Um indivíduo que foi ministro de qualquer coisa e cuja única qualidade que publicamente lhe é conhecida é o seu benfiquismo, perora hoje, num pasquim daqueles tidos como sendo de referência, acerca dos limites ao policiamento da linguagem que, em nome do combate ao wokismo, já terão sido ultrapassados e estarão a colocar em causa a liberdade. Tem piada, o tipo. Está a armar-se em vitima. Foi precisamente o wokismo que impôs - e continua a impor – limites à liberdade. Sim, como escreve o cavalheiro, as palavras são importantes. Quando são ditas, nomeadamente. Quando ficam por dizer não me parece que sejam assim tão relevantes. Preconizar a restrição ao discurso livre, limitando-o ao que é considerado politicamente correcto segundo o conceito de uma minoria ruidosa, é tudo menos defender a liberdade e a democracia. É, antes, coisa de tiranos e ditadores. Infelizmente o discurso anti-wokismo é mais um tema deixado para a extrema-direita, apesar de muita gente moderada e mesmo de esquerda não se rever nessa maluqueira. Para ser contra a ditadura woke a opção política interessa pouco. Basta ter noção, como diria o outro.
quarta-feira, 19 de março de 2025
terça-feira, 18 de março de 2025
O imposto voluntário

O “Imposto de Renda” é, no Brasil, o equivalente ao nosso IRS. Lá como cá é sempre preciso mais e mais dinheiro para alimentar os desvarios governativos. É que, ao contrário do que muita gente acredita, no poder não são todos corruptos. Pelo contrário, muitos são de uma generosidade extrema e encaram o exercício governativo como um lugar onde podem fazer caridade com o dinheiro que não lhes pertence. Uns chamam-lhe solidariedade e outros, entre os quais me incluo, uma maneira de esturrar o dinheiro que nos roubam em prol da sua reeleição. Mas, seja qual for a perspectiva pela qual se olhe para o assunto, o facto é que o dinheiro dos imposto é sempre pouco para tanta vontade de gastar. Terá sido por isso que, no Brasil, alguém teve a ideia de criar o programa “Heróis do Tesouro” destinado a todos os que queiram pagar mais impostos do que aqueles que lhes são exigidos pelo Estado. Parece-me uma excelente ideia. Acho até que, na ausência de semelhante iniciativa por parte do políticos portugueses, devia ser criada uma petição a exigir tal possibilidade. Com tanta gente a considerar que não pagamos impostos suficientes, voluntários é coisa que não deve faltar. Podiam chamar-lhe, sei lá, o imposto patriota ou, vá, a taxa otária.
segunda-feira, 17 de março de 2025
O problema não são as eleições. É o resultado.
Ao contrário do que me parece ser a opinião quase generalizada, o problema não são as eleições. Em democracia o voto nunca é um problema. A chatice é que, por mais que se vote, nunca saímos disto. E a culpa é nossa, enquanto povo, por não querermos mudar nada. Podemos passar a vida a votar, mas andaremos sempre à volta do mesmo e, ainda que por obra de um acaso mirabolante, apareça alguém que queira tornar isto num país a sério surgirão tontinhos aos magotes que tratarão de o impedir.
Muito me engano ou das próximas legislativas resultará um cenário ainda mais difícil do que o actual. Uma maioria de uma eventual frente populista de esquerda – PS, BE, Livre, PCP e PAN ou apenas alguns destes – constituiria uma tragédia de proporções épicas com consequências que nem me atrevo a imaginar. Imigração descontrolada e ocupação de habitações, no âmbito da segurança ou aumento de impostos, nacionalizações e crescimento artificial de salários no que diz respeito à economia contribuiriam para criar um caos social provavelmente ainda mais perigoso do que o do tempo do PREC. A radicalização - apesar de muita - pode não ser tanta, mas a voz dos indigentes mentais é muito mais escutada do que antes.
Por outro lado, uma maioria de direita – AD e IL – afigura-se como algo do domínio da ficção. Daí que o mais provável seja uma vitória, sem maioria, do PS ou da AD. Adivinhar o que se vai seguir nestas circunstâncias, ganhe um ou outro, não requer dotes adivinhatórios muito relevantes.
quinta-feira, 13 de março de 2025
Os bancos, o Estado e a arte do assalto legalizado
Num tempo não muito distante pagámos os prejuízos dos bancos. Hoje pagamos os lucros. Antes com impostos e agora com as comissões - para aqueles que as pagam – e com a margem financeira, para lá de escandalosa, que estão aplicar no negócio da “compra e venda de dinheiro”. Os bancos portugueses são especialistas na arte de dar com uma mão e tirar com as duas. Se tivéssemos de eleger uma instituição que melhor representa o lema "o lucro acima de tudo", os bancos nacionais levavam a taça. E – nem tenho dúvidas quanto a isso - cobravam-nos uma comissão pela entrega.
O governador do Banco de Portugal já veio dizer que as taxas de juro dos depósitos são vergonhosamente baixas. O reparo, como é de esperar, será liminarmente ignorado e os banqueiros, na sua imensa criatividade financeira, continuarão a fazer a sua vidinha. Por cada cêntimo que nos pagam num depósito a prazo - e sublinho cêntimo - arranjam novas comissões para garantir que esse dinheiro nunca chega ao bolso do cliente. Um dia destes ainda hão-de inventar uma comissão só para entrarmos numa agência, como faz aquele supermercado em Inglaterra.
Mas se os bancos já fazem tudo para que o nosso dinheiro renda pouco mais do que nada, o Estado aparece logo para ficar com o resto. Sim, porque aqueles míseros juros que os bancos pagam ainda têm de passar no crivo do IRS. E lá se vai quase um terço para os cofres do Estado, como se, quais malvados capitalistas, estivéssemos a fazer uma fortuna a viver dos rendimentos. Vejamos a lógica: o banco paga 0,5% de juros, o Estado leva 28% disso… No final, o cliente recebe o quê? Uma esmola e um abraço solidário do ministro das Finanças? E o mais curioso é que, enquanto pagam aos aforradores juros dignos de troco de café, os bancos continuam a anunciar lucros recorde. Pudera. Assim é fácil.
quarta-feira, 12 de março de 2025
Ossos do ofício
Todas as profissões envolvem riscos. Umas mais que outras, mas seja qual for a actividade profissional exercida os acidentes nunca são de excluir. No âmbito da ladroagem, nomeadamente do assalto a residências, os profissionais do ramo estão expostos a uma enorme panóplia de perigos que lhes podem causar danos severos. Irreversíveis, muitas vezes. Embora, lamentavelmente, esses mesmos danos não se verifiquem com a frequência desejável. É que quando se entra em propriedade alheia, por norma território desconhecido, nunca se sabe se existem obstáculos que dificultem a progressão do amigo do alheio e façam com que o dito tropece ou, até mesmo, que o morador seja anti social e receba o gatuno de forma menos amistosa.
Deve ser por tudo isto que não existirá seguro de acidentes de trabalho que proteja os profissionais do sector. O que, convenhamos, é lamentável. A única garantia de segurança para quem faz vida neste ramo está na justiça. Limitar, interferir ou tentar impedir a sua actuação, durante o processo de gamanço, pode constituir crime e levar a punições exemplares. Nomeadamente se daí resultarem danos para o ladrão. Foi o que aconteceu a um cidadão que, desagradado por lhe assaltarem a casa, limpou o sebo ao intruso. Coitado. Do proprietário, obviamente, que foi condenado a oito anos de prisão. Teria sido melhor oferecer-lhe uma bebida ou qualquer coisa para comer. Só para o larápio ir com o estômago mais aconchegado, que isto de trabalhar a desoras costuma dar fomeca. Depois, claro está, de se certificar que o meliante não padecia de nenhuma alergia aos alimentos ofertados. Não fosse a justiça condená-lo por envenenamento, ou isso.
sábado, 8 de março de 2025
Directamente para o olho da rua!

Por aquilo que vou lendo e ouvindo fico com a ideia que a possibilidade do governo cair e irmos de novo a eleições é uma situação que desagrada à generalidade dos portugueses. Não sei porquê. Em democracia as eleições, seja qual for a cadência a que se repetem, nunca são um problema.
A liberdade de expressão, a coscuvilhice acerca da vida dos políticos e as bacoradas que se escrevem nas redes sociais também não constituem grande problemática. Nem, ao contrário do que muita gente preconiza, devem ser limitadas ou mesmo abolidas. A menos, obviamente, que constituam crime ou incentivem práticas criminosas.
Confesso que ao passar os olhos pelos posts que certas figuras publicam na rede social “X” me sinto divido quantos às opiniões que por ali vão sendo publicadas. Cito, apenas a titulo de exemplo, um tal Miguel Tiago. Um cavalheiro que já foi deputado, eleito pelo PCP, e que muito provavelmente integrará a lista de candidatos dos comunistas às próximas eleições. O tipo, coitado, deve ter tido uma infância infeliz e agora destila ódio contra tudo o que não seja camarada. Mas, por um lado, é bom que possa continuar a expressar as suas opiniões. São pessoas assim que contribuem para a extinção do eleitorado daquele partido e que em poucos anos levarão ao seu desaparecimento do cenário parlamentar. Por outro, o incitamento ao crime que este individuo promove através do antigo Twitter não devia ser tolerado. Esta atitude do homem revela igualmente a sua inteligência. Num país onde setenta por cento das famílias são proprietárias, atacar o direito à propriedade é mesmo de um politico esperto.
quarta-feira, 5 de março de 2025
Foi Carnaval e alguns malucos levaram a mal...

Noutros tempos todos os povoados tinham o seu maluquinho. Por mais maluquices que fizesse tudo lhe era perdoado em troca do divertimento que – na ausência de qualquer outra animação - proporcionava aos habitantes do lugar. Hoje os maluquinhos multiplicaram-se e mudaram-se para as redes sociais. O que não tem mal nenhum e teria pouca importância se ninguém lhes ligasse. Até porque não há necessidade. Hoje existem outras diversões e estar a aturar o discurso de ódio daqueles doidos varridos não constitui um passatempo muito aprazível.
Meia-dúzia destes seres deu-se por ofendido com algumas máscaras de Carnaval. A ofensa será, ao que argumentam, por alguns foliões terem desfilado - algures, não sei ao certo onde – trajados de “africanos”. Presumo que outros tenham ficado chateados por causa de disfarces de árabes, baianas, sevilhanas, da etnia que calhar ou de um bicho qualquer. Sim, que os animais também têm sentimentos e se pudessem falar não calariam a sua indignação com as imitações que fazem deles. Como os sapos, coitados, sempre representados por um bicharoco verde alface quando a maioria deles não são dessa cor. E vá lá, vá lá, que nenhum maluco cá da aldeia de lembrou de invocar outras conotações…
terça-feira, 4 de março de 2025
Sensações...
Os automóveis estão cada vez mais manhosos. Agora dá-lhes para andar por aí a investir, que nem touros enraivecidos, contra multidões. Deve ser coisa do Musk, desconfio. Diz que o gajo até inventou uns carros que dispensam o condutor. Deve ser desses, já que quando nos informam da investida de veículos motorizados contra grupos de pessoas a noticia é dada como se o carro tivesse vontade própria. Acontece o mesmo com as facas. São umas marotas. Querem é espetar-se com quem calha. Qualquer um serve, às depravadas. Ou uma, que elas não são nada esquisitas quando têm mesmo vontade de entrar em corpo alheio. Também no âmbito do esfaqueamento o manuseador raramente é mencionado. Se calhar nem existe. Uma coisa assim mais ou menos como a relação das bruxas com as vassouras. Há quem leve vassouradas, mas nunca ninguém viu uma bruxa montada numa vassoura.
segunda-feira, 3 de março de 2025
Num passeio perto de si...

As malucas dos gatos – também haverá um ou outro maluco e, provavelmente, algum maluque - estão por todo o lado. Mas, como salta à vista de quem quer ver, são principalmente mulheres a quem, na falta de melhor entretenimento, dá para andar por aí a contribuir para o aumento da população de bichos das mais variadas espécies. Umas porcazinhas, a atirar para o badalhoco, que vão conspurcando a cidade com a sua maluquice. Não há quem ponha cobro a isto? Nem que seja, sei lá, um funcionário da Junta de Freguesia, da Câmara Municipal ou de uma empresa contratada para o efeito a recolher esta tralha?! Admito que pontapear esta porcaria até possa constituir diversão, mas parece-me manifestamente pouco...
sábado, 1 de março de 2025
Vira-casacas
Toda a gente tem o direito a mudar de opinião e, ao longo da vida, a posição que temos acerca de um determinado assunto – ou de todos, não interessa – pode ir mudando seja pela informação a que vamos tendo acesso, o conhecimento que vamos adquirindo, a maneira como o tema nos afecta directamente ou pelo que mais calhar. É legitimo, da natureza humana e ninguém é obrigado a pensar igual ao longo de toda a sua existência.
Outra coisa, muito diferente, são os vira-casacas. Criaturas que mudam de opinião consoante o lado de onde sopra o vento e que, já a minha avó dizia, lembram aqueles dejectos – ela utilizava outra palavra – que vão flutuando à tona de água deslocando-se à sua superfície ao sabor da corrente. Nas últimas semanas tem surgido muita tralha dessa. Imensa, diria. Uns mais surpreendentes que outros, mas todos a revelarem aquilo de que é feito o seu carácter.
Trump é um tipo execrável. Para muita gente deixou de ser. Para outros já não é quando fala da Ucrânia, mas continua a sê-lo quando fala de Gaza. Para todos eles, desconfio, mais dia menos dia Putin será um herói. Uma espécie de libertador dos pobres e oprimidos. Já houve outros. Muitos foram os que ao longo da história mudaram de campo durante a batalha. Não costuma acabar bem. Para eles, nomeadamente.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Ocupas e o falhanço do Estado de direito
Como não podia deixar de ser esta coisa das ocupações de casas tinha de chegar a Portugal. Acompanho o fenómeno em Espanha, onde este tipo de crime está mais ou menos generalizado, pelo que não me surpreende o seu contágio. Dado o alarido noticioso que tem sido produzido nos últimos dias e a insistência na repetição da informação de que as forças da ordem, face à legislação vigente, nada podem fazer para expulsar os criminosos, acredito que se instale o sentimento de impunidade entre a bandidagem e as ocupações se multipliquem nos próximos tempos.
Apesar de leigo em matéria de leis, não creio que esta impotência legislativa seja assim tão linear. A lei e a Constituição protegem a propriedade privada e dão aos cidadãos a possibilidade de defenderem o que, legitimamente, lhes pertence daqueles que pela via do crime lhas tentam usurpar. Isto sem, obviamente, causar um dano ainda maior do que o bem que se pretende proteger. Como, por exemplo, matar os ocupas. Se bem que daí, a acontecer, não viesse grande mal ao mundo. Pelo contrário, o planeta seria um lugar melhor sem essa “gente” a habitá-lo. Mas, seja em que circunstância for, esperemos que tal não aconteça.
Parece que, face ao alarme social, estarão já a ser preparadas propostas de lei que permitam resolver estes casos de maneira célere e eficaz. E é bom que o Estado o faça. Os impostos absolutamente absurdos que se pagam sobre o património, em todas as suas vertentes, terão de servir para alguma coisa. Até porque, se nada fizer, arrisca-se a matar a galinha. Ou alguém é ingénuo ao ponto de pensar que isso das rendas altas, das casas vendidas a preços exorbitantes e do investimento no imobiliário não interessa ao Estado? O dinheiro que daí resulta faz falta para, entre outras coisas, financiar muito javardola que anda por aí a defender estes meliantes.
domingo, 23 de fevereiro de 2025
Informaçãozinha da boa.

As redes sociais deviam ser fechadas. Proibidas, mesmo. Se necessário fosse multava-se quem as utilizasse. Aquilo é só desinformação, propaganda e manipulação dos incautos utilizadores. Ainda bem que para nos proteger e transmitir a verdade dos factos temos a imprensa. A boa, claro. Que também por aí há pasquins que nem para embrulhar robalos servem.
A imagem acima é de um titulo de uma noticia divulgada por um conceituado órgão de comunicação social. Dos bons. Daqueles de referência. Através dela ficámos a saber que uns cavalheiros não quiseram pagar quase cem mil euros ao fisco. Optaram antes – ou, digo eu, tiveram o topete – de deixar ficar o dinheiro proveniente do lucro na conta bancária da empresa só para não pagar impostos. Ah, que malvados! Como se atrevem?!
Será que a história, apesar das aspas, é mesmo assim? Ou estamos perante a adopção da estratégia dos populistas desta vida? A menos que os implicados tenham confessado que tomaram aquela opção – perfeitamente legal e legitima – o titulo tresanda a populismo. Até porque, como imagino que alguém saiba lá pela redacção, lucro não é necessariamente sinónimo de dinheiro.
sábado, 22 de fevereiro de 2025
Há piadas que se fazem sozinhas...
O país tem andado entretido com as empresas dos ministros, com as empresas das famílias dos ministros, com as empresas que eram nos ministros mas que agora já não são e com as empresas que eram dos ministros e que apesar de eles dizerem que já não são deles vai-se ver ainda lhes pertencem nem que seja por interposta pessoa. Tudo isto porque, apesar de ainda não terem ganho, poderão vir a ganhar muito dinheiro com uma lei que eles aprovaram.
Muito bem. Assim é que se previnem as falcatruas. Agindo antes que aconteçam. Mas, se calhar, era capaz de ser melhor alterar a lei de forma a que quem tenha empresas não possa ser governante nem, sequer, deputado ou exercer qualquer outro cargo político. Para evitar esta promiscuidade tais lugares deviam estar apenas reservadas aos funcionários públicos. E, mesmo assim, apenas aqueles cujo conjugue, filhos ou pais não fossem empresários. Igualmente para evitar conflitos de interesses, os funcionários públicos que fossem indigitados para o exercício de qualquer cargo não podiam estar ligados à área que fossem tutelar. Exemplificando: Para ministro da saúde era nomeado um engenheiro de minas, para a agricultura um médico e para as finanças uma assistente social. Aos deputados aplicar-se-ia o mesmo principio, mas só depois de interrogados – se necessário fosse com recurso à tortura – todos os colegas lá do serviço, vizinhos, amigos, conhecidos, antigos colegas de escola e, se fosse o caso, ex-camaradas do tempo da tropa.
Entretanto enquanto se discutiam estas manigâncias na Assembleia, na comunicação social e onde calhava o parlamento aprovou quase por unanimidade - só um deputado optou pela abstenção - um voto de pesar enaltecendo as virtudes de um tal Pinto da Costa. Ao qual, diga-se, quase metade do país prestou vassalagem uma última vez e os que não dobraram a espinha perante o cadáver do figurão foram duramente criticados por isso. Nem vale a pena tecer grandes comentários… A piada faz-se sozinha.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
Os principios e a falta deles
Não que isso se revele de especial interesse ou me importe por aí além, mas fiquei hoje a saber que o almirante esclareceu, finalmente, o seu posicionamento ideológico. Está ali entre o socialismo e a social-democracia, embora seja gajo para manifestar igualmente um fraquinho pela democracia-liberal. Tirando os extremos – à direita e à esquerda, que parece renegar – está ali uma espécie de bacalhau com todos. Faz sentido, dado que o homem já deu provas bastantes que não se trata de um marinheiro de água doce. Seja como for está encontrado o candidato do Bloco de Esquerda. Ou, até mesmo do Partido Socialista. Ou do Partido Comunista. Recorde-se que os dois primeiros já se assumiram como sociais-democratas e os comunistas são reconhecidos combatentes pela instauração do socialismo. Com os princípios bastante abrangentes de que o homem diz ser detentor, talvez mesmo a Iniciativa Liberal e o Partido Social-Democrata, pelo menos numa eventual segunda volta, não descartem apoiar este velho lobo do mar.
Também hoje pela manhã, à porta de um banco situado numa zona central da cidade, deparei-me com um grupo de indivíduos a insultar a funcionária de uma instituição bancária. Atendendo a que se tratavam de criaturas com um modo de vida muito próprio e que, por serem quem são, devemos respeitar para não sermos catalogados de racistas nem me atrevo a sugerir que aquilo podia transmitir uma percepção de insegurança nem, menos ainda, que estavam mesmo a pedir umas bastonadas no lombo face ao comportamento misógino e machista que expressavam. Nada disso. Conformo-me em considera-los uns activistas em luta contra o grande capital ali representado numa mulher com idade para ser mãe deles.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025
Os radares da "seita"...
Parece que o governo pretende multar a divulgação e partilha da localização de radares de controlo de velocidade e operações stop em grupos do WhathsApp e no Facebook. Em nome da segurança, dizem eles. Deve ser, deve. Cuidava eu que por cá ainda havia aquela coisa da liberdade de expressão, ou lá o que se chama ao facto de um cidadão exercer o seu direito a comentar num sitio o que viu no outro. No fundo o exercício do ancestral direito a ser linguareiro.
Obviamente que esta medida repressiva nada tem a ver com segurança, prevenção ou o que seja. Se a ideia fosse prevenir, as penas de inibição de condução associadas às multas de trânsito seriam aplicadas. O que, não por acaso, raramente acontece. Se acontecesse os prevaricadores deixavam de prevaricar, o que constituía um aborrecimento no âmbito da execução orçamental. Aquilo que o governo do PSDois tem em mente é apenas o financiamento do estado a que isto chegou. Não há dinheiro suficiente para sustentar o monstro e, vai daí, há que inventar sempre mais e mais formas de o manter gordo. Dada a voracidade do bicho ainda nos hão-de tentar convencer que pagar multas é um acto de patriotismo.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
O estado a que isto chegou

Pouco me incomoda que as minhas opiniões não sejam populares ou difiram daquilo que é geralmente aceite. Não será por isso que as vou mudar. Até porque a realidade, em muitas circunstâncias, acaba por confirmar que estou certo. Noutras não, mas isso faz parte da vida.
Andei durante anos, aqui pelos blogs e noutros locais, a lamentar a desgraça que os fundos comunitários constituíam para o país. O conceito de gastar dinheiro naquilo que calhasse, para obter financiamento da União Europeia, estava instituído e não havia ninguém que não considerasse um negócio excelente esturrar cem para ir “sacar” oitenta a Bruxelas. Nem que fosse para construir um parque de campismo, onde não consta que algum turista tivesse armado barraca, ou uns repuxos manhosos que, dado o incomodo que causavam, nem uma semana estiveram ligados.
Nos dias de hoje penso o mesmo do estado social. É a nossa desgraça colectiva do presente e do futuro. Esta moda de dar tudo a uma parte da sociedade à custa da outra está, para além de criar fraturas sociais, a levar-nos à falência financeira e, também, social. O problema da habitação é disso um exemplo. Casos como o daquela inquilina que não paga renda há dois anos, vive do RSI e a quem a justiça não permite despejar por causa do cão explicam de forma tão simples que até uma criança de seis anos percebe por que razão muita gente prefere ter os imóveis fechados a colocá-los no mercado de arrendamento. E nem precisa de um desenho. A chatice, para a desgraçada da criança, é que vai ter muito que desenhar quando, no futuro, tiver de explicar aos pais e restante família a razão porque o tal estado social teve de ser extinto ou, com sorte, reduzido à insignificância.
domingo, 16 de fevereiro de 2025
Fora de horas

Imagem retirada daqui
Todos os dias aprendo qualquer coisa. Até nisto dos insultos. A história não é nova, mas é seguramente verdadeira. Ou não tivesse ela sido relembrada pela senhora doutora Mortágua. Uma delas, qual, interessa pouco. Fui, à conta disso, rever o vídeo em que uma senhora doutora deputada negra, eleita pelo PS, se queixa – na SIC Noticias, que nestas matérias não há televisão mais credível – de ter sido alvo de um insulto racista por parte de um senhor doutor deputado do Chega. Ter-se-ão cruzado num corredor e o cavalheiro tê-la-á cumprimentado com um “boa noite” quando, atente-se no topete, ainda o sol não estava no seu ocaso. Não se faz. Uma vergonha. Uma ofensa capaz de deixar qualquer um – ou uma - traumatizadinho de todo.
Inquieta-me o dramatismo da situação. Passo pelo mesmo quase todos os dias. Quando, à hora de almoço, saio do emprego nunca sei como hei-de cumprimentar quem vou encontrando pelo caminho. Na maior parte das ocasiões começo a dizer “bom dia” e quinze minutos depois, quando estou a chegar a casa, dou por mim a desejar “boa tarde”. Espero que ninguém se tenha sentido ofendido. Mas, se sentiu, a culpa não é minha. É dos deputados. Nomeadamente daqueles que ficam ofendidos por os cumprimentos não coincidirem com a hora legal em vigor. Há que regulamentar a saudação. É urgente fazê-lo. Se o Estado se mete nas nossas casas, nos nossos automóveis, nos nossos comportamentos, na nossa comida e, principalmente, nas nossas carteiras por maioria de razão devia regulamentar a maneira de nos cumprimentarmos uns aos outros. Assim uma espécie de lei de bases da urbanidade. Não vá alguém ficar ofendido por ser cumprimentado, em Maio às 19.05 horas, com um sonoro “boa noite”.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025
E burka, pode-se?
Um município algarvio colocou em discussão publica um projecto de regulamento sobre condutas a adoptar na via pública pelos transeuntes. O normal. Quer a discussão, quer o conteúdo. Apesar do mesmo estar a suscitar alguns títulos jornalísticos mais sensacionalistas e reportagens noticiosas relativamente ambíguas.
O preâmbulo do dito documento coloca a ênfase nessa coisa das “novas realidades”. Parece que aquilo terá mudado muito nos últimos tempos e, segundo a autarquia, será necessário “assegurar a necessidade de enquadramento a novas realidades”. Que serão múltiplas e variadas, presumo. A questão não se resume aos biquinis, à nudez e à simulação de actos sexuais na via pública. Implica também, para além de andar em cuecas à vista de todos, a proibição de acampar ou cozinhar no espaço público. Actividades que, preveem as ditas normas de conduta, poderão ter como pena acessória a perda de apoios municipais aos prevaricadores que deles sejam beneficiários.
Contrariamente ao que aconteceu quando outros municípios se propuseram sancionar os munícipes que cometam desacatos e façam falsas declarações com a perda de subsídios e da habitação camarária, agora ninguém parece importar-se que possa acontecer o mesmo a quem monta uma barraca num jardim ou à porta dos primos nem a quem tenha por hábito utilizar o passeio para fazer o churrasco ou cozinhar o feijão. Nada que me espante muito. Afinal nestas matérias a indignação é, quase sempre, uma questão de oportunidade. E de oportunismo, também.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
O peixe graúdo não gosta de redes...
Desde “banhos de ética” a “paredes de vidro”, de “ética republicana” a “limpar Portugal” já vimos de tudo na partidocracia nacional. Consequências destas boas intenções, também. O pouco que se vai sabendo fala por si. Por eles, no caso. Sim, o pouco. Mas a coisa promete. Antes apenas eram vagamente divulgados um ou outro caso que implicasse gente do governo ou, mais raramente, numa ou noutra Câmara mais mediática. Passou-se daí para deputados e desde malas surripiadas a bebedeiras de tudo se vai sabendo. Começamos também a ter conhecimento das tropelias das juntas de freguesia e assembleias municipais. E ainda bem, que isto quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. A chatice é que, a ser disponibilizada a este ritmo, receio que não tenhamos capacidade de processar tanta informação. Até porque, já dizia alguém, informação em excesso também é prejudicial. Nomeadamente à democracia, como alguns gostam de dizer quando as suspeitas atingem os seus. E isto ainda só vai no campo das “ações”. Se um dia chegarmos ao campo das “inações” é que vai ser mesmo bonito. Deve ser também por isso que querem calar as redes sociais.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
Encostados à parede...Uns pode-se, outros não.
A divulgação de fotos com dezenas de pessoas encostadas à parede pelas forças policiais, nos arredores de um estádio de futebol na cidade do Porto, deve estar a causar enorme indignação. Ainda não dei por nada, mas deve. Nem, em nome da coerência, pode ser de outra maneira depois do basqueiro que fizeram ainda não há assim tanto tempo. Não digo que vão para lá distribuir cravos vermelhos. Isso, se calhar, é melhor não que aquela malta não aprecia o vermelho e é capaz de levar a mal.
Mas isto, claro, sou eu a divagar. É óbvio que todo o esquerdume e outros raivosos – para usar linguagem que esses mentecaptos entendem – vão ficar caladinhos. Para esse tipo de gente o assunto apenas importa se os “encostados” não forem brancos. Nada de surpreendente. O seu racismo é suficientemente conhecido e a sua visão obtusa da realidade não lhes permite outra atitude. Coerência e esquerda não rimam. Nem entre si nem, sequer, com verdade.
Também as televisões, que andaram durante dias e dias a falar de outro encosto, não gastaram um minuto com este. Para o pessoal das TV’s, ao contrário do que acontece no “Triunfo dos Porcos”, nem todos os encostos são iguais. Uns são menos iguais que outros. Depende sempre do ponto de vista. Dos porcos.
domingo, 9 de fevereiro de 2025
Eles opinam muito...demasiado, até.
Segundo a ERC – entidade que regula a comunicação social – é cada vez mais difícil, nos serviços informativos dos canais de televisão, distinguir a noticia da opinião. Nada de novo. Ando a escrever e a dizer isso há anos. Não admira que em todos os canais se insista na necessidade de controlar as redes sociais. Um discurso que vai fazendo eco na sociedade, mesmo entre aqueles que pela sua formação ou experiência de vida têm obrigação de topar os objectivos desta malta à distância, mas que mesmo assim não se cansam de repetir que “temos de mandar as redes sociais abaixo”. Não é que este tipo de discurso me surpreenda. Não é pelo facto de as pessoas terem ou não um curso e idade suficiente para ter juízo que deixam de comer a palha toda que os telejornais lhes põem na gamela à hora do jantar.
Informação é poder. Sempre foi. E os activistas, das diversas causas, que enxameiam as redacções da comunicação social sabem-no muitíssimo bem. Daí que não lhes dê jeito nenhum que tudo o que acontece, seja onde for, possa ser conhecido em todo o lado quase de imediato. Pior, ainda, do que isso. Sem que eles nos possam impingir o “lado certo” de cada história. Só um tolinho – e, pelos vistos, há muitos – acreditará que são as noticias falsas que os preocupam. Não são. O que verdadeiramente os aborrece são as verdadeiras.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
O Sol, tal como a enxada, também é da "cooperativa"...
Nunca se subestime a capacidade dos políticos para inventar impostos, taxas, taxinhas e outras artimanhas destinar a sacar o dinheiro que necessitam para a sua sobrevivência política. Manter o seu modo de vida, por assim dizer. Agora deu-lhes para querer taxar os painéis solares instalados nos terraços dos condomínios. Cuidava eu - mas devo estar enganado - que o sol era de todos, os terraços propriedade comum dos condóminos e a energia produzida pagava os impostos do costume. Mas não, ninguém me manda ser parvo. Isso é tudo do Estado e para ser usado tem de se pagar o respectivo IMI à respectiva Câmara Municipal. Já devia ter desconfiado da marosca quando andaram a financiar a compra destas coisas. Vá lá que, por enquanto, ainda não sabem se vão também aplicar esta extorsão aos painéis, para aquecimento de água e micro-produção de energia, que muitos de nós temos nos nossos telhados para consumo próprio. Se calhar, desta vez, ainda vão ter uma réstia de vergonha na puta da tromba e deixar-nos em paz. Mas não tardará. Primeiro foram as barragens e um dia há-de ser aquela cena que tenho ali a iluminar um canteiro.
É por outras e por estas que tendo cada vez mais a dar razão aos que garantem que o actual governo não difere por aí além de um eventual governo do PS sozinho, sem os apêndices de esquerda. A necessidade de dinheiro para satisfazer clientelas e alimentar o monstro sobrepõe-se a qualquer outro valor. Como essa necessidade não vai parar nunca, pelo contrário tenderá sempre a crescer, suspeito que no futuro vão lembrar-se de muito mais motivos para nos assaltar a carteira. IUC para bicicletas e trotinetas deve ser o passo seguinte. Passo?! Eu disse passo?! É melhor não dar mais ideias...
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
É tudo uma questão de papel...
Num artigo de opinião recentemente publicado, um jovem, provavelmente estudante, queixava-se das dificuldades causadas aos alunos deslocados pelos elevados preços do quartos. A culpa disso, como não podia deixar de ser, é na sua opinião dos senhorios que, para além da exorbitância dos preços praticados, não passam recibo. Uma atitude condenável, acrescenta. Não passam de chicos-espertos que se eximem ao dever de pagar impostos o que retira aos estudantes o direito ao subsidio para alojamento, conclui.
Apesar de me parecer razoável que qualquer um faça o que for preciso para escapar às garras do fisco – perante o nível do roubo, constitui um acto de legitima defesa – arrendar um quarto sem contrato, nem emissão de recibo, é uma estupidez. Por todos os motivos. A posição do jovem, independentemente de alguma razão que lhe possa assistir, é, no entanto, reveladora do pensamento actualmente vigente e que gira sempre em torno dos “meus direitos”. Os outros que fiquem com essa parte dos deveres. No fundo é aquela coisa de exigir que o outro cumpra o seu dever para que eu possa usufruir do meu direito.
Mesmo que do ponto de vista legal o jovem em causa esteja coberto de razão e os senhorios a quem o mesmo se refere possam estar em incumprimento, falta todo o restante enquadramento. Nomeadamente a fiscalização. Que, ao contrário do que o articulista defende, tem de ser olhada pelos dois lados. É que não há apenas senhorios ricos e manhosos nem só estudantes pobres e honestos. Toda a gente sabe que a declaração de IRS é apenas um papel. Ou nem isso.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
Não sei porque não vão para Gaza...
Uns activistas idiotas, passe o pleonasmo, partiram a noite passada a montra de um banco em Lisboa. Nada que o banco, eventualmente, não merecesse. Digamos que, face ao alvo em questão, não constituirá um acontecimento capaz de gerar uma indignação muito significativa. A motivação para o acto de vandalismo é que se afigura completamente estúpida. O que também não admira, dado que se tratarão de portugueses – de bem, provavelmente – que apoiam o Hamas. Ou, como eles dizem, a luta do povo palestiniano. O que é, basicamente, igual.
Este tipo de crime, que se vai repetindo com alguma regularidade, constitui um verdadeiro caso de estudo. Daqueles que deviam interessar os especialistas das ciências médicas especializadas nas coisas da mente humana. Alguém capaz de trocar o recesso do lar numa noite fria, para ir partir vidros e pintar palavras de apoio a gente com valores e princípios de vida diametralmente opostos aos seus devia doar o seu cérebro à ciência. Só para que se possa perceber onde é que a cadeia da evolução do homem está a falhar. Mais ainda porque as mesmas alimárias são incapazes de fazer um estrago idêntico – ou mesmo menor, vá – em protesto contra o terrorismo bancário perpetrado contra todos nós através das elevadas comissões bancárias que a banca nos faz pagar. Esquisitos, estes criminosos.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
Uma desgraça nunca vem só...

Percebo pouco de cães e de raças caninas ainda muito menos. Acho, no entanto, que buldog é uma raça de cão. Daquelas muito feias, parece-me. A dar-se o caso de estar certo, como pode este cavalheiro – um tipo que aparece, de vez em quando, na televisão a fazer comentário político – ser pai de um cão? Isso significa que também é cão? Ou o gajo coiso e tal com uma cadela e contra todas as evidências cientificas conhecidas aquilo pegou? Modernices. Seja for, a condição de pai de canitos não deve ser fácil. Nomeadamente quando alguém lhe perguntar se o filho já fala e ele tiver de responder que por enquanto só ladra.
domingo, 2 de fevereiro de 2025
Inclusão no pacote
Enquanto o mundo que realmente importa se entretém com minudências, parvoíces como a inteligência artificial e isso, a União Europeia preocupa-se com aquilo que realmente interessa aos seus cidadãos. Coisas que, de facto, podem melhorar a nossa vida. Como, por exemplo, a maneira como as embalagens devem identificar o leite que não teve a sua gordura reduzida durante o processo de industrialização. O que antes se chamava gordo passará a ser leite inteiro. Em nome do combate à gordofobia, suponho.
Ainda bem que a UE está preocupada com o sentimento das vaquinhas. Ou seja lá de quem for. Em todo o caso trata-se de uma óptima ideia e uma medida certamente muito esperada por aqueles que, nas idas ao supermercado abastecer a despesa, sofriam em silêncio na altura de escolher o pacote para levar.
Há, no entanto, que ir mais longe. Os iogurtes, a manteiga ou o queijo magro vão continuar a ser chamados assim?! De certeza que não. Em nome da inclusão e do respeito pelos sistemas metabólicos de cada qual os burocratas de Bruxelas já devem estar a tratar do assunto. Sim, que naquilo que diz respeito à qualidade de vida dos europeus ninguém nos leva a melhor. Embrulha Trump! Vai buscar Xi Jinping!
sábado, 1 de fevereiro de 2025
Mesmo na noite mais escura...

Ainda sou do tempo em que as muralhas e demais monumentos não estavam iluminados. Era tudo às escuras e quem os quisesse apreciar que olhasse para eles durante o dia. Mas isso foi há um ror de anos. Uns trezentos, praí. Hoje é diferente. Para melhor, talvez. As muralhas, por exemplo, estão muito mais bonitas. Uma iluminação artística banha-as com um tom rosáceo, entre-cortado pelos contornos de ervas de diversas espécies. Esta parte do entre-cortado, garanto, não é piada. Foi uma cena que me saiu. Se quisesse fazer uma piadola acerca disso diria que, naquele local, ninguém fez calos nas mãos nos últimos meses. Ou, elevando o nível de jocosidade, acrescentaria que a luz no meio de tanta erva é um sinal divino de que alguém deveria ter passado a roçadora há muito tempo. Seja como for, esta imagem prova uma coisa: até na mais densa vegetação pode brilhar um raio de luz... ou, pelo menos, um LED. Enquanto as ervas deixarem.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2025
A relva é azul...
Acho piada a esta gente que afirma “não saber o que é isso da nossa cultura e dos nossos valores”. Só piada, não merecem mais conversa. É que são, curiosamente, os mesmos que exigem que respeitemos os valores e a cultura dos outros. Mesmo que, se calhar, também não saibam quais são. Nem vale a pena perder tempo com essa malta. O melhor é admitir, perante eles, que a relva é azul…
Os dados divulgados pela PSP relativos à criminalidade em Lisboa estão a ser contestados pela direita. Não sei se com razão ou sem ela. Já a esquerda está manifestamente indignada com esta contestação e acha, por consequência, que os dados apurados estão inteiramente correctos. Por mim tendo a confiar na policia. Em todas as circunstâncias. Já a malta das direitas apenas confia no trabalho policial efectuado nas ruas e as esquerdas só acreditam na eficiência das tarefas administrativas desenvolvidas pela PSP. Depois não se queixem que as redes sociais é que minam a democracia e isso…
terça-feira, 28 de janeiro de 2025
Prioridade à demagogia.
Soube-se agora que o governo pretende acabar com as reformas antecipadas. Mas ninguém pense que isso se deve a qualquer risco de insustentabilidade dos sistemas de pensões. Nada disso. O governo só quer o nosso bem. O que eles querem, que fique bem claro e não haja más interpretações quanto à bondade da ideia, é dar “prioridade à vida activa”. O que é bom, deixemo-nos cá de merdas.
Obviamente que o sistema respira saúde. Aliás, se assim não fosse não teria havido um aumento extraordinário das pensões e não sei quantos cheques-brinde aos pensionistas nos anos mais recentes. De resto, como todos bem sabemos, a sustentabilidade da coisa está mais do que garantida pelas contribuições dos imigrantes que, como igualmente toda a gente também sabe, deixaram os confins da Ásia e de outros territórios longinquos com o firme propósito de nos vir garantir a reforma. Uma delas encontro eu todos os dias no caminho para o trabalho. E na volta, também. O caminhante, esclareça-se, sou eu. Ela está sentada a olhar para o telemóvel e a ouvir música esquisita. Deve ser a sua maneira de contribuir para a minha reforma. Ou para prioritizar a minha vida activa, sei lá.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2025
Estimular o sitio errado nunca resulta...
Nisto da habitação o PCP tem alguma razão. Se existem setecentas mil casas devolutas no país não há necessidade nenhuma de construir mais. Até porque, muito provavelmente, existirão outras tantas em ruínas que não entrarão para estas contas. O que nos trouxe até aqui está mais que identificado. E, entre todas as causas, não estão a especulação, o mercado, a propriedade privada, a liberdade de cada um dispor como muito bem entende daquilo que é sua propriedade e tudo o mais que os comunistas odeiam. As causas são outras. Uma delas – quase diria a principal, mas não sendo especialista na especialidade não me atrevo a tanto – é aquela ideia peregrina, que ocorre a todos os governos desde que me lembro, de promover apoios à procura em vez de o fazer ao lado da oferta. Num mercado escasso como este o resultado só podia ser o que está à vista.
No âmbito da oferta, nos últimos anos, houve apenas uma tímida diminuição da carga fiscal sobre as rendas. Ainda assim longe de reverter o que foi o aumento exponencial da taxa liberatória sobre o arrendamento. Hoje é de 25%, ou seja um trimestre de rendas por ano são para o Estado, enquanto em 2010, por exemplo, essa taxa situava-se nos 15%. Se a isso juntarmos os custos de contexto – o salário mínimo duplicou e os materiais nem se fala – e acrescentarmos a impunidade de que gozam os inquilinos incumpridores temos razões mais do que suficientes para muita gente preferir ter as casas vazias. Por demagogia, populismo ou o que mais calhar ninguém tem coragem de mexer a sério nestes aspectos. Não ia cair bem junto do eleitorado que é, por norma, invejoso...Então depois não se queixem.