segunda-feira, 14 de abril de 2025

Imagem da arbitragem portuguesa

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Há muitos anos, numa prova de natação - coisa à séria, integrante do calendário oficial da Federação da modalidade – assisti à desclassificação de um nadador por, conforme foi anunciado na instalação sonora da piscina, “na viragem o atleta ter efectuado uma braçada subterrânea”. O que, obviamente, suscitou a risota geral entre as duas ou três centenas de pessoas presentes no local e o justificável embaraço do árbitro que anunciou a penalização.


Ontem, não ao vivo mas pela televisão, tive ocasião de ouvir uma das maiores bacoradas que alguma vez foram proferidas durante um jogo de futebol. Algo igualmente invulgar, mesmo no âmbito de um evento desportivo e muito pior do que a "braçada" do outro coitado. Pior porque foi premeditado. Não foi daquelas coisas que saem naturalmente. Alguém que está a olhar durante minutos para um monitor, a ver várias vezes a repetição da jogada e depois anuncia, perante sessenta mil pessoas no estádio e vários milhões a assitir através da televisão, que “o jogador rasteirou o adversário com a cabeça” não pode regular lá lá bem da sua. Quem é que, em seu perfeito juízo, rasteira alguém à base da cabeçada? Só um maluco. Quem é que num jogo decisivo para as contas do titulo inventa um penálti daqueles? Só um vidente. Tipo os pastorinhos de Fátima, que também viram coisas que mais ninguém viu. 

domingo, 13 de abril de 2025

Os Observatórios servem para fazer observações parvas?

Quanto à necessidade de imigrantes que venham para o país fazer o que os portugueses não querem, nomeadamente trabalhar e ter filhos, nem vale a pena perder tempo a dissertar. É um facto e tudo o que divirja daqui são meras opiniões. 


Que a vinda massiva de mais de milhão e meio destas pessoas, num período de tempo relativamente curto, constitui um problema – mais do que um, a bem dizer – é outro facto que apenas a esquerda e mais uns quantos tótós, passe o pleonasmo, insistem em negar.


O que se dispensa é o esforço que certas criaturas fazem para complicar ainda mais o que de si já não é fácil. Declarações como as alegadamente proferidas por um responsável qualquer do Observatório das Migrações – uma adiposidade do Estado que os inimigos da redução do IRS nunca se lembram de citar quando perguntam onde se pode cortar a despesa – só contribuem para piorar os sentimentos anti-imigração cada vez mais evidentes. Aquela alminha terá sugerido que os serviços e o mercado de trabalho se adaptem ao dia de descanso, sexta-feira, “daquela” população. Mas não ficou por aqui. Terá ainda sugerido que alguns portugueses prescindam do médico de família e que os jovens fiquem mais uns anos em casa dos pais para que os imigrantes possam ter acesso a assistência médica e à habitação.


A indigência mental de quem, alegadamente, terá proferido estas alarvidades nem merece que me alongue em considerações. Até porque as desconsidero profundamente. E, por outro lado, nem é o homem que tem a culpa. Essa é de quem o nomeou e de quem ainda não o demitiu.


PS. Sou gajo para apostar com quem quiser que, apesar de sempre atento à actualidade, esta entrevista não vai passar logo à noite no programa do RAP nem, tão-pouco, suscitará grande interesse à comunicação social.


PSD. O “Correio da Manhã” ainda é um esgoto a céu aberto ou já o podemos considerar um jornal de referência?

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Agricultura da crise

Aquela ideia parva de colocar cascas de ovos nas couves, para evitar que as borboletas realizem a oviposição, revelou-se um fracasso. Não funciona. É o que dá fazer caso das cenas que outros tótós publicam na Internet. O melhor é fazer vistorias regulares às folhas ou, preferencialmente, matar as borboletas que esvoacem nas imediações das plantas. Por fim, se os passos anteriores não forem suficientes, esborrachar as lagartas.


Mesmo sujeita aos ataques constantes da mais variada bicharada – via área, terrestre e subterrânea - a agricultura da crise, agora num formato bastante mais limitado, continua em pleno cá pelo quintal da maison. Especialmente dedicado a uma leitora muito especial, a Fatyly, segue-se uma “reportagem” fotográfica mais ou menos detalhada da “agrária”.


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E, por fim, uma espécie de homenagem à verdadeira "alma mater" da agricultura da crise. As flores da minha Maria.


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quarta-feira, 9 de abril de 2025

Incompreensões

Há quem se declare incompreendido pela sociedade. Eu, que gosto de ser do contra, não compreendo a sociedade. Será, decerto, um defeito meu. Uma coisa que irá comigo para o crematório. Por um lado já sou demasiado velho para mudar e, por outro, as razões para a minha incompreensão não cessam de aumentar. Vejamos algumas:


- Quando os bancos apresentam prejuízos é mau. Quando apresentam lucros, também. Fica, numa ou noutra circunstância, toda a gente indignada. É melhor decidirem-se. Não é por mim. É para levar a resposta ao homem, como dizia a minha a avó quando se estava nas tintas para conclusões alheias.


- As grandes fortunas constituem um enorme problema. São, ao que ouço amiúde, a causa das desigualdades sociais que provocam todos os males da humanidade. Talvez sejam. Desse ponto de vista, desde a semana passada e depois dos maiores ricaços do planeta terem perdido larguíssimos milhares de milhões de euros graças a estas cenas das tarifas, hoje o mundo é um lugar muito melhor para os pobres. Não se esqueçam de agradecer ao Trump.


- Costumo dizer que pagar e morrer, não necessariamente por esta ordem, são as últimas coisas que se fazem na vida. Não serei o único, mas poucos pensarão como eu. A generalidade das criaturas gostam de pagar adiantado. Deve ser por isso que anda por aí uma indignação que só visto por causa do IRS. As pessoas estão chateadas por não lhes ter sido cobrado no ano passado um imposto que apenas têm obrigação de pagar no fim do próximo mês de Agosto. Como diria aquele antigo líder do PS e putativo candidato a Presidente da República, qual é a pressa?

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Candidatos taberniculas

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Quase me arrisco a escrever que todas as terras do interior do país, nestes quase cinquenta anos de poder local democrático, tiverem pelo menos um Presidente de Câmara que em altura de eleições percorria as tabernas todas do respectivo concelho. Alguns mantiveram essa salutar prática depois de eleitos. Mesmo em tempos mais recentes não faltam seguidores desses métodos. Embora o conceito de tasca tenha evoluído ao longo anos e as espeluncas onde os candidatos emborcavam uns copos se tenham transformado em antros mais finórios, o conceito é o mesmo. E o eleitor continua a gostar. Evidências disso são mais que muitas. As autárquicas estão aí e não me enganarei muito se vaticinar que nos iremos deparar com a existência de um número significativos de candidatos rubicundos.


O apreço por este modelo de campanha parece estar a estender-se às eleições de âmbito nacional. Pelo menos entre alguns desgraçados. Se a escolha for feita em função da copofonia não se me afigura que nenhum dos potenciais lideres partidários tenha grande futuro. Desconfio até que seria necessária uma coligação amplamente abrangente – da extrema esquerda à extrema direita – e mesmo assim não sei se davam para “armar o xito”. Isto por comparação com os modelos autárquicos que sobejamente conhecemos, claro.

domingo, 6 de abril de 2025

Será propriedade privada?

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Apesar do que mentes ainda mais distorcidas do que a minha possam acreditar, não tenho nada contra nenhum comunista em particular nem contra as suas ideias em geral. Desde que, como já escrevi em inúmeras circunstâncias, as ponham em prática no seu quintal. Afinal, como diz o ditado, a casa de um homem é o seu castelo. Mesmo que eles não acreditem nisso.

Aqui é mais uma fortaleza soviética em pleno bairro residencial. O habitante exibe com orgulho, qual estandarte da resistência, a bandeira vermelha do Partido Comunista. Presumo que se trate de uma criatura de firmes princípios ideológicos, que paute a sua vida pelos valores revolucionários e que, como todos os demais camaradas, odeie o capitalismo e tudo o que lhe diga respeito. De certeza que a campainha da porta toca “A Internacional” e que em casa só entra quem responda pelo intercomunicador: “Proletários de todos os países, uni-vos!”. O telemóvel – um Nokia 3310, ou algo assim - deve ter o “Avante, camarada” como toque de chamada. Ou, em alternativa, o hino da CGTP.

Seja como for a verdade é que o senhor vive ali no seu feudo marxista, com o orgulho de quem acha que o socialismo triunfou no seu quintal. E talvez tenha mesmo triunfado. Afinal, qual o maior luxo do mundo senão poder viver no delírio ideológico sem que ninguém o leve  a sério?

sábado, 5 de abril de 2025

Soltaram-nos todos, hoje...

Isto deve ser coisa que anda no ar. Uma cena esquisita, assim tipo alterações climáticas, ou isso, que neste caso afecta a moleirinha das pessoinhas. Hoje está a dar-lhe forte e feio na capital. Se não vejamos:


- Uma manifestação da CGTP protesta contra coisas. Contra quase tudo, como habitualmente, diga-se. Mas, o que mais indigna hoje aquela malta é o facto do SMN se estar a generalizar. Assim de repente e que me lembre, parece-me que são estes cavalheiros que maiores subidas do ordenado mínimo têm defendido. Até, ao que berram, querem que aumente ainda mais...Então como é que não há-de haver mais pessoas a ganhar o SMN? Ou seja, defendem uma coisa e o seu contrário.


- Noutra manifestação, neste caso de mulheres que se insurgem contra os criminosos que violaram uma jovem nos arredores de Lisboa, apareceu uma das Mortágua. A criatura garante que, neste caso, os violadores são de extrema-direita e que todos os influenceres maus que andam pelas redes sociais também. Não há, portanto, nesse ramo do crime contra as mulheres malta da extrema esquerda. Em Coimbra houve um velhote qualquer que se riu.


- Decorreu, igualmente na capital, a apresentação do programa eleitoral do Partido Socialista. Devem ter apresentado imensas propostas de âmbito fiscal, nomeadamente ao nível do IRS, tendentes a aliviar os trabalhadores e a classe média em geral que são valentemente chulados pelo fisco. Gente séria e ajuizada como todos reconhecemos, de certeza que o fizeram. Mas, a mim, o que mais me chamou a atenção foi aquilo dos certificados de aforro para os nascituros de 2025. Vão receber quinhentos euros cada um que poderão levantar quando completarem dezoito anos. Muito bem. Genial. Há que incentivar a poupança, o investimento e a valorização do retorno financeiro daí decorrente. Lá para 2043 esses então jovens terão à sua disposição, na melhor das hipóteses, seiscentos e noventa e oito euros para iniciar desafogadamente a vida adulta. Talvez dê para o pequeno almoço do dia em que atingirem a maioridade. Se não forem garganeiros.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Kagatorium

Mário Soares meteu o socialismo na gaveta. Os actuais dirigentes socialistas meterem os valores do partido sabe-se lá onde. Na lista de candidatos a deputados por Lisboa o PS leva em oitavo lugar, logo potencialmente elegível, uma cidadã que afirma, cito, “estou-me a cagar para a guerra da Ucrânia, eles que se matem a todos”. Deve ter aprendido com outro socialista tristemente conhecido que se cagava para a justiça. Desconfio que muitos socialistas não apreciarão este tipo de discurso mas, quase de certeza, poucos serão capazes de manter a verticalidade ao nível da coluna vertebral para repudiar a escolha do camarada líder.


Só quem anda desatento à política nacional pode estranhar estas escolhas de PNS. O homem está desesperado. Ao recrutar a criatura em causa procura obter votos entre algumas minorias. Fá-lo sem olhar a valores, princípios, responsabilidade institucional e sem se importar de abandalhar ainda mais o partido que outrora foi um garante da democracia. Ao menos o Partido Comunista defende a paz. Estes defendem a guerra, a morte e desprezam liberdade e independência de um povo. Espero que o tipo que entrevistou o Paulo Raimundo não se esqueça disto quando for a vez do líder socialista ir à televisão.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

IRS - Deduções eleitorais

Há um ano atrás, mais dia menos dia, sucediam-se as declarações de gente da área do PS e do Chega a reivindicar para os respectivos partidos a paternidade da alegada redução de IRS acabada de aprovar. Nomeadamente naquela parte em que se vangloriavam de ter obrigado o governo a abandonar a sua ideia inicial – que previa um alivio fiscal para a classe média – e a colocar em prática as medidas da oposição no sentido de, segundo eles, aliviar quem ganha menos.


Chegados à entrega da declaração anual há quem esteja a constatar com espanto, horror e muita indignação à mistura que afinal essa coisa da redução de IRS foi uma refinada aldrabice. Da qual nenhum dos aldrabões acima mencionados assume a culpa. Preferem culpar o governo por, na atualização das tabelas de retenção, dar dois meses de “borla” fiscal. O que fez, como é óbvio, diminuir a devolução aquando do acerto de contas. E nisto, já dizia a minha avó, quem o come em chibo não o come em bode.


Não fosse a iliteracia financeira, desinteresse por estes assuntos e manifesta ignorância dos portugueses e isto não passaria de um não assunto. Nas actuais circunstâncias não “receber o IRS” é um drama para muita gente. Embora dê jeito aos políticos – da oposição e do governo – a verdadeira tragédia é que os eleitores não percebam que ninguém “recebe irs” nem, pior ainda, que o imposto sobre o rendimento constitui um roubo inqualificável, uma das maiores injustiças que se faz a quem trabalha e, talvez, uma das maiores causas para o fraco crescimento económico do país. Mas que importa isso num país de invejosos e onde mais de metade dos habitantes nem sabe o que são impostos?

terça-feira, 1 de abril de 2025

Chalupas à solta

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São inúmeros os recantos da cidade – das cidades, para ser mais rigoroso – onde se vê esta javardice. Uma nova vaga de malucas, principalmente mulheres, calcorreia as povoações a espalhar a imundície pelas ruas. Às portas dos outros, em muitas circunstâncias. E, pasme-se, estão convencidas que procedem bem. Idiotas. Neste caso, num dos sítios mais bonitos e também dos mais abandonados cá da terra, deixaram o resto do repasto. Noutros depositam embalagens de comida para gato ou cão adquiridas nos supermercados. Alguém há-de limpar. Um dia. Entretanto toda a espécie de bicharada se vai alimentado e reproduzindo. 

segunda-feira, 31 de março de 2025

Bruxaria politica

Tenho pouco apreço por bruxas. Por bruxarias ainda menos. Mas, apesar de não acreditar na existência das primeiras, não duvido da pratica de artes mais ou menos manhosas que, se fosse supersticioso, facilmente relacionaria com bruxedos. Assim, como me tenho na conta de alguém racional, contento-me em considerar muitas das movimentações e acontecimentos políticos dos últimos tempos como meras jogadas de bastidores, golpes palacianos ou, apenas, baixa política. Daquela reles, mesmo. Um dos primeiros exemplos a que assisti, enquanto adulto, envolveu Sá Carneiro que ali pelo final dos anos setenta e princípios de oitenta do século passado foi durante meses acusado pelo jornal oficioso do Partido Comunista – um pasquim denominado “O Diário” – de alegadas práticas que envolveriam recebimentos de luvas e corrupção em geral. O resultado de tudo isso, nomeadamente o das eleições que entretanto ocorreram, é história. O então dirigente social-democrata e antigo primeiro-ministro ficou na dita. O tal folhoso nem por isso.

quinta-feira, 27 de março de 2025

Albergue espanhol

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Espanha foi transformada pelos governos esquerdalhos num país de malucos. Um verdadeiro manicómio a céu aberto onde mandam os mais tresloucados de todos os doidos varridos. Coisa em que, mais cedo do que tarde, também nos transformaremos caso o sonho – ou pesadelo, dependendo da decência de cada um - dos esquerdistas do PS em liderar uma frente popular, se concretize.


Não sei se por cá se conhece a dimensão da loucura espanhola. Desconfio que não. Mas, por exemplo, quem vê a sua casa ocupada por uns meliantes quaisquer tem de esperar, em média, mais de oito meses até o tribunal a mandar desocupar. Isto se os ocupantes não forem uma família vulnerável – como agora chamam à generalidade da vadiagem – porque nesse caso o melhor é esquecer. No mínimo uns três anos até ver os delinquentes pelas costas.


Como no país aqui ao lado a esquerda é muito boazinha, tratou de garantir que nunca, em circunstância alguma, alguém pode ser privado de eletricidade, água, gas e internet. Daí que o proprietário, para além de ter de continuar a pagar o IMI lá do sitio ou o empréstimo bancário se for o caso, esteja impedido de mandar desligar esses serviços aos biltres que lhe ocuparam a casa. E que nem lhe passe pela cabeça deixar de os pagar. Se o fizer, para além de ser considerado um acto criminoso, depressa verá o seu ordenado ou reforma penhorados como forma de garantir o bem estar dos patifórios. Menos mal que, por estes dias, um colectivo de juízes decidiu fazer uma interpretação contrária da lei e colocar um pouco de ordem no manicómio. Por pouco tempo, certamente. Os mais malucos entre os malucos – que é como quem diz o esquerdume que gere o hospício – em breve tratará de repor a anormalidade.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Estirpes pouco recomendáveis

O ano vai ser fértil em promessas. Haverá muitas. Para todos e para todos os gostos. Até porque as promessas são como os princípios. Se não gostarmos de umas eles terão outras que certamente nos agradarão. Pedro Nuno Santos – um tipo, segundo o próprio, cheio de empatia – promete, assim para começar, construir creches, lares e casas. Não fez nada disso enquanto esteve no governo em que detinha a pasta do sector, mas agora é que vai ser. Desta vez é que é mesmo a sério. Ou ele não se chame Pedro Nuno e não tenha empatia para dar e vender. Quanto ao dinheiro, isso não é problema. Ou não fosse ele socialista. Para assegurar o financiamento da habitação, garantiu, irá mobilizar uma parte dos dividendos que a CGD paga ao Estado. Para o restante desvario logo se vê. Virá donde calhar. Dos contribuintes, provavelmente. Ou dos banqueiros alemães, se estes estiverem dispostos a arriscar umas tremideiras ao nível dos membros inferiores. Mas, seja qual for a origem, as nossas perninhas é que vão tremer.


Ainda sobre o momento pré-elitoral. A entrevista ao líder do PCP foi conduzida de forma miserável e percebe-se a indignação dos comunistas. Mas, convenhamos, os tipos puseram-se a jeito. Aquele discurso de “Miss Mundo” sobre a paz, o pacifismo e o raio que os parta é de uma hipocrisia atroz. Nomeadamente quando se proclama, como o fazem inúmeros comunas, o slogan “Okupa e resiste”. A admiração do PCP por criminosos é por demais conhecida e deve ser por isso que apenas a esses lhes reconhecem o direito a resistir… São, de facto, gente de outra estirpe como se auto-intitulam. Pois são. Daquela que merece levar com um gato morto pelas trombas até ele gritar Benfica.

sexta-feira, 21 de março de 2025

IRS, nem um euro a mais!

Percebo que o tema dos impostos não seja especialmente popular ou suscite grande interesse entre os três ou quatro leitores que têm a paciência de me ler. É normal. Eu também não sou apreciador de assuntos como as gracinhas de canitos a quem só falta falar, receitas de culinária, ultimas tendências da moda ou outros temas de igual relevância. É a vidinha. Cada um é como cada qual e ninguém tem nada a ver com isso, já garantia a minha sábia avó.


No entanto, como quase sempre acontece por esta altura, dá-me para dissertar acerca do IRS. Até porque a data de o fisco ajustar contas connosco aproxima-se e isto nada como estar preparado para conhecer a dimensão do saque. E minimizá-lo, se possível. Para tanto há que ter em conta, por exemplo, o imposto retido pelos bancos quando do pagamento dos juros dos depósitos a prazo. Para quem os tem, obviamente. Mas, atendendo aos números divulgados, será uma parte muito significativa dos contribuintes. Pode não constituir um valor capaz de transformar alguém num milionário, mas sejam umas dezenas ou centenas de euros a menos a pagar ao Estado é sempre de aproveitar. É fazer a conta, simular e ver o que é mais vantajoso e optar – ou não – pelo englobamento. O dinheiro é nosso, não é do Estado, deve por isso estar no bolso de quem o ganhou. Mais do que lamentos é nestas alturas que podemos fazer algo de útil. A nós.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Fascismo climático

Um fulanito, alegado especialista da especialidade, garantia na CNN que a culpa da chuva e das rajadas de vento é das alterações climáticas e estas, por sua vez, dos capitalistas que nos governam. Obviamente que, não tendo eu nenhuma espécie de formação académica que me permita duvidar da saúde mental do cavalheiro, até me pareceu que o homem era gajo para ter razão. Bem capazes disso são eles, os capitalistas. Esses patifes, que nos querem matar a todos. Ainda que vagamente, ocorreu-me que caso tivessem sucesso nesse desiderato de nos extinguir os negócios deles dariam para o torto. Coisa que, digo eu, não lhes ia agradar muito. Mas não liguei. O homem é que tem os livros e eu só leio “A Bola”. Até porque o facto da Primavera só ter começado hoje às nove da manhã não deve ter importância nenhuma quando se fala das condições meteorológicas do dia. O mais natural, se calhar, era estarem para aí uns trinta graus e levantar-se uma brisa refrescante ao final da tarde. Dar-se o caso do fulano ser o chefe da Climáximo – os apanhados do clima do BE – também não. E depois ainda gozam com os agricultores que se queixam da seca no Verão e da chuva no Inverno…

quarta-feira, 19 de março de 2025

Quem diz é quem é...

Um indivíduo que foi ministro de qualquer coisa e cuja única qualidade que publicamente lhe é conhecida é o seu benfiquismo, perora hoje, num pasquim daqueles tidos como sendo de referência, acerca dos limites ao policiamento da linguagem que, em nome do combate ao wokismo, já terão sido ultrapassados e estarão a colocar em causa a liberdade. Tem piada, o tipo. Está a armar-se em vitima. Foi precisamente o wokismo que impôs - e continua a impor – limites à liberdade. Sim, como escreve o cavalheiro, as palavras são importantes. Quando são ditas, nomeadamente. Quando ficam por dizer não me parece que sejam assim tão relevantes. Preconizar a restrição ao discurso livre, limitando-o ao que é considerado politicamente correcto segundo o conceito de uma minoria ruidosa, é tudo menos defender a liberdade e a democracia. É, antes, coisa de tiranos e ditadores. Infelizmente o discurso anti-wokismo é mais um tema deixado para a extrema-direita, apesar de muita gente moderada e mesmo de esquerda não se rever nessa maluqueira. Para ser contra a ditadura woke a opção política interessa pouco. Basta ter noção, como diria o outro.

terça-feira, 18 de março de 2025

O imposto voluntário

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O “Imposto de Renda” é, no Brasil, o equivalente ao nosso IRS. Lá como cá é sempre preciso mais e mais dinheiro para alimentar os desvarios governativos. É que, ao contrário do que muita gente acredita, no poder não são todos corruptos. Pelo contrário, muitos são de uma generosidade extrema e encaram o exercício governativo como um lugar onde podem fazer caridade com o dinheiro que não lhes pertence. Uns chamam-lhe solidariedade e outros, entre os quais me incluo, uma maneira de esturrar o dinheiro que nos roubam em prol da sua reeleição. Mas, seja qual for a perspectiva pela qual se olhe para o assunto, o facto é que o dinheiro dos imposto é sempre pouco para tanta vontade de gastar. Terá sido por isso que, no Brasil, alguém teve a ideia de criar o programa “Heróis do Tesouro” destinado a todos os que queiram pagar mais impostos do que aqueles que lhes são exigidos pelo Estado. Parece-me uma excelente ideia. Acho até que, na ausência de semelhante iniciativa por parte do políticos portugueses, devia ser criada uma petição a exigir tal possibilidade. Com tanta gente a considerar que não pagamos impostos suficientes, voluntários é coisa que não deve faltar. Podiam chamar-lhe, sei lá, o imposto patriota ou, vá, a taxa otária.

segunda-feira, 17 de março de 2025

O problema não são as eleições. É o resultado.

Ao contrário do que me parece ser a opinião quase generalizada, o problema não são as eleições. Em democracia o voto nunca é um problema. A chatice é que, por mais que se vote, nunca saímos disto. E a culpa é nossa, enquanto povo, por não querermos mudar nada. Podemos passar a vida a votar, mas andaremos sempre à volta do mesmo e, ainda que por obra de um acaso mirabolante, apareça alguém que queira tornar isto num país a sério surgirão tontinhos aos magotes que tratarão de o impedir.


Muito me engano ou das próximas legislativas resultará um cenário ainda mais difícil do que o actual. Uma maioria de uma eventual frente populista de esquerda – PS, BE, Livre, PCP e PAN ou apenas alguns destes – constituiria uma tragédia de proporções épicas com consequências que nem me atrevo a imaginar. Imigração descontrolada e ocupação de habitações, no âmbito da segurança ou aumento de impostos, nacionalizações e crescimento artificial de salários no que diz respeito à economia contribuiriam para criar um caos social provavelmente ainda mais perigoso do que o do tempo do PREC. A radicalização - apesar de muita - pode não ser tanta, mas a voz dos indigentes mentais é muito mais escutada do que antes.


Por outro lado, uma maioria de direita – AD e IL – afigura-se como algo do domínio da ficção. Daí que o mais provável seja uma vitória, sem maioria, do PS ou da AD. Adivinhar o que se vai seguir nestas circunstâncias, ganhe um ou outro, não requer dotes adivinhatórios muito relevantes.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Os bancos, o Estado e a arte do assalto legalizado

Num tempo não muito distante pagámos os prejuízos dos bancos. Hoje pagamos os lucros. Antes com impostos e agora com as comissões - para aqueles que as pagam – e com a margem financeira, para lá de escandalosa, que estão aplicar no negócio da “compra e venda de dinheiro”. Os bancos portugueses são especialistas na arte de dar com uma mão e tirar com as duas. Se tivéssemos de eleger uma instituição que melhor representa o lema "o lucro acima de tudo", os bancos nacionais levavam a taça. E – nem tenho dúvidas quanto a isso - cobravam-nos uma comissão pela entrega.


O governador do Banco de Portugal já veio dizer que as taxas de juro dos depósitos são vergonhosamente baixas. O reparo, como é de esperar, será liminarmente ignorado e os banqueiros, na sua imensa criatividade financeira, continuarão a fazer a sua vidinha. Por cada cêntimo que nos pagam num depósito a prazo - e sublinho cêntimo - arranjam novas comissões para garantir que esse dinheiro nunca chega ao bolso do cliente. Um dia destes ainda hão-de inventar uma comissão só para entrarmos numa agência, como faz aquele supermercado em Inglaterra.


Mas se os bancos já fazem tudo para que o nosso dinheiro renda pouco mais do que nada, o Estado aparece logo para ficar com o resto. Sim, porque aqueles míseros juros que os bancos pagam ainda têm de passar no crivo do IRS. E lá se vai quase um terço para os cofres do Estado, como se, quais malvados capitalistas, estivéssemos a fazer uma fortuna a viver dos rendimentos. Vejamos a lógica: o banco paga 0,5% de juros, o Estado leva 28% disso… No final, o cliente recebe o quê? Uma esmola e um abraço solidário do ministro das Finanças? E o mais curioso é que, enquanto pagam aos aforradores juros dignos de troco de café, os bancos continuam a anunciar lucros recorde. Pudera. Assim é fácil.

quarta-feira, 12 de março de 2025

Ossos do ofício

Todas as profissões envolvem riscos. Umas mais que outras, mas seja qual for a actividade profissional exercida os acidentes nunca são de excluir. No âmbito da ladroagem, nomeadamente do assalto a residências, os profissionais do ramo estão expostos a uma enorme panóplia de perigos que lhes podem causar danos severos. Irreversíveis, muitas vezes. Embora, lamentavelmente, esses mesmos danos não se verifiquem com a frequência desejável. É que quando se entra em propriedade alheia, por norma território desconhecido, nunca se sabe se existem obstáculos que dificultem a progressão do amigo do alheio e façam com que o dito tropece ou, até mesmo, que o morador seja anti social e receba o gatuno de forma menos amistosa.


Deve ser por tudo isto que não existirá seguro de acidentes de trabalho que proteja os profissionais do sector. O que, convenhamos, é lamentável. A única garantia de segurança para quem faz vida neste ramo está na justiça. Limitar, interferir ou tentar impedir a sua actuação, durante o processo de gamanço, pode constituir crime e levar a punições exemplares. Nomeadamente se daí resultarem danos para o ladrão. Foi o que aconteceu a um cidadão que, desagradado por lhe assaltarem a casa, limpou o sebo ao intruso. Coitado. Do proprietário, obviamente, que foi condenado a oito anos de prisão. Teria sido melhor oferecer-lhe uma bebida ou qualquer coisa para comer. Só para o larápio ir com o estômago mais aconchegado, que isto de trabalhar a desoras costuma dar fomeca. Depois, claro está, de se certificar que o meliante não padecia de nenhuma alergia aos alimentos ofertados. Não fosse a justiça condená-lo por envenenamento, ou isso.

sábado, 8 de março de 2025

Directamente para o olho da rua!

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Por aquilo que vou lendo e ouvindo fico com a ideia que a possibilidade do governo cair e irmos de novo a eleições é uma situação que desagrada à generalidade dos portugueses. Não sei porquê. Em democracia as eleições, seja qual for a cadência a que se repetem, nunca são um problema.


A liberdade de expressão, a coscuvilhice acerca da vida dos políticos e as bacoradas que se escrevem nas redes sociais também não constituem grande problemática. Nem, ao contrário do que muita gente preconiza, devem ser limitadas ou mesmo abolidas. A menos, obviamente, que constituam crime ou incentivem práticas criminosas.


Confesso que ao passar os olhos pelos posts que certas figuras publicam na rede social “X” me sinto divido quantos às opiniões que por ali vão sendo publicadas. Cito, apenas a titulo de exemplo, um tal Miguel Tiago. Um cavalheiro que já foi deputado, eleito pelo PCP, e que muito provavelmente integrará a lista de candidatos dos comunistas às próximas eleições. O tipo, coitado, deve ter tido uma infância infeliz e agora destila ódio contra tudo o que não seja camarada. Mas, por um lado, é bom que possa continuar a expressar as suas opiniões. São pessoas assim que contribuem para a extinção do eleitorado daquele partido e que em poucos anos levarão ao seu desaparecimento do cenário parlamentar. Por outro, o incitamento ao crime que este individuo promove através do antigo Twitter não devia ser tolerado. Esta atitude do homem revela igualmente a sua inteligência. Num país onde setenta por cento das famílias são proprietárias, atacar o direito à propriedade é mesmo de um politico esperto.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Foi Carnaval e alguns malucos levaram a mal...

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Noutros tempos todos os povoados tinham o seu maluquinho. Por mais maluquices que fizesse tudo lhe era perdoado em troca do divertimento que – na ausência de qualquer outra animação - proporcionava aos habitantes do lugar. Hoje os maluquinhos multiplicaram-se e mudaram-se para as redes sociais. O que não tem mal nenhum e teria pouca importância se ninguém lhes ligasse. Até porque não há necessidade. Hoje existem outras diversões e estar a aturar o discurso de ódio daqueles doidos varridos não constitui um passatempo muito aprazível.


Meia-dúzia destes seres deu-se por ofendido com algumas máscaras de Carnaval. A ofensa será, ao que argumentam, por alguns foliões terem desfilado - algures, não sei ao certo onde – trajados de “africanos”. Presumo que outros tenham ficado chateados por causa de disfarces de árabes, baianas, sevilhanas, da etnia que calhar ou de um bicho qualquer. Sim, que os animais também têm sentimentos e se pudessem falar não calariam a sua indignação com as imitações que fazem deles. Como os sapos, coitados, sempre representados por um bicharoco verde alface quando a maioria deles não são dessa cor. E vá lá, vá lá, que nenhum maluco cá da aldeia de lembrou de invocar outras conotações…

terça-feira, 4 de março de 2025

Sensações...

Os automóveis estão cada vez mais manhosos. Agora dá-lhes para andar por aí a investir, que nem touros enraivecidos, contra multidões. Deve ser coisa do Musk, desconfio. Diz que o gajo até inventou uns carros que dispensam o condutor. Deve ser desses, já que quando nos informam da investida de veículos motorizados contra grupos de pessoas a noticia é dada como se o carro tivesse vontade própria. Acontece o mesmo com as facas. São umas marotas. Querem é espetar-se com quem calha. Qualquer um serve, às depravadas. Ou uma, que elas não são nada esquisitas quando têm mesmo vontade de entrar em corpo alheio. Também no âmbito do esfaqueamento o manuseador raramente é mencionado. Se calhar nem existe. Uma coisa assim mais ou menos como a relação das bruxas com as vassouras. Há quem leve vassouradas, mas nunca ninguém viu uma bruxa montada numa vassoura.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Num passeio perto de si...

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As malucas dos gatos – também haverá um ou outro maluco e, provavelmente, algum maluque - estão por todo o lado. Mas, como salta à vista de quem quer ver, são principalmente mulheres a quem, na falta de melhor entretenimento, dá para andar por aí a contribuir para o aumento da população de bichos das mais variadas espécies. Umas porcazinhas, a atirar para o badalhoco, que vão conspurcando a cidade com a sua maluquice. Não há quem ponha cobro a isto? Nem que seja, sei lá, um funcionário da Junta de Freguesia, da Câmara Municipal ou de uma empresa contratada para o efeito a recolher esta tralha?! Admito que pontapear esta porcaria até possa constituir diversão, mas parece-me manifestamente pouco...

sábado, 1 de março de 2025

Vira-casacas

Toda a gente tem o direito a mudar de opinião e, ao longo da vida, a posição que temos acerca de um determinado assunto – ou de todos, não interessa – pode ir mudando seja pela informação a que vamos tendo acesso, o conhecimento que vamos adquirindo, a maneira como o tema nos afecta directamente ou pelo que mais calhar. É legitimo, da natureza humana e ninguém é obrigado a pensar igual ao longo de toda a sua existência.


Outra coisa, muito diferente, são os vira-casacas. Criaturas que mudam de opinião consoante o lado de onde sopra o vento e que, já a minha avó dizia, lembram aqueles dejectos – ela utilizava outra palavra – que vão flutuando à tona de água deslocando-se à sua superfície ao sabor da corrente. Nas últimas semanas tem surgido muita tralha dessa. Imensa, diria. Uns mais surpreendentes que outros, mas todos a revelarem aquilo de que é feito o seu carácter.


Trump é um tipo execrável. Para muita gente deixou de ser. Para outros já não é quando fala da Ucrânia, mas continua a sê-lo quando fala de Gaza. Para todos eles, desconfio, mais dia menos dia Putin será um herói. Uma espécie de libertador dos pobres e oprimidos. Já houve outros. Muitos foram os que ao longo da história mudaram de campo durante a batalha. Não costuma acabar bem. Para eles, nomeadamente.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Ocupas e o falhanço do Estado de direito

Como não podia deixar de ser esta coisa das ocupações de casas tinha de chegar a Portugal. Acompanho o fenómeno em Espanha, onde este tipo de crime está mais ou menos generalizado, pelo que não me surpreende o seu contágio. Dado o alarido noticioso que tem sido produzido nos últimos dias e a insistência na repetição da informação de que as forças da ordem, face à legislação vigente, nada podem fazer para expulsar os criminosos, acredito que se instale o sentimento de impunidade entre a bandidagem e as ocupações se multipliquem nos próximos tempos.


Apesar de leigo em matéria de leis, não creio que esta impotência legislativa seja assim tão linear. A lei e a Constituição protegem a propriedade privada e dão aos cidadãos a possibilidade de defenderem o que, legitimamente, lhes pertence daqueles que pela via do crime lhas tentam usurpar. Isto sem, obviamente, causar um dano ainda maior do que o bem que se pretende proteger. Como, por exemplo, matar os ocupas. Se bem que daí, a acontecer, não viesse grande mal ao mundo. Pelo contrário, o planeta seria um lugar melhor sem essa “gente” a habitá-lo. Mas, seja em que circunstância for, esperemos que tal não aconteça.


Parece que, face ao alarme social, estarão já a ser preparadas propostas de lei que permitam resolver estes casos de maneira célere e eficaz. E é bom que o Estado o faça. Os impostos absolutamente absurdos que se pagam sobre o património, em todas as suas vertentes, terão de servir para alguma coisa. Até porque, se nada fizer, arrisca-se a matar a galinha. Ou alguém é ingénuo ao ponto de pensar que isso das rendas altas, das casas vendidas a preços exorbitantes e do investimento no imobiliário não interessa ao Estado? O dinheiro que daí resulta faz falta para, entre outras coisas, financiar muito javardola que anda por aí a defender estes meliantes.

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Informaçãozinha da boa.

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As redes sociais deviam ser fechadas. Proibidas, mesmo. Se necessário fosse multava-se quem as utilizasse. Aquilo é só desinformação, propaganda e manipulação dos incautos utilizadores. Ainda bem que para nos proteger e transmitir a verdade dos factos temos a imprensa. A boa, claro. Que também por aí há pasquins que nem para embrulhar robalos servem.


A imagem acima é de um titulo de uma noticia divulgada por um conceituado órgão de comunicação social. Dos bons. Daqueles de referência. Através dela ficámos a saber que uns cavalheiros não quiseram pagar quase cem mil euros ao fisco. Optaram antes – ou, digo eu, tiveram o topete – de deixar ficar o dinheiro proveniente do lucro na conta bancária da empresa só para não pagar impostos. Ah, que malvados! Como se atrevem?!


Será que a história, apesar das aspas, é mesmo assim? Ou estamos perante a adopção da estratégia dos populistas desta vida? A menos que os implicados tenham confessado que tomaram aquela opção – perfeitamente legal e legitima – o titulo tresanda a populismo. Até porque, como imagino que alguém saiba lá pela redacção, lucro não é necessariamente sinónimo de dinheiro.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Há piadas que se fazem sozinhas...

O país tem andado entretido com as empresas dos ministros, com as empresas das famílias dos ministros, com as empresas que eram nos ministros mas que agora já não são e com as empresas que eram dos ministros e que apesar de eles dizerem que já não são deles vai-se ver ainda lhes pertencem nem que seja por interposta pessoa. Tudo isto porque, apesar de ainda não terem ganho, poderão vir a ganhar muito dinheiro com uma lei que eles aprovaram. 


Muito bem. Assim é que se previnem as falcatruas. Agindo antes que aconteçam. Mas, se calhar, era capaz de ser melhor alterar a lei de forma a que quem tenha empresas não possa ser governante nem, sequer, deputado ou exercer qualquer outro cargo político. Para evitar esta promiscuidade tais lugares deviam estar apenas reservadas aos funcionários públicos. E, mesmo assim, apenas aqueles cujo conjugue, filhos ou pais não fossem empresários. Igualmente para evitar conflitos de interesses, os funcionários públicos que fossem indigitados para o exercício de qualquer cargo não podiam estar ligados à área que fossem tutelar. Exemplificando: Para ministro da saúde era nomeado um engenheiro de minas, para a agricultura um médico e para as finanças uma assistente social. Aos deputados aplicar-se-ia o mesmo principio, mas só depois de interrogados – se necessário fosse com recurso à tortura – todos os colegas lá do serviço, vizinhos, amigos, conhecidos, antigos colegas de escola e, se fosse o caso, ex-camaradas do tempo da tropa.


Entretanto enquanto se discutiam estas manigâncias na Assembleia, na comunicação social e onde calhava o parlamento aprovou quase por unanimidade - só um deputado optou pela abstenção - um voto de pesar enaltecendo as virtudes de um tal Pinto da Costa. Ao qual, diga-se, quase metade do país prestou vassalagem uma última vez e os que não dobraram a espinha perante o cadáver do figurão foram duramente criticados por isso. Nem vale a pena tecer grandes comentários… A piada faz-se sozinha.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Os principios e a falta deles

Não que isso se revele de especial interesse ou me importe por aí além, mas fiquei hoje a saber que o almirante esclareceu, finalmente, o seu posicionamento ideológico. Está ali entre o socialismo e a social-democracia, embora seja gajo para manifestar igualmente um fraquinho pela democracia-liberal. Tirando os extremos – à direita e à esquerda, que parece renegar – está ali uma espécie de bacalhau com todos. Faz sentido, dado que o homem já deu provas bastantes que não se trata de um marinheiro de água doce. Seja como for está encontrado o candidato do Bloco de Esquerda. Ou, até mesmo do Partido Socialista. Ou do Partido Comunista. Recorde-se que os dois primeiros já se assumiram como sociais-democratas e os comunistas são reconhecidos combatentes pela instauração do socialismo. Com os princípios bastante abrangentes de que o homem diz ser detentor, talvez mesmo a Iniciativa Liberal e o Partido Social-Democrata, pelo menos numa eventual segunda volta, não descartem apoiar este velho lobo do mar.


Também hoje pela manhã, à porta de um banco situado numa zona central da cidade, deparei-me com um grupo de indivíduos a insultar a funcionária de uma instituição bancária. Atendendo a que se tratavam de criaturas com um modo de vida muito próprio e que, por serem quem são, devemos respeitar para não sermos catalogados de racistas nem me atrevo a sugerir que aquilo podia transmitir uma percepção de insegurança nem, menos ainda, que estavam mesmo a pedir umas bastonadas no lombo face ao comportamento misógino e machista que expressavam. Nada disso. Conformo-me em considera-los uns activistas em luta contra o grande capital ali representado numa mulher com idade para ser mãe deles.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Os radares da "seita"...

Parece que o governo pretende multar a divulgação e partilha da localização de radares de controlo de velocidade e operações stop em grupos do WhathsApp e no Facebook. Em nome da segurança, dizem eles. Deve ser, deve. Cuidava eu que por cá ainda havia aquela coisa da liberdade de expressão, ou lá o que se chama ao facto de um cidadão exercer o seu direito a comentar num sitio o que viu no outro. No fundo o exercício do ancestral direito a ser linguareiro.


Obviamente que esta medida repressiva nada tem a ver com segurança, prevenção ou o que seja. Se a ideia fosse prevenir, as penas de inibição de condução associadas às multas de trânsito seriam aplicadas. O que, não por acaso, raramente acontece. Se acontecesse os prevaricadores deixavam de prevaricar, o que constituía um aborrecimento no âmbito da execução orçamental. Aquilo que o governo do PSDois tem em mente é apenas o financiamento do estado a que isto chegou. Não há dinheiro suficiente para sustentar o monstro e, vai daí, há que inventar sempre mais e mais formas de o manter gordo. Dada a voracidade do bicho ainda nos hão-de tentar convencer que pagar multas é um acto de patriotismo.