
A minha paciência para ler programas eleitorais é muito escassa. Nem mesmo cá os da terra me suscitam especial atenção. Aquilo é, basicamente, tudo igual. Verdade que não há grande margem para inventar – já está quase tudo inventado - nem os eleitores destas paragens nutrem uma simpatia por aí além pelas ideias mais arrojadas. Coisas quase banais, como um teleférico até ao castelo ou algo verdadeiramente inovador a nível mundial, como um centro de acolhimento a investidores de outros planetas, não há quem se atreva a propor. O eleitor local gosta mais de ter os pés bem assentes na terra. É mais pelo alcatrão, portanto.
O melhorzinho que vi, no âmbito no âmbito dos comes e bebes, foi a criação do “Festival do tremoço”. Uma belíssima ideia, diga-se. Pena não terem aproveitado para incluir, já no âmbito desportivo, um torneio que envolva cuspir as cascas dos tremoços. Era uma espécie de dois em um. Que podia, até, ter várias variantes. Desde a distância a que a casca fosse cuspida até à pontaria evidenciada pelo acerto num alvo predeterminado. Ainda na temática das festividades, confesso que tive esperança de ver incluída num qualquer programa eleitoral a realização de um “Festival da Cannabis”, já que na região existem empresas que se dedicam ao cultivo da planta. Bolos, licores e o que mais a imaginação providenciasse trariam de certeza muita gente à cidade. Mas não. Nem isso. É o que dá o Bloco de Esquerda não ter candidato.
É por tudo isso que ao invés da leitura dos programas, prefiro ver os nomes e as fotos de todos os que integram as listas de candidatos aos diferentes órgãos. Especialmente os que estão para lá dos lugares elegíveis. Para ficar a conhecer desde já os novos colegas.