Um sindicato qualquer – da função pública, quem mais – já anunciou a realização de uma greve – à sexta-feira, claro – contra, entre outras coisas, o orçamento de estado para 2026. Aguardo, com pouca ansiedade, a presença dos sindicalistas de serviço para me explicarem qual o ponto em concreto – ou pontos, igualmente em concreto - que suscitam a sua discordância, ao ponto – lá está, aqui é que bate o ponto – de se sentirem na obrigação de convocar uma greve. Que é, ao que se dizia nos tempos em que eu ia a reuniões promovidas pelo sindicato, a última arma dos trabalhadores. Desde então já passaram quarenta e tal anos e de há muitos a esta parte parece-me que é mais a primeira arma do Partido Comunista.
Apesar da pouca sensatez desta greve – que, obviamente, não passa de uma prova de vida do PCP – ainda não chegámos, por cá, à maluqueira que assola outros países. Em Itália e Espanha, por exemplo, fizeram um dia de greve geral em solidariedade com a Palestina. Chamar-lhes malucos é capaz de ser pouco. Aquilo é mais uma alucinação colectiva. Algumas noticias dão conta de uma adesão, no país vizinho, de 40% entre os professores e pouco mais de 5% na saúde. Normal. São conhecidas as maleitas de que padecem os primeiros – lá como cá - e os segundos, se calhar, aproveitaram a greve pública para ganhar uns cobres no privado.

















