiais à borla. Num e noutro caso uns comem e todos pagam.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Que é feito da tradicional chapada?!

Perigos vários apoquentarão, de certeza, os habitantes de Cabeceiras de Basto. Deve ser por isso que a autarquia lá do sitio decidiu promover um curso de defesa pessoal. Artes marciais ao estilo israelita. Krav Maga, ou lá o que é. Tudo grátis. Como é próprio de qualquer autarca que se preze, sempre pronto a colocar gratuitamente à disposição dos seus munícipes aquilo que não lhe pertence.
Desconheço os argumentos que terão servido de justificação para a realização desta despesa pública. Sim, porque o que se anuncia como gratuito para uns, acaba por custar dinheiro a todos. A ideia será, provavelmente, dotar a população de conhecimentos no âmbito da pancadaria que permita desmotivar eventuais ataques de meliantes. Ensinar aos velhinhos como reagir perante os patifes que lhes queiram roubar as reformas, por exemplo. Ou, talvez, promover junto das vitimas de violência doméstica uma actividade que lhes proporcionará uma forte capacidade de se defenderem dos seus agressores. Tudo boas causas, portanto. E para as quais as autarquias estão particularmente vocacionadas. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Tragam a calculadora!

Se fosse munícipe do Porto a noticia do regresso de Pedro Burmester à Casa da Música - o mamarracho onde, recorde-se, foram esturrados mais de cento e onze milhões de euros - deixava-me preocupado. Assim, enquanto contribuinte, os motivos que estão subjacentes ao seu regresso deixam-me só ligeiramente apreensivo.
Diz que o homem prometeu – e, pelos vistos terá cumprido - não actuar na cidade do Porto, sua terra-natal, enquanto Rui Rio fosse presidente da câmara. Isto como forma de protesto contra a politica do ex-autarca em relação à cultura. Contra a maneira rigorosa como o anterior edil geria o dinheiro dos contribuintes, portanto. Agora, parece, tudo mudou e o pianista volta, feliz e contente, a dar largas ao seu talento na cidade onde nasceu.
Acreditar que o pessoal das artes, da cultura ou a intelectualidade de esquerda em geral, venha a perceber um dia o conceito de rigor na gestão do dinheiro público ou entenda que entre pão e circo a escolha terá de ser, inequivocamente, pelo primeiro, é ter as expectativas demasiado elevadas em relação aquela malta. Por isso, os poucos que se preocupam em gerir de forma rigorosa o dinheiro dos contribuintes são enxovalhados. Pior do que isso. Quase ninguém tem coragem de fazer frente a essa tropa fandanga. É o politicamente correcto. Essa nova ditadura que se instalou entre nós.   

domingo, 8 de dezembro de 2013

Brincar com a água

A noticia hoje, divulgada pelo Diário de Noticias, segundo a qual o preço da água poderá em breve aumentar de forma significativa não constitui surpresa. O actual modelo é desadequado e, principalmente, injusto. Desadequado porque, salvo raras excepções, os custos reais do sistema são desconhecidos. Pior do que isso. São, muitas vezes, liminarmente ignorados. É, também, injusto dado que o preço varia de um concelho para outro ao sabor de politicas populistas, eleitoralistas, demagógicas e, principalmente, incompetentes.
Já dizia a minha avó, na sua imensa sabedoria, que a água não se nega a ninguém. Nem, acrescento eu, devia ser um negócio. Mas agora, chegados a este ponto, parece quase inevitável que o seja. E a culpa é nossa que nos pusemos a jeito. Quando cada metro cúbico nos custar dois ou três euros, vamos rabujar e chamar nomes a uns certos malandros. Pena que ninguém tivesse pensado nisso quando andámos a brincar com a água.

PS- Quando escrevo nós é isso mesmo que quero escrever. Quem é que sucessivamente elegeu os políticos muita porreiros que negociam o precioso liquido como se fosse uma qualquer mercadoria, o vendem ao desbarato ou, em muitas circunstâncias, até o dão?!

sábado, 7 de dezembro de 2013

As agressões verbais também contam?!

A lei recentemente aprovada pelo parlamento que criminaliza os maus tratos a animais domésticos tem merecido – justamente, talvez – uma quase unanimidade de comentários favoráveis. Acredito, no entanto, que será mais uma, entre tantas outras, a não ter aplicação prática. Será até, como acontece amiúde, o próprio Estado que não a vai cumprir quando licenciar canideos que não dispõem de condições de acomodação adequada. Como os que vivem fechados em apartamentos, por exemplo. Que isto não é só o tão criticado “bidon”, a servir de casota, que é inapropriado para os canitos.
O teor da legislação definirá, presumo, o tipo de animal que se pode considerar como doméstico. É que se todos os animais são iguais, neste caso, convém que alguns sejam mais iguais que outros. Uma cobra, um jacaré ou uma aranha venenosa dificilmente podem ser enquadradas nessa categoria. Mais. De ora em diante que os tiver em casa está a incorrer num crime. Manter qualquer um destes animais prisioneiros é dos piores maus-tratos quem se lhe pode infligir. E não falta quem o faça. Impunemente.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Podemos sempre aumentar o IMI...


Na sequência da divulgação a nível nacional destes dados, um jornal local – na edição em papel e na versão online – fez uma breve análise ao número de trabalhadores que algumas autarquias da região empregam tendo em conta a população residente. Não vou comentar os números. Não me apetece. Nem, sequer, são eles que importam para o caso. Perante este artigo o que verdadeiramente me surpreende é a frase entre parêntesis. Aquela que tem uma espécie de sublinhado a vermelho. Há ali qualquer coisa que me escapa. Nomeadamente quando, ao que consta, o dinheiro escasseia. E de, também, ser quase unânime que ao Estado não compete o papel de criador de emprego mas sim o de potenciar a sua criação pelas empresas. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A difícil arte de comer filhoses meladas

Não sou grande apreciador de filhoses. Nem nunca fui. Muito menos agora que começo a ter preocupações com isso do colesterol. E depois há aquela parte de ficar com os dedos besuntados. Sim, porque aquilo não é coisa que se coma de faca e garfo. Como mostra o vídeo. Realizado por mim, diga-se, na última Cozinha dos Ganhões.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Estes macacos ainda não aprenderam...


No principio, quando a reciclagem era uma novidade, os publicitários inventaram um macaco – o Gervásio, ou lá como se chamava o bicho – mas nos incentivar a reciclar. A tarefa era tão fácil, garantiam, que até o símio a aprendeu a executar em menos de nada. Passados todos estes anos – e são muitos – ainda há uns estafermos que desconhecem o conceito. Ou então – hipótese a não descurar – estão num estádio de desenvolvimento mais atrasado que o Gervásio.
Presumo que a generalidade das pessoas não sabem – o que não surpreende, porque ninguém lhes explica – que o facto de não reciclarem os resíduos que produzem nos custa dinheiro. Muito e a todos. Mas isso parece importar pouco. Afinal nós semos ricos,  samos?!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Mas os cortes são só nas pensões? É que até parece que são apenas os pensionistas as vitimas destes malucos

Deve ser, assumo, problema meu. Mas, de verdade, não estou a ver razão para a histeria colectiva que tem assaltado a comunicação social a propósito da intenção do governo de reduzir as pensões de aposentação. Tudo o resto parece que não interessa. O desemprego, a diminuição de apoios sociais, a falta de perspectiva de futuro para os jovens ou, até porque o barco é o mesmo, os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, não motivam idêntico nível de preocupação nem constituem tema que mereça, da parte dos média, o mesmo tratamento.
Tal ficará a dever-se, não vislumbro outro motivo, ao facto de Portugal ser um país de reformados. São muitos, logo qualquer assunto que os envolva garante audiência. Destes, não são poucos os que ocupam lugares de destaque na governação do país – logo a começar pelo Aníbal, que nunca escondeu as suas preocupações com a sua reforma – e ainda serão mais os que se dedicam a fazer opinião em tudo o que é jornal, rádio e televisão. Nomeadamente a opinar em defesa da sua dama. A sua rica reforma. Que, ao contrário da maioria dos aposentados e dos que trabalham, é mesmo rica.
Não está, obviamente, em causa a reprovação que merece esta medida do governo. Tenho as pontas dos dedos gastas de tanto me indignar contra ela e outras do mesmo genero. O que me repugna é a maneira como a coisa é apresentada. A parcialidade escandalosa com que o assunto é tratado. O descaramento com que me querem fazer acreditar nas dificuldades por que estarão a passar. Que diabo. Eu também tenho cortes no vencimento – o que me deixa visivelmente aborrecido – e ganho várias vezes menos do que aquela malta que me enche o ecrã da televisão de lamentações. Façam menos cruzeiros e vão ver que nem notam a austeridade!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sim, estou de acordo. E simultaneamente de opinião contrária.

Numa coisa concordo com todos aqueles – e têm sido muitos – que manifestaram a opinião, seja qual for o meio utilizado, que o aumento do salário mínimo constituiria um crime contra os mais pobres porque, garantem, isso contribuiria para aumentar o desemprego e dificultaria, ainda mais, o acesso ao mercado de trabalho aos jovens e aos menos qualificados. Contrariado mas não vejo, nas actuais circunstâncias, como não concordar.
Há mesmo quem defenda, não só de agora mas desde tempos imemoriais, que nem sequer devia existir um mínimo estabelecido por lei para a remuneração do trabalho. Por acaso também acho. São, afinal, dois os itens em que estou de acordo com essa corrente de pensamento. É que, vendo bem, se o mundo fosse tão perfeito como estes opinadores defendem, o desemprego seria praticamente erradicado. Arrisco, até, que o problema passaria a ser a falta de mão de obra.
Nunca tinha equacionado a coisa desta forma mas, visto o tema por este prisma, é, de facto, verdade. Contorço-me de raiva por nunca ter pensado nisso antes, enquanto me vergo perante tanta sapiência. Mais, torno-me desde já um defensor dos salários baixos. Baixíssimos, mesmo. Miseráveis, até. E garanto que, caso esta idílica perspectiva se concretize e os ordenados passarem a ser, sei lá, tipo 50 euros por mês, crio de imediato meia dúzia - ou mais - de postos de trabalho lá na herdade. Se houver quem não se importe de ser escravo, claro.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Um autarca em primeiro-ministro?! A esquerda não tem mesmo amor à carteira...

António Costa, o autarca da capital, parece ser o preferido das esquerdas para chefiar o governo a sair de umas próximas – ou apenas relativamente próximas – eleições legislativas. Ao homem são apontadas umas quantas virtudes que, dizem, têm andado afastadas dos antigos e, também, do actual líder do partido socialista. Para além, garantem, de seguramente ser muito mais capaz de governar o país do que o Parvus Coelho.
O meu habitual cepticismo em relação aos políticos - e em particular aos autarcas – não me permite concordar com o quase consenso em redor do senhor Costa. Por muitas razões. A primeira, porque tenho uma vaga ideia de este destacado militante socialista ter sido o número dois do governo socrático. O tal que rebentou com as nossas finanças e que cavou um buraco de dimensões apocalípticas nas contas do país. Como não se afigura provável que o actual edil tenha aprendido grande coisa desde então, está-se mesmo a ver o rumo que isto levará com ele ao leme...
Depois, porque as suas prioridades, mesmo em momento de crise, são de continuar a gastar os recursos que não têm em futilidades, principalmente em tempo de crise, em lugar de pagar as dividas. Ainda ontem o cavalheiro, na inauguração da iluminação de natal da capital, manifestou opiniões curiosas quanto à maneira de gerir o dinheiro dos contribuintes. Para ele poupar, em anos anteriores, nas iluminações de natal foi um erro que não voltará a repetir. Pois. Gaste, gaste. Que no gastar é que está o ganho. Eleitoral, apenas.  

sábado, 30 de novembro de 2013

Os saqueadores são uma espécie que me aborrece


Portugal está – desde há muitos anos – a saque. E, por mais que a ministra da justiça proclame que a impunidade acabou, aquilo que continuamos a constatar é que vivemos num país de saqueadores. Verdade que uns sacam mais que outros. Há quem saque milhões e quem saque tostões. Cada um saca o que pode, portanto. Desde o gajo que, alegadamente, se afiambrou a toneladas de euros do BPN até ao espertalhão que, não menos alegadamente, se vai escapulindo ao pagamento da renda, da água ou da luz que consome. Num e noutro caso cá estão os dos costume para pagar. Mas estes sem essa coisa do alegadamente. Até um dia que se aborreçam de tanto ser sacados. Nessa altura, ao contrário do que gostariam uns quantos velhotes, nem vai ser preciso andar à porrada. Quando o dia do aborrecimento chegar isto cai de vez. Nas calmas. Mas, se calhar, com estrondo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Em busca da pesquisa perdida


Por algum motivo que me escapa, as pesquisas efectuadas no Google já não aparecem nos contadores de visitas. Deve ter algo a ver com a melhoria do serviço ou assim. Perde-se, por causa disso, informação relevante da qual os administradores de bloggers e outros sites extraíam importantes conclusões quanto à melhor forma de manter e cativar a audiência.
Os restantes motores de busca, por enquanto, não adoptaram esta politica. No entanto, dado o número residual de utilizadores que a eles recorrem, não é a mesma coisa. De certeza que entre as pesquisas a que agora já não tenho acesso estarão expressões mais interessantes e curiosas do que a “grande puta tuga” - da qual, espero, o autor tenha encontrado o rasto – ou do leitor gago que pesquisou “n n nuas”.
Depois de me terem saneado do adsense, agora isto. Palhaços. Acho que vou mudar de motor de busca. Não é que eles se importem. Mas eu também não. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

De hipocondríacos a amantes das novas tecnologias.


Não vai longe o tempo em que clínicas e outros espaços onde se realizam exames complementares de diagnósticos ou, até mesmo, centros de saúde estavam cheios de gente. Velhos e novos, doentes ou a vender saúde, não havia cão nem gato que não fizesse toda a espécie de exames médicos.
Hoje estes locais estão praticamente vazios. Inclusivamente os serviços de urgência estão, a maior parte do tempo, quase às moscas. Deve ser, presumo, mais uma nefasta consequência da crise. Ou, então, trata-se de uma espécie de milagre em que a nossa saúde melhorou ao mesmo ritmo que a carteira se foi esvaziando.
O que, estranhamente, continua cheio são os centros comerciais. O que pode questionar isso da carteira estar mais vazia. No último fim-de-semana os tablets, telemóveis daqueles todos catitas e LCD's de dimensões XXL saiam a uma velocidade estonteante da Worten cá sitio. Tudo coisas sem as quais, obviamente, já não podemos viver. Por mais que a crise nos afecte. A crise ou as nossas prioridades.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Não há almoços grátis. Nem reparações à borla.


Sucedem-se noticias de autarquias que disponibilizam serviços de pequenas reparações ao domicilio. Tudo o que diz respeito a carpintaria, electricidade ou canalizações pode ser consertado por pessoal habilitado, para o efeito disponibilizado pela respectiva autarquia local. De forma gratuita e discriminatória. Bom, talvez não seja bem assim. Nomeadamente na parte do gratuito. Porque a menos que o presidente da câmara pague do bolso dele alguém está a pagar. E desconfio que são os discriminados a quem isso da gratuitidade não se aplica. Inconstitucionalidadezinha da boa, parece-me.
Não sei se a dificuldade cada vez maior em encontrar um carpinteiro, canalizador ou electricista para fazer uma pequena reparação estará, ainda que vagamente, relacionada com tão inteligente medida de apoio social. Talvez não esteja. O pessoal é que está cada vez mais preguiçoso e não se quer dedicar a actividades que envolvam esforço físico. Deve ser isso.

domingo, 24 de novembro de 2013

Ainda isso das quarenta horas


Estremoz será, alegadamente, a única câmara do distrito e uma das poucas no país a aplicar a lei que estabelece o horário de trabalho da função pública em quarenta horas semanais. Nada de mais. Lei é lei e, tanto quanto se sabe, é para cumprir. Daí que tal atitude não constitua, na minha modesta opinião, motivo para elogios ou reparos. É assim e pronto.
O mesmo não digo de certas vozes que, cá pelo burgo e também no resto do país, não contêm o seu regozijo de cada vez que os funcionários públicos vêem piorar a sua situação profissional e financeira. Deviam, digo eu, ter percebido – até porque muitos já o sentem na pele – que qualquer patifaria feita pelo governo à função pública se reflecte, inevitavelmente, no resto da comunidade. Mais ainda numa terra pequena onde a dependência do Estado é esmagadora.
Se a perda de rendimentos conduziu à quebra do consumo e consequente diminuição das vendas, o aumento do numero de horas de trabalho está a piorar ainda mais o cenário. É, pelo menos, do que se queixam alguns comerciantes da cidade. Coisa que devia preocupar – no lugar deles preocupava-me – os que olham com satisfação as atitudes persecutórias do governo. Até porque elas podem significar mais encerramentos de lojas, despedimentos e o resto a que já vamos estando habituados. Mas se o povo gosta...
Perante esta evidência reconheço que me equivoquei quando,  aqui há atrasado, me pronunciei contra a extinção de uns quantos feriados. Afinal o governo tinha mesmo razão. Mais dias de trabalho corresponderão, necessariamente, a um aumento do produto interno bruto. Assim como, inversamente, na sequência da mesma lógica, menos horas de descanso – ou sem trabalhar – diminuirão o consumo. O pequeno comércio local atesta a eficácia da teoria.

sábado, 23 de novembro de 2013

As varandas da crise


Por causa da crise ou de outra coisa qualquer é cada vez mais frequente encontrar alfaces, couves ou outros vegetais comestíveis em locais onde antes apenas existiam ervas ou flores. É o caso desta varanda no centro da cidade. Com a vantagem, relativamente ao meu quintal, da plantação estar a salvo de lesmas e outra fauna como a que arruína a minha “horta”.
É por causa dessa bicheza que, também eu, aderi à “agricultura de vaso e garrafão”. Primeiro foram os morangos e, agora, um criadouro de alfaces. Que, a seu tempo, serão também plantadas no vasilhame estrategicamente espalhado pelo quintal. A salvo, espero, de toda a espécie de rastejantes, criaturas aladas e gatos incontinentes.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O cliente tem sempre razão...excepto nisso da cultura!


Sou um inculto. Revelação que, diga-se, não constitui novidade para ninguém. Muito menos para mim. Mas, fiquei a saber desde esta semana, não sou o único por estas paragens. A julgar por aquilo que tenho lido na Internet os habitantes de Estremoz, todos sem excepção, padecem de uma profunda falta de cultura. Isto porque, pasme-se, nem um só residente desta terra foi assistir a um espectáculo espectacularmente espectacular que estava agendado para o fim-de-semana passado.
Sim, é verdade. Nem um estremocense se dignou a fazer companhia ao único actor que ia subir ao palco do teatro cá do sítio. E isso, compreensivelmente, indignou o pessoal envolvido na peça – que se propôs vir apresenta-la por sua conta e risco – e, incompreensivelmente, uns quantos fulanos que, nas redes sociais, desataram a encontrar culpados pela total ausência de público. Tudo tem servido para justificar o fracasso. Nomeadamente a ofensa reles a funcionários do Município, a atribuição da culpa pela situação ao presidente da câmara e um argumentário de nível abaixo de idiota quanto à pretensa falta de divulgação do evento. Nada que surpreenda muito. Porque, como se sabe, para o pessoal da cultura – esses seres iluminados e de inteligência superior – a culpa é sempre dos outros e nunca deles.
Em momento algum aquela malta equaciona a hipótese de o espectáculo não ser assim tão bom ou admita que nesta terra não exista público para aquele tipo de trabalho. Nem - pelo menos isso - reconheça que temos o direito de, enquanto consumidores seja de cultura ou de outra coisa qualquer, comprar apenas o que nos apetece. Por melhor que seja o produto que nos estão a tentar vender. O que, se calhar, nem era o caso.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ainda o horário de trabalho da função pública


De entre as coisas que me aborrecem a xico-espertice é uma das que ocupa os lugares cimeiros da lista. O xico-esperto é um daqueles seres – em abundância neste país - que não me merece nenhum tipo de respeito e que desprezo profundamente.
O que se está a passar relativamente à questão do horário de trabalho da função pública é, apenas, mais um exemplo do xico-espertismo nacional. O que penso acerca do assunto está mais que explanado em vários posts que dediquei ao tema e, por isso, não faço hoje considerações sobre a bondade, ou falta dela, da decisão de pôr a função pública a trabalhar oito horas.
Aquilo que deixa os meus poucos cabelos em pé é atitude deplorável dos sindicatos e de outros agentes políticos perante a matéria. Primeiro, porque não estou a ver a razão objectiva – subjectivas até vejo muitas – para recursos e providências cautelares. A lei é clara, não deixa margens a interpretações manhosas e não constitui qualquer tipo de discriminação entre trabalhadores do privado e do público. O governo legislou – foi, de resto, para isso que os portugueses o elegeram – e não devem ser outras instâncias, por mais legítimas que sejam, a decidir sobre assuntos da esfera politica. Até porque não me lembro – mas admito que a minha memória me esteja a atraiçoar – de ter ido votar para a eleição de qualquer tribunal. Constitucional ou não.
Depois, porque a luta política em redor do assunto é apenas baseada no oportunismo e protagonizada essencialmente por xicos-espertos. Veja-se o recente caso da greve protagonizada pelos trabalhadores dos transportes colectivos do Barreiro contra a aplicação das oito horas de trabalho por parte daquela autarquia. Liderada, recorde-se, pelo partido comunista. Neste caso, a luta contra a imposição do novo horário não terá merecido grande simpatia, muito menos solidariedade, dos sindicatos e pessoal afecto ao poder camarário. Está-se mesmo a ver que a cor política da autarquia não tem nada a ver com isso… os gajos dos autocarros é que devem ser uns beras do caraças de quem ninguém gosta.

Continua. (Amanhã ou noutro dia qualquer…)